Aula 02
JESUS, O FILHO ETERNO DE DEUS
Leitura Bíblica: 1 João 1:1-4; Colossenses 1:1617
Data: 12/06/2009
“Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus”(1 Jo 4:15).
1. O que significa “Filho de Deus”. “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho”(Hb 1:1). A expressão “Filho” ou “Filho de Deus” apresenta-se no singular porque há apenas um Filho, porque Ele é único, não há outro. Ele é “o Filho”, sendo importante observarmos a presença deste artigo definido que, além de ser singular, também é determinado, perfeitamente identificado. A primeira vez que, nas Escrituras, temos o uso desta expressão designativa e distintiva “Filho” é no Salmo 2, um dos salmos ditos “messiânicos”, como também “reais”. Ali, Davi, inspirado pelo Espírito Santo, anuncia uma declaração do Senhor: “Tu és Meu Filho, Eu hoje Te gerei” (Sl.2:7).
Mas ser Filho, além de dizer que é Deus significa também que Jesus foi enviado para revelar a Divindade aos homens. Com efeito, o Filho, que estava no seio do Pai, teve a missão de fazer o Pai conhecido dos homens (Jo.1:18; 8:19,26,27,38; 10:32; 12:49; 14:7-10; 16:15). Como Filho, Jesus é o Enviado, a Pessoa que se humanizou para que Deus se revelasse à humanidade, o Emanuel, o Deus conosco (Mt.1:23).
2.Todas as criaturas reconheceram que Jesus é o Filho de Deus. Diz-nos a lei de Moisés que o testemunho de dois ou três é verdadeiro (Dt.17:6; 19:15; Mt.18:16; II Co.13:1; I Tm.5:19; Hb.10:28). Pois bem, há muito mais que duas ou três testemunhas a mostrar, na Bíblia Sagrada, que Jesus é o Filho de Deus. Senão vejamos:
a) No anúncio da concepção de Jesus.” Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus”(Lc 1:35). Aqui Jesus é apresentado pelo anjo Gabriel como Filho de Deus.
b) O Testemunho do próprio Jesus. “Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?”(Lc 2:49). Ainda adolescente Jesus quando se apresentou aos seus “pais social-biológicos” como o Filho, na medida em que dizia tratar dos negócios de seu Pai (Lc.2:49). Ao longo do seu ministério terreno, Jesus sempre se declarou Filho de Deus, tendo sido este, aliás, o motivo de toda a oposição que enfrentou (e até hoje enfrenta) por parte dos judeus (Mt. 27:43; Jo.5:18; Lc.22:70; Jo.9:35-37; 10:36; 11:4; 19:7).
c) O próprio Pai. Para que o testemunho de Jesus não ficasse sem a devida confirmação (Jo.8:16,18), o Pai declarou, também, mais de uma vez, que Jesus é o Filho de Deus:
c.1) No momento do Batismo - “Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele; e eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”(Mt 3:17);
c.2) No momento da transfiguração(no Monte Hermon) - “Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”(Mt17:5);
c.3) Em algum momento em que explicava por que veio morrer - “Pai, glorifica o teu nome. Veio, então, do céu esta voz: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei”( João 12:28).
d) Pessoas que conviveram com o Senhor Jesus. Muitos, ao longo de seu ministério, O declaram ser Ele o Filho de Deus – “Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus”(Mt 14:33); ” Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”(Mt 16:16); ” Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel”(João 1:49); “Respondeu-lhe Marta: Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”(João 11:27).
e) O Espírito Santo, também, declara que Jesus é o Filho de Deus. Vemos, em primeiro lugar, que João Batista, cheio que era do Espírito, testificou que Jesus é o Filho de Deus (Jo.1:32-34). Posteriormente, observamos que os apóstolos, possuidores e revestidos do Espírito Santo (Jo.14:17; 20:22; At.2:4), ousadamente pregavam que Jesus é o Filho de Deus (At.9:20; II Co.1:19; I Jo.4:15), O que não é surpreendente, visto que o trabalho do Espírito de Deus é, precisamente, lembrar aquilo que o Senhor Jesus disse e ensinou (Jo.14:26; 15:26).
