Aula 01
JOSUÉ, UM LÍDER ESCOLHIDO POR DEUS
Leitura Bíblia:Números 27:18-23; Josué 1:1,2
04/01/2009
“E chamou Moisés a Josué, e lhe disse à vista de todo o Israel: Sê forte e corajoso, porque tu entrarás com este povo na terra que o Senhor, com juramento, prometeu a teus pais lhes daria; e tu os farás herdá-la”( Dt 31:7).
Mais um ano letivo inicia-se, e como no ano passado enfrentaremos desafios, mas conquistaremos vitórias com a imprescindível ajuda do Espírito Santo, o inspirador da Palavra de Deus. Ao longo do primeiro trimestre, que se inicia, estudaremos o sexto livro da Bíblia que leva o nome de seu principal personagem – Josué. São treze lições que examinam o Livro de Josué, as conquistas e as promessas do povo de Deus. Nesta primeira aula estudaremos sobre “Josué, um líder escolhido por Deus”.
A vida notável de Josué foi repleta de emoção, diversidade, sucesso e honra. Era conhecido pela profunda confiança em Deus, como um homem cheio do Espírito(Nm 27:18). Na juventude, viveu as realidades amargas da escravidão do Egito, mas viu também as pragas sobrenaturais e o milagre da travessia do mar vermelho em terra seca, quando os israelitas escapavam do exército egípcio. Na península do Sinai, foi Josué quem comandou as tropas de Israel na vitória sobre os amalequitas(Êx 17:8-13). Somente ele teve permissão de subir com Moisés ao monte santo, onde foram outorgadas as tábuas da lei (Êx 24:13, 14). E foi ele quem ficou de vigia na provisória tenda de encontro, que Moisés levantou antes de erigir o tabernáculo (Êx 33:11).
Certamente, dentre os nomes mais importantes da história de Israel, Josué destaca-se como um personagem que tem servido de modelo de liderança. Escolhido por Deus, ele foi um líder moldado por Moisés ao longo da peregrinação de Israel, especialmente a partir da saída dos israelitas da terra do Egito em sua peregrinação no deserto. Josué possuía qualidades de liderança as quais foram forjadas e aprimoradas num período de 40 anos de peregrinação.
I - CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE O LIVRO DE JOSUÉ E ASPECTOS BIOGRÁFICOS
1. Considerações preliminares sobre o livro de Josué. O livro de Josué é a continuação do Pentateuco. Relata a travessia do Jordão por Israel, depois da morte de Moisés, para a entrada em Canaã, bem como a conquista e o povoamento de Canaã pelas doze tribos sob a liderança de Josué. A data bíblica aproximada da invasão de Canaã por Israel é 1405 a.C. O livro abrange os 25-30 anos consecutivos da história de Israel, e conta como Deus “deu...a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais”(Js. 21:43).
Apropriadamente, o livro recebe o nome do seu personagem principal, que se destaca como o líder escolhido por Deus, do começo ao fim do livro.
A tradição judaica, no Tamulde, atribui a Josué a autoria literária do livro. Duas vezes o livro menciona o ato de escrever em conexão com Josué(Js 18:9; 24:26). É lógico dizer que, assim como Moisés foi usado para escrever sobre os eventos dos seus dias, seu sucessor, Josué, seria usado para escrever os acontecimentos que ele próprio presenciou. Que o livro foi escrito por alguém que presenciou os eventos, demonstra-se em Josué 6:25. A tradição judaica atribui a escrita a Josué, e o próprio livro declara: “Então escreveu Josué estas palavras no livro da lei de Deus.”(Jos. 24:26).
Propósito do Livro. O livro de Josué foi escrito como um registro da fidelidade de Deus, no cumprimento de suas promessas pactuais a Israel, concernentes à terra de Canaã(Jos 23:14; cf Gn 12:6-7). As vitórias da conquista aparecem como os atos libertadores da parte de Deus pró Israel sobre uma decadente cultura cananéia(Dt 9:4). A violência neste livro deve ser enquadrada nesta perspectiva. A arqueologia confirma que o povo cananeu era caracterizado por extrema depravação e crueldade quando Israel ocupou a terra.
