Aula 12
PRESERVANDO A PALVRA DO SENHOR
TEXTO BÁSICO: Josué 23:1-16
22/03/2009
“Esforçai-vos, pois, para guardar e cumprir tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés, para que dela não vos desvieis nem para a direita nem para a esquerda”(Josué 23:6).
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
Na aula anterior estudamos sobre as cidades de refúgio, cujo texto base foi o capítulo 20 do livro de Josué. Nesta aula, estudaremos o discurso de Josué, em sua despedida do povo de Israel, cujo texto base é o capítulo 23. Assim sendo, não foram destacados temas alusivos aos fatos relatados nos capítulos 21 e 22. Mas, para não deixar lacuna no estudo do livro de Josué relataremos alguns aspectos importantes ocorridos nestes dois capítulos, que poderão nos servir de edificação espiritual.
Capítulo 21. Neste capítulo é enfocada a distribuição, mediante sorteio, de 48 cidades aos levitas, que incluía as 06 cidades de refúgio. Uma grande parte da terra prometida ainda estava para ser ocupada, mas Deus havia prometido que toda a terra onde eles pusessem os pés seria deles. A que eles agora possuíam estava livre dos inimigos e nela podiam descansar (Josué 22:44). Mas enquanto não expulsassem o inimigo do restante da terra (e eles nunca chegaram a fazê-lo completamente, por causa da sua incredulidade) não teriam tranquilidade. Nosso descanso é o descanso da redenção, a paz que Cristo veio nos trazer, e também nele entramos pela fé (Hebreus 4:1-12).
Os versículos 43-45 resumem a mensagem de Josué. Aqui é destacado que Deus cumpriu todas as promessas feitas ao povo de Israel. Ele é fiel. A realização de algumas profecias demorou vários anos, mas “nenhuma delas falhou de todas as boas palavras que o Senhor falara à casa de Israel; tudo se cumpriu”. Sua promessa realiza-se de acordo com o seu tempo, não com o nosso, mas sabemos que sua promessa é fiel e verdadeira. Quanto mais as conhecemos e as vemos cumprir, torna-se mais fácil esperar pelas que irão acontecer. Às vezes ficamos impacientes, desejosos de que Deus aja de certo modo, agora. Deveríamos fazer a sua vontade e confiar nEle no que concerne às coisas futuras. Deus é fiel. Somente nossa infidelidade pode nos privar de clamar o descanso que Ele nos dispensa.
Capítulo 22. Neste capítulo são destacados dois aspectos importantes:
a) A despedida dos exércitos das tribos de Rúben e Gade e a metade de Manassés, para as suas terras que foram dadas por Moisés, que ficavam na Cisjordânia (22:1-9). Antes da conquista de Canaã iniciar-se, estas tribos receberam as terras da Cisjordânia. Porém, antes de se acomodarem, estes israelitas comprometeram-se a ajudar os outros irmãos a conquistarem o território do outro lado do rio Jordão(Nm 32:20-22). Eles cumpriram suas promessas pacientes e diligentemente. Josué os elogiou por este ato(22:2-5). Em seu discurso de despedida, Josué recordou sua obediência em tudo o que lhes fora ordenado, o amparo contínuo que deram aos demais israelitas, e o seu cuidado em guardar o mandamento do Senhor Deus. Admoestou-os a continuarem diligentes em sua obediência ao mandamento e à lei que Moisés havia ordenado, abençoou-os e os despediu permitindo que levassem consigo uma parte do rico despojo dos inimigos, para repartir com os que haviam ficado em seu território (22:8). O cumprimento da nossa palavra é vital na obra de Deus. Devemos ter o cuidado com a tentação de desistir e deixar inacabada a incumbência que Deus nos confiou.
b) A construção de um altar próximo ao rio Jordão (22:10-34). Ao voltar ao rio Jordão, e antes de atravessá-lo, as duas tribos e meia construíram um altar grande e vistoso, ou seja, visível de longe. Era um monumento construído para memorial. Quando as demais tribos souberam, ficaram apreensivas pensando que o altar tinha sido construído em honra a Baal, e se lembraram de como haviam sido castigadas pelo Senhor quando se deixaram tentar pelas moabitas e juntaram-se a elas em idolatria. Elas se prepararam para batalhar contra as duas tribos e meia, mas primeiro mandaram representantes para exortá-las a se arrependerem em obediência à lei (Deuteronômio 13:12-19). Mas as duas tribos e meia deram uma explicação satisfatória: não era um altar para sacrifícios, mas apenas para lembrar aos seus filhos e aos das outras nove e meia tribos, e sua posteridade, que pertenciam à nação de Israel, e que o Senhor era o seu Deus.
