Aula 09
Leitura Bíblica: 1 Coríntios 11:17-32.
31/05/2009
“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha”(1Co 11:26)
A Ceia foi instituída pelo Senhor (1 Co 11.23) na sua última refeição da Páscoa (Mt 26.26-29; Mc 14.22-25; Lc 22.15-20). Ela é uma das Festas mais solene da Igreja, de muitíssima importância. A sua importância relaciona-se com o passado, o presente e futuro. Quanto a sua importância no Passado: É um ato “memorial” da morte de Cristo no Calvário, para nos remir da condenação (Lc 22:19; 1 Cor 11:24-26) –“...Fazei isto em memória de mim...”. Na celebração da Santa Ceia, as nossas mentes se voltam para o Calvário, relembrando o Sacrifício de Jesus, em nosso favor. Embora, que em todo tempo devemos lembrar-nos deste Santo Sacrifício, todavia, temos um dia especifico e oportuno para esta comemoração e meditação. Quanto a sua importância no Presente: A Santa Ceia expressa a nossa “comunhão” (gr. koinonia) com Cristo e, de nossa participação nos benefícios oriundos da sua morte sacrifical e ao mesmo tempo expressa a nossa “comunhão” com os demais membros do Corpo de Cristo (1 Cor 10:16,17). A Santa Ceia é o símbolo da nossa união com Cristo. Quanto a sua importância no Futuro: A Santa Ceia é um ato que antevê a volta iminente de Jesus Cristo para arrebatar a Sua Igreja e, um antegozo em podermos participar com Cristo, na Ceia das Bodas do Cordeiro. Uma das expectações de Paulo com relação à vinda de Cristo era a comemoração da Ceia do Senhor Jesus, quando esperançoso ele disse aos coríntios: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Cor 11:26). Portanto, cada celebração da Ceia do Senhor Jesus é um antegozo e antecipação profética do grande banquete de casamento que está sendo preparado para a Igreja.
Ao instituir a Igreja, Jesus não só constituiu o governo da Igreja, como as suas funções, mas também ordenou que a Igreja realizasse dois ritos, duas cerimônias: o batismo nas águas e a ceia do Senhor. Por isso, estas duas atividades da Igreja são denominadas de “ordenanças”, porque são ordens dados pelo Senhor para a Igreja. Enquanto o batismo fala da nossa fé em Cristo e ocorre apenas uma vez na vida do crente (Mc 16:16), a Ceia do Senhor diz respeito à nossa comunhão com Ele, e deve ser sempre renovada.
O batismo nas águas. É a primeira ordenança de Cristo a ser cumprida por quem se arrependeu dos seus pecados (At.2:38), se converteu a Cristo e recebeu de bom grado a Palavra de Deus (At.2:41). O batismo não é para salvação, mas, sim, para o salvo. Como só podem ser batizados nas águas aqueles que creram em Jesus (Mc.16:16; At.18:8), também observamos que o batismo nas águas não lava nem purifica pecados, mas somos justificados pela fé em Cristo (Rm.5:1). Portanto, a salvação vem pela fé em Cristo e não pelo batismo nas águas.
A Santa Ceia. A Santa Ceia é a segunda ordenança observada pela Igreja (Mc 14.12-26). Ela foi instituída por Jesus na noite em que foi traído e iniciou a sua paixão e morte (I Co.11:23). Só podem participar da ceia do Senhor aqueles que estão em comunhão com Deus(I Co.11:24-27), ou seja, os integrantes da sua Igreja, aqueles que creram em Jesus e, publicamente, assumiram ter se tornados discípulos do Senhor. Este ensino é muito importante, pois, lamentavelmente, nos dias em que passamos, muitos são os que estão a “banalizar” a ceia do Senhor, tornando-a um ritual aberto a todos quantos queiram dele participar, mesmo os não-crentes.
A ceia do Senhor não é um ato que proporcione o perdão dos pecados, nem que venha a nos pôr em comunhão com Jesus. O que nos mantém em comunhão com o Senhor é a santificação contínua e incessante, é a obediência à Palavra do Senhor. A ceia existe para confessarmos publicamente que estamos em comunhão com Deus e uns com os outros. Participamos da ceia porque somos santos e estamos em comunhão com Deus, não para nos tornarmos santos ou passarmos a ter comunhão com Deus.
