Aula  02

A SUPERIORIDADE DA MENSAGEM DA CRUZ

Leitura Bíblica: 1Corintios 2:1-16

12/04/2009

Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”
(1 Corintios 1:18).

INTRODUÇÃO

A cidade de Corinto era um dos mais importantes centros da filosofia grega. Ela dava muita importância aos grandes filósofos, pensadores e oradores. Os habitantes dessa cidade gostavam de ouvir belos e rebuscados discursos. A cidade de Corinto era também um dos maiores centros de vida licenciosa do primeiro século. Tanto a prostituição como o homossexualismo era praticado abertamente na cidade em ligação com a prática religiosa. Além da influência filosófica na religião, havia em Corinto também os falsos apóstolos que tentavam corromper a mensagem (2 Coríntios 11:1-6). A integridade do evangelho estava sendo comprometida em Corinto. Como está sendo comprometida hoje: 1) Um evangelho misturado com filosofia (liberalismo); 2) Um evangelho misturado com ideologias políticas (teologia da libertação); 3) Um evangelho misturado com experiencialismo heterodoxo (neo-pentecostalismo); 4) Um evangelho misturado com pragmatismo (igreja mercado). Paulo, então, para corrigir esses problemas, expõe sobre os fundamentos básicos da mensagem do evangelho.

I – A NATUREZA DA PREGAÇÃO BÍBLICA(2:1-5)

E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria”(2:1). Este versículo mostra a simplicidade e o ilibado caráter do homem de Deus, Paulo. Ele não tinha o mínimo interesse de ostentar a sua inegável sabedoria. Naquele instante em que a igreja estava dividida em grupos políticos, em que cada uma “puxava brasa para sua sardinha”, qualificando o seu líder mais importante do que o outro, Paulo poderia muito bem mostrar a sua sapiência secular, mas ele não o fez, porque essa não era a sua missão.

Ele lembra aos cristãos de Corinto o seu ministério no meio deles e como ele procurou glorificar a Deus e não a si mesmo. Paulo foi ter com eles para anunciar o testemunho de Deus, não(...) com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Ele não estava nem um pouco interessado em se mostrar como orador ou filósofo. Podemos observar que Paulo reconhecia a diferença entre o ministério apelativo e o ministério espiritual. O ministério apelativo satisfaz, entretém ou atrai as emoções do ser humano. O ministério espiritual, por outro lado, apresenta a verdade da palavra de Deus para glorificar a Cristo e falar ao coração e à consciência dos ouvintes.

1. A genuína pregação bíblica deve ser centrada unicamente em Cristo e sua morte na cruz(2:2 –“Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”). A mensagem da cruz é a mensagem central do cristianismo e não existe cristianismo verdadeiro sem a verdadeira compreensão da obra de Cristo na cruz. A morte de Cristo é o ponto central da história. Para aí todas as estradas do passado convergem; e daí saem todas as estradas do futuro.

Somente conhecemos a Cristo vendo-o na cruz. Somente encontramos Jesus se pudermos vê-lo como Cristo crucificado. Não podemos vê-lo antes da cruz somente, nem depois somente. Muitos param antes da cruz. Outros tentam encontrá-lo somente como ressuscitado. Muitos evitam a cruz, e assim fazendo rejeitam a Jesus. É bom ressaltar que não estamos simplesmente falando do madeiro em si mesmo, mas da “cruz” de Cristo que representa a sua obra redentora mediante sua morte substitutiva no Calvário.

Na sociedade corrupta como a de Corinto, onde se exaltava a sabedoria humana, a oratória extraordinária e o argumento filosófico, falar em morte na cruz era associar a tudo o que havia de mais vergonhoso e infame; falar de salvação somente por meio do sofrimento e da morte de um homem crucificado era um modo garantido de despertar o mais profundo e puro desprezo.

A mensagem da cruz era de crucial importância para Paulo. Ele nos diz que esta mensagem é a verdadeira pregação do Evangelho. A mensagem da cruz é o evangelho a ser pregado – “Porque Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se tornar vã a cruz de Cristo”(1:17). Esta mensagem é a maneira como o poder de Deus se manifesta – “a palavra da cruz é loucura para os que se perdem; mas para nós, que somos salvos é o poder de Deus”(1:18). Esta mensagem é a demonstração da sabedoria de Deus – “porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria o entendimento dos entendidos. Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o questionador deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem (1:19-21). Esta mensagem é o desafio de Deus ao mundo – “Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens(1:22-25).