Os israelitas haviam sido vigilantes e obedientes à lei de Deus, pois deram oportunidade aos outros para se explicar e assim evitaram um grande mal. É uma lição para nós: não reagir antes de verificar todos os fatos. Às vezes falamos e agimos prematuramente e depois descobrimos que cometemos uma injustiça.
Parecia uma boa idéia construir este altar, mas no tabernáculo estava o altar de sacrifícios e não podia haver outro (Deuteronômio 12:27). Todos os outros altares, existentes na terra, tinham que ser destruídos (Êxodo 34:13). Houve apenas uma exceção, o altar que o Senhor mandou o povo construir de doze pedras tiradas do rio Jordão, quando o povo o atravessou a seco (Deuteronômio 27:4-8). O altar do tabernáculo, uma figura do trabalho de redenção de Cristo, o seu sacrifício na cruz, era um lugar de unidade, assim como há uma unidade orgânica daqueles que estão em Cristo (João 17:20-21).
Podemos comparar o altar das duas tribos e meia aos que dividem os crentes com uma teologia liberal que não leva a sério muito do que a Bíblia ensina. Enquanto chamam de "separatistas" os que são fiéis à Palavra, são eles que se afastam da mensagem da cruz a fim de se ajuntarem em um ecumenismo vago. Como não gostam de um altar com sangue, fazem ofertas num altar alto e vistoso, um Cristo "sem sangue", que nunca viveu, sem divindade, sem capacidade para salvar a humanidade. Mas, pelos seus frutos os conheceremos (Mateus 7:16).
Feitas as considerações importantes sobre os principais fatos ocorridos nos capítulos 21 e 22, passaremos, agora, analisar os tópicos propostos para esta aula nº 12.
INTRODUÇÃO
Nesta aula, estudaremos o capítulo 23 do livro de Josué, onde será analisado o maior legado que um líder do povo de Deus pode deixar como herança: a fidelidade, a obediência aos mandamentos do Senhor, e o amor ao seu povo. Neste capítulo Josué se despede dos lideres e do povo, numa conotação repleta de emoção e de encorajamento, e que contém as últimas instruções de um dos líderes mais amados da história de Israel. É difícil ler a despedida de Josué sem perceber o vigor de suas palavras e o seu amor pelos estatutos do Senhor. O seu belo discurso exarado neste texto sagrado está dividido em três seções: (1) Declaração dos feitos do Senhor(vv 1-5); (2) Desafio à obediência (vv 6-11); e (3) Advertência quanto ao futuro(vv 12-16). Este grande líder do povo de Deus exorta o povo à “obedecer e praticar a Lei do Senhor”(v.6); “manter a comunhão com Deus”(v.8); e “amar somente ao Eterno”(vv 11,16). Este terno conselho resume a vontade de Deus para a vida de cada um de nós.
I – AS RECOMENDAÇÕES DE UM HOMEM DE DEUS
1. Josué convoca o povo – “Passados muitos dias, tendo o Senhor dado repouso a Israel de todos os seus inimigos em redor, e sendo Josué já velho, de idade muito avançada, chamou Josué a todo o Israel, aos seus anciãos, aos seus cabeças, aos seus juizes e aos seus oficiais...”(23:1,2). Josué sentia que sua morte era iminente, então chamou todos os líderes da nação no intuito de pronunciar suas palavras finais de encorajamento e instrução. Toda a sua mensagem pode ser resumida neste versículo: “Mas ao Senhor, vosso Deus, vos achegareis, como fizestes até o dia de hoje”. Ele fora um exemplo vivo daquelas palavras, e queria que este fosse o seu legado. Pelo que você deseja ser lembrado, e o que quer legar aos seus filhos ou amigos? Você não poderia deixar maior legado do que a admoestação para que confiem em Deus e lembrem-se das pessoas que fizeram isto.