1. Definição e designações. A Santa Ceia ou “Ceia do Senhor”(1 Co 11:20) é um ato de comunhão (gr. koinonia) com Cristo e com o Pai (1 Jo 1:3) e com os demais membros do corpo de Cristo (1 Co 10:16,17). Ceia sem comunhão não é do Senhor, é apenas uma cerimônia (1 Co 11:20,21). Temos que reconhecer (discernir) o corpo espiritual de Cristo - a igreja (1 Co 10:16,17) e cearmos sem contendas e divisões (1 Co 1:12). Assim, cumprimos o mandamento do Mestre: amai-vos (João 13:34,35; Rm 12:10).
A Ceia do Senhor é, também, o reconhecimento e a proclamação da Nova Aliança(ver 11:25). O que é esta Nova Aliança ou Novo Testamento? Na antiga aliança, as pessoas podiam aproximar-se de Deus somente por meio dos sacerdotes e do sistema sacrifical. A morte de Jesus na cruz introduziu uma Nova Aliança entre Deus e nós. Agora todas as pessoas podem aproximar-se pessoalmente de Deus e comunicar-se com Ele. Comer o pão e beber o vinho mostra que estamos relembrando a morte de Cristo por nós e renovando nosso compromisso de servi-lo e fazer a sua vontade.
A Santa Ceia não é apenas uma ordenança à igreja, instituída pelo Senhor na noite em que ele foi traído (11:23), mas também uma importante doutrina Bíblica. Sua importância relaciona-se com o passado, o presente e o futuro. Ela é descrita em quatro trechos bíblicos: Mateus 26:26-29; Marcos 14:22-25; Lucas 22:15-20; 1 Corintios 11:23-32. A Bíblia afirma que Paulo recebeu o ensino da Santa Ceia diretamente do Senhor: "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei" (v.23). Paulo recebeu conhecimento acerca desse assunto diretamente do Senhor e menciona o fato para mostrar que qualquer violação constituiria um ato de desobediência. O apóstolo ensina, portanto, aquilo que recebeu por revelação.
2. Ordenança ou sacramento. De imediato, devemos distinguir entre “ordenança” e “sacramento”, porque não poucos estudiosos das Escrituras, sob a influência da história e da tradição, confundem ambos os conceitos, identificando “ordenança” com “sacramento”. Todavia, a idéia de “sacramento”, nascida no interior da Igreja Romana, é totalmente diversa da de “ordenança”.
“Sacramento” é, no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, considerado como sendo “rito sagrado instituído por Jesus Cristo para dar, confirmar ou aumentar a graça”. A igreja romana diz que a Ceia do Senhor transmite graça espiritual ou salvífica a quem dela participa.
São sete os sacramentos instituídos pela igreja católica romana: batismo, confirmação, comunhão, penitência, extrema-unção, ordem e matrimônio. Entretanto, há uma diferença enorme entre as ordenanças de Cristo e os sacramentos da igreja romana. Senão vejamos:
a) a ordenança é de Jesus; o sacramento, da Igreja Romana.
b) a ordenança é uma demonstração de obediência a Cristo; o sacramento, uma demonstração do “poder da Igreja Romana”.
c) a ordenança não aumenta nem diminui a graça de Deus, que se manifestou completamente em Cristo, onde é plenamente eficaz; o sacramento, supostamente traz a graça de Deus aos homens pela mediação da Igreja Romana, que, assim, complementaria a obra de Cristo.
d) as ordenanças de Cristo são duas; os sacramentos, sete.
Não podemos, pois, jamais aceitar que o batismo nas águas e a ceia do Senhor sejam “sacramentos”, mas, sim, “ordenanças” de Cristo para a Sua Igreja. Como ordens dadas por Jesus, devem ser cumpridas nos exatos termos determinados por Cristo, pois se somos verdadeiramente salvos, guardamos os Seus mandamentos (Jo.15:14).
São elementos da Santa Ceia o pão e o vinho por representarem, respectivamente, o corpo e o sangue de Cristo oferecidos em resgate da humanidade (1 Co 11.24,25).
