Aula 04

LIÇÕES ESPIRITUAIS DO PÓS-JORDÃO

Leitura Bíblica: Josué 4:1-3; 5:2,3; 10-12

25/01/2009

 

Disse então o Senhor a Josué: Hoje revolvi de sobre vós o opróbrio do Egito; pelo que se chama aquele lugar: Gilgal, até o dia de hoje”(Josué 5:9).

 

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo sobre o livro de Josué, estudaremos nesta aula as lições espirituais dos fatos que aconteceram após a passagem pelo Jordão. Pelo menos cinco lições tiraremos dos fatos ocorridos, que iremos discorrer nos tópicos seguintes, mas duas não devem ser esquecidas: a necessidade de ensinarmos às gerações futuras as preciosas verdades da Palavra de Deus e, a submissão incondicional ao Senhor.

Diante do povo de Israel, após uma jornada de 40 anos pelo deserto, finalmente se descortinava a terra que manava leite e mel. Vencido um longo e difícil tempo, de grande aprendizado e experiências, chegou o grande momento: entrar na terra prometida. Ali estava a terra de todos os sonhos, da realização de todas as promessas de Deus. Era o momento de concretizar seus planos. Como os Israelitas, todos nós temos sonhos, alvos e objetivos de grande importância para nossas vidas. Deus, como fez a Israel, tem empenhado grandes promessas e deseja que alcancemos também a nossa terra prometida. E o melhor de tudo isto é que, de fato, podemos alcançar as promessas de Deus(Js 1: 10-11).

I – LIÇÕES DO MEMORIAL DE PEDRAS(4:1-24)

Josué atravessou o Jordão mediante o poder sobrenatural de Deus, interrompendo o curso das águas por um dia para que o povo passasse a pé enxuto. Mas Deus não queria que as gerações futuras, e até mesmo a presente, não esquecessem deste tão grande feito de Deus. Então Deus disse: “Tomai dentre o povo doze homens, de cada tribo um homem; e mandai-lhes, dizendo: Tirai daqui, do meio do Jordão, do lugar em que estiveram parados os pés dos sacerdotes, doze pedras, levai-as convosco para a outra banda e depositai-as no lugar em que haveis de passar esta noite”(4:2,3). Deus queria que fosse estabelecido com essas pedras um memorial, ou lembrança, do seu poder em favor do povo de Israel. Nossa memória é muita volátil, por isso deve sempre ser estimulada com coisas tangíveis para lembrar de determinados fatos.

1. Dois memoriais(4:3-9). Observando os versículos 1-3 denota-se que Deus determinou o levantamento de doze pedras para que fosse estabelecido um memorial no alojamento – em Gilgal(vv.19,20) - que o povo logo mais se estabeleceria –“... levai-as convosco para a outra banda e depositai-as no alojamento em que haveis de passar esta noite”(v.3).  Deus queria que cada tribo fosse representada, por isso, solicitou que um homem de cada tribo levasse uma pedra. Mas, o versículo nove descreve que, também, Josué levantou doze pedras no meio do Jordão, no lugar do assento dos pés dos sacerdotes que levavam a arca do concerto. Logo, seriam dois memoriais.

Aparentemente, esse memorial que Deus determinou que fosse estabelecido, pode parecer um passo insignificante em sua missão do conquistar a terra, mas o Senhor não queira que seu povo mergulhasse em sua tarefa de forma despreparada. Eles precisavam manter seu foco nEle e lembrar que os guiava.

Ao ocupar-se com as tarefas dadas por Deus, separe alguns momentos para construir seu próprio memorial do poder de Deus. O excesso de atividades pode mudar seu foco para longe do Senhor.

Para a Igreja Jesus determinou dois memoriais – o Pão e o Vinho(Santa Ceia) – “... o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai e comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim”( 1 Co 11:.23-25)

2. O proposto dos memoriais(4:21-24). Os versículos 6-7, bem como os versículos 22-24 mostram quais foram os propósitos dos dois memoriais: “para que isto seja por sinal entre vós; e quando vossos filhos no futuro perguntarem: Que significam estas pedras? direis a eles que as águas do Jordão foram cortadas diante da arca do pacto de Senhor; quando ela passou pelo Jordão, as águas foram cortadas; e estas pedras serão para sempre por memorial aos filhos de Israel”(4:6,7).

“Porque o Senhor vosso Deus fez secar as águas do Jordão diante de vós, até que passásseis, assim como fizera ao Mar Vermelho, ao qual fez secar perante nós, até que passássemos; para que todos os povos da terra conheçam que a mão do Senhor é forte; a fim de que vós também temais ao Senhor vosso Deus para sempre”(4:23,24).

Um monumento de pedras era freqüentemente usado para relembrar às gerações futuras a respeito do livramento divino e da sua graça para com o seu povo. Nestes versículos percebe-se que o propósito é tríplice: lembrar aos filhos de Israel a passagem em seco do Jordão(vv.7,22); lembrar o feito miraculoso do poder de Deus quanto a atos do passado, como a travessia do Mar Vermelho, também a seco(v.23); e mostrar a todos os povos que a mão do Senhor é forte, a fim de que temais ao Senhor(v.24).

Todavia a maior ênfase que é dada nestes dois memoriais é com relação ao ensino a ser dado aos filhos de Israel. Percebe-se isso na dupla citação que é feita - no verso sete e no verso 22. O propósito maior era com a futura geração de Israel. Ela não deveria jamais esquecer dos grandes feitos do Senhor e deveria temê-lo todos os dias. Suas crianças veriam as pedras, ouviriam a história e aprenderiam sobre Deus. Isso ensejava uma oportunidade para os pais ensinarem aos seus filhos a respeito do poder e fidelidade de Deus. Através desses ensinos, os filhos temeriam “ao Senhor, vosso Deus, todos os dias”(v.24).

O crente de hoje pode escolher certas coisas ou lugares como memoriais para relembrar as grandes coisas que Deus fez por ele. Esses memoriais devem ajudar-nos a ensinar a nossos filhos a dependerem de Deus para os dirigir e ajudar enquanto viverem neste mundo. Se não ensinarmos hoje a Palavra de Deus aos nossos jovens, amanhã assistiremos à degeneração da sociedade. Precisamos conhecer bem e corretamente as doutrinas da Bíblia e ensiná-las por toda parte, a partir das crianças. Que Deus nos ajude!

II – LIÇÕES DE GILGAL(5:1-12)

O povo, pois, subiu do Jordão no dia dez do primeiro mês, e acampou-se em Gilgal, ao oriente de Jericó”(4:19). Quatro acontecimentos de caráter essencialmente espiritual marcaram a chegada de Israel em Canaã, antes mesmo que desse início às lutas contra os povos inimigos: a circuncisão da nova geração de homens; a celebração da Páscoa (a terceira depois da saída do Egito); a cessação do maná (alimento diário provido por Deus durante quarenta anos); e o aparecimento de um Anjo, que se apresentou a Josué como sendo o “príncipe do exército do Senhor”, a quem Josué deveria se submeter.

Esses acontecimentos ocorreram precisamente em Gilgal. O nome Gilgal significa, círculo, voltar, reavaliar - revolver. Localizado perto de Jericó, Gilgal era o acampamento de Israel e seu centro temporário de governo e adoração durante a invasão de Canaã. Aqui as pessoas renovaram seu compromisso com Deus e comprometeram-se com Ele antes de tentar conquistar a Terra Prometida. Deus ordenou ao povo que se preparasse para um tempo novo, um viver diferente. Ali eles retomaram a páscoa e a circuncisão, então, Gilgal é símbolo de recomeço, restauração e transformação. Existe um lugar de renovação, mas antes devemos ter consciência de que o Egito e o Jordão devem ficar para trás em nossas vidas. Devemos, com persistência, fazer nosso esforço para alcançar a Terra Prometida.

Gilgal se tornaria, no futuro, um dos lugares históricos, onde Samuel julgou Israel, onde Saul foi proclamado rei e onde Davi foi restaurado, após a rebelião de Absalão.

1. Gilgal, lugar da renovação do pacto(Js 5:1-9). Em Gilgal, Josué renova o pacto que Deus fez com Abraão: a circuncisão. Antes da circuncisão chamava-se Gibeate-Haralote (5:3). Essa renovação era importante, pois representava a marca que cada homem israelita deveria levar em seu corpo como lembrança do pacto entre Deus e Abraão(Gn 17:23-27), do qual os israelitas eram descendentes. Renovar o pacto é fazer com que ele seja válido para a nova geração, e para aqueles que não conheceram a bondade de Deus.

A circuncisão dos filhos de Israel. Deus ordena: “torna a circuncidar os filhos de Israel”(5:2). Essa circuncisão era necessária porque a geração que saíra do Egito tinha caído sob o julgamento de Deus(5:5,6). É possível entender que foram circuncidados em Gilgal os que não o foram no deserto, os da nova geração. Em sua graça, Deus estava levantando uma nova geração pra si mesmo – “Mas em lugar deles levantou seus filhos; a estes Josué circuncidou, porquanto estavam incircuncisos, porque não os haviam circuncidado pelo caminho”(5:7).

Quando o Senhor fez o pacto original com Abraão, exigiu que cada macho fosse circuncidado como sinal de desligamento da velha vida e o início de uma nova existência com Deus(Gn 17:13). Outras culturas naquele tempo usavam a circuncisão como um sinal do início da idade adulta, mas só Israel usou isto como uma prova de obediência a Deus. A circuncisão concedia ao homem o direito de participar das bênçãos do pacto(Gn 17:11). Era, ainda, um sinal da sua submissão ao pacto estabelecido. Servia para distinguir o povo de Israel das demais nações. Através da circuncisão, o israelita era separado exclusivamente para Deus.

Opróbrio revolvido -Disse então o Senhor a Josué: Hoje revolvi de sobre vós o opróbrio do Egito; pelo que se chama aquele lugar: Gilgal”(5:9). Há duas significações para a expressão “opróbrio do Egito”. Ela pode se referir à miséria e à humilhação de Israel durante a escravidão do Egito. Pode, também, indicar o escárnio dos egípcios sobre os israelitas por julgarem que Deus os tirara do Egito, porém se esquecera deles no deserto, pelo que não chegariam na terra prometida - Ver a promessa do Êxodo e seu alvo em Ex 3:8. Se esse alvo na tivesse sido atingido, o opróbrio do Egito teria permanecido(ver Ex 32:12; Dt 9:28). Agora, estando na terra da promessa e sendo participantes do pacto com o Senhor, sinal da circuncisão, os filhos de Israel recebem a honra de ser uma nação com terra própria, como outras nações importantes do mundo de então, e dão testemunho de que Deus não abandonou o seu povo.

Lição para a Igreja. Semelhante a Israel, a Igreja de Cristo também é separada deste mundo, não pela circuncisão física, mas do coração, no espírito(Rm 2:29). Isto se refere a obra da graça de Deus no coração do crente que o torna co-participante da natureza divina e o capacita a viver uma vida pura, separada do pecado, para a glória de Deus(cf Dt 10:16; Jr 4:4; 2Pe 1:4). Tal qual a retirada do prepúcio por ocasião da circuncisão física, assim será a retirada do pecado e do mal, por ocasião da circuncisão do coração. Um santo viver é o sinal externo de que estamos sob a nova aliança. Conforme Filipenses 3:3, a Igreja de Cristo traz a verdadeira circuncisão, pois serve a Deus no Espírito, gloria-se em Jesus e não na carne – “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne”.

A mensagem de Deus a Israel soa, no mesmo tom, em nossos dias: “Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que a minha indignação não venha a sair como fogo, e arda de modo que ninguém o possa apagar, por causa da maldade das vossas obras”(Jr 4:4).

2. Gilgal, lugar de celebração(Js 5:10) – “Estando, pois, os filhos de Israel acampados em Gilgal, celebraram a páscoa no dia catorze do mês, à tarde, nas planícies de Jericó”. Essa alegre Páscoa foi a primeira a ser celebrada na Terra Prometida e apenas a terceira celebrada por Israel desde a saída do Egito(Ex 12). A última vez fora realizada ao pé do monte Sinai, 39 anos antes(Nm 9:1-5). Esta celebração lembrava a Israel sobre os poderosos milagres de Deus que os tirou do Egito. Lá eles tinham que agir sob o medo e a pressa; em Gilgal eles comemoram em celebração às bênçãos do Senhor e às suas promessas. Com essa celebração os israelitas lembraram de que, no Egito, quando eram escravos, o Senhor os livrou com mão forte, julgou seus opressores e lhes deu a tão sonhada liberdade. Essa comemoração foi uma lembrança do poder e da misericórdia divinos, e uma certeza de que Ele estaria com os israelitas sempre.

Esta festa era celebrada com uma solene ceia familiar, na qual o prato principal era um cordeiro assado (separado e morto para esta ocasião) com ervas amargas e pães asmos. Esta festa tipificava a morte de Cristo, que aconteceria por toda a humanidade(João 3:16). Ele é a nossa Páscoa(1Co 5:7). Cristo é o nosso cordeiro pascal, o sacrifício perfeito pelos nossos pecados. Uma vez que Ele nos libertou da escravidão do pecado, não devemos nos relacionar com os pecados do passado. O fermento simboliza o pecado. O fermento velho representa os pecados do passado.

É por meio da Santa Ceia do Senhor que a Igreja também relembra a morte do Cordeiro de Deus(João 1:29). Ele assim recomendou: “... fazei isso em memória de mim”(Lc 22:19).

3. Gilgal, um lugar de provisão(5:11,12). Depois da circuncisão da nova geração e da celebração da Páscoa, o povo comeu “do fruto da terra”. Deus fornecera milagrosamente maná para os famintos israelitas durante 40 anos no deserto(Ex 16:14-31). Na abundante Terra Prometida, eles não mais precisavam deste suprimento diário de comida porque a terra estava pronta para o plantio e colheita.

O Senhor milagrosamente provera alimento para os israelitas enquanto estiveram no deserto; em Gilgal, Deus providenciava comida da própria terra. Deus prepara milagrosamente o necessário para seu povo, mas também espera que todos usem seus talentos e recurso dados pelo Senhor para que possam providenciar por si mesmos. Caso suas orações não sejam respondidas, talvez você precise estar dentro de seu alcance. Ore e peça sabedoria a Deus, energia e motivação para realizar seus anseios. O Senhor sempre cumpre suas promessas!Ele concede a todo o crente submisso, toda provisão material e espiritual.

III – AS LIÇÕES DA VISÃO DE JOSUÉ(5:13-15)

“Ora, estando Josué perto de Jericó, levantou os seus olhos, e olhou; e eis que se pôs em pé diante dele um homem que tinha na mão uma espada nua; e chegou-se Josué a ele, e perguntou-lhe: És tu dos nossos ou dos nossos inimigos? Respondeu ele: Não, mas venho agora como príncipe do exército do Senhor. Então, Josué prostrou-se com o rosto em terra, e o adorou, e perguntou-lhe: Que diz meu Senhor ao seu servo? Então respondeu o príncipe do exército do Senhor a Josué: Tira os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo. E Josué assim fez”.

Quem era o príncipe do exército do Senhor que Falou com Josué? Embora haja uma perceptível falta de detalhes neste relato, o que se acha nele registrado sugere que Josué teve uma milagrosa visão. A maioria dos comentaristas presume que foi um servo mortal de Deus ou um anjo que apareceu para fortalecer Josué e Israel ao se prepararem para travar a primeira batalha.

Dos fatos, todavia, sugere que Josué na realidade viu o Senhor, o Cristo pré-encarnado. Em primeiro lugar, quando ele caiu com o rosto em terra para adorá-lo, nada foi feito para impedi-lo. No entanto, sabemos que os servos mortais de Deus rapidamente procuram impedir que as pessoas o adorem mesmo quando eles tenham demonstrado grande poder(veja Atos 10:12-26; 14:8-18). O mesmo acontece aos anjos, pois, por duas vezes, quando o apóstolo João ficou abismado com a presença de um desses seres angelicais e estava prestes a cair a seus pés para adorá-lo ele lhe disse: ” Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus(Ap 22:9;ver também 19:10). O anjo que apareceu aos pais de Sansão claramente ensinou-os que todas as ofertas deveriam ser feitas ao Senhor(ver Juizes 13:16). O ser mencionado aqui, porém, não fez qualquer tentativa de impedir que Josué caísse por terra e o adorasse.

Em segundo lugar, o personagem ordenou-lhe que retirasse os sapatos dos pés, pois se encontrava em solo sagrado – as mesmas instruções que o Senhor dera a Moisés no Monte Sinai(ver Ex 3:5). Como, porém, faltam muitos detalhes neste relato, podemos apenas conjeturar que o ser que visitou Josué era o próprio Senhor. Esta manifestação divina é chamada “teofonia”. O termo procede do grego e significa “manifestação divina”.

Da visão de Josué e do relato acima podemos tirar duas lições importantes para a nossa vida espiritual:

1. As visões teofônicas do Antigo Testamento não são modelos para a Igreja. A Igreja tem hoje o compêndio doutrinário e revelador de Deus em sua total completude: a Bíblia Sagrada. É nela onde está revelada a pessoa de Cristo. É nela onde encontramos todos os mandamentos e procedimentos corretos para vencermos as batalhas espirituais, bem como a estratagema adequada para vencermos o inimigo e conquistarmos a nossa Salvação. Portanto, o cristão não deve viver à procura ou à espera de manifestações angelicais, mas pautar sua vida e chamada ministerial na Palavra de Deus.

A Igreja, jamais deve prestar culto aos anjos. Há muitos crentes iludidos adorando os anjos. Infelizmente, há pregadores que só iniciam a pregação depois de pedir a presença dos anjos e, com isso, iludem os incautos na fé, que não estudam a Bíblia. Os Anjos não aceitam adoração, sendo que, eles mesmos são adoradores do Filho de Deus - E quando outra vez introduz no mundo o primogênito, diz - e todos os anjos de Deus o adorem”(Hb 1:6). A expressão “todos os anjos” deixa claro que não existe um só anjo, ou um anjo especial, excluído da necessidade de ser um adorador.

Vemos, pela Bíblia, que quando o apóstolo João quis adorar um anjo, este não apenas não aceitou adoração como também declarou ser servo do Senhor e que a Deus é que se deve adorar - E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostei-me aos pés do anjo que mas mostrava para adorar. E disse-me: olha não faças tal; porque sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”(Ap 22:8-9).

Quando Paulo escreveu à igreja de Colossos atacou veementemente o “culto aos anjos”(Cl 2:18). Ele lembrou os colossenses de que o único e suficiente Senhor e Salvador é Jesus Cristo que, diante de todos os seres angelicais, havia, Ele só, mais ninguém, conquistado a vitória sobre o pecado e o mundo. Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, de modo que não deveríamos, em hipótese alguma, considerar a possibilidade de honrar, respeitar, venerar ou adorar anjos. Sabemos que os anjos existem, que estão a serviço de Deus e que, entre suas funções principais, está a de servir a nosso favor, mas nosso relacionamento com Deus nada tem a ver com os anjos e eles nada podem representar e papel algum podem ocupar nesta nossa relação com Deus. A Bíblia é claríssima a este respeito. Embora sempre tenha confirmado a existência dos anjos e a sua atuação a favor dos homens, no exercício da vontade de Deus, sempre foi categórica em demonstrar que os anjos não representam qualquer papel no relacionamento que deve existir entre Deus e a humanidade.

Os anjos, embora tenham sido sempre agentes divinos a favor dos homens, nunca se interpuseram no relacionamento entre Deus e o homem. Vejamos alguns rápidos exemplos:

a) Embora tenha sido visitado por anjos, Abraão, quando intercedeu pelas cidades da planície, orou a Deus e não aos anjos (Gn.18:22-33).

b) Moisés não aceitou a proposta de Deus de se fazer substituir por um anjo na condução do povo de Israel pelo deserto, bem como o povo de Israel se entristeceu com esta notícia, prova de que Moisés e o povo entendiam que a presença de Deus era indispensável para o bem-estar do povo (Ex.33:1-17).

c) Embora tenha recebido a mensagem profética através de um anjo, que teve seu caminho obstruído pelo próprio arcanjo, Daniel recebeu as instruções finais diretamente de Deus e a Ele se dirigiu (Dn.10, 12:5-13).

d) Embora tenha sido avisada por um anjo de que conceberia o Salvador, Maria se dirigiu a Deus e a Ele disse aceitar o seu plano (Lc.1:38).

e) Embora tenham ouvido um coro celestial de anjos, os pastores consideraram tratar-se de uma mensagem divina, correram ao encontro de Jesus, ainda um menino recém-nascido na manjedoura e anunciaram a Jesus e não aos anjos (Lc.1:15-18).

f) Embora tenha sido visitado por um anjo, Cornélio teve de ouvir o evangelho de um homem, que lhe anunciou Cristo e não o anjo (At.10:4-8,36).

g) Embora tenha sido avisado por um anjo a respeito do livramento que viria, Paulo testificou que Deus é quem o haveria de guardar aos homens do navio e deu toda honra ao Senhor e não aos anjos (At.27:23-25).

h) Entusiasmado e maravilhado com as revelações que recebera, João até tentou adorar um anjo, mas foi impedido pelo próprio anjo (Ap.22:8,9).

Portanto, não temos nenhum fundamento bíblico para dizer que os anjos devam receber qualquer homenagem, veneração ou adoração.

Hoje, a crença de que Jesus Cristo não é o único intermediário entre Deus e o homem é posta em prática na adoração e oração a santos mortos, como padroeiros e mediadores. Essa prática despoja Cristo de sua supremacia e centralidade no plano redentor de Deus. Adorar e orar a qualquer pessoa que não seja Deus Pai, Deus Filho ou Deus Espírito Santo são práticas antibíblicas, e por isso devem ser rejeitadas.

2. A importância da visão para Josué(5:14,15). Percebe-se através destes textos a confirmação da presença invisível de Deus e do seu exército celestial para batalhar lado a lado com seu povo fiel(cf At 12:5-11;18:9,10;23:11;27:23).

“... tinha na mão uma espada nua... príncipe do exército do Senhor”. Esse fato nos ensina que como crentes não estamos sós em nossas lutas neste mundo. Existem forças espirituais que lutam a nosso favor(Hb 1:14), havendo também as que lutam contra nós. Temos o Espírito Santo, que permanece constantemente ao nosso lado como nosso ajudador e protetor(João 14:16-23).

“... Josué prostrou-se com o rosto em terra, e o adorou... Tira os sapatos de teus pés,... E Josué assim fez”. Embora fosse o líder de Israel, Josué estava subordinado a Deus, o Líder absoluto. Esse fato nos ensina que temor e respeito são as atitudes corretas para com o Todo-Poderoso. Como podemos mostrar nossa reverência a Deus? Através de nossas atitudes e ações. Devemos reconhecer o poder, a autoridade e o amor profundo do Senhor, e nossas ações precisam ser exemplo de nossas atitudes para com as pessoas. O respeito a Deus é tão importante hoje, como foi nos dias de Josué, embora o ato de tirar os sapatos não seja mais o nosso modo cultural de demonstrar isto.

CONCLUSÃO

Aprendemos nesta aula que a vitória dos israelitas estava condicionada à obediência ao Senhor e à sua Palavra. Semelhantemente, isso se aplica à Igreja do Senhor. Se formos submissos ao Senhor e à sua Palavra, teremos as mesmas garantias, promessas e vitórias. Devemos quebrar nossa resistência e oposição e abandonar tudo que nos escraviza em favor de uma obra maior que Deus quer realizar através de nós. Não permita que nada o impeça de conquistar as bênçãos do Senhor. Deixe de lado a insegurança do deserto, a incerteza do Jordão e venha agora para Gilgal. O altar de Deus é o lugar da sua bênção, da sua vitória, da realização de seus sonhos. Busque a renovação dos seus dons e do seu ministério. Gilgal é o lugar de um recomeço com Deus.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia - Livro de Josué. Alcançando a Terra Prometida – Pr.José Maurício Pereira. As heresias e o culto aos anjos – Caramuru Afonso Francisco.