Aula 03

JOSUÉ CONDUZ ISRAEL NA TRAVESSIA DO JORDÃO

Leitura Bíblica:Josué 3:1-7

18/01/2009

 

Então disse o Senhor a Josué: Hoje começarei a engrandecer-te perante os olhos de todo o Israel, para que saibam que, assim como fui com Moisés, serei contigo”(Js 1:7)

 

 

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do livro histórico de Josué, nesta aula estudaremos a respeito dos desafios enfrentados por esse grande líder escolhido por Deus na travessia do Jordão. Após assumir a liderança de Israel, Josué agora passará por um desafio muito difícil: atravessar o rio Jordão. Cabe a ele preparar o povo para atravessar o rio e caminhar para a conquista da terra prometida. Mas era preciso que o povo participasse dos desafios que lhes eram impostos, pois eles mesmos seriam os beneficiados. Esse grande líder conseguiu incutir na mente do povo um sentimento coletivo de fé e esperança: “Certamente o Senhor tem dado toda esta terra nas nossas mãos, pois até os moradores estão desmaiados diante de nós”(Js 2:24). Quem quer ter a posse de uma terra deve atravessar o rio que está no caminho. Alguns preparativos, ordenados por Deus a Josué, foram feitos antes de o povo atravessar o rio, que naquela oportunidade estava cheio, na plenitude de suas águas. E Josué, fiel às ordenanças de Deus, atravessou com o povo o rio, fixando morada em Canaã, a Terra Prometida. Na nossa caminhada cristã temos igualmente um Jordão para cruzar. E estamos fazendo isto, guiados por Cristo.

I – DE SITIM À MARGEM ORIENTAL DO JORDÃO(3:1)

Após a vitória contra Seom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã(Nm 21:21-25.33-35), Israel acampou-se em Sitim(Nm 25:1; Js 3:1). O povo eleito havia chegado ao limiar da Terra Prometida, e agora não podia mais recuar. Ao sair de Sitim rumo às margens do Jordão, começaria o grande desafio do povo de Deus: a travessia do Jordão na sua enchente e forte correnteza.

Observe: (1) Basã era uma região fértil, localizada a leste do rio Jordão e do mar da Galiléia, estendendo-se desde o rio Jarmuque. Ao sul, até ao monte Hermom, no norte. Atualmente, é uma região onde se planta trigo, e nos tempos antigos era famosa por seu gado e por seus rebanhos(Sl 22:12; DSt 32:14). Os despojos dessa área parecem ter sido um tesouro para os nômades israelitas. Em Deuteronômio capítulo três e verso onze denota-se que o rei de Basã, Ogue, era um tremendo gigante. Sua cama de ferro media 9(nove) côvados de cumprimento por 4(quatro) côvados de largura, ou seja, 4,5m por 2,0m(Bíblia de Estudo Genebra).

(2) Os amorreus (homens da montanha), o apelido dado aos descendentes de um dos filhos de Canaã chamado Amurra pelos assírios. Eles, ao que parece, eram guerreiros que ocupavam as montanhas desde o oriente do mar Morto até Hebrom. Nos monumentos egípcios construídos ao seu tempo, eram representados como louros de olhos azuis com barba.

(3) As terras conquistadas de Seom e de Ogue foram dadas às tribos de Rubem, Gades e a meia tribo de Manasses(Dt 29:7-8).

A derrota de Seom e Ogue assinalou o início da conquista e é relembrada como um testemunho do poder e da fidelidade de Deus (por exemplo, Dt 29:7-8;31:4;Js 2:10;9:10).

1. Sitim, o último e inditoso acampamento(Nm 33:49;Js3:1). Sitim, onde os israelitas armaram suas tendas pela última vez, antes de entrarem na terra de Canaã, está localizada a Leste do Rio Jordão, cerca de dez quilômetros. Seu nome significa “árvore de acácia”. A área toda tem 12 quilômetros de largura por 23 quilômetros de comprimento. Sitim é identificada com a moderna localidade de Tel Kefren.

