Aula 10

UMA HERANÇA CONQUISTADA PELA FÉ

Leitura Bíblica: Josué 14:1-15

08/02/2009

 "Porém o Meu servo Calebe, porquanto nele houve outro Espírito, e perseverou em seguir-Me, Eu o levarei à terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança”(Números 14:24). “...Hebrom ficou sendo herança de Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, porquanto perseverara em seguir ao Senhor Deus de Israel”(14:14).

 

INTRODUÇÃO

Vocês se lembram da aula nº 07 quando falamos que a fé, obediência e confiança formavam um triângulo de três lados iguais, os quais eram interligados? Pois é, nesta aula teremos novamente uma grande lição sobre esse trinômio que compõe a personalidade espiritual de um filho de Deus, exercida aqui por um homem chamado Calebe, cujo nome significa de “todo o coração”. Mas, há uma qualidade em Calebe que resume bem os três termos acima: perseverança - fidelidade. A perseverança gera uma virtude do fruto do Espírito chamada paciência (ou longanimidade –Gl 5:22). É uma virtude típica de um verdadeiro homem de Deus. Foi o próprio Deus quem disse: “... e perseverou em seguir-me”(Nm 14:24), e ratificada por Josué 45 anos após: “...porquanto perseverou em seguir ao Senhor”(Js 14:14). Calebe foi perseverante na sua fé em Deus; foi perseverante em obedecer a Deus; foi perseverante em confiar na promessa de Deus. Ele seguiu a Deus de todo o seu coração e foi recompensado por sua obediência. Confiou e esperou com paciência a promessa feita a ele, mesmo decorrido 45 anos desde a vez em que a ouviu pela primeira vez. No momento em que Josué ia distribuir as terras às nove tribos e meia que ainda não tinham recebido as suas porções, Calebe fez lembrar a Josué da grande promessa que Deus lhe tinha dado por causa da fé, obediência e confiança em Deus, quando do retorno da missão de espiar a terra juntamente com Josué e outros 10 espias. Deus tinha falado com ele da seguinte maneira: “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro Espírito, e perseverou em seguir-me, Eu o levarei à terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança” (Nm 14:24).

Caminhar com perseverança, com paciência é caminhar com objetivo, com propósito, e o nosso propósito é atingir o alvo, ou seja, é conquistar a Terra Prometida, ou melhor dizendo, é morar na Formosa Jerusalém Celestial.  Ante esta visão de objetivo, de propósito, permite que tenhamos alegria e esperança. A caminhada com paciência permite-nos desfrutar da alegria espiritual, do gozo, pois “as aflições do tempo presente não é para comparar com a glória que nos está reservada”.

O resultado da experiência produzida pela paciência é, precisamente, a esperança (Rm.5:4). Como afirma Paulo, “mas se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos” (Rm.8:25). Por isso, o apóstolo, no final de sua vida, após concluir a sua carreira, podia dizer que esperava a coroa da justiça e a vinda do Senhor Jesus (ler 2 Tm.4:8). O sofrimento do crente nesta vida não é para que ele fique desesperado, mas, bem ao contrário, é o remédio divino para que tenhamos esperança.

I – A FIDELIDADE DE CALEBE

No dicionário Aurélio, fidelidade é: Qualidade do que é fiel. Lealdade; firmeza; pontualidade; exatidão; conformidade. Fidelidade é uma qualidade de caráter de uma pessoa. Ser fiel é ser leal, verdadeiro, exato. Que cumpre aquilo que se obriga.

Calebe foi fiel ao Senhor desde o começo de sua chamada. Como um dos primeiros doze espias enviados à Terra Prometida(Nm 13:30-33), contemplou grandes cidades e gigantes; mesmo assim sabia que Deus ajudaria os israelitas a conquistar a terra. Como recompensa por sua fé, o Senhor prometeu-lhe uma herança particular(Num 14:24; Dt 1:34-36). Após 45 anos mais tarde, esta promessa foi cumprida. Sua fé permanecia inabalável. Embora ainda habitada por gigantes, Calebe sabia que o Senhor o ajudaria a conquista-la. Havia nele perseverança, fidelidade e ousadia. Como Calebe, devemos ser fiéis a Deus, não apenas no início de nossa caminhada com Ele, mas pelo resto de nossas vidas. Nunca devemos confiar em nossas realizações ou reputações passadas.

