Aula 08

AS COISAS SACRIFICADAS AOS ÍDOLOS

Leitura Bíblica: 1Corintios 8:1–4; 10:14,18-22

24/05/2009

 

“As coisas que os gentios sacrificam, sacrificam-nas a demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios”( 1Corintios 10:20).

 

 

INTRODUÇÃO

Nesta aula veremos mais um problema incisivo de ordem doutrinária que existia na igreja de Corinto. Deveriam os cristãos comer carne de animais que originalmente eram oferecidos às divindades pagãs? Essas carnes podem ser oferecidas num jantar dedicado pelo anfitrião a um ídolo?

Nas cidades do primeiro século os animais oferecidos às divindades pagãs eram oferecidos em três porções: uma era queimada; a outra, entregue ao sacerdote e a terceira, ao doador. Era costume dos sacerdotes venderem porções de carne não utilizadas. Com isso, estava criado um complexo problema de ordem doutrinária. Estaria ou não contaminada essa carne? Alguns insistiam que não, haja vista que os deuses dos pagãos não eram de verdade. Outros estavam incomodados com associação com a idolatria. Aqueles que argumentavam que os ídolos nada são, pois somente Deus é real, estão certos(8:4-6). Não obstante, nem todos dispõem desse saber, e há os que se comprazem em corromper a consciência dos mais fracos, dos que não conseguem compreender que comer ou não comer é irrelevante para a verdadeira espiritualidade(8:7-8). Por demonstrar insensibilidade diante do mal que o exercício de sua liberdade causa ao fraco, o cristão forte peca contra o amor, o que é muito pior do que estar errado em questões doutrinárias(8:9-13). Em 1 Corintios 8:1-3, Paulo afirma que o amor é o melhor caminho para se tratar das diferenças. Quem ama se abre para Deus e aos outros, cresce espiritualmente e passa a entender a situação com mais clareza!

 

I – A CARNE SACRIFICADA: ASSUNTO ANTIGO, MAS CONTEMPORÂNEO

1. No Antigo Testamento(Dt 32:16,17). A idolatria é um pecado que o povo de Deus cometeu repetidas vezes, ao longo de sua história no Antigo Testamento. A idolatria é adorar, venerar, ajoelhar–se diante de ídolos, fazer-lhes orações, prostrar-se diante deles e prestar-lhes culto. Diversas passagens bíblicas relacionam o ídolo aos demônios, e o culto idólatra ao culto diabólico(Lv 17:7; 1Cr 11:15).

A Bíblia deixa claro que por trás de toda idolatria, há demônios, que são seres sobrenaturais controlados pelo diabo. Tanto Moisés quanto o salmista associam os falsos deuses com demônios. Veja: " Sacrifícios ofereceram aos diabos, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais”(Dt 32:17 ); " E serviram os seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios”(Salmos 106:36-37 ). Note, também, o que Paulo diz em 1 Corintios 10:20 a respeito de comer carne sacrificada aos ídolos: ”as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus”. Noutras palavras, o poder que age por detrás da idolatria é o dos demônios, os quais têm muito poder sobre o mundo e os que são deles.

O cristão sabe com certeza que o poder de Jesus Cristo é maior do que o dos demônios, por isso não deve temê-los, pois está escrito que o maligno não lhe toca(1 João 5:18; ver Salmo 91).

Satanás, como “o deus deste século”(2Co 4:4), exerce vasto poder nesta presente era iníqua(ver 1João 5:19). Ele tem poder para produzir falsos milagres, sinais e maravilhas de mentira(2 Ts 2:9; Ap 13:2-8,13-15; 16:13,14;19:20) e de proporcionar às pessoas benefícios físicos e materiais. Sem dúvida, esse poder contribui, às vezes, para a prosperidade dos ímpios(cf. Sl 10:2,6; 73:1-17).

Essa correlação entre a idolatria e os demônios vê-se mais claramente quando percebemos a estreita vinculação entre as práticas religiosas pagãs e o espiritismo, a magia negra, a leitura da sorte, a feitiçaria, a bruxaria, a necromancia, e coisas semelhantes(cf 2Rs 21:3-6; Is 8:19). Segundo as escrituras todas essas práticas ocultistas envolvem submissão e culto aos demônios. Isto significa dizer que, quando você se prostra diante de um ídolo, uma imagem de escultura, não importa quem, ou o que ela está representando, seja aonde for, em um templo ao ar livre, em um centro de magia, na verdade por traz desse ídolo, ou imagem, está um demônio.