f) O próprio diabo. Ainda que querendo lançar Jesus na dúvida, o diabo admitiu que Jesus é o Filho de Deus – “Chegando, então, o tentador, disse-lhe: Se tu és Filho de Deus manda que estas pedras se tornem em pães”(Mt.4:3,6; Lc.4:3,9)
g) Os anjos do diabo – “E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?”(Mt.8:29) ; “E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus”(Mc.3:11); “Também de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus. Ele, porém, os repreendia, e não os deixava falar; pois sabiam que ele era o Cristo”(Lc.4:41).
h) a própria natureza testificou que Jesus é o Filho de Deus. Quando Jesus foi crucificado a própria natureza declarou a todos os presentes que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o que fez com que o centurião romano O reconhecesse assim, ante tamanha alteração da natureza – “ora, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era filho de Deus”(Mt.27:45,51,54). Pode-se ver, também, essa declaração do centurião em Mc.15:38,39 e Lc.23:44-47.
Por isso, ante tantas testemunhas e tantos testemunhos, como podemos rejeitar esta verdade bíblica? Eis o motivo pelo qual todos quantos a rejeitarem, ante a extrema dureza de seus corações, acabarão por sofrerem a morte eterna, já que não receberam o Filho e, por não terem o Filho, não têm a vida (I Jo.5:12). Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo, tem o testemunho e quem a Deus não crê mentiroso O fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu (I Jo.5:10). Portanto, não haverá como alegar ignorância naquele dia, que para quem não tem a vida, será fatídico e trágico (Ap.20:14,15). Que creiamos que Jesus é o Filho de Deus e tenhamos, assim, a vida eterna (I Jo.5:20).
Nesta aula estudaremos alguns aspectos doutrinários a respeito da divindade e da eternidade de Jesus Cristo. É bom ressaltar que a expressão “Filho de Deus” nem de longe indica que Jesus tenha sido criado por Deus, como defendem alguns. Muito pelo contrário, a expressão se apresenta nas Escrituras como mais uma declaração de que Jesus é Deus, portador da mesma natureza do Pai.
A igreja local, na época de João, precisava ser orientada em relação à pessoa de Jesus Cristo, principalmente quanto à sua deidade e sua eternidade, pois as doutrinas centrais da fé cristã estavam sendo formadas, muitas vezes, por influências heréticas que insistiam em corromper a fé daqueles irmãos primitivos. João mostra que o Senhor tornou-se humano, sem abrir mão de sua divindade. Esse ensino e sua defesa eram essenciais, pois os grupos heréticos, principalmente os gnósticos, alegavam ser impossível Jesus ser Deus e ainda ter um corpo de carne e osso. O ensino que João nos deixou nesta sua Carta, sobre a divindade e a eternidade de nosso Senhor Jesus, é, sem dúvida nenhuma, doutrina relevante para a igreja ao longo dos séculos, até a iminente volta de Jesus Cristo, o Filho Eterno de Deus.
João, autor desta Carta, que ora estudamos, caminhou e falou com Jesus, viu-o curar, ensinar, assistiu à sua morte, encontrou-o ressuscitado e viu a sua ascensão. Não tinha nenhuma dúvida quanto à veracidade da deidade de Cristo e de sua eternidade, e o objetivo de sua encarnação, que foi a salvação dos pecadores. Todavia, a igreja, naquela época, sofria o ataque direto dos gnósticos que, em síntese, pregavam que Jesus era mais um dos salvadores do ser humano, e que Ele apenas tinha algo divino em seu ser. Eles negavam a encarnação de Cristo. Então João escreveu esta Carta para corrigir os sérios erros deles, e dispersar as dúvidas e dar segurança aos primeiros cristãos, apresentando um retrato claro de Cristo. Nela, João trata os cristãos como “filhinhos”, e apresenta Jesus Cristo como Filho Eterno de Deus, como a Luz, o amor e a vida. Explica em termos simples e práticos o que significa ter comunhão com Deus. Portanto, a Carta de João é um modelo a ser seguido quando combatemos as heresias modernas.