Conteúdo do livro de Josué. O livro se divide de forma natural em quatro partes:
a) A entrada na Terra Prometida (Josué 1:1–5:12). Sabendo de antemão as provações à frente, Deus de início encoraja a Josué e lhe dá bom conselho: “Somente sê corajoso e muito forte . . . Este livro da lei não se deve afastar da tua boca e tu o tens de ler em voz baixa dia e noite, para cuidar em fazer segundo tudo o que está escrito nele; pois então farás bem sucedido o teu caminho e então agirás sabiamente. Não te dei ordem? Sê corajoso e forte . . . pois o Senhor, teu Deus, está contigo onde quer que andares.” (1:7-9). Josué atribui o crédito a Deus como o verdadeiro Líder e Comandante, e passa imediatamente a fazer os preparativos para a travessia do Jordão, segundo a ordem de Deus. Os israelitas o reconhecem como sucessor de Moisés e juram-lhe lealdade.
Tendo atravessado o rio, o povo acampa em Gilgal, entre o Jordão e Jericó, e ali Josué coloca as pedras memoriais como testemunho para as gerações futuras, ‘para que todos os povos da terra conheçam a mão de Deus, que ela é forte; a fim de que deveras temais ao Senhor, vosso Deus, para sempre’(4:24). Josué 10:15 indica que, depois disso, Gilgal foi usado, talvez, como acampamento de base por um bom tempo. É aqui que os filhos de Israel são circuncidados, pois não havia sido praticada a circuncisão durante a jornada no ermo. Celebra-se a Páscoa, cessa o maná e finalmente os israelitas começam a comer dos produtos da terra.
b) A conquista de Canaã (5:13–12:24). Agora, o primeiro objetivo se acha ao alcance deles. Mas como tomar esta “rigorosamente fechada”, murada, cidade de Jericó? (6:1). O próprio Deus dá os pormenores do proceder a seguir, enviando o “príncipe do exército de Deus” para instruir a Josué(5:14). Uma vez por dia, durante seis dias, os exércitos de Israel devem marchar em volta da cidade, estando à testa os guerreiros, seguidos dos sacerdotes que tocam as buzinas de corno de carneiro e de outros que carregam a arca do pacto. No sétimo dia, precisam fazer a volta sete vezes. Josué transmite fielmente as ordens ao povo. Exatamente como se lhes ordenou, os exércitos marcham em volta de Jericó. Não se profere nenhuma palavra. Não se ouve senão o barulho surdo de passos e o toque das buzinas pelos sacerdotes. Daí, no último dia, depois de se completar a sétima volta, Josué lhes dá o sinal para gritarem. Eles dão “um grande grito de guerra”, e as muralhas de Jericó ruem! (6:20).Todos juntos, lançam-se sobre a cidade, capturando-a e devotando-a à destruição pelo fogo. Somente a fiel Raabe e sua família são poupadas.
c) A distribuição do país (13:1–22:34). Apesar dessas muitas vitórias, destruição das muitas cidades principais fortificadas e fim da resistência organizada por algum tempo, “em uma parte muito grande ainda resta de se tomar posse do país” (13:1). Mas, Josué já está com quase 80 anos, e outro trabalho grande ainda resta a fazer: o da distribuição do país por herança entre nove tribos inteiras e a meia tribo de Manassés. Rubem, Gade e metade da tribo de Manassés já receberam a sua herança ao leste do Jordão, e a tribo de Levi não receberá nenhuma, sendo a sua herança “o Senhor Deus, o Deus de Israel”(13:33). Com a ajuda do sacerdote Eleazar, Josué faz então as designações do lado oeste do Jordão. Calebe, com 85 anos de idade, sempre com o mesmo zelo para lutar contra os inimigos de Deus até o fim, solicita Hebron, uma região infestada de anaquins, o que lhe é concedido(14:12-15). Depois de as tribos receberem as suas heranças por sorte, Josué solicita a cidade de Timnate-Sera, nos montes de Efraim, e isto lhe é concedido “por ordem de Deus”(19:50). A tenda da reunião é armada em Silo, que também fica na região montanhosa de Efraim.
