Aula 06
Leitura Bíblica: Josué 7:1-12
08/02/2009
“Israel pecou; eles transgrediram o meu pacto que lhes tinha ordenado; tomaram do anátema, furtaram-no e, dissimulando, esconderam-no entre a sua bagagem”(Js 7:11).
INTRODUÇÃO
Dando continuidade o estudo do livro de Josué analisaremos nesta oportunidade o capítulo sete, que se refere ao fracasso de Israel em sua primeira investida contra Ai(vv 1-5), a desoladora oração de Josué(vv 7-9, a resposta e orientação do Senhor(vv 10-15), e a confissão e o julgamento de Acã(vv 16-26).
Se compararmos a aula anterior (“A conquista de Jericó”) com esta que estamos iniciando agora, vamos nos deparar com um triste contraste. Enquanto aquela inspirou o nosso coração, falando-nos de santificação, fé, obediência ao Senhor e vitória, esta vem nos alertar sobre a relação existente entre pecado, morte e derrota – a maldição do pecado. Uma fenomenal vitória em Jericó. Uma vergonhosa derrota em Ai. Como entender isso? Além de ter perdido alguns soldados, Israel temia estar perdendo também o auxílio do Senhor, de acordo com Josué 7:7. “Ah Senhor!, que direi eu? (Js 7:8), indagou Josué, com o rosto prostrado. E o Senhor respondeu: “Israel pecou”(Js 7:11).
O pecado é um engano. Promete prazer e paga com o desgosto. Faz propaganda de liberdade, mas escraviza. Levanta a bandeira da vida, mas seu salário é a morte. Tem um aroma sedutor, mas ao fim cheira a enxofre. Só os loucos zombam do pecado. O pecado é maligníssimo. Ele é pior do que a pobreza, do que a solidão, do que a doença. Enfim, o pecado é pior do que a própria morte. Esses males todos não podem destruir sua alma nem afastar você de Deus, mas o pecado arruína seu corpo, sua alma e afasta você eternamente de Deus.
1. A ordem divina para Israel(Js 6:17-19 - “A cidade, porém, com tudo quanto nela houver, será anátema ao Senhor; somente a prostituta Raabe viverá, ela e todos os que com ela estiverem em casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos. Mas quanto a vós, guardai-vos do anátema, para que, depois de o terdes feito tal, não tomeis dele coisa alguma, e não façais anátema o arraial de Israel, e o perturbeis. Contudo, toda a prata, e o ouro, e os vasos de bronze e de ferro, são consagrados ao Senhor; irão para o tesouro do Senhor”).
Antes de entrar na cidade de Jericó e destruí-la, o Senhor deixou claro a todo o povo que os tesouros e objetos valiosos encontrados nessa cidade deveriam ser guardados não como despojos para os israelitas, mas para o tesouro do Senhor(Js 6:18-19). Era anátema. Ser anátema significa que o objeto ou a pessoa era dedicado a Deus ou para destruição, ou para seu serviço. Todos os cidadãos de Jericó foram condenados à destruição total(Dt 13:16). Deus, o criador, tem o justo direito de destruir aqueles que se dedicam inteiramente à prática da iniquidade e da injustiça. Portanto, qualquer pessoa que se apropriasse de ouro, prata e dos vasos de metais incorreria no julgamento do Senhor.
2. O pecado de Acã(Js 7:21 – “quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma cunha de ouro do peso de cinqüenta siclos, cobicei-os e tomei-os”). Acã não resistiu à tentação e tomou do anátema para si (ouro, prata e uma capa babilônica), numa sucessão de pecados, segundo confissão do próprio Acã depois de descoberto: “... cobicei-os e tomei-os” - Cobiça e furto. A cobiça é um desejo impetuoso e desequilibrado de adquirir bens materiais, inclusive alheios. A prática da cobiça leva o homem à dívida, ao roubo, à desonra, ao egoísmo, à fraude e, até, ao homicídio – “Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores(1 Tm 6:10).