João inicia esta Carta mostrando suas credenciais de testemunha ocular da encarnação e declarando sua razão para escrever(1 João 1:4). Ele apresenta Deus como a “Luz”, simbolizando a pureza e a santidade absoluta(1:5-7), e explica como os crentes podem andar na luz e ter comunhão com Deus(1:8-10). Devem saber que se pecarem, Cristo será seu defensor(2:1,2). João os exorta a obedecer a Cristo completamente e a amar a todos os membros da família de Deus(2:3-17). Ele adverte seus leitores em relação aos “anticristos”, e ao Anticristo que tentará afasta-los da verdade(2:18-29).
Também, João apresenta Deus como o “Amor” – dando, morrendo, perdoando e abençoando(3:1-4:21). Porque nos ama, Ele nos chama de seus filhos e nos torna semelhantes a Cristo(3:1,2). Esta verdade deve nos motivar a viveremos perto dEle(3:3-6). Poderemos estar certos de nosso relacionamento familiar com Deus quando nossa vida for repleta de boas obras e de amor para com as pessoas(3:7-24). Novamente, João adverte contra os falsos ensinadores que distorcem a verdade. Devemos rejeitá-los(4:1-6) à medida que continuamos a viver no amor de Deus(4:7-21). Finalmente, João apresenta Deus como “a Vida”(5:1-21). A vida de Deus está em seu Filho Jesus. Ter seu Filho é ter a Vida Eterna.
Quando João, o discípulo amado escreveu o seu livro, cerca de 30 anos depois que os demais evangelhos foram escritos, uma perigosa heresia deitava raízes entre os cristãos: o gnosticismo, ensino que desvirtuava a verdade central do evangelho - a doutrina referente à pessoa de Cristo -, e assim removia o fundamento da esperança de vida.
No evangelho segundo escreveu João, ele declarou: "Estes sinais... foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”(João 20:31). A nota tônica do livro de João é que Cristo veio para dar vida ao homem. Ele veio dar vida não apenas no sentido de livrar da perdição, mas também no sentido específico da palavra: dar vida a quem estava condenado a perdê-la.
Por que esta ênfase do apóstolo ao ensino de que Cristo veio para dar vida? E que Ele é a nossa esperança de vida? Porque pelo pecado o homem perdeu o direito à vida, pois "o salário do pecado é a morte”(Rm 6:23).
Ao criar o homem foi o propósito de Deus conferir-lhe vida imortal. Mas Adão e sua mulher Eva, deveriam ser provados para usufruírem deste atributo. Eles eram seres livres e deveriam demonstrar se seriam obedientes ou não, aos princípios divinos. O ponto da prova é mencionado em Gênesis 2:15-17: "E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comerdes, certamente morrerás”. O fruto da árvore da ciência do bem e do mal evidentemente não produzia mal algum, de si mesmo. O que acarretava o mal era a desobediência ao mandato divino. Se o homem fosse imortal, não seria ameaçado com a morte. Imortal quer dizer não sujeito à morte. Nossos primeiros pais falharam na prova. Desobedeceram a Deus. Depois de pecarem, Deus não lhes permitiu comer da árvore da vida. Essa árvore tinha a virtude de perpetuar a vida.
Transmitindo a seus descendentes a natureza pecaminosa, nossos primeiros pais nos legaram também a sentença de morte. A Escritura diz: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”(Rm 5:12).
Como pecadores não temos esperança de vida além dos setenta ou poucos anos mais que aqui vivemos. O salmista Davi assim escreveu: "Porque o homem, são seus dias como a erva; como a flor do campo, assim floresce, pois, passando por ela o vento logo se vai, e o seu lugar não conhece mais"(Salmo 103: 15 e 16).
Foi para restituir a vida ao homem, o direito de viver para sempre, que Cristo veio ao mundo. "O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu, porém, vim para que tenham vida e a tenham em abundância."(João 10:10). E ainda: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente”(João 6.51).
Cristo traz a imortalidade mediante o evangelho. O apóstolo Paulo fala da graça "manifestada agora pelo aparecimento de nosso Salvador Jesus Cristo o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade mediante o evangelho”(2 Tm 1.10 ). É aceitando o Evangelho - arrependendo-nos, confessando e abandonando o pecado, entregando a vida ao Salvador, obedecendo a Sua palavra, que nos ligamos ao Doador da vida e temos a promessa da imortalidade.