d) Exortações de despedida de Josué (23:1–24:33). ‘E sucede, muitos dias depois de Deus ter dado a Israel descanso de todos os seus inimigos ao redor, sendo Josué já idoso e avançado em dias’, que ele convoca todo o Israel para dar inspiradas exortações de despedida (23:1). Humilde até o fim, ele atribui a Deus todo o crédito das grandes vitórias sobre as nações. Que todos continuem agora a serem fiéis!: “Tendes de ser muito corajosos para guardar e fazer tudo o que está escrito no livro da lei de Moisés, nunca vos desviando dele nem para a direita nem para a esquerda.”(23:6). Precisam evitar os deuses falsos, e ‘guardar constantemente as suas almas, amando ao Senhor, seu Deus’(23:11). Não pode haver transigência com os cananeus remanescentes ali, nem casamento nem alianças com eles, pois isto provocaria a ira ardente de Deus contra eles.
Reunindo todas as tribos em Siquém, e convocando os respectivos representantes delas perante Deus, Josué passa a fazer a narrativa pessoal de Deus sobre seus tratos com seu povo desde o momento em que chamou a Abraão e o conduziu a Canaã até a conquista e a ocupação da Terra da Promessa. Novamente Josué adverte contra a religião falsa, exortando Israel a ‘temer a Deus e servi-lo sem defeito e em verdade’. Sim: “servi a Deus”! A seguir, ele lhes apresenta o assunto com a máxima clareza: “Escolhei hoje para vós a quem servireis, se aos deuses a quem serviram os vossos antepassados... ou aos deuses dos amorreus em cuja terra morais. Mas, quanto a mim e aos da minha casa, serviremos ao Senhor”. Com convicção que faz lembrar a de Moisés, Josué relembra Israel que o Senhor “é um Deus santo; Ele é um Deus que exige devoção exclusiva”. Então, o povo fica entusiasmado a declarar a uma só voz: “Ao Senhor, nosso Deus, serviremos, e a sua voz escutaremos!” (24:14, 15, 19, 24). Antes de os despedir, Josué faz um pacto com eles, escreve essas palavras no livro da lei de Deus e coloca uma grande pedra para servir de testemunho. Daí, Josué morre em idade avançada, com 110 anos(Jos 24:29), e é enterrado em Timnate-Sera(24:30).
Características especiais. Sete características principais sobressaem neste livro: a) É o primeiro dos livros históricos do Antigo Testamento a descrever a história de Israel como nação na Palestina; b) Oferece muitos aspectos da admirável vida de Josué como o escolhido de Deus para completar a missão de Moisés: estabelecer Israel como o povo do concerto na terra prometida; c) O livro registra vários milagres divinos em favor de Israel, sendo que os dois mais notáveis são a queda de Jericó(cap 6) e o prolongamento das horas da luz do dia, na batalha em Gibeão(cap 10); d) É o principal dos livros do Antigo Testamento a descrever o conceito da “guerra santa” como missão específica e limitada, prescrita por Deus e inclusa no contexto mais amplo da história da salvação; e) O livro ressalta três grandes verdades no tocante ao relacionamento entre Deus e o seu povo do pacto: sua fidelidade, sua santidade e sua salvação. f) O livro de Josué ressalta a importância de manter viva a memória dos atos redentores de Deus em favor do seu povo, e de perpetuar esse legado de geração em geração; g) O relato prolongado que o livro registra da transgressão de Acã e do seu subseqüente castigo(cap 7), juntamente com outras admoestações, advertências e castigos, enfatiza a importância do temor do Senhor no coração do seu povo.
O Livro de Josué e seu cumprimento no Novo Testamento. Josué, no seu encargo de introduzir Israel na terra prometida, é um tipo ou prefiguração no Antigo Testamento de Jesus, cuja obra foi levar “muitos filhos à glória”(Hb 2:10; 4:1-13; 2 Co 2:14). Além disso, assim como o primeiro Josué usou a espada do terrível juízo divino na conquista, assim também o segundo Josué (Jesus) a usará na conquista das nações no fim da história(Ap 19:11-16).