O local era também chamado de Abel-Sitim. Foi ali que ocorreu uma das grandes tragédias espiritual e moral do povo de Israel quando de sua peregrinação no deserto(Nm25). Desrespeitosamente, às barbas do grande líder Moisés e do próprio Deus que se fazia presente no meio do povo, Israel se prostituiu com as moabitas. O capítulo 25 de números não revela como os israelitas se prostituíram com as moabitas. Sabemos que a prostituição “sagrada” era uma prática comum nas religiões cananéias. A princípio, os israelitas não pensaram na idolatria, o interesse deles era o sexo, mas logo se envolveram com as idólatras festas locais e celebrações familiares. Em pouco tempo, os israelitas absorveram a cultura pagã. O desejo por diversão e prazer fez com que eles perdessem seu compromisso com Deus. Isso nos dá uma lição para nós que pertence a Igreja do Senhor: tenhamos cuidado com o excesso de diversão; não devemos dá lugar ao diabo(Ef 4:27); tenhamos cuidado com os oferecimentos de ajuda espiritual. Foi por causa da ajuda de Balaão que o povo caiu nessa prostituição e trouxe a ira de Deus sobre Israel. Tendo ele fracassado na sua tentativa de afastar do Senhor os israelitas, aconselhou os moabitas a tentar separar os israelitas do seu Deus, seduzindo-os à imoralidade e ao culto sensual dos falsos deuses dos moabitas(Num 31:16; Ap 2:14). Como castigo, Balaão foi morto à espada(Num 31:8). Portanto, precisamos ser cuidadosos para pesar tanto as palavras quanto as atitudes dos que pretendem oferecer-nos ajuda espiritual. Sejamos como os crentes de Beréia(At 17:11).

Após quarenta anos(Dt 2:7) peregrinando no deserto, sob a orientação de Moisés, Israel chega ao final de sua jornada antes de enfrentar os maiores obstáculos para conquistar Canaã. Foi em Sitim que Josué ouviu a voz do Senhor orientando-o sobre as adversidades que enfrentaria a caminho da Terra Prometida(Js 1:1-9). E o primeiro obstáculo a enfrentar era a travessia do rio Jordão, que nesta época encontrava-se bastante cheio, pois era a época de inverno(3:15). Deus, propositadamente, escolheu essa época para demonstrar a todos os israelitas que Ele é o Deus Todo Poderoso e, também, para engrandecer Josué diante do povo com o propósito de solidificar a sua liderança e seu chamado para comandar o povo rumo à terra prometida - “Este dia começarei a engrandecer-te perante os olhos de todo o Israel, para que saibam que assim como fui com Moisés, assim serei contigo”(3:7).

2. Chegando à borda do Jordão – “Levantou-se, pois, Josué de madrugada e, partindo de Sitim ele e todos os filhos de Israel, vieram ao Jordão; e pousaram ali, antes de atravessá-lo. Tu, pois, ordenarás aos sacerdotes que levam a arca do concerto, dizendo: Quando chegardes à borda das águas de Jordão, parareis aí”(3:1,8).

Imagine aquele momento, quando mais de dois milhões de pessoas atravessariam aquele caudaloso rio! Naquele momento, certamente, Josué falou a todo o povo sobre a grandeza que Deus iria operar a poucos instantes. Talvez naquele momento relembrou a passagem do Mar vermelho, quando Deus abriu as águas e Israel passou a pé enxuto(ver 4:23). Muitos daqueles que estavam presentes não presenciaram aquele fato inusitado do mar vermelho, pois todos de vinte anos para cima foram mortos no deserto como o Senhor tinha falado(Nm32:11). Certamente Josué fez as últimas instruções e expôs todos os procedimentos que os sacerdotes e povo deveriam efetivar(Js 3:9-17). Josué cria firmemente que Deus realizaria um grande milagre.

A travessia ocorreu no dia dez do mês primeiro(Js 4:19), exatamente no período das grandes cheias do Jordão(3:15). Esse é o dia em que o cordeiro pascal devia ser escolhido(Ex 12:3), sublinhando a conexão entre a travessia do rio Jordão e o êxodo(ver 5:10).

