Aula 04
JESUS, O REDENTOR E PERDOADOR
Leitura Bíblica: 1 João 2.1,2; Efésios 1.6,7; Apocalipse 5.8-10.
26 de Julho de 2009
"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1.9).
Ao pecar o homem tornou-se servo do pecado (João 8:34), dominado totalmente por ele (Gn 4:7), sem condição alguma de modificar esta situação. Entretanto, a história não terminou com esta tragédia. Bem ao contrário, a Bíblia Sagrada nos ensina que, mesmo antes da fundação do mundo, dentro de sua presciência, Deus já havia elaborado um plano para retirar o homem desta situação tão delicada (Ef.1:4; Ap.13:8). Este plano, já existente mesmo antes da criação do mundo, foi revelado ao homem no dia mesmo de sua queda, quando o Senhor anunciou que haveria de surgir alguém da semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente e tornaria a criar inimizade entre o homem e o mal e, conseqüentemente, amizade, comunhão entre Deus e o homem (Gn.3:15). O Plano divino para a salvação da humanidade foi plenamente cumprido no sacrifício inocente, amoroso e vicário de nosso Senhor Jesus Cristo(João 1:29;Gl 4:4,5).
É impossível pensar num cristianismo sem a cruz, sem o sacrifício vicário de Jesus, sem a quitação da dívida humana com Deus através de seu Filho. Foi na Cruz do Calvário que Jesus pagou a dívida do homem – “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”(Cl 2:14). Porém, não basta saber que Ele pagou nossa divida para com o Justiça de Deus, mas, é necessário tomar posse do “recibo de quitação” da dívida. É a posse desse “recibo” que nos confere o direito de sermos justificados diante de Deus.
A quem foi pago esse resgate? Certamente não foi a Satanás, como pensam alguns teólogos. Não devemos nada a Satanás. O resgate (o preço ou a dívida) foi apresentado única e exclusivamente ao Deus justo, pois é a Ele que havemos ofendido com nossos pecados e delitos. Mas como não podíamos pagar semelhante resgate, Jesus apresentou-se para quitá-lo em nosso lugar. Ele pagou o preço que o caráter de Deus requeria. Podemos afirmar com segurança que Ele cancelou a nossa dívida. Glória a Deus, a nossa dívida foi paga com expressivo preço! A dívida foi paga à Pessoa certa (que adiantaria a dívida ser paga a quem não devemos nada?). Quando da criação do homem Satanás já era um inimigo vencido, colocado debaixo dos pés do Senhor nosso Deus. O vencido nada pode exigir do vencedor! Apenas obedecer! Satanás não pode exigir nada de Deus! Só Jesus é quem dar a Salvação, pois “ em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”(Atos 4:12).
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
1) O que significa a expressão “redenção”. O termo redenção significa “comprar para fora”. Ele resume a idéia de um homem indo ao mercado comprar um escravo para depois colocar esse escravo em liberdade. Cristo, por meio de seu sacrifício, nos redimiu, nos comprou na posição de escravos para nos transportar para o reino do seu divino amor. Por isso o chamamos de nosso Redentor. É evidente que fomos comprados por um bom preço, e que agora somos servos de Deus: “libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”(Rm 6:18). Esta redenção é de extrema importância, pois mostra que não pertencemos mais ao reino das trevas. Além disso, se somos agora servos da justiça, devemos praticar coisas justas, de acordo com a vontade de Deus.
2) O plano de redenção – um plano elaborado desde a fundação do mundo(Ap 13:8 ). Deus na sua Onisciência e na Sua Presciência sabia, desde o principio, que o homem pecaria. Então já tinha um Plano elaborado no sentido de resgatar o homem, trazendo-o, de novo para Si. Assim, ainda lá no Éden, Deus anunciou Seu Plano de Redenção que seria executado através da “semente da mulher”.
Pelo Plano de Deus, a sua Justiça exigia para a reparação da ofensa contra Sua Santidade um Sacrifício Perfeito pelo qual o Sangue de um Justo seria oferecido como propiciação para reparar a ofensa feita pelo homem à Santidade de Deus.
a) Tinha que ser o Sangue de um Justo – era a exigência da Justiça de Deus. A exigência de um Sacrifício Perfeito, realizado por um Homem Justo, como Preço de Redenção, foi requerido pela Justiça de Deus para que a ofensa feita à Sua Santidade, pelo pecado, fosse reparada. Mas – “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”(Rm 5:12).