Ao cobiçar o anátema e se atrever a desobedecer às ordens divinas em troca da posse de bens materiais, Acã e sua família fizeram muito mal e introduziram, na comunidade do povo de Deus, a possibilidade do materialismo, o que deveria ser imediatamente erradicado para que aquela geração não tivesse o mesmo triste fim de seus pais, que pereceram no deserto por causa da incredulidade (Hb.3:19). É importante notar que Acã foi incapaz de glorificar a Deus, apesar do pedido de Josué neste sentido, exatamente porque, ao amar as coisas materiais, havia desprezado e menosprezado o Senhor.
A excessiva preocupação do homem com as coisas desta vida é uma característica da prática materialista ao longo da história da humanidade. É evidente que o homem, para sobreviver, tenha de suprir suas necessidades essenciais (alimentação, vestuário, educação, habitação), necessidade que é reconhecida por Deus (Mt.6:32), mas também é ponto pacífico que o homem não pode pôr estas coisas como prioritárias na sua vida. No exato instante em que as coisas materiais passam a dominar o centro das atenções do homem, ele se torna presa do materialismo e, neste preciso momento, dá as costas para Deus.
Quando amamos as coisas desta vida em primeiro lugar, passamos a servir às riquezas, ou seja, a Mamom (o deus das riquezas) e, por causa disto, deixamos Deus de lado. Jesus disse que não se pode servir a Deus e a Mamom (Mt.6:24) e, infelizmente, muitos são os que, na atualidade, mesmo se dizendo crentes, não servem a Deus, mas única e exclusivamente a Mamom.
O materialismo, isto é, o apego às coisas materiais, representa a própria negação de Deus, é o chamado “ateísmo camuflado”. Quando há o apego às coisas materiais, estamos, ainda que não o digamos com argumentos, na prática, negando que Deus existe. É por este motivo que as Escrituras dizem que “o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males” (I Tm.6:10a). É dentro deste sentido que devemos compreender a intensidade do mal causado por Acã no arraial de Israel(Js.7:13-26).
3. O caráter coletivo do pecado de Acã. O pecado de Acã prejudicou todo o povo de Israel. Embora fosse o fracasso de apenas um homem, Deus viu isto como desobediência total a uma lei nacional. O Senhor desejava que toda a nação fosse comprometida com o trabalho que concordara em fazer: conquistar a terra Prometida. Desse modo, quando uma pessoa falhou, todos transgrediram. Caso o pecado de Acã não fosse punido, ocorreriam os saques. A nação como um todo precisava assumir a responsabilidade para impedir a prática desta desobediência.
O povo de Israel estava em guerra. O prêmio? A conquista da terra prometida. As guerras não aconteciam porque eles queriam ou Deus gosta de ver sacrifício humano. As guerras aconteciam pela oposição ao povo de Deus. Deus também provava pelas vitórias concedidas a Israel que havia um só Deus, o Deus único de Israel. Logo, o pecado de Acã trouxe, também, derrota espiritual para o povo de Israel. Por causa dele toda a nação haveria de sofrer.
O pecado de Acã é um ensino sobre a unidade do povo de Deus: Israel pecou (ver.11). Também cada crente faz parte de uma unidade: o corpo de Cristo - sua igreja (1 Co 12:12 - 14:26). Toda a igreja sofre por causa do pecado de um dos seus membros (1 Co 12:26).
Acã havia subestimado a gravidade de desobedecer ao mandamento de Deus. Tendo enterrado todos os objetos furtados, ele pensava que ninguém estava a par do que havia feito, e que mais tarde poderia desfrutar dos seus tesouros com impunidade. Mas os efeitos foram sentidos pela nação inteira, bem como por toda a sua família. Nossas ações também têm repercussões maiores do que imaginamos. Não nos enganemos ao pensar que os nossos pecados são tão pequenos ou pessoais que ninguém mais sofrerá as conseqüências deles.
Não sabemos se a família de Acã havia aprovado o que ele havia feito. Naqueles tempos, a família era considerada como um núcleo solidário, e participava da fortuna ou infortúnio do seu chefe, neste caso Acã. Muitos israelitas haviam sido mortos na batalha, por sua causa; agora ele e todos os seus tinham que ser eliminados completamente de Israel, para que nenhum vestígio do seu pecado permanecesse. O pecado tem conseqüências drásticas, exigindo que sejam tomadas medidas drásticas para eliminá-lo (Rm 8:13, 1 Co 11:31-32).