2. Aspectos biográficos.
1. O significado do nome Josué. Josué não é personagem lendário, mas um servo de Deus, que realmente existiu. Seu nome é mencionado nas Escrituras(Atos 7:45; Heb. 4:8). Josué filho de Num, o efraimita, antes de ter esse nome se chamava Oséias(Nm 13:8), que significa salvação. Seu nome quer dizer “O Senhor é salvação”. Ao chamá-lo de Josué podemos concluir que Moises discerniu o propósito de Deus em sua vida. A partir daí estava sendo forjado o caráter de um bravo líder. Um líder não surge subitamente da noite para o dia, mas o tempo de liderança aparece repentinamente e quando isso acontece, surgira um líder que durante algum tempo se preparou. O nome de Josué aparece na Bíblia mais de 200 vezes.
b) Sua origem. Da origem e juventude desse homem com missão tão providencial, nada se sabe. A Bíblia só nos diz que é “filho de Num”(Ex33:11), “da tribo de Efraim”(1 Cr 7:20,27). Sua entrada no cenário bíblico, que ele iria engrandecer com sua presença, é apresentada como fato consumado: “Escolhe homens”, diz-lhe Moisés, “e vai combater contra Amaleque”(Ex. 17: 9); o que mostra que Josué era muito chegado ao grande líder e homem de Deus Moisés. Aliás, pouco depois é chamado de “servo de Moisés” (Ex 24: 13), com quem subiu o Monte Sinai. Sabemos também que, quando o grande legislador entrava no tabernáculo para falar com Deus “face a face, como um amigo costuma falar com seu amigo”, “quando voltava para os acampamentos”, o seu jovem servo Josué, filho de Num, não se apartava do tabernáculo” (Ex 33: 11).
Josué era, pois, um filho espiritual, discípulo de Moisés, e estava sempre a seu lado. Na qualidade de companheiro leal de Moisés e valente comandante do exército, era a escolha lógica para representar a tribo de Efraim, quando se escolheu um homem de cada tribo para a perigosa missão de espiar Canaã. A coragem e fidelidade que demonstrou nessa ocasião lhe asseguraram a entrada na Terra Prometida(Nm. 13:8; 4:6-9, 30, 38). Sim, este Josué, filho de Num, é um “homem em quem há espírito”; um homem que ‘seguiu a Deus integralmente’, um homem “cheio do Espírito de sabedoria”. Não é de admirar que “Israel continuou a servir a Deus todos os dias de Josué”(Nm. 27:18; 32:12;Dt. 34:9; Js. 24:31).
“E ordenou o Senhor a Josué, filho de Num, dizendo: sê forte e corajoso, porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra que, com juramento, lhes prometi; e eu serei contigo”(Dt 31:23).
Deus escolheu Josué como líder dos acontecimentos prestes a ocorrer. Os israelitas, acampados nas planícies de Moabe, estão prontos para entrar em Canaã, a Terra Prometida. O território do outro lado do Jordão é habitado por grande número de pequenos reinos, que possuem cada qual um exército.Para a nação de Israel, a oposição é forte. Se o país há de ser subjugado, será preciso tomar as muitas cidades fortificadas, tais como Jericó, Ai, Hazor e Laquis. Tempos difíceis estão à frente. É preciso travar e ganhar batalhas decisivas, com a ajuda do próprio Deus que realizará grandes milagres para seu povo, a fim de cumprir a sua promessa de o estabelecer nessa terra. Incontestavelmente, estes acontecimentos extraordinários, tão notáveis nos tratos de Deus com o seu povo, têm de ser assentados por escrito, e isso por uma testemunha ocular. Que homem poderia ser melhor para isso do que o próprio Josué, aquele que Deus designara para ser o sucessor de Moisés?(Nm. 27:15-23).
