Aula 06

DEMANDAS JUDICIAIS ENTRE OS IRMÃOS

Leitura Bíblica: 1 Corintios 6:1-11

10/05/2009


"Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas?"(1 Co 6.2).

 

INTRODUÇÃO

Nesta aula são apresentadas as regras de comportamento para o cristão, referentes à atitude dele com os seus irmãos na fé. Lembrando que vivemos em comunidade e que, uma comunidade para ser perfeita – na acepção da palavra -,   precisa de ajustes éticos, morais e espirituais.

No capítulo 5, referente à aula anterior, Paulo explicou como se deve proceder em relação à imoralidade abertamente praticada na congregação. Neste capítulo, o capítulo 6, ele ensina como a congregação deve tratar de problemas menores entre os crentes.

Os membros da igreja de Corinto eram indiferentes com relação a gritante imoralidade em seu seio, mas processavam seus irmãos, junto à justiça secular, por danos pessoais sem importância. Paulo ficou horrorizado ao ver que os cristãos que julgarão o mundo (João 5:22; Ap 3:21; 2Pe 2:4; Judas 6) estavam resolvendo as diferenças entre si em tribunais humanos. Em vez de primeiro levarem as questões perante o Senhor da Igreja em oração, e depois aos crentes, acabavam por expor as disputas nos tribunais civis, onde juízes pagãos davam o veredicto.

Nestas discórdias e demandas não havia vencedores, todos saíam perdendo. Às vezes, os verdadeiros vencedores não são aqueles que vencem uma disputa, mas sim aqueles que sabem renunciar por amor a Cristo e a sua obra.

Como cristãos, nós temos o Espírito Santo e a mente de Cristo, então por que deveríamos nos dirigir aqueles que não possuem a sabedoria de Deus? Por tudo o que recebemos como crentes e por causa da autoridade que teremos no futuro para julgar o mundo e os anjos, devemos ser capazes de lidar com as eventuais disputas.

 

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Vivemos dias de intolerância absoluta. Os fóruns e tribunais estão abarrotados dos mais variados processos, aumentando, ainda mais, a lentidão da justiça, em grande parte porque as pessoas não têm mais tolerância umas com as outras e, nesta intolerância, nesta incapacidade de diálogo e de concessões, acabam por bater à porta do Poder Judiciário, para resolver os seus conflitos. Na própria igreja, vemos os irmãos não se tratando como tal, mas competindo e concorrendo entre si e, não raro, também, a exemplo do que faziam os coríntios, levando litígios e conflitos internos da comunidade, da igreja local, para as barras dos tribunais, num triste espetáculo e escândalo diante dos infiéis.

Lares desfazem-se a cada dia porque marido e mulher não se toleram, nem têm qualquer tolerância com o outro. Logo alegam, por questões de somenos importância, uma “incompatibilidade de gênios”, arrumam suas malas e vão cada um para um lado, dando mais pontos para a intolerância. Nações não se entendem e, apesar de estarem na “nova ordem mundial”, não aceitam negociar, nem incentivam as negociações, logo entrando em conflitos armados ou apelando para os tribunais internacionais.

O cristão, porém, não pode se envolver neste “mar de intolerância”, se é que está ligado à videira verdadeira.

I - A FALTA DE COMUNHÃO FRATERNA NA IGREJA CORÍNTIA

1. As discórdias pessoais. "Tendo algum negócio contra o outro" (v.1). Discórdia é desentendimento, é desacordo. Pelos versículos 1 e 4 nota-se que havia um irmão que estava processando outro num tribunal secular. A verdade é que não chegaram a um acordo e talvez por questão de terra ou talvez de dinheiro e negócios, este irmão estava em litígio com outro. Por isso estava processando-o no tribunal da cidade. Com esta atitude estava expondo o Evangelho à vergonha diante dos ímpios (v. 6).  Paulo estava preocupado com esse problema moral, pois os juizes certamente iriam julgar aquelas ações judiciais com base nas leis, idéias e costumes do paganismo reinante entre os gregos. É descabido o cristão procurar justiça em pessoas que não têm nada para oferecer. O sistema mundano jaz no maligno (1 João 5:19). E o maligno veio para matar roubar e destruir.

