Aula 05
A FORÇA DO AMOR CRISTÃO
Leitura Bíblica: 1 João 2.7-11; 3.14-18.
02 de Agosto de 2009

"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis" (Jo 13.34).” Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade”(1 João 3:18).

 

 

INTRODUÇÃO

A insígnia do discipulado cristão não é uma cruz posta ao redor do pescoço ou na lapela, ou algum tipo de roupa distintiva. A marca verdadeira de um cristão é o amor para com seus irmãos em Cristo. Isso requer poder divino, e esse poder é dado somente aos que são batizados pelo  Espírito Santo(1 Co 12:13).  João focaliza o amor entre os irmãos, relembrando o ensino do Mestre, que disse aos seus seguidores que seriam conhecidos como "seus discípulos" pelo amor com que se amavam (João13.35). Jesus disse: “ Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”(João 13:35).

Os mais poderosos homens de Deus ao longo de toda história da humanidade foram marcados pelo espírito e pela força do amor. O combustível do sucesso de suas vidas foi o amor de Deus incendiando seus corações pelas almas perdidas deste mundo tenebroso. Por isso, tais servos de Deus também foram vasos de honra para incendiar e avivar cidades, estados e nações inteiras, pois a força do amor se manifestava no poder do Espírito, que energizava suas vidas e frutificava seus ministérios.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor”(Rm12:11); “...perseverai na oração”(Rm 12:12).

1. Onde está a força do amor cristão? Sabemos que a chama do amor de Deus em nossos corações é como fogo inextinguível, desde que ela seja alimentada constantemente. De que maneira poderemos então manter viva esta chama? Ou, onde está a força do amor cristão?

a) Está no fervor no Espírito (Rm 12:11) - É no Espírito que encontramos combustível para manter o brilho e o calor desta chama. Na justificação, recebemos da parte de Deus o Espírito Santo (Rm 5.5). É o Espírito Santo no nosso espírito que alimenta este amor. Podemos distribuí-lo sempre, a fonte nunca se esgotará.

b) Está no serviço ao Senhor (Rm 12: 11) - Se quisermos servir ao Senhor teremos que começar pelo serviço em prol da Igreja. Somos um corpo, funcionando como uma máquina. Neste complicado sistema de engrenagens, todos têm que funcionar. Isto equivale a dizer, que todos devem expressar a vida de Cristo. Servir ao Senhor significa guardar os seus mandamentos. Porquanto ele disse: "O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo 15.12). Se estamos servindo ao Senhor é porque estamos expressando o amor de Deus, e o amor nunca falha (I Co 13.8).

c) Está na perseverança na oração (Rm 12: 12) - A oração é a força que nos mantém em comunhão com Deus. Somente conseguimos orar de verdade, uma oração efetiva, quando o nosso corpo está abatido e o nosso homem velho morto na cruz. Desta forma, nosso espírito estará extraordinariamente forte para ser recipiente transbordante do amor de Deus (II Co 12.9,10). Logo, o segredo do amor, revela-se na prática da oração perseverante. Portanto, "Orai sem cessar" (I Ts 5.17).

2. Como distinguir o amor cristão de práticas pagãs, que são apenas atos de hipocrisia? Como bem expressou Judas, o irmão do Senhor: "São nuvens sem água… são como árvores infrutíferas" (Jd 12). O amor cristão é diferente e produtivo em toda a sua essência. O amor cristão é:

a) É sincero - "O amor seja não fingido" (Rm 12: 9) - A sociedade distanciada de Deus impõe os seus métodos, e já estamos até acostumados com a maneira falsa que eles usam para expressar amor. Chegam a ponto de classificar o adultério e a lascívia de amor. Porém, o amor que Deus derramou em nossos corações, é antes de tudo sincero. Por isso, somos exortados a amar de verdade, sem fingimento. Longe de nós, fingir que amamos nossos irmãos no intuito de tirar proveito. Somos justificados para amar com o amor de Deus, que não é fingido.

b) É cordial - "Amai-vos cordialmente uns aos outros" (Rm12: 10) - Cordial é uma palavra cujo significado é relativo ao coração. Sugere um cristão afetuoso. Isto revela um amor que emana do coração e não de sentimentos interesseiros. O amor cordial faz bem a geração dos justos. Faz bem aos filhos de Deus.

c) É fraternal - "Com amor fraternal" (Rm 12:10) - O amor fraternal é a amizade íntima entre irmãos. Sugere harmonia e comunhão. Isto é maravilhoso, porque em um ambiente assim, há cura de traumas. A libertação é mais frequente, porque o perdão é uma constante. Em Cristo, temos o dever de amar a todos, dentro da comunidade cristã e fora dela (Rm 13.8).

d) É honroso - "Preferindo-vos em honra uns aos outros" (Rm 12: 10) - Honrar uns aos outros não quer dizer bajular-se mutuamente. Significa o reconhecimento de valores individuais. É ter o irmão em estima e apreço, como alguém que foi comprado pelo preciosíssimo sangue de Jesus Cristo.

