Aula 13

AMOR, A VIRTUDE SUPREMA.

Leitura Bíblica: 1 Coríntios 13.1-8,13.

28 de Junho de 2009

 

"E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5.5).

 

INTRODUÇÃO

Com esta aula terminamos o estudo da primeira carta de Paulo a Igreja de Corinto. Após estudamos sobre os diversos problemas e virtudes daquela igreja encerramos o trimestre com o tema de sublime importância: o amor ágape,amor por excelência, que tem em Deus a sua origem. Este Amor é a suprema virtude do Fruto do Espírito. É a primeira característica do fruto do Espírito. Sem que haja o verdadeiro amor na vida do crente, nenhuma das outras características poderá se manifestar na vida do homem. Ele é a base para ativação do Fruto em nossas vidas. É exercido pelo coração e mente, e engloba os nossos sentimentos e a nossa vontade. Todas as demais qualidades do Fruto do Espírito emanam do amor Ágape. A sua extensão visa exclusivamente o interesse das pessoas. Existindo amor, não há divisões entre os irmãos, não há tolerância em relação ao pecado, irmãos processando irmãos em tribunais seculares, desrespeito em relação ao casamento nem abusos durante a Santa Ceia. Este amor e o seu contínuo desenvolvimento deve ser buscado pelo cristão a cada dia, até o dia do arrebatamento da Igreja.

 

I - A EXCELÊNCIA DO AMOR CRISTÃO

Deus é amor e é impossível que quem O sirva não tenha este mesmo amor, o qual se demonstra não só por palavras, mas, principalmente, por obras (I Jo.3:18). Numa das mais profundas definições de Deus na Bíblia o apóstolo João, que é chamado de "apóstolo do amor", disse que Deus é amor (I Jo.4:8b). Ora, se Deus é amor, como pode gerar filhos que não tenham o mesmo amor? Como sabemos, os filhos têm a mesma herança dos seus pais. Jamais alguém que seja feito filho de Deus (Jo.1:12), que tenha sido gerado da água e do Espírito (Jo.3:5), que seja participante da natureza divina (II Pe.2:4), não tenha, pois, o amor divino. A prova de que alguém é realmente um filho de Deus está, precisamente, em ter este amor (cf 1Jo 4:7). Jesus deixou-nos isto muito claro ao dizer que seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor(Jo.15:12; I Jo.2:10,11; 3:10,11). Ele é o pressuposto, é o elemento primeiro e indispensável para que alguém seja um cristão e possa ser um vaso de bênçãos nas mãos do Senhor. O resultado do novo nascimento é a criação do amor divino no homem e a sua demonstração aos semelhantes e a todo o Universo. Logo, a falta de amor na vida de um crente é uma prova contundente de que o mesmo está fora do plano da salvação que Deus nos proporcionou pela força do seu divino amor.

1. O amor cristão é imprescindível. O amor é imprescindível para quem diz ser filho de Deus. É como se fosse o próprio DNA espiritual do cristão sincero e verdadeiro. Devemos observar que este amor não é apenas a essência da comunhão entre Deus e o homem, o próprio núcleo da vida espiritual, mas é, como afirma Paulo, a primeira virtude do fruto do Espírito (Gl.5:22), ou seja, necessariamente este amor tem de se traduzir em atitudes, em ações, tem de se manifestar fora do indivíduo. Não foi por outra razão que Deus, ao entregar a Moisés a lei, estabeleceu que o resumo de todos os mandamentos fosse “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder.”(Dt.6:5). Só assim poderia haver a guarda de todos os mandamentos e, por conseguinte, temor a Deus (cfr. Dt.6:1,2), mandamento este que foi endossado por Cristo, quando indagado a respeito do que era mais importante na lei (Mt.22:37).

O amor é a marca registrada do discípulo de Jesus, conforme afirmou o próprio Jesus: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”(João 13:35).

O amor é, também, o distintivo do filho de DeusAmai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo...” (Lc 6:35).

A falta de amor que paira sobre as pessoas que não são salvas, que realmente é uma característica dos que não temem a Deus, tem, infelizmente, se alastrado em muitos que se dizem ser cristão. A crescente onda do mal tem distorcido a visão das pessoas de tal forma que aquilo que é malévolo parece banal. Isso está ocasionando a insensibilidade e o esfriamento do amor, infelizmente, até mesmo entre os cristãos A falta de amor é um dos principais fatores da mornidão espiritual que avança no meio dos que cristãos se dizem ser.

