“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel”( 1Co 4.1,2).
O apóstolo Paulo, logo após enfatizar que os Ministros em si, nada são, e que é tolice o partidarismo na igreja do Senhor, passou a mostrar qual a verdadeira área de comprometimento de um líder, servo de Deus. Ele mostra a importância das pessoas o considerarem ministro e despenseiro (4:1). Essa consideração tem a ver com fatos e não suposições, isto é, as pessoas devem analisar a sua prática e conduta e, sem dúvida, concluir que ele é de fato Ministro de Cristo e despenseiro dos mistérios de Deus. Este é um aspecto importante em nossos dias, dias de desconfiança, de descrédito para com a liderança cristã. Repito, a prática realista do trabalho do líder do “rebanho” do Senhor levará as pessoas a reconhecerem a natureza de sua função em Cristo como Ministros e despenseiros.
A expressão “despenseiro” indica o administrador da casa, o oikonomos. Cabia a esse administrador a distribuição de mantimentos e a divisão dos trabalhos para os demais servos. Mesmo tendo tal responsabilidade, tinha a consciência de que era um servo, um escravo.
Paulo declara que fora indicado para manejar a mensagem da salvação de Deus, não como alguém que tem o controle da situação, mas de quem é responsável diante do Mestre. No versículo 2 do capitulo 4 ele nos exorta a sermos fiéis na administração dos dons que o Senhor nos dispensou: “Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel”(I Co 4:2). Se, no sentido bíblico, despenseiro é aquele que administra bens alheios, então, o detentor de um Dom Espiritual é um despenseiro de Deus. É válido ressaltar que os Dons de Deus não são dados em forma de presentes, mas, como instrumentos de trabalho. Todo servo, por mais simples que seja, recebendo um instrumento de trabalho de seu senhor e relacionado com o serviço que faz, pode saber qual o objetivo da entrega daquele instrumento: é para ser usado no serviço de seu senhor. Assim, ele será infiel se fizer como fez aquele servo que recebeu um talento – “Mas o que recebeu um talento foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor”(Mateus 25:18). No dia do acerto de contas foi chamado de inútil, e condenado – “Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes”(Mateus 25:30).
Assim, aquele que recebe um Dom Espiritual tem o dever de trabalhar com ele tendo como objetivo a edificação, ou o desenvolvimento da Igreja no seu todo. Será infiel se usar o Dom que recebeu em beneficio de seus interesses pessoais, e particular. O apóstolo Pedro nos exorta: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”(I Pedro 4:10).
Indaga o Pr. Antonio Gilberto: “Quem são os verdadeiros ministros de Cristo segundo a Bíblia? Como identifica-los? Quais sãos as suas qualidades? Qual é a sua missão?”.
A palavra Ministério vem da palavra grega diakonia, que quer dizer servir. Quem exerce o ministério é o “ministro”, e a palavra “ministro” vem do latim “ministru” e do grego “hyperetes” que significa servo. Essa expressão era usada para designar os homens que remavam no mar. Era o trabalho desses homens que colocava os grandes barcos para navegar na direção proposta pelo capitão. Portanto, Ministério implica trabalho árduo e contínuo; é vida de serviço na Igreja; é quando Deus, em sua soberania, escolhe alguns homens para certas funções. Ele os chama e concede dons para um ministério específico. Este dom é uma graça (capacitação) que alguém recebe para desempenhar determinada função no corpo. Erradamente costuma-se usar o ministério da pessoa como um título para ela (Pastor fulano, apóstolo fulano, etc.). Mas os ministérios não são títulos ou cargos, e sim funções. Outro erro comum é chamar de ministério determinados cargos dentro da igreja, por exemplo, ministério da música, ministério de ação social, ministério de oração (orar é tarefa de todos e não função de alguns). Não podemos confundir a função que a pessoa tem no corpo com a ocupação de um cargo em uma estrutura.
1. São chamados pela vontade de Deus. Só Deus tem a autoridade para designar um servo seu a exercer uma determinada função ou Ministério. E Ele não escolhe pela aparência, cor, raça, cultura, pelo critério hereditário, etc, mas pelo caráter ilibado. Caráter é a base sólida que Deus exige de um homem antes de liberá-lo para a sua obra. O dom atrai à atenção do povo e o caráter a atenção de Deus. Antes dos dons devemos ter o caráter.
