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- Pastor Sérgio Costa - 1º Vice Presidente - Convenção de Ministros da Assembléia de Deus Bela Vista no Ceará – Comadece


Artigo 6:   Amaleque

Recebi esse questionamento:

“No Antigo Testamento, Deus ordena que os israelitas empreendam uma guerra eterna contra a nação de Amaleque, e, os elimine totalmente. Se a palavra de Deus é atemporal, por que os israelitas e agora vocês evangélicos, que de uma forma ou de outra herdaram o AT, não estão andando por aí armados procurando amalequitas para exterminar?”

Resposta

Tenho boas notícias para você – eu procuro, sim, os amalequitas. Cá entre nós, eu até já matei alguns. Você também deveria tentar, não é tão ruim quanto parece. Ninguém se machuca, é ótimo. Mas primeiro você precisa identificar quem é realmente Amaleque.

Amaleque foi uma antiga nação do Oriente Médio que tinha um ódio inato e mortal por Israel. Não precisava motivo para os amalequitas atacar Israel.

Não se tem notícia de que entre esses dois povos, tenha havido alguma disputa por terra ou uma provocação intolerável que causasse tamanho ódio – era uma necessidade patológica intrínseca, genética, de destruir o povo de Deus. E, este tipo de ódio, não pode ser combatido pela diplomacia. Não havia a opção de reeducar os amalequitas. Seu ódio não era ensinado – era inerente. Era um antagonismo inato ao plano/propósito de Deus. Houvesse um amalequita caminhando pela terra, nenhum israelita estaria a salvo. Era um caso claro de matar ou morrer. No caso, era exterminar ou ser exterminado. Um israelita tinha de cumprir literalmente a ordem de matar Amaleque – sua vida, sua descendência e sua permanência na terra dependiam disso.

Com o tempo, a nação amalequita foi incorporada aos povos ao redor. Absorveu e foi absorvida pelos povos com quem se misturou. Seu ódio inato foi-se diluindo na medida em que sua identidade tribal, étnica, se dissolvia, se misturava, e, a ordem de matá-los tornou-se impossível de ser cumprida. Mas, isso não foi um acidente ou destino. O Deus que escreveu a Bíblia também é o Autor da História. O Senhor decidiu que tinha chegado à hora deste comando não ser mais aplicado no sentido literal. Era tempo de o povo judeu seguir em frente. A humanidade caminhava para a plenitude dos tempos. Prevalecia o plano de Deus.

Porém isso não significa que Amaleque tenha desaparecido da face da terra. Amaleque está vivo, e bem vivo nos dias de hoje, embora se apresente de forma diferente. Não sendo mais uma nação com visibilidade, o Amaleque de hoje é um inimigo interno, invisível.

Cada um de nós tem um amalequita dentro de si, espreitando para atacar a qualquer hora, a qualquer momento “para matar e roubar”. O Amaleque interior é o cinismo do mundo moderno. É aquela “vozzinha inocente” que soa dentro de cada um de nós que desprezando e atacando a verdade e a bondade de Deus, zombando da maravilhosa Graça de Deus; é a tendência irracional que temos dentro de nós zombando das pessoas éticas que agem de maneira correta; é a capacidade de sermos cínicos quando vemos o desprendimento, a abnegação, o amor ao próximo; é, ainda, a capacidade de duvidar da sinceridade dos outros – os amalequitas de hoje têm nome: cinismo, desfaçatez e banalização. Eles lutam uma guerra cruel e letal contra nossas almas. Se deixarmos, o cinismo pode matar todas as nossas tentativas de crescermos espiritualmente; se deixarmos, o cinismo e a banalização lançarão por terra todo movimento que fizermos no sentido de purificar nosso caráter e transformar nosso espírito pelo poder do Espírito Santo de Deus.

Existe apenas uma resposta eficaz aos ataques de Amaleque: a aniquilação. Não contra-argumente, pois isso não funciona. O poder do cinismo é ser irracional. O mais inspirador elevado e profundo momento do despertar espiritual pode ser dissipado num instante pelas tiradas sarcásticas de Amaleque.

