Aula 05
A IMORALIADE EM CORINTO
Leitura Bíblica: 5:1-13
03/05/2009
“Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade, e tal imoralidade que nem mesmo entre os gentios se vê, a ponto de haver quem vive com a mulher de seu pai”(1Co 5:1).
Nesta aula destacaremos a importância da disciplina bíblica na igreja local. É uma recomendação que hoje, dificilmente, é praticada. Em virtude da proliferação de denominações, onde o principal objetivo é a quantidade e não a qualidade, então disciplinar algum crente por ter praticado algum ato que causou escândalo público está simplesmente fora de cogitação, principalmente se essa pessoa for referência em posição financeira e for a principal contribuinte da igreja. A disputa do seu passe é enorme, principalmente por aquelas denominações que pregam o céu na terra: só ligam para o bem-estar aqui e nada mais. “Se esperamos em Cristo SÓ NESTA VIDA, somos os mais MISERÁVEIS de todos os homens"(1Cr.15:19).
Vamos nos deter em um caso relatado no capítulo 5 de 1Corintios e que estava bem de acordo com a natureza e espírito da igreja de Corinto: havia um homem, membro da igreja, que estava vivendo com sua madrasta – era um pecado de incesto; pecado este que era proibido pela Lei mosaica em Deuteronômio 27:20 e outras passagens do Antigo Testamento onde Deus revela sua repulsa ao adultério e muito menos que um homem faça isso com a mulher do seu pai. Era um caso claro de transgressão da Lei de Deus. O pai desse fornicário provavelmente ainda estava vivo, mesmo assim estava tendo “um caso” com a mulher dele. O mais grave é que isto era do conhecimento não só da igreja, mas também da própria sociedade de Corinto. Era algo notório e se comentava; circulava rumores verdadeiros com respeito a este incidente. Nos traz constrangimento o fato de que a igreja de Corinto, como um todo, parecia não ver nada de grave nisso. Ora, uma igreja que possuía todos os dons (1:7) isto poderia induzir alguém a falar: “Afinal Deus não está em nosso meio? Vejam o que acontece nos nossos cultos”! E este homem continuava a viver com sua madrasta às vistas de toda a igreja! Mas o que mais incomodava o apóstolo Paulo era a falta de uma atitude firme por parte da igreja com relação àquela pessoa. Ou seja, a igreja deveria constatar que conduta moral e espiritualidade são duas coisas que andam juntas. Temos de ter as duas coisas; e quando temos uma e não a outra, ou a espiritualidade é falsa ou a moralidade é falsa. Mas a genuína espiritualidade exige uma conduta de acordo com as verdades do evangelho.
Esse fato relatado no capitulo 5 vem alertar a todos os lideres das igrejas sobre a necessidade de medidas disciplinares quando um membro tiver cometido um pecado grave de natureza pública. A disciplina é necessária para que a igreja mantenha seu caráter santo aos olhos do mundo e para que o Espírito Santo possa operar em seu meio sem se entristecer. Veja o caso de Acã, que estudamos em uma das lições do trimestre passado; o seu pecado contaminou todo Israel, o que fez Deus abandonar o seu povo num momento em que ele (Israel) mais precisava dEle.
I – ESCÂNDALO NA IGREJA
É interessante notar que Paulo ao escrever sobre esse pecado, não se refere aos líderes, mas fala à igreja como um todo. O fato é que o pecado é um problema de toda igreja. É uma questão que afeta todos os membros e que não é somente responsabilidade da liderança, mas que é responsabilidade de cada membro do corpo de Cristo zelar para que haja pureza, santidade; que haja no convívio da comunidade cristã, verdadeira santidade ao Senhor; é uma responsabilidade de nós todos, e não somente dos líderes das igrejas locais. Devemos não só zelar por nós mesmos, mas também pelo nosso irmão refletindo as palavras de Jesus: “Se o teu irmão pecar, vai repreendê-lo entre ti e ele só, se ele não te ouvir, leva mais alguém, se não te ouvir, comunica a liderança da igreja para que tomem as providências”. Mas, antes de chegar a este ponto existe todo um processo intracomunitário desenvolvido pelos membros, cada um participando e sendo responsável para que a vida da igreja ande corretamente. Se não for assim corremos o risco de sermos participantes dos pecados alheios e incorrermos na culpa de cumplicidade. Por isso é que Paulo trata da questão dirigindo-se a toda igreja de Corinto.