Os antecedentes pessoais de Josué muito contribuíram para que se tornasse o líder da conquista. Josué viveu próximo ao fim da opressão de Israel pelo Egito, e testemunhou as dez pragas que Deus enviou a esse país como castigo, a primeira Páscoa, a travessia milagrosa do mar Vermelho e os sinais(juízos) sobrenaturais durante as peregrinações de Israel no deserto. Serviu a Moisés como comandante militar na batalha contra os amalequitas, pouco depois da saída do Egito( Ex 17:8-16). Somente ele acompanhou Moisés na subida ao monte Sinai, quando Deus deu a Israel os dez mandamentos(Ex 24:12-18). Como auxiliar(servo) de Moisés, Josué demonstrava intensa devoção e amor a Deus, e muitas vezes permaneceu na presença do Senhor por um longo período de tempo(Ex 33;11). Era um homem que se deleitava na santa presença de Deus. Por certo aprendeu muito com Moisés, seu conselheiro e guia de confiança, a respeito dos caminhos de Deus e das dificuldades na condução do povo. Em Cades-Barnéia, Jousé serviu a Moisés como um dos doze espias que observaram a terra de Canaã. Ele, juntamente com Calebe, rejeitou energicamente o relatório da maioria, que retratava a incredulidade do povo(Num 14). Muitos anos antes de substituir Moisés como líder de Israel, Josué demonstrou ser um homem de fé, visão, coragem, lealdade, obediência inconteste, oração e dedicação a Deus e à sua Palavra. Quando foi escolhido para substituir Moisés, já era um homem “em que há o Espírito”(Num 27:18; Dt 34:9).
III - RAZÕES QUE MOTIVARAM A ESCOLHA DE JOSUÉ COMO LÍDER SUCESSOR DE MOISÉS.
Por longos anos, Josué observou Moisés liderar o povo de Israel sob total direção e sabedoria divinas. Ele sabia que o segredo do sucesso e autoridade de seu senhor era em decorrência direta de seu relacionamento íntimo com Deus. Entre todas as razões, podemos citar as seguintes:
1. Antes de ser Líder foi um servo. Ainda jovem(Ex 33:11), começou o seu serviço a Moisés. Em Número11.28 está escrito que Josué era um de seus jovens escolhidos, portanto, não era o único, mas sobressaiu-se a ponto de o próprio Deus tê-lo escolhido para suceder a Moisés. Ele tornou-se o líder de seu povo por longos anos até à sua morte aos 110 anos, no entanto, antes de ser um líder, Josué passou diversos anos sendo um simples servo.
Não existe liderança sem que o líder compreenda que ele, entre todos os liderados, é o maior servo. Muitas pessoas se encontram confusas no momento da liderança porque ainda não compreenderam que ser líder é ser servo de todos. Segundo o evangelho de João 13:15 – “Porque Eu vos dei o exemplo, para que como eu vos fiz, façais-vos também”, Jesus é o maior de todos os lideres. O Senhor dos senhores servia a todos os seus servos e Ele mesmo concluiu: “Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes”(João 13:17). Segundo o ensinamento de Jesus, um líder só será bem sucedido se compreender que ele é um servo de todos.
Tudo o que Moisés mandava Josué fazer ele fazia. Nesse serviço, podemos destacar os seguintes aspectos:
a) Josué era submisso. A história do êxodo relata diversos momentos em que Israel murmurou e rebelou-se contra Moisés e sua liderança. Foi assim com Coré, Datã e Abirão (Nm 16); a murmuração pedindo pão (Êx 16); água (Êx 17) e diversas outras oportunidades, mas Josué que trabalhava diretamente com Moisés nunca se insurgiu nem desrespeitou o seu senhor. Não se aproveitou das oportunidades em que o povo se reuniu contra Moisés para unir-se à massa e rebelar-se contra ele. Todas as ordens recebidas de Moisés ele obedeceu a contento. Foi assim na luta contra Amaleque, ao espiar a terra de Canaã e ao subir com Moisés ao monte, oportunidade em que toda a congregação estava tão atemorizada que sequer queria chegar perto, mas Josué subiu com seu senhor.