Observamos a dimensão da responsabilidade que Josué sentia pelo trabalho do Senhor que, poderia ser considerado como concluído, mas sobre o qual ele queria ainda agir para boa continuidade do mesmo. Há necessidade de não se eternizar no poder e preparar seguidores para novas lideranças. É uma pena que esse grande homem de Deus não preparou seu sucessor, por isso vemos logo após a sua morte a degradação espiritual do povo de Israel, como o livro de Juizes tristemente descreve.
Josué conhecia os pontos fracos dos israelitas, por isso antes de morrer reuniu todos eles e deu-lhes as devidas orientações para ajudá-los nas áreas que eram mais vulneráveis: (1) Sigam tudo o que “está escrito no livro da lei de Moisés” sem se desviar; (2) não se associem com as nações ou adorem os seus deuses; e (3) não se casem com os familiares dos pagãos. O perigo de cair em tais erros estava muito próximo, face que os israelitas conviviam com os cananeus, pois muitos não tinham sido expulsos. Nossas associações e relacionamentos podem ser tentações para nós também. É muito importante identificar nossos pontos fracos para não sucumbirmos. Então nós podemos desenvolver estratégias para superar estas tentações ao invés de sermos superados por elas.
Porém, antes de dar as orientações acima citadas, que eram necessárias para sobrevivência do povo de Israel na terra prometida, ele fez menção dos grandes feitos do Senhor que lhes proporcionaram conquistar tudo aquilo que eles estavam usufruindo naquele momento, apesar das intempéries porque passaram, desde quando saíram do Egito. Apear de muito velho, ele não perdeu a lucidez para agradecer o Senhor por todos os seus benefícios.
A ingratidão é um dos maiores pecados contra Deus. A vontade de Deus para conosco é que lhe sejamos gratos, que sejamos agradecidos por tudo que Ele fez para nós. Por mais que padeçamos nesta vida, por mais que não obtenhamos êxito e sucesso nas coisas desta vida, devemos sempre entender que temos a vida eterna e tal posse nos foi dada de graça, ou seja, sem qualquer merecimento de nossa parte. Nada nesta vida tem qualquer valor quando comparado com o que está reservado para nós, por causa do amor de Deus demonstrado através de Jesus Cristo. As doenças, as dificuldades financeiras, as tentações, as mais diversas adversidades, nada representam ante a certeza de que moraremos eternamente com o Senhor na glória. Como, então, podemos deixar de ser gratos a Deus por tudo que nos tem feito? Somente um insensato, somente um louco poderia ter um comportamento diverso, poderia ser ingrato com Deus a ponto de não admitir nem tolerar as vicissitudes da vida -”Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”(1 Ts5:18). Devemos dizer como disse o salmista: “Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?”(Sl 116:12).
2. O Temor ao Senhor. Em todos os versículos do capítulo 23 nota-se uma preocupação superlativa do grande líder Josué para com a recém-criada nação de Israel. Ele alertou com palavras claras e exortativas de que tudo que os israelitas detinham foi concedido por Deus e que era necessário o temor ao Senhor para que tudo aquilo alcançado não desaparecesse para sempre(cf 23:12,16). Temer ao Senhor era condição sine qua non para a prevalência do status de nação santa e privilegiada dentre todas as nações.
Certamente Josué lhes fez lembrar da grande exortação à obediência, que Moisés proferiu em seu grande discurso de despedida, como esta descrita em Deuteronômio 10:12,13: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, que guardes os mandamentos do Senhor, e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno para o teu bem?”.
O que é temer ao Senhor? É amá-lo de todo o coração e reverenciá-lo. Na Bíblia, freqüentemente o temor ao Senhor (amor e reverência a Ele) está associado à obediência. Observe os textos retrotranscritos de Deuteronômio 10:12,13, onde Moisés exorta o povo de Israel à obediência.
Costumamos perguntar-nos: ”O que Deus espera de mim?” Neste trecho sagrado, Moisés deu uma resposta simples e fácil de lembrar sobre o que Deus espera de seu povo: (a) temor e reverência a Ele; (b) uma vida de acordo com a sua vontade; (c) amor; (d) adoração com todo o coração e a alma; e (e) obediência a seus mandamentos.
