Aula 10
OS DONS ESPIRITUAIS
Leitura Bíblica: 1 Coríntios 12:1-11.
07 de Junho de 2009
“Assim também vós, já que estais desejosos de dons espirituais, procurai abundar neles para a edificação da igreja”(1 Co 14:12).
INTRODUÇÃO
Alguns cristãos em Corinto haviam recebido o dom de línguas. Em vez de usar seu dom para engrandecer a Deus e edificar outros cristãos, empregavam-no para se exibir. Levantavam-se durante os cultos, falavam em línguas que ninguém entendia e esperavam que os outros ficassem impressionados com sua proficiência linguística. Exaltavam os dons de sinais acima de outros dons e afirmavam que quem possuía o dom de línguas era espiritualmente superior aos outros irmãos. Essa atitude gerou orgulho e inveja e levou outros membros da congregação a sentir-se inferiores e sem valor. Paulo julgou necessário, portanto, corrigir as atitudes equivocadas e estabelecer mecanismos de controles para o exercício dos Dons, especialmente de línguas e profecia.
A posse dos Dons espirituais é, sem dúvida, uma grande bênção que Deus nos dá, é mais um talento concedido pelo Senhor aos Seus servos, é mais uma ferramenta que é colocada à disposição da Igreja através de um vaso escolhido.
1. Definição. Os dons espirituais são dotações e capacitações sobrenaturais que o Senhor Jesus, por intermédio do Espírito Santo, outorga à sua Igreja, visando a expansão universal da sua obra e a edificação dos santos. O crente que crê na operação ainda hoje do Espírito Santo como agente transmissor de poder divino na pregação do Evangelho é um crente que crê no Evangelho completo, pois a pregação do evangelho abrange não só a notícia de que Jesus é o Senhor e Salvador do mundo e que é preciso nEle crer para alcançar o perdão dos pecados e a salvação da alma, obtendo, assim, a vida eterna, como também esta mensagem é confirmada da parte de Deus mediante a operação do Seu poder, através do batismo com o Espírito Santo e, depois, dos Dons espirituais, cuja recepção se torna possível em virtude do revestimento de poder, do mergulho, da imersão do ser do crente no fogo do Espírito de Deus, no seu completo envolvimento com a terceira Pessoa da Trindade Divina.
2. Origem. Ao contrário do que pensavam certos crentes de Corinto, os Dons espirituais, embora diversos, são procedentes do Único e Verdadeiro Deus: “E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”(12:6).
Os Dons espirituais são chamados, no original grego, de "charismata", palavra que significa "graças", ou seja, os Dons espirituais são dádivas, são favores imerecidos que Deus concede aos homens que estão dispostos a servi-lo e que, por obediência, já alcançaram o batismo com o Espírito Santo. A verificação do significado da palavra "charismata" é muito importante, pois demonstra, de forma cabal, que os dons espirituais são concessões divinas, decorrem do exercício da Sua infinita misericórdia, não havendo, portanto, qualquer merecimento, qualquer mérito por parte daqueles que são aquinhoados pelo Espírito Santo com um dom espiritual. O dom espiritual é concedido não porque alguém seja mais espiritual ou melhor do que outro, mas em virtude da soberana vontade do Senhor. Quem o diz não somos nós, mas a própria Palavra de Deus: "Mas um só mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”(I Co.12:11).
Muitos são os que acham que os portadores de Dons espirituais são crentes superiores aos demais, que têm um nível maior de espiritualidade e que, em razão disto, desfrutam de uma posição diferenciada no meio da comunidade. Este pensamento, inclusive, tem feito com que muitos crentes andem à procura destes irmãos a fim de que obtenham curas divinas, maravilhas, sinais ou profecias, num comportamento totalmente contrário ao que determina a Palavra de Deus, que ensina que os sinais seguem os crentes e não os crentes correm atrás de sinais (Mc.16:17,20). Jesus não aprovou esta conduta, típica dos judeus formalistas e descrentes (Mt.12:38,39). Nenhum outro sinal deve-se buscar, como disse nosso Senhor e Salvador, senão a Sua ressurreição, que é a garantia da aceitação do Seu sacrifício e do perdão dos nossos pecados. Creiamos em Deus e em Seu Filho (João 20:29).