b) Josué era Fiel. Um dos maiores exemplos de sua fidelidade ocorreu quando após voltar de espiar a terra de Canaã, os espias a infamaram e apresentaram como um lugar impossível de conquistar, levando o povo a entristecer-se e a desanimar da jornada rebelando-se contra Deus e Moisés, mas Josué sabia que não devia manter-se calado; ou fazia a escolha por Deus e proclamava fé ou unia-se à multidão desejosa de voltar ao Egito. Eis a atitude que tomou: "E Josué, filho de Num, e Calebe filho de Jefoné, dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pela qual passamos é terra muito boa, se o Senhor se agradar de nós, então nos porá nesta terra, e no-la dará; terra que mana leite e mel. Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor, e não temais o povo desta terra..." (Nm 14:6 a 9a).
Suas palavras contrariaram tanto a multidão que esta o quis apedrejar, mas a Glória do Senhor apareceu na tenda da congregação e o livrou (Nm 14:10). Deus honrou a sua atitude de ser fiel ainda que a maioria lhe fosse contrária. De toda aquela geração, os únicos homens, com mais de vinte anos, que entraram na terra prometida foram Josué e Calebe, os que permaneceram fiéis.
c) Josué era Dedicado. Apesar de ser apenas mais um dos jovens escolhidos de Moisés, Josué destacou-se entre todos pela sua dedicação. "E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com seu amigo; depois tornava-se ao arraial; mas o seu servidor, o jovem Josué, filho de Num, nunca se apartava do meio da tenda" (Êx 33.11) . Josué tinha a função de servir a Moisés, mas não perdia as oportunidades de desfrutar da presença de Deus no mesmo lugar em que este sempre falava com seu senhor, e por isso, estava sempre no meio da tenda, em uma atitude de profunda dedicação.
2. Sua escolha foi divina. Normalmente temos o salutar desejo de ser útil a Deus e servir na sua obra. E procuramos nos empenhar naquilo para o que achamos que temos talento. Mas a decisão de escolha final para o lugar específico em que devemos atuar pertence a Deus. O fato de ter vários jovens escolhidos no início revela que Moisés não sabia ainda ao certo quem seria o seu sucessor, mas sabia que Deus o indicaria como de fato o fez. Deus escolheu Josué e isso se manifestou das seguintes maneiras:
a) Escolha antiga. Embora Josué não soubesse, Deus já o havia escolhido com bastante antecedência. Êxodo 17:1-16 relata que Israel era recém-saído do Egito e Amaleque já lhes veio ao encontro para guerrear, sendo ao final derrotado pelo povo de Deus. Nessa oportunidade, Deus deu ordens a Moisés que escrevesse aquele fato em um livro para memória e o relatasse aos ouvidos de Josué (v. 14) que iria riscar a memória de Amaleque de debaixo dos Céus. Que outro objetivo teria o Senhor de especificar claramente o nome de Josué para receber essas instruções se não fosse uma clara indicação de que seria o futuro condutor do povo de Israel? 40 anos depois Deus revela o seu propósito para a vida daquele jovem.
b) Nele havia o Espírito Santo - "Então disse o Senhor a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe a tua mão sobre ele." (Nm 27:18). Esta é, com certeza, a maior e melhor razão por que Deus escolheu Josué, homem em quem havia o Espírito. Nele havia o Espírito porque temia e buscava a Deus.
Pode-se crer que o fato de não se apartar do meio da tenda da congregação demonstrava o seu prazer em estar na presença de Deus. O salmista também dizia: "Senhor, eu tenho amado a habitação da tua casa e o lugar onde permanece a tua glória" (Sl 26:8). Da mesma forma, Josué amava o lugar onde a Glória de Deus se manifestava, e procurava não se afastar dali.
c) Íntimo com Deus. Moisés foi íntimo com Deus, construindo altares, preparando a tenda e depois o tabernáculo do Senhor, subindo o monte Sinai e passando quarenta dias na presença divina, conversando com Deus “face a face” (Dt 34:10). Sem dúvida, Josué aprendeu do exemplo de Moisés, mas também através de experiência pessoal, sendo o único a subir ao monte de Deus com ele, permanecendo no monte Sinai durante 40 dias e 40 noites (Êx 24:13, 14-18) e descendo da montanha com ele (Êx 32:17). O Senhor falava com Moisés “face a face, como quem fala com seu amigo. Depois Moisés voltava ao acampamento; mas Josué, filho de Num, que lhe servia como auxiliar, não se afastava da tenda” (Êx 33:11). Josué continuava na presença de Deus, na tenda do Senhor, ainda depois de Moisés voltar para o povo.