Quando, por exemplo, Saul pediu à feiticeira de Endor que fizesse subir Samuel dentre os mortos, o que ela viu ali foi um espírito subindo da terra, representando Samuel(1Sm 28:8-14), isto é, ela viu um demônio. Um dos motivos da morte de Saul foi porque consultou essa feiticeira(1Crônicas 10:13).

Os ídolos sempre foram laços para o povo de Israel, a quem Deus elegeu como seu povo peculiar aqui na Terra. Pergunta-se: Por que a idolatria era tão fascinante aos israelitas?

a) Porque as nações ao redor de Israel criam que a adoração a vários deuses era superior à adoração a um único Deus, ou seja, quanto mais deuses melhor. O povo de Deus sofria influência dessas nações e constantemente as imitava, ao invés de obedecer ao mandamento de Deus no sentido de se manter santo e separado delas.

b) Porque os deuses das nações vizinhas a Israel não exigiam nenhum tipo de obediência a padrões morais, como o Deus de Israel. Por exemplo, muitas das religiões pagãs incluíam imoralidade sexual religiosa no seu culto, tendo para isso prostitutas cultuais. Essa prática sem dúvida atraia muitos israelitas. Deus, por sua vez, exigia padrões morais para o seu povo, vida de consagração, adoração com reverência.

Muitas religiões hoje também idólatras não exigem padrões morais de acordo com as escrituras sagradas, para elas o mais importante é que os ídolos sejam adorados. Todavia, só ao Senhor devemos prestar culto: “Então, disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: ao Senhor teu Deus, adorarás, e só a ele servirás”(Mt 4:10).

c) Porque acreditavam que os deuses da fertilidade prometiam o nascimento de filhos; os deuses do tempo (sol, lua, chuva etc.) prometiam as condições apropriadas para colheitas abundantes e os deuses da guerra prometiam proteção dos inimigos e a vitória nas batalhas. A promessa de tais benefícios fascinava os israelitas; daí, muitos se dispunham a servir aos ídolos, ou seja, aos demônios(cf Dt 32:17).

Por isso, o apóstolo Paulo advertiu a igreja de Corinto e adverte a igreja de hoje para não se envolver com a idolatria, como o povo de Israel no deserto. Ele diz: “Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para dançar”(1 Co 10:7). Aqui, ele fala da adoração ao bezerro de ouro e da festa subseqüente, conforme registrado em Êxodo 32. Diz mais: “Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil”(1 Co 10:8). Aqui ele está se referindo à ocasião em que o povo de Israel se prostituiu com as filhas dos moabitas(Nm 25). Seduzidos pelo profeta Balaão, eles desobedeceram à Palavra do Senhor e se entregaram à imoralidade e comeram carne sacrificada aos ídolos. Por causa disso foram mortos vinte quatro mil israelitas(Nm 25:9), sendo vinte cinco mil num só dia(1Co 10:8).

Que Deus nos guarde da idolatria e da participação de manjares oferecidos a ídolos, ou seja, a demônios. Atentemos o que o apóstolo João nos diz: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amem”( 1João 5:21).

2) No Novo Testamento. Tal qual no Antigo Testamento, há severa proibição ao povo de Deus em participar de qualquer ato que implica culto a ídolos, que como vimos no item anterior, é culto a demônios.

No Concílio de Jerusalém os apóstolos e anciãos, inspirados pelo Espírito Santo, recomendaram aos fiéis: “Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes” (Atos 15:29). Em suas diversas epístolas, os apóstolos condenaram duramente o envolvimento dos cristãos com a idolatria (I Co 10:14; I Pe 4:3; 1 João 5:21, etc). É evidente que a decisão dos apóstolos em Atos 15 conclama os cristãos a viverem no amor e, em nome desse amor, não escandalizarem cristãos fracos, nem com atitudes que, em si, não sejam pecado, nem com coisas francamente proibidas. Essa decisão tornou possível a convivência entre cristãos de origem judaica e cristãos de origem gentílica e também evitou que o cristianismo ficasse resumido a uma mera seita do judaísmo, em que se desse continuidade aos sacrifícios cerimoniais do Antigo Testamento cuja função era apontar para Cristo.