Quando aceitamos a Cristo, o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm.5:5); das virtudes cristãs, é a mais importante (I Co.13:13). Assim, não podemos, em hipótese alguma, permitir que esta virtude, esta disposição de caráter, esta força que nos impulsiona a tomar as atitudes do dia-a-dia, desapareça de nossas vidas, por causa da multiplicação do pecado.

Portanto, o amor é o que nos distingue como filhos de Deus; não é o dom de profecia, o poder de falar em nome de Deus ou de realizar curas, etc. De que adianta ao crente ser dotado de todos os dons espirituais e até demonstrar auto-sacrifício, se ele não pratica o amor de Deus em sua vida cotidiana? Os dons são temporários e não distribuídos a todos os crentes, mas o amor é uma virtude permanente e deve existir em todos os crentes indistintamente, pois ele é o “cartão de identidade” do Cristão verdadeiro( 1 João 4:8; Rm 5:5,8).

Sem o genuíno amor de Deus operando em nossos corações, os mais destacados dons tornam-se ineficazes. Jesus deu poder aos seus discípulos, enviou o Consolador, mas deixou claro que seríamos conhecidos como seus discípulos se amássemos uns aos outros(Jo 13:35). Deus sabe que somos todos diferentes, física e psicologicamente falando. Havia diferença também entre os discípulos, mas o Senhor ordenou que amassem uns aos outros. O novo mandamento – de demonstrar o amor -  é a diferença cristã em um mundo egoísta e vingativo.

2. A natureza do amor cristão. O amor “ágape” é a essência divina. Ele é diferente do amor que tem nascimento no homem. O amor que nasce do homem é egocêntrico, ou seja, busca os seus próprios interesses. Amamos porque o ente amado nos faz bem, nos traz algum benefício; amamos aquelas pessoas cuja companhia nos é agradável; amamos as coisas que nos trazem satisfação. Por isso, por exemplo, muitos amam o dinheiro, porque ele traz aos que o possuem coisas agradáveis, permitem a satisfação de suas necessidades. Quem busca a Deus única e exclusivamente para ter benefícios desta comunhão vive este amor humano. Ama a Deus porque Ele lhe proporciona saúde, riqueza, prosperidade, mas, se vierem as dificuldades, as lutas e as provações, estas pessoas deixam de amar o Senhor, precisamente porque este amor não é o verdadeiro amor divino, o amor "agape", mas apenas um amor emocional, sentimental, nascido na natureza carnal.

A busca e o desenvolvimento deste amor no nosso ser é o caminho a ser seguido pelo cristão. Formar Jesus em nós (cfr. Gl.4:9) nada mais é que conseguirmos amar como Jesus nos amou (Jo.15:9,10,12). Por isso, Paulo insistiu tanto com os coríntios para que trilhassem o caminho mais excelente, que é, precisamente, o da aquisição e prática do amor (I Co.12:31).

 

II - CARACTERÍSTICAS DO AMOR DE DEUS NO CRENTE

Como o amor divino é um comportamento mais do que um sentimento, precisamos verificar se temos agido conforme a vontade do Senhor, pois a falta de amor se traduz em atitudes que não correspondem ao parâmetro estabelecido nas Escrituras Sagradas. Precisamos vigiar para saber se estamos a agir com amor, se a maldade reinante no mundo não nos tem contaminado e feito com que percamos o amor. Para tanto, o apóstolo Paulo ensinou-nos quais são as características deste amor, a fim de que, pela sua descrição, verifiquemos se estamos, ou não, a agir com amor, se o amor de Deus ainda permanece em nós.

1. O amor é sofredor(I Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor proveniente de Deus não se importa com o sofrimento, com o padecer. Quem ama, sofre se este sofrimento representa o bem do ente amado. O amor divino é altruísta, ou seja, vê o benefício do outro e vive em função do outro, não de si mesmo. O “amor de si mesmo”, o individualismo, o egocentrismo são características dos tempos trabalhosos e não podem ser adotados, como infelizmente o têm sido na vida de muitos dos que cristãos se dizem ser.

