Aula 07

CONSIDERAÇÕES ACERCA DO CASAMENTO

Leitura Bíblica: 1 Corintios 7:1-16

17/05/2009

Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne”(Ef 5:31)

 

INTRODUÇÃO

Nos capítulos anteriores, 5 e 6 da epístola aos Coríntios, Paulo condena o indecoro moral na igreja local, e mostra o antídoto contra isso: o casamento no Senhor. Neste capítulo, o capítulo 7, Paulo responde as perguntas feitas pela igreja de Corinto a respeito da vida conjugal. Os cristãos daquela corrupta cidade estavam cercados pela tentação sexual, e Paulo teve de escrever preciosas instruções, que são valiosíssimas para a igreja hodierna, referentes ao sexo e ao comportamento dos cônjuges no casamento (7:1-7), à situação dos solteiros e viúvas(7:8,9), ao casal cristão(7:10,11), ao casamento misto(7:12-16) e ao estado(casado ou solteiro) de cada crente(7:17-35). Aqueles irmãos precisavam de instruções específicas, especiais, por causa dos padrões imorais de sua cultura. É difícil resistir às tentações sexuais porque elas apelam para os desejos naturais e normais que Deus nos deu. O casamento é o meio concedido por Deus para satisfazer esses desejos e para fortalecer os cônjuges contra a tentação.

 

I – CASAMENTO OU CELIBATO

Nos últimos capítulos, Paulo tratou de diversos abusos na igreja de Corinto, dos quais ficara sabendo por meio de um relato em primeira mão. Agora, está preste a responder a perguntas enviadas a ele pelos cristãos coríntios – “Ora, quanto às coisas que me escrevestes...”. A primeira pergunta diz respeito a CASAMENTO OU CELIBATO.

Na cultura judaica, o casamento era uma obrigação sagrada, pois a família estava no centro da sociedade. Já alguns gregos consideravam o estado de solteiro superior ao de casado, por influencia da cultura grega. Paulo deixou essa decisão para cada pessoa, conforme sua vocação, e mostrou as obrigações de cada estado. Essa, portanto, é uma decisão que cada pessoa deverá tomar.

1. Casar ou não casar? O apóstolo começa o capítulo 7 estabelecendo o princípio mais amplo: “... bom seria que o homem não tocasse em mulher”(7:1). Essa resposta instrutiva de Paulo deve ser observada à luz do versículo 26: “Acho, pois, que é bom, por causa da instante necessidade, que a pessoa fique como está. Um período de grande aflição e perseguição estava para vir sobre os cristãos, de então, e nessa situação, a vida conjugal seria difícil.

Note-se que “não tocar em mulher significa, aqui, não se casar. O apóstolo não sugere que o celibato é mais santo que o casamento; diz apenas que, para quem deseja dedicar-se ao serviço do Senhor sem distrações, é melhor ser solteiro.

A Bíblia não impõe que a pessoa seja casada e nem o celibato a quem quer que seja. Porém, no estado do celibato, o homem e a mulher devem manter-se sexualmente abstênios. A intimidade sexual é limitada ao matrimônio. Somente nesta condição ela é aceita e abençoada por Deus (ver Gn 2:24; Ef 5:21).

SEXO ANTES DO CASAMENTO É REALMENTE PECADO?

Há quem ensine, em nossos dias, que qualquer intimidade sexual entre jovens e adultos solteiros, tendo eles mútuo “compromisso”, é aceitável, uma vez que não haja ato sexual completo. Tal ensino peca contra a santidade de Deus e o padrão bíblico da pureza. A prática sexual fora do casamento é claramente transgressão dos padrões morais de Deus para seu povo (1Co 6:18; 1Ts 4:3).

Justificar intimidade premarital em nome de Cristo, simplesmente com base num “compromisso” real ou imaginário, é transigir abertamente com os padrões santos de Deus. É igualar-se aos modos impuros do mundo e querer deste modo justificar a imoralidade. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se(7:9). O texto é claro a este respeito; não dá margem para que aliviemos nossos desejos sexuais fora do matrimônio. Isto não indica de forma alguma que a motivação de se casar seja apenas o sexo; cuidado com isto, pois muitos caem nesta cilada!

Assim, vemos que biblicamente, o sexo deve ser feito apenas no casamento. Praticá-lo de outra forma, constitui-se um pecado sujeito a julgamento (I Co 6:9-13;18;20; Efésios 5:3-7; Colossenses 3:5-6, etc), pois o propósito original de Deus é desvirtuado, trazendo assim prejuízos à felicidadee saúde humana.

Temos de ser honestos em reconhecer que não é das coisas mais fáceis ser puro sexualmente, especialmente na sociedade moderna. Todos os dias somos bombardeados pela mídia com cenas de sexo ou abordados a respeito deste assunto. A cultura na qual vivemos de certo modo nos influencia muito, inclusive em nossos conceitos. Porém, isto não nos dá a liberdadede transgredirmos a lei moral de Deus. O cristão é guiado pelo Espírito Santo e não pelas opiniões alheias.

E se alguém errou? Nunca é tarde para recomeçar. Deus perdoa todos os pecados, desde que os confessemos (Salmo 32:5; Miquéias 7:19; I João 1:7-9, etc). Pelo sacrifício de Jesus podemos ser purificados e tornados santos, com se nunca tivéssemos errado. Basta ir a Ele, confessar os erros e abandonaro pecado com o auxílio de seu grandioso poder. Jamais nos esqueçamos do amor de nosso Senhor e que nosso Criador é o Deus das novas oportunidades.

EFEITOS NEGATIVOS DO SEXO PRÉ-CONJUGAL:

a) Efeitos emocionais negativos (na grande maioria das pessoas): culpa, ciúme, ansiedade, medo de uma gravidez, etc... ;

b) Problemas de relacionamento: entre os namorados, familiares... ;

c) Efeitos espirituais: culpa, medo de Deus, ausência de vontade de estudar a Bíblia e orar... ;

d) Efeitos físicos: aumenta as possibilidades de uma gravidez indesejada e de contrair doenças venéreas.

Se ao nos relacionarmos sexualmente presenciamos alguns destes efeitos, o mesmo não está nos beneficiando; e isto não é da vontade de Deus. Ele quer que desfrutemos deste presente da melhor maneira. Quando Deus nos ensina a maneira correta de fazer sexo, o faz para nosso próprio bem.

Fugir é a recomendação bíblica mais apropriada para se evitar a prática do sexo ilícito. A Bíblia ordena: “... resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”(Tg 4:7). Resistindo, o diabo foge, porém, a Bíblia não manda resistir à prostituição, mas, manda fugir dela. Aqui é o crente que tem que fugir. “Fuji da prostituição...”(I Co 6:28) - esta é a palavra de Paulo a todos.  “Foge, também, dos desejos da mocidade...”(II Tm 2:22) - esta é a palavra de Paulo aos jovens. Assim, em relação à Prostituição, a melhor defesa é fugir. Alguém pode dizer: “eu sei até onde posso ir”, porém, Paulo diz: “foge”! Outros podem dizer que fugir é covardia, mas, Paulo diz: “fugi”!  José fez isto – fugiu(Gn 39:7-12).

 

II – A NECESSIDADE DO CASAMENTO(7:2-5)

O casamento tem por objetivo não somente a necessidade do homem de procriação e de companhia, mas também de satisfazer suas necessidades sexuais. Na cidade de Corinto a imoralidade sexual era descomedida e sem limite. E os cristãos daquela igreja, principalmente os incautos e os solteiros, corriam sério perigo em sua vida espiritual e no padrão moral familiar. Tal como era naquela cidade, acontece hoje. Por isso a recomendação de Paulo sobre a necessidade do casamento é bastante clínica: “mas, por causa da prostituição, tenha cada homem sua própria mulher e cada mulher seu próprio marido”(7:2). O casamento quando é realizado com amor recíproco preserva e protege a pureza moral da sociedade a partir da família.

Também, este versículo estabelece o princípio de que a ordem de Deus para seu povo permanece como sempre foi, a saber, que cada pessoa deve ter apenas um cônjuge - é o princípio da monogamia. A afirmação de que cada homem deve ter a sua própria mulher implica monogamia.

O escritor aos Hebreus diz que devemos respeitar o casamento e que este deve ser constituído “sem mácula”, ou seja, sem mancha (Hb.13:4). Qual seria a mancha deste casamento? O mesmo texto que nos manda respeitar o casamento responde: a prostituição, ou seja, a impureza sexual (que envolve toda e qualquer prática sexual antes do casamento) e o adultério (que é a prática sexual de um casado com quem não é seu cônjuge). 

Vejamos algumas atitudes e deveres cristãos concernentes ao casamento:

1. Obrigações recíprocas(7:3,4) – “O marido pague à mulher o que lhe é devido, e do mesmo modo a mulher ao marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido; e também da mesma sorte o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher”.

Paulo enfatizou um completo equilíbrio nas relações sexuais. Nem o homem nem a mulher devem buscar o domínio ou a autonomia. Fisicamente, nosso corpo pertence a nosso cônjuge, porque Deus projetou o casamento de forma que, através da união do marido e da esposa, os dois se tornassem um(Gn 2:24).

O compromisso do casamento importa em cada cônjuge abrir mão do direito exclusivo ao seu próprio corpo e conceder esse direito ao outro cônjuge. Isso significa que nenhum dos cônjuges deve deixar de atender os desejos sexuais do outro. Evadir-se da responsabilidade de satisfazer as necessidades maritais do outro cônjuge é expor o casamento às tentações de Satanás no campo do adultério: “Não vos negueis um ao outro, senão de comum acordo por algum tempo, a fim de vos aplicardes à oração e depois vos ajuntardes outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência”(7:5).

2. Abstinência temporária(7:5,6). 7:5 – “Não vos negueis um ao outro, senão de comum acordo por algum tempo, a fim de vos aplicardes à oração e depois vos ajuntardes outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência”. 7:6 – “Digo isto, porém, como que por concessão e não por mandamento”.

É possível que, ao aceitar Cristo, alguns crentes corintos tenham passado a considerar a intimidade conjugal incompatível com a santidade cristã. Paulo corrige essa idéia equivocada. Aqui, o apóstolo lhes diz firmemente que marido e mulher cristãos não devem privar-se um do outro, ou seja, negar ao cônjuge os seus direitos no tocante ao corpo. A abstinência sexual só é permitida mediante quatro condições: (a) por consentimento mútuo – o casal deve estar unânime sobre este assunto. Não pode haver discordância entre eles; (b) por algum tempo – Paulo não diz o período de tempo em que a abstinência pode ser aceita, mas está claro que não deve se passar muito tempo (7:5); (c) para se dedicar à oração – Só um motivo sublime como este deve haver a abstinência sexual entre os cônjuges; (d) tornem a ajuntar-se para que o Diabo não os tentasse pela incontinência – Acabado o período dedicado à oração, o casal deve se ajuntar novamente.

Satanás é astuto, ele usa todos os meios possíveis para destruir a família. Se destruir um casamento estável, certamente ele está atingindo o seu malévolo intento. Imagine se durante o período da abstinência para se dedicar à oração e a consagração um dos cônjuges ceda à tentação maligna e caia na desgraça do adultério? Era essa situação que Paulo não desejava ver na igreja. E no versículo 6 Paulo diz que em determinadas circunstâncias é permitido a um casal abster-se do ato conjugal, mas que essa abstinência é uma permissão, e não um mandamento. Os cristãos não são obrigados a abster-se desse ato a fim de se dedicarem inteiramente à oração.

 

III – O SOLTEIRO (7:7-9)

1.Cada um tem de Deus o seu próprio dom(7:7).”Contudo queria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele”. Estar casado ou solteiro é um dom de Deus. Um estado (casado ou solteiro) não é moralmente melhor que o outro. Ambos são valiosos para realizar os propósitos de Deus. Por essa razão, é importante aceitarmos nossa atual situação.

Quando Paulo disse desejar que todos as pessoas fossem como ele (solteiro), expressava seu desejo de que mais pessoas se dedicassem completamente ao ministério sem preocupações com um cônjuge e uma família, assim como ele. O crente pode permanecer solteiro por tempo indeterminado para realizar propósitos específicos de Deus. Todavia, isso requer não somente domínio próprio, mas um DOM (capacitação sobrenatural conferido por Deus) especial da graça divina, o qual não é concedido a todos – “... cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele”. Paulo quer dizer que Deus dá graça a alguns para permanecerem solteiros, mas chama outros inequivocamente para se casarem. Trata-se de um assunto individual e, portanto, não convém adotar nenhuma legislação geral aplicável a todos.

2. O conselho de Paulo aos solteiros que desejam permanecer neste estado (7:8). “Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu”. Ele aconselha, portanto, aos solteiros e às viúvas que permaneçam no estado em que também ele está. A recomendação de Paulo aqui é meramente por causa das condições sombrias que a igreja estava passando ou ia passar. E nesta situação a vida conjugal seria muito difícil.

Jesus também abordou esse assunto em Mateus 19:12: “Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o”. Vejam que coisa, onde já se viu! Por que Jesus puxa exatamente o assunto de eunuco a essa altura? Porventura eunuco tem relações sexuais? Parece claro: Jesus está dizendo que quem deseja estar solteiro deve então viver como "eunuco": nada de casamento, logo, nada de prática sexual extraconjugal.

 

IV – COMPROMISSOS CRISTÃOS NO CASAMENTO (7:10, 11)

Todavia, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido; se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”.

1. A mulher e o marido não devem se separar. O apóstolo expressa diretamente a vontade do Senhor Jesus: aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor. As palavras de Paulo são dirigidas a casais em que ambos os cônjuges são cristãos. Elas mostram algo que havia ensinado pelo Senhor Jesus durante seu ministério na terra. Cristo já havia dado um mandamento explícito acerca dessa questão. Havia, por exemplo, proibido o divórcio, exceto nos casos de infidelidade(Mt 5:32;19:9). Naquela época o casamento era desfeito por qualquer razão; isto era apoiado tanto pela legislação romana quanto pela judaica(Mt 19:3b). Mas Jesus foi enfático e contundente com relação a esse desmanche leviano: “... qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”(Mt 19:9).

A instrução geral fornecida por Paulo é para que a mulher não se separe do marido. Paulo reconhece, porém, que em circunstâncias extremas pode ser necessário a mulher deixar o marido. É o caso do marido ou mulher descrente não querer mais habitar com o seu cônjuge, que é crente:E se alguma mulher tem marido incrédulo, e ele consente em habitar com ela, não se separe dele. Mas, se o incrédulo se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou a irmã, não está sujeito à servidão; pois Deus nos chamou em paz”(7:13,15). O ensino é claro. A iniciativa de separação não pode ser do crente. Porém, se o descrente tomar a iniciativa, não se deve impedir: aparte-se; porque neste caso o irmão, ou a irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz”.

Mas, quando o casal é crente, a recomendação é que a mulher não se aparte do seu marido. Mas se houver separação, a instrução é para que a mulher não se case, mas se reconcilie com seu marido. A separação não rompe o vínculo matrimonial; antes, dá oportunidade para o Senhor curar as diferenças que causaram o afastamento e restaurar ambas as partes à comunhão com ele e um com o outro. O marido recebe a ordem de não se apartar de sua mulher, ou seja, de não se divorciar dela.   A Bíblia não abre nenhuma exceção para o homem.

CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES IMPORTANTES

O casamento é uma aliança. Aliança é o termo Bíblico que descreve a relação homem e Deus no processo de salvação. Nas Escrituras, uma aliança é um pacto solene que envolve um soberano e um súdito. A aliança é imposta ao segundo pelo primeiro e acarreta bênção quando cumprida e maldição quando quebrada.

Quando alguém entra numa aliança, assume um inescapável compromisso. A Bíblia fala que Deus fez uma aliança conosco. E essa aliança é um vínculo inquebrável com Deus. Deus não quebra aliança e não nos permite quebrá-la também. Quando alguém que está em aliança com Deus, desobedece e não aceita as condições estipuladas por esta aliança, a consequência é a maldição, mas Deus não quebra sua aliança. Portanto, o casamento é nada menos que uma aliança estipulada por Deus. Malaquias 2:14 se refere ao casamento como uma aliança: "E perguntais: Por que? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança". É por isto que Ele odeia o divórcio. No livro de Provérbios 2:17, Deus adverte contra a adúltera que lisonjeia com palavras, que "deixa o amigo da sua mocidade e se esquece da aliança com Deus". Note bem, ao deixar a pessoa com quem ela se casou, é acusada de quebrar sua aliança. Portanto, o casamento é uma aliança, e por isto não podemos tratá-lo a nosso próprio gosto.

O QUE DEUS DIZ SOBRE O DIVÓRCIO?

O pensamento correto sobre a natureza do casamento dá o alicerce para sabermos o que Deus pensa do divórcio. Se o nosso Deus é um Deus de aliança, e Ele não quebra nem permite quebra de aliança, também não permite que o casamento seja quebrado. Como Deus não se divorcia do seu povo, assim ele não permite que marido e mulher se divorciem. Divorciar-se é quebrar o matrimônio da Aliança. Lemos em Malaquias 2:16: "Porque o Senhor Deus de Israel diz que odeia o divórcio...”.

Precisamos compreender o texto de Mateus 19:1-7 em que Jesus diz que o divórcio é proibido, mas que foi permitido por causa da dureza do coração. Deus nunca intencionou o divórcio, pois este contraria a essência do casamento como uma aliança que nunca deverá ser quebrada, anulada. Você então pergunta: Por que foi dada a permissão para o divórcio conforme Mateus 19:7? Jesus responde em Mateus 19:9: "Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério...". Note bem que a única razão para o divórcio conforme Jesus é o adultério, e isto para proteger a parte inocente, e não para dar às pessoas uma maneira fácil de cair fora de um relacionamento desagradável. Fora do adultério, o casamento só pode ser dissolvido em honra, somente pela morte. Divórcio é o atestado do pecado humano.

O casamento é para todo o sempre - Em Mt 19:6 Jesus afirma que "... o que Deus ajuntou não separe o homem". Ele permitiu o divórcio nesse caso extremo, mas não deu a sua bênção. Mesmo no caso de adultério, devemos perceber que o caminho de Deus não é o divórcio, mas o perdão. Embora permitido o divórcio, não é seu desejo.

O DIVÓRCIO ACONTECEU E AGORA? Há crentes que quando se divorciam deixam a igreja, se afastam, mas é nessa hora que eles mais precisam de Deus. O crente divorciado precisa fazer uma avaliação do porque do divórcio, corrigir erros, ou até quem sabe pedir perdão. Mas o que ele precisa saber é que Deus o ama, e que sempre o dará oportunidade de ser feliz. É por isso que ele é misericordioso e cheio de graça.

A Bíblia nunca usa a expressão "viver em adultério"; usa sim "cometer adultério". Mesmo tendo começo adúltero, uma segunda união também tem existência e é reconhecida por Deus. Perez entrou na linha do Messias embora sendo produto da união vergonhosa de Judá e Tamar (Gn. 38). A prostituta Raabe passou a ser tataravó do rei Davi apesar de sua vida sórdida. O exemplo culminante deve ser o de Davi e Batseba; sua união teve início da maneira mais pecaminosa e criminosa possível (adultério e assassinato, bastante covarde, aliás), mas mesmo assim Deus a reconheceu e inclusive a abençoou ao ponto de colocar o fruto dessa união, Salomão, no trono e inclusive permitir que ele construísse o templo, que Deus destacou com sua glória Shekinah. Quer dizer, se alguém está vivendo fielmente com um segundo cônjuge a frase "vivendo em adultério" não se aplica, mesmo que cometeram adultério ao dar início à união. Uma vez que existe uma segunda união, ela existe tanto quanto a primeira e não há como desfazê-la. Um segundo divórcio nada resolve.

MENSAGEM AO IRMÃO DIVORCIADO: A história conta e registra sobre um grande terremoto que destruiu a cidade de Lisboa, e o rei de Portugal chamou o seu general e perguntou-lhe: “o que faço agora? E o general lhe respondeu: vamos enterrar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”. Caro irmão divorciado, ENTERRE OS MORTOS, ou seja, se seu casamento não deu certo, não se prenda a fantasmas do passado, não se sente em um local e fique a lamentar, não desista da vida. CUIDE DOS VIVOS, pois a vida continua: você tem filhos, tem parentes, amigos, tem a igreja. FECHE OS PORTOS, ou seja, não permita que sentimentos negativos tomem conta de você, levante a cabeça seja um vencedor. Lembre-se, Jesus veio para dar vida e vida em abundância. Recomece com Deus, faça diferente, seja fiel. Tenha cuidado para não praticar novamente esse terrível erro, abominável aos olhos de Deus: o divórcio.

2. Conversão do cônjuge após o casamento(1Co 7:12-16). 12: Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher incrédula, e ela consente em habitar com ele, não se separe dela. 13: E se alguma mulher tem marido incrédulo, e ele consente em habitar com ela, não se separe dele. 14: Porque o marido incrédulo é santificado pela mulher, e a mulher incrédula é santificada pelo marido crente; de outro modo, os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos. 15: Mas, se o incrédulo se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou a irmã, não está sujeito à servidão; pois Deus nos chamou em paz. 16: Pois, como sabes tu, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, como sabes tu, ó marido, se salvarás tua mulher?

Estes versículos tratam do problema de um casamento em que apenas um dos cônjuges é cristão. Provavelmente isso se refere à situação na qual um dos cônjuges foi salvo depois de casado. Mas é bom ressaltar que essa passagem não aprova o casamento entre cristãos e incrédulos.

“Se algum irmão tem mulher incrédula, e ela consente em habitar com ele, não se separe dela”. Por causa do desejo de servir a Cristo, algumas pessoas na igreja corintia pensavam que deveriam divorciar-se de seu cônjuge pagão e se casar com um cristão. Mas Paulo reafirmou o compromisso do casamento. O ideal de Deus é que marido e esposa permaneçam juntos, mesmo quando um dos cônjuges não for crente.

O cônjuge cristão deve tentar ganhar o outro para Cristo. Seria fácil pensar no rompimento do relacionamento, porém, Paulo enfatizou que se deve permanecer com o cônjuge incrédulo e ser uma influência positiva na união. Assim como Jesus, Paulo acreditava que o casamento deve ser para sempre(ver Mc 10:1-9).

“Porque o MARIDO incrédulo é santificado pela mulher, e a MULHER incrédula é santificada pelo MARIDO crente”. Quando no casamento, um dos cônjuges é incrédulo, tal casamento bem como os filhos nascidos dele são legítimos diante de Deus. Na verdade, a presença do cristão em um lar incrédulo exerce influencia santificadora. Aqui, não quer dizer que o marido incrédulo é salvo ou santificado por sua esposa. Antes, significa que ele tem a felicidade de possuir uma esposa cristã que ora por ele. A vida e o testemunho dessa mulher influenciam esse lar para Deus. Do ponto de vista humano, existe maior probabilidade de que esse homem casado com uma cristã piedosa (temente a Deus) seja salvo do que se fosse casado com uma incrédula. Ou seja, ele se vê sob uma influência espiritual que contém a possibilidade da conversão.O mesmo principio se aplica, evidentemente, à esposa incrédula cujo marido é crente. Neste caso, a esposa incrédula é santificada.

“... de outro modo, os vossos FILHOS seriam imundos; mas agora são SANTOS”. Aqui, Paulo explica que são santos os filhos nascidos da união em que apenas um dos cônjuges é cristão. O termo santo não indica, de maneira alguma, que os filhos em si são santificados, ou seja, que vivem de modo limpo e puro. Antes, significa que são separados e colocados em posição de privilégio. Pelo menos um de seus pais ama ao Senhor e lhes contará sobre o amor de Cristo e o seu plano salvífico. Existe a grande possibilidade de serem salvos. Eles têm o privilégio de viver em um lar no qual um dos pais possui, dentro de si, a presença do Espírito Santo. Neste sentido, portanto, eles são santificados.

“Mas, se o incrédulo se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou a irmã, não está sujeito à servidão. Caso aconteça do cônjuge descrente abandonar ou divorciar-se do cônjuge crente, o relacionamento conjugal é dissolvido e o crente está livre das suas obrigações conjugais anteriores. “Neste caso... não está sujeito à servidão”, significa que o crente fica desobrigado do contrato conjugal anterior. A palavra “servidão” significa literalmente “escravizar”. Neste caso, o crente fiel já não está escravizado aos seus votos conjugais. Tal cônjuge crente abandonado fica livre para casar-se de novo, mas só com um crente (7:39). Contudo, é bom ressaltar que o propósito principal da carta de Paulo era exortar as pessoas casadas a buscarem a união, não a separação(ver 7:17; 1 Pe 3:1,2).

 

CONCLUSÃO

O cônjuge cristão precisa compreender o valor da sexualidade, e ser grato a Deus por isso. O impulso sexual caracteriza o instinto de preservação da espécie. Depois da Queda, no Jardim do Éden, o homem pecador passou a deturpar este impulso divino, gerando as muitas aberrações que sabemos existir hoje, mas isso não invalida a intenção de Deus em abençoar o homem e perpetuar a espécie através da sexualidade sadia. É dentro do casamento que a prática sexual é considerada saudável e tem a bênção de Deus, além de dar alegria e prazer ao cônjuge(Hb 13:4). Todavia, o desejo sexual deve ser disciplinado se quisermos viver de acordo com a vontade do Pai. Satanás, com seus ardis, tem trabalhado em favor da banalização do sexo e da destruição do casamento. Portanto, estejamos atentos às suas ciladas e oremos mais a favor da família. Amém!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Corinto, uma igreja com problemas de disciplina – Augustus Nicodemus Lopes. O Deus da Aliança Odeia o Divórcio - Rev. Gildásio Reis. A Importância da Sexualidade no Casamento - Pr. Elinaldo Renovato de Lima