Como costumamos complicar a fé, inventando regras, doutrinas e rituais! Você se sente frustrado e esgotado de tanto tentar agradar a Deus? Concentre-se em fazer o que Deus ordena e encontrar a paz. Respeite, siga, ame, adore e obedeça a Deus! Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha Palavra”(João 14:23). Davi afirmou que uma pessoa que teme ao Senhor não mente; afasta-se do mal, faz o bem e promove a paz(Sl 34:11-14). O temor é muito mais do que se sentar no banco de uma igreja e ouvir a pregação.
Concluo este item dizendo o mesmo que Salomão: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem”(Ec 12:13).
3. Preceitos essenciais. Josué conhecia a fraqueza e a vulnerabilidade do povo de Israel. Era fácil de se inclinar a caminhos tortuosos, por isso não poderia deixar de instruí-lo naquele instante da sua despedida, sobre os perigos que estavam ao derredor do povo de Deus. Essa foi a sua instrução: “para que não vos mistureis com estas nações que ainda restam entre vós; e dos nomes de seus deuses não façais menção, nem por eles façais jurar, nem os sirvais, nem a eles vos inclineis”(23:7). Instrução semelhante, também, foi dada por Moisés: “Em tudo o que vos tenho dito, andai apercebidos. Do nome de outros deuses nem fareis menção; nunca se ouça da vossa boca o nome deles”(Ex 23:13). E mais tarde a instrução é reforçada, novamente, por Moisés: “Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te apegarás, e pelo seu nome; jurarás”( Dt 10:20). Nota-se uma preocupação desesperada por parte desses dois grandes líderes para que o povo de Deus não submergisse no sistema mundano do pecado.
No texto supra, Josué destaca especificamente dois passos para longe de Deus, que devem ser evitados: (a) misturar-se com os povos rebeldes e (b) dar atenção aos seus deuses. Tiago expressa esse perigo na forma de uma pergunta: “Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?”(Tg 4:4). O povo de Israel tinha a responsabilidade de fazer com que todos os povos da terra conhecessem ao Todo-Poderoso, e esta sublime missão não poderia jamais ser realizada se ele se envolvesse com os povos pagãos. Ele foi chamado para ser santo, ou seja, separado do mundo e dedicado a Deus. Deveria viver de modo a agradar ao Senhor em todos os sentidos. Assim, também, deve ser o crente. A santidade é a principal coluna do processo da Salvação. Se for quebrada, então a vida espiritual ruirá, e Deus se afastará do crente, pois o que afasta o homem de Deus é o pecado (Is 59:2). Que Deus nos guarde de todo o mal!
II – EXORTAÇÕES À PERSEVERANÇA
Josué foi a pessoa certa para recomendar tão grande virtude espiritual, pois ele mesmo é o exemplo superlativo dessa indispensável virtude espiritual: a perseverança. Ele viu e testemunhou de perto essa virtude em seu companheiro de jornada, Calebe, a tal ponto de dizer: “... Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, ...perseverara em seguir ao Senhor Deus de Israel”(14:14).
A perseverança é algo que agrada a Deus, e Ele recompensa aqueles que assim se comportam diante do Senhor. Foi assim que aconteceu com Calebe: “Porém o Meu servo Calebe, porquanto nele houve outro Espírito, e perseverou em seguir-Me, Eu o levarei à terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança”(Números 14:24). Perseverar na Fé, na obediência e na comunhão com Deus, certamente terá uma recompensa: a Terra Prometida(João 14:1-3).
1. Guardar tudo quanto está escrito. “Esforçai-vos, pois, para guardar e cumprir tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés...”(Josué 23:6). Observe o termo “tudo”. Tudo não é parte de um todo; não aceita compartilhamento. Portanto, o cumprimento dos mandamentos do Senhor seria em sua forma plena. Israel ainda teria “muitíssima terra para se possuir”(13:1), além das vitórias militares; e a condição para se atingir a conquista total da terra prometida seria obedecer em tudo os mandamentos do Senhor. Caso os israelitas servissem ao Senhor, continuariam a serem vitoriosos contra as nações que ainda restaram naquele lugar: “Um só homem dentre vós perseguirá a mil, pois é o mesmo Senhor, vosso Deus, o que peleja por vós, como já vos tenho dito” (23:10). Nota-se que as vitórias seriam fáceis como tinham sido até então, mas a condição era “ guardar e cumprir tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés”.
