Aula 11
A RESSURREIÇÃO DE CRISTO
Leitura Bíblica: 1 Coríntios 15.1-58
14 de Junho de 2009
“Aos quais também, depois de haver padecido, se apresentou vivo, com muitas provas infalíveis, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias, e lhes falando das coisas concernentes ao reino de Deus”(At 1:3).
O capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios é uma exposição detalhada sobre a doutrina da ressurreição dos mortos. Paulo começa tratando da ressurreição de Jesus. Muitos na igreja de Corinto diziam não haver ressurreição (15:12). Negavam até a ressurreição do próprio Cristo. Eram influenciados pelas idéias racionalistas dos filósofos gregos. Os gregos criam na imortalidade da alma, mas não na ressurreição do corpo. Para eles o corpo era a fonte da fraqueza e do pecado humano. A morte era o meio bem-vindo pelo qual a alma se libertava do corpo. A ressurreição, em seu pensamento, somente voltaria escravizar a alma. Por isso, Paulo apresenta aos irmãos de Corinto as provas irrefutáveis da ressurreição de Jesus Cristo.
A Ressurreição de Cristo é o grande diferencial do cristianismo com relação a toda e qualquer religião ou sistema filosófico-religioso. Os grandes líderes religiosos estão todos sepultados e seus sepulcros são locais de peregrinação e de idolatria. Seus ensinamentos, ainda que sábios e valiosos, não foram suficientes para que eles vencessem a morte e o pecado. Jesus, porém, mostra sua superioridade ao ter vivido sem pecado e triunfado sobre o grande problema da humanidade: o pecado e a morte. O túmulo vazio é a prova indelével e irrefutável de que só Jesus é a verdade, só Ele pode nos levar à comunhão com Deus.
Nas Sagradas Escrituras, a ressurreição dos mortos, tanto a dos salvos, como a dos perdidos, é uma doutrina de suma importância.
1. Definição. A ressurreição é a restituição à vida, ou seja, o retorno à unidade entre corpo, alma e espírito, que havia quando da vida física. É válido ressaltar que a ressurreição de Jesus foi a primeira ressurreição propriamente dita, porque Jesus ressuscitou em corpo glorificado, para não mais morrer. É importante observar que Jesus ressuscitou enquanto homem e, portanto, foi o Deus Pai quem O ressuscitou (At 2:32; 3:15; 4:10; 10:40; 13:30,37; Rm 4:24; I Co 6:14; 15:15; I Pe 1:21). Com a ressurreição, Jesus foi exaltado sobre todo o nome (Fp 2:9), passando, então, a ser chamado de Nosso Senhor (Rm 1:4), tendo todo o poder no céu e na terra (Mt 28:18).
A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS ACONTECERÁ EM DUAS ETAPAS DIFERENTES. É válido ressaltar que na ressurreição do mortos os corpos tanto dos salvos como também dos ímpios terão uma natureza eterna, não podendo mais morrer. Desta feita, para aqueles casos que a Bíblia nos fala de que tendo morrido foram ressuscitadas, tornando a morrer outra vez, como é o caso do filho da viúva de Serepta(I Reis 17:23); o filho da Sunamita(II Reis 4:32-36); o defunto lançado na sepultura de Elizeu( II Reis 13:21); o Filho da viúva de Naim(Lc 7:11-17); a Filha de Jairo(Lc 8:49-56); Lázaro(João 11:17-45); Dorcas( Atos 9:36-40) ; Êutico (Atos 20:27), para estes casos, à Luz da Doutrina Bíblica da Ressurreição propriamente dita, não se encaixam como ressurreição, mas apenas como volta à vida natural.
A Bíblia fala em Primeira e Segunda Ressurreição, separadas uma da outra por um período de cerca de mil anos. De acordo com a Bíblia, e conforme afirmou o próprio Jesus, todos os mortos ressuscitarão – “... vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”(João 5:28-29). Paulo também afirmou: “Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos”(Atos 24:15). Este e muitos versículos desfazem a idéia de que os ímpios serão destruídos e de que não haverá condenação porque “Deus é amor”. Segundo a Bíblia, todos ressuscitarão. O que precisamos saber é que os justos não irão ressuscitar juntamente com os ímpios. A ressurreição dos mortos acontecerá em duas etapas diferentes: uma para os justos e a outra para os ímpios.
a) A Ressurreição dos justos – ou Primeira Ressurreição. Na Primeira Ressurreição serão ressuscitados todos os santos, de todos os tempos. Não haverá ressurreição dos ímpios, nesta oportunidade. Os santos receberão corpos glorificados, dotados de vida eterna, e conforme o corpo do Senhor Jesus, segundo o ensino de Paulo: “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”(Fp 3:20-21). Também o Apóstolo João, declarou: “... Mas sabemos que, quando ele se manifestar seremos semelhantes a ele...”(I João 3:2). Em 1 Co 15:52, Paulo assim afirma: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados”.