A cruz de Cristo, na verdade é toda sua obra redentora; sua humilhação e exaltação. É a obra que consumou nossa salvação. Na cruz ele preparou um lugar para nós na eternidade, na casa eterna do Pai (João 14:1-3).

2. O verdadeiro sentido da cruz aplicado à vida cristã. Quando melhor compreendermos o que a cruz significou para o Senhor, melhor compreenderemos o que ela deve significar para nós. Se olharmos atentamente para Jesus na cruz, veremos a nós mesmos, com todas as nossas necessidades, pecados e enganos. É na cruz que Deus opta por retirar a ira de sobre aqueles que humildemente crêem que Cristo levou sobre si todos os nossos pecados. Não podemos entender mal a obra da cruz.

a) A cruz é o grande amor de Deus demonstrado pelos pecadores(João 3:16). A mensagem central do cristianismo não é o Sermão do Monte, nem as parábolas de Jesus que ilustram o amor ao próximo. A mensagem que transformou o mundo do primeiro século era que os seres humanos são culpados, irremediavelmente culpados por pecados que não podem ser compensados. Ao olhar para a cruz, eu vejo o grande amor de Deus, a sua grande misericórdia e como ele desejou salvar o mundo.

b) A cruz de Cristo é o poder de Deus para a nossa Salvação(1Co 1:18). Ser cristão é crer e aceitar Jesus, e este crucificado. Ser cristão é crer que Cristo morreu na cruz para salvar os pecadores da destruição eterna. A cruz, a morte de Jesus é para nossa salvação. A mensagem da cruz é o poder de Deus para a salvação do que crê.

c) A cruz mostra a grandeza de Jesus como nosso substituto(1 Ts 5:10; Rm 5:8). Jesus veio ser a vítima do sacrifício necessário, veio substituir toda a humanidade, morrendo em lugar dos homens, para satisfazer a justiça divina e, por meio do derramamento do seu sangue, permitir que se restabelecesse a comunhão entre Deus e o homem(Ef.2:13-16), algo que só poderia ocorrer mediante a remoção dos pecados e não somente a sua desconsideração por força da morte de animais, como ocorria com a lei (Hb.7:26,27; 9:7-10).

A morte de Jesus foi voluntária, premeditada e anunciada. Embora molhada em sangue, suor e lágrimas, embora árdua e sofrida, embora extremamente dolorosa e humilhante – a morte de Jesus foi a mais cara e mais espetacular vitória de que se tem notícia. Ela tornou viável o perdão de pecados e possível a salvação de todos os que crêem. A morte vicária de Jesus era constantemente anunciada por meio dos rituais e das cerimônias religiosas dos judeus. Todavia, Ele não morreu para cumprir as profecias. Jesus morreu porque “é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados” (Hb 10.4).

Alguns olham para a cruz com profundo sentimento, mas sem espírito de arrependimento. Choram pelo sofrimento de Jesus, sem o verdadeiro motivo. Choram por ele, mas não choram por si mesmos. Choram pelos sofrimentos de Jesus na cruz, mas não pelos próprios pecados que o puseram lá. O sofrimento de Jesus foi terrível, pelo simples fato e razão de que nosso pecado é terrível.

É preciso não esquecer que nossa salvação e redenção foram conquistados na cruz, e que não devemos nos envergonhar dela, nem evitar a cruz de Cristo.