1. O transgressor precisa ser confrontado(5:1-5). O pecado cometido por esse crente (crente?) corinto era abominável e grosseiro. Tratava-se de uma forma extrema de pecado que não era praticado nem mesmo entre os gentios ímpios. Sem dúvida, a mãe desse homem havia falecido e o pai dele se casara novamente. A mulher de seu próprio pai, neste caso, era a madrasta do homem em questão. Provavelmente era uma mulher incrédula, pois o apóstolo não menciona nenhuma medida a ser tomada em relação a ela. No caso dessa mulher, a igreja não tinha jurisdição.
Apesar do caso ser tão grave a igreja de Corinto não confrontou o transgressor. A atitude da igreja deveria ser excluir este membro acintoso. Paulo está angustiado pelo fato da igreja não tomar esta atitude para zelar pela vida e pela pureza da igreja, pelo nome de Cristo e pelo próprio pecador. Ao contrário, a igreja estava ensoberbecida, envaidecida possivelmente por causa dos dons espirituais. Os membros estavam orgulhosos de constituírem uma igreja “carismática”, ou quem sabe, uma igreja que amava a todos do modo que eram e de como agiam. Uma coisa é certa: Paulo entendia que a atitude da igreja não estava correta. Ao invés de lamentar-se em vista do pecado que estava no seu meio, ela assume uma postura oposta, ou seja, uma postura “festiva”, com um culto alegre, enquanto ninguém estava se preocupando com o problema.
Paulo dá a solução para o problema. Do versículo 3 até o 5 Paulo diz o que vai fazer. Ele fala como apóstolo de Jesus: “... já determinei”(5:4), e em outras versões ,“... já sentenciei...”. Esta palavra “sentenciar” vem da linguagem jurídica que significa o pronunciamento final de um processo de julgamento. A igreja deveria ter feito isso e por que não fez, Paulo toma para si as prerrogativas de juiz. Ele mesmo faz o julgamento, sentencia o membro infrator dizendo: “... que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, entregue a Satanás para a destruição da carne, para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus” (vs. 3-5).
O que significa “entregue a Satanás”? Isto tem sido bastante debatido e não vai fazer muita diferença na interpretação geral da passagem. Em linhas gerais se acredita que Paulo estava dizendo o seguinte: uma vez que a pessoa não queira ouvir a voz da igreja, não aceita a repreensão do Espírito Santo, e, sendo excluído da comunidade, será como uma ovelha que foi colocada para fora do aprisco. Lá fora estão os lobos à espera. Satanás vai cirandar, vai colocar sua mão em cima. O objetivo de Paulo com isso não é destruir a pessoa como muitos pensam em relação ao ato disciplinar. Em termos eclesiásticos alguns pensam sobre disciplina como algo que trás simplesmente punição ou destruição do pecador. Mas não é este o objetivo da disciplina. Apesar de todo rigor e firmeza de Paulo em tratar o assunto, ele diz: “... a fim de que o espírito seja salvo” (v. 5). Este é o objetivo que Paulo revela na sua carta; o amor por aquele pecador e seu desejo de recuperá-lo, mesmo que para isso medidas drásticas tenham de ser tomadas. Paulo não fica vacilante. Se tem de ser entregue a Satanás, que seja, para que o espírito seja salvo. Se for o único meio, que assim seja excluído da igreja, ficando fora da proteção do Senhor e ficando exposto aos ataques do diabo. Ataques que são descritos no livro de Jó, quando este servo de Deus experimentou na carne a atividade satânica como doenças, aflições, perdas dos bens, etc. Em fim, toda sorte de aflições, que com o decreto permissivo de Deus, Satanás às vezes pode infligir às pessoas para que o propósito de Deus seja feito. No caso, para esse membro da igreja, o propósito era trazê-lo de volta ao seio da igreja através das aflições, angústias, dificuldades, e tribulações que Deus permitiria que Satanás trouxesse a este membro em pecado. Ele deveria ser levado ao arrependimento, cair em si e voltar ao convívio da igreja.
Como bem expressa o pr. Antonio Gilberto, a espiritualidade do crente não está no fato de possuir um elevado conhecimento doutrinário, ou ser portador de dons espirituais, mas na resolução permanente de evitar o erro, o mal, o pecado, isto é, primar pela santidade. O caso deste cristão de Corinto mostra-nos que um crente de consciência cauterizada procede pior quanto ao pecado do que o incrédulo(1 Tm 4:2; Ef 4:19 – Ler também Rm 1:28;Lc 11:26; 2 Pe 2:22; Pv 29:1).
