Aula 03
JESUS, A LUZ DO CRENTE
Leitura Bíblica: 1 João 1:5-7; João 1:4-12
19/07/2009
"Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida"(João 8:12)
INTRODUÇÃO
Assim como a Lua e as estrelas não têm luz própria, o crente também não. Jesus é a Luz do crente. Não pode cessar, deve ser contínua, pois a luz está sempre presente e, se há luz, não pode haver, concomitantemente, trevas. A claridade da luz, a iluminação deve ser algo sempre presente, sempre existente, sendo, portanto, mais uma clara demonstração do que é a vida espiritual de um crente. Diante deste quadro, vemos, portanto, que a vida espiritual não admite o envelhecimento. Enquanto estivermos em comunhão com Deus, enquanto desfrutarmos da vida eterna que nos foi dada no instante em que aceitamos a Jesus como Senhor e Salvador, não há que se falar em envelhecimento espiritual, em necessidade de, constantemente, passarmos por um "rejuvenescimento" ou por um "avivamento". Segundo a lei mosaica, as lâmpadas do candeeiro deveriam arder continuamente, ou seja, nunca poderia faltar azeite para que as lâmpadas se mantivessem acesas e iluminassem o lugar santo (Ex.27:20,21). As lâmpadas falam-nos da iluminação, da luz, que representa a presença de Deus em nossas vidas, a nossa comunhão com Deus, como nos diz o próprio Jesus no seu diálogo com Nicodemos (Jo.3:19-21). Quem está em Cristo, está na luz, anda na luz, pois Deus é luz e nEle não há trevas nenhuma(I Jo.1:5-7). Se não temos luz, se nossas lâmpadas não estão acesas, não temos vida espiritual. Portanto, assim como acontecia no tabernáculo, Deus quer que nos apresentemos diante dEle, sempre prontos e renovados espiritualmente(Fp 4.4).
I – JESUS, O FILHO DE DEUS
Falamos sobre este tema, exaustivamente, na aula anterior. É válido acrescentar que, no Concílio de Nicéia, reunião promovida pelas lideranças cristãs no ano de 325, logo após o término das perseguições romanas contra a Igreja, foi produzida a declaração histórica de que "Jesus Cristo é o Filho de Deus, gerado da substância do Pai, gerado, não feito, consubstancial ao Pai". Tal declaração não foi uma invenção daquele concílio, mas, sim, tão somente uma expressão do que já se cria desde o início da igreja, desde a igreja primitiva e que tinha sido alvo de questionamento por parte do presbítero Ário, de Alexandria, que passara a ensinar que Jesus não era Deus. Portanto, não foi uma doutrina inventada em Nicéia, nem o poderia ser, porquanto, o apóstolo João, mais de duzentos anos antes do referido concílio, com a autoridade de quem havia convivido com o Senhor, foi categórico em afirmar que Jesus era o Filho de Deus (ver 1 João 1:3). "Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo" (1 João 4:9). "A si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo" (Fp 2:7). "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (João 1:14). "Unigênito" quer dizer "único" e, neste sentido, vemos que Jesus é Único, o Filho Único, Aquele que é Filho por natureza, porque é Deus, que é tão eterno quanto o Pai, que é igual ao Pai, que é Um por natureza com o Pai, Aquele que é antes de todas as coisas (Cl.1:17), Aquele que estava com Deus e é Deus (Jo.1:1). Não é por outro motivo que o próprio Jesus se distingue dos demais "filhos de Deus", já ressurreto, ao falar em "Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus" (Jo.20:17).
Quando se vê que Jesus é o "Filho Unigênito", cai por terra toda e qualquer argumentação de que seja Ele uma "primeira criatura", "o mais excelente ou o maior de todos os homens". Ele é único e, deste modo, não há ninguém igual a Ele. Não pode, pois, ser confundido com os anjos, pois eles são muitos, milhares de milhares, milhões de milhões (Sl.68:17; Hb.12:22; Ap.5:11), nem tampouco ser confundido com os seres humanos, embora se tenha feito carne (Nm.1:16; 10:36; Dt.33:2; Dn.7:10; Lc.12:1; Jd.14). Assim, não se pode dizer que Jesus seja algum dos anjos (como Miguel, Gabriel ou qualquer outro), nem que seja tão somente um ser humano como qualquer outro.