Quando acontecer a primeira Ressurreição todos os santos, ou seja, aqueles que morreram em Cristo, serão levados para o Céu, ou na expressão usada por Jesus, para a “Casa de meu Pai”(João 14:1-3). Foi assim que Paulo ensinou aos Tessalonicenses: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”(I Tes 4:16-17).
b) A Segunda Ressurreição. “... e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação”(João 5:29). Conforme se pode observar, esta é a ressurreição dos ímpios. Ela somente acontecerá depois do Milênio – “Mas os outros mortos não reviveram, ate que os mil anos se acabaram...”(Ap 20:5). Estes “outros mortos” são todos aqueles que morreram sem a salvação, tanto no Antigo como no Novo Testamento, ou seja, são os ímpios de todos os tempos, que, certamente, estarão diante do Grande Trono Branco para o Juízo Final. Esse momento foi visto e descrito por João em Apocalipse 20:11-15: “E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o hades entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo”.
2. A ressurreição de Cristo é nossa garantia no presente. Quanto a isso, a Bíblia declara: "E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé" (1 Co 15:14). Se Cristo não tivesse ressuscitado não haveria razão de servos crentes. A sua ressurreição é a maior substância de nossa pregação e de nossa fé. O Senhor havia prometido que ressuscitaria dentre os mortos no terceiro dia. Se não tivesse ressuscitado nessa ocasião seria um impostor ou se havia equivocado. De qualquer modo, não seria digno de confiança. Mas, Ele ressuscitou e: "se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas" (At 1:.3). Veja o item IV a seguir.
Sem a ressurreição de Cristo não pode haver salvação. Se o Senhor Jesus não havia ressuscitado dentre os mortos, era impossível saber se sua morte havia sido de mais valor que a de qualquer outra pessoa. Ao ressuscitá-lo dentre os mortos, porém, Deus testificou sua satisfação total com a obra redentora de Cristo.
3. A ressurreição de Cristo é a nossa garantia no futuro. "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem" (1 Co 15:19,20). Se Cristo não tivesse ressuscitado, então os cristãos vivos se encontrariam em uma condição tão miserável quanto aqueles que morreram. Todavia, Paulo, no versículo 20 anuncia triunfalmente a realidade da ressurreição de Cristo e de suas conseqüências benditas: Mas, agora, Cristo ressuscitou dentre os mortos e foi feito as primícias dos que dormem. Glórias a Deus! A ressurreição dos que dormiram em Cristo, marcará o início da vida eterna de glória da Igreja com o Senhor no céu.
4. Como será o corpo da ressurreição? Há muitas explicações diferenciadas a cerca desse tema, mas a Bíblia de forma simplória não deixa dúvida, pois tal qual o Senhor Jesus ressuscitou os crentes também ressuscitarão e seremos semelhante a Ele( 1 João 3:2). Vejamos algumas dicas da Bíblia:
a) O corpo será visível – “ Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho”Lc 24:39). Vede que o corpo de Jesus não era somente uma visão ou um fantasma; os discípulos tocaram o Mestre e Ele ingeriu alimentos. Mas o corpo de Jesus não era um corpo humano restaurado como o de Lázaro (João 11), porque Ele podia aparecer e desaparecer. O corpo ressurreto de Jesus era imortal. Este é o tipo de corpo que nós receberemos na ressurreição(1 Co 15:42-50).
b) O corpo será incorruptível (ver 1 Co 15:42-54). Nosso corpo presente é perecível e propenso a decair. O da ressurreição será transformado. Este corpo espiritual não será limitado pelas leis da natureza. Isso não significa necessariamente que seremos “super homens”, mas que o nosso corpo será diferente e mais capaz do que o nosso atual corpo terreno. Nosso corpo espiritual não será frágil, nunca ficará doente e nunca morrerá.