3. Um exemplo a ser imitado, para quem está numa situação similar

“Eram noivos e se preparavam para o casamento, quando o pai da noiva descobriu que o rapaz era dado ao jogo, mesmo sendo cristão. Decidiu se opor à realização do matrimônio, a pretexto de que o homem que se dá ao vício do jogo, jamais seria um bom marido. Contudo, a jovem obstinada e orando muito decidiu se casar, assim mesmo. E conseguiu, fazendo valer a sua vontade, vencendo a resistência do pai. Nos primeiros dias de vida conjugal, o rapaz se portou como um marido ideal. Entretanto, com o passar dos dias, sentia crescer em si cada vez mais o desejo de voltar à mesa de jogo. Certa noite, incapaz de resistir, retornou ao convívio de seus antigos companheiros.

Em casa, a jovem tomou um bordado e ficou aguardando. Embora ocupada com o trabalho manual, tinha os olhos presos ao relógio. As horas pareciam passar cada vez mais lentas. Já era alta madrugada, quando o marido chegou. Nem disfarçou a sua irritação, por surpreender a companheira ainda acordada. Logo imaginou que ela o esperava para censurar a sua conduta. Quando ele a interrogou sobre o que fazia àquela hora ela, com ternura e bondade na voz, disse que estava tão envolvida com seu bordado, que nem se dera conta da hora avançada. Sem dar maior importância à ocorrência, ela se foi deitar. No dia seguinte, quando ele retornou ainda mais tarde da casa de jogos, a encontrou outra vez a esperá-lo.

"Outra vez acordada?", perguntou ele quase colérico.

"Não quis que fosse se deitar, sem que antes fizesse um lanche. Preparei torradas, chá quentinho. Espero que você goste”.

E, sem perguntar ao marido onde estivera e o que fizera até àquela hora, a esposa o beijou carinhosamente e se recolheu ao leito.

Na terceira noite, ela o esperou com um bolo delicioso, cuja receita lhe fora ensinada pela vizinha. Antes mesmo que o marido dissesse qualquer coisa, ela se prendeu ao pescoço dele, abraçou-o e pediu que provasse da nova delícia.E assim, todas as madrugadas, a ocorrência se repetiu. O marido começou a se preocupar.

Na mesa de jogo, tinha o pensamento menos preso às cartas do que à esposa, que o esperava, pacientemente, como um anjo da paz. Começou a experimentar uma sensação de vergonha, ao mesmo tempo de indiferença e quase repulsa por tudo quanto o rodeava. O que ele tinha em casa era uma mulher que o esperava, toda madrugada, para o abraçar, dar carinho. E ele, ali, naquele lugar? Aos poucos, foi se tornando mais forte aquele incômodo. Finalmente, um dia, de olhar vago e distante, como se tivesse diante de si outro cenário, o rapaz se levantou de repente da mesa de jogo.Como se cedesse a um impulso quase automático, retirou-se, para nunca mais voltar. E Decidiu seguir o caminho de Cristo em sua vida.

Nos dias de hoje, é bem comum os casais optarem por se separar, até por motivos quase ingênuos. Poucas criaturas decidem lutar para harmonizar as diferenças, superar os problemas, em nome do amor, a fim de que a relação matrimonial se solidifique. Contudo, quando o amor se expressa, todo o panorama se modifica. É difícil a alma que resista às expressões do amor. Porque o amor traz a mensagem da plenificação, do bem estar, da alegria. Desta forma, é sempre salutar investir no amor, expressando-o através de gestos, pequenas atenções, gentilezas.O amor é o sentimento por excelência e tem a capacidade de transformar situações e pessoas. Experimente-o agora”(Autor desconhecido).