A morte é a última conseqüência do pecado e, no caso de Acã, veio em pouco tempo e para toda a sua família. Quando lemos Josué 7:24, vemos que Acã não era uma pessoa sem condições financeiras: ele tinha bois, jumentos e ovelhas entre seus bens, mas perdeu tudo por causa da cobiça. Um punhado de moedas, um pedaço de pano e um objeto de ouro foram suficientes para transtornar o povo e destruir uma família.
4. A lição do pecado de Acã. O pecado cometido por Acã acendeu a ira de Deus contra o povo de Israel. O texto é claro: “a ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel”(7:1). A santidade e a justiça de Deus sempre reage com vigor contra o pecado. Deus ama o pecador, mas aborrece o pecado. A Palavra de Deus ensina-nos que esta ira se manifesta do céu “sobre toda a impiedade e injustiça dos homens”(Rm 1:18).
O tamanho da Ira de Deus. A Bíblia nos ensina muitas vezes que Deus é amor. Ensina também que o amor de Deus é de “tal maneira”, a ponto de dar o seu Filho Unigênito em favor daqueles a quem ama. O amor de Deus para conosco é uma decisão, e assim como o amor, a ira de Deus, também, é uma decisão. Deus odeia o pecado sem odiar o pecador. Se o amor de Deus é imensurável, acredito também que a ira de Deus é tão grande, mas não maior que o amor, pois o amor encobre uma multidão de pecados. Mas, nem por isso a ira de Deus deixa de ser grande o suficiente para nos oprimir quando justamente merecemos.
Deus fica irado com o pecado.Deus encobre o seu rosto do pecador e chega a ignorar os seus apelos até que ele caia em si: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades faz separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobre o seu rosto de vós, para que não vos ouça”(Is 59:1,2).
A ira de Deus exige uma atitude de arrependimento. Disse João Batista: “Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não queirais dizer dentro de vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”(Mt 3:7-9). Ninguém consegue fugir da ira de Deus. Não adiante se esconder. Às vezes maquiamos o pecado e chamamos de “normal” para nos justificar. Mas, a verdadeira justiça é o que João Batista ensina aos farizeus e aos saduceus: “Produzi, pois frutos dignos de arrependimento”. A ira de Deus exige da nossa parte arrependimento. Só o arrependimento justifica o pecado. Encobrir o pecado só piora a situação. Foi o que aconteceu com Acã: escondeu o pecado, não se arrependeu com antecedência, e o resultado foi trágico: a morte – morte de 36 homens de guerra, e morte de Acã e de sua família - “Porque o salário do pecado é a morte”(Rm 6:23).
Lição para nós. O pecado escondido de Acã custou dúzias de vidas e ameaçou o bem-estar de uma nação inteira. Vejamos o que isto nos traz de lição:
a) A importância da obediência. Podemos imaginar Acã ou outros israelitas tentando justificar seu pecado. Um pouco de ouro ou prata faz mal? Tem alguma coisa errada em possuir uma capa importada? O problema não está na coisa em si, mas no fato que Deus havia proibido que os israelitas tomassem qualquer coisa de Jericó.
Hoje, pode ser que você não entenda o porquê de algumas regras que Deus nos deu. Faz mal satisfazer algum determinado desejo da carne? Tem problema em tomar uma cervejinha de vez em quando? Prejudica alguém assistir filmes com cenas de sexo? Faz mal alugar fitas pornográficas ou comprar revistas pornográficas? Por que não furtar um pouquinho de dinheiro quando ninguém sentirá falta? Uma mentirinha de vez em quando vai causar problemas? Tais coisas foram proibidas porque Deus falou. Mesmo se não entendermos os motivos dele, devemos respeitar as suas regras (1 João 3:3-10).
b) O perigo do pecado escondido. Muitas pessoas pensam que o pecado oculto não prejudica ninguém. O caso de Acã mostra que o pecado escondido pode prejudicar muitas pessoas. Acã conseguiu esconder seu pecado de todos, mas Deus o viu (veja Hebreus 4:13 e Efésios 5:11-13). Pense sobre algumas conseqüências do pecado oculto:
* O pecado oculto atormenta a consciência. A criança com a consciência pesada treme quando os pais a chamam. Provérbios 28:1 diz que o pecador reage da mesma forma: "Fogem os perversos, sem que ninguém os persiga; mas o justo é intrépido como o leão."