Todos nós enfrentamos limitações. Alguns podem ter deficiências físicas, mentais ou emocionais. Alguns podem ser cegos, mas podem ver um novo modo de viver. Alguns podem ser surdos, mas podem ouvir as Boas Novas de Deus. Alguns podem ser paralíticos, mas podem andar no amor de Deus. Além disso, todos têm o consolo de que tais deficiências são apenas temporárias. Paulo disse que todos nós receberemos novo corpo quando Cristo voltar e que este corpo não terá deficiências, nunca morrerá nem ficará doente. Isso pode nos dar esperança em nosso sofrimento.
c) O corpo será palpável – “Depois disse a Tomé: Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; chega a tua mão, e mete-a no meu lado; e não mais sejas incrédulo, mas crente”(João 20:27). O corpo ressurreto de Jesus era singular. Não possuía o mesmo tipo de carne e sangue que Lázaro tinha quando voltou à vida. O corpo de Jesus não estava mais sujeito às mesmas leis da natureza, como antes de sua morte. Ele podia aparecer em um recinto fechado, mesmo não sendo um fantasma ou uma aparição; também podia ser tocado e comer. A ressurreição de Jesus foi literal e física; Ele não era um espírito desencarnado.
d) O corpo será vivificado – “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita”(Rm 8:11). O Espírito Santo é a promessa de Deus, a garantia de vida eterna, para aqueles que crêem nEle. O Espírito está conosco pela fé; por ela temos a certeza de que viveremos com Cristo eternamente – “Ora, Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também nos ressuscitará a nós pelo seu poder”(1 Co 6:14). Ver ainda: Romanos 8:23; 2 Corintios 4:14; 1 Tessalonicenses 4:14.
Portanto, a ressurreição de Jesus é a garantia de nossa ressurreição – “Sabemos que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus e nos apresentará convosco”(2Co 4:14). “Ora, o Deus que também ressuscitou o Senhor nos ressuscitará a nós pelo seu poder”( 2 Co 6:14).
A verdade da ressurreição dos mortos permeou de forma marcante as escrituras do Antigo Testamento. As quatro referências mais importantes são: Jó, Davi, Isaias e Daniel.
1. A profecia de Jó. No que parece ser o mais antigo livro da Bíblia, o livro de Jó, o patriarca afirma que espera ver o Senhor na sua própria carne, ou seja, não em um corpo de uma outra pessoa, mas num corpo seu e somente seu para se apresentar diante de Deus: “em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26). Jó tinha plena consciência que retornaria, no fim dos tempos, a ter a mesma unidade que o caracterizara na sua existência terrena, ou seja, que tornaria a ter um corpo, no qual estariam sua alma e espírito.
É certo que, a este tempo da revelação divina, o patriarca ainda não tinha a compreensão que haveria no tempo do apóstolo Paulo, de que o corpo com o qual veremos a Deus não é o corpo de carne e ossos que agora temos, mas, sim, um corpo incorruptível e glorioso (cf. 1 Co15:44-54), mas, de qualquer maneira, e é o que nos importa aqui, tinha plena consciência do que era a ressurreição, prova de que toda a mitologia então existente não fora capaz de ofuscar um conceito que, muito seguramente, havia sido revelado por Deus aos mais antigos patriarcas (Enoque certamente deveria ser um deles, pois, se havia profetizado sobre o retorno de Cristo com os Seus santos, como se verifica em Jd.14.Não é desarrazoado pensar que lhe tivesse sido dito algo sobre a ressurreição). No Antigo Testamento, portanto, vemos que a idéia da ressurreição está presente, ainda que de forma tímida, como não poderia ser diferente, já que a ressurreição, como tudo o que haveria de se concretizar na pessoa de Jesus, tinha de ser apresentada como sombra, como figura (Rm 15:4; Hb 10:1).
2. A profecia de Daniel. Considerado o principal escritor apocalíptico do Antigo Testamento, Daniel assim refere-se a cerca da ressurreição: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno" (Dn 12.2). Esta é uma referencia clara à ressurreição dos justos e dos ímpios, embora o destino eterno de cada grupo seja bem diferente. Isto revela que há dois e somente dois destinos para toda a humanidade.
3. A profecia de Davi. O rei Davi, que também era profeta(At 2:30), já antevia, por inspiração divina, que o Messias provaria a morte, mas haveria de ressuscitar dentre os mortos: “Pois não deixarás a minha alma no Seol, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”(Sl 16:10). Muitas pessoas temem a morte porque não podem controlá-la ou compreendê-la. Como crentes, podemos estar certos de que Deus nos levará à vida para que vivamos com Ele para sempre. Isto fornece a verdadeira segurança.