3. A Arca do Concerto: sinal da presença de Deus entre o povo(Js 3:3,4). A arca da aliança ou do Concerto era o tesouro mais sagrado de Israel. Ela era um símbolo da presença e do poder de Deus. Era uma caixa retangular de madeira de acácia toda revestida de ouro por dentro e por fora, em cuja tampa havia dois querubins(anjos) voltados um para o outro. Media 125 centímetros de comprimento por 75 de largura e 75 de altura. Ela representa a base do trono de Deus, pois sobre ela ficava o Propiciatório com os querubins da glória. Dentro dela estavam as tábuas dos Dez Mandamentos que Moisés recebera de Deus, um pote com maná(o pão que Deus enviara miraculosamente dos céus durante as peregrinações no deserto) e o cajado de Arão(o símbolo da autoridade do sumo sacerdote). De acordo com a lei apenas os levitas poderiam levar a Arca. Ela fora construída ao mesmo tempo que o Tabernáculo(Ex 37:1-9) e  colocada no lugar santíssimo do santuário.

A Arca representava não somente a presença do Senhor(Nm 10:33-36), mas especificamente a sua Aliança, que implica em seu compromisso diante de suas promessas, bem como as obrigações consequentes de Israel.

A presença da Arca da Aliança foi o ponto de partida para o milagre da travessia do Jordão. Naquele momento o povo foi instruído a confiar na providencia divina não mais por meio da coluna de nuvem e de fogo(Ex 13:21,22), mas através da Arca da Aliança.

Na tipologia Bíblica a Arca representa Cristo. Ela era feita de madeira e ouro puro(Ex 37:1-5). A madeira representa a perfeita humanidade de Cristo, e o ouro, sua natureza divina. A Arca também possuía uma tampa de ouro chamada propiciatório(Ex 37:6-9). Sobre ela, entre os dois querubins, permanecia a presença de Deus. No dia anual da expiação dos pecados do povo, o sumo sacerdote adentrava solenemente no Santo dos Santos e aspergia o propiciatório com sangue expiador dos sacrifícios daquele dia solene. Cristo é a nossa propiciação(Lc 18:13; Rm 3:25: 1 João 2:1,2). Ele, semelhante à Arca que passou diante do povo no rio Jordão, “passou diante de nos”, para garantir a nossa salvação. Ele abriu um novo e vivo caminho à presença do Pai Celestial(Hb 10:19-22). Aleluia!

II – JOSUÉ EXORTA O POVO À SANTIFICAÇÃO(3:5)

Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós”.  O povo de Israel deveria manter o mesmo status espiritual imposto por Deus quando da saída do Egito. Deus não muda e a santidade é um fator intrínseco à sua natureza. Deus requer santidade constante por parte do seu povo - “porque eu sou o Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para ser o vosso Deus, sereis, pois santos, porque eu sou santo” (Lv 11:45). ”E sereis para mim santos; porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus”(20:26).Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Sereis santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”(Lv 19:2). A santidade é a coluna principal do povo de Deus. Quebra-se esta coluna e a casa(o povo), certamente, será destruído, pois sem Deus não somos nada(João 15:5). A única coisa que nos afasta de Deus é o pecado(Is 59:2), ou seja a falta de santidade.

1. A Santidade precede o milagre – “Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós”(3:5). Antes de entrar na Terra Prometida, os israelitas deveriam realizar uma cerimônia de purificação. Provavelmente, referia-se a atos físicos como lavar-se, que simbolizava a santidade do povo. Houve um requisito semelhante quando Deus desceu para o povo, no monte Sinai(Ex 19:10,14,15). Geralmente a cerimônia de santificação costumava ser feita antes da realização de um sacrifício ou, como neste caso, antes de testemunharem um grande ato de Deus. A lei explicava que a pessoa poderia ficar imunda por vários motivos: ao comer certos alimentos(Lv 11), ao dar à luz( Lv 12), ao contrair doenças( Lv 13,14), ao tocar em um cadáver(Nm 19:11-22). Deus usava esta variedade de sinais externos sobre a imundície para ilustrar que o resultado do pecado torna a pessoa imunda. A cerimônia de purificação mostrava a importância de aproximar-se de Deus com o coração puro. Assim como os israelitas, precisamos do perdão de Deus antes de nos aproximarmos dEle.