3. A legítima pregação bíblica é poderosa em Deus(2:4 – “ A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder”). A pregação legitima da Palavra de Deus, seja ela falada, escrita, cantada, tocada, etc, é simples e não requer que o mensageiro seja ornado de diplomas ou de conhecimento técnico de retórica. O Espírito Santo é o principal condutor da mensagem ao coração do ouvinte necessitado de salvação. Veja o caso de Pedro, logo após ser batizado com o Espírito Santo na festa do Pentecostes, onde ele apenas discursou ungido pelo Espírito Santo(At 2:14-40), e quase três mil almas foram salvas naquele dia(At 2:41). O discurso de Pedro foi conduzido pelo Espírito Santo ao coração daquelas pessoas, e foram salvas. Este é o segredo:

a) o mensageiro deve estar na dependência total do Espírito Santo, ou seja, deve estar revestido de poder.O revestimento de poder era indispensável, absolutamente necessário para que Paulo efetuasse a missão espinhosa que lhe estava destinada. Podemos imaginar a pregação do evangelho que foi levada a efeito por Paulo sem que houvesse o revestimento de poder divino a ele? Quem nos responde é o próprio Paulo: "a minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus”(I Co.2:4,5). "Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza…" (I Ts.1:5a). Sem este revestimento de poder, quem nos diz é o próprio Paulo, não haveria qualquer diferença entre a pregação efetuada e um belo exercício de retórica.

b) o mensageiro deve ter a convicção, a certeza de que Jesus é o Salvador. Não poderemos jamais pregar o evangelho se não tivermos convicção, certeza de que Jesus é o Salvador. Jamais seremos pregadores convincentes do evangelho se nós mesmos não estivermos convencidos pelo Espírito Santo, se não tivermos convicção de que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16). É, precisamente, por causa desta necessária convicção que o batismo com o Espírito Santo se apresenta como uma necessidade na vida do crente. Se o evangelho é poder de Deus, é mister que experimentemos deste poder, que sintamos e sejamos instrumentos deste poder, sem o que não poderemos ter esta convicção. Paulo tinha esta convicção e, por isso, podia diferenciar-se dos grandes e eloqüentes oradores de seu tempo, pois a sua pregação não era mera retórica, mas demonstração do poder de Deus (I Co.2:4-6).

Uma pregação sem o auxílio do Espírito Santo não conseguiria subsistir muito tempo numa sociedade pervertida como aquela de Corinto, e a pregação de Paulo não era baseada em palavras persuasivas, que pudessem convencer as pessoas a mudarem suas posturas.

Entendemos que certos discursos podem convencer as pessoas a mudarem seus posicionamentos, mas este não é o caso da pregação de Paulo em Corinto. Nem uma poderosa oratória, nem um discurso filosófico modificariam o caráter dos corintios, pois, como disse o apóstolo, a fé dos coríntios deveria estar baseada no poder de Deus(2:5).

Nossa eficácia em compartilhar o evangelho com outras não depende de nossas habilidades, capacidade ou conhecimento. O Espírito Santo opera poderosamente mediante a própria mensagem. Portanto, ao compartilhar as Boas Novas com outras pessoas, devemos seguir o exemplo de Paulo e manter a nossa mensagem simples e básica. O Espírito Santo dará poder às nossas palavras e as usará para que o nome de Jesus seja glorificado.

Mas é bom deixar claro que no texto  de 1 Corintios 2:4, Paulo não está negando a importância do estudo e da preparação para pregar. Ele, aliás, teve uma educação completa baseada nas Escrituras. A pregação efetiva resulta da cuidadosa preparação e da confiança no trabalho do Espírito Santo. Não devemos usar a declaração de Paulo como uma desculpa para não estudar ou não se preparar.

4. A autêntica pregação bíblica  gera fé(2:5 – “ para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus). Paulo quando escreveu a epístola aos Romanos ele disse que a “fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”(Rm 10:17). É importante verificar que, ao escrever estas palavras, Paulo diz que a fé vem pelo ouvir, mas não ouvir a Palavra de Deus, como, erroneamente, muitos citam este texto, mas, sim, ouvir pela Palavra de Deus, ou seja, através da Palavra de Deus. A presença da preposição “pela” mostra-nos claramente que não basta ter ouvidos, mas é necessário que, a fim de se alcançar a salvação, a pessoa resolva viver de acordo com o que diz a Palavra, ande no caminho indicado pela Palavra, ou seja, cumpra a Palavra de Deus. O texto de Paulo evoca-nos a expressão do profeta Isaías: “E os teus ouvidos ouvirão a palavra que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho; andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda”(Is.30:21).