Jesus é Unigênito, porque é o Filho de Deus (Mt.8:29; 27:35; Lc.1:35; 22:70; Jo.1:34; II Co.1:19; Gl.2:20; Hb.4:14; I Jo.4:15; Ap.2:18), enquanto que os que nEle crêem foram feitos filhos de Deus (Jo.1:12; Gl.3:26), foram chamados para ser filhos de Deus (Mt.5:9; I Jo.3:1), filhos de Deus que ainda não assumiram, em toda a sua plenitude, tal condição (Rm.8:19,21 ; I Jo.3:2). Assim, só Jesus é Filho de Deus desde sempre, é o Único, o Unigênito.
Por fim, é interessante observar que o fato de ser "unigênito" não significa que se é exclusivo. O texto de Hb 11:17 esclarece isso, onde é dito que Isaque era "unigênito", quando sabemos, pela Bíblia, que ele tinha vários irmãos por parte de Pai, como Ismael de Agar(Gn 16:15) e vários com a segunda mulher de Abrão chamada Cetura(Gn 25:2,5). Apesar de tantos irmãos, Isaque não deixou de ser chamado de "único filho"(Gn 22:2), uma vez que só ele era o "herdeiro da promessa" (Gn.17:15-21; Rm.9:8; Gl.4:22). Assim, também, embora haja outros filhos de Deus, Jesus é chamado de "Unigênito", de "Único", pois só Ele é o "herdeiro da promessa", a promessa feita no Éden para a humanidade, a "semente da mulher" (Gn.3:15) ou, como preferiu traduzir a Versão Almeida Revista e Atualizada e a Nova Versão Internacional, o "descendente da mulher" bem como a "posteridade de Abraão" (Gl.3:16).
Neste passo, vemos quão maravilhoso é o amor de Deus para conosco (I Jo.3:1). Enquanto Isaque era o "unigênito" e, deste modo, não herdaram a promessa Ismael e nem os filhos de Cetura, Jesus, embora se mantenha Unigênito, fez-nos herdeiros da promessa (Rm.9:8; Gl.4:28,31). Por isso, somos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm.8:16,17). Por isso, Jesus é superior, é o Único. Aleluia!
1. Jesus, o Filho de Deus. A Bíblia revela que Jesus é o Filho de Deus. Todas as criaturas reconheceram que Jesus é o Filho de Deus: a) No anúncio da concepção de Jesus(Lc 1:35);b) O próprio Pai: No momento do Batismo(Mt 3:17); No momento da transfiguração(no Monte Hermon)(Mt 17:5); Em algum momento em que explicava por que veio morrer(João 12:28); c) Pessoas que conviveram com o Senhor Jesus(Mt 14:33;Mt 16:16;João 1:49; 11:27),etc; d) O próprio Diabo(Mt 4:3,6); e) Os anjos do diabo(Mt 8:29;Mc 3:11); f) a própria natureza testificou que Jesus é o Filho de Deus(Mt 27:45,51,54).
Cristo é Filho desde toda a eternidade. Mas o fato dEle ser Filho não implica um começo nem uma posição inferior à do Pai. Ele é igual a Deus e de uma existência eterna -"No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1). "... pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus" (Fp 2:6). Desde a eternidade Ele era o objeto do amor do Pai - É o "Filho do seu amor" (Col 1:13).
Quando o Filho de Deus se tornou homem, ocultou a glória de Sua divindade. A si mesmo se esvaziou; do contrário, o homem não teria suportado Sua presença (Êx 33:20). Apesar disso, permaneceu sempre como o Filho eterno de Deus. Como tal, é eternamente onipresente (João 1:18), onisciente (João 18:4) e onipotente (João 18:6). Ele permanece Deus depois de Sua ressurreição e ascensão, e por toda a eternidade - "
Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente"(Hb 13:8).O Filho de Deus, gerado pelo Espírito Santo: "Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei" (Salmo 2:7). "Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus" (Lc 1:35). O fato de que o Senhor Jesus tenha sido gerado pelo Espírito Santo é também uma razão para que seja chamado Filho de Deus. Tal como havia sido anunciado no Antigo Testamento, Maria assim O recebeu (Lc 1:35); Natanael O reconheceu (João 1:49); o cego de nascimento O adorou (João 9:35-38); e Tomé dirigiu-se a ele depois de Sua ressurreição (João 20:28).
2. Os pilares da doutrina cristã proclamada por João. A doutrina cristã é como uma casa construída sobre pilares firmados na Rocha. Ou seja, a doutrina cristã é essencialmente apostólica, pois ela foi planejada e arquitetada pelo Espírito Santo. O apóstolo João em sua primeira carta defende alguns desses pilares. Senão vejamos:
a) Devemos crer no nome de Jesus como Filho de Deus – "Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou"(1 João 3:23).
b) Devemos aceitar que Jesus Cristo veio a este mundo em carne para nos salvar – "Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus"(1 João 4:2).
c) Os dois pilares anteriores são a única condição de termos comunhão com Jesus Cristo -"Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus"(1 João 4:15). "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é o nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, ama também ao que dele é nascido"(1 João 5:1).
II – JESUS É A LUZ
Jesus é a Luz, e nele não há treva nenhuma. Ele é absolutamente santo, justo e puro. Não pode considerar nenhum tipo de pecado de modo favorável. Nada pode ser ocultado dele; "pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas"(Hb 4:13).
1. Deus é Luz. "E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhuma"(1 João 1:5). Entre as muitas coisas que se pode dizer que Deus é, João escolhe dizer que Deus é Luz. Esta mensagem ele ouvira de Jesus("que dele ouvimos"). João recorre aos ensinamentos do Senhor Jesus em seu ministério para instruir aos destinatários de sua carta acerca dos requisitos para a comunhão com Deus, opondo-se aos ensinamentos heréticos dos falsos ensinadores (principalmente o gnosticismo).
A Luz representa o que é bom, puro, verdadeiro, santo e confiável. As trevas representam o que é pecaminoso e perverso. A declaração "Deus é Luz" significa que Ele é perfeitamente Santo e verdadeiro, e que só Ele pode nos tirar da escuridão do pecado. A luz está também relacionada à verdade, pois deixa tudo visível, seja bom ou ruim – "Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas
"(João 3:20). Nas trevas, o bem e o mal parecem semelhantes; na luz, podem ser claramente distinguidos. Da mesma maneira que não pode existir escuridão na presença da luz, o pecado não pode existir na presença do Deus santo. Se quisermos ter um relacionamento com Deus, devemos deixar de lado nosso modo de viver pecaminoso. Declarar que pertencemos ao Senhor e vivermos conforme a nossa própria vontade é hipocrisia."Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade"(1 João 1:6). Este verso não se refere a pessoas não-salvas, e sim a crentes. João não diz: "Se os ímpios disserem...", e sim "se dissermos". Isto indica que, na igreja, é possível dizermos uns para os outros que temos comunhão com o Senhor, mas andarmos em trevas. É possível mentir para os outros acerca de nossa comunhão com Deus, dizer que oramos, jejuamos, que lemos a Bíblia e que fazemos a obra de Deus, e ainda assim, andar em trevas. Neste aspecto, o andar em trevas enfatizado por João refere-se não apenas à prática do pecado, mas também à questão de não ter comunhão uns com os outros. Não é possível haver amor a Deus e à sua obra sem que este amor o direcione a ter comunhão com outras pessoas. A comunhão com Deus deve ser refletida aos outros. "Se andarmos na Luz como Ele na Luz está temos comunhão uns com os outros" (1 João 1:7). Não basta a pessoa dizer que anda na Luz. Ela deve praticar a comunhão com outras pessoas, pois a Luz ilumina a todos. Quem anda na Luz não tem problemas para ter comunhão com seus irmãos. Comunhão na igreja implica em unidade da igreja.
2. Jesus, a Luz do mundo – "Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida"(João 8:12). Quando Jesus, a luz do mundo, o Verbo (a Palavra) de Deus, fez-se carne e habitou entre nós, Ele ofereceu a luz a todos, dizendo: "Eu sou a luz do mundo" (Jo 8:12). João, porém, declarou: "E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam" (Jo 1:.5). Por que as trevas não a compreendem? Encontramos a resposta para essa importante questão em João 3:19-20: "O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras".
A escuridão é algo terrível, porque ela impede que vejamos qualquer coisa. Por exemplo, se você entrar no porão de uma casa ou em outro lugar escuro durante a noite, sem dispor de uma luz, correrá sério perigo de se machucar. É isso que a Bíblia nos comunica: todas as pessoas na terra estão em sério perigo, não apenas em sua vida presente, mas também quanto à eternidade. Portanto, é extremamente importante que você se chegue à luz.
Jesus é a luz verdadeira (João 1.9). Ele remove as trevas e o engano, iluminando o caminho certo para Deus e a salvação. Todos que seguem a Jesus são libertos das trevas do pecado, do mundo e de Satanás – "Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida"(João 8:12). Os que ainda andam nas trevas não o seguem. "Quem me segue", significa seguir continuamente. Jesus, na realidade, disse "seguir-me continuamente". Ele reconhecia somente o discipulado perseverante – "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos" (João 8.31).
Jesus Cristo é o Criador da vida, e sua existência traz luz à humanidade. Pela luz de Cristo, enxergamos a nós mesmos como realmente somos (pecadores que necessitam de um Salvador). Quando seguimos a Jesus, a Luz verdadeira, evitamos andar cegamente e cair em pecado. Cristo ilumina o caminho à nossa frente, assim podemos discernir como viver. Ele remove as trevas do pecado de nossa vida. Deixe Jesus dirigir sua vida, e você nunca tropeçará nas trevas.
III – AS TREVAS OPÕEM-SE À LUZ
A escuridão, ou trevas, na realidade nada mais é que a ausência de luz. Não se pode impor a escuridão sobre a luz, mas a luz, por menor que seja, é sempre vista na escuridão. Para que uma luz não seja vista, é preciso que seja coberta.
Trevas é uma expressão bíblica para pecado, perversão e ignorância espiritual. Fala da escuridão que impede de enxergar a Deus e a sua vontade. Esta palavra descreve bem o mundo grego-romano dos dias do apostolo, pois eram dias de muita perversão moral e de perturbação doutrinária nas igrejas.
As trevas representam o nível de degradação espiritual e moral que o mundo e o homem sem Deus se encontram. A Luz se opõe às trevas e revela o que há de mal na escuridão das trevas. Ela reprova as obras das trevas, e isto significa fazer-lhe oposição (Ef 5:11) através de contraste. Jesus é a luz que ilumina e é a única luz verdadeira; opõe-se às trevas, e não é derrotada por elas – "a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela"(João 1:5). Ou seja, devido ao tema do conflito com o judaísmo encontrado no Evangelho, João está afirmando que as trevas não venceram a luz.
Esta oposição que existe entre a Igreja e o mundo não permite que haja qualquer possibilidade de comunhão, de contacto entre a luz e as trevas - onde há luz, as trevas se dissipam; onde a luz se apaga, as trevas dominam. Não pode o cristão verdadeiro e genuíno ter a forma do mundo, portar-se como o mundo se porta, pois não é possível qualquer conciliação entre luz e trevas (II Co6: 14b).
É preocupante o gesto de muitos que se dizem cristãos que, sob a justificativa de que "Deus só quer o coração", procuram cada vez mais se assemelhar às outras pessoas, não ser "diferentes", ser "iguais às outras", inclusive alguns buscando basear-se numa falsa doutrina de evangelização, segundo a qual "é preciso ser fraco para ganhar os fracos; ser como os pecadores para ganhá-los para Cristo". Tal ensino, completamente sem respaldo bíblico, não se coaduna com o ensinamento de Jesus: somos a luz do mundo e não há comunhão entre luz e trevas. Ter uma linguagem e uma estratégia de evangelização para se fazer compreendido pelos pecadores em absoluto significa viver como os pecadores (pessoas não convertidas a Cristo) vivem, mas, sim, viver sóbria, pia e justamente no presente século, para que os homens incrédulos percebam a diferença que há entre a luz e as trevas (Tt.2:11,12).
Jesus disse: "Vós sois a luz do mundo..."(Mt 5:14). Portanto, dizer que a Igreja é a luz do mundo é afirmar que ela se opõe ao mundo, que é considerado como trevas (Is.9:2; 59:9; Jo.1:5; 3:19; Rm.13:12; II Co.6:14).
1. A origem das trevas do pecado. A origem das trevas do pecado se iniciou nas regiões celestiais devido à ação arrogante do querubim ungido (Lúcifer – Satanás – Diabo). O pecado do querubim foi a soberba. O querubim perdeu a sua posição de glória. Satanás então passou a agir para que o homem errasse o alvo, para que o homem se desviasse do plano de Deus.
O pecado tornou-se real: la) no universo, no interior do querubim ungido (Ez.28:16); lb) na humanidade, com o pecado do primeiro casal (Rm.5:12); lc) em cada pecador, quando ele peca (Tg.1:13,14). Daí porque cada um terá de dar conta do seu pecado diante de Deus (Ez. 18:4,20; Ap.20:12).
O pecado tornou-se tão generalizado na humanidade que assim registrou o profeta: "Pereceu da terra o homem piedoso; e entre os homens não há um que seja reto; todos armam ciladas para sangue; caça cada um a seu irmão com uma rede. As suas mãos estão sobre o mal para o fazerem diligentemente; o príncipe e o juiz exigem a peita, e o grande manifesta o desejo mau da sua alma; e assim todos eles tecem o mal." (Mq. 7:2-3). Apesar desse quadro lastimável, todavia, o profeta confia em Deus: "Eu, porém, confiarei no Senhor; esperarei no Deus da minha salvação. O meu Deus me ouvirá" (Mq. 7:7).
MAS, AFINAL, O QUE É PECADO? A priori, dizemos que pecado é o desvio, o fracasso de nossa parte dos propósitos de Deus em relação a nós. Contudo, o pecado é muito mais sério. É uma violação, uma transgressão aos padrões divinos. É uma ofensa a Deus. Ele colocou em nós o livre-arbítrio, a consciência, para que tomemos decisões conforme sua vontade. Diríamos, portanto, que pecado:
É não cumprir com os deveres cristãos (Tg 4.17). Pecado não é somente o praticar o mal; deixar de fazer o bem também é pecado. Aqui está incluída a indiferença.
É "impiedade"(Rm 1:18). O pecado dos homens é visto por Deus como "impiedade". O pecado é um estado em que o homem se distancia de Deus e, por causa deste distanciamento, deixa de ter santidade, deixa de ter os sentimentos próprios de Deus, passando a ser cruel, maldoso, impuro e infiel. Sem se relacionar com Deus, o homem se embrutece, querendo mostrar-se independente e superior a Deus, curva-se a outras criaturas e até mesmo a objetos produzidos por ele mesmo. Em vez de se mostrar um ser moral, dotado de equilíbrio e racionalidade, o homem passa a ter um comportamento mais bestial que o dos próprios animais, gerando um estado caótico que Paulo bem descreveu no capítulo primeiro da carta aos romanos. Por causa disto, o mundo está cheio de impiedade, a começar pelo lugar do juízo e pelo lugar da justiça (Ec.3:16), daí porque ter o profeta dito que a justiça humana é como trapo de imundícia (Is.64:6).
É "desobediência", ou seja, "falta de obediência", "recusa de obedecer"( (Rm.5:19). Tanto o querubim ungido(Satanás) quanto o primeiro casal não quiseram obedecer às regras, às normas estabelecidas por Deus a eles. O querubim fora estabelecido para ficar no monte santo de Deus, mas quis subir acima do Altíssimo. O primeiro casal foi proibido de tomar do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, mas, igualmente, não obedeceu.
A obediência é o que Deus requer do ser humano, é a sua única exigência (Dt.10:12,13). Obedecer é melhor do que sacrificar e o atender é melhor do que a gordura de carneiros (I Sm.15:22). Aos desobedientes é negado o repouso divino (Hb.3:18), bem como reservado um triste fim (I Pe.4:17).
É "incredulidade", que é a "falta de credulidade", a "qualidade de quem não crê, de quem não tem fé". O pecado é a falta de crença em Deus e em sua Palavra. O pecador não confia no que Deus diz, é um descrédito à verdade. O pecador, em vez de crer em Deus e em sua Palavra, prefere crer em fábulas, mentiras e ilusões, quase sempre bem arquitetadas pelo adversário, que é o pai da mentira (Jo.8:44). A incredulidade foi o motivo pelo qual a geração do êxodo, ou seja, os israelitas de vinte anos para cima que saíram do Egito, não entraram na Terra Prometida (Hb.3:19) e será a razão pela qual muitos não entrarão no reino de Deus, na Canaã celestial, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hb.11:6). Quem age com incredulidade e nesta incredulidade permanece, ficará fora da comunhão com o Senhor (Rm.11:20,23). Os incrédulos estão sob o domínio do pecado, são enganados diuturnamente pelo inimigo (II Co.4:4). O destino dos incrédulos é a morte (Hb.11:31; Ap.21:8).
2. Outros usos da expressão trevas. Pelo menos 124 vezes a expressão "trevas" é descrita na Bíblia Sagrada, designando várias situações ou características, quer físicas, quer espirituais. Algumas vezes, dependendo do contexto, a Bíblia emprega este termo para referir-se a uma complexa estrutura de seres, composta por anjos malignos e seres humanos a serviço do mal e regidos pelo Diabo, que é o seu príncipe(João 14:30; 16:11; Ef 6:12; Jd 6). Os homens não regenerados também são chamados de trevas(Ef 5:8), bem como os espíritos malignos(Ef 6:11,12).
Deus separa a Luz das Trevas. O que é a "luz"? Todos sabemos que a luz é a ausência de trevas, mas lemos já no início da Bíblia o seguinte: "... e (Deus) fez separação entre a luz e as trevas" (Gn 1:4b). Aqui entendemos que houve a separação entre a luz e as trevas. Deus não eliminou as trevas, Ele as separou da luz. Portanto, a palavra-chave que devemos lembrar é "separação". A vinda de Jesus significa exatamente isso: separação! Ou você crê e aceita que Jesus Cristo veio em carne, viveu uma vida sem pecado e sacrificou a si mesmo, derramando Seu sangue na cruz do Calvário pelos seus pecados, e que assim você tornou-se um filho da luz, ou você rejeita essa verdade eterna e continua sendo um filho das trevas.
IV – VIVENDO COMO FILHOS DA LUZ
Está escrito em 1 João 1:7 – "Se andarmos na Luz, como Ele na Luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado".Muitos interpretam a "luz" como pureza, mas este versículo nos diz que quando andamos na luz, o sangue de Cristo nos purifica de todo o pecado. Se formos honestos, conosco mesmos e com Deus, veremos nossos pecados à luz da Palavra de Deus e apelaremos a Cristo por purificação. Para vivermos como filhos da Luz, é necessário andarmos na Luz. Andar na Luz significa viver em santidade diante do Senhor, da igreja e do mundo. A santidade é o pilar principal do processo da Salvação, pois requer que vivamos uma vida de permanente separação de atitudes, atos e condutas pecaminosas, desde o nascimento em Cristo até o último estágio do processo da salvação, que é a glorificação, onde atingiremos a estatura de varão perfeito, porque seremos semelhantes a Jesus – "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos"(1 João 3:2).
1. Filhos da Luz. "Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz"(Ef 5:8). Andar é um verbo muito usado no Novo Testamento para descrever a vida cristã, principalmente na linguagem do apóstolo Paulo. É usado para descrever a relação permanente de vida com Deus. Neste versículo, o apóstolo afirma que os filhos de Deus, aqui chamados filhos da Luz, se fazem conhecidos como tais pela forma como se conduzem no meio de uma sociedade sem valores morais e espirituais. A Luz é um comparativo para Deus e tudo que está relacionado com Ele. Ele identifica o que é bom, verdadeiro e justo –"pois o fruto da luz está em toda a bondade, e justiça e verdade(Ef 5:9). Nos versos 1 e 2 de Efésios, capítulo 5,lemos: "Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave".
Como podemos saber se estamos andando na luz ou se estamos sendo enganados? O apóstolo previne os crentes contra o engano porque sabia da astúcia das falsas religiões e dos falsos mestres que seduziam os mais desavisados com suas filosofias, ensinando que nenhum ato do corpo poderia contaminar a alma. O apóstolo enfatiza que a única forma de sabermos se estamos andando verdadeiramente com Deus é através dos "frutos da Luz" que serão vistos em nós (verso 9).
As boas obras são a identidade dos verdadeiros servos de Deus. Elas se caracterizam como frutos da luz e revelam a bondade, justiça e verdade de Deus em nós. Aos Gálatas o apóstolo faz uma comparação entre as obras que procedem da nossa natureza humana pervertida (carne) e o resultado de uma vida no Espírito de Deus (Gl.5:16-26). Um crente é tão diferente de um ímpio como a luz o é da escuridão. Ele pode ser tão facilmente reconhecido como o são a luz e a escuridão.
Em Efésios 5:10 o apóstolo nos chama a ‘provar o que é agradável ao Senhor’, e no verso 17 ele nos ensina a procurar conhecer qual é a vontade do Senhor’. Em Romanos 12:2 somos instruídos de que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. Certamente é por isto que ele afirma que viver sem conhecer esta vontade de Deus é ser insensato (Ef 5:17).
Os frutos da luz contrastam-se com as obras das trevas por isto é fácil conhecê-los. Como nós somos resgatados das trevas, teremos facilidade para saber quais são as obras que devemos praticar em contraste delas (trevas): amor ao próximo; palavras edificantes; atitudes puras e bondosas; imitadores do Senhor Jesus; uso correto do tempo em busca da devoção e do conhecimento da vontade de Deus; práticas devocionais individuais e comunitárias, etc.
Portanto, se somos filhos da Luz, não somos apenas um brilho, mas pessoas comprometidas com a exaltação do nome de Deus por meio da nossa conduta em meio a uma sociedade corrompida – "para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo"(Fp 2:15). As nossas obras devem refletir o caráter de Deus – "Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial"(Mt 5:48).
2. A Luz está intimamente ligada à vida. Para que serve a luz? Para iluminar, aquecer, esclarecer, dar segurança, trazer vida, saúde, direcionar, alegrar o ambiente, etc. Podemos viver sem luz? De todos os seres vivos do planeta, pouquíssimos são os que podem viver sem a luz. Para o ser humano a luz é crucial. Espiritualmente, milhões de pessoas vivem imersas em verdadeira escuridão espiritual. Por isso Jesus disse as palavras de João 8:12: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida". Portanto, a luz está intimamente ligada à vida – "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens"(João 1:4). Rejeitar a luz é recusar a vida, é morrer. Nós fomos feitos para a vida, para a luz; só existimos sob o sol. Nossos olhos foram feitos para a luz; sem ela, eles são inúteis; se não se abrem à luz, ficam cegos.
A noite é somente o manto que o sol estende sobre nós para que repousemos, enquanto ele nos vigia e acalanta com a luz das estrelas, acordando-nos ao amanhecer, para dele nos alimentarmos. Não fomos feitos para viver num constante sono, às escuras. Somos como as plantas, que precisam da luz para realizar a fotossíntese.
O que seria da lua sem o sol? É ele que, tal qual artista, traça-lhe o tênue contorno de lua nova; depois vai pintando figuras, que são vistas conforme a imaginação de cada um, até apresentá-la imensa e bela, cheia de luz, emoldurada pelo céu e pelo mar. Onde estaria o arco-íris sem os raios do sol? A vida não nasceria nem cresceria sem seu calor.
Portanto, sem a Luz não há vida. Jesus é a Luz da vida, e nós recebemos dele essa luz para alumiarmos o mundo. Ele disse "Vós sois a luz do mundo..."(Mt 5:14). Ser "luz do mundo" é iluminar o mundo, ou seja, fazer resplandecer a luz do Evangelho de Cristo (II Co.4:4), o que somente se faz quando praticamos a verdade, quando temos um comportamento de total submissão às Escrituras (II Co.4:2). Quando vivemos conforme a Palavra de Deus, os homens vêem que estamos na luz e identificam que somos filhos de Deus e, por isso, glorificam ao nosso Pai que está nos céus, pois sabem que nossas obras são boas (Mt.5:16).
Ser "luz do mundo" é ter comunhão com Deus, o que significa que é viver sem pecar e, se pecarmos por acidente, pedirmos imediatamente perdão a Deus e a quem ofendermos, como também termos comunhão uns com os outros, com a "família de Deus"(Ef.2:19), pois só assim teremos condição de estar debaixo do poder purificador do sangue de Cristo (I Jo.1:5-7).
Ser "luz do mundo" é amarmos o próximo como a nós mesmos, não é apenas dizer que amamos, mas tomarmos atitudes reais que demonstram o nosso amor pelo outro (I Jo.3:17-19), guardando, assim, os mandamentos do Senhor (I Jo.3:24).
Ser "luz do mundo" é também trazer não só iluminação, mas também calor para o mundo. A luz também produz calor e é necessário que o cristão traga, ao mundo, fervor espiritual (Rm.12:11). Para termos fervor espiritual, faz-se mister que vivamos uma vida de santificação, de oração e de jejum, para que sejamos vasos de honra na casa do Senhor e nossas palavras possam "ferver", atingindo os corações (Sl.45:1). Uma vida de separação do pecado é indispensável para que tenhamos "fervor", que não se confunde com "barulho" nem tampouco com "emocionalismo" ou "movimentos carnais".
Ser "luz do mundo" é produzir energia. O cristão verdadeiro traz ânimo e estimula os demais a buscar a Deus, a temer a Deus. Quando o cristão vive uma vida de sinceridade, todos que estão à sua volta percebem a sua condição de santo homem de Deus (II Rs.4:9) e, por isso, passam a desejar a sua companhia, ainda que inconscientemente, pois todo homem tem dentro de si um vazio do tamanho de Deus. Muitas vidas têm se rendido a Cristo por causa dos testemunhos destas "luzes do mundo" que estão a brilhar por este mundo afora (Fp.2:15). O verdadeiro cristão é um dínamo, uma testemunha de Cristo que, revestida de poder, leva multidões aos pés do Senhor com o seu exemplo (I Pe.2:21).
CONCLUSÃO
O Senhor Jesus declarou ser Ele próprio a luz do mundo enquanto estava no mundo (João 9:5), e aqui Ele declara que os discípulos são a luz do mundo, sem dúvida ao refletir a Sua luz depois da Sua ascensão. O crente brilha pelo Senhor Jesus, tendo em si a luz do Evangelho, da qual dá testemunho aos que o rodeiam.
Como uma cidade construída sobre um monte não se pode esconder, também o crente não pode deixar de se revelar pela sua conduta: sua vida santificada contrasta com o comportamento dos incrédulos. O crente não pode esconder a sua luz, mas deve irradiar a luz do Evangelho mediante o seu comportamento e testemunho aos que se encontram ao seu redor. A finalidade disto não é granjear agradecimentos e louvor para si, mas fazer com que o seu Pai que está nos céus seja glorificado por aqueles que vêem as boas coisas que ele faz, sendo assim por sua vez iluminados pelo Evangelho de Cristo.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 João. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. A Beleza do testemunho Cristão – Dr Caramuru Afonso Francisco. Deus é Luz – Gordon Haddon Clark.