2. Lançar fora o fermento velho (5:6-8: “Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado. Pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”).
A disciplina justa e piedosa é necessária a fim de preservar o caráter puro da igreja. Portanto, o apóstolo ordena que eles lancem fora o fermento velho. Em outras palavras, os corintios deveriam tomar medidas severas contra o mal a fim de serem nova massa, ou seja, uma congregação pura.
No versículo 7, Paulo compara a vida da igreja a uma grande Páscoa, a uma eterna festa. O nosso Cordeiro Pascal já foi imolado e nós já nos alimentamos dele e se vivemos em uma eterna Páscoa, não deve haver fermento. Tem de ser lançado fora os fermentos, a massa velha. Por isso Paulo diz: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa...”. A Igreja é a comunidade Pascal liderada, salva e resgatada por aquele que é a nossa Páscoa: Cristo. Na festa da Páscoa não podia se ter pão com fermento. Se há pão fermentado já não é mais Páscoa.
No versiculo 8, a festa mencionada não é a Páscoa dos judeus nem a ceia do Senhor. Antes, o termo é usado de modo geral para referir-se à vida do cristão em sua totalidade. Nossa existência deve ser celebrada não com o fermento velho do pecado, nem com o fermento da maldade e da malícia. Ao nos regozijarmos em Cristo, devemos manter nosso coração livre de toda maldade em relação aos outros. Vemos, portanto, que o apóstolo não fala do fermento de forma literal, como substancia usada para preparar pão. Usa-o com sentido espiritual para descrever o pecado que contamina tudo o que entra em contato com ele. Devemos viver com os pães asmos da sinceridade e da verdade.
3. A aplicação da disciplina pela igreja (5:9-11: “Já por carta vos escrevi que não vos associeis com os que se prostituem; isso não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem sequer comais”).
Às vezes, a igreja deve aplicar a disciplina aos membros que pecam. Porém a correção aplicada pela igreja deve ser cuidadosamente manipulada de uma forma direta e amorosa. Qualquer igreja que não tomar medidas severas contra a imoralidade sexual entre seus membros descobrirá que a influencia maligna desse mal se alastrará pela congregação e contaminará a muitos. O pecado deve ser rigorosamente removido; doutra forma, no decurso do tempo, a totalidade da comunidade cristã se corromperá e o Espírito Santo não terá lugar nessa igreja.
Percebe-se nos textos de 1Corintios 5:9-11 que Paulo defende apaixonadamente a pureza da igreja. Exercer a disciplina é realmente uma atitude amável. Permitir que o membro de uma igreja continue no pecado é semelhante a permitir que uma criança prejudique a si mesma e a seus irmãos, sem receber correção. Mas, por outro lado, exercemos disciplina porque Deus chamou a igreja à pureza.
Certa vez um pastor disse: “Jamais consegui levar nossa igreja a disciplinar seus membros. Hoje, existem tantas pessoas imorais entre nós, que discipliná-las causaria um grande conflito”. Esta mentalidade é exatamente a razão por que tantas igrejas são ineficazes em mudar a cultura e em trazer pessoas a um estilo de vida diferente.
O apóstolo Paulo deixa claro que para sermos crentes santos, separados do mundo, não é necessário nos separarmos das pessoas descrentes, porque então vos seria necessário sair do mundo (5:10). A igreja, feita para evangelizar o mundo, para continuar a obra de Cristo, não pode se isolar da comunidade, pois, se o fizer, estará negando a sua própria missão. Quem deve ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda a criatura, não pode, em absoluto, isolar-se das pessoas. No entanto, esta prática tem sido encontrada em diversas igrejas locais que, embora não se denominem de monges ou seus templos de conventos, estão verdadeiramente enclausurados no seu “mundinho”, isolando-se dos “ímpios” e dos “pecadores”, negando a própria razão de ser de sua existência. Jesus foi claríssimo ao afirmar que, como luzes do mundo, seus discípulos não poderiam se esconder do mundo, mas, antes, aparecer para mostrar a glória do Pai (Mt.5:14-16).
Um comportamento que confunde a santificação com o isolamento do mundo descamba para a “santarronice”; para o farisaísmo dos dias de Jesus. Devemos ser sal da terra e a função do sal é infiltrar-se no meio dos alimentos, a fim de lhes dar sabor, de permitir a sua conservação, evitando a sua deterioração.
A santificação não se confunde com o isolamento da sociedade, mas isto também não pode dar guarida àqueles que, em nome de uma atividade evangelizadora, misturam-se com os pecadores e, o que não é correto, com o pecado dos pecadores. Quantos, na atualidade, sob pretexto de evangelizar, não pecam juntamente com os pecadores ou consentem com o pecado dos ímpios, que deveriam denunciar? Quantos, a pretexto de evangelizar, não praticam as mesmas coisas que os que deveriam ser evangelizados?
II – A AÇAO PASTORAL DISCIPLINAR NA IGREJA (5:9-11)
1. A ação pastoral e eclesiástica sobre o pecado. Há necessidade do exercício da disciplina eclesiástica feita em amor para recuperação do pecador e para que se coloque em prática o que a Palavra de Deus nos recomenda e exige. É responsabilidade de toda a igreja zelar pela vida da comunidade seguindo os princípios bíblicos, porque o pecado é como o fermento; se deixarmos ele contamina a massa toda. Que mensagem estamos passando para o mundo?
A Igreja de Corinto era negligente no exercício da disciplina, em vez de disciplinar se acomodava ao pecado. Assim, aceitava membro que vivia na ilicitude sexual, passando a ser culpada pelo pecado da conivência. Era uma igreja tolerante com a prática sexual ilícita - “Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes...”(I Co 5:.2) -, ou seja, a pratica da imoralidade sexual não afetava mais a sensibilidade espiritual da igreja.
A Igreja de Corinto chegou a superar os não crentes na tolerância ao pecado. Imagino que, assim como acontece em muitas igrejas contemporâneas, a igreja ou algum segmento da Igreja de Corinto tinha argumentos para justificar a sua tolerância à imoralidade. Confessavam ser discípulos de Jesus, mas diferiam muito pouco das práticas dos incrédulos, e, nesse caso, simplesmente superavam os pagãos quando aceitavam alguém que abusava “da mulher de seu pai”.
A Igreja de Corinto chegou a perder aquilo que deve ser o maior objetivo da vida cristã: “a transformação moral” e “conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”(Ef. 3.19).
O natural para toda Igreja e individualmente para todo crente é a luta contra todo tipo de pecado, especialmente aqueles pecados que se caracterizam como práticas pagãs. (I Co. 5.3.5).
2. O fermento do erro(5:6). Aqui, o fermento retrata o pecado moral. Se os corintios tolerassem qualquer pecado moral na igreja, este logo se espalharia até afetar seriamente a congregação inteira. Certa vez em Israel, apenas um homem pecou(Acã), e todo povo sofreu -estudamos isso na lição nº 06 do trimestre passado. O pecado de Acã é um ensino sobre a unidade do povo de Deus: Israel pecou (7:11). Também cada crente faz parte de uma unidade: o corpo de Cristo - sua igreja (1 Co 12:12 - 14:26). A igreja toda sofre por causa doo pecado de um dos seus membros (1 Co 12:26).
Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? No Antigo Testamento uma das coisas usadas para tipificar o pecado era o fermento. Tanto é que na celebração da páscoa era proibido se comer pão com fermento (o pão era “asmo” – sem fermento). Uma das propriedades do fermento pelas quais ele tornou-se símbolo do pecado é sua capacidade de aumentar e dominar o ambiente onde se encontra. Se colocado um pouco de fermento no pão que está sendo preparado logo levedará toda a massa. O apóstolo diz que o pecado é exatamente assim. Paulo pergunta se os crentes de Corinto não sabem disso: que o pecado é como o fermento, que leveda toda a massa? A idéia é que, se deixado sem correção, no seio da igreja, sem que as devidas soluções sejam tomadas, o pecado se propaga.
O que pensar dos jovens da igreja de Corinto? O que eles estavam aprendendo quando viam aquele homem vivendo com a madrasta e ninguém dava importância? O que eles estavam aprendendo? Aprendiam, que aquela atitude não faz diferença na vida cristã e que não importa nosso comportamento sexual, podemos continuar em pecado e como um cristão normal. Era essa a mensagem que estava sendo passada para os membros da igreja; que o pecado realmente não importava porque a igreja parecia aceitar normalmente.
Qual a mensagem que está sendo passada para os jovens e novos convertidos? Que o pecado não afeta meu estado, o meu relacionamento e minha comunhão com Deus e nem a vida da igreja. Ou seja, o que é pregado no púlpito é totalmente desfeito por este tipo de atitude. Nós podemos pregar santidade, mas se não acrescentarmos à Palavra pregada as medidas corretas para que todos nós trilhemos este viver santo, a mensagem deixa de ter seu efeito.
O pr. Antonio Gilberto diz que atualmente é grande o número de igrejas que se gabam de serem “abertas” e “livres”. Por isso lhes é fácil reunir muita gente. Seus dirigentes não observam que não é somente porta de entrada da salvação que é “estreita”; o caminho a ser percorrido, a pós a porta, é “apertado”(Mt 7:14). Isto tem a ver com renúncia em nos seguir a Cristo(Lc 14:33).
3. A motivação para uma vida santa (5:8 – “Pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”).
A vida do cristão verdadeiro em sua totalidade é uma festa. Festa é uma exteriorização de quem está alegre. É regozijo, júbilo, alegria. Alegria é uma virtude do fruto do Espírito(Gl 5:22). Nada deste mundo pode subtrair a alegria que ferve no coração do verdadeiro cristão. Paulo diz: “Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada”(Rm 8:18). É isso aí, o crente regozija-se em viver constantemente em Cristo, pois sabe que o seu futuro é glorioso: é uma eterna festa. Mas nossa existência deve ser celebrada não com o fermento velho do pecado, nem com o fermento da maldade e a malícia. Ao nos regozijarmos em Cristo, devemos manter nosso coração livre de toda maldade em relação aos outros. Paulo diz: “celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia; e, sim, com os asmos da sinceridade e da verdade”. Ele usou a festa da Páscoa, do Antigo Testamento, para estabelecer seu argumento. Naquela festa, todo o fermento era removido dos lares, visto que era um símbolo do pecado. Paulo disse que o Cordeiro pascal havia sido imolado (ou seja, Cristo fora crucificado). Como igreja, devemos celebrar “a festa” (ou seja, viver constantemente em Cristo) sem o velho fermento da maldade. É só quando a sinceridade e a verdade prevalecem que nós verdadeiramente celebramos. Somos uma comunidade que celebra, que vive na alegria, no gozo da santidade do nosso Cordeiro.
É claro que Paulo não está pedindo que a igreja seja perfeita, mas sim que a igreja de Corinto tome as atitudes certas quando o pecado aparecer. O pecado vai aparecer, é verdade, e pode ser em minha vida e na sua, mas que a comunidade ajude o pecador com interesse de auxiliá-lo. Não devemos ficar falando mal e criticando, mas que tomemos as providências bíblicas para ajudar aquele que caiu vítima do pecado. Celebremos a festa com os “asmos” da sinceridade e da verdade.
III – RELACIONAMENTOS DO CRENTE
1. O relacionamento com os descrentes (5:10 – “com isso não me referia à comunicação em geral com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo”).
Quem é você quando não houver nenhum crente ao teu redor; quando em teu meio estiver somente descrente; num aniversário, por exemplo? O crente que é convertido, que é convicto de sua fé em Jesus Cristo, ou seja, o verdadeiro cristão, convive entre pessoas descrentes e não se deixa influenciar por seus costumes, por sua filosofia de vida, por sues pecados.
Ao advertir os crentes de Corinto de que não se associassem aos impuros, Paulo não estava sugerindo que evitassem absolutamente todo contato com os ímpios. Enquanto estamos no mundo, precisamos fazer negócio com pessoas não-salvas e não temos como conhecer a profundidade de sua decadência espiritual e moral. A fim de nos isolarmos inteiramente dos incrédulos, teríamos de sair do mundo, ou seja, morrer.
Portanto, Paulo explica que sua advertência não é para que os corintios se separem totalmente dos impuros deste mundo, ou dos avarentos, ou roubadores, ou idólatras. Os avarentos adotam práticas desonestas nos negócios ou em questões financeiras. Os roubadores ou extorsionários enriquecem por meios violentos, como ameaças de ferir ou matar. Os idólatras adoram pessoas ou coisas no lugar do Deus verdadeiros e praticam atos imorais e repulsivos quase sempre associados ao culto a ídolos. O verdadeiro cristão, mediante a sabedoria e o poder do Espírito Santo, convive entre esse tipo de pessoas, mas não se deixa influenciar por elas, por seu modo de viver, sua filosofia de vida, sua religião, seus pecados etc.
2. O relacionamento com o crente vivendo em pecado (5:11 – “Mas, agora escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais”).
Por incrível que pareça é o mais perigoso dos relacionamentos, pois um crente (crente?) que vive em pecado é uma pessoa que está desviada do rumo certo, do alvo. E o estado espiritual de uma pessoa desviada é pior do que o de um descrente. Jesus disse: “Quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; e não o encontrando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E chegando, acha-a varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro”(Lc 11:24-26). O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, disse: com o tal nem ainda comais.
Você colocaria um frango saudável na mesma sacola onde está um frango podre e cheio de vermes? É claro que não. O frango estragado e cheio de bichos sempre deteriora o saudável; nunca ocorre o contrário. Paulo escreveu na mesma carta: “As más conversações corrompem os bons costumes”(1 Co 15:33).
Infelizmente há momentos em que somente uma separação resolve. A separação da comunidade daquele membro impenitente que não deseja arrepender-se. São Paulo adverte à igreja de Corinto para que não tenha comunhão com alguém que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. O que Paulo está dizendo é que não devemos nos associar com aquele que “dizendo-se irmão”, se fazendo passar por cristão, no meio da comunidade se comportem como não cristãos. Podemos parafrasear suas palavras da seguinte forma: O que quis dizer e agora repito é isto: Vocês não devem nem sequer assentar-se para dizer uma refeição comum com qualquer cristão professo que é sexualmente imoral, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou extorsionário.
O contato com incrédulos é necessário em varas ocasiões, e com frequência podemos usá-lo como oportunidade de testemunho. Esse contato não é tão perigoso para o cristão quanto ter comunhão com aqueles que se dizem cristãos e, no entanto, vivem em pecado. A estes nem devemos convidar para uma refeição em nossas casas. Em outras palavras, há um momento em que é necessária uma separação clara e firme.
3. A disciplina sofrida pelo infrator. A igreja local tem o dever de preservar a disciplina preventiva e a corretiva entre os seus membros. A disciplina dada ao membro fornicário da igreja de Corinto – seja entregue a Satanás para a destruição da carne - pode parecer aos ouvidos pós-modernos uma atitude muito radical, mas Paulo explica o porque de sua atitude: trazê-lo de volta ao seio da igreja através das aflições, angústias, dificuldades, e tribulações que Deus permitiria (decreto permissivo) que Satanás trouxesse a este membro em pecado. Ele deveria ser levado ao arrependimento, cair em si e voltar ao convívio da igreja.
Não sabemos se a “estratégia” funcionou. Na Segunda carta que Paulo escreve à Igreja de Corinto há uma menção de alguém que se arrependeu, que mudou sua atitude. Paulo não diz quem foi esta pessoa. Mas Paulo recomenda que a igreja o receba, que o aceite, que não prolongue demasiadamente a disciplina para que ele não desfaleça. Alguns entendem que seja exatamente este homem citado por Paulo em 1Corintios 5.1. Se for o caso, a disciplina teria funcionado e o pecador voltado arrependido, recuperado, restaurado, e a igreja o teria recebido com alegria.
Devemos lembrar que o objetivo da disciplina dos cristãos é sempre promover a restauração à comunhão com o Senhor. A expulsão nunca deve ser um fim em si, mas sempre um meio para alcançar o fim maior, a saber, que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus. Em outras palavras, não há nenhuma sugestão da perdição eterna do individuo. Ele é disciplinado pelo Senhor nesta vida em conseqüência do pecado que cometeu, mas é salvo no Dia do Senhor Jesus.
CONCLUSÃO
“O caminho que conduz ao céu e a Deus é estreito, e poucos se dispõem a trilhá-lo. Vivemos em uma sociedade em que os meios de comunicação incentivam e exaltam o erotismo, a pornografia, o sexo fora do casamento e toda a sorte de perversão. É preciso ser firme e consciente de que Deus reprova tais atitudes e que vai julgar toda a iniqüidade:” Ante a face do SENHOR, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua verdade" (Sl 96.13). Não podemos nos tornar complacentes com o pecado. Deus estabeleceu padrões para que tenhamos uma vida santa. Estejamos conscientes de que violar estes padrões é perigoso, pois a conseqüência é sempre a morte (Rm 8.13).
Deus quer usar a sua vida santa para proclamar sua Palavra (1 Pe 2.9-11). Mas, para que você seja usado pelo Senhor, precisa lutar diariamente para manter-se puro, resistindo aos impulsos diabólicos que diariamente tentam destruí-lo. "... Toda pessoa que diz que pertence ao Senhor precisa abandonar o pecado" (2 Tm 2.19 NTLH). A falta de santidade conduz à inutilidade. Jesus nos advertiu: "Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para ser lançado fora..." (Mt 5.13)”(Aplicação Pessoal – Lições Bíblicas - Mestre).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Corinto, uma igreja com problemas de disciplina – Augustus Nicodemus Lopes.