Vocês se lembram quando dissemos na aula anterior que os cristãos são como as peças de um motor, ou seja, são diferentes e se não houver lubrificação com óleo surge os atritos? O óleo é o símbolo do Espírito Santo, e nesse concílio ele “lubrificou as peças” e a igreja caminhou e conviveu harmoniosamente a ponto de revolucionar o mundo de então(ver Atos 17:6).

Assim como ocorria no judaísmo, os sacrifícios de animais eram comuns em diversas religiões. Era normal um homem oferecer o sacrifício de um animal a uma divindade. Parte desse animal sacrificado era consumida no altar, pelo fogo; outra parte era oferecida ao sacerdote que oficiara a reunião e o que restasse era devolvido ao ofertante do sacrifício. Esta última parte poderia se consumida em uma festa no templo, ou em sua residência, ou mesmo vendida no mercado. Eram, portanto, freqüentes as refeições nos templos pagãos. Desta influência surgiram dois problemas para a igreja de Corinto:

a) Os cristãos realizavam refeições na igreja em ambiente tumultuado e chamavam isso de ceia do Senhor. Os ricos levavam grande quantidade de comida e bebida para a igreja. Chegavam até a ficar embriagados (I Co 11:20-22). Enquanto isso, os irmãos pobres muitas vezes não tinham o que levar. Isso se tornava então uma situação constrangedora e humilhante. Por isso, Paulo perguntou: "Não tendes, porventura, casas onde comer e beber?" As reuniões da igreja não podiam reproduzir as refeições dos templos pagãos. Então, o apóstolo orienta como deve ser a ceia do Senhor: com reverência, ordem e santidade (I Co 11:23-34).

b) Outro problema é que as refeições nos templos pagãos eram acontecimentos sociais e, eventualmente, os cristãos poderiam ser convidados para participar. Estariam então diante de um alimento sacrificado aos ídolos. Paulo diz que, já que o ídolo é nada, é uma ilusão, então a carne sacrificada é como outra carne qualquer. Ali não existe nenhuma maldição nem contaminação. Porém, se um cristão, que antes adorava naquele templo pagão, vê um irmão comendo ali a carne do sacrifício, ele pode se sentir tentado a voltar à sua prática antiga. Cria-se então uma situação de tropeço e confusão.

Se a participação em tais refeições pode se tornar motivo de escândalo, então é melhor evitá-las (I Co 8). Ele diz também que o cristão não pode participar da mesa do Senhor (ceia) e da mesa dos demônios (refeições pagãs). Muitas vezes, a carne desses animais sacrificados ia parar nos mercados. Sobre isso, Paulo diz que o cristão deveria comprar sem preocupação (10:25). Não deveria nem perguntar sobre a origem da carne. Da mesma forma, se o cristão fosse almoçar na casa de um ímpio, deveria comer de tudo sem perguntar (10:27). Entretanto, se o anfitrião dissesse que aquela carne era de um sacrifício aos ídolos, o cristão deveria recusá-la, não por causa do ídolo ou por causa do animal, mas porque o comer poderia ser interpretado como participação na idolatria ou, no mínimo, aprovação (10:28).

Também, se você for convidado a participar de uma refeição na casa de um incrédulo e lá estiver presente um cristão com a consciência fraca e esse irmão informá-lo de que a carne servida foi sacrificada a ídolo, você deve comê-la? Não, pois ao fazê-lo poderia ofender a consciência do irmão mais fraco e levá-lo a tropeçar. Você também não deve comer a carne se seu ato constituir empecilho para um incrédulo aceitar o Senhor como Salvador.

Por que devemos ser limitados pela consciência das outras pessoas? Simplesmente porque devemos fazer rodas as coisas para a glória de Deus, até mesmo comer e beber(1 Co 10:31). Nada do que fazemos deve levar os outros crentes a cometer deslizes.

Tenhamos cuidado para não participarmos de atividades, refeições, reuniões ecumênicas e procissões vinculadas a ídolos, pois agindo assim, certamente, estaremos nos identificando com o próprio Diabo(1 Co 10:20,21). “Portanto, meus amados, fugi da idolatria”(1 Co 10:14).

 

II – O CRISTÃO DIANTE DAS FESTIVIDADES RELIGIOSAS PAGÃS

1. As festas religiosas pagãs no Antigo Testamento.  As festas religiosas pagãs no Antigo Testamento eram puramente manifestação de culto a ídolos. Um ídolo é meramente um pedaço de madeira ou de pedra, esculpido por mãos humanas, que nenhum poder tem em si mesmo, mas diversas passagens bíblicas o relaciona aos demônios, e o culto idólatra ao culto diabólico(Lv 17:7; 1Cr 11:15).

Antes conquistar Canaã, o Senhor advertiu severamente o povo de Israel a respeito dos maus costumes, feitiçarias, práticas e celebrações idólatras de seus habitantes (ver Ex 20:3-5; 22:20; 23:24,32; Dt 4:23,24; 6:14). Vinculada à proibição de servir outros deuses, havia a ordem de destruir todos os ídolos e quebrar as imagens de nações pagãs na terra de Canaã (Ex 23:24; 34:13; Dt 7:4,5; 12:2,3). Todavia, o povo desobedeceu a Deus e curvou-se diante dos falsos deuses cananeus(Jz 2:7-13,17; 6:10; 2 Ra 17:35,37,38). Por esta razão, “a ira de Deus se acendeu contra Israel”(Jz 2:14). Deus castigou os israelitas, permitindo que seus inimigos tivessem domínio sobre eles. Por causa da contumaz idolatria, Israel foi tirado de sua terra e espalhado por muitas nações.

Deus não suporta a idolatria, por isso tenhamos cuidado para não nos metermos em “caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte”(Pv 14:12). Assim como Israel não entrou na terra de Canaã (exceto Josué e Calebe, e aqueles que nasceram no deserto) por causa de sua desobediência ao Senhor, também aqueles, que nesta dispensação não servirem ao Senhor como é devido, não entrarão no reino dos Céus. É o que diz a Palavra de Deus: “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”( Ap 22:15).

2. As festas religiosas no Brasil. Em nosso país existem muitas festas religiosas não-cristãs, que são praticadas quase que culturalmente. Várias religiões manifestam-se principalmente através das festividades ligadas aos preceitos que caracterizam aquela religião, seita ou crença. Muitos cristãos, principalmente os incautos ou desprovidos de visão celestial, infiltram-se nessas festividades e participam de suas práticas como se isso fosse simplesmente um elemento de integração social e manifestação cultural. É aí que satanás usa de suas artimanhas deletérias para macular a ortopraxia cristã. Foi assim que Balaão levou os filhos de Israel a prevaricarem contra o Senhor, caindo nas ciladas do sincretismo religioso e da prostituição (ver Num 25:1-8; 31: 9,15,16; 2Pe 2:9-15; Ap 2:14). Ele foi morto por causa disso(Num 31:8).

Só para dar um exemplo, vou citar um tipo de festividade que é comum no Brasil, e muitos crentes participam dela como sendo uma manifestação cultural, mas na verdade a sua prática é uma manifestação idólatra, que demonstra uma tenebrosa realidade de culto a ídolos. É a chamada FESTA JUNINA.

No Brasil as festas juninas são celebradas desde 1583, que é uma cópia de costumes pagãos dos povos da Europa que festejavam nesta época do ano o início das colheitas. Foram trazidas pelos portugueses e espanhóis, também como uma forma de agradecer pelas colheitas, mas também como uma maneira de homenagear os santos do mês de junho, que apesar do nome acontecem também no mês de julho, a saber: Santo Antonio, São João(João Batista) e São Pedro. O primeiro inicia as festas, que é 13 de junho; e os outros dois são homenageados, respectivamente, nos dias 24/06 e 29/06. Durante estas festas são praticados os seguintes ritos:

v      A Quadrilha. É a dança mais praticada pelos juninos. As músicas mais usadas são o carimbó, o xote, o siriá e o lundum, sempre com os trajes típicos.

v      A fogueira. Este rito surgiu da seguinte lenda pagã: “Santa Isabel, grávida de São João, era prima de Maria, mãe de Jesus. Ela estava morando nas montanhas e, para poder avisar Maria quando seu filho nascesse, combinou de acender uma fogueira. Desde então, a prática virou costume e é realizada no dia 23 de junho”. Para o crente que é estudioso da Bíblia, mesmo o mais osmótico, vê com facilidade que isto não tem base bíblica.

v      Os Fogos. Durante as festas juninas é costume soltar fogos, que segundo os adeptos, são para espantar o mau-olhado.

v      Os balões. Os balões surgiram com o intuito de “enviar mensagens a São João Batista”.

À luz da Palavra de Deus pode-se afirmar que quem pratica ou participa de festas juninas estão praticando a idolatria. A Bíblia é bastante clara e contundente com relação a isso: E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo de Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”(2 Co 6:16). Mas, quanto... aos feiticeiros, e aos idólatras... a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte”(Ap 21:8)(Veja ainda 1Co 6:10;Ap 22:15).

Infelizmente, nos dias atuais a permissividade tem sido bastante aceita pelas igrejas que se dizem evangélicas. Já é possível encontrar-se igrejas "evangélicas" montando "arraiais juninos", "quadrilhas" e outras manifestações comuns ao paganismo católico.

As sutilezas satânicas, como aprendemos na EBD, na 1º lição do 2º Trimestre/2006, embriagam cada vez mais os incautos, sob o manto da permissividade que tem promovido cada dia a decadência espiritual das igrejas locais, seja qual for a denominação.

Portanto, qualquer festa ou homenagem de caráter religioso a alguém que não seja o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é idolatria. E quando louvamos, buscamos, veneramos, idolatramos ou consultamos a alguém morto, estamos praticando a necromancia (culto aos mortos) o que é abominação ao Senhor, baseado no capítulo 18 de Deuteronômio. “Filhinhos, guardai-vos  dos ídolos. Amém”(1João 5:21).

3. A idolatria do coração. Deus conhece o coração do ser humano e sabe da sua propensão à idolatria, que tem origem no coração, ou seja, a sua manifestação é o reflexo do que retrata o interior do ser humano. Como diz o pr. Antonio Gilberto, a idolatria está arraigada no âmago da criatura humana.

O que é um deus, ou ídolo dominante na vida de alguém? É tudo aquilo que ocupa sempre o primeiro lugar no coração de uma pessoa. Talvez hoje não mais encontremos por aí o horrendo Moloque, nem a infame Diana dos Efésios. Mas a moderna idolatria, além de seu aspecto tradicional e grosseiro (a adoração de imagens de escultura) vem, de forma sorrateira, furtiva e até subliminar, minando a resistência do povo de Deus.

Muitos são os crentes que se vem deixando contaminar pelos promotores desse perverso e ímpio sistema idolátrico que, nos meios de comunicação, recebe os mais insinuantes títulos: humanismo, nova era, regressão psicológica, prosperidade, pensamento positivo, liberação sexual, etc.

Os agentes da impiedade não poupam esforços; sabem como insuflar suas doutrinas até entre os santos. Estejamos alerta! Não podemos traficar com a glória divina, nem trocá-la pelos ídolos sejam quais forem as formas com que estes se apresentem. O Senhor não negocia a Sua Majestade. Vejamos alguns ídolos que já se introduziram no meio do povo de Deus:

a) MAMOM – O DEUS DO DINHEIRO - Numa frase que lembra os antigos provérbios, afirmou certa vez Francis Bacon: ”O dinheiro é como o adubo: só serve quando espalhado”. O que o genial filósofo inglês quis dizer é que, se o dinheiro não for usado a fim de promover o bem comum, não passará de um monte de esterco. É um deus que cheira mal. Desgraçadamente, não são poucos os crentes que, desconhecendo o senhorio de Cristo sobre suas aquisições materiais, transformaram-nas num crudelíssimo e perverso ídolo. Sem saberem, estão a adorar o espírito de Mamom.

b) BAAL-PEOR - O DEUS DOS PECADOS SEXUAIS. Os varões hebreus, seduzidos pelas moabitas, não somente prostituíram-se com elas, como também acabaram por adorar a divindade daquele povo pagão. O julgamento divino não tardou. Vinte e quatro mil israelitas são exterminados por Deus, que não pode aturar impureza entre os seus filhos. Não pense que o culto a Baal- Peor ficou no passado. Muitos crentes, sem o saberem, estão convivendo com essa abominação.

O culto a Baal era marcado pela crueldade e por uma devassidão que envergonharia até Sodoma e Gomorra. Em suas cerimônias havia: a) sacrifícios de vítimas humanas; b) orgias e os mais inimagináveis desregramentos; c) e, logicamente, louvores a Baal.

O velho Baal continua o mesmo. Tudo faz para induzir os santos à impureza. Seus profetas e adoradores também não mudaram. Vejamos, em resumo, como os seus cultos manifestam-se em nossos dias:

(1) Pornografia: Não são poucos os filhos de Deus que se acham arruinados espiritualmente em conseqüência de revistas, filmes, vídeos pornográficos, internet e até algumas novelas. O Senhor não atura tais coisas; são abomináveis aos seus olhos. Ele é Santo! E de seus filhos exige vida santa e irrepreensível (Ex 19:6).

(2) Diversões carnais: Não são poucas as diversões que, à semelhança de Baal-Peor, só trazem maldição e dolorosas conseqüências. Não podemos esquecer-nos dos filhos de Eli que, sob a cobertura do ministério paterno, pecavam e levavam o povo a pecar até que Deus os matou (I Sm 2.22). Infelizmente, somos obrigados a mencionar os shows promovidos em nossos púlpitos. Cantores e artistas, dizendo-se evangélicos, mas flagrantemente divorciados da graça de Deus, além de nos roubarem todo o tempo da Palavra, arrastam nossos jovens a uma vida leviana e descompromissada com Deus. A Igreja do Senhor não necessita de artistas e animadores em seus cultos, mas de homens e mulheres comprovadamente santos que adorem a Deus em espírito e em verdade (João 4:23, 24).

(3) Namoros permissivos: Embora estejamos no terceiro milênio, os padrões bíblicos não mudaram. A Palavra de Deus exige santidade e pureza de cada um de seus filhos. Isto significa que o namoro cristão tem de primar pela decência, compostura e moderação. Requer-se que os jovens cheguem virgens ao casamento. Pureza na alma e no corpo. Que tenham uma vida pura e santa; o Senhor haverá de julgar os fornicários e os que se prostituem (Ap 21.8).

(4) Roupas indecentes e lascivas: Deus exige que as vestes de seus filhos sejam modestas e decentes (I Tm 2:9 e I Pe 3:1-4). Os cristãos necessitam ter em mente que o seu corpo é templo do Espírito Santo. Tenhamos a coragem de entender que as modas lascivas e sensuais são contrárias ao padrão que a Palavra de Deus nos prescreve. Cuidado! Deus não mudou. Continua a exigir santidade e pureza de todos os seus filhos. Lembremo-nos da advertência do salmista: “Mui fiéis são os teus testemunhos; a santidade convém à tua casa, Senhor, para sempre” (Sl 93.5).

(5) Infidelidade conjugal: Numa sociedade permissiva e erotizada como a nossa, o adultério não é visto mais como algo reprovável. É toleravelmente aceito; é socialmente incentivado; é legalmente ignorado. A Bíblia não mudou! Adultério é adultério. Pecado é pecado. Ainda que busquemos justificativas teológicas a tais comportamentos, a verdade bíblica não será alterada (Ex 20:14; 1Co 6:18; 1Ts 4:3).

c) NEUSTÃ – A IDOLATRIA DAS BÊNÇÃOS DIVINAS. Era Neustã aquela serpente de bronze que Deus mandara levantar em pleno Sinai, a fim de que todos os mordidos pelas víboras ardentes olhassem para ela, e fossem curados imediatamente. Infelizmente o que no passado fora benção, no futuro far-se-ia maldição e tropeço. O veneno de Neustã ainda pode ser fatal.

Os israelitas conservaram a serpente de bronze por mais de 700 anos. Nesse período, o símbolo fez-se ídolo, o ídolo tomou o lugar de Deus e acabou por induzir Israel à apostasia.

O rei Ezequias, tão logo assumiu o trono “tirou os altos, e quebrou as estátuas, e deitou abaixo os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera, porquanto até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã” (II Reis 18: 4). Fosse Ezequias um mero homem do povo, haveria de transformar a serpente num patrimônio da humanidade. Acontece, porém, que ele era um homem de Deus. E sabia muito bem que nada poderia estar acima do Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

Não estaremos nós a incensar alguma Neustã? Pode ser que, no passado, determinado objeto, conceito ou atitude, ou até mesmo pessoas, tenham sido uma grande benção para nós. Agora, porém, se continuarmos a mirar em tais coisas, podemos correr o risco de desviar-nos da Palavra de Deus, que exige nos renovemos a cada manhã.

Nenhum conceito pode estar acima da Palavra de Deus. A Bíblia é soberana! Seus preceitos, suas leis e sua primazia estão acima de qualquer instituição, patrimônio, pessoa, títulos, cargos, posses, influencias, fama, bens, dotes ou de qualquer outra coisa que nos seja predileta e talvez já transformada numa neustã em nossa vida.

d) MOLOQUE – O DEUS DO SACRIFÍCIO INFANTIL. Moloque era um ídolo horrendo. Às vezes, davam-lhe a aparência de um ser híbrido (meio homem, meio boi), e estendiam-lhe as mãos a fim de que, nos grandes festivais e cultos, viesse a acolher vorazmente os filhinhos de seus tolos adoradores para serem queimados num ritual desumano e abominável. Esculpido todo em bronze, seus sacerdotes recheavam-no de produtos inflamáveis, aqueciam-no até que se fizesse infernalmente vermelho. Com o ídolo já todo avermelhado e sob cruel olhar de seus sacerdotes, vinham-lhe os adoradores como que hipnotizados por todos os demônios para lhe oferecerem o que de mais precioso haviam recebido do Único e Verdadeiro Deus. E, agora, sob o rufar dos tambores, colocavam seus filhinhos nas mãos avermelhadas de Moloque. Assim eram assassinadas milhares de crianças amonitas! Covarde e barbaramente!

Pensa você que isso ficou no passado? Infelizmente, neste exato momento, há muitos pais oferecendo seus filhos a Moloque. O exemplo mais cruel que tipifica este ídolo cruel é o Moloque – aborto. Antigamente, os pais esperavam seus filhos nascerem para oferecê-los a Moloque; hoje, antes mesmo de nascerem já são oferecidos ao demônio.

Não são poucos os movimentos e ONGS que, dizendo-se defensores de direitos humanos, acham-se a fazer apologia do aborto. Alegam eles que a mulher tem o direito de fazer o que bem entende com o seu corpo, inclusive assassinar o filhinho que traz no ventre. Os tais libertários incentivam e até custeiam o assassinato de milhões de crianças todos os anos. Em nada diferem de Hitler, Stálin ou Mao Tse-tung. O que não sabem estes infanticidas é que o mandamento divino permanece inalterável: “Não matarás” (Ex 20:13). E se pensam que o Senhor está alheio ao seu crime, deveriam ler com temor o Salmo 139. Este salmo de Davi, conhecido como o salmo da mulher grávida, descreve com que cuidado o Senhor acompanha o desenvolvimento do feto no ventre da mãe. Deus julgará a todos os homicidas.

e) OS ÍDOLOS DO TEMPLO – O BEZERRO DE OURO E OS PERIGOS DO CULTO ALTERNATIVO. Você já ouviu falar na Igreja Amigável? São aquelas que faz de tudo para atrair as pessoas. Elas se preocupam mais com a quantidade de pessoas em seus suntuosos templos. Em algumas dessas igrejas, são promovidos desfiles de modas e até espetáculos violentos como luta livre. Para justificar a sua existência, seus organizadores alegam serem elas necessárias para segurar as pessoas na casa de Deus. Dizem: “Se nossos clientes querem tais atrações, por que não lhes dar?”.

E o que é um culto alternativo? É quando você substitui o Cordeiro de Deus pelo bezerro de ouro. Isto ocorre todas as vezes que se procura resultados imediatos e espalhafatosos; é quando os hinos, o coral, o ensino e a pregação da Palavra de Deus são substituídos por atrações similares às mundanas (coreografia, teatro, dança, etc), tendo em vista prender as pessoas na igreja; como se deu no Sinai. Infelizmente, o episódio não se limitou ao deserto; vem se repetindo, levando o desassossego e a confusão aos santos.

Há muita heresia e “moveres estranhos” nestas últimas décadas (“unção do riso”, G12, regressão na igreja, teologia da prosperidade, etc), substituindo a verdade da Palavra de Deus. Tomou-se textos para se criar pretextos para heresias.

Vemos hoje, também, pregadores “famosos”, “de nome”, que aparecem até na TV, e que introduzem pelas casas doutrinas deturpando a genuína Palavra de Deus; e o pior, é que são aceitos e copiados por muitos dos pastores da atualidade e suas teorias se tornam doutrinas tidas como verdadeiras. É chegada a ora de ouvirmos a genuína Palavra de Deus, e sermos como os crentes de Beréia – “Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim”(Atos 17:11).

O culto divino não admite alternativa. Deus continua a exigir que seus filhos o adorem em espírito e em verdade (Jo 4:24). Quanto aos modismos, tem o mesmo destino daquele bezerro forjado por Arão: apesar do brilho de seu ouro, não passam de pó e cinza.

f) HEDONISMO. Nos dias em que vivemos – pós-modernidade - o que prevalece é o hedonismo, ou seja, o que se busca é o prazer. Decepcionado na sua busca da felicidade, o homem troca a felicidade inatingível pelo prazer, ou seja, pela pura sensação momentânea de bem-estar. Por isso, as atividades que geram sensações e emoções são tão procuradas nos dias de hoje, a começar do prazer sexual instintivo. Os seres humanos comportam-se, na atualidade, como verdadeiros animais irracionais, buscando parceiros para sentir momentos efêmeros de prazer na prática de relações sexuais. Mas não é apenas no sexo que se tem a manifestação do hedonismo. Uma de suas principais manifestações nos dias de hoje está no consumismo, no prazer de aquisição de bens materiais, aquisição esta incontrolada. Hoje em dia, não se compram produtos pela utilidade que darão ao comprador, mas única e exclusivamente pelo prazer de comprar, ainda que se saiba que o produto pouco ou nada acrescentará à pessoa ou, o que é mais grave, somente trará prejuízos para o adquirente. Mas nesta ânsia pelo ter, pelo adquirir, o que vale é apenas a sensação de bem-estar e de importância que a aquisição gera. Entretanto, Jesus ensina que a vida de alguém não é medida pelas posses que tenha (Lc.12:15) e que uma ação desta natureza avilta a dignidade da pessoa humana, que deve se livrar da ganância e da avareza, que outra coisa não é senão idolatria (Cl.3:5).

g) AUTOLATRIA. Autolatria é a adoração de si próprio. É conhecida também como egolatria, ou seja, o endeusamento do ego. A pior idolatria é quando o homem, esquecendo-se de que é criatura, exalta-se acima do Criador, como ocorreu com rei de Babilônia. Engrandeceu-se Nabucodonosor de tal maneira, que veio a concluir ser mais poderoso do que o próprio Todo Poderoso. E o que dizer daquele Herodes aclamado como deus? Em conseqüência de sua altivez, foram ambos abatidos. Se o primeiro viu-se constrangido a alimentar-se da comida dos bichos, o segundo, dos bichos virou comida.

Se a autolatria no passado era doença, é epidemia no presente. Nunca o homem se exaltou tanto. Infelizmente esta moléstia vai ganhando terreno até entre os que se dizem povo de Deus e seguidores do humilde Nazareno.

 

CONCLUSÃO

Em sua primeira carta João recomenda: ”Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I João 5:21). Para que não caiamos em semelhante iniquidade, temos de nos prevenir. Depositemos toda a nossa confiança no Único e Verdadeiro Deus e em seu Unigênito Filho como nosso suficiente Salvador. Apeguemo-nos às verdades bíblicas; elas são inegociáveis. Não se brinca nem se comercializa com a Palavra de Deus. Fuja da idolatria. Adore somente a Deus. Jesus está às portas!!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Corinto, uma igreja com problemas de disciplina – Augustus Nicodemus Lopes. Os ídolos do templo - Comunidade Batista Cristã.