Aula
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PARTIDARISMO NA IGREJA
Leitura Bíblica: 1Corintios 1:10-13; 3: 1-17
19/04/2009
“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer”(1Co 1:10)
INTRODUÇÃO
O partidarismo na igreja traz severos prejuízos à espiritualidade e ao desenvolvimento da obra de Deus. Contudo, o maior prejuízo, está ligado aos relacionamentos entre os irmãos em Cristo. Paulo foi severo e contundente no combate a espírito divisionista que imperava na igreja de Corinto, que a despeito de sua pretensa espiritualidade, ficou na história como um alerta às igrejas cristãs de todo o mundo, registrado na carta que Paulo lhes escreveu. Ele comparou a igreja a um corpo: Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo(12:12). E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós(12:21). Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros(12:25). Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros(12:27). Nada debilita mais a unidade do que os crentes estarem engajados no serviço de Deus sem unidade. A obra de Deus não pode avançar quando cada um puxa para um lado, quando cada um busca mais seus interesses do que a glória de Cristo. Na igreja de Corintos havia ações desordenadas; todos eles lutavam pelo Evangelho, mas não juntos.
O sentimento partidarista promove rupturas relacionais motivadas por inimizades. Como é possível estarem duas pessoas ligadas ao mesmo Deus e inimigas? O profeta Amós escreveu: Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo? (Am 3.3). Como é possível duas pessoas afirmarem viver no amor de Deus e se odiarem? O apóstolo João orienta: Se alguém disser: amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Como é possível duas pessoas louvar a Deus, cantar ao seu Santo nome, se estão em desacordo? O Senhor Jesus afirmou: Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta (Mt 5:23-24). A igreja precisa resgatar a sua identidade de comunidade unida, de um grupo de pessoas que irmanadas na cruz de Cristo, trabalham, se motivam mutuamente e se doam ao próximo.
I – UMA IGREJA, QUATRO PARTIDOS(1 Co 1:10-13)
“Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa, e que não haja dissensões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer. Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de Cristo. será que Cristo está dividido? foi Paulo crucificado por amor de vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?”
Embora tenha sido reconhecida por Paulo como uma igreja fervorosa, a ponto de destacar os seus integrantes como “santificados”(1:2), “alvos da Graça de Deus”, “enriquecidos espiritualmente na Palavra e no conhecimento”(1:5), “ nenhum um dom lhes faltava”(1:7), “ esperavam a volta de nosso Senhor Jesus Cristo”(1:7), mesmo assim existia entre eles facções ou partidos em que cada um afirmava ter um líder distinto. Chamamos isso de partidarismo.
Partidarismo é dividir-se por ordem de preferência, opção ideológica etc. Alguns declaravam sua preferência por Paulo, outros se identificavam com Apolo, outros, ainda, com Cefas, e alguns afirmavam pertencer somente a Cristo, sugerindo, provavelmente, que somente eles pertenciam ao Senhor (1:12). Mas na Igreja não é assim, pois há um só Espírito, um só Senhor. Quando pensamos que o alvo é um só, não há como andarmos em direções diferentes.
Paulo é informado sobre as divisões. Paulo foi informado de todas essas contendas pelos da casa de Cloe: Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós (1Co 1:11). Tudo indica que Paulo considerou essa notícia extremamente dolorosa. A fraternidade cristã é o fundamento do apelo de Paulo à unidade. Ele não somente acreditava que os cristãos de Corinto podiam viver em harmonia, mas que essa era uma de suas principais vocações: promover a unidade da Igreja. O apelo por unidade é feito no nome de nosso Senhor Jesus Cristo, e, uma vez que esse nome representa a Pessoa, o apostolo se baseia em tudo o que o Senhor Jesus é e em tudo o que realizou. Os corintios estavam exaltando o nome de homens, uma atitude que só poderia resultar em divisões. Paulo exalta o nome do Senhor Jesus, pois sabe que essa é a única forma de produzir unidade no meio do povo de Deus.