1. O falso ensino dos cessacionistas. Uma corrente da teoria cessacionista deduz, erradamente, que os Dons espirituais cessaram após a era apostólica, pois o Evangelho, de acordo com a geografia daqueles dias, já havia chegado aos confins da terra (At 1.8; 13.47). Afirma que os Dons do Espírito são habilidades naturais, santificadas e aperfeiçoadas por Deus após a conversão do indivíduo. Uma outra corrente acredita que os Dons espirituais não são para os tempos hodiernos, mas estiveram restritos ao período apostólico. No entanto, ao lermos as Sagradas Escrituras, não encontramos qualquer evidência de que os Dons do Espírito tenham cessado com a morte dos apóstolos e muito menos de que se trata de talentos humanos santificados. O argumento antipentecostal é fundamentado na hermenêutica naturalista, que nega qualquer elemento sobrenatural nas Escrituras. Portanto, a dedução dos cessacionistas não é possível e nem necessária como método de interpretação do Novo Testamento.
A atualidade dos Dons espirituais é confirmada pela Escritura e experiência cristã. No primeiro caso, podemos citar os propósitos dos dons, especificamente, o de fortalecer a igreja (1 Co 14.3,4, 26). Se os Dons cessaram após a morte dos apóstolos, por que Paulo escreveria a igreja de Corinto para que buscassem ardentemente os dons e zelassem por ele, sabendo que os dons não durariam mais do que 50 anos? Não há qualquer analogia plausível para sustentar tal absurdo. A experiência pentecostal de incontáveis cristãos, em todas as épocas e lugares, é evidência complementar da atualidade dos dons conforme a verdade bíblica.
2. Os Dons prometidos profética e historicamente. De conformidade com a profecia de Joel, o derramamento do Espírito Santo e a distribuição dos Dons espirituais, seriam mais intensos nos últimos tempos (Jl 2.28,29). Em Jerusalém, no Dia de Pentecostes, esta profecia cumpriu-se parcialmente (At 2.16-18). Naquele Pentecostes do ano 30, como afirmou o apóstolo Pedro no sermão inaugural da Igreja, cumpria-se a profecia de Joel, na festividade judaica que servira de tipo e figura principal desta promessa. O Espírito Santo foi derramado sobre os quase cento e vinte discípulos que haviam permanecido em oração em Jerusalém, consoante o mandado do Senhor.
Pedro, diante da perplexidade de alguns e da zombaria de outros, tomou a palavra e fez um sermão cheio do poder de Deus, que levou à conversão de quase três mil almas e ao surgimento da Igreja, contra a qual as portas do inferno não prevalecem. O apóstolo Pedro mostrou como aquele episódio “estranho” era cumprimento da profecia de Joel e que como se abria um novo horizonte para a humanidade, que teria uma inigualável oportunidade de salvação (At.2:21,37-40).
Não é por mérito. Uma pessoa não recebe os Dons espirituais por ser melhor do que outra ou mais dedicada ao serviço cristão ou aparentemente mais santa. Essa promessa é estendida a todo aquele que crê e invoca o nome do Senhor.
È para os nossos dias. Não há qualquer texto nas Escrituras que diga que o batismo com o Espírito Santo e os Dons espirituais foram apenas para a época dos discípulos, como reza a corrente teológica chamada cesassionista. Isso demonstra que este derramamento do Espírito Santo é para os nossos dias — atual —, e não é de "propriedade" dos pentecostais, pois é estendido a todos. Pentecostal é quem crê na contemporaneidade do batismo com o Espírito Santo e dos dons espirituais.
É para todas as pessoas, indistintamente. O “derramamento do Espírito Santo” está à disposição tanto da elite quanto das camadas marginalizadas da sociedade, é uma bênção que não vê posição social, pois para Deus não há acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34). Devemos, por isso, ter muito cuidado para não vincularmos a posição de alguém entre os homens com a sua posição na igreja local, lembrando que Deus é imparcial e que o “derramamento do Espírito Santo” a todos iguala. Não foi casual que o avivamento da rua Azusa, em Los Angeles, Califórnia, tenha se iniciado por intermédio de um pastor leigo e negro por nome de William Joseph Seymour(1870-1922) em pleno Estados Unidos da América que, há pouco menos de 40 anos, havia entrado em guerra civil justamente por causa da escravidão negra. “… Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”(I Co.1:27), e “…o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”(I Co.2:14). Por isso, sem o Espírito do Senhor, jamais poderemos entender o movimento pentecostal.