Qualquer afastamento dos caminhos de Deus era o mesmo que andar para trás, e esse afastamento começava com o misturar-se com as nações em torno de Israel. Caso isso acontecesse, Deus deixaria de conceder ao seu povo as vitórias que lhes fizeram famosos desde a saída do Egito, e perderiam a boa terra que receberam do Senhor.
Essa instrução que foi dada ao povo de Israel, mas também se aplica a todos nós do Novo Concerto. Para progredirmos em nossa vida cristã, devemos obedecer aos ditames da Palavra de Deus. O nosso modo de viver deve estar coadunado com a vontade de Deus explícita em sua Palavra, e isto envolve atitudes, ações, obras, e comportamento em geral – “Somente portai-vos, dum modo digno do evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que permaneceis firmes num só espírito, combatendo juntamente com uma só alma pela fé do evangelho”(Fp 1:27). “Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele; aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou”(1 João 2:4-6).
“Esforçai-vos”. O perigo que rodeavam os israelitas era muito grande. Toda vigilância seria pouco diante dos ardis de Satanás para destruir o povo de Deus. Por isso a advertência: “esforçai-vos”. Vigilância é a recomendação exaustiva em nosso compêndio doutrinário, o Novo Testamento, que soa como grande advertência para todos nós que pertencemos a Igreja do Senhor Jesus. Veja alguns textos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”(Mt 26:41). “O que vos digo a vós, a todos o digo: Vigiai”(Mc 13:37). “Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração”( 1 Pedro 4:7). “Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar”(1 Pe 5:8). Portanto, “Esforçai-vos, e fortaleça-se o vosso coração, vós todos os que esperais no Senhor”(Salmo 31:24).
2. Guardar a alma e amar a Deus. “Portanto, guardai muito a vossa alma, para amardes ao Senhor, vosso Deus”( Josué 23:11). Neste item vamos destacar duas importantes instruções para a nossa edificação e sustância espiritual: Guardar a alma e amar a Deus.
a) Guardar a alma. Guardar a alma significa protegê-la de toda a forma de corrupção moral que pode torná-la doente. Como podemos guardar a alma da corrupção moral do mundo? Através do estudo persistente da Palavra de Deus, da oração e da vigilância. As concupiscências da carne lutam com efervescência contra a nossa alma, buscando impedir nossa comunhão com o Senhor. O apóstolo Pedro sabia disse e nos exorta: “Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma”(1 Pedro 2:11). Aqui o Apóstolo Pedro nos exorta que nossa condição de possessão peculiar de Deus nos separa das concupiscências deste mundo e nos faz peregrinos aqui. Vivemos numa terra à qual não pertencemos. Nossa verdadeira cidadania está no céu com Cristo(cf Fp 3:20; Hb 11:9-16). Por sermos estrangeiros nesta terra, devemos abster-nos dos prazeres malignos deste mundo, que procuram destruir a nossa alma.
Mas, em fim, o que é alma? A alma é a manifestação do ser humano, é a sua personalidade. Ela é formada por: mente, emoção e vontade. O tempo todo estamos trabalhando nessas três áreas: meu intelecto (minha mente) está raciocinando, estou tendo algum tipo de emoção e a minha vontade é o resultado do que estou fazendo, é o que escolhi fazer.
Imaginem se todas as pessoas não se manifestassem, se fossem como um poste: não abrissem a boca, não tivessem sentimento, sem intelecto, nenhuma vontade, isso seria nada, isso seria um poste. O que faz você vir aqui? Foi uma decisão na sua alma. O que fez você colocar essa roupa hoje? O que fez a sua vida estar no ponto em que está? O que faz você atrair ou não pessoas para que gostem de você? O que faz você ter problemas ou sucessos? O que faz as pessoas nos conhecerem é o relacionamento existente conosco, é o conhecimento da manifestação do nosso intelecto, a nossa vontade e as nossas emoções. A alma é a manifestação do homem neste planeta. A minha alma é o centro de comunicação com meus semelhantes; é nessa comunicação que vem amizade ou inimizade. A minha alma é a manifestação de como eu sou e não tem nada a ver com o corpo ou o espírito.