Quem ama com este amor suporta danos pessoais causados por alguém, sem ressentimento ou retaliação; caminha uma segunda milha com quem o feriu, oferece a outra face, suporta os insultos etc. (Mt 5.39-41). Nos dias em que vivemos, ninguém quer sofrer, nem admite fazê-lo, muito menos quando o sofrimento é motivado pelo gesto de alguém. Vivemos os dias em que “ninguém leva desaforo para casa”, em que não se pensa duas vezes para prejudicar alguém que causou algum aborrecimento ou prejuízo para nós. Nesta conduta contrária ao sofrimento, muitos têm se desviado da fé. Jesus é mostrado no livro do profeta Isaías como o Servo sofredor (Is.42:1-4; 49:1-6; 50:4-9; 52:13-53:12), e nós devemos seguir-Lhe as pisadas (I Pe.2:21).

2. O amor é benigno(I Co.13:4). O amor de Deus em nós vence o mal com o bem. "Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem" (Lc 6.27). A Lei de Moisés contemplava o principio da vingança pessoal, sendo que uma ofensa deveria ser paga com outra ofensa – “Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe”(Ex 21:24-25). O Senhor Jesus, contudo, em seu Reino, implantou uma nova Lei: a Lei do Amor, que instituiu o Princípio do Perdão: “... Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”(Mt 5:38-44).

Amar nossos inimigos; bendizer os que nos maldizem; fazer bem aos que nos odeiam; orar pelos que nos maltratam e nos perseguem – isto é demais. Se esta é a condição, e esta é a condição, então é certo que o homem natural jamais poderá chegar no Céu; jamais poderá viver a vida cristã como ela deve ser vivida; jamais poderá ser filho de Deus. Para ser filho de Deus é preciso viver conforme o Senhor Jesus ensinou: “Para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus...”. O Pai, que está no céu, ama e abençoa os seus inimigos – “... porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos”(Mt 5:45). Perceba que os maus e os injustos devem suas vidas a Deus e foi, também, por eles que Deus deu o seu Filho – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Nunca houve Reino sem prisões cheias de inimigos, sem pena de morte para quem se levantasse contra o Rei. Todavia, o Senhor Jesus fundou o seu Reino em bases nunca vistas antes. Em lugar de mandar prender, espancar, matar seus inimigos e opositores de seu Reino, ele ordenou aos seus súditos, como um dever, dizendo-lhes: “amai a vossos inimigos...”. Jesus é, pois, um Rei diferente de todos os demais reis e seu Reino em nada se assemelha a qualquer outro reino. Ele também exige que seus súditos não sejam como os súditos dos outros reinos. O amor é o fundamento do seu Reino.

3. O amor não é invejoso (I Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor não cobiça o que é do próximo, não se incomoda com o sucesso, o êxito e o bem-estar do seu semelhante. A inveja, diz-nos a Escritura, é a podridão dos ossos (Pv.14:30b) e, em razão dela, ocorreu o primeiro homicídio. Queiramos o progresso e o sucesso do próximo, alegremo-nos com a alegria do outro, não cobicemos as suas bênçãos, nem a sua posição. Jesus, sendo o próprio Deus, fez questão de prometer e destinar aos seus servos maior êxito e maior sucesso ministerial do que o dEle próprio (Jo.14:12). Se não aguentamos o bem do próximo, o sucesso do nosso vizinho, do nosso irmão, do nosso companheiro de trabalho, cuidado, este é um sinal evidente da falta de amor, logo não é um verdadeiro filho de Deus.

4. O amor não trata com leviandade (I Co.13:4). Quem ama não busca a vanglória, não tem o objetivo de alcançar a vaidade, o poder pelo poder, a satisfação pela satisfação. Muito pelo contrário, o verdadeiro amor sempre tem uma finalidade: o de obter a glorificação de Deus. Jesus tudo fez neste mundo para que o nome do Senhor fosse glorificado (Jo.17:4) e deve ser este o comportamento de todo verdadeiro cristão (Mt.5:16).

5. O amor não se ensoberbece (I Co.13:4). O amor não gera orgulho. O amor proveniente de Deus não cria uma auto-suficiência no homem, não o faz sentir melhor do que os outros, não faz nascer um senso de superioridade em quem ama. O orgulho só aparece quando se acha iniquidade no ser orgulhoso, exatamente do mesmo modo que ocorreu com o diabo (Is.14:12-14; Ez.28:15).

6. O amor não é indecente(I Co.13:4). Quem ama não é indecente, segue os bons costumes, demonstra pudor, compostura e respeito. Quem ama é puro, tem autoridade moral, sendo transparente e de excelente reputação. Será, sim, criticado, mas as críticas que lhes forem feitas, apenas servirão para evidenciar o seu bom testemunho e o bom porte apresentado diante de Deus e dos homens (I Pe.2:12).