 “Santificai-vos, por que amanhã...”. Deus estava prestes a operar um grande milagre no meio do povo de Israel. O povo ia contemplar esse milagre, mas era necessário que o povo se santificasse para tal ato de Deus. Por isso o imperativo: “santificai-vos”. Israel precisava entender que o milagre precederia[“amanhã”] à santificação, uma vez que o povo de Israel foi constituído e separado para a glória de Deus – “E sereis para mim santos; porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus”(Lv 20:26).

2. A santificação do crente, requisito para as vitórias espirituais. A santidade é um atributo inerente à natureza de Deus, por isso tudo que se associa a Ele deve ser santo ou santificado. Deus é santo(Lv 11:45;20:26).

“Santificai-vos...”. É o imperativo que soa nos ouvidos de qualquer povo que se diz ser de Deus. Isto se aplica a todas as épocas, inclusive na dispensação da graça, à qual pertence a Igreja. Este ato de santificação(cf Ex 19:10,14,15) fala do princípio que Deus não operará poderosamente em favor do seu povo se este não estiver intimamente puro e em harmonia com a sua vontade. Antes de pedirmos que Deus opere sinais e maravilhas em nosso meio, devemos verificar se o nosso coração é puro e se nossos desejos estão sob a orientação do Espírito Santo - “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo”(1Pe 1:15,16).

A igreja deve distinguir com facilidade a linha divisória entre o sistema mundano, que jaz no maligno(1João 5:19), e o reino de Deus. Deve-se distinguir o santo do profano(Ez 22:26; 42:20) e abster-se de toda obra da carne(Gl 5:19-21). Para que pudesse atravessar o Jordão, o povo deveria abster-se de fazer coisas que desagradavam a Deus. Pessoas santas, com todas as suas limitações herdariam a Terra Prometida pelo Senhor. A santificação serviu como um pré-requisito para que outros milagres acontecessem. A regra é a mesma para a Igreja do Senhor – “Segui... a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor(Hb 12:14).

III – JOSUÉ APRONTA O POVO PARA A TRAVESSIA MILAGROSA(3:17)

Eis como o historiador judeu, Flávio Josefo, narra a travessia do Jordão: "Como Jericó estava situada além do Jordão, era preciso, para atacá-la, que o exército atravessasse o rio, então muito aumentado, por causa das enchentes e da chuva; Josué encontrou-se (por isso) em grande aflição. Em tão grande contratempo, Deus promete-lhe tornar o rio vadeável. Esperou dois dias e depois passou-o deste modo: os sacrificadores por primeiro, com a Arca; seguiam-nos os levitas, que levavam o Tabernáculo, com todos os vasos sagrados; todos os demais do exército marchavam com a própria tribo, colocadas as mulheres e crianças no meio, a fim de não serem levadas pela correnteza do rio. Quando os sacrificadores nele entraram perceberam que a água não era mais tão movimentada, que havia baixado de nível e que o fundo do rio era firme e assim podiam passá-la a pé. Depois deste primeiro efeito da promessa de Deus, todos os outros passaram sem receio. Os sacrificadores ficaram no meio do rio até que todos haviam passado e mal haviam eles mesmos chegado ao outro lado, que imediatamente o rio se tornou novamente cheio e impetuoso como antes." (Para maiores informações, leia o livro História dos Hebreus, edições CPAD).