Deus concede Dons primeiramente para a edificação, consolação e exortação da igreja e também para o enriquecimento da vida espiritual de seu portador(1 Co 14.1-4).
1. Objetivos congregacionais. Os Dons espirituais visam a edificação da igreja – “Assim também vós, já que estais desejosos de dons espirituais, procurai abundar neles para a edificação da igreja”(1 Co 14:12). Os Dons de expressão verbal visam à edificação, consolação e exortação do povo da igreja (veja 1Co 14:3). Eles são considerados recursos extraordinários colocados à disposição da Igreja e que têm por objetivo capacitar os filhos de Deus a terem condições para fazer sua obra aqui na terra. Quantos são os Dons? Eu não sei, você também, não! Não se pode quantificar o que Deus possui, pois Deus é infinito, e infinitos são os seus recursos! Para provar isto, ver os dons que aparecem em Rm 12.6-8; 1 Co 12.8-10, 28-30; Ef 4.11. Mas, é bom ressaltar que há vários dons mencionados noutras passagens da Bíblia.
Sabemos que Paulo relacionou três grupos de Dons espirituais, a saber: Três Dons de saber (Palavra de sabedoria, Palavra de ciência -ou conhecimento e do Discernimento de espíritos); três Dons de fazer (Fé, Cura e Operação de milagres); três Dons de falar (Profecia, Variedade de línguas e Interpretação de línguas). É certo que em nenhuma deles o objetivo de Paulo foi o de quantificar os Dons, ou seja, definir quantos são, mas, o de qualificá-los, ou seja, discorrer sobre o objetivo e o uso correto de cada um.
A distribuição dos Dons não é Uniforme. Quando afirmamos que a distribuição dos Dons não é uniforme, estamos dizendo que não existe um método, ou uma regra que o Espírito Santo deva seguir na concessão dos mesmos – “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”(I Co 12:11). É como Ele quer – ninguém pode estabelecer critérios. Não existe um número mínimo, ou máximo para cada Igreja Local; não existe a obrigatoriedade de cada crente receber pelo menos um, nem um limite máximo para cada pessoa.
Existe uma Condição Básica para o uso dos Dons Espirituais. Diríamos que os Dons de natureza Espiritual são destinados aos homens espirituais, ou seja, aqueles que receberam vida espiritual através do Novo Nascimento. As pessoas, lá fora, possuem os Dons Naturais, porém, os Espirituais são destinados à Igreja. Diríamos que a condição para o uso dos Dons Espirituais é a apresentação do corpo “em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”, ou seja, uma vida colocada no altar, uma vida de consagração a Deus, uma vida de santificação. O Senhor Nosso Deus usa vasos limpos, ou purificados, vasos que não estejam em conformidade com o mundo.
2. Objetivos individuais. Veja o que a Bíblia declara: "A manifestação do Espírito Santo é concedida a cada um visando um fim específico"(1 Co 12:7).
a) Os Dons não são presentes. Os Dons não são dados como se dá uma jóia para ser usada como adorno, ou enfeite; não é, também, uma medalha usada como condecoração para ser exibida no peito, e que só serve para chamar a atenção para a pessoa que a usa. Sendo instrumento de trabalho, usar, ou não usar o Dom, não é uma questão de querer; Deus dá para ser usado!
Vemos a comprovação do que estamos afirmando exposta por Jesus, nas Parábolas dos Talentos e das Minas(Mt 25:14-30 e Lc 10:11-27). Nem os Talentos, nem as Minas foram dados como presentes aos seus amigos. Foram, na verdade, dados aos servos para que fossem usados de acordo com os interesses do Senhor, o legitimo dono dos Talentos e das Minas. Contudo, um dos servos, ou não entendeu, ou foi negligente, pois, resolveu não trabalhar com o valor recebido – “... cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor”(Mt 25:18). Perceba a expressão “o dinheiro do seu senhor”. Da mesma forma os Dons de Deus não se tornam propriedade daquele que os recebe. São dados para serem usados na Obra de Deus. A negligencia, ou dolo pela não utilização, ou pelo uso indevido por parte de quem os recebe resultará em consequências negativas quando o Dono voltar, tal como aconteceu naquelas duas Parábolas referidas: “Lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá planto e ranger de dentes”(Mt 25:30).
Assim, meu irmão, se você recebeu um, ou mais Dons, eles não lhes foram dados para você exibir sua espiritualidade, mas, para você mostrar serviços na Obra de Deus. Tampouco, você não pode enterrá-los.