7. O amor não é interesseiro (I Co.13:5). O amor proveniente de Deus é altruísta, leva em conta o outro, não está interessado em si mesmo, nem em seu próprio benefício, mas antes quer o benefício do outro.

8. O amor não se irrita (I Co.13:5). O amor apresenta uma mansuetude, uma tranquilidade, irradia uma paz que é diferente das promessas de paz oferecidas pelo mundo. A paz daquele que ama é, precisamente, a paz de Cristo (Jo.16:33), a paz verdadeira. O amor não é irritante, não provoca contendas, divisões, nem se envolve em competições e em tarefas de destruição do próximo. O amor tudo suporta (I Co.13:7).

9. O amor não suspeita mal (I Co.13:5). Quem ama não faz suposições maldosas contra o próximo, não é preconceituoso, não julga precipitadamente pela aparência, não se acha superior aos demais. Jesus determinou que não devemos julgar com base na aparência, mas de acordo com a reta justiça (Jo.7:24). Jesus nunca suspeitou os outros mal, a ponto de, mesmo sabendo que estava sendo traído, ter chamado Judas de amigo (Mt.26:50).

10. O amor não se regozija com a injustiça(I Co.13:6). Quem ama não compactua com a injustiça e nem a pratica, pois o filho de Deus é um praticante da justiça (I Jo.3:10). Jesus, a quem devemos imitar, é justo (At.3:14). Somente quem pratica a justiça poderá habitar no tabernáculo do Senhor (Sl.15:1,2).

11. O amor regozija-se com a verdade (I Co.13:6). O amor sempre opta pela verdade, jamais se manifesta através ou por intermédio da mentira ou do engano. Por isso, Deus, que é amor, também é a verdade (Jr.10:10). Jesus, como Deus que é, também é a verdade (Jo.14:6). A Palavra de Deus é a verdade (Jo.17:17) e, por isso, quem ama tem prazer em obedecer aos mandamentos do Senhor.

12. Tudo sofre, crê, espera, suporta. O amor suporta todas as coisas com paciência ou que encobre ou esconde as faltas de outros. O amor procura sempre interpretar atos e acontecimentos sob uma ótica positiva. O amor deseja sinceramente que todas as coisas tenham o melhor desfecho possível.

 

III - O ALCANCE DO AMOR CRISTÃO

1. O amor de Deus para com os homens. Numa das mais sucintas, mas profundas, definições de Deus na Bíblia, o apóstolo João, que é chamado de "apóstolo do amor", disse que Deus é amor (I Jo.4:8b). Em seu evangelho, João, que desfrutou como ninguém da intimidade com Jesus Cristo (cfr. Jo.14:23), deixou-nos, igualmente, a mais sucinta síntese do plano da salvação, no chamado "texto-áureo" da Bíblia. Nele, uma vez mais, o apóstolo mostra qual é a essência de Deus, ao nos dizer que "Deus Amou o mundo de tal maneira" e, assim, nos enviou seu Filho Jesus Cristo. O verbo amar aqui está intrinsecamente ligado ao verbo dar.

O amor proveniente de Deus é o amor que leva em consideração o outro, não a si próprio. Deus não ama o homem porque tenha ele algum valor diante de Deus, pois o homem e toda a sua justiça, como descreveu o profeta, não passa de trapo de imundícia(Is 64:6). Diante do Senhor, o homem é como um vapor, é como a erva do campo(Tg 5:14; 1Pe 1:24). Apesar disto tudo, Deus nos ama e nos quer bem a todo instante e, neste amor, humanizou-se e se fez maldito para nos proporcionar o restabelecimento da comunhão perdida por causa do pecado e, assim, tornar possível que voltemos a viver eternamente na sua companhia.

2. O amor do homem para com Deus. Por que devemos amar a Deus?Em primeiro lugar porque é um mandamento. A primeira prova que temos de que alguém realmente se tornou um filho de Deus é o fato de que ele passou a amar a Deus e amar a Deus é simples de ser verificado. “Vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando” (Jo.15:14). “Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, este é o que Me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”(Jo.14:21).