Muitas discórdias entre os crentes são idealizadas por Satanás. Ele é o maior semeador de contendas entre os irmãos, mas o que ele faz na maioria das vezes é "aproveitar a nossa lenha para fazer sua fogueira". O seu maior desejo é ver o povo de Deus lutando consigo mesmo, quando deveríamos, juntos, lutar contra as forças das trevas.

Em nossas igrejas, temos vivido a mesma situação constrangedora e desagradável que Paulo contemplou na igreja de Corinto, onde, além de os irmãos não serem pacificadores, levavam suas questões e causas para serem decididas por ímpios. Cada vez mais se acumulam nos juízos e tribunais causas envolvendo igrejas locais e crentes, o que tem servido apenas de escândalo para os infiéis.

2. A falsa espiritualidade. Como a verdadeira espiritualidade pode ser expressa? Através dos dons e talentos? Evidentemente que não. A verdadeira espiritualidade é demonstrada através da manifestação do caráter. A igreja de Corinto possuía todos os dons (1:7), mas o exercício dos mesmos resultava em imaturidade e atitudes carnais(1Co 3:1-4). A desordem era tal que o próprio culto tornou-se um entrave para o progresso espiritual dos crentes.

É o caráter do cristão, que chamamos de Fruto do Espírito, que identifica a verdadeira espiritualidade do genuíno cristão. O Fruto do Espírito é gerado pela ação do Espírito Santo, e se desenvolve dentro do “homem interior”; ele passa a fazer parte da personalidade do novo homem. Sendo gerado dentro do homem, o Fruto testifica das qualidades do homem, conforme ensinou o Senhor Jesus: “... porque pelo fruto se conhece a árvore”(Mt 12:33). Sendo assim, o Fruto do Espírito testifica das qualidades do homem, ou seja, como ele na verdade o é.

Pequenos atos que demonstram nosso compromisso, amor e verdadeira identificação com Jesus Cristo ratificam a nossa fé nEle e expõe a todos que nos veem a verdadeira espiritualidade. Veja o caso de Elizeu; através de seus atos ele foi identificado com um homem de Deus. Infelizmente, não era isso que estava ocorrendo entre os coríntios. Se você fosse a uma das reuniões daquela igreja (excetuando a Ceia), com certeza gostaria do "movimento pentecostal" que lá havia. Entretanto, a espiritualidade ali retratada desfazia-se no primeiro obstáculo que o crente precisasse enfrentar. Isso é um sintoma de que não havia em Corinto uma verdadeira espiritualidade. Podemos até dizer que no confronto entre o padrão moral externado e a espiritualidade apresentada havia um verdadeiro paradoxo. O que isso significa? Puro emocionalismo!

Na atualidade, tal qual na igreja de Corinto, vivemos dias em que as pessoas defendem que se deve “extravasar”, “pôr para fora tudo o que sente” e isto até mesmo em relação a sua adoração a Deus, o que gera as aberrações que temos presenciado cada vez mais, em que se substitui o culto racional pelo emocionalismo, pelo irracionalismo, pela pura carnalidade. Esta incontinência é a mais clara demonstração de que essas pessoas são guiadas pela carne e não pelo Espírito, pois a carne é quem possui a concupiscência, ou seja, o desejo desmedido e incontrolado.

A presença do poder de Deus como na igreja primitiva, a plenitude do Espírito, jamais significou o emocionalismo, o irracionalismo, que hoje são, por muitos, considerado como “sinal da presença de Deus”. A Palavra de Deus é a verdade, e o poder de Deus não se confunde com desatinos e espetáculos lamentáveis. O culto racional é incompatível com meninices e com práticas como o “reteté”. A Igreja do Senhor precisa trilhar o caminho da verdadeira espiritualidade para que a luz de Cristo brilhe e o nome do Jesus Cristo seja exaltado.

3. Imaturidade diversa (6:1, 5,7). Alguém poderá dizer: Não existe aqui na terra igreja perfeita, pois ela é constituída de pessoas com personalidades, temperamentos e formação cultural diferentes. Isso é verdade! Somos pessoas diferentes e muitas vezes teremos pontos de vista distintos e preferências divergentes. Assim sendo, o conflito é inevitável numa comunidade. Mas, quando o conflito surgir é preciso ser administrado, controlado, afim de que não se desenvolva numa seqüência mortal como esta: discordância, discussão, contenda, divisão, guerra, demandas judiciais. O conflito é como o fogo! Se perdermos o controle sobre ele, então tudo pode ser destruído repentinamente. É neste momento que a maturidade cristã entra em ação.

A bíblia diz que "ao servo do Senhor não convém contender, mas ser manso para com todos”(II Tm.2:24). Caso cheguemos ao nosso limite, tenhamos cuidado para que o fogo não se alastre. Analise a causa do conflito antes de começá-lo. Será que vale a pena criar um problema na igreja por causa de um teclado que foi quebrado? Ou porque o irmão consumiu um refrigerante na lanchonete da igreja e não pagou? Ou porque emprestou dinheiro e não pagou o juro? Quanto vale a nossa paz e a tranqüilidade da nossa consciência? Algumas pessoas acham que sempre devem brigar por seu direito. É o que ocorria com os cristãos da igreja de Corinto.

O apóstolo Paulo nos orienta que, algumas vezes, em determinados casos, é melhor o cristão sofrer algum dano do que criar uma disputa (I Cor.6:7). Afinal, não foi isso que Cristo ensinou, quando falou em "dar a outra face", "entregar a capa" e "caminhar a segunda milha"? Dê a Deus a oportunidade de resolver o problema. Ore ao Senhor antes de agir ou falar.

Em algum momento, poderá ser necessário admitir que o outro está certo. E, se não estiver, talvez possamos desistir do conflito a favor da outra parte. Logicamente, não devemos aceitar o pecado nem o erro, mas muitas vezes não é isso que está em jogo, e podemos muito bem abrir mão da nossa proposta em benefício do nosso próximo. Isso pode ser um sinal de maturidade. Veja o exemplo de Abraão que, podendo escolher a terra diante de si, deixou que Ló escolhesse primeiro.

Comparam-se os conflitos interpessoais com o atrito entre as peças de um motor em funcionamento. O que podemos fazer para reduzir esse atrito e minimizar seus efeitos negativos? Lubrificar o motor. O óleo é um símbolo bíblico do Espírito Santo. Precisamos dessa unção em nossas vidas. Assim, quando formos atacados por alguém, teremos uma palavra mansa para aplacar-lhe o furor. Teremos o amor do Senhor em nossos corações, o qual produzirá sempre uma pré-disposição de aceitar os irmãos.  Então, não haverá entre nós barreiras, muitas das quais se formam sem a menor razão.

A operação do Espírito Santo será o antídoto contra as antipatias gratuitas e desmotivadas, e também o remédio para as mágoas e as inimizades. Esta unção nos torna capazes de renunciar, de negar a nós mesmos, considerando que o nosso irmão é superior (Fp.2:3), é digno de todo o nosso respeito e de todo o nosso apreço. Parece até que estamos falando de uma utopia, contudo, esse estilo de vida é a proposta de Deus para nós, afim de que não sejamos um reino dividido, mas um corpo que, unido por juntas e medulas possa crescer na presença do Senhor (Ef.4.16). Disse bem o pr. Antonio Gilberto: Se a diversidade de temperamentos, de personalidades, de formação e de mentalidade for ignorada, e se também não for controlada, pode motivar conflitos os mais diversos por toda parte.


II - UMA IGREJA QUE DESCONHECIA A SUA IMPORTÂNCIA (6: 2-4)

O absurdo da situação em Corinto torna-se mais claro quando a pessoa reconhece que, na consumação da história (cf. 5:12,13), os crentes participarão, juntamente com Cristo, no julgamento, não somente dos incrédulos, mas também dos anjos. Até o menos qualificado entre os crentes de Corinto estava em melhor posição do que um incrédulo para arbitrar disputas na igreja local.

1. A Igreja como juiz futuramente. A Bíblia afirma que, sob Cristo, o mundo e os anjos maus serão julgados pela Igreja no futuro: "Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo?" (v.2). "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?" Ver 2 Pe 2.4; Jd v.6; Ap 20.10.

É uma óbvia incoerência o fato de indivíduo que um dia hão de julgar o mundo não serem capazes de resolver questões triviais que surgem entre eles.  Como foi dito acima, até o menos qualificado entre os crentes de Corinto estava em melhor posição do que um incrédulo para arbitrar disputas na igreja local.

As escrituras ensinam que os cristãos reinarão com Cristo sobre a terra quando ele voltar em poder e glória e que lhes serão confiados questões para julgar. Se os cristãos hão de julgar o mundo no futuro, não devem ser capazes de lidar com as diferenças insignificantes que geram conflito em seu meio hoje?

Nas igrejas deveriam existir pessoas com credibilidade, capacitadas por Deus e preparadas em si mesmas, para resolver os problemas de discórdias que porventura sejam suscitados, a fim de evitar que a igreja seja exposta ao escárnio diante dos ímpios. Pessoas como que além de fazer caridade era procurado para julgar causas e resolver litígios no meio do povo, sendo uma espécie de juiz na sociedade onde vivia. Observe-se que Jó não era uma autoridade formal no meio da população, pois, naquela época, normalmente, a função judicial era cometida a sacerdotes dos cultos idolátricos praticados pela comunidade daquela época, mas isto não impedia que Jó fosse procurado e pudesse resolver questões que lhes eram cometidas(Jó 29:16,17,21-23).

Este papel deve ser o do crente ainda hoje. Somos chamados para sermos pacificadores(Mt.5:9), ou seja, para operarmos a reconciliação entre os litigantes, selarmos a paz entre os que nos cercam, evitarmos atritos e contendas. Infelizmente, muitos crentes são o oposto disto: são eles os promotores da discórdia, da dissensão, da divisão, da peleja. São apenas crentes nominais, pois tais obras são características de quem ainda vive na carne(Gl.5:20,21) e pessoas que devem ser evitadas(Rm.16:17).

Que possamos ter pacificadores e pessoas com credibilidade como tinha Jó, para que a paz reine em nossas igrejas locais e entre os irmãos. “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”(1Co 12:28).

2. "Não sabeis?" (6:3). No capítulo em estudo, esta pergunta é feita seis vezes! A sua estrutura no original, deixa ver que os crentes coríntios tinham sido ensinados por Paulo sobre problemas que ocorriam entre eles. Em Atos 18:11 isto está claro: “E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a Palavra de Deus”.

Com esta pergunta Paulo lembra os corintios de que hão de julgar os próprios anjos. É quase assustador ver como o apóstolo insere essa declaração importante na discussão. Sem grande estardalhaço ou preparação, ele revela a verdade extraordinária de que, um dia, os cristãos julgarão os anjos. O versículo 6 de Judas e 2Pedro 2:4,9 afirmam que os anjos serão julgados. Sabemos que Cristo será o Juiz (João 5:22). Com base em nossa união com Cristo, o apóstolo pode afirmar que haveremos de julgar os anjos no porvir.

Se somos considerados qualificados para julgar anjos, devemos ser capazes de tratar dos problemas cotidianos desta vida. Era uma vergonha que na igreja de Corinto não havia ninguém capaz de julgar os pequenos conflitos (6:2). Paulo disse: “Para vos envergonhar o digo. Será que não há entre vós sequer um sábio, que possa julgar entre seus irmãos?”(6:5).

Sinceramente, se Paulo pudesse ver a situação das igrejas locais hoje, onde as discórdias são quase culturais, certamente ele ficaria muitíssimo angustiado e tremendamente envergonhado.


III - ENSINOS FINAIS SOBRE LITÍGIOS E INIMIZADES (6:5-8)

1. As causas das contendas.  Várias foram as causas. Vamos citar aqui apenas cinco: Em primeiro lugar, a falta de união entre os cristãos da igreja de Corinto. Como estudamos na lição nº 03, Corinto era uma igreja divida em grupos partidários. O partidarismo trouxe severos prejuízos à espiritualidade e ao desenvolvimento da obra de Deus naquela cidade ímpia. Contudo, o maior prejuízo, estava ligado aos relacionamentos entre os irmãos em Cristo. O ELO, que é o amor, que liga o relacionamento entre os irmãos, estava quebrado. É tanto que ele dedica um capítulo inteiro sobre o amor (capítulo 13). O amor é o Sobretudo do cristão. É a primeira coisa que deve ser visto no cristão. No rol de virtudes do Fruto do Espírito(Gl :22), ele aparece em primeiro lugar.

Em segundo lugar, ausência de autoridade para julgar pendências entre os membros. O apóstolo Paulo diz que eles mesmos, os crentes, faziam coisas ruins uns contra os outros: “Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano e isso aos irmãos”(6:8). E os ofendidos e prejudicados revidavam indo aos tribunais seculares, causando um verdadeiro problema de ordem moral e, por conseguinte, prejuízo à pregação do evangelho.

Em terceiro lugar, ausência de maturidade. Embora se considerassem sábios aos olhos humanos, receberam a reprimenda de Paulo: Para vos envergonhar digo: Não há, pois, entre vós, sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos? O caso aqui se referia a uma igreja que não tinha maturidade para julgar coisas internas; crentes que faziam maldades uns com os outros e crentes que se sentiam ofendidos e prejudicados e buscavam na justiça secular a reparação do dano. Tal situação envergonhava o nome do Senhor pelo fato de que juizes ímpios tomavam conhecimento de problemas internos da igreja local. Como poderiam aqueles crentes pregar o Evangelho de forma adequada se não conseguiam resolver questões internas? Aqueles que iam julgar o mundo e os anjos começavam mal na escola das decisões seculares.

Em quarto lugar, o desejo de vingança. Fica claro que eles seguiam a “lei de talião”(olho por olho, dente por dente) do Antigo Testamento(Ex 21:24). Vingar-se é descumprir a “lei áurea” de Cristo de amar até os inimigos e fazer bem aos que nos aborrecem(Lc 6:27). Só existe um tipo de vingança que é legal e legitima, de acordo com a Bíblia: a vingança de Deus(Rm 12:19-21; 1Pe 3:9).

Em quinto lugar, havia homens na congregação de Corinto que ainda não tinham conhecimento de Deus – “Acordai para a justiça e não pequeis mais; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa”(1 Co 15:34). Esses homens não eram cristãos verdadeiros, mas lobos em pele de ovelha, falsos mestres que se haviam infiltrado sem que ninguém percebesse. Para vergonha dos coríntios, esses indivíduos tinham liberdade de participar da congregação com os cristãos e ensinar doutrinas corrompidas. A negligência que permitiu a ímpios entrar na igreja local resultou em um declínio de seu nível moral, dando ocasião à introdução de erros de todo tipo, inclusive causando contendas. Que Deus nos guarde desses lobos!

2. O cristão e a justiça secular. Para vos envergonhar o digo. Será que não há entre vós sequer um sábio, que possa julgar entre seus irmãos? Mas vai um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos? Na verdade já é uma completa derrota para vós o terdes demandadas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes a fraude?”(6:5-7).

Por que Paulo disse que os cristãos não deveriam levar suas demandas aos incrédulos nos tribunais seculares?

a) Porque se o juiz e o júri não forem cristãos, provavelmente não serão sensíveis aos valores cristãos;

b) Porque a base para ir a um tribunal é frequentemente a vingança. Isso nunca deve ser o objetivo de um cristão;

c) Porque os processos judiciais acarretam danos à causa de Cristo e tornam a imagem da igreja negativa, levando os incrédulos a enfocarem mais os problemas do que o verdadeiro propósito da igreja.