4. A profecia de Isaias – “Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão; despertai e exultai, vós que habitais no pó; porque o teu orvalho é orvalho de luz, e sobre a terra das sombras fá-lo-ás cair” (Is 26:19). Esta é uma das declarações de maior peso do Antigo Testamento sobre a ressurreição dos mortos. Aqueles, que forem fiéis servos de Deus, levantar-se-ão da terra e viverão de novo(João 5:28,29; 1 Co 15:50-53; Fp 3:21).
5. A profecia do próprio Cristo. Em diversas ocasiões, o Senhor Jesus advertiu aos seus discípulos que Ele, haveria de ser entregue aos pecadores, e também morrer, a fim de resgatar a humanidade de seus pecados e iniqüidades. Todavia, iria ressuscitar ao terceiro dia (Mt 16.21).
III. O FATO DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO
A ressurreição de Jesus é um fato bíblico e comprovadamente histórico. É o episódio que dá sentido e significado à fé cristã. Sem ela, como disse o apóstolo Paulo, o cristianismo não teria razão de ser (I Co.15:14). Ela é o fato que distingue o Cristianismo de toda e qualquer outra religião, a verdade que demonstra que Jesus é o Salvador do mundo, a Verdade e a Vida.
Vários líderes religiosos deixaram suas marcas e ensinamentos na história da humanidade. Todos morreram e seus restos mortais ainda se encontram na sepultura. Somente o sepulcro de Jesus se encontra vazio, e a respeito dEle os anjos disseram: “Ele não está aqui, porque já ressuscitou” (Mt. 28.6). Esse é motivo de grande surpresa, como o foi para os oficiais romanos (Mt 28:2,4), e para todos nós também. Os discípulos, por sua vez, passaram a ter plena convicção daquele acontecimento, o que lhes trouxe coragem e ousadia, no Espírito. Homens que, outrora medrosos, passaram a anunciar o evangelho de Cristo, sacrificando, se necessário fosse, suas vidas por amor a Cristo (João 20:28; At 2:24,32; 3:15; 5:30).
O evangelista Lucas assim registra a ressurreição de Nosso Senhor: "E, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado. E acharam a pedra do sepulcro removida. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois varões com vestes resplandecentes. E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia" (Lc 24:1-6). Esta é a grande diferença entre a fé cristã e as demais crenças que o homem tem: o fato de que Deus provou a verdade do evangelho e do perdão dos pecados em Cristo Jesus por intermédio da ressurreição de Jesus.
Portanto, a Ressurreição de Cristo é a base angular de nossa fé, a ponto de o apóstolo Paulo ter dito que a fé cristã seria vã, seria vazia, não teria qualquer sentido se Cristo não tivesse ressuscitado. O túmulo vazio é a principal e a irrefutável prova de que a Ressurreição de Cristo é um fato, e que Ele é a verdade e que Seu sacrifício foi aceito por Deus e tem poder para reconciliar a humanidade com o seu Criador.
IV. AS TESTEMUNHAS DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO
As evidências da ressurreição de Cristo já se encontravam nas "Escrituras" desde o Antigo Testamento (Sl 16.8-10; Os 6.2). O primeiro argumento para fundamentar a doutrina do Cristo ressuscitado tem sua base na Palavra de Deus. Depois temos as provas factuais, pois a ressurreição de Jesus é um fato incontestável. A Bíblia afirma que Jesus "... se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias" (At 1:3). A expressão "infalíveis provas” refere-se à prova baseada em fatos que, por si só, suscitam credibilidade. Essas provas infalíveis e incontestáveis jamais puderam ser refutadas. As autoridades religiosas de Jerusalém lutaram muito para neutralizá-las, mas não o conseguiram (Mt 28.11-15).