* O pecado oculto pode trazer conseqüências terríveis. Por causa do pecado de Acã, 36 famílias enterraram seus filhos, pais e maridos. O povo foi envergonhado, perdendo uma batalha para um inimigo fraco. Será que outras pessoas, até entes queridos, sofrerão por causa do seu pecado escondido? Será que seu erro oculto levará outras pessoas à morte? Um exemplo mostrará que tais conseqüências são possíveis hoje em dia: Quantas mulheres inocentes têm morrido de AIDS por causa do pecado "escondido" do próprio marido?
* O pecado oculto destrói o espírito. Considere três versículos do Novo Testamento. Tiago 4:1 fala sobre os "prazeres que militam na vossa carne". É linguagem de guerra, que implica a possibilidade de perder e morrer. 1 Pedro 2:11 explica melhor quando cita "Paixões carnais, que fazem guerra contra a alma". Quando deixamos os desejos da carne dominar as nossas vidas, estamos destruindo a própria espiritualidade. Hebreus 12:17 mostra que podemos ficar tão cauterizados no pecado a ponto de não conseguirmos voltar, arrependidos, para Deus. Provérbios 29:1 nos mostra o perigo da cauterização no pecado: ” Aquele que, sendo muitas vezes repreendido, endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura”.
1. Josué é surpreendido pela derrota(Js 7:2-6). Ao lermos esta passagem, observamos a derrota de um homem que havia recebido de Deus a promessa de que, onde quer pusesse as plantas dos seus pés, esta terra lhe seria dada por possessão. Essa derrota estava acontecendo logo agora quando Israel vinha de uma grande vitória sob o comando de Josué. Deus havia entregue a Josué a cidade de Jericó. Mas, e agora? O que houve? Josué fica perplexo, não consegue acreditar. Será que Deus se enganou? Será que Deus não é assim tão fiel? Deus não cumpre o que promete? Toda aquela terra não seria dada a Israel por possessão? Não dá para entender! Josué questiona a Deus, e Deus responde de maneira muito clara (Josué 7:7-11). Israel havia pecado contra Deus. Não se cumpriu uma determinação dada por Deus. Neste episódio, o que se vê, são os efeitos do pecado. A causa da derrota de Israel, nesta batalha, foi o pecado que havia se instalado no meio do arraial do povo que havia sido escolhido por Deus. Um homem cego pela cobiça havia, de forma consciente, ido de contra ao que Deus tinha ordenado. Quando da tomada de Jericó, Deus foi claro em suas determinações (Josué 6.17-19). Mas Acã desobedeceu às ordens de Deus e pegou o que não era lícito pegar. Com este gesto, Acã trouxe maldição para si, e para toda a congregação.
Alguns pontos a serem analisados:
a) Só há vitória se andarmos nos caminhos do Senhor. Josué foi vitorioso porque sempre se dispôs a andar nos caminhos do Senhor. Em tudo seremos vitoriosos, se não nos desviarmos nem para a direita nem para a esquerda. Seremos cabeça e não cauda, desde que, não nos desviemos dos caminhos de Deus. Sem santidade não há vitória. Não se pode querer vitória sem consagração, sem vida no altar, sem querer fazer a vontade de Deus, sem ser submisso a Deus. E qual é a maior vitória do crente? É exatamente sobre o pecado. Essa é a maior vitória do crente. Não há vitória mais autêntica do que esta.
b) A questão da auto-suficiência. Esta tem sido a causa de muitas derrotas. Depois de uma grande vitória, pensaram que podiam tomar a cidade de Ai com apenas parte do exército. Que engano! Do alto da nossa suficiência muitas vezes nos sentimos gigantes, olhamos a todos por cima, desprezamos o perigo, nos valemos somente da nossa própria força. Quantas vezes nos esquecemos que existem coisas que só Deus pode fazer. Se Deus não o fizer, o homem não fará. É perda de tempo. É como dar murro em ponta de faca. É inquestionável o fato de que, foi Deus quem entregou Jericó nas mãos de Josué. O poder de Deus derrubou os muros de Jericó. Quantos são os muros e fortalezas que se apresentam na nossa frente em nosso dia-a-dia? Como derrubá-los? Seria com o poder do pensamento positivo? Ou talvez com o poder da mente? Seria com a nossa extrema força de vontade e a nossa disciplina? Outra vez a resposta é: não! Vencemos as lutas e as batalhas que se apresentam para nós graças ao poder de Deus. De nós mesmos nada podemos fazer.