d) Aprendeu com seu antecessor: humildade - “...Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes"(Tiago 4:6b). Josué, além de ter sido obediente e fiel, nunca deixou de observar os passos de Moisés. Tudo que este fazia ele tomava como exemplo a ser seguido.
Quando subia ao monte com Moisés para que este recebesse, das mãos de Deus a sua
lei, Josué percebeu o quanto era importante a intimidade com o Altíssimo.Quando
lutava contra os amalequitas e viu que sua vitória só aconteceu porque Moisés
mantinha erguidos seus braços e a vara nas suas mãos, percebeu que o povo
precisa de alguém que lhe dê reforço espiritual.
Em todo esse tempo, esteve aprendendo como um humilde servo, e Deus honrou a sua
humildade e disposição para aprender enquanto era tempo de aprender.
3. Outras virtudes importantes. Iniciamos pela passagem onde ele é mencionado pela primeira vez, sendo chamado por Moisés para liderar o exército de Israel contra os amalequitas em Êxodo 17:8-16:
a) Líder guerreiro desde a juventude. É chamado de moço (Êx 33:11) poucos meses após sair de Egito, provavelmente tendo mais ou menos trinta anos de idade. Perante os ataques dos amalequitas, Moisés lhe diz: “Escolhe alguns de nossos homens e lute contra os amalequitas. Amanhã tomarei posição no alto da colina, com o vara de Deus em minhas mãos”(Êx 17:9). Apesar de ser tão jovem, foi escolhido entre os 40.500 homens de guerra de sua tribo, Efraim (Nm 2:18, 19), como o melhor para espiar a terra de Canaã (Nm 13:2, 8).
b) Obediente. “E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque” (Êx 17:10). Obedecer significa submeter-se a ordenanças; submeter-se é tornar-se servo; o servo existe para servir e não para ser servido. Em Romanos 13:1, afirma-nos a bíblia Sagrada que toda ordenança é instituída por Deus, logo compreendemos que exercitar a obediência é submeter-se ao próprio Deus e é exatamente isso que caracteriza a vida de Josué. Em Êxodo 17:9 está escrito: Com isso ordenou Moises a Josué: - Escolhe-nos homens e sai, e peleja contra Amaleque; (...). Josué obedecendo foi servir a todo Israel liderando os homens contra os nômades e mercenários amalequitas.
c) Obediência incondicional. A obediência é muito simples quando nos é conveniente, vantajosa, favorável e elevatória. Quando obedecer traz-nos facilidades e possibilidades para conseguirmos o que queremos é fácil, entretanto precisamos convir que a obediência deva ser incondicional.
Existem pessoas, na maioria delas, que ao receberem determinações, começam a fazer muitas imposições, estabelecem, determinam, argumentam etc. Isso na verdade, caracteriza e evidencia a insubordinação, a insubmissão. Impor é determinar a si mesmo, obedecer impondo não é obedecer. Quem impõe para obedecer torna-se senhor de si mesmo. Quem obedece com base nas suas próprias imposições manda em si mesmo.
Deus não nos chamou para sermos senhores de nossas próprias vidas.Deus nos chamou a obediência, e sendo assim, devemos obedecer. Se tivermos que fazê-lo, façamos, obedeçamos incondicionalmente.