Na volta de Cristo a esta terra é que será conferida a imortalidade aos que pela graça de Deus se tornarem dignos dela. O Salvador voltará com poder e glória, para buscar o Seu povo - "E se eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos recebereis para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também”(João 14:3).
Quando Jesus voltar, Ele fará ressurgir os mortos que dormiram no Senhor(1Tess 4:17). Aqui nesta terra, mesmo os que recebem a Cristo no coração continuam sujeitos à morte. Mas esta morte não será eterna. Ela é um estado transitório - "Quem crê em mim" disse Jesus, ainda que morra viverá”(João 11:25).
Ao erguer o Seu povo do túmulo, no dia da sua vinda, o divino Salvador lhes conferirá imortalidade. Ele dará vida imortal a todos os remidos, aos que provaram a morte e foram ressuscitados, e aos que estiverem vivos naquele dia.
Descendo ao nível do homem e dando a Sua vida em expiação pelas transgressões do homem, Cristo proveu cura para a doença que traz a morte eterna, a doença do pecado. Cristo salva do pecado e dá-nos vida, vida imortal.
1. O que vimos com os nossos olhos(1João 1:1). João afirma, no plural – vimos, para enfatizar que não somente ele, mas muitas pessoas o viram e o tocaram: antes e depois de sua morte(ver 1 Corintios 15). É fato contundente e irrefutável sobre o corpo físico de Jesus Cristo e da convivência com seus discípulos. Muitos profetas no Antigo Testamento testemunharam sobre a encarnação de Cristo, como, por exemplo, Isaias(Is 53:3-7) e Davi( Sl 22:14,17). O Verbo da Vida não era uma ilusão passageira, mas uma Pessoa real num corpo de carne. Conviver com Jesus, conversar com Ele, contemplar a beleza de Sua Santidade, foi um grande privilégio de seus discípulos. Mas, um dia, O veremos face a face e estaremos para sempre com Ele - “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”(1 João 3:2).”... virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”(João 14:3).
2. O que ouvimos(1:3). Como uma testemunha ocular do ministério de Jesus, João estava qualificado para ensinar a verdade a respeito de Cristo. Os leitores desta carta não viram nem ouviram Jesus pessoalmente, mas podiam ter a certeza de que aquilo que João escreveu era verdadeiro. Somos as gerações cristãs dos últimos tempos. Embora não tenhamos visto pessoalmente, ouvido ou tocado Jesus, temos o registro no Novo Testamento escrito por suas testemunhas oculares e podemos estar certos de que falaram a verdade a respeito dEle. As linhas seguintes, de um autor desconhecido, mostram as implicações práticas destes versículos para nossa vida:
É muito bom saber que meu conhecimento acerca da vida eterna não se baseia em especulações de filósofos ou mesmo de teólogos, mas no testemunho irrepreensível de homens que ouviram, viram, contemplaram e apalparam Aquele em quem ela foi encarnada. Não se trata meramente de um belo sonho, mas de um fato sólido, observando com grande atenção e registrado com precisão.
3. O que temos contemplado e as nossas mãos tocaram(1:1). Aqui, mais uma vez, com termos fortes e contundentes, João enfatiza sobre a veracidade da encarnação de Cristo, sendo Ele verdadeiro Homem e verdadeiro Deus. Os cristãos, que não tinham visto Jesus, deveriam acreditar nessa afirmação de João. Ele podia dizer com propriedade que “nossas mãos tocaram”, haja vista que foi o discípulo amado e companheiro inseparável de Jesus. Ele contemplou e tocou em Jesus durante todos os anos que conviveu com Ele. Mesmo após a sua ressurreição, João teve esse privilégio, quando lhe apareceu várias vezes, principalmente no momento em que estava reunido no cenáculo, ocasião em que Jesus convidou todos os presentes a tocá-lo e constatarem que, se Ele fosse apenas um espírito, não teria carne nem osso. E ainda comeu com eles(ver Lc 24:36-43; João 20:20-24). Era necessário João enfatizar isso àqueles cristãos primitivos e desmascarar os ensino heréticos que pertinaz procuravam enfraquecer aqueles crentes. Caso aqueles ensinos malditos tivessem prevalecido o que seriam de nós hoje? Em que situação espiritual nós estaríamos? Mas Jesus afirmou: “As portas do Inferno não prevalecerão contra minha igreja”(Mt 16:18). Glórias ao Senhor, glórias ao Espírito Santo pela revelação e iluminação aos seus servos, que nos tem orientado à doutrina pura e verdadeira, através de seus escritos.