Buscando a causa das divisões. É o próprio Paulo quem nos revela a causa interna principal para as divisões entre os coríntios: eles ainda eram carnais (1 Co 3:1-4; cf. Gálatas 5:20). A igreja de Corinto tinha inúmeros dons em operosidade, tinha fama de espiritual, de carismática, mas estes irmãos são identificados por Paulo como crianças espirituais e crentes carnais (crentes sem o controle do Espírito Santo), impossibilitados de alimento sólido (3:1-3). Ao escrever sua carta aos Gálatas, Paulo distingue com clareza o que é fruto da presença do Espírito e o que é resultado da presença da carnalidade (modo de vida de acordo com os desejos descontrolados da natureza pecaminosa) na igreja (Gl 5:19-23).
Muitas igrejas estão confusas, atualmente, com a pregação de falsos avivamentos e de doutrinas inovadoras dos nossos dias. As divisões presentes nestes movimentos não são expostos como fruto do Espírito, mas como obra da carne, segundo a Palavra de Deus. Em Atos dos Apóstolos vemos a igreja Cristã iniciante, cheia da presença do Espírito, evidenciando às pessoas o amor de Deus, a comunhão,alegria, a singeleza de coração, mas acima de tudo a unidade de propósito e de serviço (At 2:42-47; 9:31). Quando as divisões impedem a existência desse ambiente, fica evidente a carnalidade da igreja.
Abolindo o partidarismo. Cada “partido” na comunidade cristã de Corinto tinha seu próprio lema e aceitava uma determinada liderança. Isto culminava em conflitos internos na comunidade. Os slogans “eu sou de...” soam como culto à personalidade, um erro no qual crentes neófitos e imaturos caem com freqüência. No caso dos coríntios em particular, esse culto à personalidade tinha recebido um impulso adicional da sua tendência, como gregos, de exaltar os mestres religiosos ao status de divinos ou homens possuindo qualidades divinas. As principais escolas filosóficas da Grécia costumavam invocar o nome de seus fundadores e principais mestres. Esse costume poderia explicar a vanglória dos coríntios em seguir Paulo, Pedro, Apolo e mesmo o Mestre de todos, Cristo. É importante entendermos a natureza de cada divisão, porque elas ocorrem regularmente na igreja (ler Gl 5.15; I Co 6. 6-8; Fp 2. 14; 4. 2). Infelizmente, séculos após esses acontecimentos, ainda hoje temos vistos não poucas divisões. Daí, a necessidade de combatermos as obras da carne (GI 5.19-21).
1. Os partidários de Paulo: “Eu sou de Paulo”(1:12). Esse grupo era formado por aqueles que se converteram através da pregação de Paulo - era o grupo dos gentios. Paulo pregava o fim da Lei e a liberdade cristã. Provavelmente este partido degenerou sua pregação para outros fins. Eles eram liberais na doutrina e nos costumes cristãos, achavam que podiam exercer a liberdade em Cristo acima da lei do amor(1 Co 13) – seu pecado era a libertinagem.
Paulo foi o fundador da igreja de Corinto(1 Co 4:15) e se esforçava o máximo por ela. Em 2 Corintios 12:15 Paulo diz: Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas. Talvez sejam, por isso, que eles se sentissem gratos pelo trabalho de Paulo e, equivocadamente, exagerassem na sua forma de tratar o apóstolo. Por isso muitos contribuíam com o partidarismo, ao dizerem: “Eu sou de Paulo”. Quando o amor de Deus torna-se a principal marca nos relacionamentos dentro da igreja, então já não haverá mais “brigas” ou “partidarismo” (l Co 13.1-8).
2. Os partidários de Apolo: “Eu sou de Apolo”(1:12). Esse grupo era formado pelos crentes intelectuais, filósofos e sábios de Corinto(1 Co 1:20-23; 2:1-6; 3:18,19). Eles estavam fazendo do cristianismo simplesmente filosofia de vida intelectualizada pelos debates retóricos. Eles acreditavam que a lógica e a razão humanas eram tudo o que precisavam para entender as coisas do Espírito – seu pecado era aceitar as escolas de pensamento humano em vez do Espírito Santo.
De acordo com Atos 18:24 a 19:7, Apolo viera de Alexandria do Egito (centro intelectual e filosófico), cidade universitária respeitada do mediterrâneo. Ele possuía grande capacidade intelectual; sua oratória era excelente, seus ensinamentos sobre Jesus eram corretos, seu entusiasmo era fervoroso. Por tudo isto, provavelmente começou a atrair os discípulos para si. De fato, os cristãos mais jovens na fé podiam ser atraídos por um líder, chegando a cultuá-lo por causa dos seus dons e pregações impressionantes. Quando um grupo de cristãos começa “divinizar” certa figura eclesiástica, a divisão pode não estar longe.
3. Os partidários de Cefas: “Eu sou de Cefas”(1:12). Cefas era o nome de Pedro no aramaico (João 1:42). O grupo de Cefas (Pedro), representava o cristianismo judaico - eram Judeus com um profundo apego legalista que é também visto na carta aos Gálatas – seu pecado era unir duas alianças distintas, ou seja, a lei com a graça.
Não há qualquer registro de que Pedro tenha ido a Corinto, mas como um dos três discípulos mais chegados a Cristo(Mt 17:1; Mc 5:37), e conhecido como “apóstolo dos judeus”(Gl 2:7,8), contribuiu para que ele fosse conhecido por todos os cristãos.
Este grupo foi um dos que mais resistiu os ensinamentos de Paulo. Há amplo indício de tendências legalistas na igreja de Corinto, especialmente no debate sobre comer ou não carne oferecida aos ídolos, conforme capítulos 8 a 10 de 1 Coríntios.
Muitos têm sufocado a realidade do evangelho, a simplicidade que há em Cristo Jesus (II Co.11:3), com regras, normas e mandamentos que devem ser observados para que alguém possa ser considerado salvo na pessoa de Jesus Cristo. Naturalmente que a vida cristã nos leva a ter uma conduta distinta e diferente da dos demais homens, não resta dúvida de que o crente vive de maneira diferente dos pecadores, mas nunca devemos nos esquecer de que a mudança de comportamento é resultado de uma transformação feita pelo Espírito Santo, é operação sobrenatural.
A santificação, como nos mostra Paulo em I Ts.5:23, é processo que se inicia no espírito e que termina no corpo. Por isso, ainda que devamos ensinar e orientar os crentes a ter uma determinada conduta moral, social e ética, é fundamental que nos lembremos que, antes de tudo, é preciso que as pessoas nasçam de novo e este novo nascimento vem não da observância de regras e mandamentos, mas do arrependimento dos pecados e da conversão por intermédio da fé em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador. A vida cristã não se constitui em uma série de regras ou proibições (Cl 2.16-23).
4. Os partidários de Cristo: “E eu de Cristo”(1:12). Era o chamado “grupo de Cristo” (“... e eu, de Cristo”). Os integrantes desse grupo se consideravam o único partido legítimo. Eles se vangloriavam de que seguiam a Cristo somente, e não a homens, mesmo que estes fossem apóstolos. Era como se dissessem: não queremos estar debaixo da orientação ou da instrução e autoridade de qualquer homem porque recebemos tudo diretamente de Cristo. Alguns estudiosos têm identificado este grupo como o “grupinho dos espirituais”, que falavam em línguas e se gloriavam por terem experiências extraordinárias; que não aceitavam a autoridade de Paulo na igreja e outras coisas mais. Para eles, o conceito de ser “espiritual” estava relacionado com o uso dos dons espirituais, principalmente de línguas e de profecia. Este grupo, por causa do acesso direto que julgava ter a Deus, através dos dons, teria considerado desnecessário o ministério de Paulo, tinham-no em pouca importância, e mesmo queriam julgar a sua mensagem (1 Co 4:3; 4:18-21; 8:1-2; 9:3). Paulo faz pouco caso das suas reivindicações, e considera a igreja toda como sendo “de Cristo” (1 Co 3:23; 2 Co 10:7). Era, sem dúvida, o grupo mais nocivo dos divididos.