Em Êxodo 17:9-13, Moises disse a Josué: “(...) Vai e peleja contra os amalaquitas; (...) Arão e Hur estarão comigo no cume do outeiro (...)”. Josué poderia impor condições dizendo: - Seria melhor se eu fosse contigo, Moises. Ou então: - Moises, porque você não manda Hur! Ou ainda: Eu só vou à peleja se Arão for comigo! Ou até mesmo: - Moises desculpe-me, mas Deus não me disse nada! Isso seria uma obediência condicionada a própria vontade de Josué, porém ele não impôs condições. Não estabeleceu, nem determinou coisa alguma e simplesmente obedeceu. Assim como Josué, devemos obedecer também incondicionalmente. Aí estão revelados quesitos imprescindíveis na vida de um líder: Ouvir e Obedecer. Quem hoje lidera questionando a Deus, as ordens supremas, está fadado ao fracasso. Ouça, obedeça sem questionar. Deus sabe o que faz.
d) Corajoso. Havendo sido escravo no Egito durante toda sua vida, apenas conhecendo liberdade há três meses, ele teve que ser muito corajoso para assumir a liderança de uma turma de ex-escravos que também não sabiam nada sobre batalha, luta, armas, estratégias, táticas ou organização. Ganhou essa primeira batalha. Apesar de ter pouca experiência como líder guerreiro, alguns meses depois, Josué e Calebe foram os únicos que disseram com confiança que poderiam derrotar os gigantes e as cidades fortificadas de Canaã. Precisou de muita coragem para continuar firme com Moisés, Arão e Calebe quando todo o povo (que incluía 600.000 homens de guerra) queria apedrejá-los e voltar para Egito (Nm 14:10). Repetidas vezes, Josué e Calebe exortaram o povo a não temer (Nm 14:9), querendo transmitir sua própria fé e coragem para o povo.
e) Esforçado em aprender. Ele entrou numa curva acelerada de aprendizagem, tendo que ser autodidata em muitas áreas. Teve que tornar-se guerreiro e general de uma hora para a outra, desenvolvendo em si as qualidades do homem que, quarenta anos depois, lideraria a invasão de Canaã, que durou por muitos anos.
f) Conhecido de Deus, recebendo atenção especial dele. Ao final da derrota dos amalequitas, o Senhor disse a Moisés: “ Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu”(Êx 17:14). Deus destacou Josué na sua conversa com Moisés. Não foi importante apenas ler o rolo para o povo de forma geral, mas também deixar que Josué entendesse que Deus se importava com ele de forma especial. Deus o reconheceu também de forma especial, junto com Calebe, após eles ficarem firmes na visão de conquistar a terra prometida apesar do relatório totalmente negativo dos outros dez espiões. Deus condena todos os adultos de 20 anos para cima a não entrarem na terra prometida, com a exceção de Josué e Calebe (Nm 14:30).
Josué foi um bom líder escolhido por Deus pelas várias razões já mencionadas acima. Sua liderança foi bem exercida porque ele se valeu dos mais diversos recursos para o seu melhor resultado e desempenho, tais como: Criatividade, envolvimento, energia, planejamento, simpatia, capacidade, dosados sempre pela boa ética e moral. Josué não podia falhar em nada disto, como não falhou, pois vemos esses itens presentes em toda a sua carreira. Entretanto, Josué acrescentou algo mais a esse elenco de virtudes necessárias à boa liderança: seu espírito cauteloso e previdente.
Sem dúvida que Josué foi um bom líder, e o bom líder é aquele que procura conhecer tudo que diz respeito ao desafio a vencer, antes de se lançar a ele. Josué tomou a providência de conhecer antes o inimigo que teria de derrotar. Envia os seus espias para que possam dar-lhe depois uma idéia sobre o posicionamento deles, pontos fortes ou fracos em sua defesa, cuidados a tomar, estratégias a seguir. Muitas vezes, em nossa vida escolar, profissional, eclesiástica e mesmo no lar, fracassamos, por não termos o cuidado de antes de nos lançarmos a qualquer empreitada, verificarmos todas as possibilidades envolvidas, os fatos positivos ou negativos presentes. Como servos de Cristo, no mundo de hoje, devemos ser cautelosos e cuidadosos em todas as áreas de nossa vida, principalmente na obra do Senhor, e não nos lançarmos a elas sem um mínimo de planejamento, estudo e preparo, e total dependência de Deus, a fim de que tenhamos a garantia de vitória.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia - Livro de Josué .