A alma é o eixo do ser humano.Ela vai inclinar o indivíduo para as coisas espirituais ou para as coisas carnais. Por isso a Bíblia diz que existe o homem carnal e o homem espiritual, porque a alma tem o poder de decidir quem é que vai governar: o espírito ou o corpo. Mesmo nós que já temos o espírito recriado, passamos por essa luta interna na alma; estamos num processo de crescimento contínuo, onde passamos de homem carnal para homem espiritual, através da santificação, pela prática da Palavra de Deus. Ver: I Coríntios 3:1-3; Hebreus 5:12-14; Romanos 8:1-15.
A alma está entre o espírito e o corpo. A alma é o ponto de ligação entre o corpo e o espírito; é o meu ego, é a manifestação da minha pessoa no mundo. A alma, essa manifestação, vai ser influenciada de alguma maneira ou pelo mundo espiritual (através do meu espírito), ou pelo mundo material (através do meu corpo).
Por que a alma é o ponto de ligação? Porque ela decide quem governa a minha vida. É na alma, que está uma coisa chamada vontade. A vontade é o meu livre arbítrio. Deus deixou uma soberania no homem, a soberania de escolher livremente. A alma vai escolher onde deseja estar, vai escolher ser influenciada pelo espírito ou pelo corpo. O espírito precisa da alma para sujeitar o corpo. O espírito não pode ir direto sujeitar o corpo, precisa da alma, pois a alma é que dará o comando para o corpo. Para o espírito sujeitar o corpo, a alma precisa estar submissa, sujeita ao espírito.
A alma está entre os dois e vai receber o caráter de um deles. Portanto, ao manifestarmos o nosso ego, perante os outros, vai aparecer por quem somos dominado, pelo espírito ou pela carne. Há uma luta entre o espírito e a carne para dominar a vontade da nossa alma.
Mesmo para aqueles que já são nascidos de novo, a alma continua com a sua liberdade, é livre, só vai se submeter à ação do Espírito Santo, quando assim decidir. Nós muitas vezes pedimos a Deus para nos libertar de alguma coisa, mas temos que entender que Jesus já fez tudo na cruz do calvário. Precisamos sim, é tomar posse pela nossa vontade, para sermos transformados. Deus já fez o que tinha que fazer, por isso Jesus nos promete uma vida em abundância (João 10:9, 10).
b) “Amardes o Senhor, vosso Deus”. As promessas de Deus não eram incondicionais para os israelitas. As condições para terem as bênçãos de Deus, a comunhão com Ele e o seu poder eram o amor a Deus, expresso na obediência aos seus mandamentos, a fé na sua providencia e a separação dos ímpios(20:11-13). E isto exigia um esforço espiritual, pessoal, emocional, e muitas vezes, até físico, voltado para a adoração a Deus. Por isso o termo “Esforçai-vos...”, em Josué 20:6, é tão exortatório.
O amor a Deus unido à gratidão seria a motivação para obedecerem a sua Palavra(20:6) e a se separarem dos caminhos iníquos das nações(20: 7,12). O crente do NT tem o mesmo dever de amar e dedicar-se inteiramente ao Senhor(Mt 22:37;Mc 12:30; João 14:15;Gl 5:6;1 João 4:19).
III – EVITANDO PROBLEMAS FUTUROS
1. A advertência de um líder. “Quando transgredirdes o pacto do Senhor vosso Deus, que ele vos ordenou, e fordes servir a outros deuses, inclinando-vos a eles, a ira do Senhor se acenderá contra vós, e depressa perecereis de sobre a boa terra que ele vos deu”(Josué 23:16).
Josué receava que os israelitas se contaminassem com a idolatria que permeava o povo cananeu, por isso não poderia deixar de adverti-los do perigo que corriam e das terríveis conseqüências do erro: O Senhor não mais os ajudaria em suas pelejas – “sabei com certeza que o Senhor vosso Deus não continuará a expulsar estas nações de diante de vós; porém elas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos, até que pereçais desta boa terra que o Senhor vosso Deus vos deu”(23:13).
O culto a Baal, uma das principais deidades masculinas, era o mais abominável e degradante que existia: A religião promovia a prostituição cultural, tanto de homens como de mulheres, e o culto em si consistia em orgias sexuais degradantes. Os profetas e sacerdotes de Baal, oficialmente, assassinavam, nos seus templos, criancinhas recém-nascidas em sacrifício a seus deuses. Deus sabia que se o seu povo convivesse com os cananeus, adotaria aquelas práticas infames e vergonhosas. Por isso, Josué em sua despedida advertiu-lhes de tudo isso e deixou claro das terríveis consequencias.