O sangue de animais não justificava o homem, apenas adiava a execução da justiça de Deus. Assim é que, se o Senhor Jesus Cristo não oferecesse o Sacrifício Perfeito não haveria Salvação para nenhum homem.
b) A Justiça de Deus não podia ser anulada! Tinha que ser cumprida! Deus não podia, simplesmente, perdoar o homem. A Justiça é um dos atributos Morais de Deus. Por ser Justo, Deus é, também, Fiel – Por ser fiel, ele diz que “... eu velo sobre a minha palavra para a cumprir”(Jr 1:12). Deus não podia negar-se a Si mesmo. Ele é Fiel à sua Natureza. Por isto ele diz – “... Santos sereis, porque eu, o Senhor, sou santo”(Lv 19:2). Assim, sempre que Sua Natureza Santa for agredida pelo pecado, Sua Justiça tem que exigir o reparo do dano.
O pecado foi uma atitude do homem contra o propósito para ele estabelecido por Deus. Deus havia determinado a obediência à Sua Palavra, às Suas ordens, mas o homem, dotado que era de liberdade, não observou a ordem dada por Deus e, por conseguinte, o homem desviou-se do critério estabelecido pelo Senhor e o resultado disto foi o fracasso espiritual, a separação entre Deus e o homem, pois o que faz divisão entre Deus e o homem é, precisamente, o pecado (Is.59:2).
Este sentido do pecado, aliás, fica realçado pela terminologia que as Escrituras utilizam para se referir ao pecado, a saber:
a) transgressão (Hb.2:2) – o pecado é uma transgressão, ou seja, é um desvio de uma norma estabelecida por Deus ao homem.
b) impiedade (Rm.1:18) – o pecado é impiedade, ou seja, uma demonstração de falta de amor e de piedade para com Deus. Jesus mesmo disse que amar a Deus é, sobretudo, obedecer a Deus (Jo.15:14).
c) injustiça (Rm.1:18) – o pecado é injustiça, ou seja, um procedimento contrário à justiça. Ora, a Bíblia diz que Deus é nossa justiça (Jr.33:16), de modo que o pecado é uma ofensa contra o Senhor.
d) desobediência (Hb.2:2) – o pecado é desobediência, insubmissão, rebelião contra o Senhor. É o contrário à obediência.
e) iniquidade (I Jo.5:17) – o pecado é o contrário à equidade, à justiça distributiva. O pecado é uma atitude que contraria a ordem estabelecida por Deus, que foge aos parâmetros estatuídos pelo Senhor.
Percebemos, portanto, que o pecado não é uma ilusão, como se tem dito ultimamente, nem tampouco uma invenção proveniente de uma tradição religiosa, mas uma pura realidade. O pecado é um gesto de rebelião contra Deus, o mau exercício da liberdade de que o homem foi dotado quando de sua criação.
1. A responsabilidade humana. O homem é dotado de poder para agir sem coações externas, e de acordo com sua própria vontade ou escolha. Esta faculdade de escolha denominamos de livre-arbítrio. Como um livre agente, o ser humano tem a capacidade e a liberdade de escolha, inclusive a de desobedecer a Deus(Dt 30:11-20 e Js 24:15). Isso, por si só, é suficiente para que ele seja responsável pelas consequências de seus atos.
A Bíblia contém uma série de textos em que o direito humano de escolha fica claro: Adão e Eva, no jardim do Éden, podiam escolher o fruto que comeriam. Escolheram a desobediência e foram castigados por causa dela. Se estivessem predestinados a pecar, Deus não os condenaria. Depois vieram Caim e Abel. Deus deixou claro para Caim que, se ele mudasse sua atitude, sua oferta poderia ser aceita (Gn.4.7); por outro lado, havia a opção pelo pecado; se tudo estivesse predestinado e predeterminado por Deus, por quê o Senhor haveria de alertá-lo? É bom observarmos que Caim estava morto espiritualmente, mas isso não significava incapacidade de ouvir a voz de Deus, crer e decidir (Ler Josué 24:15 e Dt 30:19).
Portanto, a liberdade humana, o livre-arbítrio, é uma manifestação da vontade divina. Deus quis que o homem tivesse esta liberdade e, por isso, não cabe a nós querer estabelecer limites ou objeções ao Senhor por causa desta liberdade. Deus fez o homem com poder de servi-lo ou não e, por isso, nós, simples seres humanos, não podemos querer obrigar os homens a servir a Deus. Quem cerceia, pois, a liberdade de opção do homem em servir, ou não, a Deus, algo que, infelizmente, muitas vezes foi praticado em nome do Senhor, atenta, antes de mais nada, contra a própria ordem estabelecida por Deus, que foi quem criou o homem com esta faculdade.
Mas, a liberdade que Deus deu ao ser humano, tem uma correspondência: a responsabilidade. Ao verificarmos o texto sagrado de Gn.2:16,17, notamos que Deus deu uma ordem ao homem no sentido de que ele comesse livremente de todas as árvores do jardim do Éden, com exceção da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que ele dela comesse, certamente morreria. O homem poderia escolher entre o bem e o mal, mas, no dia em que desobedecesse a Deus, em que escolhesse o mal, adviria uma penalidade, qual seja, a morte, a separação entre o homem e Deus (“certamente morrereis”). A contrapartida do poder dado ao homem para escolher entre o bem e o mal era a de que deveria responder diante de Deus pela escolha feita, arcando com as conseqüências de sua opção. Podemos, portanto, afirmar que:
a) não existe liberdade sem responsabilidade. O homem não faz o que quer sem qualquer consequência, uma vez que a sua liberdade não é o direito de ditar as regras para si, mas de optar entre seguir, ou não, as regras estabelecidas por Deus. Liberdade não se confunde, pois, com libertinagem, como, infelizmente, tem sido propagandeado pelo mundo ao longo dos séculos e, muito intensamente, nos dias em que vivemos.
b) a liberdade humana não altera a soberania divina. O uso da liberdade pelo homem deverá ser objeto de prestação de contas diante de Deus, que é o soberano, a máxima autoridade. O plano da salvação, pois, não elide nem sequer diminui a soberania divina. Ao criar o homem com liberdade, Deus também estabeleceu que o homem responderia diante dEle sobre o uso desta liberdade.
Manter-se fiel a Cristo até o fim deve ser a decisão de todos os que experimentaram o novo nascimento, mediante o qual tornaram-se participantes da natureza divina, passando a gozar da comunhão com Deus (1 Jo 1.7). É o que se espera de quem se converteu a Cristo e que deixou de ser escravo do pecado, tornando-se servo do Senhor Jesus (Rm 6.1-23).
2. O ideal cristão (2.1). João apresenta o padrão perfeito de Deus para o seu povo e sua provisão bondosa, caso fracassemos. O padrão perfeito(ou ideal) de Deus é formulado na frase: Estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Uma vez que Deus é perfeito, o padrão ideal para o seu povo é a perfeição absoluta. Ele não seria Deus se dissesse: “Estas coisas vos escrevo para que pequem o mínimo possível”. Deus não pode ser conivente com o pecado em nenhum sentido; logo, coloca a perfeição como nosso alvo. O Senhor Jesus fez o mesmo ao falar com a mulher surpreendida em adultério: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais”(João 8:11). Portanto, devemos todos conduzir-nos fiéis ao Senhor e à Palavra de Deus, determinados a não pecar. Evitar o pecado deve ser o propósito de todo crente(Rm 8:13; Gl 5:16,17).
3. E se pecarmos? Quando João diz “e se alguém pecar”, ele está informando que todos nós estamos propensos a pecar a qualquer momento. A conversão não implica a erradicação da natureza pecaminosa. Antes, representa a implantação de uma natureza nova, divina, com poder para vencer o pecado que há em nós. Negar nossa natureza pecaminosa é uma forma de auto-engano e falsidade. Embora salvos, nascidos de novo, participantes da natureza divina, estamos no mundo e num corpo humano rendido ao pecado (Rm 6.6). Como filhos de Deus, queremos fazer sua vontade; como humanos, podemos falhar neste propósito (Rm 7:14-25).
Observe que João faz distinção entre pecado(1:8) e pecados(1:9). O pecado se refere à nossa natureza corrupta e perversa. Os pecados são nossos maus procedimentos. Na verdade, aquilo que somos é muito pior que aquilo que já fizemos até agora. Graças a Deus, porém, porque Cristo morreu por nosso pecado e por nossos pecados.
Para que possamos andar diariamente em comunhão com Deus e com nossos irmãos em Cristo, precisamos confessar nossos pecados: pecados de comissão, de omissão, de pensamento, de atos, peados secretos e pecados públicos. Precisamos trazê-los à tona e colocá-los diante de Deus, chamá-los pelos seus devidos nomes, posicionar-nos do lado de Deus contra eles e abandoná-los. A verdadeira confissão implica abandonar os pecados - “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”(Pv 28:13).
Quando vamos falar de perdão, devemos observar que o perdão é uma das qualidades divinas mais realçadas na Bíblia Sagrada. O perdão é uma característica que mostra que, em Deus, o amor supera a justiça. Embora seja um Deus justo, que, a Seu tempo, executará o juízo sobre aqueles que ousam desobedecer-Lhe, o Senhor jamais deixa de dar ao homem a oportunidade para que se arrependa e, assim, alcance o Seu perdão. Tamanha é a disposição de Deus para perdoar o homem que as Escrituras nos revelam que, mesmo antes da criação do mundo, Deus já propusera um meio para que o homem pudesse ser alvo do Seu perdão(Ap.13:8).
Já no Éden,
Deus demonstrou ser um ser disposto a perdoar o homem, pois, ao lado dos juízos
impostos ao primeiro casal pecador, deu a boa-nova de salvação, o chamado
"proto-evangelho", ao prometer que, da semente da mulher, haveria de nascer um
que esmagaria a cabeça da serpente(Gn.3:15).
Pouco depois, vemos o Senhor disposto a perdoar Caim pela sua ira e pela
sua malignidade que havia resultado na rejeição da oferta que Lhe havia
apresentado, dizendo que estava disposto a aceitar a oferta e o culto de Caim
desde que ele bem fizesse(Gn.4:7).
Entretanto, Caim não atendeu ao chamado divino e acabou matando Abel. Apesar
disto, Deus, ao lhe aplicar a pena pelo seu crime, ainda manteve a oportunidade
do perdão, ao impedir que Caim fosse morto por outros homens, através do
enigmático sinal(Gn.4:15).
Como afirma o salmista, no Salmo 130:4, com o Senhor está o perdão e a origem do temor a Ele está, precisamente, na circunstância de que Ele está disposto a perdoar.
O profeta Isaías também reafirma esta disposição do Senhor ao afirmar que Deus é grandioso em perdoar(Is.55:7). É a convicção da disposição divina em perdoar que permitia ao ímpio deixar os seus caminhos e se converter, pois, caso contrário, seria, infalivelmente, consumido.
Jesus veio salvar e buscar o que se havia perdido (Lc.19:10), ou seja, tomou a iniciativa de ir ao encontro do pecador, a fim de oferecer-Lhe a oportunidade de se unir novamente a Deus. Para isto, pregou o Evangelho, ou seja, a boa nova, anunciando que era possível deixar o domínio do pecado e do mal, a morte espiritual, a escravidão sob o deus deste século (II Co.4:3,4) e passar a gozar de liberdade, mediante o conhecimento da verdade (Jo.8:32,36).
Portanto, para que haja a liberdade do pecado, torna-se necessário, indispensável que se tenha o conhecimento da verdade, o conhecimento do Filho, que se faça um com o Senhor Jesus (cf. Jo.17:21). Para que isto seja possível, o próprio Jesus diz que é preciso que haja arrependimento, que as pessoas deixem de pecar, que as pessoas mudem completamente de vida do ponto-de-vista espiritual.
Quem pecar deve buscar imediatamente a Cristo Jesus que se compadece das nossas fraquezas e aceita-nos no trono da graça, desde que estejamos arrependidos e dispostos a confessar nossos pecados (1 Jo 1.9).
1. "Temos um Advogado" (2.1). Acidentalmente, num momento de descuido, de falta de vigilância, o crente pode pecar, cair. Isto não significa estar desviado. O que caiu pode seguir o conselho de João e levantar-se –“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo...Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”(I Jo 2:1 e 1:9).
Quando você, meu irmão, se sentir culpado e condenado por algum pecado cometido, não desista da esperança, pois o melhor advogado de defesa do universo está pleiteando a seu favor. Jesus Cristo, seu Advogado, seu defensor, é o Filho do Justo Juiz. Ele já sofreu a penalidade em seu lugar. Você não pode ser julgado por um processo que está terminado, por isso não temas a acusação de Satanás. Unido a Cristo, você está tão seguro quanto Ele. Não tenha medo de pedir a Cristo para pleitear a sua causa. Observe que nosso Advogado é Jesus Cristo, o Justo. É bom ter um Defensor Justo. Quando Satanás acusa o cristão de alguma coisa, o Senhor Jesus pode apontar para sua obra consumada no Calvário e dizer: “Coloque na minha conta”.
Observe que o versículo nos revela uma verdade maravilhosa que não podemos deixar passar despercebida. Diz: “Se, todavia, alguém pecar, temos um Advogado junto ao PAI”. Não diz, junto a Deus, mas junto ao PAI. Deus continua sendo nosso PAI mesmo quando pecamos. Somos lembrados da verdade bendita de que o pecado na vida do cristão rompe a comunhão, mas não rompe o relacionamento. Quando alguém nasce de novo, torna-se filho de Deus. Daí em diante, Deus é seu Pai e nada pode afetar esse relacionamento. O nascimento é algo que não pode ser desfeito. O filho pode desonrar o pai, mas continuará sendo filho pelo simples fato de ter nascido. Mesmo que o filho abandone a casa do Pai (como o ocorrido na Parábola do Filho Pródigo), ele fica no aguardo da sua volta. O desejo do Pai celestial é que o filho nunca o abandone.
2. Porque Jesus pode perdoar. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”(1 João 1:9). A santidade de Deus requer uma punição para o pecado, mas se confessarmos nosso pecados, Deus “é fiel e justo para nos perdoar”. É fiel no sentido de que prometeu perdoar e cumprirá a sua promessa. É justo para nos perdoar porque encontrou uma base justa para o perdão na obra vicária do Senhor Jesus na cruz. Assim, toda exigência da lei divina quanto ao culpado, foi satisfeita plenamente na cruz quando Jesus efetuou a nossa redenção pelo seu sangue (Ef 1.7). Por esse ato de amor, obtivemos o perdão dos pecados; assim, fomos salvos da perdição eterna (Gl 3.13,14). Além de garantir o perdão, Deus nos purifica de toda injustiça.
É bom ressaltar que João fala de um perdão paternal, e não judicial. O perdão judicial se refere ao perdão do castigo pelos pecados. O cristão o recebe quando crê no Senhor Jesus Cristo. É chamado de “judicial” porque é concedido por Deus Pai em seu papel de Juiz. Mas, e quanto aos pecados que a pessoa comete depois da conversão? No tocante ao castigo, o preço já foi pago pelo Senhor Jesus na cruz do Calvário. Porém, no tocante à comunhão na família de Deus o santo que pecou precisa receber o perdão paternal de Deus, ou seja, seu perdão como Pai, obtido pela confissão do pecado. Precisamos do perdão judicial apenas uma vez, pois ele é suficiente para pagar o castigo pelos nossos pecados passados, presentes e futuros. Mas precisamos do perdão paternal ao longo de toda a vida cristã.
Em Jesus é que se encontra a satisfação da justiça divina, visto que, como nós pecamos, estamos sujeitos à pena de morte, ou seja, à separação de Deus, à destituição da glória de Deus. Como se dá esta justiça de Deus que, em vez de punir o pecador, declara-o justo diante de Deus gratuitamente? O apóstolo Paulo mostra-nos que esta justificação se dá pela fé em Jesus Cristo(ver Rm 5:1).
O apóstolo João afirma que Jesus, além de Advogado, é também a “propiciação” pelos nossos pecados(1 João 2:2; 4:10). Propiciar é satisfazer a lei divina violada pelo transgressor. O apóstolo Paulo, também, diz-nos que Deus escolheu a Cristo para ser a “propiciação” dos pecados, através do Seu sangue(Rm.3:25). Portanto, Jesus, como a nossa “propiciação”, cumpriu a pena do pecado em nosso lugar e abriu o caminho para a nossa justificação(Rm 3:24,25; 5:1).
Jesus aplacou a ira de Deus de modo definitivo. Pelo sacrifício, Deus teve satisfeita a Sua justiça (Is.53:11) e, portanto, pode, agora, distribuir este favor conquistado por Cristo, mediante a propiciação, obtida pelo Seu sacrifício único no Calvário, a todos os homens que crerem, isto é, que aceitarem que o único caminho pelo qual nós nos chegamos a Deus é através do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
A justificação do homem, portanto, dá-se por meio não do homem, mas, sim, por meio da fé. Quem crê em Jesus, quem dá crédito ao Seu sacrifício na cruz do Calvário, quem reconhece que seus pecados foram perdoados por intermédio desta morte, tem seus pecados perdoados e alcança uma nova posição diante de Deus. Não é mais um ímpio, mas, sim, alguém que será considerado justo por Deus, pois o Senhor é justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (Rm.3:26).
1. Como e por que Cristo se tornou propiciação? Propiciação era uma palavra utilizada para identificar o sacrifício vicário e expiador com derramamento de sangue, aplacando a ira da divindade(Hb 10.10,14; Lv 6.24,25; 7.2). O propiciatório era uma peça feita de ouro, que representava o trono de Deus (Is 6.1). Era um trono de misericórdia, pois a palavra propiciatório significa "onde Deus nos é propício", "nos é favorável".
No Antigo Testamento, Israel, uma vez ao ano, realizava um sacrifício solene ao Senhor para aplacar a Sua ira em virtude dos pecados do povo. Esse sacrifício era realizado pelo sumo sacerdote, no dia da expiação, no décimo dia do sétimo mês, única oportunidade em que ele entrava no Santo dos Santos (ou lugar santíssimo), conforme se descreve, entre outras passagens, em Levitico 16:29-34. Neste dia, depois de fazer sacrifício por si, o sumo sacerdote imolava um animal e levava o sangue do animal até o lugar santíssimo(Hb.9:7), onde estava a arca, cuja tampa era, precisamente, o propiciatório (Ex.25:17,21), lugar onde Deus falava com Moisés (cf. Ex.25:22) e de onde provinha a paciência de Deus, ou seja, onde Deus aplacava a Sua ira com o povo e, por mais um ano, não expulsava Israel da Sua presença, cobrindo, assim, os pecados do povo, adiando a execução da Sua justiça (Sl.32:1,2). No entanto, esta propiciação era temporária, tanto que precisava ser renovada a cada ano, como determinava a lei.
Por ser temporária, como bem aponta o autor da epístola aos hebreus, era apenas uma figura, um símbolo, uma figura do que estava por vir (Hb.9:8-10), pois Deus havia prometido resolver a questão, o que, mediante a lei, não havia se realizado ainda. Ademais, tanto a propiciação no dia da expiação (como era conhecido o dia do sacrifício propiciatório, festividade que os judeus até hoje comemoram, o chamado dia do “Iom Kipur”) não era senão um símbolo, que, na verdade, deixou de ser praticado como determinado na lei após a destruição do Primeiro Templo, já que a arca desapareceu quando da destruição do templo por Nabucodonosor, o que nos dá a entender que jamais houve arca e seu correspondente propiciatório no período do Segundo Templo, ocasião em que se cristalizou o ritual até hoje existente entre os judeus para a celebração do Iom Kipur. Tais circunstâncias mostram, claramente, que o ritual era apenas uma figura da verdadeira propiciação, pela qual aguardava a paciência de Deus (Rm.3:25).
João Batista ao contemplar Jesus não hesitou em mostrar-Lhe como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo.1:29), coroando o seu ministério preparatório para o Senhor e revelando, deste modo, que o principal trabalho de Cristo seria o de ser o propiciatório definitivo, o meio pelo qual os homens seriam favoráveis a Deus. Através do Seu sangue, diz-nos o apóstolo, Jesus assumiu o castigo que deveria ser suportado pelos pecadores, morreu em nosso lugar e, por causa disto, tirou o pecado, pagando o preço da nossa redenção, da nossa libertação do pecado. Ele é o Cordeiro, ou seja, aquele que dá Sua vida em lugar do pecador, que sofre a pena em lugar de quem pecou. Ele tira o pecado do mundo, porque, ao morrer, sem pecado (Hb.4:15), pagou o preço pelos nossos pecados e, portanto, de uma só vez, conquistou o favor de Deus a todos os homens que crerem na Sua obra (Hb.9:11-14).
Ao fazer com que Jesus fosse a propiciação pelos nossos pecados, Deus Pai mostra-Se favorável para com os homens. Jesus morreu em nosso lugar, derramou Seu sangue na cruz do Calvário, para que o homem pudesse, novamente, ter livre acesso a Deus.
Jesus morreu pela humanidade, apesar de nunca ter pecado e não merecer, por isso, a pena decorrente da prática do pecado. Mas ao Se entregar pela humanidade, Cristo tornou-Se a propiciação pelos pecados de todos os homens e, mediante esta obra, podemos alcançar o favor divino; podemos alcançar o perdão dos nossos pecados e a nossa justificação.
2. A abrangência da propiciação. A obra de Cristo é retrospectiva, ou seja, alcança a todos os homens que viveram antes mesmo da revelação de Cristo aos homens e da revelação de Cristo a cada homem. Como nos mostra o escritor aos hebreus, no capítulo 11, a fé já estava presente na vida dos homens desde a primeira geração, vez que o primeiro herói da fé mencionado é Abel. Jesus veio, na plenitude dos tempos (Gl.4:4), cumprir o propósito divino, mas a Sua obra tem um valor que supera o tempo histórico em que ela se realizou sobre a face da Terra. Cristo proporciona a salvação de toda a humanidade, em todas as épocas, pois só por meio dEle há salvação.
Dirão alguns que tal pensamento estaria em contradição com o que Paulo diz, no limiar da epístola, quando disse que os homens terão diferentes critérios de julgamento, uns pela consciência, outros pela lei (Rm.2:12). Todavia, não há nenhuma contradição. O que estamos a dizer é que o valor da propiciação de Cristo alcança a todos os homens de todas as épocas, ou seja, se os homens alcançarão salvação mesmo antes da formação de Israel ou da lei (como é o caso de Abel, Enoque, Noé, que estão na relação dos heróis da fé em Hebreus 11), isto se deve única e exclusivamente ao fato de que Cristo morreu em nosso lugar e pagou o preço da nossa remissão, do perdão dos nossos pecados. Seu sacrifício alcança toda a humanidade, independentemente do critério que se fará quando do julgamento de cada ser humano. Se algum homem for considerado justo diante de Deus, isto se deveu à propiciação dos pecados pelo sangue de Cristo.
Poderão, ainda, alguns dizerem que Deus executou juízos sobre a humanidade antes da propiciação dos pecados por Cristo no Calvário e que, portanto, não se teria como dizer que houve a “paciência de Deus” como descrito em Romanos 3:25. Aqui também labora em equívoco quem assim pensar. Não resta dúvida de que Deus executou juízos sobre os homens, quando estes atingiram a medida da Sua longanimidade, mas, antes que estes juízos tivessem sido executados, Deus sempre deu oportunidade aos homens para que se arrependessem e o arrependimento os poupou do juízo, como se vê nos casos de Noé e sua família, no caso do dilúvio; de Ló e suas filhas, no caso da destruição de Sodoma e de Gomorra; como também de Raabe e sua família, no caso dos primitivos habitantes da Palestina; e de todos os habitantes de Nínive, cujo comportamento fez com que o juízo fosse suspenso. Todos os que se arrependeram, fizeram-no porque creram em Deus, creram na Sua Palavra. Ora, ao crer na Palavra de Deus, mesmo que não o soubessem, estavam a crer no propiciatório (de onde Deus vinha a falar com o povo), estavam a crer no Verbo, ou seja, em Cristo Jesus (Jo.1:1,2,14), que só Se revelaria como tal na plenitude dos tempos (Gl.4:4). Assim, é o sacrifício de Cristo que concede a justificação destes homens, ainda que eles não tivessem tido a oportunidade que temos de hoje saber, claramente, qual é a propiciação dos nossos pecados (I João 2:2).
Quando somos declarados justos por Deus, por causa da morte de Cristo, alcançamos a reconciliação com Deus, ou seja, passamos a ter direito a participar da glória de Deus, da qual, antes, estávamos destituídos. A reconciliação é a reabilitação do homem, a restauração do estado de comunhão com Deus que existia antes do pecado, e isto só foi possível por sua misericórdia em enviar o seu Filho para morrer em nosso lugar. Tendo em vista esta verdade, como deve o crente honrar a Deus e ser-lhe sempre grato pela grandiosa dádiva da salvação?
1. Guardando os mandamentos – “E nisto sabemos que o reconhecemos: se guardarmos os seus mandamentos”(1 João 2:3). Guardar os mandamentos significa obedecer aos ensinamentos do Senhor Jesus encontrados no Novo Testamento. Vivê-los e fazer com que façam parte do nosso cotidiano, até que chegue o dia em que se possa dizer: "vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20).
2. Vivenciando a Palavra – “ Mas qualquer que guarda a sua Palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele”(1 João 2:5). Guardar a sua Palavra significa não apenas obedecer ao que está escrito, mas também ter o desejo de fazer aquilo que sabemos ser agradável a ele. João, de modo enfático e claro, afirma que quem alega que conhece a Deus, e não guarda (coloca em prática) os mandamentos do Senhor, é mentiroso(1 João 2:4).
Os falsos mestres, na época de João, declaravam que a pessoa podia normalmente afirmar que “conhece” a Deus em termos de salvação, e, ao mesmo tempo, ser indiferente à sua vontade e aos seus mandamentos, e os desobedecer. Porém, João declara que, aqueles que assim procedem, são mentirosos e não têm em si a verdade de Deus. Querer ser justificado mediante a fé em Cristo, sem o compromisso de segui-lo, significa fracasso.
Quem diz que conhece a Deus, deve deixar claro, no seu viver e no seu agir, que guarda os seus mandamentos e anda de acordo com eles. Pois é nisto mesmo que certificamo-nos de que estamos nEle (1Jo 2.5).
A morte de Jesus foi a mais cara e mais espetacular vitória de que se tem notícia. Ela tornou viável o perdão de pecados e possível a salvação de todos os que crêem. A morte vicária de Jesus era constantemente anunciada por meio dos rituais e das cerimônias religiosas dos judeus. Todavia, Ele não morreu simplesmente para cumprir as profecias. Jesus morreu porque “é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados” (Hb 10.4).
No momento exato em que Jesus entregou o espírito, por volta das 3 horas da tarde daquela sexta-feira, “o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo”(Mt 27.51). Essa cortina espessa que separava o santuário do lugar santíssimo, também chamado Santo dos Santos, simbolizava a impossibilidade de o homem, absolutamente pecador, se aproximar de Deus, que é absolutamente santo. A morte de Jesus foi o sacrifício que abriu o caminho até Deus. Desde então, “temos plena confiança para entrar no Santo dos Santos [na presença de Deus] por um novo e vivo caminho que Ele nos abriu por meio do véu, isto é, de seu corpo” (Hb 10.19,20). Negar a morte de Jesus ou menosprezar o seu valor será fatal para aquele ou aquela que não mudar essa posição, a consequência será, certamente, a perdição eterna, pois não há perdão dos pecados se não se crer na obra redentora de Cristo no Calvário –“ os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do senhor e da glória do seu poder”(I Ts 1:9).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo Genebra. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 João. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. A Beleza do testemunho Cristão – Dr Caramuru Afonso Francisco. A corrupção da humanidade - Dr. Caramuru. A morte vicária de Jesus – Aula 11 de 16/03/2008 – Luciano Lourenço. A corrupção da doutrina da regeneração – Caramuru Afonso Francisco.