1. Calebe, um homem leal. A lealdade é um dos aspectos da fidelidade, aquele que diz respeito a nosso relacionamento com outrem. Em Dt.32:20, no cântico de Moisés, é dito que Israel seria desleal, porque se esqueceria da Rocha que o havia gerado, do Deus que o havia formado (Dt.32:18). Esta deslealdade, como se verifica, foi o fato de Israel não ter cumprido o compromisso assumido com o Senhor em Ex.19:6, quando afirmou que faria tudo o que Senhor havia falado. Entretanto, como bem sabemos, a geração que assumiu este compromisso, cedo se distanciou do Senhor, como vemos a partir do episódio do bezerro de ouro. O escritor aos hebreus diz que a geração do êxodo não entrou na Terra Prometida por causa da sua incredulidade (Hb.3:19), ou seja, por causa da sua falta de fé.

A deslealdade nada mais é que produto da falta de fé. Ser leal é cumprir os compromissos assumidos, é observar os preceitos e normas estabelecidos. O crente é leal, em primeiro lugar, ao Senhor e, em segundo lugar, ao próximo.

Lealdade é uma qualidade do caráter de uma pessoa. O nome Calebe quer dizer “de todo coração”. Seu caráter tinha tudo a ver com seu nome. Ele era uma pessoa que de todo coração servia a Deus com fidelidade, e foi recompensado. Foi leal aos seus líderes, Moises e Josué. Mesmo não sendo israelita, no sentido estrito da palavra, pois pertencia a uma família edomita, que era da descendência de Esaú (irmão de Jacó) – veja o texto de Josué 14:16 -, mesmo assim soube se comportar como um verdadeiro servo de Deus. O seu caráter serviu de modelo às gerações futuras, como um exemplo a ser seguido: fidelidade, lealdade, confiança, obediência a Deus e as seus líderes; sempre soube o momento certo de falar e calar-se; quando teve a oportunidade de se pronunciar diante de seu povo e de seus líderes, ele o fez de modo a agradar a Deus e não a maioria(Nm 13:30; 14:6-9); foi um homem que caminhava por fé e não por vista.

No texto de Josué 14:1-15 está estampado o caráter de Calebe, sua fé e seu testemunho. Ali fala do seu caráter, porque mostra que ele foi um homem honesto, leal. O versículo sete diz que ele deu um relatório de confiança. Ele tinha seu coração certo com Deus, então falou o que realmente sentia. Ele não fingiu algo para mostrar aos outros, mas falou exatamente o que sentia, porque tinha relacionamento com Deus. Em Provérbios 16:23, vemos que o coração do sábio ensina com sua boca e aumenta o saber nos seus lábios. O Salmo 112:7-8, diz que o homem que tem o coração firme confiando no Senhor não teme más notícias. O coração está firme no Senhor, então ele não está preocupado, desesperado por causa de más notícias.

O versículo oito diz que Calebe também era um homem misericordioso, uma pessoa caridosa. O texto diz: “mas os meus irmãos que foram comigo, que desanimaram o povo...”. Mesmo eles dando um relatório negativo, Calebe os chama de “meus irmãos”; ainda que o relatório tenha desonrado a Deus, ele os chamou de irmãos. A diferença para Moisés é total, porque os chamou de rebeldes, mas Calebe os tratou com misericórdia e com carinho.

Outra coisa que vemos no caráter dele no versículo oito é que ele também foi inteiramente fiel ao Senhor. Sua vida foi consagrada. Em Números 14:24 o próprio Deus diz que Calebe tem outro espírito e o segue com integridade. Ele seguiu o Senhor como devemos segui-lo. Aceitou a sua vontade, creu na sua palavra, se lançou no chamado e sem medo permaneceu nele. Agindo assim certamente agradaremos o Senhor, e Ele cumprirá em nós a sua promessa: a nossa morada na terra prometida(João 14:1-6).

2. A fé de dois espias. Pouco mais de um ano após o êxodo, Israel seguiu para a terra da promessa, mobilizado para a conquista. À frente de todo o acampamento seguia a arca de Deus, o símbolo de Sua presença poderosa, orientadora e protetora(Nm.10:33-36).

Perto de Canaã, o Senhor ordenou que Moisés enviasse 12 espias que pudessem conferir os pontos fortes e os pontos fracos de seus habitantes e prescrever uma ação tática para a conquista. Os doze, inclusive Josué e Calebe, percorreram toda a extensão de Canaã e voltaram com os relatos de tudo o que viram. A terra era rica e fértil, diziam: verdadeiramente mana leite e mel! Mas, a maioria argumentava que não podia ser tomada por causa da força superior de seus cidadãos. Josué e Calebe, porém, não concordaram com o restante dos espias e encorajaram Israel a crer na promessa de Deus e a entrar na terra de Canaã. Veja o que o texto sagrado nos diz: E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes; e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra, pela qual passamos para a espiar, é terra muitíssimo boa. Se o Senhor se agradar de nós, então nos introduzirá nesta terra e no-la dará; terra que mana leite e mel. Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor, e não temais o povo desta terra, porquanto são eles nosso pão. Retirou-se deles a sua defesa, e o Senhor está conosco; não os temais. Mas toda a congregação disse que fossem apedrejados(Num 14:6-10).

Apesar das informações de Josué e Calebe a respeito da presença e do poder do Senhor, o povo deu ouvidos ao relato da maioria e recusou-se a prosseguir. Por causa dessa falta de fé e desobediência, Deus os sentenciou a peregrinar no deserto até serem consumidos, não herdando a terra prometida, exceto Josué e Calebe. Deus disse: “nenhum de todos os homens que viram a minha glória e os sinais que fiz no Egito e no deserto, e todavia me tentaram estas dez vezes, não obedecendo à minha voz, nenhum deles verá a terra que com juramento prometi o seus pais; nenhum daqueles que me desprezaram a verá”(Num 14:22,23).

E a Calebe, por causa de sua fé, obediência, confiança em Deus, perseverança e coragem, Deus lhe disse: Mas o meu servo Calebe, porque nele houve outro espírito, e porque perseverou em seguir-me, eu o introduzirei na terra em que entrou, e a sua posteridade a possuirá”(Num 14:24).

Calebe não era apenas um homem de grande fé, ele a depositava no grande Deus! A coragem de Calebe baseava-se nas suas experiências com Deus, não nas habilidades de Israel para conquistar a Terra Prometida. Calebe não podia concordar com a maioria, pois estaria discordando de Deus.

Calebe fez calar o povo, pois decerto o relatório causou grande alvoroço, e fez a sua recomendação: ele não tinha dúvida que os israelitas podiam prevalecer contra os habitantes da terra, portanto deviam subir e possuí-la. Mas os outros, com a exceção de Josué (Nm 14:6), não concordaram e disseram que era impossível. Nem sempre se dá ouvidos à voz da minoria. No entanto, a verdade não pode ser medida pela quantidade de adeptos.

Calebe tinha fé, não tanto no poder do seu povo, mas principalmente no poder do Senhor Deus de Israel (Num 14:8). A sua coragem, ao enfrentar a opinião contrária da grande maioria, era baseada em seu conhecimento de Deus. Ele não podia ceder frente à opinião dos outros porque isto seria uma infidelidade contra Deus.

Muitas vezes somos tentados a basear nossas decisões naquilo que os outros fazem ou acham certo fazer. Talvez nossa incredulidade não seja tão definida como a dos dez espias, mas somos inclinados a aceitar o que "todo o mundo" acha, começando pelas perguntas: “o que dizem os peritos?”, ou “o que dizem meus amigos?”, ou “o que dizem a maioria?”. A pergunta que mais evitamos é: “o que Deus pensa sobre isto?”.

Os outros dez espias disseram que a terra devora os seus moradores. É uma expressão significando que vários grupos lutavam pela posse da terra devido à sua excelente posição e fartura. Referindo-se aos filhos de Enaque, disseram que esses eram tão grandes que eles próprios se sentiam como gafanhotos diante deles. Realmente os enaquins eram homens grandes, mas pareciam ainda maiores porque os espias estavam com medo. Eles se viam como gafanhotos diante dos enaquins, mas se esqueceram do Senhor; se O tivessem incluído na equação o resultado seria totalmente outro!

Quando sentimos medo e perdemos nossa fé, tendemos a exagerar as dificuldades e os problemas. Mas se nos voltarmos para Deus, que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós (Ef 3:20), as dificuldades e problemas serão vistos com os olhos da fé, e teremos coragem de enfrentá-los, pois, com este Poder, venceremos.

3. Aguardando a Promessa. No momento da distribuição das terras Calebe lembrou a Josué que havia 45 anos que aguardava a promessa que Deus tinha feito a Ele (14:10). E para refrescar a memória de Josué ele ainda faz um resumo do ocorrido com os dez espias que se manifestaram contrários à conquista da terra(14:6-9). Foi uma demonstração superlativa de fé em Deus e na sua Palavra. Hebreus 11:1 diz que a fé é a certeza das coisas que nós esperamos e a convicção das coisas que não vemos. Incredulidade tem memória curta, mas a fé traz à memória as coisas que Deus fala.

Calebe não só lembrou da promessa, mas acreditou. Promessa não é só para ser lembrada, mas para ser acreditada. Ter fé de buscar não as coisas que se vêem, mas também as coisas que não se vêem. Por que buscar? Porque Deus falou e vai fazer. II Coríntios 5:7 diz que nós andamos por fé e não por vista. Não vemos, mas acreditamos. Aquele que prometeu é fiel.

Em Josué 14:17 ele cobra a região montanhosa que tinha sido prometida. Ele clamou a bênção, acreditou na promessa, porque a condição tinha sido cumprida e ele poderia tomar posse. Isso não é ser presunçoso, mas é uma fé honesta de quem conhece a palavra, de quem tem relacionamento com Deus. Não é arrogância. Coloque em sua oração as bênçãos e promessas que o Senhor te prometeu. Acredite nelas e clame por cumprimento. Tem muita gente abrindo mão das coisas de Deus e não clama, não ora.

Como saber se é a vontade de Deus? Clame enquanto seu coração está ardendo, mas não quebre nenhum princípio de Deus por coisa que você quer. Clame segundo o limite de Deus. Se Deus diz não, é não. Não dê jeitinho. Não faça idéias mirabolantes.

A vida de Calebe mostra o caráter de Deus. Ele falou bem de Deus. Em Josué 14:10 ele testificou da fidelidade de Deus. Ele disse que nos 45 anos foi mantido pelo poder de Deus enquanto a multidão se perdeu em incredulidade. Ele estava convicto de que foi mantido pelo poder de Deus através da fé. Ele sabia que estava desfrutando porque Deus é bom e misericordioso. Testifique Deus através da sua fé. Ande por aquilo que você vive com Deus. Não ande pela cabeça dos outros, não fale palavras decoradas. Testifique apenas o que Deus está fazendo na sua vida.

 

II – UM PEDIDO OUSADO

1. É chegada a Promessa. Chegou o momento da distribuição das terras, e seriam feitas através do lançamento de sorte, pois era determinação do Senhor –“Todavia a terra se repartirá por sortes”(Num 26:55). Com isso, seria evitado as disputas humanas e haveria a certeza de que Deus estava dirigindo o processo, vindo portanto do Senhor a parte que caberia a cada tribo. Todavia a terra que seria dada a Calebe não seria por sorte, pois havia uma promessa feita a ele pelo Senhor há quarenta cinco anos de então (14:10). Calebe com fé e disposição, foi a Josué e pediu-lhe a sua parte, independentemente do que coubesse à sua tribo, a tribo de Judá. O tempo foi longo: 40 anos no deserto e mais cinco de guerra na terra de Canaã, mas Calebe não se esqueceu das promessas que lhe foram feitas. Esperou com paciência e perseverou em seguir e servir ao Senhor. Apesar do tempo e das dificuldades que passou na jornada até chegar à terra prometida, ele permaneceu fiel a Deus e recebeu integralmente a herança que lhe fora prometida – “Então Josué abençoou a Calebe, filho de Jefoné, e lhe deu Hebrom em herança. Portanto Hebrom ficou sendo herança de Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, até o dia de hoje, porquanto perseverara em seguir ao Senhor Deus de Israel”(14:13,14).