AS APARIÇÕES DE CRISTO DEPOIS DA RESSURREIÇÃO SÃO AS SEGUINTES:
a) Às várias mulheres que voltavam do sepulcro(Mt 28:9,10). Elas já sabiam que Jesus havia ressuscitado, pois, além de terem visto o túmulo vazio, um anjo lhes anunciou a mensagem da ressurreição. Elas, apressadamente, foram até onde estavam os discípulos e contaram o que havia se passado. Neste primeiro contato, já havia, pelo menos, quatro testemunhas, pois foram ao sepulcro: Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José; Salomé, que era a mãe de Tiago e de João; e Joana (Mt.28:1; Mc.16:1; Lc.24:10; Jo.20:1). Tinha-se, pois, número suficiente para que se considerasse verdadeiro o testemunho das mulheres segundo a lei de Moisés (Dt.19:15; Mt.18:16).
b) A Pedro - em localização indefinida (Lc 24:34; 1 Co 15:5). Não se tratava mais de “depoimento de mulheres”, nem tampouco de alguém que tivesse visto a Jesus solitariamente.
c) Aos dois discípulos que iam a caminho de Emaús(Lc 24:13-32). O nome de um dos dois era Cleopas(24:18); não sabemos a identidade do outro. Existe a possibilidade de ser sua esposa. Certa tradição afirma que era Lucas. Somente podemos ter certeza de que não se tratava de um dos onze discípulos(cf 24:33). Ao chegar em Emaús os dois convidaram o seu Companheiro de viagem a passar a noite com eles. Ao assentar à mesa, o Convidado partiu o pão e lhes deu, eles o reconheceram pela primeira vez. Logo que isso aconteceu, desapareceu. Então eles retomaram a viagem do dia. Em vez de passar a noite em Emaús, voltaram depressa a Jerusalém onde acharam os onze e os outros reunidos. Antes de eles poderem compartilhar as alegres noticias, os discípulos em Jerusalém anunciaram que o Senhor verdadeiramente ressuscitara e aparecera a Simão Pedro.
d) A todos os discípulos, exceto Tomé e outros com eles(Lc 24:36-43). Os discípulos o viram, depois ouviram-no dizer: “Paz seja convosco”. Eles ficaram atemorizados, pensando que era um espírito. Somente quando ele lhes mostrou as marcas do seu sofrimento nas mãos e nos pés começaram a entender. Mesmo assim, era bom demais para ser verdade. Para poder mostrar-lhes que ele era realmente Jesus, o Senhor comeu um pedaço de peixe assado e um favo de mel.
e) A todos os discípulos num domingo à noite, uma semana depois (João 20:26-31). Uma semana depois, o Senhor apareceu aos seus discípulos novamente. Dessa vez Tomé estava com eles. Outra vez o Senhor pôs-se entre eles de maneira milagrosa e de novo saudou-os com “Paz seja convosco”. O Senhor tratou de forma amável e paciente seu seguidor incrédulo. Convidou-o a provar a realidade da sua ressurreição pondo a sua mão no ferimento da lança no seu lado. Tomé se convenceu. Se ele pôs a mão no lado do Senhor, não sabemos. Mas ele sabia enfim que Jesus havia ressuscitado e que era tanto Senhor como Deus.
f) A sete discípulos no Mar da Galiléia (João 21:1-25). Agora a aparição de Jesus se dá no Mar da Galiléia. Os discípulos viajaram para o norte, aos seus lares na Galiléia. O Senhor Jesus os encontrou ali. Sete dos discípulos estavam juntos no momento: Pedro, Tomé, Natanael, Tiago e João(os filhos de Zebedeu) e mais dois cujos nomes não conhecemos. Ali foi feito o grande milagre da pesca, onde sob a ordem do Senhor foi lançada a rede à direita do barco e foi colhido cento e cinqüenta e três grandes peixes(João 24:11).
g) A 500 crentes na Galiléia(cf Mt 28:16-20 com 1 Co 15:6). Acredita-se que a aparição do Senhor a mais de quinhentos irmãos se deu na Galiléia. Na época em que Paulo escreveu a epístola de 1 Corintios, alguns desses irmãos já estavam com o Senhor no lar celestial, mas a maioria permanecia viva(1 Co 15:6). Em outras palavras, se alguém desejasse contestar a veracidade das afirmações do apóstolo, as testemunhas ainda estavam vivas e podiam ser interrogadas.
h) A Tiago(1 Co 15:7). Era meio-irmão natural de Jesus. Antes, ele não acreditava que Jesus fosse o Messias de Israel (Jo 7:5). Jesus, já ressurreto apareceu a Tiago, que veio a tornar-se uma das colunas entre os santos (Gl 2:9). A propósito, não devemos nos esquecer de que os irmãos de Jesus eram incrédulos (Jo.7:5). Ora, como, então, entender que tenham crido em Jesus e, inclusive, juntamente com sua mãe, esperaram o derramamento do Espírito Santo até o dia de Pentecostes no cenáculo (At.1:14), senão pelo impacto gerado pelo fato de Jesus ter aparecido a Tiago após a ressurreição? Pessoas que não creram em Jesus enquanto Ele curava, expulsava demônios, fazia milagres, teriam passado a crer com base em alucinações, farsas e fantasias? Evidentemente que não! Jesus realmente ressuscitou e isto não pôde ser desmentido por ninguém! Aleluia!
i) Aos apóstolos no momento da sua ascensão(At 1:3-11). Durante os quarenta dias entre sua ressurreição e ascensão, Cristo apareceu aos discípulos e ofereceu provas incontestáveis de sua ressurreição física. Neste ínterim, também tratou com eles de questões referentes ao reino de Deus. Sua preocupação central não era com os reinos deste mundo, mas com o reino ou âmbito onde Deus é reconhecido com Rei. Logo depois de comissionar os discípulos, Jesus foi levado às alturas, à vista deles, e numa nuvem o encobriu dos seus olhos. No momento apareceram dois varões vestidos de branco, eram seres angelicais que apareceram na terra na forma de varões. E eles se dirigiram aos discípulos e disseram: “Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o viste ir”(At 1:11). Temos aqui uma certeza clara da segunda vinda do Senhor para estabelecer seu reino na terra. Não se trata do arrebatamento, mas da vinda do reino.
j) Ao apóstolo Paulo(1 Co 15:8). A última aparição do Senhor ressuscitado foi testemunhada pelo apóstolo Paulo, conforme ele mesmo testifica. Paulo, após ter um encontro pessoal com Jesus, o Jesus ressurreto, não pôde negar a realidade da ressurreição de Cristo e passou a pregá-la(I Co 15:1-4), mesmo quando isto representasse o escárnio dos intelectuais de seu tempo (At 17:32). Como entender que alguém tão letrado e versado tanto na lei judaica, quanto na filosofia grega ou no direito romano, renegasse todo o seu conhecimento e o saber que tinha em nome de uma “ilusão”, de uma “alucinação”, “alucinação” que o levaria a enfrentar morte e perseguição? Não há como se justificar tal fato senão pela circunstância de que a ressurreição é uma realidade que gera fé e esperança por meio de Jesus, que dá sentido à vida espiritual.
Portanto, todas estas aparições de Jesus tiveram por finalidade mostrar que Ele verdadeiramente ressuscitou e que não havia como negar este fato concreto, que, além do mais, se encontrava demonstrado pelo túmulo vazio. Os discípulos, que não haviam compreendido que Ele havia de ressuscitar, ao verem Jesus ressurreto, não tiveram dúvida alguma da veracidade desta mensagem e passaram a pregá-la com veemência e intrepidez.
A ressurreição de Jesus é a principal prova de que a fé cristã é a verdadeira, de que o caminho para a salvação é Jesus e, ao mesmo tempo que é o fundamento da nossa fé, é o motivo da esperança que faz com que o crente não se desespere ao ver a partida de um irmão em Cristo. Assim como Jesus ressuscitou, também os crentes que morrerem antes da volta do Senhor ressuscitarão(1 Co 15:51-54). Ele prometeu que todos os Seus com Ele viveriam para sempre nas moradas celestiais que Ele haveria de preparar(João 14:1-3). Assim como Cristo, também venceremos as ânsias da morte para estarmos com o Senhor para sempre (1 Ts 4.17). Ora vem Senhor Jesus!
"Receberemos do Senhor um corpo glorioso. A lei da gravidade não é mais forte do que nosso novo tabernáculo. Subiremos às nuvens para nos encontrar com o Senhor. Tudo o mais ficará preso à temporalidade e a gravidade deste mundo. Mas os salvos, juntos do Senhor, descansarão de sua militância; de nossas agruras terrenas não nos lembraremos mais (2 Co 5.1,2). Tudo será passado, e a única coisa importante será a eternidade que passaremos com o Senhor. Nossos corpos mortais serão revestidos de imortalidade. Nossos corpos naturais revestir-se-ão de espiritualidade. Não sentiremos mais cansaços físicos, pois nossos novos corpos não se enfadam. Não sofreremos mais as longas primaveras da vida, pois seremos revestidos de glória, jamais envelheceremos. O "mortal", diz Paulo, será "absorvido pela vida" (2 Co 5.1-4).Maranata!".
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Comentário Bíblico do Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco, Prof Antonio Sebastião da Silva.