II – A IGREJA E A DIVERSIDADE DE SEUS MINISTÉRIOS(1 Co 3:6-17)
6 - Eu plantei; Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. 7 - De modo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. 8 - Ora, uma só coisa é o que planta e o que rega; e cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. 9 - Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. 10 - Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei eu como sábio construtor, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. 11- Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. 12-E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13- a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. 14- Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão. 15- Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo, todavia como que pelo fogo. 16- Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? 17 -Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós.
A palavra Ministério vem da palavra grega diakonia, que quer dizer servir. Quem exerce o ministério é o “ministro”, e a palavra “ministro” vem do latim “ministru” que significa servo. Então, Ministério é vida de serviço na Igreja; é quando Deus, em sua soberania, escolhe alguns homens para certas funções. Ele os chama e concede dons para um ministério específico. Este dom é uma graça (capacitação) que alguém recebe para desempenhar determinada função no corpo. Erradamente costuma-se usar o ministério da pessoa como um título para ela (Pastor fulano, apóstolo fulano, etc.). Mas os ministérios não são títulos ou cargos, e sim funções. Outro erro comum é chamar de ministério determinados cargos dentro da igreja, por exemplo, ministério da música, ministério de ação social, ministério de oração (orar é tarefa de todos e não função de alguns). Não podemos confundir a função que a pessoa tem no corpo com a ocupação de um cargo em uma estrutura.
Paulo e Apolo eram servos por meio de quem os corintios haviam aceitado o Senhor Jesus. Eram apenas agentes, e não líderes de escolas rivais (1Co 3:5). Quanta insensatez dos corintios exaltar servos ao nível de senhores. Como diz o pr. Antonio Gilberto: nossos ministérios ou serviços para Deus, na sua obra, devem ser interagentes e completivos; não rivais. Na obra do Senhor, “há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo”(1Co 12:5). Vejamos, em resumo, alguns serviços exercidos na Obra do Senhor.
1. Obreiro plantador de semente da Palavra (3:6-8). “Eu plantei...”. Paulo usa uma figura da agricultura para mostrar que os servos são, de fato, bastante limitados quanto à sua atuação. Paulo podia plantar e Apolo podia regar, mas somente Deus podia dar o crescimento. O obreiro plantador é aquele que lida com a Semente, que é a Palavra de Deus(Lc 8:11).
Plantar, ou semear, é um trabalho difícil, penoso, que exige fé e amor à terra. O Salmista, porém, chamou aSemente, de preciosa: Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos (Salmo 126:6).
O profeta Isaias falou em semear sobre as águas, sendo que, na Bíblia, águas simbolizam dificuldades, lutas: Bem Aventurados vos, que semeais sobre todas as águas e que dais liberdade ao pé do boi e do jumento (Isaias 32:20). “Todas as águas” pode significar semear em todos os tipos de terrenos: à beira do caminho, nos pedregais, entre espinhos e em terra boa.
A missão do obreiro semeador é semear a Semente (veja a parábola do semeador – Lucas 8:5-15). Jesus diz que “... o Semeador saiu a Semear”. Ele saiu para semear, e semear a Palavra de Deus. Ele não saiu para combater as religiões, mas, para pregar e ensinar a Palavra de Deus; ele não saiu para semear as suas próprias idéias, ou suas opiniões pessoais, mas, para pregar e ensinar a Palavra de Deus; ele não saiu para semear contendas, divisões, mas, para pregar e ensinar a Palavra de Deus.
O obreiro plantador (semeador) não escolhe onde deve semear; não estuda a qualidade da terra, para primeiro arrancar os espinhos, remover as pedras, revolver e regar o solo endurecido; não para matar as aves que podem comer as sementes, mas ele sai para semear onde houver terra, não importando se boa ou má. A missão do semeador é semear, em todo o tempo e em todo o lugar. Cabe ao Espírito Santo a missão de convencer o pecador “... do pecado, e da justiça, e do juízo”(João 16:8), conduzindo-o, depois, à uma vida de santificação.
2. Obreiro regador da planta(3:6-8). “Apolo regou...”. Regar significa “umedecer por irrigação ou aspersão; molhar, aguar; irrigar”. Essa é a missão do obreiro regador: cuidar com desvelo e amor a plantinha (o novo convertido) ou até mesmo as plantas grandes (crentes maduros e imaturos espiritualmente). Tem “plantas grandes” que não podem ficar sem serem cuidadas de perto, senão morrem. Por isso o ensino contínuo e sistemático da Palavra de Deus é tão importante para que o “Jardim” do Senhor tenha sempre vida e produza frutos.
É bom ressaltar que o que planta e o que rega são um (1 Co 3:8), no sentido de que ambos têm o mesmo objetivo. Não deve haver inveja entre eles. Ocupam o mesmo nível no tocante ao serviço. A recompensa de cada um pelo trabalho efetivado se dará no Tribunal de Cristo, segundo o seu próprio trabalho (1 Co 3:8). Todos vamos prestar conta com Deus(2 Co 5:10).
Também, o que planta e o que rega não são tão importantes (1 Co 3:7), pois não tem o poder de produzir vida. Deus é o Único que dá crescimento à árvore, o aparecimento de seus ramos e folhagens, a germinação e a formação do fruto. O agricultor (o semeador e o regador) não pode fazer isso, ele somente coopera com Deus. Então, que motivo há para a inveja e a rivalidade entre os obreiros cristãos? Cada um deve realizar as tarefas das quais foi incumbido e alegrar-se quando o Senhor abençoa a obra.
3. O obreiro cooperador com os demais (3:9). Todos os servos de Deus são cooperadores que trabalham juntos nos campos arados da lavoura de Deus ou, usando outra imagem, são companheiros de trabalho no edifício de Deus. Como diz o pr. Antonio Gilberto, não se trata aqui de um mero ajudante ou auxiliar, mas de alguém devidamente capacitado e experiente, que trabalha com seus pares unindo forças para maior rendimento do trabalho comum.
A obra de Deus é executada em equipe. E nesta equipe não existem “estrelas”, mas somente membros executando suas funções especificas. Podemos nos tornar membros úteis da equipe de Deus, colocando de lado nosso desejo de receber a gloria pelo que fazemos. Não devemos buscar o elogio que vem das pessoas. Antes, busquemos a aprovação de Deus.
4. Obreiro edificador(3:10). O obreiro edificador que com responsabilidade obedece às regras (mandamentos) para uma edificação bem fundamentada e inabalável é considerado um prudente construtor. O edifício precisa de apenas um fundamento que é lançado apenas uma vez. O apóstolo Paulo havia lançado o fundamento da igreja de Corinto. Esse fundamento é a Pessoa e obra de Jesus Cristo (3:11).
Paulo pôs o fundamento (pregando a respeito de Cristo) quando começou a igreja de Corinto, mas outros estavam edificando sobre esse fundamento, por isso ele disse: “e outro edifica sobre ele”. Trata-se, sem dúvida, de uma referência a outros mestres que visitaram Corinto subseqüentemente e construíram sobre o alicerce que já havia sido lançado naquele local. Contudo, o apóstolo adverte: “mas veja cada um como edifica sobre ele”. O exercício do ministério de ensino na igreja local é ago extremamente sério. Alguns mestres haviam passado pela igreja de Corinto ensinando doutrinas divisivas e princípios contrários à Palavra de Deus.
O obreiro edificador - os ministros, ensinadores, pregadores e outros – deve utilizar material de alta qualidade (doutrina e modo de viver corretos) que corresponda aos padrões de Deus. Um edifício é tão sólido quanto seu alicerce. O fundamento de nossa vida é Jesus Cristo; Ele é nossa base, nossa razão de ser. Tudo o que somos e fazemos deve ajustar-se ao padrão fornecido por Ele.
5. Obreiro destruidor (3:17). Infelizmente, na igreja local existem aqueles que, inescrupulosamente, ao invés de construir procuram destruir: são os chamados “obreiros” destruidores. Ao que parece, falsos mestres se infiltraram na igreja de Corinto e sua instrução pendia mais para o pecado que para a santidade. Uma vez que para eles devastar o santuário de Deus não era um problema sério, Paulo faz uma declaração enérgica: “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá”. Esse trecho tem relevância especial para todos que ocupam cargos de ensino e liderança na obra do Senhor. Se alguém profanar ou corromper o templo de Deus (isto é, uma congregação local ou grupo de congregações), o próprio Deus castigará aquele indivíduo com terrível ruína e morte eterna. A seriedade dessa ofensa é indicada pelas últimas palavras do versículo 17: Porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.
“O crente pode corromper a igreja de Deus ao: a) participar de imoralidade (5:1); b) fomentar mentiras, engano e ambições egoístas (1 Co 3:3; At 5:1-11); c) difundir falsa doutrina, rejeitar a revelação apostólica e demonstrar indiferença à verdade bíblica (1Tm 4:1); d) aceitar o pecado e o mundanismo dentro da congregação (1 Co 5:1, 2,5-7; Ap 3:17); e) querer promover a igreja por meio de sabedoria mundana ou com um evangelho pervertido (1:18 –2:5; Fp 1:15,16)”(Bíblia de Estudo Pentecostal).
6. Um alerta profético(3:12-15). A Bíblia assevera que todos os redimidos estão isentos do juízo divino para condenação (João 5:24; Rm 8:1; Hb 10:14-17). Porém, há um juízo futuro para os crentes (1João 4:17; Hb 10:30b), concernente ao grau de sua fidelidade a Deus e a graça que receberam durante esta vida na terra(1 Co 3:10; 4:2-5; 2Co 5:10). Neste juízo, há a possibilidade do crente, embora salvo, sofrer uma grande perda: a) perda do trabalho que fez para Deus na sua vida (1 Co 3:12-15); b) perda de glória e de honra diante de Deus(Rm 2:7); c)perda de galardão(1 Co 3:14,15); etc.
Deus avaliará a qualidade da vida, da influência, do ensino e do trabalho na igreja, de cada pessoa e, especialmente, de cada obreiro. Se uma obra for julgada indigna, ele perderá o seu galardão, mas, pessoalmente será salvo, “todavia como pelo fogo”. A alusão ao “fogo”, provavelmente, significa “salvo por um triz”. Como alguém que está numa casa incendiada e escapa através do fogo, só com vida. É válido ressaltar que este trecho refere-se a um julgamento de obras, que se dará no Tribunal de Cristo, logo após o arrebatamento, e não à purificação de pessoas quanto aos seus pecados. Os nossos pecados já foram purificados pelo sangue de Jesus Cristo(1 Jo 1:7).
Obreiro do Senhor, “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bm a palavra da verdade” (2Tm 2:15).
CONCLUSÃO
A situação triste da igreja de Corinto nos fornece um retrato do espírito divisivo que ainda hoje permeia as igrejas evangélicas. Embora haja momentos em que uma divisão seja necessária (quando, por exemplo, uma denominação abandona as Escrituras como regra de fé e prática), percebemos que as causas do intenso divisionismo evangélico no Brasil são intrinsecamente corintianas: imaturidade, carnalidade, culto à personalidade, orgulho espiritual, mundanismo. Nem sempre os líderes são culpados do culto à personalidade que crentes imaturos lhes prestam. Paulo, Apolo e Pedro certamente teriam rejeitado a formação de fã-clubes em torno de seus nomes. De qualquer forma, os líderes evangélicos sempre deveriam procurar evitar dar qualquer ocasião para que isto ocorra, como o próprio Paulo havia feito (1 Coríntios 1.13-17). Infelizmente, o conceito de ministério que prevalece em muitos quartéis evangélicos de hoje é exatamente aquele que Paulo combate em 1 Coríntios.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. As Divisões da Igreja de Corinto – Retrato de Hoje - Augustus Nicodemus.