Os argumentos mais lógicos e profundos podem ser rechaçados com suas respostas rápidas: "Cai na real!" ou "Tás brincando?" ou então "Ta se achando” “Grande coisa!" “Crente? Eu também sou crente. Até o diabo é crente!”

Não há resposta para este tipo de baixaria. Você não consegue lutar contra o cinismo usando a razão. Apenas livre-se dele. Sem diálogo. Sem compromisso. Apague-o da face da sua alma.

Quando o cinismo amalequita levantar sua cara feia diante de você, esmague-a. Derrote-o com as armas que o Senhor lhe deu.

Faça coisas boas sem nenhum motivo. Seja bom sem explicação. Ame seu próximo apaixonadamente. Tenha um surto de amor. Seja o herói de sua própria batalha interior e liberte sua alma cativa, acabe com um amalequita hoje.



Artigo 5:   A teoria na prática...

Estava assistindo um programa de televisão onde um pregador dizia que era muito difícil colocarmos em prática a palavra de Deus e afirmava: “entre a teoria e a prática existe um abismo”... Ou seja, a teoria na prática é diferente.

Não posso deixar de concordar com ele. Afinal de contas há muito tempo venho constatando essa verdade. Aliás, essa questão tem sido tema de longos debates entre meus alunos; e minha preocupação constante diante da Congregação, que pela misericórdia de Deus, tenho a honra de dirigir.

Pois bem, o inimigo ao longo desses mais de 2000 anos da vinda de nosso Senhor Jesus trabalhou incessantemente com o intuito de tirar dos crentes as bênçãos deixadas por Ele no calvário.

O resultado disso é a situação em que nos encontramos: uma igreja fria e sem poder. O pior de tudo é que mesmo às bênçãos mais simples não estamos conseguindo extrair das sagradas escrituras. É doloroso dizer, mas estamos quase que completamente paralisados diante dos ataques do inimigo. Reagir é preciso.

Dizia ainda o pregador da televisão: “A Bíblia Sagrada é um curso de psicologia completo, ou seja, ao seguirmos os mandamentos de Deus sem a ajuda do Espírito Santo, a Bíblia funciona como um protocolo psicoterapeutico”, isto quer dizer que sem a presença do Espírito Santo na nossa vida, a Bíblia não passa de livro de auto-ajuda.

Na verdade o que se vê nas igrejas é uma preocupação desmedida com a prosperidade material, com louvores de procedência duvidosa sem base teológica, formando crentes pela metade, sem conhecimento da Palavra de Deus, sem nenhuma preocupação com o Reino de Deus, sem a compreensão da profundidade das palavras mais veementes de Jesus, o Cristo do Senhor: “Arrependei-vos, é chegado o Reino de Deus.”

Os crentes louvadores ainda não se deram conta de que essa prática pós-moderninha de louvar por louvar (desconstrução do culto ao Senhor Jesus) adotada por algumas denominações sem maiores compromissos com a Palavra, não é compatível com a teoria (parábolas, exortações, admoestações, profecias e promessas) e a prática (milagres, maravilhas, sacrifício e ressurreição) demonstradas por Jesus durante seu ministério terreno.

A prática adequada da palavra de Deus pelos ensinamentos de Cristo tem como ultima conseqüência a nossa cristificação, e como resultado final a nossa transformação interior e a plenitude espiritual. Sem a transformação do nosso caráter, somos apenas mendigos espirituais, pronunciando alto e bom som palavras desconexas em abusado e ruidoso conflito sonoro (alguns querem seja música, e musica sacra!) em lamentável contraste com o que poderíamos usufruir de unção e bênçãos pela maravilhosa graça do Senhor.

A transformação interior não é dada como uma opção para os crentes fiéis a Jesus, é uma imposição, um ordenamento, senão vejamos:

1 Pedro 1.15 e 16 – “mas, como é santo aquele que vos chamou sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”

Atos 1.8 – “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”

2Co 7.1 “Ora amados, visto que temos tais promessas (2Co 6.18 “e eu serei para vós Pai e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso”.), purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.”