I.  O MANDAMENTO ATEMPORAL

Toda a nossa regra de fé e prática (a Bíblia Sagrada) é atemporal. Consequentemente, um dos maiores mandamentos que Deus nos deu, o mandamento de amar, não poderia deixar de ser atemporal. Como servimos ao Deus imutável, que nos manda amar tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Lv 19:18; Mq 6:8; Mc 12:33), e que inspirou Paulo a escrever que o "amor nunca passará" (1 Co 13:8), é plenamente claro que o amor é atemporal, ou seja, independente do tempo. São Paulo escrevendo aos crentes de Corinto afirma que, havendo cessado os dons espirituais, o amor perdurará para sempre(1 Co 13:8).Se o próprio Deus é amor, então obviamente Seu Reino no Céu é impregnado de amor e respira amor. Este amor, como os raios do sol, enche tudo de harmonia e alegria.

1. Mandamento "antigo" e "novo". “ Amados, não vos escrevo mandamento novo, mas um mandamento antigo, que tendes desde o princípio. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes”(1 João 2:7).  João afirma que não está escrevendo um mandamento novo, mas um mandamento antigo dado aos seus leitores desde o principio. Em outras palavras, o Senhor Jesus havia ensinado seus discípulos a amar uns aos outros desde o principio de seu ministério terreno.

Os gnósticos costumavam apresentar seus ensinamentos como algo novo. O apóstolo João, porém, insta os leitores a provar todas as coisas com base nos ensinamentos do Senhor Jesus enquanto estava na terra. Tendo em vista  o perigo constante de nos desviarmos daquilo que aprendemos no princípio, João diz: “Voltem ao início e poderão distinguir o que é verdadeiro”.

2. Em que sentido o mandamento de amar é antigo e novo. A ordem para amar os outros é tanto antiga como nova. É antiga porque vem do Antigo Testamento(Lc 19:18). É nova porque Jesus a interpretava de um modo radicalmente novo(João 13:34,35). Na igreja cristã, o amor não é apenas expresso através de demonstrações de respeito; é também expresso através da abnegação e da atitude de servir(João 15:13). De fato, pode ser definido como uma “doação abnegada”, alcançando, além dos amigos, os inimigos e os perseguidores(Mt 5:43,48).

O amor deve ser a força unificadora e a marca identificadora da comunidade cristã. O amor é a chave para andarmos na luz, porque não podemos crescer espiritualmente enquanto odiamos os outros. Nosso crescente relacionamento com Deus resultará no crescimento de nosso relacionamento com as outras pessoas.

Também a lei do amor era nova porque exigia um grau mais alto de amor. O antigo dizia: “Amai o vosso próximo”, mas o novo diz: “Amai os vossos inimigos”. A lei do amor aos outros agora é explicada com nova clareza, reforçada por novos motivos e obrigações, ilustrada por um novo exemplo e obedecida de uma nova maneira.

3. O Senhor Jesus é o nosso exemplo de amor. A excelência do amor é vista na vida, nas atitudes, nas obras, na postura e nos ensinamentos de nosso Senhor Jesus, ao longo de todo o seu ministério. Ele nos deixou o exemplo de um amor incondicional ao comer com pecadores e publicanos (Mt 9.10,11; Mc 2.16). Declarou que há festa no céu quando um pecador se arrepende (Lc 15.7,10), demonstrando o valor que atribui a cada ser humano. Era sobre este amor que João pensava quando disse que devemos amar uns aos outros (Jo 13.34; 15.12,17), dando uma nova roupagem aos mandamentos das leis do Antigo Testamento (Lv 19.18; Dt 6.5). Na verdade, o mandamento "amarás o teu próximo" recebeu um significado todo especial a partir do ensinamento de Cristo sobre quem é o próximo (Lc 10.29-37). No tempo de Jesus os judeus entendiam que eles deviam amar entre si, enquanto que os gentios deviam ser desprezados. O Senhor Jesus desfez este pensamento, e ensinou sobre a amplitude do amor de Deus, do amor sem fronteiras e sem limites, quando afirmou sobre a necessidade de amar ao próximo. Na Parábola do bom Samaritano, o Senhor Jesus Cristo definiu e deixou bem claro quem é o próximo a quem devemos amar.

Respondendo a uma pergunta de “Um certo doutor da lei”, o Senhor Jesus falou sobre a necessidade de amar a Deus e ao próximo, dizendo: “... Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”( Lc 10:27). Vamos até admitir a sinceridade daquele doutor da lei, quando perguntou: “... E quem é o meu próximo?”. Desde a sua infância ele sempre ouviu, e, certamente, agora, como doutor da lei, também ensinava que os judeus eram um povo especial e que, portanto, deviam evitar a comunhão com os gentios.  Judeu devia amar os judeus, porém, devia desprezar os gentios. Estes não poderiam ser chamados de “teu próximo”, daí sua pergunta: “E quem é o meu próximo?”. Através da parábola que nós conhecemos e que está registrada em Lucas 10:25-37, o Senhor Jesus Cristo levou aquele doutor da lei a entender quem era o seu próximo. Só então ele pode compreender que não deveria amar apenas os judeus, mas que, também, deveria amar todos e cada um dos gentios. Toda a humanidade estava reduzida, ou consubstanciada num único personagem que era “o teu próximo”. Assim, pelo ensino de Jesus, ficou fácil entender a amplitude do amor. Como objeto do amor, o Senhor Jesus reduziu todos em apenas três personagens: Deus, eu, e o meu próximo.  Portanto, o amor de Deus não tem fronteiras.

O Senhor Jesus é o maior exemplo de amor, pois deu a sua vida pelos seus amigos e inimigos. Ele mesmo disse: “ Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”(João 15:13).  O maior exemplo de sacrifício pessoal foi um homem morrer em favor dos seus amigos. Os discípulos de Cristo são chamados a esse tipo de devoção. Uns dão a vida em sentido literal; outros passam a vida inteira em serviço incansável pelo povo de Deus. Mas, o Senhor Jesus é o maior exemplo. Ele deu sua vida pelos seus amigos. Naturalmente, eram inimigos quando Cristo morreu por eles, mas, quando salvos, tornam-se seus amigos. Então é correto dizer que ele morreu pelos seus amigos tanto como pelos seus inimigos. É o ponto mais sublime do amor divino, aquele que foi exigido pelo Senhor dos Seus discípulos no sermão do monte, aquele diferencial que nos faz diferentes das pessoas simplesmente religiosas: o de amar os nossos próprios inimigos (Mt.5:44). Que dificuldade! Entretanto, se somos dominados pelo Senhor, poderemos fazê-lo.

II. O CONTRASTE ENTRE LUZ E TREVAS

Luz “e” trevas “são palavras utilizadas frequentemente na Bíblia para enfatizar o extremo contraste entre Deus e Satanás, entre as coisas que Deus ama e as que Satanás ama. Deus ama a luz, da qual Ele mesmo é o único autor. Satanás é o “pai da mentira”, o autor de toda inverdade. Deus ama a santidade e a justiça, das quais Ele mesmo é a fonte. Satanás é o originador do pecado, em rebelião contra Deus.

A Luz se opõe às trevas e revela o que há de mal na escuridão das trevas. Ela reprova as obras das trevas, e isto significa fazer-lhe oposição (Ef 5:11) através de contraste. Jesus é a luz que ilumina e é a única luz verdadeira; opõe-se às trevas, e não é derrotada por elas – “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela”(João 1:5). Ou seja, devido ao tema do conflito com o judaísmo encontrado no Evangelho, João está afirmando que as trevas não venceram a luz.

Esta oposição que existe entre a Igreja e o mundo não permite que haja qualquer possibilidade de comunhão, de contacto entre a luz e as trevas - onde há luz, as trevas se dissipam; onde a luz se apaga, as trevas dominam. Não pode o cristão verdadeiro e genuíno ter a forma do mundo, portar-se como o mundo se porta, pois não é possível qualquer conciliação entre luz e trevas (II Co6: 14b).

1. Os filhos da luz. O contraste entre luz e trevas é uma figura muito usada no Novo Testamento para exemplificar a diferença entre o mundo e o Reino de Deus. Os nascidos de novo vieram das trevas para a luz (Jo 8.12), e são, eles mesmos, considerados luz (Mt 5.14).

O apóstolo Paulo  afirma: “Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”(Ef 5:8). Neste versículo, o apóstolo afirma que os filhos de Deus, aqui chamados filhos da Luz, se fazem conhecidos como tais pela forma como se conduzem no meio de uma sociedade sem valores morais e espirituais.

Um crente é tão diferente de um ímpio como a luz o é da escuridão. Ele pode ser tão facilmente reconhecido como o são a luz e a escuridão. As boas obras são a identidade dos verdadeiros servos de Deus. Elas se caracterizam como frutos da luz e revelam a bondade, justiça e verdade de Deus em nós. Aos Gálatas o apóstolo faz uma comparação entre as obras que procedem da nossa natureza humana pervertida (carne) e o resultado de uma vida no Espírito de Deus (Gl.5:16-26).

Portanto, se somos filhos da Luz, não somos apenas um brilho, mas pessoas comprometidas com a exaltação do nome de Deus por meio da nossa conduta em meio a uma sociedade corrompida – “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo”(Fp 2:15). As nossas obras devem refletir o caráter de Deus – “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”(Mt 5:48).

Também, o que nos identifica como filhos da luz, é o exercício do santo amor a todos os irmãos. João afirma que “Se andarmos na luz como Ele na luz está temos comunhão uns com os outros”(1 João 1:7). João explica que, uma vez salvos das trevas, se quisermos permanecer na luz, devemos amar uns aos outros assim como Cristo nos amou. Na realidade, a comunhão com os irmãos é a prova de que estamos na luz.

2. Evitando o ódio e mantendo - se na luz. Aquele que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço. Mas aquele que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai; porque as trevas lhe cegaram os olhos”(1 João 2:9-11).

João mostra o contraste entre o amor falso e o amor verdadeiro. Se alguém se diz cristão e, no entanto, odeia aqueles que são verdadeiramente cristãos, não há dúvida de que esse indivíduo até agora, está em trevas. Quando João fala de ódio, transmite a idéia de algo habitual, que caracteriza um estilo de vida, um estado no qual a pessoa vive. Esse estado pode resultar em homicídio (3.11-15; 4.20,21). Em contrapartida, quem caracteristicamente ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum motivo para tropeço.

Se o cristão vive de fato em comunhão com o Senhor, a luz ilumina o seu próprio caminho e os outros ao seu redor não são ofendidos por discrepâncias entre seu discurso e sua prática.

Os gnósticos odiavam profundamente aqueles que eram fiéis à Palavra de Deus. Sua atitude evidenciava que eles estavam e andavam nas trevas e não sabiam para onde ir, porque as trevas lhes haviam cegado os olhos.

3. Em relação ao pecado, os princípios da graça são mais profundos que as exigências da lei. Sob os ditames da lei, o homicídio era identificado pela consumação da morte, de forma dolosa,consciente e premeditada. Mas sob os princípios da graça, o homicídio é caracterizado apenas pela insurgência de sua força motriz, a saber, o ódio. João deixa claro isso quando afirma: “Todo o que odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele”(1 João 3:15).  Jesus, em seu conhecido “Sermão do Monte, deixou claro que o ódio é fator impeditivo para uma vida espiritual plena diante de Deus(Mt 5:21 a 26), podendo ser algo impeditivo das orações e do culto a Deus(Mt 5:23,24). 

O ódio faz parte da galeria dos pecados que levam o homem à morte espiritual (5.16). Contra este pecado, ou a fim de preveni-lo, só há um remédio: o amor. Por outro lado, aquele que ama a seu irmão, permanece na luz e nele não há tropeço (v.10). Se quisermos permanecer na luz, devemos amar uns aos outros assim como Cristo nos amou. Portanto, pelos padrões cristãos, não é necessário chegar a matar para ser considerado um homicida.

III. A DEMONSTRAÇÃO COMUNITÁRIA DO AMOR

Apesar de o amor ser invisível, podemos ver sua manifestação. A cruz do calvário é a manifestação suprema do mais verdadeiro amor. João usa o exemplo de Cristo para nos ensinar que a nossa vida deve ser um ato contínuo de doação aos nossos irmãos em Cristo e devemos estar prontos a morrer por eles se for necessário (1 João 3:16). A maioria dos cristãos não terá de morrer por outros, mas todos nós podemos manifestar amor fraternal ao compartilhar nossos bens materiais com irmãos necessitados. Essa é a base de 1 João 3:17, que diz: “ Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?”. João deixa claro, portanto, que o amor precisa ser materializado através de ações práticas. Isso aponta para a necessidade de a igreja ser conclamada a exercer o amor cristão. São Paulo recomenda: “acudi aos santos nas suas necessidades”(Rm 12:13).