Calebe, o fiel espia que, com Josué, sobrevivera aos quarenta anos no deserto como prêmio pela sua fidelidade, é recompensado com o território que fora designado por Moisés como herança perpétua por causa da sua perseverança em seguir ao Senhor seu Deus. Já com oitenta e cinco anos, mas ainda forte para o combate, ele reclamou para si e recebeu o monte Hebrom onde habitavam os gigantes enaquins em grandes e fortes cidades (que fizeram desesperar os outros espias).

2. Sem medo de gigantes – “Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; porque tu ouviste, naquele dia, que estavam ali os anaquins, bem como cidades grandes e fortificadas. Porventura o Senhor será comigo para os expulsar, como ele disse”(Js 14:12). A promessa chegou, mas tinha que enfrentar e expulsar os gigantes (os três filhos de Anaque: Sesai, Aimã e Talmai – Js 15:14). E medo era uma palavra que não existia no vocabulário de Calebe, pois confiava inteiramente em Deus e no cumprimento de suas promessas (14:12). Havia nele perseverança, fidelidade e ousadia. Ele não enxergava obstáculos, pois confiava ardentemente no Senhor.

A força de Calebe vinha da sua fé no Senhor – “mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...”(Is 40:31). Ele era um homem de visão e não temia obstáculos que surgissem à sua frente como empecilhos para que alcançasse a benção de Deus, mesmo que esses obstáculos fossem gigantes de quase três metros de altura, os anaquins. Calebe assim como Davi era um matador de gigantes. Ela sabia que o Senhor era o seu Varão de guerra – “O Senhor é varão de guerra; Senhor é o seu nome”(Ex 15:3).

Muitos de nós também enfrentamos todos os dias, situações que parecem gigantes que se levantam contra nós. Problema financeiro; problema de saúde na família; crise conjugal; desemprego; pecados... E muitas vezes nos sentimos como gafanhoto diante dos problemas. Mas o relato da vida de Calebe nos serve como inspiração para enfrentarmos todas as situações que nos são propostas em nossas vidas.

Precisamos ser como Calebe. Quando vierem as dificuldades, os gigantes, ele sempre perseverou em servir ao Senhor, não abandonou as promessas de Deus para a sua vida(Js 14:6,9), confiava inteiramente em Deus que não o abandonaria.

3. Calebe não perdeu o vigor em servir ao Senhor(“E agora eis que o Senhor, como falou, me conservou em vida estes quarenta e cinco anos, desde o tempo em que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e eis que hoje tenho já oitenta e cinco anos; ainda hoje me acho tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como para sair e entrar” -. Js 14:10,11).

O versículo 11 fala que ele estava forte como no dia em que Moisés o enviou. A alegria do Senhor é a nossa força(Neemias 8:10). O tempo não pode enfraquecer aquele que se dispõe a servir ao Senhor de todo o coração. Quem perde o primeiro amor, também perderá a primeira força. As árvores da plantação do Senhor estão cheias de vigor. Aquele que confia no Senhor é como árvore plantada junto a ribeiros de água, que no tempo certo dá frutos e cuja folha não cai (Salmo 1). Não importa quanto tempo vai passar.

Árvores frutíferas dão o bom testemunho de que o jardineiro está cuidando delas. Árvores sem frutos estão dizendo que o jardineiro não cuida direito, ou que não prestam, porque é pelo fruto que se conhece a árvore. O cristão forte e saudável é testemunha da riqueza e bondade do Senhor e isso tem que frutificar na enfermidade, na dificuldade.

É bom salientar que as promessas de Deus não dizem respeito somente às prosperidade financeira, casa ou carro. Jesus é a nossa terra da promessa. Estar em Cristo Jesus é ter um coração satisfeito. Podemos estar em luta, em choro, em batalha, mas no coração sabemos em quem temos crido e ele se levantará. Esse tempo passageiro de aflição não é nada comparado com a glória que virá.

No versículo 12 ele fala: “mas se o Senhor estiver comigo, eu os expulsarei de lá como ele prometeu”. Esse testemunho é uma verdade. A nossa habilidade de vencer os inimigos não está em nossa sabedoria, mas na presença de Deus conosco. Calebe sabia que só Deus poderia revesti-lo de força suficiente. O Salmo 60:12 diz que em Deus faremos proezas. Em I Coríntios 15:57 diz que Deus nos dá a vitória em Cristo. Nossa vitória está em Cristo Jesus. Se estamos nele, somos vitoriosos.

4. A terceira idade não significa decadência e tristeza. Porque pensar que aquilo que acontece de ruim com alguns idosos fatalmente acontecerá também, com outros? Tudo depende dos desígnios divinos, de nós próprios, de nosso temperamento, de nosso otimismo, de nossos objetivos, de nossa confiança em Deus e daquilo que plantamos a vida toda e agora queremos colher.

a) Nem todo idoso fica fraco e incapaz para o trabalho.

Josué. Ele cumpriu fielmente a tarefa de que fora incumbido, mas não viveria o suficiente para ver Israel ocupar toda a terra que o Senhor lhe havia prometido (efetivamente isso nunca chegou a acontecer até agora, e só se cumprirá no reino milenar de Cristo), pois ele estava agora se aproximando dos cem anos de idade. Isto nos lembra que nunca devemos imaginar que já aprendemos tudo o que devemos saber e que já completamos toda a tarefa que Deus nos designou para fazer, antes de sermos chamados por Ele à Sua presença (Fp 3:12). O servo de Deus, que é todo o crente em Cristo, nunca se aposenta. O Senhor ainda tinha trabalho para Josué: sua idade em si não o tornava incompetente. Em nossos dias dá-se muito valor ao vigor da juventude, e os mais velhos são marginalizados. Mas são os mais velhos que possuem a sabedoria gerada pela experiência.

Calebe. Ele, um dos lideres de Israel durante o êxodo, era homem de 85 anos de idade e ainda se sentia em plena forma, pronto para qualquer missão que Josué lhe confiasse. Orgulhosamente, ele se considerava invencível e dizia a todos, em alto e bom som: “... sou de oitenta e cinco anos. Estou forte ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força naquele dia, tal ainda agora, para o combate, assim para sair a ele, como para voltar”(Js. 14.10-11).

Ana. A velha profetiza de 84 anos, era uma mulher impressionantemente ativa: ”Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações... e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém”(Lc.2.36-38).

b) Nem todo idoso perde a capacidade de discernimento.

O profeta Eli era muito velho, mas ainda lúcido o suficiente para perceber que a voz que chamara o menino Samuel durante a noite era a voz do Senhor (1 Sm2:22;3:8-9).

O ancião, autor do Salmo 71, dizia-se ainda forte para lembrar-se dos ensinos de Deus e proclamar as suas maravilhas: ”Sinto-me na força do Senhor Deus, e rememoro a tua justiça... Tu me tens ensinado, ó Deus, desde a minha mocidade; e até agora tenho anunciado as tuas maravilhas”(Sl 71:16-17).

O velho Simeão revelou lucidez e raciocínio lógico nas palavras de seu cântico(Lc. 2:28-32).

Salomão, em sua velhice, ainda escreveu o Eclesiastes.

O apóstolo João, já bem velhinho, escreveu o Apocalipse e as três epístolas.

 

Veja esta poesia de Olavo Bilac

 

VELHAS ÁRVORES

 

Olha estas velhas árvores, mais belas

Do que as árvores novas, mais amigas:

Tanto mais belas quanto mais antigas,

Vencedoras da idade e das procelas...

 

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas

Vivem, livres de fomes e fadigas;

E em seus galhos abrigam-se as cantigas

E os amores das aves tagarelas.

 

Não choremos, amigo, a mocidade!

Envelheçamos rindo! envelheçamos

Como as árvores fortes envelhecem:

 

Na glória da alegria e da bondade,

Agasalhando os pássaros nos ramos,

Dando sombra e consolo aos que padecem!

(Olavo Bilac)

 

III – A RECOMPENSA DE CALEBE

1. Calebe é recompensado por sua fidelidade. A fidelidade de Calebe a Deus, a Moisés e a Josué foi grandemente recompensada, não apenas na preservação da vida dele, enquanto seus contemporâneos morreram no deserto, mas também no fato de poder desfrutar da bênção esperada por décadas, além de aos 85 anos continuar com o vigor físico que tinha aos 40(14:11). Sua vida ilustra a fidelidade do crente e a perseverança em seguir ao Senhor de todo o coração, e nunca esquecer de suas promessas. Não podemos esquecer das promessas de Deus para nossa vida: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”(1 João 2:25; 2 Co 1:20). Um dia, também, teremos a nossa recompensa pela nossa perseverança em seguir ao nosso Senhor, nosso Deus. Esse vai ser o critério, não a nossa popularidade ou eminência neste mundo.

Calebe, homem fiel a Deus que era, tomou Hebrom, onde havia gigantes, porque era o lugar que o Senhor lhe havia determinado. Sua fé continuava inabalável, e sabia que o Senhor cumpriria sua promessa de lhe dar a terra, afastando seus habitantes. E isto se cumpriu, ficando ele com uma das melhores partes do país (15:13-19).

Otniel, o sobrinho valente de Calebe, que se tornou seu genro como prêmio por tomar para ele a cidade Quiriate-Sefer, foi feito o primeiro juiz de Israel depois da morte de Josué (Juizes 3:9-11). Nessa posição ele desempenhou um papel importante na reforma de Israel ao afugentar um inimigo opressor e pacificar o país. Assim a fidelidade de Calebe continuou na segunda geração.

Deus sempre tem uma recompensa para aqueles que permanecem fiéis a Ele até o fim(Ap 2:10; Tg 1:12).

2. Vencendo os inimigos. O Senhor havia mandado Josué fazer o povo herdar a terra (capítulo 1:6): subjugá-la e distribuí-la. Era agora a ocasião para Josué distribuir toda a terra, mesmo as partes ainda não conquistadas. Pela fé, o povo deveria conquistar o que faltava, pois o Senhor prometia lançar de diante deles todos os seus habitantes (versículo 6). A intenção de Deus era usar o povo de Israel para trazer um severo julgamento às nações cananéias.

A campanha militar invalidou a resistência organizada cananéia, mas o controle de Israel foi largamente limitado à região montanhosa de Canaã. Ainda faltou muita terra a ser conquistada com se observa Josué 13:1. Notemos que a expressão “muitíssima terra ficou para possuir, aponta para o futuro, e indica que o território ainda não conquistado está incluído na promessa feita e ecoa como garantia de vitória e certeza de conquista. O plano do Senhor consistia em remover da terra a má influência daquela gente inimiga de Deus. Se essas continuassem na terra induziriam os israelitas a cometerem toda sorte de pecados.

A história dos israelitas ensina que eles falharam em sua conquista porque deixaram de eliminar completamente os habitantes de Canaã. A presença dos que ficaram na terra tornou-se um foco de infecção e impurezas, perturbando seriamente a paz interna no país. É um perigo que também corremos, se não eliminarmos o pecado completamente das nossas vidas, e que poderá ter conseqüências desastrosas para nossa vida espiritual.

Como os israelitas tinham que continuar a conquista depois da morte de Josué, também nós devemos, pela fé, vencer nossas batalhas (1 João 5:4) contra a carne, o mundo e as forças espirituais do mal. Nosso Salvador venceu para nós a maior batalha, ganhando-nos a vida eterna mediante a sua morte por nós (1 Co 15:54-57), mas devemos agora lutar para obter o nosso galardão (1 Co 9:24,25).

 

CONCLUSÃO

Você quer tomar posse da bênção? Permaneça fiel, obediente e confiante no Senhor – Seja perseverante em servir ao Senhor. O mesmo Deus que agia no passado é quem te dá poder hoje. Josué e Calebe tinham essa convicção. Eles tomaram posse da terra prometida e estavam convictos de que Deus faria todas as coisas. A confiança deles estava no Senhor.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Consta no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Distribuição da Terra – R David Jones. Guia do leitor da bíblia - Livro de Josué.