Paulo falando a respeito dos Dons Espirituais, conhecendo a importância deles e a responsabilidade de quem os recebe, disse: “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”(I Co 12:1). Ser ignorante é não ter conhecimento a respeito de algum assunto (ex.: agricultura, construção, computadores). O apóstolo Paulo diz que não quer que sejamos ignorantes a respeito dos dons espirituais. É algo que precisamos conhecer.
Lembre-se que a Palavra de Deus pode esclarecer todas as suas dúvidas. Preste atenção nisto: Se você receber um Dom e não usá-lo, ou se usá-lo diferente do que é exigido pela Bíblia, você não será considerado inocente!
3. Os Dons espirituais não se confundem com os Dons Ministeriais - A distinção está na própria forma pela qual as Escrituras mencionam e tratam cada uma destas figuras.
Os Dons espirituais são mencionados como sendo repartidos particularmente pelo Espírito Santo, segundo a Sua vontade, para a edificação espiritual dos crentes, para utilidade dos crentes (I Co.12:4-11)
Os Dons ministeriais são tratados como dádivas vindas da parte de Jesus, para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação da igreja (Ef.4:11,12). Não se trata de operações episódicas, de demonstrações esporádicas e temporalmente limitadas, com vistas a um consolo, uma exortação, o suprimento de uma necessidade ou uma instantânea manifestação do poder de Deus para a igreja e, mesmo, para os não salvos, mas de uma atividade contínua, no meio do povo de Deus, para que a igreja cumpra com suas tarefas neste mundo, quais sejam, a evangelização e o aperfeiçoamento dos salvos, ou seja, os Dons ministeriais são dádivas que são concedidas à igreja pelo seu máximo governante, pela sua cabeça que, como Comandante-Chefe da Igreja, escolhe, dentre os Seus servos, aqueles que devem coordenar, dirigir e orientar o povo de Deus. Através dos dons ministeriais, Cristo concede à Igreja homens que, diuturnamente, estarão servindo ao corpo de Cristo, que serão, eles mesmos, verdadeiros dons para a igreja.
IV - OS DONS DE MANIFESTAÇÃO VERBAL
Os Dons de expressão verbal são os mais destacados na igreja. Eles se manifestam sobrenaturalmente através de mensagens orais, segundo a orientação do Espírito Santo.
1. Dom de variedade de línguas. É uma comunicação direta com Deus, mediante o Espírito Santo, sem quaisquer impedimentos (1 Co 14.2). Através do dom de variedade de línguas, os crentes, em espírito, oram, adoram e louvam a Deus de modo sobrenatural. O Dom de língua não deve ser proibido na igreja, desde que utilizado de forma correta.
“Há pregadores que emocionam seus auditórios ordenando que falem todos em línguas, ao mesmo tempo, como sinal da presença de Deus na reunião. Paulo, porém, recomenda que, em cultos públicos, quem fala em línguas: (a) ore para que possa interpretá-las(1 Co 14:13); (b) que ore também com o entendimento quando orar em línguas(1 Co 14:15); (c) fale, no culto, dois, no máximo três, e que haja intérprete(1Co 14:27), e (d) na ausência de interpretação, que se cale o falante(1Co 14:28). Portanto, é preciso reavaliar as atitudes de certos pregadores que contradizem o que a Bíblia diz no tocante ao falar em línguas no culto”(Ensinar cristão nº38 pg 41).
2. Dom de interpretação de línguas. Este dom opera juntamente com o Dom de línguas, formando ambos uma profecia (14:5,13,27,28).
Paulo não despreza o dom de línguas; sabe que ele é uma dádiva do Espírito Santo e jamais rejeitaria algo proveniente do Espírito. Quando diz no versículo cinco “Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas”, ele renuncia a qualquer intenção egoísta de limitar o dom apenas a si mesmo e a um pequeno grupo de favorecidos. Seu desejo é semelhante àquele expressado por Moisés: “Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito”(Nm 11:29b). Ao fazer essa afirmação, porém, Paulo sabia que não era da vontade de Deus que todos os cristãos tivessem um mesmo dom(cf 12:29-30). Ele preferia que os corintios profetizassem, pois, ao faze-lo, edificariam uns aos outros, enquanto, se falassem em línguas sem interpretação, seus ouvintes não entenderiam e, portanto, não seriam beneficiados. Paulo prefere a edificação à exibição. Se alguém fala em outra língua, deve orar para que a possa interpretar, ou para que alguém a possa interpretar(cf 14:13).