Paulo não defende a idéia de deixar os violadores da lei defraudarem o próximo, nem serem uma ameaça à vida ou ao bem-estar dos outros. Sua declaração no versículo 7, indica que ele está falando das disputas mínimas, em que a injustiça sofrida pode ser suportada e tolerada -"Na verdade, é já realmente uma falta entre vós terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano e isso aos irmãos."

A atitude dos corintios era bem diferente. Em vez de se mostrarem dispostos a aceitar a justiça e o dano causado por outros, estavam cometendo injustiça contra outros, até mesmo contra seus próprios irmãos em Cristo – “Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano e isso aos irmãos”(6:8). E Paulo adverte que para aquelas pessoas cuja vida é caracterizada pela injustiça não herdarão o reino de Deus: -Não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus?”(6:9). E para refrescar a memória dos cristãos corintios, o apóstolo apresenta, no versículo dez, uma lista de pecadores que não terão parte no Reino de Deus. Sua intenção é mostrar que quem pratica tais pecados não pertence a Cristo.

MAS, QUANDO FOR NECESSÁRIO, O CRISTÃO DEVE OU NÃO RECORRER À JUSTIÇA SECULAR?

Nos versículos 5 a 7, Paulo não está dizendo que o cristão não deva recorrer à autoridade civil quando necessário. Quando ocorrem disputas banais (ou mínimas) entre os cristãos, isso deve ser julgado na igreja e não na justiça secular; a igreja deve julgar entre aquilo que é certo ou errado, dar seu veredito e disciplinar o culpado, se necessário for, conforme ensina Jesus em Mateus 18:15-17:Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão;  mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu”.

Porém:

a) Isso não significa que o crente não possa ir à justiça, em casos graves ligados a incrédulos. O próprio apóstolo Paulo apelou ao sistema judiciário mais de uma vez(ver At 16:37-39;25:10-12).

b) A igreja não deve permitir que seus membros abusem ou maltratem ilicitamente os inocentes, como viúvas, crianças ou os indefesos. Se possível, deve levar à justiça comum, mas antes deve ser dirimida com base na Lei de Cristo, conforme determina o Senhor Jesus em Mateus 18:15-17.

c) Quando um suposto “irmão” se divorcia ou abandona sua família e se recusa a sustentar sua esposa e filhos com pensão alimentícia, uma mãe, com motivos justos e ante a necessidade dos filhos, pode apelar à justiça secular.


CONCLUSÃO
Vivemos em uma sociedade de direito, onde o Estado defende os seus interesses e dos seus cidadãos. Este mesmo Estado disponibiliza para a nação a utilização do chamado poder judiciário, onde os cidadãos podem recorrer quando possuem pendências. Como cidadãos, temos a prerrogativa de utilizar o direito para defender nossos interesses quando formos lesados. Mas, quando existem pendências entre crentes, a igreja deve ser procurada para sanar a questão, e não pode se eximir desta obrigatoriedade bíblica(Ensinador Cristão).

 

RESPONDA
1. Explique a razão pela qual Paulo adverte a igreja contra o litígio entre irmãos.

R. A gravidade da advertência de Paulo estava no fato de que os juízes arbitravam as demandas segundo as leis, idéias e costumes do paganismo reinante entre os gregos e romanos.

2. O que revela o estudo do capítulo 14 de 1 Corintios?

R. Revela que nos cultos em Corinto havia bastante movimento, demonstrações carismáticas, mas também muita meninice e emocionalismo, que não devem ser confundidos com as reais manifestações do Espírito.

3. O que a Bíblia ensina sobre o julgamento do mundo e dos anjos em 1 Corintios 6?

R. A Bíblia afirma que, sob Cristo, o mundo e os anjos maus serão julgados pela Igreja no futuro.

4. Quais as causas da contenda em Corinto?

R. Os crentes cometiam injustiça, lesavam os outros; os coríntios estavam sendo enganados; alguns não eram convertidos.

5. Você é a favor de que um crente conduza o outro aos tribunais humanos? Justifique sua resposta.
R. Resposta pessoal.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Corinto, uma igreja com problemas de disciplina – Augustus Nicodemus Lopes. Conflitos interpessoais - Anísio Renato de Andrade