Ah! Senhor, se o teu agir fosse pela justiça do teu fogo consumidor, dificilmente haveria algum sobrevivente. Ah! Senhor recebe nosso louvor por teres escolhido o contra-senso da maravilhosa graça para revelação do teu amor aos homens.

Por fim, precisamos ser praticantes da Palavra de Deus para buscarmos a plenitude física, emocional e espiritual, e, nos prepararmos para a vinda do Senhor. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus (Rm 10.17),” isto é, a fidelidade ao Senhor vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra nos induz à sua prática, ou então, “... buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.33).”



Artigo 4:   Visão

O favor gratuito de Deus aos seus escolhidos é perene, não estancou, não se esgotou no Pentecostes de dois mil anos atrás, continua a fluir, eternamente Vivo. Bendito aquele a quem o Senhor separa para revelar sua vontade e seus divinos propósitos.

Veja e ouça o que me foi relatado e o Senhor ordenou fosse registrado, para honra e glória do seu precioso nome:

Do meio de uma grande fumaça escura surgiram três mulheres medonhas, de aspecto tenebroso vestidas de preto com as cabeças cobertas de espuma cinzenta, conduzindo na mão esquerda os olhares perplexos da Igreja.

Com a mão direita, as mulheres rasgavam seus vestidos e junto com o tecido, rasgavam sua própria carne. Entre gargalhas histéricas, regozijavam-se, pois a grande dor sentida na carne lacerada não era delas, mas da Igreja.

Rindo, desesperadamente, gritavam dizendo: “Não há esperança entre os muros do templo. A taça transbordou e a messe está ferida de morte”.

Uma das mulheres, a mais horrorosa de todas, de cabelos brancos como se albina fosse, gritava escandalosamente, mais alto do que as outras:

“Guarda, que houve de noite? Guarda, que houve de noite? Cidade que salta de alegria, os teus mortos não são mortos à espada, nem morreram na guerra (Is. 21.11 e 22.2)”.

Do meio daquele lugar tenebroso de onde as mulheres gritavam sem parar, surgiu um menino e com autoridade de grande Rei ergueu sua voz de muitos sons sobre elas e falou:

Vozes malditas! Porque estas palavras de luto e desespero? “Vós tudo perverteis, como se o oleiro fosse ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Não me fez; e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Nada sabe”. (Is. 29.16)

Desconhecem, por acaso, que a minha vida não é escrava do passado, do presente, do futuro nem dos demônios destruidores? Vede, trago nos meus olhos o brilho de todas as alvoradas, contadas desde a fundação do mundo até o final dos tempos; no meu peito reluz de eternidade em eternidade a estrela da manhã e das minhas mãos semeio vida em abundância. Silencio! Nem mais uma palavra, filhas do desespero! Donde vêm as guerras e as pelejas entre vós? (Tg 4.1) disse o menino Rei, e, tocando suavemente a fronte dos seus eleitos, os abençoou com seu olhar de bem-aventurança deixando palavras de vida eterna flutuando diante dos olhares espantados: “Não erreis: a Deus não se engana; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para sua própria carne, da carne colherá a corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna (Gl 6.7:8)”.

As mulheres, rolando pelo chão desesperadas, continuavam a gritar, a dilacerar suas carnes e a rasgar suas vestes; mas, já não sentíamos nenhuma dor, pois toda a dor sentida no Templo o menino Rei, amorosamente, havia tomado sobre si mesmo ao retornar à casa do Pai.



Artigo 3:   O Caminho

Cheguei estrangeiro na casa do Senhor.

Estava ali como curioso para ver o grande templo e sacrificar meu dia sobre o altar.

Depois de entregar o sacrifício, fiquei parado na porta do templo olhando os que compravam, vendiam e trocavam toda espécie de sacrifícios.

O barulho na porta do templo era enorme. Falava-se de tudo, menos no dono da Casa.

Enquanto eu estava assim, envolvido pela algazarra, surgiu de repente no meio do pátio um homem altivo, porte real e com rara autoridade aproximou-se dos camelôs.

Trazia na mão um pequeno chicote de pele de cabra, e sem contar pipoca, de-sancou os vendedores, expulsou os compradores, derrubou as banquinhas de quinquilharias e com grande voz repreendeu os mercadores da palavra.

Alto, e bom som, ouvi quando Ele bradou: “devolvei o pátio da Casa de meu Pai. Não está escrito: A minha casa será chamada Casa de Oração?”.

Homens e mulheres apavorados com brilho da sua face tentavam esconder seus rostos e desviar seus olhares do seu olhar que a todos abarcava.

Ele, majestosamente, se movia entre aquele povo como um pé-de-vento que arrebata as dunas de areia. Debandada geral. Todos fugiram.

Só Ele permaneceu lá, sozinho. Até seus seguidores ficaram a distancia, para-dos, temerosos da reação dos mercadores que de longe esbravejavam contra o homem do chicote.

Voltei o olhar e vi o guardião do templo. Fui a ele e perguntei:

Quem é esse homem que se levanta como uma Igreja?

E ele respondeu: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, e outros, ainda, dizem que ressurgiu um dos antigos profetas, mas eu creio que é o Cris-to, Filho de Deus.

Tudo isso durou poucos segundos e o pátio do templo ficou vazio e silencioso.

Aquele homem altaneiro, que agora eu sabia ser o Cristo, voltou mansamente para seus amigos deu uma tapinha amoroso nas costas de cada um, sorriu para mim um sorriso meigo e profundo, entregou-me seu chicote e sumiu envolvi-do por uma nuvem de gente.

Daquele breve e definitivo contato com o Mestre, ficou a coragem para empu-nhar seu chicote, a humildade para estar a seus pés e a fidelidade para seguir O caminho.



Artigo 2:  O azeite de Josias

Pisando as velhas calçadas da Imperador fui sendo levado, assim sem que eu mesmo soubesse, aos campos da infância, quase perdidos nos desvãos do tempo. Voltei a seguir os passos do propósito. Vai não te mandei eu? A ordem retinia na minha dura cabeça.

A praça da Lagoinha povoada agora por malta multicolorida de desempregados, batedores de carteira, prostitutas, pequenos delinqüentes, engraxates, intrujões, jogadores de bozó, emitindo das suas entranhas mais profundas, incompreensível e ensurdecedora polifonia, voz abissal de todos os alto falantes, não era a que povoava minhas lembranças.

Deus é Deus? Sim, Deus é Deus. O Espírito Santo é Deus? Sim, o Espírito Santo é Deus. O Filho é Deus? Sim o Filho é Deus. Então são três deuses? Não, são três pessoas distintas e apenas um Deus verdadeiro – era o brado da preparação à primeira comunhão no soluço sincopado da ladainha da dona Idelzuite, já na Glória.

Qual o propósito dessa visita às coisas da velha criatura? Meu espírito se inquietava diante do Senhor!

Chegando sem avisar, filtrado pela copa das árvores, disfarçado de raios de sol, Ele se projeta sobre mim, e se revela no eu Templo:

“O Espírito do Senhor está sobre nós, pelo que nos ungiu para evangelizar os pobres; enviou-nos para proclamar a libertação aos cativos e a restauração aos cegos, para por em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18).

Mas, Senhor, o que falar para essa gente? Eu não sei nem pra mim mesmo?

“Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Ex.4.12).

Envolvido pelo choque da revelação inesperada e repentina fiquei pensando: será que Jesus foi homem de carne e osso como nós, ou foi um pensamento sem corpo, ou uma idéia que visita os sonhos da gente?

“Quem vale mais a Umbanda com seus guias ou o azeite do Josias?”

No centro de um ajuntamento de gente do povo um homem de pequena estatura pregava a Palavra. A mão direita em concha repleta de azeite era aplicada sem piedade na testa de quem se atrevesse se aproximar daquela criatura tomada por forças espirituais. O povo em sua volta ora se afastava, ora se chegava, como uma roda de ciranda, uns riam, outros oravam, outros choravam e alguns cantavam louvores ao Senhor. O personagem central, o que se chamava Josias, indiferente aos circunstantes pregava a Palavra, apregoava a cura divina, a libertação espiritual e em nome de Jesus expulsava espíritos malignos.

Quem vale mais a umbanda com seus guias ou o azeite do Josias? O grito ecoava nos quatro cantos da praça em tom ameaçador, mas cheio do poder.

Diante da minha intolerância, que o Senhor tenha misericórdia de mim, Ele falou a meu coração: “Os sãos não precisam de médicos, e sim os doentes. Não vim chamar os justos e sim os pecadores ao arrependimento” (Lc. 5.31: 32).

Mas, Senhor – ainda o espírito da intolerância – esse Josias não é da nossa igreja! Fica aí lambuzando a cara dos teus filhos com azeite de procedência duvidosa! Com que direito ele faz essas coisas? Senhor, ainda tem mais: ainda por cima, usa e abusa do teu Santo nome e fala da tua Palavra!

Uma voz a meu lado pôs suavemente a mão em meu ombro e sussurrou:

Amigo, uma esmola, pelo amor de Deus!

Da face radiante daquele pedinte mal cheiroso, desprezado pelos homens, excluído das igrejas, perdido pelo desamor, desprezado pelos seus, veio a resposta do Propósito:

“Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós é por nós” (Mc. 9.39: 40).

Na minha cabeça a voz sincopada da dona Idelzuite ecoava lá longe, muito longe, diminuindo, diminuindo:

Deus é Deus? Sim, Deus é Deus. O Espírito Santo é Deus? Sim, o Espírito Santo é Deus. O Filho é Deus? Sim, o Filho é Deus.

Prestatenção menino!

Ev. Sérgio Roberto Ferreira Costa
Assembléia de Deus Bela Vista
Congregação de Luciano Cavalcante.



Artigo 1:  A fonte dos cavalinhos de bronze
Aproveitava os respingos da água que saia da boca dos cavalinhos de bronze quando Ele surgiu assim de estalo por trás da fonte.

Parou diante da turba indisciplinada, cabeça erguida para o alto, e, como se estivesse lendo com a ponta do queixo o livro da salvação anunciou: O mover de Deus fez jorrar a vida, e a vida ansiosa procurou a profundidade; e a profundidade subiu às alturas; e o som do Altíssimo se fez Filho do Homem, que se fez espírito, que voltou a Deus, que habita onde estiverem dois ou três bem-aventurados reunidos em Seu nome.

Dizendo essas palavras e com a maior sem cerimônia deixou que seu olhar de infinito alvor invadisse o descompasso do meu coração faminto da Palavra, enquanto sondava meu estomago repleto de vãs doutrinas.

Tens sede, obreiro de meu Pai? Silenciosamente perguntou.

Não sei explicar bem o que aconteceu, embora não fosse a minha vontade, sentia desejo intenso de descer do frescor da Fonte dos Cavalinhos de Bronze e cair diante Dele. Ficar horas de nunca mais acabar a seus pés pedindo em seu nome – Mestre deixa minha pouca fé receber pingos d’água da fonte de água viva! Até os cachorrinhos bebem dos respingos que o vento espalha da tua fonte (Mt.15.27).

Ora, criança, é Espírito a água imortal. Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim terá rios de água viva fluindo do seu interior (Jo 7.37:38). A razão pesa e mede as possibilidades, mas é o espírito que alcança as alturas do mistério das águas de Siloé (Jo 9).

Falando nesse tom de sabedoria desapareceu nas cores do pequeno arco-íres que esmaecia na neblina da Fonte dos Cavalinhos de Bronze.

Durou fração de momento o corte finíssimo no firmamento ao lado, restando da Sua presença o convite irrecusável:

Segue-me, eu te transformarei em pescador de pedras vivas (Mt 4.19).

Olhou meu olhar com profunda meiguice deixando sua paz dominar o vasto e árido campo das minhas dúvidas, e, sondando minha mais íntima integridade, saiu permeando o povo das ruas e mansamente abençoou nossa pouca fé.

Resistir, quem há-de?



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