Outrossim, nos versículos 12 e 13, Josué advertiu os israelitas sobre as terríveis consequencias do julgo desigual com as nações pagãs que os avizinhavam: “Porque se de algum modo vos desviardes, e vos apegardes ao resto destas nações que ainda ficam entre vós, e com elas contrairdes matrimônio, e entrardes a elas, e elas a vós”, sabei com certeza que o Senhor vosso Deus não continuará a expulsar estas nações de diante de vós; porém elas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos, até que pereçais desta boa terra que o Senhor vosso Deus vos deu.
Esta terrível predição sobre as conseqüências do casamento com pessoa das nações cananeias eventualmente tornou-se realidade. As numerosas histórias no livro de Juizes mostram o que Israel precisou sofrer por não ter obedecido a Deus. O Senhor amava os israelitas de forma suprema e paciente, assim com o faz nos dias de hoje. Mas não devemos confundir sua paciência para conosco como aprovação ou indiferença pelo nosso pecado. Não faça as coisas a seu próprio modo porque eventualmente você poderá sofrer todas as dolorosas conseqüências peles seus atos.
2. Um instrumento nas mãos de Deus. O que é um instrumento? É algo passivo que um artesão, soldado ou fazendeiro usa: a enxada, o pincel, um piano, etc. Portanto, o instrumento é apenas uma ferramenta para revelar o poder de quem a usa. Josué foi um instrumento que Deus usou para revelar o seu poder. Deus o usou para julgar o povo cananeu e, por conseguinte, conquistar a Terra Prometida. Ele seguiu todas as orientações do Senhor para conquista de Canaã, bem como, para orientar o povo à disciplina e a depender exclusivamente de Deus. É isso que um verdadeiro líder deve fazer: se colocar nas mãos de Deus, pois somente Ele é sábio o suficiente para dar as devidas orientações para conquistar as vitórias do povo de Deus. A auto-suficiência, a arrogância, a hipocrisia, nunca devem ocupar nenhum milímetro na vida de um verdadeiro servo de Deus, designado para liderar o seu povo. Que o Senhor, nestes últimos dias da Igreja, levante líderes que dêem motivos para serem reconhecidos como instrumentos nas mãos de Deus. Obrigado Senhor pela vida de Josué, teu servo, instrumento nas tuas mãos, que nos ensinou a ter Fé em Ti, a obedecer a tua Palavra, a confiar plenamente em Ti. Amém!
CONCLUSÃO
Josué sabia que não preservando a Palavra do Senhor Israel corria o risco de se envolver na idolatria e na corrupção espiritual dos cananeus, por isso ele foi tão enfático em dizer: “Esforçai-vos, pois, para guardar e cumprir tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés, para que dela não vos desvieis nem para a direita nem para a esquerda”. Isso, também, se aplica a todos nós pertencente ao Novo Concerto.
O maior antídoto e o maior remédio contra as falsas doutrinas, seitas e heresias que ameaçam a Igreja não é outro senão a Palavra de Deus. Ela é a farinha que tira o veneno da panela (II Rs.4:38-41). Somente a Palavra de Deus pode impedir ou neutralizar o efeito nocivo dos falsos ensinos no seio da Igreja. Uma igreja local que maneja bem a palavra da verdade é uma igreja aprovada, que não tem do que se envergonhar e que sabe resistir ao inimigo.
A Palavra de Deus tem de habitar no cristão, ou seja, tem de fazer morada no crente. Isto é indispensável, porque a Palavra é o próprio Jesus (Jo.1:1; Ap.19:13) e Jesus diz que faz morada no seu servo (Jo.14:23). O salmista, mesmo, disse que escondia a Palavra de Deus no seu coração, para que não pecasse (Sl.119:11). O cristão tem não só de ouvir a Palavra, mas de meditar nela de dia e de noite (Sl.1:2). Como ovelha de Cristo(Jo.10:27), o crente remói o seu alimento a todo instante, durante todo o dia. Se somos ovelhas, somos verdadeiros ruminantes e, por isso, temos, sempre, de estar remoendo o nosso alimento, que não é outro senão a Palavra de Deus(Mt. 4:4).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia - Livro de Josué. A distribuição da Terra - R David Jones.