Na igreja de Corinto, se não houvesse interprete, o irmão devia permanecer calado na igreja. Podia ficar em seu lugar e falar silenciosamente em outra língua consigo mesmo e com Deus, mas não tinha permissão de se expressar em público(cf 14:28). Essa exortação deve ser bastante usual para os nossos dias, em nossas igrejas.
3. Dom de profecia. A profecia, como dom de expressão verbal, é enunciada claramente no idioma de quem a profere, "para edificação, exortação e consolação" de todos (v.3). O dom de profecia, hoje, não tem a mesma autoridade canônica das Escrituras (2 Pe 1.20), que são infalíveis. A profecia atual deve ser julgada (1 Co 14.29).
“Em nossos dias, temos visto que os termos” profecia “e” profetizar “têm sido mal utilizados. Muitas pessoas falam de si mesmas palavras boas como se estas fossem verdadeiras profecias, e ainda motivam outras pessoas a fazerem o mesmo. Paulo perguntou: ‘Porventura são todos apóstolos? São todos profetas?’(1Co 12:29). Essa pergunta foi feita para mostrar que nem todas as pessoas são profetas, ou seja, possui o dom de profecia dado pelo Espírito Santo. Desejar uma bênção para o próximo ou ter palavras de vitória tem sido encarado como uma profecia, o que é um erro terrível, pois os verdadeiros profetas falavam o que recebiam do Senhor: ‘Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo’(2Pe 1:21). Portanto, à luz da Bíblia, nem todas a pessoas são profetas e a vontade do homem, por mais bondosa que seja, não pode originar uma profecia verdadeira”(Ensinador Cristão nº38 pg 41).
São Dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas revelem mistérios ocultos aos homens, com a tomada de atitudes e condutas que evidenciem que Deus sabe todas as coisas e que nada Lhe fica oculto. São evidências da onisciência divina no meio do Seu povo. O pr. Antonio Gilberto explica que por intermédio dos dons de saber, a Igreja de Cristo manifesta sabedoria, ciência e discernimento sobrenaturais. Eles são de grande necessidade aos santos, habilitando-os a entenderem muito mais e a combaterem os espíritos do erro e suas artimanhas por toda parte. Considere-se a proliferação, inclusive dentro das igrejas, de falsas doutrinas, de imitação dos dons, de modernismos teológicos, de inovações antibíblicas, de falsos avivalistas, de "milagreiros" ambulantes, etc.
1. O Dom da palavra da sabedoria (1 Co 12.8). É o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que dêem, em ocasiões especiais e de forma sobrenatural, palavras orientadoras e que nos fazem sair de situações difíceis. A sabedoria, como as Escrituras informam, é algo que está além da razão humana, vem diretamente de Deus e tem no temor ao Senhor o seu princípio (Sl.111:10a). É um dom necessário ao pastoreio, na administração e liderança. O profeta Daniel tinha este Dom (veja Dn 1:17; 5:11,12; 10:1). Salomão, no caso das duas mães I Reis 3:16-28
2. O dom da palavra da ciência (v.8). É o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que tenham conhecimento sobrenatural de coisas. Sem que haja qualquer comunicação natural a respeito de um fato, o Senhor permite ao servo portador deste dom que tenha acesso a fatos e as ocorrências que estavam ocultas, com o propósito único e exclusivo de edificar, exortar e promover o crescimento espiritual de alguém. Vemos, pois, que nada há, neste dom, que o nivele a um mero exercício de adivinhação, como, lamentavelmente, se tem disseminado em muitos lugares. A adivinhação não passa de uma imitação fajuta e irrazoável deste dom, no mais das vezes sendo pura operação maligna (At.16:16), vez que tal prática é abominável aos olhos do Senhor (Lv.20:27; Ez.12:24). Este Dom operava nos profetas Eliseu (2 Rs 5.25,26) e Aías (1 Rs 14.1-8). Pedro, no caso de Ananias e Safira(ver At 5:1-10).