A travessia se deu aproximadamente entre o final de Março e o começo de Abril. Com a palavra o ilustre pastor Antonio Neves de Mesquita: "O povo passou e acampou em Gilgal, da banda oriental de Jericó. Toda esta região é plana e naquele tempo devia ser um oásis. De Sitim, lugar de palmeiras, até esta banda oriental do Jordão, há uma vasta e linda campina, e gasta-se mais de meia hora de automóvel até a Jericó moderna. Um acampamento ali daria a medida do que estava para acontecer. Só os homens das duas e meia tribos de Gade, Rúben e Manassés eram uns 40.000, todos armados com seus arcos e flechas como quem ia para um duelo. Calculados os homens de guerra das outras nove e meia tribos, podemos então avaliar os capazes de entrar em batalha em cerca de 400.000. A narrativa indica que os homens capazes de pegar em armas, saídos do Egito eram 600.000. Significa que não havia diminuído o número de soldados. Multiplique-se esse número por quatro ao menos, incluindo os velhos, os infantes e as mulheres, e teremos uma multidão de mais de 2.000.000 de pessoas. Dos altos da cidade de Jericó poderia ser vista esta imensa multidão acampada em Gilgal. Se o coração do povo da Palestina já se tinha derretido, apenas com as notícias, imaginemos agora com tal multidão, que acabava de passar o rio a pé enxuto, e com toda a liberdade”.

1. Josué assegura que Deus está no meio do povo(3:10) –“E acrescentou: Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós, e que certamente expulsará de diante de vós os cananeus, os heteus, os heveus, os perizeus, os girgaseus, os amorreus e os jebuseus”.

Nisto conhecereis...”. Deus quis mostrar a todo o povo, através do milagre da travessia do rio Jordão, a sua presença no meio dele. Seria um conhecer por experiência.

... certamente expulsará de diante de vós os cananeus... jebuseus”. A ordem era expulsar todas as nações que se opunham a Deus. Por que Deus ajudaria os israelitas a expulsar estas nações de sua terra natal? Gênesis 15:16 sugere que o povo de Canaã era mau e merecia ser castigado por seus terríveis pecados. Israel deveria ser um instrumento para este castigo. Mais importante era o fato de que Israel, como nação santa, não poderia viver entre pessoas más e idólatras. Isto seria um convite ao pecado em suas vidas. O único caminho para impedir que Israel fosse contaminado pelas religiões pagãs era a expulsão dos que as praticavam. Israel, porém, falhou em expulsar a todos como Deus determinara. Não muito tempo depois, Israel – a nação escolhida por Deus para ser o seu povo santo – começou a seguir as práticas malignas dos cananeus.

2. Josué fala as palavras do Senhor(3:7-10). Antes de falar ao povo, Josué ouviu a voz de Deus de modo muito especial: “Este dia começarei a engrandecer-te perante os olhos de todo o Israel, para que saibam que assim como fui com Moisés, assim serei contigo(3:7). O Senhor validaria a liderança de Josué repetindo as maravilhas que Ele fizera às margens do mar vermelho através de Moisés. O Deus de Josué era o Deus de Moisés.

Observe o termo: “... para que saibam...”. Isto nos ensina que os atos de Deus, com freqüência, têm o propósito de esclarecer e dar conhecimento(ver Ex8:10; Dt 4:35; 2Rs 19:19; Is 45:6). A maioria das vezes esse conhecimento é atingível mediante o ouvir acerca dos atos de Deus, bem como de contemplá-los(2:9,10; 4:24). Aqui, o objeto do conhecimento é a presença de Deus com Josué(1:5; cf Ex 14:31), que o povo de Israel experimentaria através da fidelidade de Deus às suas promessas.

O Deus que elege um líder é o mesmo que o confirma. Há um ditado em nossos dias que exagera ao desprezar a preparação pessoal e coloca nas mãos de Deus toda a responsabilidade de formação de um líder: “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. Em parte, é um erro. Se Josué não fosse um combatente, não teria técnica para derrotar os amalequitas, cuidar da segurança do Tabernáculo, nem espionar a Terra Prometida. Deus não tem por costume trabalhar com pessoas que ficam esperando as bênçãos dEle caírem do Céu, e não se preparam para fazer a sua obra. Ele confirmou a liderança de Josué diante de todo o povo quando passaram a seco pelo Jordão: “Naquele dia e Senhor engrandeceu a Josué aos olhos de todo o Israel; e temiam-no, como haviam temido a Moisés, por todos os dias da sua vida”(4:14). A confirmação de Deus não nos isenta de buscar a preparação adequada para servi-lo no ministério que nos designou.

3. Israel marcha após a Arca do Concerto(Js. 3:3-8). A Arca tipifica a presença de Deus com o seu povo: "Ali me encontrarei contigo, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins colocados sobre a arca da aliança, eu te comunicarei tudo que ordenar aos israelitas”. "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco"(Êx 25:22; Mt1:23). Como vimos, a Arca tipificava a Cristo Jesus. E, quando da travessia do Jordão, Josué, orientado por Deus, ordenou fosse ela colocada à frente do povo de Israel. E, desta forma, o rio abriu-se e os filhos de Jacó puderam atravessá-lo sem dificuldades. Semelhantemente, se colocarmos a Cristo à frente de nossas vidas, como a nossa máxima prioridade, venceremos todos os obstáculos. Com Ele, somos mais do que vencedores! Santifiquemo-nos, pois, para que Cristo esteja sempre nos comandando nesta travessia. Não foi esta a ordem que Josué transmitiu ao povo?

Observe: No versículo quatro do capítulo três o Senhor ordenou que fosse observada uma distância de dois mil côvados entre a arca e o povo. Ora, como o côvado  antigo, de forma geral, media 50 centímetros, essa distância era de aproximadamente mil metros. O propósito dessa separação pode ter sido para assegurar que a Arca estivesse visível para o maior numero possível de israelitas(ver 4:11).

4. Antes de atravessar o Jordão, Josué reúne o povo para ouvir a voz do Senhor(3:9) – “Disse então Josué aos filhos de Israel: Aproximai-vos, e ouvi as palavras do Senhor vosso Deus”.  Pouco antes de atravessarem o ro Jordão, Josué reuniu todo o povo para ouvir a Palavra do Senhor. Era grande a alegria do povo. Eles não tinham dúvidas, mas Josué os fez parar e escutar. Nós vivemos em uma época em que todo mundo se apressa nos seus afazeres. É fácil nos envolvermos em nossas tarefas e tornar-nos muito ocupados. Mas precisamos ouvir o que Deus tem a dizer, pois as suas palavras são mais importantes. Antes de fazer o seu horário, reserve um momento para compreender a vontade do Senhor sobre todas as suas atividades. Conhecer a vontade de Deus antes de se envolver com a correria pode ajudá-lo a evitar todos enganos.

5. O povo atravessa o Jordão(Js 3:14-17) - “Quando, pois, o povo partiu das suas tendas para atravessar o Jordão, levando os sacerdotes a arca do pacto adiante do povo,  e quando os que levavam a arca chegaram ao Jordão, e os seus pés se mergulharam na beira das águas (porque o Jordão transbordava todas as suas ribanceiras durante todos os dias da sega),  as águas que vinham de cima, parando, levantaram-se num montão, mui longe, à altura de Adã, cidade que está junto a Zaretã; e as que desciam ao mar da Arabá, que é o Mar Salgado, foram de todo cortadas. Então o povo passou bem em frente de Jericó.  Os sacerdotes que levavam a arca do pacto do Senhor pararam firmes em seco no meio do Jordão, e todo o Israel foi passando a pé enxuto, até que todo o povo acabou de passar o Jordão”(3:14-17).

Não há dúvida de que esse milagre foi uma grande demonstração de que o Deus vivo estava presente entre o povo (3:10). Com essa demonstração do poder de Deus, a fé do povo ficou fortalecida para enfrentar o desafio da conquista da Terra Prometida.

Deus abrira as águas do mar vermelho para retirar os israelitas do Egito(Ex 14), e aqui Ele separou as águas do rio Jordão para que eles pudessem entrar em Canaã. Esses milagres mostraram a Israel que o Deus vivo mantém suas promessas e que estava presente entre o seu povo. A presença de Deus e sua fidelidade para com o seu povo tornaram possível toda a jornada do Egito à Terra Prometida.

A participação dos sacerdotes. Na travessia do Jordão, Deus foi o centro de tudo e Josué o líder. Mas, os sacerdotes tiveram uma participação muito importante e de destaque. Eles se submeteram à ordem de Josué (um líder não-sacerdote). Carregaram a Arca da Aliança até o rio. Tiveram de molhar seus pés nas águas do Jordão. Quando eles molharam seus pés nas águas do rio, o milagre aconteceu: as águas pararam de correr. Deus escolheu o momento em que o rio estava mais cheio para demonstrar seu poder: repartir as águas de forma que a nação inteira pudesse cruzar o leito do rio em solo seco. Os sacerdotes esperaram no meio do rio, já seco, que todos os israelitas passassem. E só saíram de lá quando Josué ordenou. Nem sempre sacerdotes desejam obedecer a líderes leigos, mas devemos nos lembrar que o povo passou pelo Jordão porque esses homens de Deus obedeceram a Josué, o líder ordenado pelo Senhor.

Fatos que evidenciam o sobrenatural de Deus no momento em que os sacerdotes pisaram no leito do rio - Os racionalistas, por não conhecerem a Deus, têm dificuldades em acreditar nesse milagre. Eles alegam que o texto é uma alegoria ou lenda, como se Deus dependesse de argumentos de homens para validar sua Palavra. Todavia está clara no texto a evidência do milagre parando águas nos dias de Josué. Deus podia ter usado meios naturais, mas o sobrenatural está confirmado por: (1) predição do evento(3:13-14); (2) o tempo exato do acontecimento(3:15); (3) a quantidade de água retida “num montão” por mais de um dia( 3:16); (4) o fato de o chão do rio drenado tornar-se imediatamente tão firme como “em seco”(3:17);(5) e, o tempo da volta das águas quando os sacerdotes carregando a Arca deixaram o leito do rio(4:18).

Com absoluta certeza, Deus mostrou seu grande poder ao realizar uma ação miraculosa de precisão para permitir que seu povo cruzasse o rio em solo seco. Este testemunho de poder sobrenatural do Senhor serviu para aumentar a esperança dos israelitas em Deus e dar-lhes uma grande reputação diante de seus inimigos, que eram muito mais numerosos.

CONCLUSÃO

Quando dizemos que Josué é um protótipo de Cristo no Antigo Testamento, é porque este episódio da travessia do rio Jordão com o povo de Israel conduzido por Josué, para encontrar Canaã, ilustra bem a nossa passagem neste mundo, guiados pelo Senhor Jesus Cristo, a caminho da Canaã Celestial. E como a Arca do Concerto, que significa a presença de Deus, esteve sempre com o povo de Israel, naqueles momentos, com certeza, na presença de Deus, entraremos na Canaã Celestial. É bom registrar, que Jesus, 1.400 anos mais tarde, foi batizado, no Jordão, no mesmo ponto da travessia de Josué.

E para encerrar, eis o poema que o Senhor deu ao Poeta (desconhecido), concernente a esta passagem:

ATRAVESSANDO O JORDÃO


Moisés, no sono eterno... Josué, guerreiro,

Do Senhor do Universo a voz solene escuta:

Para seguir, sereno, na divina luta,

Da qual fora Moisés o grande herói primeiro.

 

Canaã da Promessa aguardava, impoluta,

O povo do deserto, venerado e obreiro,

Que da nuvem fazia um celeste sombreiro,

E do fogo, na noite, acolhedora gruta.

 

O Jordão, transbordante de nervosas águas,

Serenou de repente quando a Arca chegou,

Conduzindo Israel já sem dores e mágoas.

 

Abriu-se, reverente, diante de “EU SOU”,

O líquido gigante, despido de fráguas...

E, feliz, Israel, finalmente, passou!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia - Livro de Josué .