1. O primeiro motivo para demonstrarmos o amor. O primeiro motivo que nos impulsiona a demonstrarmos amor é o fato de que Jesus Cristo deu a sua vida por nós – “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós”(1João 3:16). O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Éfeso fez uma recomendação muito forte: "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave" (Ef 5.1,2). Como nós, meros mortais, podemos imitar o Imortal e Supremo? Como o finito e efêmero pode imitar o Infinito e Eterno? O apóstolo Paulo não está insinuando que existe a mínima possibilidade de o ser humano igualar-se a Deus. O que se entende, e é ponto pacífico em ambos os textos, é o inegável fato de que, após entregar-se novamente aos cuidados do Eterno, o ser humano tem possibilidade de desfrutar de um dos atributos comunicáveis de Deus. Exercer o amor é um dever primário de todos os cristãos. Jesus disse em João 13.35 que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor entre eles.

O amor é a coroa mais nobre do caráter cristão, pois revela a essência do próprio Deus, porque “aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”(1 Jo 4:8). Quando amamos em conformidade com a vontade de Deus, expressamos o Seu caráter. O mundo precisa ver esse amor através da Igreja de Cristo e não apenas ouvir a respeito dele. Amar como Deus ama não é fácil, mas também não é impossível! Aliás, é dever de todo cristão ser esse instrumento divino neste mundo de trevas. Lembremos da recomendação apostólica: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”(Ef 5:1-2).

Quando amamos, o Espírito Santo de Deus, que habita em todo cristão verdadeiro, tem a oportunidade de moldar o caráter de Cristo em nós, pois Ele é o exemplo máximo do amor de Deus por nós e pelo mundo inteiro (Jo 3:16). A vida do crente em Jesus necessita ser nutrida por devida gratidão a Deus pela obra substitutiva de Cristo na cruz. Esta obra vicária não só garante o perdão, como limpa o homem de toda a iniquidade (Is 53:5,6,11; Rm 4:7).

2. O desenvolvimento progressivo do amor. “E isto peço em oração: que o vosso amor aumente mais e mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento”(Fp 1:9).  A vida cristã deve ser um constante progresso de santificação, mas esta santificação que nos faz “irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos” (I Ts.3:13b), depende de algo que lhe deva anteceder, que é a presença e o aumento contínuo do amor. À medida que o homem recebe a luz do evangelho, as trevas vão sendo dissipadas, e ele passa a amar aos seus irmãos. Com o passar do tempo e  sendo constantemente exercitado, tal amor tende a ser cada vez mais intenso e visível (Rm 12.9,10; 13.8,10; Fp 1.9). Portanto, a existência e o progresso do amor é a matéria-prima que permite a alguém servir a Deus. “Que o vosso amor aumente mais e mais”(Fp 1:9). “E o Senhor vos faça crescer e abundar em amor uns para com os outros e para com todos...”(1 Ts 3:12).

3. A necessidade do ensino sobre o amor cristãoSem o amor de uns para com os outros, ou seja, sem o amor cristão a igreja não tem condições de subsistir. Se não amamos os nossos irmãos, não temos como testificar que somos crentes (I Jo.2:9-11). Por isso, ser tão necessário o ensino constante sobre o amor cristão.

O apóstolo João foi tão preciso e direto quanto a essa premente necessidade de que não teriam vida espiritual aqueles que não tivessem o amor cristão: ”Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte”(1 João 3:14). Uma pessoa salva desenvolve uma atitude completamente diferente em relação aos cristãos. Essa é uma das maneiras pelas quais ela pode ter certeza da salvação. Quem não ama os verdadeiros filhos de Deus pode até se dizer cristão, mas, de acordo com as Escrituras Sagradas, esse indivíduo permanece na morte. Sempre esteve e continua espiritualmente na morte. Desta feita, o ensino sobre o amor cristão é essencial. A Igreja Primitiva, formava discípulos embasados em valores éticos e bíblicos, dos quais o amor era a mola mestra. Que assim procedamos!

CONCLUSÃO

Lembre-se que o amor é visto em nós através de nossas atitudes e das decisões que tomamos em nossa vida. Sempre que decidimos amar, nosso caráter é moldado e energizado pelo Espírito de Deus, tornando-nos mais semelhantes a Cristo. Desta forma, derrotamos e envergonhamos Satanás! Pois: “Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros”(1 João 4:11). Precisamos de uma geração que ame de verdade. Uma geração que conheça a essência do amor de Deus. Uma geração que viva e transmita a força desse amor em seus relacionamentos. Lembre-se disso: Deus conta com você!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 João. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo.