Aula 05
A CONQUISTA DE JERICÓ
Leitura Bíblica: Josué 6:1-27
01/02/2009
“Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias”(Hb 11:30)
INTRODUÇÃO
Dando continuidade ao estudo do livro de Josué, nesta aula vamos estudar sobre “A conquista de Jericó”. Após a travessia do caudaloso rio Jordão, mediante o poder sobrenatural de Deus, interrompendo o curso das águas por um dia para que o povo passasse a pé enxuto; após a realização dos procedimentos espirituais ordenados por Deus: o levantamento dos dois memoriais de pedras, a circuncisão de todos os israelitas do sexo masculino e a realização da páscoa, agora Josué se prepara para a conquista da primeira cidade Cananéia - Jericó. Essa não era uma tarefa fácil! Exigiria dos israelitas confiança e fé em Deus para derrotar uma cidade que estava bem fortificada e fechada(6:1). Mas a fé e a obediência triunfaram diante das poderosas muralhas de Jericó (vide Hb 11:30).
Fé em Deus e obediência aos seus desígnios são requisitos indispensáveis para aqueles que almejam superar todos os obstáculos da vida espiritual e destruir as fortalezas do inimigo – “ Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas”(2Co 10:4). Nossa luta é contra as hostes espirituais da maldade(Ef 6:12). Por isso, as armas carnais e humanas, tais como, habilidade, riqueza, capacidade organizacional, eloquencia, persuasão, influência e personalidade, são em si mesmas inadequadas para destruir as fortalezas de Satanás. As únicas armas adequadas para desmantelar os arraiais de Satanás, a injustiça e os falsos ensinos são as que Deus nos dá. Paulo alista algumas dessas armas: a dedicação à verdade, uma vida de retidão, a proclamação do evangelho, a fé, o amor, a certeza da salvação, a Palavra de Deus e a oração perseverante(Ef 6:11-19; 1 Ts 5:8). Mediante o emprego dessas armas contra o inimigo, a igreja sairá vitoriosa.
A conquista de Jericó aconteceu quase 3.500 anos atrás. A lei que governava os judeus era outra, que não está em vigor hoje. Mas a conquista de Jericó serve como um exemplo importante para nos instruir. Paulo disse que os exemplos do Antigo Testamento servem para nos instruir (1 Co 10:6) e para demonstrar a fidelidade de Deus em cumprir as suas promessas (Rm 15:4). O autor de Hebreus usou exemplos de fé da antigüidade para nos incentivar na nossa caminhada da fé (Hb 11:4-38; 12:1). Entre estes exemplos aparece esta simples afirmação: “Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias” (Hb 11:30). Vamos analisar a vitória dos israelitas sobre Jericó como exemplo para nossa instrução.
I – JOSUÉ PREPARA O POVO PARA A CONQUISTA(Js 6:1-5)
1. Josué submisso ao comando de Deus(Js 5:13,14). Antes de avançar sobre a fortaleza de Jericó, a primeira cidade da Terra Prometida, Deus fala com o seu servo de uma forma bem distinta. Josué estava próximo a Jericó, quando um homem aparece portando uma espada desembainhada. Para não lutar contra uma pessoa que poderia ser amiga, Josué pergunta se o homem é um amigo ou inimigo, e recebe a resposta de que o visitante viera em nome do Senhor dos Exércitos. Em reverência, Josué pergunta: “Que diz meu Senhor ao seu servo?”(Js 5:14). Mesmo estando em posição de comando, Josué era submisso à direção de Deus. Ele aprendera, convivendo com Moisés, que Deus se encarrega de trazer orientação necessária para seus líderes em momentos-chave. Aliás, como vimos na primeira lição, a submissão era uma das razões pelas quais Josué fora escolhido para ser líder do povo de Israel.
2. O Senhor dá instruções para a conquista(Js 6:3-5) - “Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, contornando-a uma vez por dia; assim fareis por seis dias. E sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifres de carneiros adiante da arca; e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. E será que, fazendo-se sonido prolongado da trombeta, e ouvindo vós tal sonido, todo o povo dará um grande brado; então o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá nele, cada qual em frente de si”.
Uma das virtudes do caráter de Josué era a obediência, fidelidade e lealdade. Não haja dúvida que ele se submeteu às instruções divinas. Pela lógica humana, a estratégia divina para a tomada de Jericó era bastante absurda, pois a vitória viria por rodearem a cidade por sete dias e, no último, depois de sete voltas ao redor da cidade, apenas emitirem um forte grito(6:20,21). Todavia, Josué confiou integralmente no Senhor dos Exércitos.
Por que Deus concedeu a Josué todas estas complicadas instruções para a guerra? Várias respostas são possíveis: (a) Deus deixa claro que a batalha dependeria dEle, e não das armas e da perícia de Israel. Este foi o motivo pelo qual a Arca, que os israelitas levava para o confronto, deveria ser carregada pelos sacerdotes, não pelos soldados; (b) o método de Deus para tomar a cidade acentuava o terror já sentido em Jericó(2:9); e (c) essa estranha manobra militar era um teste para a fé dos israelitas e sua disposição para seguir a Deus completamente. O soar das trombetas possuía um significado especial. Eles foram instruídos a tocar as mesmas trombetas usadas nas festas religiosas em suas batalhas para lembrar-lhes que a sua vitória viria do Senhor, não do seu próprio poderio militar(Nm 10:9).
3. O Senhor também testa a obediência do povo(Js 6:3,4). A obediência é um dos pré-requisitos indispensáveis na vida do cristão que quer ter a vitória contra os inimigos da fé. Em todas as épocas Deus requisitou de seu povo submissão e obediência à sua Palavra. Neste texto base deste item nota-se a ordenança de Deus quanto à estratégia para se conquistar Jericó, e o grande líder Josué juntamente com todos os seus comandados obedeceram rigorosamente o mandado do Senhor.
Nas instruções que Deus deu a Josué, vemos a importância da graça de Deus e da obediência fiel dos homens (6:1-5). Deus disse: “Entreguei na tua mão Jericó” (6:2). Ao mesmo tempo, ele deu instruções aos homens de Israel e disse: “...assim fareis” (6:3-5). Ele falou para: Os israelitas rodearem a cidade uma vez por dia durante seis dias; Eles rodearem a cidade sete vezes no sétimo dia; Os sacerdotes tocarem suas trombetas; O povo gritar; e subir e tomar a cidade quando o muro caísse; Todos evitarem certas coisas condenadas (6:18-19). Os israelitas obedeceram: os sacerdotes tocaram, o povo gritou, subiu, tomou a cidade (6:20) e queimou as coisas que havia nela (6:24).
O povo de Deus estava com Jericó diante de seus olhos. Bastaria cercar a cidade e atacar com todas as forças, mas Deus lhes ordenou que esperassem por seis dias, apenas rodeando a cidade, e sem fazer mais nada. No sétimo dia, deveriam cercar a cidade por mais sete vezes. Essa é uma estratégia de guerra não muito usual, pois os israelitas, poderiam ser atingidos por flechas inimigas. Os moradores vendo aquela cena inusitada certamente tenham zombado de todos e até mesmo subestimado o Deus de Israel. Eles tinham ouvido falar dos feitos do Senhor junto ao Mar Vermelho e o rio Jordão – acreditavam que o Deus de Israel era o Deus da Natureza(5:1); eles tinham ouvido falar que o Senhor ajudara a Israel sobre diversos reis, como o rei Seom, dos amorreus, e o rei Ogue, de Basã, – eles acreditavam que o Deus de Israel era o Deus da guerra. Mas ainda não conheciam o Deus de Israel como sendo o Deus Todo-Poderoso. Por isso diante dos seus muros inexpugnáveis certamente se sentiam protegidos, é tanto que todos nem saiam e nem entravam(6:1). Mas aqueles maciços muros de pedra jamais impediriam a ação do poder de Deus, que abriu o Mar Vermelho e o rio Jordão para seu povo passar a salvo. Todos os fenômenos naturais estão sob o controle do Altíssimo. Ele é quem faz, desfaz, e nada pode conte-lo ou resistir-lhe.
II – JOSUÉ COMANDA A CONQUISTA DE JERICÓ
Jericó foi a primeira cidade a ser conquistada, depois que passaram por Gilgal. Era uma cidade de grandes fortalezas e muros muito altos que escondiam tudo o que havia em seu interior. Tinha uma característica: quando era ameaçada e o medo surgia, seus habitantes se recolhiam dentro dos seus muros, fechando-se. Conquistar aquela cidade era estratégico por duas razões: primeiro, porque nada do que nela havia agradava a Deus e, segundo, porque aquela fortaleza deveria exercer certa influência de insegurança e medo no povo de Deus (parece-me que Josué olhava para ela com certo temor – Js 5.13-14). Conquistá-la e destruí-la liberaria o povo de Deus da contaminação de Jericó e da insegurança que ela trazia.
1. Jericó, uma cidade-fortaleza(Js 6:1). Jericó, construída milhares de anos antes do nascimento de Josué, era uma das mais antigas cidades do mundo. Segundo alguns estudiosos, ela tinha uma área de cerca de 32 km2. Seus muros tinham cerca de nove metros de altura e seis de espessura, portanto Jericó era um símbolo de poder e força militar – os cananeus a consideravam invencível. Humanamente falando não havia a menor chance de alguém invadi-la. Os soldados que montavam guarda em cima dos muros podiam ser vistos a quilômetros de distância.
Israel atacaria essa cidade primeiro, e sua destruição faria com que todos em Canaã tivessem medo de Israel. Como foi dito anteriormente, os cananeus viam o Deus de Israel como um Senhor de guerra, pois derrotara Seom e Ogue; mas não o consideravam o Todo-Poderoso – aquele que prevaleceria sobre uma cidade fortificada. A derrota de Jericó não apenas mostraria que o Deus de Israel era superior às divindades cananéias, mas também que Ele era invencível. Portanto, a captura de Jericó era a chave de toda a estratégia bélica de Josué, pois demonstrariam que o Deus de Israel era superior aos deuses cananeus, logo, a derrota dos cananeus era inevitável.
2. Deus entrega Jericó nas mãos de Josué(Js 6:2) - “Então, disse o Senhor a Josué: Olha, tenho dado na tua m/ao a Jericó, e ao seu rei, e aos seus valentes e valorosos”. Deus disse a Josué que Jerico já estava entregue em suas mãos – o inimigo já estava derrotado! Que confiança Josué deve ter tido quando entrou na batalha! Estas palavras dirigidas a Josué pelo Senhor dos Exércitos eram a certeza que Ele realmente estava com esse grande líder do povo de Israel e que iria operar um grande milagre no meio do povo. Quem temerá o inimigo quando o Senhor promete lutar pelo seu povo?
Os cristãos também lutam contra um inimigo derrotado. Nosso inimigo, Satanás, foi derrotado por Cristo(Rm 8:37-39; Hb 2:14,15; 1João 3:8). Embora ainda lutemos diariamente e o pecado aumente de forma excessiva no mundo, temos a certeza de que a guerra já foi ganha. Não temos que ser paralisados pelo poder de um inimigo derrotado; podemos vence-lo através do poderio de Cristo.
3. A Arca era o sinal da presença e direção divina(Js 6:4). A presença da Arca é identificada com a presença do próprio Senhor(Ex 25:22; Nm 10:35). O cortejo, com a Arca no seu centro, aplicava as promessas da aliança de Deus, simbolicamente, a Jericó. Para Jericó, as promessas da aliança significavam julgamento. Uma vez que os israelitas agora estavam prestes a enfrentar um dos maiores obstáculos após a passagem do Jordão, já na terra prometida, o Senhor também se manifestava entre eles abertamente através de milagres. Não haja dúvidas, Deus operou milagrosamente diante do seu povo ao enfrentar a poderosa cidade de Jericó abaixando os seus muros e colocando-a vulnerável diante do exército de Israel. Esse é o Deus que nós confiamos. O mesmo príncipe que se apresentou a Josué, Jesus pré-encarnado, é o mesmo que estará conosco todos os dias, nos dando vitória contra o nosso inimigo que pertinaz procura nos enfraquecer diante dos obstáculos que surgem no nosso caminho.
III – A QUEDA DE JERICÓ
1. A queda do muro e a tomada da cidade(6:20,21). Jericó estava fechada e trancada para se proteger dos guerreiros de Israel. Deus fala a Josué dando as instruções de como deveria proceder à conquista. A cidade deveria ser cercada por seis dias, sete sacerdotes levariam sete buzinas, no sétimo dia rodeariam a cidade sete vezes e os sacerdotes tocariam as buzinas, quando o povo ouvisse as buzinas, gritaria e assim o muro cairia. Assim aconteceu. Os israelitas entraram na cidade e destruíram totalmente o que havia na cidade ao fio da espada, homens, mulheres, crianças, velhos e animais, poupando somente Raabe e sua família. A cidade e tudo o que havia na cidade foi queimado.
Nota-se, que pela trivialidade desses procedimentos adotados, inusitados e únicos numa guerra, motivados pela fé e obediência e submissão ao Senhor dos Exércitos, houve neste acontecimento sobrenatural o cumprimento da promessa divina, conforme está escrito em Deuteronômio 20.4: “pois o Senhor, vosso Deus, é o que vai convosco, a pelejar contra os vossos inimigos, para salvar-vos”.
2. O povo toma posse da cidade(6:20). Abaixados (ou colocados rente ao chão) os muros da cidade de Jericó, agora a ordem é: “a cidade será anátema ao Senhor, ela e tudo quanto houver nela; somente a prostituta Raabe viverá, ela e todos os que com ela estiverem em casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos”. A ordem do Senhor era que tudo fosse destruído e queimado, porque tudo o que ali havia era anátema perante o Senhor(6:17,18;7:1). Ser anátema (hebraico herem) significa que o objeto ou a pessoa era dedicado a Deus ou para destruição, ou para seu serviço. Todos os cidadãos de Jericó foram condenados à destruição total(Dt 13:16).
Por que Deus mandou que os israelitas destruíssem quase tudo e todos em Jericó? Ele executava um julgamento severo contra a maldade dos cananeus. Este julgamento, ou proibição, normalmente exigia que tudo fosse destruído(Dt 12:2,3;13:12-18). Antes de a nação de Israel entrar em Canaã, Deus tinha dado instruções rigorosas quanto ao que deviam fazer com os moradores dali: deviam ser totalmente destruídos – “Mas, das cidades destas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nada que tem fôlego deixarás com vida; antes destrui-la-ás totalmente: aos heteus, aos amorreus, aos cananeus, aos ferezeus, aos heveus, e aos jebuseus; como Senhor teu Deus te ordenou”(Dt 20:16,17).
O Senhor repetiu essa ordem depois dos israelitas atravessarem o Jordão e entrarem em Canaã. Em várias ocasiões, o livro de Josué declara que a destruição das cidades e dos cananeus pelos israelitas foi ordenada pelo Senhor(Js 6:2; 8:1,2;10:8). Os crentes atuais, pertencente à dispensação da graça, freqüentemente argumentam sobre até que ponto essa destruição em massa de seres humanos é corrente com outras partes da Bíblia como revelação divina, que tratam do amor, justiça de Deus e do seu repúdio à iniqüidade.
A destruição de Jericó é um relato do justo juízo divino contra um povo iníquo em grau máximo e irremediável, cujo pecado chegara a atingir sua plena medida(Gn 15:16; Dt 9:4,5). Noutras palavras, Deus aniquilou os moradores daquela cidade e outros habitantes de Canaã porque estes se entregaram totalmente à depravação moral. A arqueologia revela que os cananeus estavam envolvidos em todas as formas de idolatria, prostituição cultural, violência, a queima de crianças em sacrifícios aos seus deuses e espiritismo(Dt 12:31;18:9-13). Por causa de suas práticas malignas e intensa idolatria, os cananeus eram grandes inimigos de Deus. Era essa uma ameaça ao correto estilo de vida que o Senhor exigia que fosse removida. Caso contrário, ela atingiria todo o Israel como um câncer em crescimento (como ocorreu na triste história contada no livro de Juizes).
Com relação à cidade de Jericó, poucas pessoas e alguns itens não foram destruídos, mas esses eram casos especiais. A prata, o ouro, os artigos de bronze e ferro foram mantidos, não para enriquecer as pessoas, mas para embelezar o Tabernáculo e seus serviços(6:24). O propósito de Deus em tudo isso era impedir que a fé e a religião das pessoas fossem contaminadas. Ele não queria que o despojo lembrasse Israel das práticas cananéias. Deus também deseja que sejamos puros. Ele quer que mudemos o nosso comportamento quando iniciamos a nova vida com Ele. Não devemos permitir que o desejo por ganhos pessoais distraia nossos propósitos espirituais. Devemos também rejeitar quaisquer objetos que sejam lembranças de uma vida de rebelião contra Deus.
3. Josué ordena o rasgaste de Raabe e sua família(Js 6:17,25). Raabe e sua casa foram poupadas porque ela teve fé em Deus e ajudou os espias israelitas – “Pela fé Raabe, a meretriz, não pereceu com os desobedientes, tendo acolhido em paz os espias”(Hb 11:31). Tiago também faz menção à fé dessa mulher quando diz: “E de igual modo não foi a meretriz Raabe também justificada pelas obras, quando acolheu os espias, e os fez sair por outro caminho?”(Tg 2:25). Embora fosse uma mulher pagã, com atitudes totalmente repreensíveis, Raabe reconheceu o poderio e a grandeza do Deus de Israel. Ela creu que o Senhor era poderoso para subjugar a cidade de Jericó, apesar de sua fortaleza e fama; por isso tornou-se o elo da vitória de Israel sobre o restante de Canaã.
Raabe tornou-se uma pessoa muito especial, porque, depois de ter constituído um piedoso lar com Salmom, e ter gerado a Boaz(Rt 4:21), bisavô de Davi, passou a integrar a genealogia de Davi e de Jesus(Mt 1:5,6). Isto ilustra o fato que Deus aceita qualquer pessoa “que em qualquer nação, o teme e faz o que é justo”(At 10:35).
4. Josué amaldiçoou a cidade e proibiu a sua reedificação (6:26). “Também nesse tempo Josué os esconjurou, dizendo: Maldito diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó; com a perda do seu primogênito a fundará, e com a perda do seu filho mais novo lhe colocará as portas”. Jericó iria permanecer debaixo da maldição de Deus, presumivelmente como sinal do julgamento divino que havia caído sobre os cananeus e que poderia sobrevir a Israel. Essa maldição foi cumprida em 1Reis 16:34 quando um homem, Hiel, reconstruiu Jericó e conseqüentemente perdeu seu filho mais velho e o mais novo.
IV – COM CRISTO EM NOSSO MEIO VENCEREMOS “JERICÓS”
Quando o povo atravessou o Jordão a pé enxuto, providenciado pelo poder sobrenatural do Senhor, parecia que tudo seria fácil a partir de então, ou seja, ninguém iria fazer mais nada, era só esperar o cumprimento da promessa. Todavia, nem tudo seria fácil, pelo contrário, cidades fortificadas e povos armados teriam que ser destruídos para a conquista da mesma. Aparentemente, o povo de Israel estava em grande desvantagem, já que não tinha um exército treinado. Porém, para cumprir o propósito da Aliança, eles deveriam lutar, e lutar bravamente pela terra.
E por que Deus age deste modo? Por que Ele não torna as coisas mais fáceis, já que era uma promessa dEle próprio e o nome dEle estava envolvido? Não seria melhor, com um simples estalar de dedos, Deus fazer com que todos os cananeus se transformassem em fumaça ou pó e o povo adentrasse tranquilamente em cada cidade? Por que Deus não simplificou a estratégia, já que eles haviam perambulado tantos anos pelo deserto? A resposta é: porque Deus é sábio, amoroso e Ele age fazendo o melhor para e pelo seu povo! Tudo que é meramente gratuito, geralmente não é valorizado. Mas quando se consegue algo com luta, tendo Deus como o principal mentor da vitória, então se valoriza mais a conquista e a promessa pré-estabelecida.
Quando nos tornamos cristãos e participantes do Reino dos céus, pela fé em Cristo, iniciamos uma verdadeira batalha espiritual. Paulo diz para revestirmo-nos da armadura de Deus, pois há uma batalha, não contra sangue e carne, mas sim contra o império do diabo (Ef 6:11-13). Daí se compreende porque Jesus insistiu tantas vezes para seus discípulos: “Vigiai e orai”. A vitória de um dia, não garante a vitória para o dia seguinte!
Podemos imaginar o que estava passando pela mente de Josué (capítulo 5) ao contemplar a forte cidade de Jericó, toda fechada e preparada para uma possível invasão. Talvez o temor tivesse se apoderado do grande líder. Deus pede a Josué a circuncisão dos homens para lembrar do pacto da aliança (Js 5:2,3; Gn 17:9-14), querendo imprimir em suas mentes: “Olha, eu sou o Deus que tenho um compromisso com vocês e eu não mudei em meus propósitos!”; pede também a celebração da Páscoa, para que eles tivessem por memória o Deus libertador. E, finalmente, o próprio Jesus aparece a Josué, como o Príncipe do Exército do Senhor e o povo pode então ver outra maravilha: os muros da forte cidade de Jericó ruíram ao sétimo dia, de uma forma miraculosa.
Este é o mesmo Deus que trabalha em nossas vidas. Diariamente levantam-se “Jericós” à nossa frente. Às vezes gostaríamos que elas não se levantassem, ou então que os muros desabassem no primeiro dia. Mas Deus sabe perfeitamente como e quando agir e nós devemos aprender a agradecer pelo modo como Ele age e o momento oportuno. Se Ele permite que passemos por lutas e provações é para o nosso próprio benefício, para o crescimento espiritual; caso contrário, seríamos crentes mimados e fracassados, não tendo absolutamente nada a acrescentar ao Seu Reino. Com Cristo em nosso meio venceremos “jericos”.
CONCLUSÃO
A destruição da cidade de Jericó, bem como de outras cidades cananéias que se sucederam, e de seus habitantes demonstra um princípio básico de julgamento divino: quando o pecado de um povo alcança sua medida máxima, a misericórdia de Deus cede lugar ao juízo. Deus já aplicara esse mesmo princípio, quando do dilúvio(Gn 6:5,11,12) e da destruição das cidades iníquas de Sodoma e Gomorra(Gn 18:20-33; 19:24,25). Tipifica e prenuncia o juízo final de Deus sobre os ímpios, no fim dos tempos. O segundo e verdadeiro Josué, Jesus Cristo, voltará em justiça, com os exércitos do céu a fim de julgar todos os ímpios e de batalhar contra eles(Ap 19:11-21). Todos aqueles que rejeitarem a sua oferta de graça e de salvação e que continuarem no pecado, perecerão assim como os habitantes de Jericó.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia - Livro de Josué. Alcançando a Terra Prometida – Pr.José Maurício Pereira. Requisitos para a conquista de um território - Pastor Aurélio Jesus Santos.