c) O pecado de uma só pessoa influencia a vida da congregação (Josué 7.11e 12). O pecado de Acã trouxe a maldição do pecado para todo o povo. O Deus da bênção não pode conviver com maldição. Deus não estava mais com Israel. É lamentável e triste. É sério. É grande a responsabilidade de todos. Às vezes dizemos que o nosso pecado é problema só nosso, visto que será cobrado de nós. A segunda parte da frase até que está correta, a primeira não. Quando há pecado no meio do povo todos sofrem. Quando o líder peca, todos sofrem o efeito do pecado (Miq 3:11-12). Mas, cuidado, não podemos nos enganar e pensar que essa regra só se aplica a líderes. Na verdade o pecado é algo tão ruim e pegajoso, que todos da congregação sofrem.
2. Josué clama a Deus(Js 7:6-9 ). Josué e os anciãos de Josué estavam perplexos diante de uma derrota inesperada. Após extraordinária vitória sobre Jericó, nada poderia explicar a derrota de suas tropas diante do pequeno exército de Ai.
Na primeira vez que Josué lutou contra Ai(7:3), ele não consultou a Deus, mas confiou na força de seu exército para derrotar a pequena cidade. Só depois da derrota de Israel, ele buscou a Deus para perguntar o que acontecera. Com frequencia nós confiamos em nossas próprias habilidades e forças, especialmente quando a tarefa à nossa frente parece fácil. Buscamos a Deus apenas quando os obstáculos demonstram ser muito grandes. Porém, só o Senhor sabe o que está adiante. Consultar-lhe, mesmo em uma situação privilegiada, pode nos salvar de graves enganos ou julgamentos errôneos. Deus deseja nos transmitir lições, remover o orgulho, ou que consultemos outras pessoas, a fim de sermos vitoriosos.
Humilharam-se perante o Senhor - “Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou com o rosto em terra perante a arca do Senhor até a tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças”(7:6). Na condição de eficiente e responsável líder, Josué sentiu o peso da responsabilidade, e pôs-se a interceder humildemente por Israel. Josué e os líderes rasgaram suas roupas e jogaram pó em suas cabeças como sinal de profundo luto diante de Deus. Colocaram-se diante de Deus com profunda humildade e lamento para receberem suas instruções. Quando sofremos grandes impactos, também devemos buscar ao Senhor, a fim de pedir-lhe orientação e ajuda. Assim como Josué e os lideres, nós devemos nos humilhar para que possamos ouvir suas palavras.
Josué clama a Deus com uma petição angustiosa - “E disse Josué: Ah, Senhor Deus! por que fizeste a este povo atravessar o Jordão, para nos entregares nas mãos dos amorreus, para nos fazeres perecer? Oxalá nos tivéssemos contentado em morarmos além do Jordão. Ah, Senhor! que direi, depois que Israel virou as costas diante dos seus inimigos? Pois os cananeus e todos os moradores da terra o ouvirão e, cercando-nos, exterminarão da terra o nosso nome; e então, que farás pelo teu grande nome?”(7.7-9).
Imagine orar a Deus deste modo. Esta não é uma oração formal; é a petição de um homem que está amedrontado e confuso pelo que está acontecendo ao seu redor. Josué despejou seus verdadeiros pensamentos diante de Deus. Esconder suas necessidades do Senhor é ignorar o único que pode realmente ajudar. Deus recebe suas honestas orações e quer que você expresse seus verdadeiros sentimentos para Ele. Qualquer crente pode ser mais honesto em suas orações ao lembrar que o Senhor é Onisciente e Onipotente e que seu amor é perpétuo.
3. A resposta de Deus a Josué: “... Israel pecou...”(Js.7:10-15 – “Respondeu o Senhor a Josué: Levanta-te! por que estás assim prostrado com o rosto em terra? Israel pecou; eles transgrediram o meu pacto que lhes tinha ordenado; tomaram do anátema, furtaram-no e, dissimulando, esconderam-no entre a sua bagagem. Por isso os filhos de Israel não puderam subsistir perante os seus inimigos, viraram as costas diante deles, porquanto se fizeram anátema. Não serei mais convosco, se não destruirdes o anátema do meio de vós. Levanta-te santifica o povo, e dize-lhe: Santificai-vos para amanhã, pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Anátema há no meio de ti, Israel; não poderás suster-te diante dos teus inimigos, enquanto não tirares do meio de ti o anátema. Amanhã, pois, vos chegareis, segundo as vossas tribos; a tribo que o Senhor tomar se chegará por famílias; a família que o Senhor tomar se chegará por casas; e a casa que o Senhor tomar se chegará homem por homem. E aquele que for tomado com o anátema, será queimado no fogo, ele e tudo quanto tiver, porquanto transgrediu o pacto do Senhor, e fez uma loucura em Israel”).
O pecado de Acã não foi apenas o de guardar alguns dos bens capturados (Deus permitiu isso em alguns casos), mas sua explicita desobediência ao comando do Senhor para que todo elo com Jericó fosse destruído. Seu pecado foi a indiferença ao mal e à idolatria da cidade, não apenas um desejo por dinheiro e roupas. O Senhor não protegeria o exército de Israel novamente até que o pecado fosse removido e o povo voltasse a obedecer-lhe sem reservas. Deus não fica contente ao fazermos o que é certo apenas parte do tempo. Ele quer que façamos o que é certo em todo o momento. Estamos debaixo de suas ordens para eliminar quaisquer pensamentos, práticas ou possessões que dificultem nossa devoção para com Ele.
Deus castigou a família de Acã porque a narrativa deixa claro que seus familiares sabiam a respeito do seu pecado e, sem dúvida, concordaram. O versículo 21(os itens estavam escondidos “dentro da minha tenda”) demonstra isto. Portanto, os membros da família devem ter sabido o que Acã praticara, e onde a riqueza roubada estava escondida. Note que Deuteronômio 24:16 proíbe o castigo dos filhos pelos pecados dos seus pais. Como unidade estreitamente formada, todos os membros da família tinham a mútua responsabilidade de aconselhar, advertir e exortar uns aos outros, no sentido de permanecerem todos dedicados a Deus e à sua Palavra. Evidentemente isso não ocorreu, e sofreram todos as mesmas conseqüências de Acã.
4. O pecado oculto é descoberto(7:11). “Israel pecou, e até transgrediram o meu concerto que lhes tinha ordenado, e até tomaram do anátema, e também furtaram, e também mentiram, e até debaixo da sua bagagem o puseram”(Js 7:11). Pelo texto, alguém do povo havia desconsiderado o pacto feito com Deus, furtara algo que seria reservado para o Senhor, mentira e escondera o produto furtado debaixo de suas bagagens, como se fosse propriedade sua. Mas Deus, como se percebe por este texto, é onipresente e onisciente – nada está oculto diante dos seus olhos. Logo, através de meio autorizado por Deus ao povo de Israel(Js 7:14,15) foi descoberto que o transgressor seria um homem da tribo de Judá chamado Acã. As coisas que ele subtraiu para si foram: uma capa babilônica, duzentas moedas de prata e uma cunha de ouro. Ou seja, aparentemente não foi muita coisa diante da quantidade imensa que existia em Jericó; certamente ninguém daria falta do que estava em poder de Acã, exceto o próprio Deus. O mandamento do Senhor foi transgredido, e merecia uma justa retribuição.
O Senhor Deus coordenou o processo da descoberta e revelação do transgressor (7:14). Através do método da sorte(Js 18:10; Nm 33:54; Jz 1:3), método antigo de Deus fazer revelações, as tribos e famílias foram reunidas, e Acã foi revelado culpado(Js 7: 17-18). Josué exige de Acã confissão completa. Declare-me, disse Josué, o que você fez e nada me esconda(v. 19). Acã admitiu que pecou contra Deus; cobiçou uma capa babilônica, duzentos ciclos de prata e uma cunha de ouro; tomou-os e escondeu em sua tenda (7:20-21). Hoje, a capa babilônica representa a sensualidade; a prata, a ambição desmedida e a cunha de ouro, o orgulho.