Somente com o caráter aprovado por Deus, o indivíduo pode suportar os ataques que o inimigo produz e as pressões que a obra nos traz. Somente com um caráter aprovado, suas emoções não serão abaladas nos momentos difíceis do ministério. “Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonha, que maneja bem a Palavra da verdade”(II Tm. 2:15). É Deus que prova o caráter de seus obreiros. Ele permite situações onde o obreiro precisará demonstrar solidez nas áreas emocional, financeira, espiritual e física.
No Antigo Testamento, o sacerdócio da nação de Israel era passado de pai para filho, mas nem sempre o resultado esperado dava certo. Basta observar os filhos de Eli e Samuel. A fé dos pais nem sempre atingia os filhos.
No Novo Testamento, Deus dá as características requeridas para um novo modelo de sacerdócio (ministro), não hereditário, como era na Lei Mosaica. A lista, descrita por Paulo a Timóteo(1Tm 3:1-7), mostra aos candidatos ao santo Ministério uma lista que avalia a importância do caráter mais que dos dons ou da educação dos candidatos. O caráter do Ministro deve se provado a fim de que seja aprovado por Deus. Expressa muito bem o pr. Antonio Gilberto quando diz: quem exerce o santo Ministério sem a direta convocação do Senhor – o dono da obra – é um intruso, e quanto mais cedo desistir, melhor, pois está profanando as coisas santas.
2. Têm senso de responsabilidade Ministerial. As pessoas compradas pelo sangue e sacrifício de Jesus são os seus maiores bens. Por esta razão os Ministros de Jesus são alertados a não se apossarem do rebanho de Deus chamado de “herança”: “nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”(1Pe 5:3). O rebanho pertence a Jesus e não a nós. A nós nos cabe servir de exemplo porque cada cristão também deverá servir aos outros conforme os dons recebidos, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus(1Pe 4.10).
Responsabilidade é a mãe da lealdade e honestidade. Exige-se do Ministro de Cristo que seja rigorosamente leal e honesto por uma razão especial: terá acesso irrestrito aos bens e valores de seu Senhor: a sua Igreja (as pessoas compradas pelo seu sangue), e a sua Palavra. Essa responsabilidade de cuidar das propriedades de seu patrão não pode ser assumida sem que o despenseiro seja fiel. Aos bispos, Paulo enfatiza que sejam responsáveis e irreprováveis como despenseiros de Deus(Tt 1.7).
Especificamente, o despenseiro cuida da despensa. Despensa é um cômodo onde se guardam os mantimentos. Com este aspecto em mente, Jesus contou a parábola do bom servo a quem ele deu uma séria incumbência: alimentar a todos de sua casa: E disse o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração (porção medida de semente ou comida)?(Lc 12.42). Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o Senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento (alimento, nutrimento) a seu tempo?(Mt 24.45). Em ambos os textos Jesus alerta que o servo mau e infiel, achando que seu senhor iria demorar a voltar, começou a espancar os criados e criadas, a comer e beber e embriagar-se. Estes figuram servos que não cuidam das pessoas, não as amam, não as respeitam. Só se importam de cuidar de si mesmos. Desprezam a distribuição adequada do alimento de Deus: Jesus, o evangelho, as riquezas da Palavra. Estes serão surpreendidos com a volta do Senhor que lhes punirá juntamente com os hipócritas e infiéis. Certamente os que agem desta maneira irresponsável não serão reconhecidos pelas pessoas como ministros de Cristo nem despenseiros de Deus.
3. São piedosos e íntegros. Em primeiro lugar, o que é ser Piedoso? Ser piedoso é ser, como traduzem outras versões, temente a Deus. Ser piedoso é estar atento às manifestações de Deus em nossas vidas. Só as pessoas piedosas vêem os atos poderosos de Deus. Muitos em Israel esperavam a chegada do Messias, mas só creram nEle aqueles que eram piedosos.
Ser piedoso é ser íntimo de Deus. Quando somos íntimos de Deus, os frutos de justiçam brotam de nós naturalmente. Quando somos íntimos de Deus, sua Palavra flui de nós sem que façamos força. Quando somos íntimos de Deus, todos ao nosso redor veem a luz que nós projetamos.
Piedoso é aquela pessoa que tem uma vida santa, de oração e consagração. Só pode ser justo aquele que é piedoso. Por isto, não temos como ser justos e ímpios, ao mesmo tempo. Piedoso é alguém cuidadoso em relação a Deus. Piedoso é quem leva Deus a sério.
O verdadeiro Ministro de Cristo deve garantir que suas condutas morais, pessoais, espirituais e ministeriais, sejam a melhor possível. Como diz o pr. Antonio Gilberto: o verdadeiro ministro de Cristo vive uma vida digna, não só diante de Deus, mas também dos homens. Em qualquer lugar que o servo de Deus (ministro) esteja ele deve ser um exemplo a ser notado pelos que o cercam: quer seja no trabalho, na escola, na faculdade, na igreja, nas convenções de obreiros e principalmente dentro de casa junto à família.
Atente para os seguintes versículos:
“Jesus, vendo Natanael aproximar-se dele, disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!”(João 1:47).
“Pelo que, amados, como estais aguardando estas coisas, procurai diligentemente que por ele sejais achados imaculados e irrepreensível em paz”(2 Pedro 3:14)
“pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens”(2 Co 8:21)
“Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Peleja a boa peleja da fé, apodera-te da vida eterna, para a qual foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas”(1Tm6:11,12).
Em segundo lugar, o que é ser Integro? Ser íntegro é ter padrões bem definidos de certo e errado à Luz da Palavra de Deus.
Deus deseja que sejamos íntegros em todos os aspectos: nas finanças, no casamento, no trabalho, etc.. Nossa integridade não apenas agrada a Deus, mas demonstra, para os ímpios, a diferença que Cristo faz em nossas vidas. Andar de forma íntegra atrai a retribuição divina. Davi reconheceu que fora recompensado pelo Senhor conforme a justiça que praticara, e de acordo com a pureza – integridade - de sua mãos(Sl. 18:20).
A sociedade atual convive com a falsidade, a mentira, a bajulação, as informações distorcidas, e com a imoralidade. Portanto, há um clamor desesperado por autenticidade, integridade e verdade. Nós, como Igreja, portadora e defensora desses valores e princípios cristãos, devemos exibir o caráter de Deus em nossas relações internas e externas, tendo o amor como principal fundamento. Como pregaremos a Verdade, se ela não puder ser percebida em nossas relações? Nossa sociedade carece de uma igreja autêntica, verdadeira e fidedigna.
4. São comprometidos com a Palavra de Deus(2Tm 2:15;4:2).O verdadeiro Ministro procura apresentar-te diante de Deus aprovado. Seus esforços estão concentrados em se tornar um obreiro que não tem de que se envergonhar. E faz isso como alguém que maneja bem a palavra da verdade, ou seja, ministra as Escrituras corretamente, “segue à risca”.
Os verdadeiros ministros de Cristo não pregam a eles mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor, eles pregam a Boa Nova da paz exortando os homens a se arrependerem e a crer em nosso Senhor Jesus Cristo para obter a remissão dos seus pecados. Eles quando pregam onde Cristo ainda não foi anunciado, se aplicam a pôr como fundamento Cristo Jesus para depois edificar sobre ele; esta é a razão pela qual todas as igrejas dos santos se erguem sobre o mesmo fundamento, ou seja, sobre Cristo Jesus, a pedra angular, eleita e preciosa para todos nós que cremos nEle.
Paulo diz que "ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1Cor. 3:11); isto significa que nenhum ministro de Deus tem o direito de tirar este fundamento para meter um outro. Se por um lado vemos que nenhum ministro do Evangelho que serve a Deus com pura consciência ousa tirar o sólido fundamento, por outro vemos que muitos lobos devoradores (filhos de maldição que pregam um Evangelho diferente daquele que recebemos) procuram com a sua astúcia tirar este fundamento da vida dos crentes. Estes, na verdade, procuram levar os discípulos do Senhor para longe do Senhor e após eles; amados, guardai-vos destes!
A missão de todos os chamados por Deus para realizar sua Obra, especialmente por meio da pregação do Evangelho, apóia-se em três pilares:
1. Serviço. A palavra Ministro, hoje, se reveste de alguma importância: Ministro da Economia, Ministro dos Esportes, Ministro da Justiça, Etc. É a autoridade encarregada de auxiliar diretamente o Presidente da República no exercício governamental. Ela é parte integrante do Poder Executivo. É a pessoa imediatamente contatada pelo poder central, por ser a de maior confiança do Presidente da República. Mas, ao mencionar a palavra Ministro Paulo se referia ao seu imediato sentido de subordinado, servo, criado, trabalhador manual, um ajudante.
No âmbito bíblico, eclesiástico, ser Ministro é ser servo, serviçal, prestador de serviço, administrador, assistente, atendente. Ser Servo é pré-requisito para ser Ministro na Obra de Deus. Se alguém pensa ser alguma coisa no exercício eclesiástico, na Obra do Senhor, é melhor mudar de idéia, pois no Reino de Deus a única autoridade prevalecente é o dono do Reino: Cristo. Como diz o pr Antonio Gilberto, o verdadeiro servo de Deus não tem vontade própria; seu prazer e realização estão em fazer a vontade do Senhor por amor e gratidão.
COMPREENDENDO MELHOR...
O serviço é parte indissociável da vida do Ministro de Cristo. Todo salvo tem de servir a Deus, tem de Lhe prestar um serviço e, para que não houvesse qualquer dúvida a respeito, o próprio Jesus foi chamado de “o Servo do Senhor”, notadamente no livro do profeta Isaías, onde há “quatro cânticos do Servo”( Is.42:1-4; 49:1-6; 50:4-9 e 52:13-53:12) a fim de nos dar o exemplo de que como deveríamos nos comportar enquanto Igreja, enquanto corpo de Cristo.(I Co.12:27).
Em resumo, cada um na função que foi estabelecida pelo Senhor, temos de servi-lo: pregando o Evangelho; integrando os salvos na igreja local; aperfeiçoando os santos mediante o estudo da Palavra de Deus; adorando a Deus; buscando influenciar o mundo para que ele viva de acordo com a vontade de Deus; dando um bom testemunho para que os homens glorifiquem ao Senhor, inclusive ajudando ao próximo, tanto material quanto espiritualmente; lutando pela preservação da sã doutrina e pela manutenção de uma vida avivada na igreja local a que pertencemos. Temos feito isto que o Senhor nos determina? Temos cumprido as tarefas cometidas pelo Senhor?
2. Mordomia. O mordomo é aquele que cuida dos bens do seu senhor, ou seja, é apenas um despenseiro. Na obra do Senhor, o Ministro é considerado um mordomo, um despenseiro (1Co 4:1) da despensa do Senhor (o seu rebanho, a sua Palavra, os dons espirituais, e tudo mais pertencente aos mistérios revelados a todos nós).
A função do mordomo não é ser popular aos olhos dos homens, mas fiel aos olhos de Deus - “mas, assim como fomos aprovados por Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações” (1 Tss 2:4). O apóstolo Paulo e seus companheiros não se consideravam donos da obra de Deus, mas simplesmente despenseiros (1 Co 4:1). Despenseiro (mordomo) é o guardião da propriedade alheia, administrador de bens que pertence a outros.
O mordomo, em relação aos escravos, é um supervisor e, em relação ao Senhor, ele é um servo. Este termo é usado para descrever a função de autoridade delegada por “Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós”(Hb 3.6). É a clara percepção de que tudo pertence a Jesus e nós somos seus mordomos ou despenseiros. A igreja (At 20:28), e a obra pertencem ao Senhor: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor...”(1 Co 15:58).
3. Fidelidade. Um requisito essencial para os despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel. O ser humano valoriza a astúcia, a sabedoria, a riqueza e o sucesso; mas Deus procura aqueles que estão dispostos a ser fiel a Jesus em todas as coisas. Nenhuma amizade, ou política, ou dinheiro, ou circunstância deve nos demover de um ministério fiel centralizado em Cristo.
A Fidelidade em relação a alguém, bem como em relação a alguma coisa (princípios, doutrinas), pode existir sem a fé espiritual, porém, no homem espiritual, no homem que tem fé, no crente salvo, no homem de Deus, tem que haver fidelidade: a Deus, a si próprio, à sua família, ao seu próximo, à sua igreja.
Infidelidade, deslealdade, traição, é um sentimento que não pode existir na vida de um homem de Deus, de um homem de fé. Quem possui a verdadeira fé, é fiel, é leal, é sincero, é verdadeiro.
O Ministro de Cristo é um cidadão de respeito na comunidade, alguém em que se pode confiar, alguém com quem se pode contar. Nos dias em que vivemos, em que cada vez menos pessoas são cumpridoras de seus deveres, a presença da fidelidade nos filhos de Deus é grande anúncio da salvação em Cristo Jesus. É, por isso, que vemos com preocupação o número de crentes que não apresentam esta qualidade do fruto do Espírito. Não cumprem sequer com as suas obrigações perante a igreja local, que dirá em relação aos incrédulos. Devemos ser cumpridores de nossas obrigações, tais como o cumprimento das tarefas que nos foram cometidas nas atividades da igreja local. A fidelidade do crente reflete-se no serviço prestado ao Senhor (2Co. 2.17). Homens e mulheres devem ser fiéis em tudo (1 Tm.3.11).
Que glorioso tributo a Epafras e a Tíquico de que Paulo chamá-los de "ministro fiel”: “Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo”(Cl 1:7). “Ora, para que vós também possais saber dos meus negócios, e o que eu faço, Tíquico, irmão amado, e fiel ministro do Senhor, vos informará de tudo”(Ef 6:21). “Tíquico, irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor, vos fará saber o meu estado”(Cl 4:7). Eles atingiram aquilo porque nós todos deveríamos nos esforçar.
Como seria doce ouvir o Senhor nos dizendo: "Bem está, servo bom e fiel... entra no gozo do teu senhor" (Mt. 25:21).
“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus”(4:1). Que mistérios são estes?
Em Colossenses 1:26, 27, Paulo diz que esse Mistério é Cristo - “o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória”.
Na frase o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, fica evidente que o pleno cumprimento da Palavra de Deus diz respeito a mistério. Portanto, mistério é uma verdade que não fora revelada no Antigo Testamento, mas agora é manifestada aos filhos dos homens por meio dos Ministros de Deus do Novo Testamento, principalmente os apóstolos e profetas. Trata-se de uma verdade que o homem jamais poderia atingir pela própria inteligência, mas que Deus, por sua graça, quis revelar.
O mistério estivera oculto dos séculos e das gerações, logo é errado dizer que a Igreja começou com Adão ou com Abraão. A Igreja começou no dia de Pentecostes, e a verdade a respeito dela foi revelada pelos apóstolos. A Igreja do Novo Testamento não é igual ao Israel do Antigo Testamento. Trata-se de algo que não existia antes.
A verdade deste mistério pode ser resumida da seguinte maneira: a) a Igreja é o Corpo de Cristo, e todos os verdadeiros crentes são membros do Corpo e destinados a compartilhar da glória de Cristo eternamente; b) o Senhor Jesus é a Cabeça do Corpo, dando-lhe vida, nutrimento e orientação; c) os judeus não têm a preferência quanto à admissão na Igreja, e os gentios não estão em desvantagem; tanto o judeu quanto o gentio se tornam membros do Corpo pela fé e forma um novo homem(Ef 2:15;3:6). Que os judeus podiam ser salvos não era uma verdade escondida no Antigo Testamento, mas que os gentios convertidos podiam ser membros do Corpo de Cristo, ser seus companheiros na glória e reinar com Ele, era uma verdade até então desconhecida.
O aspecto especial do mistério que Paulo enfatiza em Colossenses 1:27 é que o Senhor Jesus está pronto para “morar” no coração dos gentios – Cristo em vós, a esperança da glória.
Em 1 Corintios 2:7, Paulo enfatiza que o Mistério que esteve oculto é o Mistério do Evangelho – “mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória”. O Mistério do Evangelho abrange verdades maravilhosas como o fato de que agora judeus e gentios se encontram unidos em Cristo; da redenção e do glorioso futuro da Igreja do Senhor; de que o Senhor Jesus virá buscar seu povo para viver com ele no lar celestial; e de que nem todos os cristãos morrerão, mas todos serão transformados(1 Ts 4:17).
1. O juízo dos outros – “Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano...” (4:3). Paulo era um mordomo (despenseiro) dos mistérios de Deus, incumbido de administrar sua preciosa revelação. Como tal, Deus era o seu Juiz. Ele não estava sujeito nem aos irmãos coríntios nem a si mesmo. Uma vez que nenhum ser humano está qualificado para avaliar os servos de Deus, ele não permitia que as críticas o impedissem de cumprir as tarefas dadas por Deus.
Assim sendo, o apóstolo Paulo disse que para ele não era de grande importância ser julgado pelos coríntios ou por tribunal humano. Ele sabia que o homem é absolutamente incapaz de chegar a um julgamento competente acerca da verdadeira fidelidade a Deus.
Nota-se pelo contexto que os cristãos de corinto buscavam julgar o Ministro de Deus, Paulo, de forma arrogante, mas ele os tratava com humildade. Ele era consciente de que fora chamado por Deus para o apostolado, mesmo tendo sido anteriormente um perseguidor de crentes. Ele era julgado pelo Senhor, não pelos crentes de corintos.
Curioso é notar que, quando um grupo se deixa dominar pela arrogância, não consegue enxergar seus próprios erros (as divisões em grupos), julgam de forma errada pessoas justas e deixam de julgar aqueles que realmente precisam ser advertidos, como os crentes corintios que processavam uns aos outros e aquele que praticava o incesto.
2. O juízo próprio – “... nem eu tampouco a mim mesmo me julgo” (4:3). Uma vez que o homem pode facilmente enganar-se e convencer-se de que está certo, quando não está, Paulo não tinha confiança em sua própria aprovação. Seu brilho, sucesso, eloquência e popularidade eram insignificantes porque Deus julgaria somente sua fidelidade. Foi sábio o pr. Antonio Gilberto em suas palavras: o juízo próprio é perigoso porque a pessoa facilmente sanciona as suas próprias opiniões, aprova a sua própria conduta e acalenta seus próprios erros.
3. O juízo de Deus – “Portanto nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor”(4:5).
É tentador julgar os companheiros cristãos, avaliando se são ou não bons seguidores de Cristo. Mas somente Deus conhece o coração de uma pessoa, e Ele é o único que tem o direito de julgar. A advertência de Paulo aos corintios serve também para nós. Devemos confrontar aqueles que estão pecando(ver 5:12,13), mas não devemos julgar quem é o melhor servo de Cristo. Quando julgamos alguém, consideramo-nos invariavelmente melhores. E esse é um ato arrogante.
Devemos, portanto, ser extremamente cautelosos em nossa avaliação do serviço cristão. Nossa tendência é exaltar o espetacular e o sensacional e depreciar as tarefas mais simples e menos visíveis. É sempre mais prudente não julgar nada [...] antes do tempo, mas esperar até que venha o Senhor. Só Ele será capaz de julgar não apenas aquilo que os olhos veem, mas também as motivações do coração, não apenas o ato, mas a razão de tal ato ter sido realizado. Ele manifestará os desígnios dos corações e, obviamente, tudo o que tiver sido realizado para a projeção ou o engrandecimento próprio não será recompensado.
4. O juízo do tribunal de Cristo. “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal”(2Co 5:10). Conforme este texto, os crentes em Cristo, salvos, terão, um dia, de prestar contas “ante o Tribunal de Cristo”, de todos os seus atos praticados por meio do corpo, sejam bons ou maus.
O que é, quando e como se dará esse juízo?
a) O que é o Tribunal de Cristo? O Tribunal de Cristo é o julgamento das obras de todos os salvos(1 Co 3:12-15; Rm 14:10,12) enquanto estiveram sobre a face da Terra, logicamente das obras realizadas após a conversão, pois Deus nunca se lembra dos pecados que foram perdoados (Jr.31:34; Hb.8:12; 10:17). Tivesse Deus se lembrado dos pecados, não teria arrebatado pessoa alguma, pois não há na Terra ninguém digno de ser arrebatado, mas todos foram justificados pela fé em Cristo Jesus (Rm.5:1). Entretanto, o Senhor é justo e avaliará o que cada crente fez, por meio do corpo corruptível, na obra do Senhor, ou bem, ou mal (2 Co.5:10).
b) Quando e como se dará esse Juízo?
b.1) Esse julgamento ocorrerá quando Cristo vier buscar a sua Igreja(1 Ts 4:14-17; João 14:3).
b.2) O Juiz desse julgamento é Cristo –“ Porque o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o julgamento”(João 5:22).
b.3) Neste julgamento ocorrerá dano e perda. A Bíblia diz que a obra de cada um de nós, obra esta que nos acompanha na eternidade (Ap.14:13), será manifestada (I Co.3:13), pois estaremos na luz (Jo.3:21) e passará pelo fogo divino, pela aferição dAquele que nos salvou e nos capacitou para realizarmos esta obra.
As obras que resistirem ao exame divino, ou seja, as obras que forem de ouro, prata ou pedras preciosas, darão ensejo aos seus autores ao recebimento de galardão, do justo prêmio, da recompensa, das coroas que estão prometidas à Igreja do Senhor.
As obras, porém, que não resistirem ao exame divino, ou seja, as obras que forem de madeira, feno ou palha, não gerarão qualquer condenação aos seus autores, pois eles estão salvos, mas eles serão como que “salvos pelo fogo” (I Co. 3:15), ou seja, viverão eternamente com o Senhor, mas sem qualquer galardão, sem qualquer prêmio, exatamente como alguém que se salva de um incêndio e que, apesar de ter perdido tudo, inclusive as suas próprias vestimentas ou a sua pele, fica extremamente alegre, porque ainda tem o maior de todos os dons de Deus: a vida.
b.4) Prêmios a serem distribuídos. A Bíblia fala de alguns galardões, de algumas coroas que serão dadas aos salvos e o motivo de sua concessão. Vejamo-los:
1) coroa da justiça (II Tm.4:8) – Esta coroa será dada pelo Senhor a todos quantos amarem a sua vinda. Segundo o que Paulo nos diz, quem ama a vinda do Senhor, combate o bom combate da fé, acaba a carreira e guarda a fé, apesar de todas as situações e circunstâncias adversas que se lhe apresentem(II Tm.4:7).
2) coroa da vida (Tg.1:12) – Esta coroa será dada pelo Senhor a todos quantos amarem ao Senhor e forem fiéis até a morte(Ap.2:10). Jesus diz que quem O ama, faz o que Ele manda (Jo.15:10,14).
3) coroa de glória (I Pe.5:4) – Esta coroa está reservada aos Ministros despenseiros dos mistérios de Deus, que apascentarem o rebanho de Deus da forma biblicamente prevista, ou seja, com cuidado, não por força, voluntariamente, não por torpe ganância, de ânimo pronto, não como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho (I Pe.5:2-4).
Somente a Igreja terá o privilégio de receber galardão do Senhor, pois somente ela participará do Tribunal de Cristo. Os salvos que se salvarem a partir da dispensação da graça não terão este privilégio, pois, daqui para a frente, o julgamento será tão somente de salvação ou condenação, sem que haja qualquer direito a galardão. Por isso, a Bíblia diz que são bem-aventurados aqueles que participam da ceia das bodas do Cordeiro (Ap.19:9).
Todos os cristãos são também despenseiros de Deus, que administram seus "bens", não para proveito pessoal, mas em benefício da família toda. A parábola dos talentos e a das minas ilustram a responsabilidade cristã de aperfeiçoar-se no uso dos dons e oportunidades que Cristo concedeu (Mt 25:14-30, Lc 19:19-28). O despenseiro não deve esconder e nem desperdiçar os bens que seu mestre lhe confiou. Ele deve administrar sua distribuição aos membros da família. Nós, cristãos, somos todos "despenseiros da multiforme graça de Deus" (1 Pe 1:10), e "cada um" deve usar seus dons para "servir uns aos outros". Que Deus nos faça despenseiros fiéis!
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Aos Ministros e despenseiros - Joubert de O. Sobrinho. "O Perfil do pregador" - STOTT, John. O Perfil do pregador. São Paulo: Sepal, 1989, p.11-40.