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai”(João 1:14). Quando João escreve que o Verbo se fez carne, está dizendo que Deus planejou e tornou realidade a encarnação do seu Eterno Filho para que, na condição de homem, vivesse entre nós(Is 7:14; Mt 1:23).
Cristo esvaziou-se de sua glória para assumir a forma humana, viver entre os homens, derrotar Satanás e o pecado, e dar oportunidade para que o homem se reconciliasse com Deus. Em sua encarnação, Cristo tornou-se em tudo semelhante a nós, exceto quanto à natureza pecaminosa e ao pecado (Fp 2:7,8 - ARA).
Enquanto homem, Jesus teve todo o desenvolvimento que qualquer ser humano tem. Enquanto criança teve uma alimentação diferenciada, passou pela fase da inocência e, ao adquirir a consciência, demonstrou a única diferença que teve em relação a todos os demais homens: não tinha a natureza pecaminosa. A exemplo de Adão e de Eva, fora criado sem a natureza pecaminosa, mantendo-se assim até a morte (Hb.4:15; 9:28). Por isso, Jesus não foi igual ou idêntico aos demais homens, mas, como dizem as Escrituras, “semelhante a nós”, visto que havia um dado que o distinguiu de todos os demais homens: a ausência de pecado (Hb.2:17).
Jesus não deixou de ser Deus quando se tornou homem, mas, por livre e espontânea vontade, para cumprimento da vontade do Pai (Hb.10:5-9), veio a este mundo, despindo-se da sua glória (Fp.2:5-8), cumprindo a lei (Mt.5:17), fez-se oferta e sacrifício ao Pai para a salvação dos pecadores (Is.53:4-9). “Isto não quer dizer que perdeu ou desvencilhou totalmente da sua divindade, mas precisou sujeitar-se ao corpo humano e, portanto, ficou sujeito a certas limitações pelas quais passam os homens. Mas, quando ressuscitou e adquiriu corpo glorioso, voltou a possuir plenamente todos os atributos, como o Pai...” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.1, p.23).
Quando consideramos Jesus como o Verbo de Deus devemos observar que estamos considerando que não há como chegar-se ao conhecimento da natureza divina a não ser por Jesus. Ele é o único canal pelo qual podemos ter algum contacto com Deus, porque Ele é a própria expressão da personalidade divina na Criação. Todo o universo, inclusive nós mesmos, foi feito por Ele(João 1:3).
Não há como ver o Pai sem que veja ao Filho, pois Ele é a expressa imagem da pessoa do Pai (Hb.1:3), é a extensão do ser divino que, por ser o Verbo, põe-nos em contacto com Deus. Ninguém pode ter acesso a Deus a não ser por Cristo, pois Ele é o Verbo, o canal de comunicação entre Deus e os homens, o acesso do ser humano à Trindade. O mundo foi feito pelo Verbo e pelo Verbo se mantém, de maneira que não há como conceber que se tenha acesso, em sendo criatura, ao Criador a não ser por este meio pelo qual a criação se fez, pela Palavra, pelo Verbo Divino.
Quando meditamos nesta circunstância, entendemos claramente porque o apóstolo João insiste em dizer que ninguém jamais viu a Deus (Jo.1:18; I Jo.4:12), no que é seguido por Paulo (I Tm.6:16). Ver a Deus, ou seja, conhecê-lo em toda a plenitude, ter a completa visão de quem Ele é, é algo que somente pode ser realizado pelo próprio Deus. Mesmo Moisés, que teve a revelação da lei, só pôde ver a Deus pelas costas (Ex.33:20-23) tendo tido grande intimidade com o Senhor (Dt.34:10), mas uma intimidade bem inferior ao do Verbo, que é o único que não só contempla a Deus em toda a Sua plenitude, como, ainda, o faz conhecido de todos nós. Só podemos ver o Pai ao vermos o Verbo (Jo.12:45; 14:9).
Quando consideramos Jesus como o Verbo, estamos afirmando que Ele é a expressão única da personalidade divina à criação, é o único meio pelo qual podemos ter acesso a Deus. Não é à toa, pois, que Jesus é chamado de “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco”, pois é a Pessoa divina que faz a ponte, a comunicação, a apresentação de Deus à criação.
O apóstolo João demonstra a importância do Verbo de Deus e a sua existência quando diz: ”O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida”(1 João 1:1). O escritor sagrado não apenas viu e ouviu, mas também tocou em Jesus. Glórias sejam dadas ao Senhor Jesus!
1. No Antigo Testamento. Vários são os relatos da presença ativa de Jesus Cristo no Antigo Testamento, mas vamos apresentar somente alguns exemplos, pois o objetivo é mostrar que o Senhor é preexistente a todas as coisas. Senão vejamos: Logo no relato da criação, vemos a presença ativa de nosso Senhor Jesus.
Em Gn.1:1, o termo “Deus” está no plural, enquanto o verbo “criou” se encontra no singular, a mostrar que, já na sua apresentação ao homem, Deus mostra-se como um Ser que é, ao mesmo templo, singular e plural. Não bastasse isso, vemos, no relato da Criação, que ela se faz por Deus, mediante a Palavra (até a criação do homem, todas as demais criaturas foram criadas pelo “dizer de Deus”, ou seja, por Sua Palavra), que sabemos nós que é o Verbo, ou seja, o Filho (Jo.1:1; Cl.1:16,17; Hb.1:2,3).
A expectativa messiânica, que sempre foi um fator de consolação à alma hebréia, também revela a presença do Senhor Jesus no Antigo Testamento. Observe o que diz o Salmo 110:1,4: ” Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. Nesta passagem é revelada mais de uma Pessoa divina, uma das quais é o sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque, que o escritor da carta aos hebreus mostrará que se trata do próprio Jesus, exaltado pelo Pai e glorificado pelo Espírito(Mc 12.36; Hb 5.6).
Isaias 61:1 – “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos”. Aqui a personagem que fala, que é o Servo do Senhor, diz que foi ungido pelo Espírito do Senhor Jeová, produzindo, então, a identificação das três Pessoas Divinas: o Ungido (o Filho), o Espírito e o próprio Jeová. Jesus repete estas mesmas palavras na sinagoga de Nazaré e diz que, naquele dia, estava se cumprindo aquela profecia, mostrando, claramente, que era o Messias, que havia sido ungido pelo Espírito Santo (o que ocorreu quando de seu batismo no rio Jordão, acontecido pouco tempo antes de seu retorno a Nazaré) e que estava ali para fazer a vontade do Pai, ou seja, apregoar o ano aceitável do Senhor.
ANJO DO SENHOR NO ANTIGO TESTAMENTO. As aparições do enigmático Anjo do Senhor no Antigo Testamento demonstram claramente haver ali já um prenúncio daquele que seria o Mediador entre Deus e os homens. Este Anjo várias vezes toma para si honrarias que seriam dignas apenas do Criador, o que significa ser esse mensageiro o próprio Deus, na Pessoa de Jesus Cristo. Tomaremos apenas o exemplo de Juízes 13, mas podemos citar Oséias 12:5, Gênesis 32:29s, Zacarias 2:3, Isaías 25:9 e Malaquias 3:1. Com efeito, negando-se a haver de comer pão, o Anjo ordena que o sacrifício fosse oferecido ao Senhor. A seguir, prova, pelo próprio fato, que ele é realmente o Senhor. Desse modo, Manoá e a esposa concluem, desta evidência, que haviam visto não simplesmente um anjo, mas a Deus. Daí esta exclamação: “Havemos de morrer, porque vimos a Deus”. Quando, porém, a esposa responde: “Se o Senhor nos quisesse matar, não teria recebido de nossa mão o sacrifício”, confessa com certeza que aquele que antes disse ser um anjo era realmente Deus. A própria resposta do Anjo dirime toda dúvida: “Por que perguntas por meu nome, que é maravilhoso? " (ver Jz 13:1-25).
Daniel 7:13,14. Na sua visão dos quatro animais simbólicos, o profeta Daniel contempla duas personagens: uma como o filho do homem, que se dirige ao ancião de dias, a quem fazem com que se chegue. Temos, então, um como o filho do homem, a quem é entregue o governo do mundo, que outra personagem não é senão o mesmo Messias que foi descrito por Isaías, Aquele cujo principado está sobre Seus ombros (o Filho), que é levado à presença do ancião de dias, que outro não é senão o Pai, Aquele que envia o Filho para governar o mundo (At.17:31). Quem leva o filho do homem ao ancião de dias? Quem o separa, quem o unge para esta tarefa? Certamente, é o Espírito Santo (Is.61:1; Lc.4:18; At.10:38).
2. No Novo Testamento após sua morte redentora. A Bíblia diz que o Senhor Jesus como o eterno Filho de Deus habitava na glória celeste e estava revestido da glória que Lhe era própria como Deus Filho - “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”(Jo 17:5). Com a encarnação, o Verbo, o Senhor Jesus, esvaziou-se daquela glória que tinha e assumiu uma natureza humana, limitada, frágil, sujeita as tentações e a morte. Com a entronização, Cristo reassumiu a glória que Lhe pertencia por direito eterno - “Ora, do que estamos dizendo, o ponto principal é este: Temos um sumo sacerdote tal, que se assentou nos céus à direita do trono da Majestade”(Hb 8:1). “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte,...”(Hb 2:9). Esse estado atual de Cristo tem uma implicação muito profunda na vida da Igreja tendo em vista a Bíblia dizer que estão sujeitas a Cristo todas as coisas: “Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o a sua direita nos céus. Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da Igreja”(Ef 1:20-22).
Diante disso a Igreja pode se regozijar na revelação da Palavra de Deus de que Jesus exerce um poder soberano sobre tudo e todos. É Ele quem controla e mantém todas as coisas. O escritor aos Hebreus nos diz que Ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1:3). Tudo está sob o controle do Senhor, inclusive as nossas vidas, os nossos projetos, os nossos empreendimentos, portanto, dependamos dele e confiemos nele e tudo correrá bem.
Demonstrações da presença de Jesus Cristo após a sua glorificação. Dois exemplos no Novo Testamento enfatizam com propriedade a atuação de Cristo como o Senhor Eterno, após a sua glorificação ou entronização. Em primeiro lugar, a aparição do Senhor Jesus a Saulo de Tasso no caminho de Damasco. Diz o texto sagrado: “Saulo, porém, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote, e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, caso encontrasse alguns do Caminho, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. Mas, seguindo ele viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu; e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues”(Atos 9:1-5).
Em segundo lugar, a aparição de Jesus ao apóstolo João na Ilha de Patmos. Naquele momento, o Senhor Jesus além de lhe dar conforto e consolo por tudo que João vinha passando, Ele lhe confiou revelações, que além de edificar-lhe, ofereceram sustentação doutrinária à igreja do Senhor Jesus(Ap 1:17-22:21). Essas revelações foram externadas num livro, o Livro de Apocalipse, concluindo assim o cânon sagrado, que a igreja usa como regra de fé e prática.
Jesus, o Filho Eterno de Deus, tem duas naturezas distintas: uma divina, outra humana. Ele é Deus sem deixar de ser homem e homem sem deixar de ser Deus. Por isso, costuma-se dizer que Ele é Deus-Homem. A Bíblia diz que Cristo é, ao mesmo tempo e literalmente, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Lemos em 1 Timóteo 3.16: “Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele [Deus] que foi manifestado na carne...”. E em 2 Coríntios 5.19 está escrito: “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo...”. Essa perfeita união entre a natureza divina e humana na Pessoa única de Jesus Cristo chamamos de “União Hipostática”. Portanto, assim como é herético negar a divindade de Cristo, da mesma forma o é negar a sua humanidade. Devemos reconhecer e defender a ortodoxia bíblica a respeito das duas naturezas de Jesus, pois, Ele é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Ele é o Filho Eterno de Deus.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 João. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Jesus Cristo: Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus – Dr Caramuru Afonso Francisco.