Sendo o pecado descoberto, Acã é punido com toda a sua família. Para alguns, esse foi um julgamento terrível, mas sob a ótica de Deus, necessário, pois pelo pecado de Acã o plano de conquista da terra foi retardado, a moral dos combatentes ficou fraca e a fama de Josué, que se espalhava pela terra como um líder forte e grande combatente(Js 6:27), poderia entrar em declínio, com os cananeus cercando o povo e destruindo a semente de Abraão.
Atitudes necessárias para quem deseja se livrar do pecado oculto.
As Escrituras mostram a necessidade de certas atitudes para se livrar do erro oculto. Considere estes princípios bíblicos e faça as mudanças necessárias na sua própria vida:
a) Tem que parar de se enganar e reconhecer que o seu pecado escondido está errado. Uma das defesas mais antigas do pecador é de negar o fato do pecado. Se você consegue se persuadir que seu hábito não é pecaminoso, a consciência não vai doer tanto. Mas o padrão que define o pecado é a palavra de Deus, não os desejos e opiniões do homem: “Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na transgressão, pois o pecado é transgressão (rebeldia) -1 João 3:4. " Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte" (Pv 14:12). Podemos fechar os olhos à verdade e recusar ouvir a palavra de Deus, mas tal transgressão(rebeldia) não mudará nem um "i" da verdade revelada.
b) É necessário arrepender-se. O homem procura maneiras suaves de tratar o problema do pecado, mas Deus não as aceita. Ele exige o arrependimento verdadeiro, nascido da tristeza segundo Deus (2 Co 7:10). "O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia" (Prov 28:13). Para ficar livres do pecado, temos que deixá-lo.
c) Precisa pedir perdão a Deus. O perdão divino é condicionado na confissão do pecador. João escreveu para cristãos que, como todos, tinham seus defeitos. Mas ele não minimizou o problema do pecado. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 João 1:9; veja, também, Atos 8:20-23).
d) Se não consegue vencer o pecado sozinho, procure a ajuda de alguém. O Diabo utiliza bem a vergonha do ser humano. A tendência é de pensar assim: "Não posso falar com ninguém, porque outras pessoas vão pensar mal de mim, perder respeito por mim, ou falar para todo mundo sobre o meu problema”. É normal sentir vergonha quando revelamos nossas fraquezas e pecados a outros. Quando nos abrimos, tornamos vulneráveis e sentimos desprotegidos. Mas, é melhor arriscar a vergonha agora do que passar a eternidade banido da presença de Deus (2 Tes 1:7-9). Se você não consegue se livrar dos seus hábitos pecaminosos sozinho, peça ajuda. Tiago 5:16 mostra que se confessamos nossos pecados a outros porque queremos ser curados: “Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação”. No mesmo contexto (Tg 5:14), Tiago diz que os doentes (a mesma palavra, usada outras vezes no Novo Testamento, se refere a pessoas espiritualmente doentes) devem chamar os presbíteros da igreja, os homens responsáveis por instruir e corrigir os cristãos.
e) Entenda que, mesmo depois de ser perdoada pelos pecados do passado, uma pessoa pode sofrer conseqüências do erro. Davi se arrependeu e foi perdoado depois de cometer adultério e matar o marido da amante (2 Sm 12:13-14), mas ainda perdeu o filho que nasceu e, depois, mais três filhos. Hoje em dia, há pessoas que morrem de câncer porque fumavam escondidas. Algumas pessoas que nunca revelaram seus problemas com bebidas alcoólicas sofrem, depois, de doenças do fígado. A fornicação e o adultério são descobertos, em alguns casos, por causa de gravidez ou doenças sexualmente transmitidas. Muitas vezes, essas conseqüências vêm depois da pessoa se arrepender e ser perdoada.
III – NA VIDA CRISTÃ, JERICÓ REPRESENTA O MUNDO E AI REPRESENTA A CARNE.
O povo de Israel estava exultante com a vitória em Jericó. Embora fosse a vitória de Deus, o povo começava a confiar em sua própria força. Como havia feito com Jericó, Josué mandou uns homens para avaliarem a força militar de Ai. Voltaram convencidos que seria fácil tomá-la, pois eram poucos os inimigos; bastava mandar uma pequena parte do exército, não precisando fatigar todo o povo (lembrando-se de como haviam se cansado dando voltas em torno de Jericó).
Jericó representa o mundo, na vida cristã, e Ai representa a carne. Muitos crentes se despem de tudo o que para eles parece ser "mundanismo", e até se orgulham da sua separação. Mas, e a carne (bisbilhotice, crítica, inveja, ciúmes, etc.)? Algumas das pessoas mais perigosas na igreja são as que, aos seus próprios olhos, são "santas", mas que têm as línguas mais ferinas que se possa imaginar. O orgulho espiritual os convence que estão vivendo a vida cristã vitoriosa, mas esquecem que a vida vitoriosa é a de Cristo: é Ele quem nos dá a vitória.
O resultado do pecado de Acã, e do orgulho de Israel, foi que os israelitas perderam uns trinta e seis soldados, sofreram a humilhação da derrota e o povo ficou temeroso. Também somos derrotados pela carne. Ela não pode ser vencida com a tática que usamos para vencer o mundo. O mundo é visível e está lá fora enquanto a carne está dentro de nós, invisível. O apóstolo Paulo reconheceu a sua fraqueza nessa batalha (Rm 7:18). Não podemos viver a vida cristã com nossas próprias forças, mas somente quando estamos cheios do Espírito Santo de Deus.
Existem dois fatores que fazem a luta contra esse inimigo, a carne, particularmente difícil: (1) Nossa relutância em reconhecê-lo como inimigo, e identificá-lo: na realidade até gostamos dele. (2) Ele está por dentro, e faz parte de nós: nações, cidades, igrejas e pessoas são destruídas pelo inimigo interno. A única batalha que os israelitas perderam, na conquista da terra prometida, foi a batalha em que a derrota não veio de fora, mas de dentro.
Nas suas cartas às sete igrejas, no livro do Apocalipse, o Senhor Jesus Cristo fez advertências, não contra um inimigo externo, mas contra os que se achavam dentro delas: os que mantinham o ensino de Balaão, o dos nicolaitanos, a mulher Jezabel. O diabo só pode ferir as igrejas a partir de dentro. Da mesma forma, um crente pode ter sua vida espiritual seriamente prejudicada a partir de dentro, pela carne. Ela age como aconteceu com Acã, nesta ordem: a atuação dos sentidos: ele viu (concupiscência dos olhos); a atitude mental: ele cobiçou (concupiscência da carne); a ação voluntária: ele tomou (soberba da vida).
No princípio, também, aconteceu com Adão e Eva. Eles foram tentados pela concupiscência dos olhos, pela concupiscência da carne e pela soberba da vida (1 Jo 2.16). Eva, vendo que o fruto da árvore era bom para se comer (concupiscência da carne), agradável aos olhos (concupiscência dos olhos) e desejável para dar entendimento (soberba da vida), o tomou, o comeu e ainda ofereceu ao seu marido (Gn 3.6). O ciclo da queda estava completo. O que era tentação torna-se, agora, transgressão da Lei de Deus.
Resta-nos, portanto, seguir a orientação bíblica que nos diz: “ Não ameis o mundo, nem o que no mundo há porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”( I João 2: 15-17).
O pecado tem um alto poder de destruição. Como uma arma mortífera, dizima vidas quando se faz presente. Toda a família de Acã foi destruída. Tudo o que ele tinha foi destruído. A consequência do pecado é sempre a destruição, por isso devemos sempre meditar nisso. E é por saber do poder destrutivo do pecado que Deus insiste em nos alertar sobre ele. Por saber que o pecado mata é que Deus nos alerta a todo o momento para que não pequemos. O pecado é realmente algo terrível. Deus só quer o melhor para nós. E não há dúvida que, a narrativa bíblica sobre a destruição de Acã e de toda a sua família, nos leva a meditar sobre as consequências maléficas do pecado, não só para nós como também para aqueles que nos cercam. Que possamos ter sempre em mente a lembrança do monte de pedras que foram colocadas onde Acã foi morto, que é um memorial sobre os malefícios do pecado.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia - Livro de Josué. Lições de uma Batalha perdida - por Dennis Allan. A tomada de Ai - R David Jones. Da derrota para a vitória - Hélio José S. Ferreira