Todavia, para que a fé seja gerada no ouvinte da Palavra é necessário  que a Palavra seja pregada, mas a pregação, embora seja uma condição necessária, não é suficiente para que haja a conversão das almas. Torna-se necessário que, além de ouvida, a palavra da pregação seja, também, recebida e, mais, recebida como Palavra de Deus. O profeta Isaías afirmou que a palavra que saísse da boca de Deus não voltaria para Ele vazia, antes, faria o que Lhe aprazeria e prosperaria naquilo para que a enviou (Is.55:11).

A palavra não volta vazia, tem sempre seu resultado, mas este resultado depende da recepção da palavra por parte do ouvinte. Sem que haja uma verdadeira transformação, de nada adiantará ouvir a Palavra. É, por isso, que temos de tomar muito cuidado com o hábito de tão somente ouvir pregações, dia após dia, mês após mês, ano após ano e continuarmos a ter o mesmo modo de vida que tínhamos desde quando passamos a escutar a pregação da palavra de Deus.

O cristão não pode ser um mero ouvinte, mas um cumpridor da palavra (Tg.1:22), porque a palavra é quem promove a salvação das almas (Tg.1:21). Quem não cumpre a palavra, é um ouvinte esquecido, é alguém que passa a viver tendo a si próprio como modelo, inclusive se esquecendo de quem realmente é, passando a ter, assim, uma vida de ilusão e de fantasia que não o levará senão à perdição eterna (Tg.1:23,24).

Ouvir a palavra de Deus é importante, é necessário, pois sem esta audição não há como se iniciar o processo de salvação, mas muito mais importante do que ouvir a palavra é recebê-la, acolhê-la, agasalhá-la no coração. Quem ouve a palavra e não tem qualquer alteração no seu viver é comparado por Jesus ao néscio que constrói sua casa sobre a areia (Mt.7:26,27).

Lembremos que a fé cristã, que vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus, é diferente da mera e inútil persuasão intelectual. Foi por isso que Paulo tomou o firme propósito de conduzir as pessoas à fé somente em Deus, e não em sabedoria humana. Este deve ser o objetivo constante de todos os que proclamam a mensagem do evangelho ou ensinam a Palavra de Deus.

II – CONTRATES ENTRE A FALSA E A VERDADEIRA SABEDORIA(2:6-16)

Neste texto de 1 Corintios 2:6-16 é destacado a excelência da sabedoria divina – a verdadeira sabedoria – e as limitações e imperfeições da sabedoria humana – a falsa sabedoria. Entre a sabedoria divina e a sabedoria humana há um verdadeiro contraste.

A falsa sabedoria reivindica inveja e sentimento faccioso. Ela tem o poder de trazer a desordem, o tumulto dentro do convívio cristão. Essa sabedoria é taxada como sendo diabólica. O apóstolo Tiago justifica este severo veredicto quando diz: “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há ciúme e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má”(Tg 3:15,16). Portanto, a falsa sabedoria desagrada a Deus e leva-nos a praticar as obras da carne. É diabólica, traz divisão e a ira divina. Por fim, a falsa sabedoria leva as pessoas para o inferno.

A verdadeira sabedoria, que é Divina, nos faz praticar as boas obras e prepara o homem para o céu. A verdadeira sabedoria não é a filosofia, mas o evangelho. O evangelho é a sabedoria de Deus. Jesus Cristo crucificado é a sabedoria de Deus.

A verdadeira sabedoria é mais que conhecimento, o qual é simples acumulo de fatos; é mais que percepção humana: é discernimento celestial. Ela envolve o conhecimento de Deus e dos labirintos do coração humano. É mais que simples conhecimento é aplicação correta do conhecimento em assuntos morais, espirituais ao enfrentar situações confusas; na complexidade das relações humanas. O conhecimento é obtido pelo estudo, mas quando o Espírito Santo enche um homem, Ele concede sabedoria para usar e aplicar esse conhecimento de maneira correta.

1. A sabedoria deste mundo(2:6 – “ Na verdade, entre os perfeitos falamos sabedoria, não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada).

A sabedoria deste mundo é meramente efêmera, e suas qualidades não condizem com o caráter de um povo separado do pecado. É uma sabedoria que exclui Deus, que glorifica a auto-suficiência humana, que faz do homem a autoridade suprema e que se recusa a reconhecer a revelação de Deus em Jesus Cristo.

A sabedoria deste mundo direciona as pessoas para a inveja, espírito faccioso, perturbação e toda obra perversa. Por isso Tiago diz que a sabedoria deste mundo é “terrena, animal e diabólica”(Tg 3:15,16). Ela determina o modo ímpio de viver do povo deste mundo. No sistema mundano de Corinto a sabedoria ali praticada estava eivada dessas qualidades.

Deus chama de loucura a sabedoria deste mundo (3:19), porque por ela o homem não conseguiu descobrir a verdade, nem conhecer o seu Criador (1:21). Paulo repudiava o modo de viver dos Corintos que admiravam a sabedoria deste mundo, principalmente os crentes neófitos, a ponto de lançar um desafio provocativo: ”Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o questionador deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?”(1:20). Acaso Deus os consultou quando arquitetou o plano da salvação? Seriam eles capazes de elaborar um plano de redenção com sua própria sabedoria humana? Poderiam objetar a qualquer palavra de Deus? A resposta é um “não” enfático. O Senhor tornou(...) louca a sabedoria deste mundo.

O evangelho e a mensagem da cruz nunca devem ser acomodados à filosofia, à ciência ou a qualquer outra forma de sabedoria humana – “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus”(2:4,5).

2. A sabedoria de Deus(2:7-9 -”Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo compreendeu; porque se a tivessem compreendido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”).

Deus é onisciente, ou seja, sabe todas as coisas. Tendo em vista que Deus sabe todas as coisas, é Ele a fonte de toda a ciência, conhecimento e sabedoria, razão pela qual jamais as manifestações do conhecimento humano, quando verdadeiras, se chocarão com a Palavra de Deus, pois Deus é o próprio autor do conhecimento, da ciência e da sabedoria.

A verdadeira sabedoria de Deus é personalizada em Jesus Cristo(1 Co 1:30 – “ Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria...”). Esta sabedoria não foi gerada na história, mas na eternidade. Nossa salvação foi planejada por Deus na eternidade. Até a morte de Cristo estava nos planos de Deus (Atos 2:22-23; 1 Pedro 1:18-20).

A sabedoria de Deus não foi descoberta pelo homem, mas revelada por Deus. Mistério é uma verdade que ficou encoberta no tempo passado, mas agora essa verdade é revelada. Esse mistério é o evangelho. É a sabedoria (...) outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória.

O mistério do evangelho abrange verdades maravilhosas como o fato de que agora judeus e gentios se encontram unidos em Cristo; de que o Senhor Jesus virá buscar seu povo para viver com ele no lar celestial; de que nem todos os cristãos morrerão, mas todos serão transformados.

Os cristãos e mestres carnais da igreja de Corinto não compreendiam o mistério da cruz – “escândalo” para os judeus e “loucura” para os gregos(1Co 1:23). Assim, também, os incrédulos, sábios segundo a carne, rejeitam o evangelho por desconhecerem a sabedoria de Deus revelada na cruz de Cristo(1Co 1:30). Desta feita, a compreensão e absorção da sabedoria de Deus não depende primariamente da capacidade intelectual humana, mas da graça de Deus revelada em Cristo (2:12).

Deus reparte conosco a sua sabedoria – “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada (Tg 1:.5). O propósito dessa sabedoria não é apenas à glória de Deus, mas também à glória dos remidos. O plano de Deus sempre objetiva a plena glória de Deus (Efésios 1:6,12,14), mas também culminará em nossa glória, a nossa completa redenção (João 17:22-24; Romanos 8:28-30).

3. A sabedoria de Deus revelada pelo Espírito(2:10-16). O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade. Ele é Deus. Logo é onisciente - conhecedor de todas as coisas. É Ele quem revela a sabedoria de Deus. As coisas que Deus preparou para os que o amam (2:9), podem ser compreendias pelo crente, mediante a revelação, inspiração e a iluminação do Espírito (2:10-16). À medida que o crente lê e estuda a Bíblia, o Espírito Santo ilumina sua compreensão da verdade. Além disso, o Espírito Santo comunica ao crente fiel uma forte convicção quanto à origem divina das Escrituras - “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras”(João 16:13).