Certa vez um farizeu perguntou a Jesus: "Mestre, qual é o grande mandamento da lei?" (Mt 22.36). E Jesus respondeu: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento" (Mt 22:37). A dimensão deste amor é o que chamamos de direção vertical, pois é apontado em direção a Deus.

a) “De todo o teu coração”. Amar a Deus de todo o coração é um grande desafio para o ser humano, porquanto este foi gerado em pecado(Sl 51.5). Jesus não aceita que o amemos parcialmente; Ele requer que o amemos de todo o nosso coração: "Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha" (Mt 12.30). O amor a Deus deve ser prioritário no coração de quem procura servi-lo (Mt 10.37).

b) “de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento”. Complementando o primeiro e grande mandamento Jesus disse que o amor deve ser de toda a alma, ou seja, toda a nossa personalidade, toda a nossa individualidade tem de ser sujeita ao Senhor e à Sua vontade. Como sabemos, a alma humana é a sede dos pensamentos, das emoções, da personalidade, é o elemento que nos faz distintos uns dos outros e cujas principais faculdades são a vontade, o intelecto e o sentimento. Ora, é a submissão de tudo isto a Deus que significa o nosso amor ao Senhor. Quando amamos a Deus, colocamos nosso sentimento, nosso intelecto e nossa vontade a serviço do Senhor. Somente assim realmente demonstraremos que amamos a Deus.

Muitos têm fracassado na fé, têm deixado de frutificar porque não amam de toda a alma, porque querem dar um espaço para o “eu”, quando deveriam renunciar a si mesmos(Mt.16:24) e deixar Cristo viver neles. Sigamos o exemplo do apóstolo Paulo e não mais vivamos, mas deixemos que Cristo viva em nós (Gl.2:20). Lembremo-nos de que, para Israel viver na Terra Prometida, era necessário que eliminasse os “eus” (amorreus, heteus, ferezeus, cananeus, heveus e jebuseus - cfr. Ex.23:23).

A obediência a Deus, que é a medida do amor a Deus que temos, não se apresenta apenas em atitudes externas, mas, o exterior deve revelar um interior obediente. Jesus provou o Seu amor para com o Pai na obediência, obediência que não era apenas externa, mas interna, como se verifica claramente na agonia sofrida no jardim do Getsêmane.

Devemos servir a Deus para agradá-lo, não para agradar aos homens. Devemos fazer o que Deus nos manda com alegria, de coração, não para obtermos vantagens ou louvores da comunidade a que pertencemos. O fariseu, da parábola do fariseu e do publicano, saiu do templo com a glória dos homens, mas sem qualquer justificação. Que não nos iludamos e que apresentemos este amor a Deus nas nossas vidas.

3. O amor do homem para com o próximo. Jesus complementou a resposta ao fariseu, afirmando que o segundo mandamento, semelhante ao primeiro, é amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22.39). O amor ao próximo é determinado pelo Senhor, é seu mandamento – “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”(Jo.15:12). Quando amamos o próximo da forma determinada na Palavra de Deus, melhoramos sensivelmente o ambiente em que vivemos.

Deus fez o homem um ser social, por isso não é bom que esteja só (Gn.1:18). Em sendo assim, o amor divino que se encontra no salvo não se limita apenas ao relacionamento entre Deus e o homem, mas também se manifesta em direção às demais pessoas que estão à volta do salvo. Por isso, Jesus, ao responder à indagação daquele doutor da lei, fez a devida complementação, para mostrar que um bom relacionamento entre Deus e o salvo redunda num bom relacionamento entre o salvo e os demais seres humanos.

Amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Medidas emergenciais serão necessárias, como nos mostra a parábola do bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o amamos.

Amar o próximo não é dizer a alguém que o ama, mas um amor que se mostra por atitudes concretas, por ações efetivas, por obras. Amor ao próximo não é amor de palavra nem de língua, mas amor por obras e em verdade (I Jo.3:18).

Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. Quem é o nosso próximo? É qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano(Lc 10.30-37), e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição. Realmente, o Amor é a virtude suprema.

 

CONCLUSÃO

Como podemos perceber, o amor divino não é uma teoria, não é um estado mental, mas é um conjunto de ações concretas, de atitudes efetivas que devem ser feitas pelos servos de Deus, não apenas faladas, pensadas ou meditadas. Não é um dom espiritual, mas a principal virtude de um cristão.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 Corintios. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Amor: o fruto Excelente - Dr. Caramuru Afonso Francisco.