3. O dom de discernir os espíritos (v.10). É o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que identifiquem operações espirituais em acontecimentos e fatos do cotidiano: espíritos enganadores, demoníacos e humanos. Por intermédio deste dom, percebemos o aspecto espiritual envolvido nas mais diversas e simples ocorrências do dia-a-dia, não nos deixando cair nos laços do adversário, bem como nos precavendo até aquele grande dia, cuja proximidade também é resultado do nosso discernimento espiritual. É importante observar que o dom do discernimento é uma identificação súbita e momentânea, numa determinada situação, da operação espiritual, não se confundindo com o discernimento corriqueiro que todo cristão deve ter, por estar em comunhão com o Senhor e ter em si o Espírito Santo que o orienta a cada dia. Paulo tinha o dom de discernimento de espíritos (At 16.16-18).
VI - OS DONS DE PODER
São dons dados pelo Espírito Santo para que as pessoas efetuem demonstrações sobrenaturais do poder divino, com a realização de milagres, de maravilhas e de coisas extraordinárias, que confirmem a soberania de Deus sobre todas as coisas e a Sua presença no meio da igreja. São evidências da onipotência divina no meio do Seu povo. Esses dons são: Fé, Curas, e Operação de Maravilhas.
1. Dom da fé (12:9). É o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que alguém tenha uma fé especial, pela qual se faz, num instante, algum sinal ou prodígio específicos. Esta fé extraordinária permite a realização de algo igualmente inexplicável por parte do cristão, num momento, para a glorificação do nome do Senhor. O profeta Elias tinha o dom da fé segundo o relato de 1 Reis 1:10-12. Também, é manter a fé em Deus aconteça o que acontecer. Ex: A fé de Abraão quando entregou Isaque - Creu contra a esperança.
2. Os Dons de curar (v.9). Literalmente, "Dons de curas". São Dons de manifestação de poder sobrenatural pelo Espírito Santo para a cura das doenças do corpo, da alma e do espírito, dos crentes quanto dos incrédulos. Não devemos confundir os Dons de curar com o sinal de cura de enfermos, que se trata de uma operação divina feita para a confirmação da pregação do Evangelho. Os Dons de curar são repartidos pelo Espírito Santo especificamente a alguns, enquanto que, na operação de cura, Deus Se manifesta para confirmar a Sua Palavra.
3. Dom de operação de maravilhas (v.10). São operações de milagres extraordinários e espantosos pelo poder de Deus, para despertar e convencer os incrédulos. É o dom concedido pelo Espírito Santo a alguns crentes para que eles operem milagres, operações sobrenaturais distintas da cura de enfermidades. A Bíblia ressalta que, pelas mãos de Paulo, maravilhas extraordinárias eram realizadas (At.19:11). O milagre ou maravilha é um acontecimento cuja explicação foge à razão humana, é uma intervenção divina direta no curso das coisas, que contraria as próprias leis naturais. Ex: Moisés e o Mar Vermelho. Jesus e acalmando a tempestade e a ressurreição de Lázaro. Ver ainda At 8.6,13; Js 10.12-14. Moisés, Elias, Eliseu, Paulo, e inúmeros outros servos de Deus tinham esse dom.
Devemos, como servos do Senhor, buscar os Dons espirituais, pois eles indicam que há um crescimento espiritual do seu detentor, mas por vontade e misericórdia de Deus, para a Sua glorificação e a edificação espiritual do povo de Deus, que é a menina dos olhos do Senhor (Zc.2:8). Quem recebe um dom espiritual deve estar consciente que, em razão deste dom, não foi feito melhor dos que os demais irmãos, mas, bem ao contrário, foi-lhe dada uma responsabilidade ainda maior, de forma que deverá, sempre, usar este dom conforme a vontade do Senhor e de acordo com as Escrituras, pois deve sempre exercer este dom para a glória do nome do Senhor. Infelizmente é comum medirmos o grau de espiritualidade de um crente pela quantidade de dons que ele possui ou pelo fato de ele "ser muito usado por Deus". Entretanto, a Bíblia nos mostra o caminho mais excelente: o amor. Não é por acaso que Paulo associa dons, amor e Corpo de Cristo num mesmo tratado. Uma igreja pode reunir todos os dons espirituais, no entanto, se não tiver amor, ela não terá utilidade nenhuma no Reino de Deus (1 Co 13.3). O dom deve ser usado livre de escândalos, engano, falsificação, e dentro da decência e da ordem que a Palavra de Deus preceitua (1 Co 14.26-40).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Comentário Bíblico do Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco, Prof Antonio Sebastião da Silva.