Deus desejava comunicar à humanidade a sua sabedoria(2:7-9). Essa sabedoria dizia respeito à nossa salvação e centrava-se em Cristo como a sabedoria de Deus(1:30; 2:2,5). Foi somente pelo Espírito Santo que a verdade e a sabedoria de Deus foram reveladas à humanidade(2:10).

“Mas o que é espiritual discerne tudo, e ele de ninguém é discernido”(2:15). O homem que é iluminado pelo Espírito Santo de Deus pode discernir essas verdades maravilhosas, ainda que ele mesmo não seja corretamente julgado pelos incrédulos. Talvez seja carpinteiro, encanador ou pescador; ainda assim, é um estudante competente das Escrituras. “O cristão controlado pelo Espírito Santo pesquisa, investida e esquadrinha a Bíblia; em decorrência disso, aprecia e compreende o seu conteúdo”.

Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instrui-lo? Mas nós temos a mente de Cristo”(2:16). Esta pergunta retórica o apóstolo usa, também, no seu hino de adoração(Rm 11:34). A resposta é óbvia. Deus não pode ser conhecido por meio da sabedoria ou pelo poder de homens. Aquele que tem a mente de Cristo são capazes de compreender as verdades profundas de Deus. Ter a mente de Cristo significa conhecer sua vontade e seu plano e propósito redentor(2:9,10). Significa avaliar e considerar as coisas, da mesma maneira que Deus as vê, atribuir-lhes a importância que Deus lhes atribui, amar o que Ele ama e detestar o que Ele detesta(2:15; Hb 1:9). Significa entender o que é a santidade de Deus e a malignidade do pecado. Logo, receber o Espírito Santo e segui-lo(2:12) faz com que os valores e a cosmovisão do crente se tornem radicalmente diferentes do modo de viver e da sabedoria deste mundo(cf Fp 2:5-8).

Para quem não sabe, cosmovisão e é o resultado da forma como as pessoas vêem o mundo. Em linhas gerais, a cosmovisão de cada pessoa se constrói a partir de sua herança cultural, religiosa e social. Podemos dizer que a maneira como a pessoa ver o mundo e se relaciona com ele deve-se ao legado adquirido desde sua infância. Por meio de nossa cosmovisão determinamos prioridades, explicamos nossa relação com Deus e com os seres humanos, valorizamos o significado dos acontecimentos e justificamos nossas ações. Por isso, o cristão deve discernir, julgar, avaliar e confrontar os valores ensinados pela sociedade de nosso tempo com os princípios expostos na Palavra de Deus. Tudo o que for contrário às Escrituras deve ser rejeitado e rechaçado pela Igreja.

Recapitulando – Os três elementos usados pelo Espírito Santo para revelar a Sabedoria de Deus à humanidade:

a) A revelação(2:9-12).Significa que, por meio do Espírito Santo, Deus revelou aos homens verdades outrora desconhecidas. A revelação se deu de modo sobrenatural, por obra do Espírito Santo.

b) A inspiração(2:13). Os escritores da Bíblia transmitiram essas verdades a outros com as palavras exatas que o Espírito Santo os instruiu a usar.

c) A iluminação(2:14-16). Além de terem sido miraculosamente reveladas e inspiradas, as verdades de Deus só podem ser compreendidas por meio do poder sobrenatural do Espírito Santo.

CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto nos itens estudados somos cônscios de que a mensagem da Cruz de Cristo é transformadora de caráter e de estilo de vida. Diante da sabedoria do mundo ela parece loucura(1:18), mas para todos aqueles que desejam ser sábios diante de Deus ela é o tema central da salvação e da reconciliação com Deus. Ela é a ponte através da qual chegamos à presença de Deus. Jamais alguém poderá se conscientizar do seu erro sem a mensagem da cruz. A palavra da cruz divide a humanidade em apenas duas classes: aqueles que se perdem e aqueles que são salvos. Os homens podem apegar-se à sabedoria humana, mas somente o evangelho, a mensagem da cruz, conduz à salvação. A superioridade da mensagem da cruz é inegável, porque ela não é deste mundo(2:1-6); porque ela foi ordenada antes deste mundo(2:7-8 ); porque ela traz-nos bênçãos para além deste mundo(2:9-16).

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. A Gloriosa Mensagem do Evangelho – Rev. Hernandes Dias Lopes