1. O pão. O pão da ceia não é o corpo verdadeiro (literal) de Cristo, nem está ele presente invisivelmente, é somente o símbolo do Cristo perfeito. Representa a sua encarnação, que ele tomou um corpo humano e deixou sua glória (Jo 1:14), nasceu de uma virgem e viveu entre os pecadores em perfeição de conduta, doutrina e voluntariamente. Era ele um homem perfeito, idôneo para servir de sacrifício para os nossos pecados (Hb 7:26; II Cor 5:21). Ele partiu o pão da Ceia significando que ia se sacrificar em resgate da humanidade caída e escravizada pelo Diabo.
Na noite em que foi traído, Jesus e os discípulos estavam comendo o cordeiro Pascal. Em dado momento da festa, Jesus pegou o pão e o abençoou e distribuiu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo”. Como a primeira ceia instituída por Cristo se deu em meio à festa dos Pães Asmos, os cristãos primitivos quando da reunião para comemorar e anunciar a morte do Senhor Jesus, também faziam uma grande refeição.
A dissensão que estava ocorrendo na igreja de Corintos era decorrente da refeição que faziam antes de comemorarem a morte de Cristo. Observe que Jesus após cear tomou o pão, ou seja, após comer o cordeiro pascal, que foi preparado pelos discípulos no dia dos Pães Asmos, é que instituiu o cerimonial em sua memória tomando o pão e o abençoando(ver Lc 22: 7).
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão”(1 Co 11:23). Paulo passa a recapitular o que havia ensinado aos cristãos. O que Paulo havia recebido de Cristo, ele ensinou. Ele havia ensinado que Jesus na noite em que fora traído tomou o pão e tendo dado graças, o partiu e disse: “... Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim”(Lc 22:19). Jesus manda aos discípulos que pegassem o pão e que comessem, pois o pão estava representando o seu corpo que fora entregue por todos nós. Este cerimonial deveria ser feito em memória de Jesus. Jesus aponta o objetivo pela qual deveriam pegar e comer do pão: manter viva a memória do seu nome.
O DOGMA DA TRANSUBSTANCIAÇÃO E DA CONSUBSTANCIAÇÃO. Observe o versículo 24: “e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim”. Ao declarar “isto é o meu corpo”, o Salvador quis dizer que o pão se torna, de fato, seu corpo? O dogma católico da transubstanciação, adotado em 1215 e confirmado pelo Concilio de Trento em 1551, assevera que quando o sacerdote abençoa o pão e o vinho, os mesmos são transformados literalmente em corpo e sangue de Cristo. A doutrina luterana da consubstanciação ensina que o verdadeiro corpo e sangue de Cristo se encontram presentes nos elementos da Ceia, com eles e sob eles; explicando melhor: o corpo e o sangue de Cristo se unem às substancias do pão e do vinho.
Em resposta a esses pontos de vista, deve ser suficiente lembrar que, quando o Senhor Jesus instituiu o memorial da Ceia, seu corpo ainda não havia sido entregue e seu sangue ainda não havia sido derramado. Quando Jesus afirmou “isto é o meu corpo”, quis dizer: “Isto simboliza o meu corpo” ou “Isto é uma imagem do meu corpo dado por vós”. Comer o pão é lembrar Cristo em sua morte expiatória e vicária.
2. O vinho. Identificado na Bíblia como "fruto da vide" e "cálice do Senhor" (Mt 26.29; 1 Co 11.27), o vinho na Ceia simboliza o sangue de Cristo vertido na cruz para redimir a todos as pessoas que o aceitarem com Senhor e Salvador, e ratificar a “Nova Aliança” ou “Novo Testamento”(1 Co 11:25). O apóstolo Pedro assim escreveu: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1 Pe 1.18,19).
Segundo estudiosos da Bíblia, as evidencias bíblicas apóiam a posição de que o suco de uva não estava fermentado na Ceia do Senhor. Nem Lucas nem qualquer outro escritor bíblico emprega a palavra “vinho” (gr. oinos) no tocante à Ceia do Senhor. Os escritores dos três primeiros Evangelhos empregam a expressão “fruto da vide” (Mt 26:29; Mc 14:25; Lc 22:18). O vinho não fermentado é o único “fruto da vide” verdadeiramente natural, contendo aproximadamente 20% de açúcar e nenhum álcool. A fermentação destrói boa parte do açúcar e altera aquilo que a videira produz. O vinho fermentado não é produzido pela videira.
Jesus instituiu a Ceia do Senhor quando Ele e seus discípulos estavam celebrando a Páscoa. A lei da Páscoa em Êx 12:14-20 proibia, durante a semana daquele evento, a presença de fermento ou qualquer agente fermentador. Deus dera essa lei porque a fermentação simbolizava a corrupção e o pecado (cf. Mt 16:6,12; 1Co 5:7,8). Jesus, o Filho de Deus, cumpriu a lei em todas as suas exigências (Mt 5:17). Logo, teria cumprido a lei de Deus para a Páscoa, e não teria usado vinho fermentado.
Como ocorreu com o elemento Pão, Paulo também relembra aos crentes de Corinto acerca do elemento Vinho (ou fruto da vide): “Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim”(11:25).
A ceia do Senhor foi instituída logo depois da refeição pascal. Por isso, lemos que Jesus tomou o cálice depois de haver ceado. Ao faze-lo, declarou que o cálice era a nova aliança no seu sangue. Trata-se de uma referencia à aliança que Deus prometeu à nação de Israel em Jeremias 31:31-34. É uma promessa incondicional segundo a qual Deus concordou em usar de misericórdia para com eles e não se lembrar de seus pecados e iniquidades. Os termos da nova aliança também são descritos em Hebreus 8:10-12. A aliança continua a vigorar, mas a incredulidade de Israel como nação a impede de desfruta-la. Todos os que crêem no Senhor Jesus recebem os benefícios prometidos. Quando o povo de Israel se voltar para o Senhor, também desfrutará as bênçãos da nova aliança, um acontecimento que ocorrerá no reino milenar de Cristo na terra. A nova aliança foi ratificada pelo sangue de Cristo. Daí ele descrever o cálice como nova aliança no seu sangue. O alicerce da nova aliança foi lançado pela cruz.
Portanto, o pão e o vinho são, biblicamente, o memorial do Calvário; representam o corpo e o sangue de Cristo, oferecidos por Ele como sacrifício expiatório para redimir-nos de nossos pecados. É a explicita, profunda e confortadora simbologia das Sagradas Escrituras.
Quadro comparativo entre a Páscoa e Jesus Cristo. Aqui é mostrado que tanto a Páscoa quanto Cristo refletem a graça salvadora de Deus.
Elementos |
PÁSCOA |
JESUS CRISTO |
Sangue |
Salvar o primogênito da morte |
Salvar o homem da ira de Deus |
Sacrifício |
Cordeiro substituiu o primogênito |
Substituiu a humanidade |
Pureza |
Cordeiro sem mácula |
Sem pecado |
Comunhão |
Identificação com os israelitas |
Santa Ceia, comunhão com Cristo. |
Fonte: Lições Bíblicas - Mestre - CPAD
Vejamos algumas das lições ou ensinos doutrinários da Ceia do Senhor até a volta de Jesus:
1. A Santa Ceia é um mandamento do Senhor. Ele ordenou por duas vezes: "fazei isto em memória de mim" (vv.24,25). Veja vide item 2 do tópico I anterior.
2. É um memorial divino. "Em memória de mim" (vv.24,25). A Santa Ceia é uma cerimônia em que comemoramos a morte do Senhor Jesus, em que apontamos para a cruz do Calvário e nos lembramos que ali o Senhor morreu por nós, tomou o nosso lugar e, por meio de seu sacrifício, podemos ter o perdão dos nossos pecados e a nossa salvação. Assim como a Páscoa apontava para o futuro da redenção da humanidade, a ceia do Senhor aponta para o passado a nos indicar que a redenção já se fez. Portanto, a Santa Ceia é um memorial(Lc.22:19; I Co.11:24,25), uma lembrança do sacrifício de Cristo no Calvário, sacrifício este que é único e que não mais se reproduzirá (Hb.9:25-28). Portanto, não tem respaldo bíblico a idéia de que, na celebração da Ceia do Senhor, o pão e o vinho se tornam o corpo de Cristo e ocorre, novamente, o sacrifício do Calvário, como ensinam equivocadamente os romanistas.
3. É uma profecia a respeito da volta de Jesus. "Anunciais a morte do Senhor até que venha" (v.26). A igreja ao celebrar a Ceia do Senhor, está também anunciando a todos a sua vinda. "E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no reino de meu Pai" (Mt 26.29).
Portanto, a Santa Ceia é uma proclamação da volta de Jesus Cristo. Ela somente será celebrada até a vinda de Cristo. Então, conforme o Senhor nos prometeu, a “última ceia” ocorrerá nas Bodas do Cordeiro, para comemoração da complementação final da salvação da Igreja, a glorificação(Mt.26:29; Mc.14:25; Lc.22:18). Portanto, ao celebrarmos a Ceia lembramos a promessa de que um dia cearemos com o Senhor na glória. Não esqueçamos de que Ele virá nos buscar. Aleluia!
4. Deve ser precedida de auto-exame do participante (v. 27). Para participarmos da Santa Ceia é necessário fazermos um auto-exame, ou seja, um autojulgamento diante de Deus, quanto ao nosso estado espiritual (11:31). Somos pecadores, porém nascidos de novo (Ef 4:23-25) e não podemos participar desta comunhão sem purificar-nos (1 Jo 1:7,9). Paulo nos adverte a nos auto-examinarmos antes de cear. Confessar e pedir perdão são o caminho para a restauração deste direito de cada crente. São bem-aventurados aqueles participam (Ap 19:9).
Na Igreja de Corinto, a Ceia do Senhor ao invés de ser uma reunião onde todos os salvos relembrariam o sacrifício do Senhor e teriam um momento de comunhão, tornou-se uma ocasião onde a igreja declinava espiritualmente: “Porquanto vos ajuntais, não para melhor, mas para pior”(1 Co 11:17).
Havia divisões por causa das classes sociais na Igreja. Pode-se observar isso no versículo 18 combinado com o versículo 21. Aparentemente cada um levava os elementos que ceiariam, porém os pobres não tinham tal recurso, esperando que os irmãos mais ricos compartilhassem o pão e o vinho, mas não era o que estava acontecendo, os mais ricos tomavam sua própria ceia, enquanto os mais pobres passavam fome. Essa atitude os tornava indignos de participar da Ceia do Senhor; seu coração estava cheio de egoísmo, glutonaria e bebedice, e não consideravam a importância simbólica da Ceia, que é o anúncio da morte do Senhor até que Ele venha. Para eles a Ceia era apenas uma oportunidade de se empanturrar. E Paulo pergunta: “... desprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm?”(1 Co 11:22).
Portanto, participar indignamente da Ceia é participar da Mesa do Senhor com um espírito indiferente, egocêntrico e irreverente, sem qualquer intenção ou desejo de abandonar os pecados conhecidos. Quem participa assim indignamente, peca terrivelmente contra o Senhor. É culpado de crucificar de novo a Cristo e torna-se imediatamente sujeito a juízo e retribuição específicos(vv 29-32). Ser “culpado do corpo e do sangue do Senhor” significa ser considerado responsável pela sua morte.
5. A ceia do Senhor e o discernimento espiritual do crente. Participar da Ceia sem discernir "o corpo do Senhor" (v. 29), é ter os santos elementos da Ceia como coisas comuns, e não como emblemas do corpo e do sangue de Cristo. Agindo assim é trazer juízo para si. O crente precisa discernir o Corpo de Cristo partido na cruz – ou seja, a obra da redenção em seu favor e também precisa discernir o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja – A igreja de Corinto não estava amando uns aos outros. Portanto, ela não estava discernindo o corpo. A conseqüência da falta de discernimento do Corpo levou a igreja a comer e beber juízo para si: FRAQUEZA, DOENÇAS E MORTE (11:30).
Devemos estar cientes de que o corpo do Senhor foi entregue a fim de que nossos pecados pudessem ser eliminados. Se continuarmos a viver em pecado e, ao mesmo tempo, participarmos da Ceia do Senhor, estaremos vivendo em falsidade.
Qualquer membro que tem pecado na sua vida deve confessar esse pecado antes de tomar a Ceia. Isto pode ser feito na hora, publicamente ou em silêncio, dentro do coração do indivíduo, dependendo da natureza do pecado, se público ou particular. O importante é a sinceridade da pessoa.
6. É um ato de ação de graças. A Ceia do Senhor é um ato de ação de graças pelas bênçãos e salvação da parte de Deus, provenientes do sacrifício vicário de Jesus Cristo na cruz por nós (v. 24; Mt 26.27.28; Mc. 14.23; Lc 22.19).
7. A Santa Ceia é um momento de gratidão a Deus. Na Ceia do Senhor todo crente deve ser agradecido. "E tendo dado graças" (v.24). O Senhor Jesus tomou o pão e, antes de tudo, deu graças por ele. Uma vez que o pão representava seu corpo, na verdade Jesus agradeceu a Deus por lhe ter dado um corpo humano a fim de que ele pudesse vir e morrer pelos pecados do mundo.
8. A Santa Ceia é para os discípulos do Senhor. Conforme Lucas 22:14, Jesus levou apenas os Doze para a mesa da Páscoa, seguida da Ceia do Senhor. Aqueles que creram em Cristo como seu Salvador fazem parte de Seu corpo. Entende-se que somente os batizados em águas podem cear, pois o batismo é uma demonstração pública de nossa fé em Cristo, e que ocorre uma vez na vida do crente(Mc 16:16), enquanto a Ceia é um símbolo de nossa comunhão com Cristo e deve ser sempre renovada, mas, de fato, ao aceitar a Jesus o novo-convertido já faz parte do corpo, a igreja. A Assembléia de Deus adota o batismo nas águas como um dos pré-requisitos à participação da Santa Ceia.
9. É um momento de profunda e solene devoção e louvor a Deus. "E, tendo cantado um hino" (Mt 26.30). Jesus, indo para o Getsêmane, onde sabia que seria traído e preso e que, logo após, seria submetido ao sofrimento, vergonha e morte cruenta na Cruz do Calvário, cantou um hino com seus discípulos depois de celebrar a Páscoa(Mt 26:30). Como é que Jesus cantou à sombra da sua cruz, não podemos compreender, nem explicar! Apesar desta situação, Jesus demonstrava alegria, porque estava cheio do Espírito Santo. Se você for capaz de cantar um hino, logo depois de haver sido traído por um amigo, então você está começando a se parecer com Ele. Ele fez isto.
10. A Ceia do Senhor condena a duplicidade religiosa. "Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios" (1 Co 10:21). A Santa Ceia é incompatível com a duplicidade da vida espiritual do cristão (Sl 119:113; Mt 6:24; 2 Co 6:14). Como seguidores de Cristo, devemos oferecer-lhe nossa total submissão. Como Paulo explicou, não podemos “beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios”. Participar da Mesa do Senhor significa ter comunhão com Cristo e identificar-se com a sua morte. Beber o cálice dos demônios significa identificar-se com Satanás, adorando ou promovendo atividades pagãs (ou malignas). Você está levando uma vida dupla, tentando seguir tanto a Cristo como o mundo? A Bíblia diz que não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O próprio Cristo falou desse erro fatal: “Ninguém pode servir a dois senhores”(Mt 6:24).
Ao celebrarmos a Santa Ceia de Cristo comprovamos a nossa “unidade espiritual” em Cristo Jesus e, que compartilhamos dos mesmos propósitos, da mesma fé, do mesmo amor, da mesma Palavra, das mesmas promessas, da mesma pureza e da esperança futura com Cristo na Sua Glória (João 17.21; Atos 20.34-38; Rom 12.5,10-20; 1 Cor 10.17; 12.12-27; Gál 3.28; Efés 4.13; 2 Tim 2.3). A Santa Ceia reúne todos os comprometidos com Cristo em torno dEle, pois está presente conosco. Ninguém pode dizer que está em comunhão com Jesus Cristo e conosco se não participar do Seu Corpo e do Seu Sangue (João 6.53-58). Ao participarmos da Ceia do Senhor devemos ter plena consciência de que os emblemas (o pão e o fruto da vide) não são meros símbolos, mas o sublime memorial da paixão e morte de Jesus Cristo. Quem participar da Ceia do Senhor indignamente (que apresenta uma conduta vergonhosa, descuidada e irreverente) será réu diante de Deus (1 Co 11:27).
“Sem dúvida alguma, a essência da Santa Ceia é a comunhão. Comunhão significa ter algo em comum com alguém. No âmbito espiritual, é indispensável que a Igreja, como Corpo de Cristo, possua algumas características em comum, tais como:” um só corpo, um só espírito, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos" (Ef 4.4-6).
Jamais deveríamos nos esquecer de que a Igreja de Cristo é um lugar onde, embora se manifeste uma diversidade de características físicas e culturais, a unidade é fundamental. Unidade na diversidade. Diversidade de dons, ministérios, talentos, mas unidade na doutrina, na fé e no Espírito”(Lições Bíblicas – Mestre – CPAD).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo.