Aula 08
A NOSSA ETERNA SALVAÇÃO
Leitura Bíblica: 1 João 3.1-5 ; Romanos 8.14-17.
23 de Agosto de 2009
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16).
Na sua soberana vontade, Deus quis que o ser humano convivesse com Ele para sempre. Assim, mesmo depois de o homem ter pecado e sido destituído da glória de Deus (Rm.3:23), o Senhor prometeu que haveria um meio pelo qual o homem pudesse se reconciliar com o Senhor (Gn.3:15). Este plano divino para que o homem volte a ter vida eterna, ou seja, retorne a conviver com o seu Criador para sempre, foi apresentado ainda no Éden, concretizou-se na morte de Cristo no Calvário, na sua ressurreição e no seu retorno aos Céus. Esta gloriosa Salvação, agora, é aplicada no coração do pecador contrito que, pela fé, aceita a obra redentora de Jesus efetuada no Calvário.
1. O QUE É SALVAÇÃO EM CRISTO
A palavra salvação é de profundo significado e de infinito alcance. Muitos têm uma concepção muito pobre da inefável salvação consumada por Jesus, o que às vezes reflete numa vida espiritual descuidada e negligente, em que falta aquele amor ardente e total por Jesus, e a busca constante de sua comunhão.
Salvação é uma milagrosa transformação espiritual, operada na alma e na vida – no caráter – de toda a pessoa que, pela fé, recebe Jesus Cristo como seu único Senhor e Salvador Pessoal(Ef 2:8,9; 2 Co 5:17; João 1:12; 3:5). Observe as afirmações bíblicas “é nova criatura”(conversão) e “tudo se fez novo”(nova vida, novo e íntegro caráter).
Não se trata de livramento da condenação do inferno. Ela abarca todos os atos e processo redentores, bem como transformadores da parte de Deus para com o ser humano e o mundo(isto é, a criação), através de Jesus Cristo, nesta vida e na outra(Rm 13:11; Hb 7:25; 2 Co 3:18; Ef 3:19).
O homem não pode efetuar a sua salvação, nem ao menos ajudar nisso(Ef 2:8,9; Tt 2:11). Daí ter dito o salmista: “A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção”(Sl 3:8). A salvação é pela graça de Deus, e não por nosso esforço próprio, embora os salvos sejam chamados para a prática das boas obras(Ef 2:10). A salvação é um dom da graça de Deus, mas somente podemos recebê-la em resposta à fé, do lado humano. Diz a Palavra de Deus: ”Pela Graça sois salvos, mediante a fé”(Ef 2:8). A fé em Jesus Cristo é a única condição prévia que Deus requer do homem para a salvação.
É chamada de novo nascimento(João 3:5) e de ressurreição9Cl 3:1). Não obstante o pecador venha a desejar a “tão grande salvação”, é Jesus Cristo quem o ressuscita dentre os mortos no pecado e o faz nascer de novo. Afinal, um bebê nada pode fazer para nascer, assim como um morto nada pode fazer para ressuscitar – toda ajuda tem de vir de fora.
2. O QUE NÃO É SALVAÇÃO
a) Apenas ter uma religião com o nome de cristã. O que dizer dos seguidores do mormonismo, cujo nome da igreja é “Jesus Cristo dos Santos dos últimos Dias”. São eles salvos por seguirem a uma religião “cristã”?
b) Apenas frequentar ou tornar-se membro de uma igreja local. Uma coisa é pertencer a uma igreja, e outra é pertencer à Igreja.
c) Apenas ter e ler a Bíblia. Isso os católicos romanos fazem!
d) Apenas professar um credo religioso. Ser salvo é muito mais que adotar, seguir, abraçar dogmas.
e) Apenas praticar a “regra áurea” de Mateus 7:12. Boas obras não salvam ninguém(Ef 2:8,9).
f) Apenas aspergir um infante com “água benta”. Afinal, dependendo da idade, a criança sequer tem a capacidade de crer para a salvação(Mc 16:16a; Rm 10:9).
g) Apenas batizar um adulto ou uma criança. Batismo não salva, mas destina-se a quem já é salvo(Mc 16:16b).
h) Apenas “confirmar” um adepto da sua confissão religiosa.
i) Apenas participar da Ceia do Senhor, ou da Eucaristia.
j) Apenas ter um irrepreensível código de conduta, bom testemunho, porte.
k) Apenas praticar sempre boas obras.
Ao pecar, o homem tornou-se servo do pecado (João 8:34), dominado totalmente por ele (Gn.4:7), sem condição alguma de modificar esta situação. Entretanto, a história não terminou com esta tragédia. Bem ao contrário, a Bíblia Sagrada nos ensina que, mesmo antes da fundação do mundo, dentro de Sua presciência, Deus já havia elaborado um plano para retirar o homem desta situação tão delicada (Ef.1:4; Ap.13:8). Este plano, já existente mesmo antes da criação do mundo, foi revelado ao homem no dia mesmo de sua queda, quando o Senhor anunciou que haveria de surgir alguém da semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente e tornaria a criar inimizade entre o homem e o mal e, consequentemente, amizade, comunhão entre Deus e o homem (Gn.3:15). Vemos, pois, claramente, que a salvação é algo que tem sua origem em Deus. O homem, jamais, poderia, por si só, alcançar meios para restaurar a sua comunhão original com o seu Criador. Deus, pelo Seu grande amor, providenciou um plano para trazer o homem de volta ao convívio com Ele.
Deus não somente concedeu-nos o perdão dos nossos pecados, mas manifestou seu amor graciosamente; enchendo-nos a alma de paz, convicção e consolo. Por sua imensa compaixão, substituiu nossa miséria, vazio e incertezas, por júbilo, amor e esperança (Ef 1.3-6; 1 Pe 1.18-20).
A salvação pode ser vista em três tempos: No passado, significou o livramento da condenação do pecado; No presente, significa o livramento do poder do pecado; No futuro, significará o livramento da presença do pecado(a glorificação). Veremos a seguir um exame mais detalhado.
1. A salvação na eternidade passada. No Éden, quando o primeiro casal pecou, imediatamente escondeu-se de Deus, pois o pecado afasta o homem de seu Criador (Gn 3.8b). Como o salário do pecado é a morte (Rm.6:23), assim que o homem desobedeceu a Deus, morreu espiritualmente, ou seja, ficou sem comunhão com o Senhor, exatamente como Deus lhe havia falado (Gn.2:16,17). Estava, pois, arriscado a ficar eternamente separado de Deus, mas o Senhor, na sua infinita misericórdia, não o permitiu. Ele interveio para restaurar novamente o homem à sua posição original.
A Primeira intervenção: Proibiu o homem de ter acesso à árvore da vida por causa do pecado (Gn.3:23). Com esta medida, Deus impediu que o homem, a exemplo dos anjos pecadores, vivesse numa dimensão eterna, condenado à inevitável e sempiterna separação de Deus, possibilitando ao homem que, mediante o novo nascimento enquanto estivesse na dimensão terrena, pudesse desfrutar de uma eternidade com o Senhor.
Dentro desta situação de risco de vida, deste perigo de ficar eternamente separado do seu Criador, Deus inicia a execução do plano da “salvação”, isto é, do “livramento”, do “escape”, a fim de levar-nos do poder das trevas para o reino do Filho do seu amor (Cl 1:13; At 26:18).
A Segunda intervenção: Ao contemplar o primeiro casal caído, mesmo depois de sentenciá-lo à morte, como já havia anteriormente prescrito, não deixou que a permissividade humana persistisse. Em lugar dos aventais de folhas de figueira, totalmente inadequados para conferir o pudor pretendido pelo homem, matou um animal e fez túnicas de peles para vesti-los (Gn 3:21). Neste gesto, o Senhor mostrava, nitidamente, que, para cumprir a Sua promessa de redenção do homem, haveria de derramar sangue inocente, para pagar a justiça divina.
A partir de então, o Senhor iniciou a execução de seu plano que alcançou o seu ápice quando da própria encarnação do Deus Filho, momento que as Escrituras denominam de “a plenitude dos tempos” (Gl 4:4); instante em que Deus cumpre a sua promessa de providenciar, da semente da mulher, o único e suficiente Salvador, Jesus, o seu próprio Filho (Mt.1:21; Lc.2:11; Jo.3:16,17; At 4:12). Eis a razão pela qual a Bíblia, mais de uma vez, diz que Deus é o Deus da nossa salvação (I Cr 16:35; Sl 24:5; 51:14), bem como que a salvação dEle provém (Sl 3:8; 37:39; 62:1). E o apóstolo João, com muita firmeza, destacou o grande amor de Deus por nós ao nos tornar seus filhos, e, assim, participantes de uma tão grande salvação (1 João 3:1,2; Hb 2:3). Hoje somos filhos de Deus, salvos e herdeiros da coroa da vida (Ap 2:10; 2Tm 4:7,8). Esse poder de filiação é tão expressivo que nos tira da dimensão terrena para a celestial (João 1:12,13; Cl 3.1-3).
2. A salvação hoje. Através da regeneração, Deus colocou em nós uma nova natureza (João 3:5,6), sem a qual não teríamos nos tornado novas criaturas (2 Co 5:17). Essa nova natureza, oriunda de Deus, habilita-nos a um novo estilo de vida, que nos conduz à boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Muitos têm uma concepção muito pobre da infalível salvação consumada por Jesus, o que às vezes reflete numa vida espiritual descuidada e negligente, em que falta aquele amor ardente e total por Jesus e a busca constante de sua comunhão.
O apóstolo João, em sua primeira epístola apresenta o padrão perfeito de Deus para o seu povo. O padrão perfeito de Deus é formulado na frase: “Estas coisas vos escrevo para que não pequeis”(1 João 2:1). Uma vez que Deus é perfeito, o padrão para o seu povo é a perfeição absoluta. Ele não seria Deus se dissesse: “Estas coisas vos escrevo para que pequem o mínimo possível”. Deus não pode ser conivente com o pecado em nenhum sentido; logo, coloca a perfeição como nosso alvo. O Senhor Jesus fez o mesmo ao falar com a mulher surpreendida em adultério: “Nem eu também te condeno; vai e não peques mais”(João 8:11).
Pessoalmente, isto é, em relação à pessoa, a salvação que Cristo realiza abrange: não somente a redenção do corpo do crente, no futuro(Rm 8:23; 1 Co 15:44); e a glorificação integral do crente, também no futuro(Cl 3:4; Ef 5:27); mas, também, a regeneração do crente, aqui e agora, hoje(Tt 3:5; 2 Co 3:18).
Se todos os crentes tivessem uma plena visão da salvação; se pudessem ver plenamente ao longe a tão grande salvação que receberam, com certeza teriam atitudes diferentes no seu dia-a-dia. Teríamos tanto regozijo, tanta motivação, tanto entusiasmo, tanta convicção, tanto anseio e enlevo pelo céu, que não haveria na Terra um só salvo descontente, descuidado, negligente e embaraçado com as coisas desta vida e deste mundo! Ademais, teríamos uma tão profunda compreensão do que é o céu – e, por isso, teríamos tanto desejo de ir para lá -, que o Diabo não teria na igreja um só fã, um só admirador de suas coisas, um só aliado. Mas, há crentes que admiram e gostam das coisas do Maligno e se aliam a ele. Por mais que não admitam, pelo fato de não atentarem para a “tão grande salvação”, tornam-se vulneráveis às investidas do tentador.
3. O processo da Salvação. Salvação ao contrário do que muitos pensam, não é um ato único, um instante isolado, mas envolve todo um processo, ou seja, uma sequência de atos, com origem em Deus, mas também com participação humana, para que se tenha a sua consumação. Tanto a salvação é um processo, que o próprio Jesus nos ensina que é preciso “perseverar até o fim” para que seja salvo (Mt 24:13), isto é, é preciso uma continuidade, uma constância até o instante final da nossa permanência nesta dimensão terrena, onde fomos postos pelo Senhor, por sua misericórdia, para termos a chance e oportunidade de sermos salvos.
O apóstolo Paulo mostra-nos claramente que a salvação é um processo, e que a sequência de atos deste processo da salvação está bem delineada por ele em Romanos 8:30, ou seja, a salvação não é um fato pontual, uma ocorrência precisa num determinado instante, mas que, começando pelo arrependimento dos pecados, passando pela conversão, regeneração, justificação, santificação, deve caminhar até a glorificação, glorificação esta, aliás, que é desejada inclusive pelo restante da criação divina (Rm 8:22).
a) Arrependimento. Este ato do processo da salvação depende única e exclusivamente do homem. O homem precisa reconhecer que é um pecador, que desobedece a Deus e que deve servi-lo. Este gesto somente será tomado se a pessoa atender ao Espírito de Deus, se abrir o seu coração a Deus e permitir que Ele faça nele morada (João 14:23). O arrependimento é o que devemos proclamar. Jesus, ao iniciar a pregação do Evangelho, não tinha outra mensagem senão “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15). Não é possível uma salvação com base em emoções passageiras. Não é possível uma salvação em que as pessoas continuam a praticar as mesmas coisas do passado.
b) A Conversão. Conversão é a mudança de direção na vida. A partir do instante do arrependimento, o homem passa a ter novas ações, novas atitudes, dá uma meia-volta em sua vida. A conversão é esta modificação de postura, passando o homem a ter um novo caráter, que é totalmente oposto ao anterior. Tornamo-nos inimigos do mundo e amigos de Deus (Tg 4:4). Não mais andamos segundo a carne, mas passamos a andar segundo o espírito (Rm 8:1-9). Deixamos as trevas e passamos a andar na luz (João 3:20,21). Por mudarmos de direção de vida, não mais sentimos a ira divina sobre nós, mas passamos a desfrutar da proteção, do amparo e do consolo do Senhor (Mt 28:20; João 10:28; 2 Ts 2:16).
c) A Regeneração ou Novo Nascimento. A salvação faz surgir uma nova criatura (2 Co 5:17; Gl 6:15). Ser “nova criatura” é ter um novo caráter, pois passa a realizar boas obras (Mt 5:16), a produzir o “fruto do Espírito” (Gl 5:22) e não mais as velhas obras, as “obras da carne” (Gl 5:19-21). Regeneração é a mudança de condição do pecador: de servo do pecado para filho de Deus. A regeneração é tão séria diante de Deus, que a Bíblia chama-a de “batismo em Jesus”(1 Co 12:13; Gl 3:27; Rm 6:3). Trata-se de um ato interior, dentro do indivíduo, abrangendo também todo o seu ser. É um termo ligado à família: filhos ”gerar”; é o novo nascimento(João 3:5). Mediante a regeneração somos chamados “filhos de Deus” (João 20:22;15:5).
d) A justificação. Após ser regenerado ou nascido de novo, o homem é declarado justo por Deus, ou seja, o castigo que merecia receber pelos seus pecados, isto é, a morte, a separação de Deus, é atribuído a Cristo e, por causa disto, o homem fica sem pecado algum. Não tendo pecado, é declarado justo pelo Senhor, é absolvido e, por isso, está justificado. É a justificação que nos permite entrar em comunhão com Deus (Rm 5:1), que faz com que as nossas vestes sejam vestes de justiça (Is 61:10), vestes que nos permitirão entrar na cidade celeste pelas portas (Ap 22:14).
e) A Santificação. A santificação é o ato do processo da salvação que mais nos dá a idéia de que a salvação se desenvolve num intervalo de tempo de nossa vida debaixo do sol. É por isso que a Bíblia nos manda perseverar até o fim e que devemos ser fiéis a Deus até a morte (Ap 2:10). Esta realidade da santificação, aliás, é um dos pontos que nos permitem entender que a salvação não é algo que já esteja conquistado de antemão pelo ser humano, como defendem os adeptos da “doutrina da predestinação”, pois seria totalmente inexplicável tal recomendação divina, tantas vezes repetida no texto bíblico, se fosse impossível alguém perder a salvação uma vez obtida.
A santificação é progressiva, ou seja, o salvo vai se santificando a cada dia, isto é, a cada instante e a cada momento de sua vida vai se distanciando do pecado e se aproximando do Senhor. É o que as Escrituras denominam de “aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4:12).
A santificação depende da atitude, da decisão de cada ser humano. Por isso, alguns, não vigiando, desviam-se da fé (Sl.119:118; Jr.5:5; Ez.18:26; 33:18; Lc.8:13; I Tm.6:10; Tt.1:14).
f) A Glorificação. Quando do arrebatamento da Igreja, o Senhor Jesus completará o processo da salvação. Aqueles que dormiram no Senhor, ou seja, mantiveram-se em santidade até o instante de sua morte física, ressuscitarão primeiro e receberão um corpo glorioso. Os que estiverem vivos naquela oportunidade serão transformados e, assim, todos atingirão o estágio final da salvação: a glorificação(1 Co 15:51-57). Por isso as Escrituras nos dizem que Cristo é as primícias dos salvos (1Co 15:20), pois foi o primeiro a ressuscitar e a receber a glorificação que nós também receberemos naquele grande dia (1 Co 15:23).
Entretanto, para alcançarmos a glorificação é mister que nos mantenhamos em santidade, que permaneçamos separados do pecado, que nos santifiquemos mais ainda. O próprio apóstolo João, ao falar do que nos aguarda, foi incisivo ao dizer que quem tem esta esperança deve purificar-se a si mesmo (1 João 3:3).
A salvação foi consumada na cruz do Calvário, quando Jesus morreu por nós (João 19:30;Cl 1:20; Ef 2:13,16). Como diz o poeta sacro: “O meu perdão foi consumado lá na cruz” (primeira estrofe do hino 397 da Harpa Cristã).
As Escrituras mostram que Jesus Cristo é o autor da nossa salvação. Em diversas passagens, o Senhor é identificado como a “rocha” ou o “rochedo” da salvação, expressão que não apenas revela que Jesus Cristo dá livramentos aos homens, mas que também nEle se encontra o mais importante livramento de que carece o homem depois que pecou: o livramento do domínio do pecado sobre a sua vida (Dt 32:15; 2Sm 22:47; Sl 18:46; 62:2,6; 89:26).
O homem não tem condições de salvar-se a si próprio. Esta é uma das grandes verdades anunciadas pela doutrina bíblica (Sl 146:3). A Bíblia diz que Deus, ao contemplar os homens desde os céus, não viu justo algum (Sl 14:2,3) e aqueles que, por sua justiça, pudessem, de algum modo, achar graça aos olhos do Senhor, somente o fariam para si mesmos, sem condição alguma de transmitir sua justiça aos demais seres humanos (Ez 14:13-20). Por isso, se a salvação não viesse por intermédio de Jesus Cristo jamais o homem poderia ter esperança de voltar a ter um convívio eterno com o seu Criador.
Para que o homem voltasse novamente ao seu estado original, ou seja, a sua comunhão com Deus, era necessário o pagamento de um dívida muito alta. A Justiça de Deus exigia o castigo do pecado com a morte do pecador. Porém, Deus havia preparado um substituto, o qual levaria sobre si “a iniquidade de nós todos”, sofrendo o castigo em nosso lugar, conforme o profeta Isaias havia antecipado, dizendo: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos trás a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados”(Is 53:4-5).
Na Cruz do Calvário, Jesus pagou a dívida do homem - “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”(Cl 2:14). O apóstolo Pedro diz que a dívida por nossa redenção foi paga com Sangue – “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1Pe 1:18, 19). Cristo nos resgatou com seu precioso sangue: "Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9:22; Mc 10:45; 1 Co 6:20; 1 Tm 2:6).
Porém, não basta saber que Ele pagou nossa divida para com o Justiça de Deus, mas, é necessário tomar posse do “recibo de quitação” da dívida. É a posse desse “recibo” que nos confere o direito de sermos justificados diante de Deus.
1. Resgatados da prisão do pecado. A Bíblia afirma que "se alguém está em Cristo, nova criatura é" (2 Co 5:17). O verso está dizendo que se alguém está em Cristo ele faz parte da nova criação, da nova humanidade cuja cabeça é Cristo, e desfruta de todos os privilégios desse novo status. Outras passagens do Novo Testamento nos completam o quadro: quem está em Cristo goza aqui e agora da presença do Espírito Santo como penhor do que ainda há por vir (Ef 1:14); experimenta o gozo e os poderes do mundo vindouro (Hb 6:4-5); compartilha da natureza de Cristo como primícia da ressurreição ainda por ocorrer; já tem a vida eterna que significa conhecer a Deus e ao Seu Filho Jesus Cristo (João 17:1-3); desfruta de um novo coração (Sl 51:10; Ez 11:19; 36:26; Jo 3:3; Gl 6:15); foi liberto do domínio do pecado e da lei (Rm 6:1-14; 7:1-6); é guiado pelo Espírito de Deus (Rm 8:1-17).
As Escrituras enfatizam especialmente a nova relação que aquele que está em Cristo mantém com Deus. Antigamente era filho da ira, dominado pelo mundo, pela carne e pelo diabo e debaixo do juízo de Deus (Ef 2:1-3); agora, foi perdoado e aceito por Deus, adotado como filho em Cristo; já nenhuma condenação existe contra ele (Rm 8:1). Ele não mais pertence a esse mundo que se desfaz, mas à época vindoura que já raiou no presente. Assim, Satanás já não tem mais qualquer autoridade ou direito sobre ele, apesar de ainda tentá-lo ao pecado. Nas palavras do apóstolo João, "o maligno não lhe toca" (1 João 5:18).
Basta um estudo simples nas Escrituras, da linguagem usada para descrever nossa redenção, para que não fique qualquer dúvida de que o crente, à semelhança de um escravo exposto à venda na praça, foi comprado por preço, e que, agora, passa a pertencer totalmente ao novo dono. O antigo patrão não tem mais qualquer direito sobre ele, como rezava a legislação romana da época. Assim, Paulo diz que fomos comprados por preço (1 Co 6:20), e que sendo agora livres, não devemos nos deixar outra vez escravizar (1 Co 7:23). Fomos resgatados pelo precioso sangue de Cristo (1 Pe 1:18; cf. Ap 5:9).
Uma vez resgatado por Jesus, o crente precisa crescer e desenvolver-se na vida cristã. Vimos anteriormente que a salvação não é somente um ato, mas também um processo que requer exercício e vigilância (1 Co 10.12). É a nossa união com Cristo que nos mantém salvos (Jo 15.4,10). E essa união não consiste numa simples relação afetiva com Jesus, mas numa inserção integral no Ser divino (Jo 15.5).
2. O Espírito Santo é o mantenedor da salvação. Para Paulo, a salvação não é só uma mudança presente da realidade, mas também uma esperança (Rm 8:24,25) e, nesta esperança, recebemos a necessária e indispensável ajuda do próprio Deus, através da Pessoa do Espírito Santo, visto que, nesta caminhada, não nos tornamos infalíveis, mas mantemos as nossas fraquezas, pois enquanto não vier a glorificação(o último estágio do processo da salvação), embora salvos, ainda não nos livramos do corpo do pecado, da “velha natureza”, que conviverá conosco até que saiamos desta vida (Rm.8:26,27).
É o Espírito Santo que aplica a salvação à nossa vida. Ele é o guardião que ajuda o crente a alcançar a estatura completa de Cristo (Ef 4:13; 2 Co 3:18; 2 Tm 4:18). É o Espírito de Deus que faz o crente entender a Palavra lida e ouvida, para que ele cresça e se fortaleça (2Tm 3:16,17). É a presença do Espírito Santo atuando em nós que nos dá a certeza de que pertencemos a Deus (1Jo 4.13; 3.24; 1Co 3.16). É o Espírito Santo que confirma no íntimo do crente que, em Cristo, somos filhos de Deus, dando segurança espiritual aos nascidos de novo (Rm 8:15,16). O Espírito Santo promove crescimento e fortalecimento espiritual. Ele produz em nós o seu fruto (Gl 5:22,23). A Bíblia, na Epístola aos Romanos, trata das bênçãos do Espírito na vida do crente fiel (Rm 8:4-13). É impossível ao crente viver a vida que agrada a Deus sem o auxílio do Espírito Santo. Todavia, se somos filhos de Deus pela conversão, e o seu Espírito habita em nós, devemos viver em santidade e justiça (Lc 1:75). A santificação é um processo iniciado e levado a efeito pelo Espírito Santo durante toda a nossa vida (2 Co 7:1; 6:1-3). Sem santidade ninguém verá o Senhor(Hb 12:14).
A salvação é um ato de justiça, portanto não há como escapar da ira divina se não se atentar para esta salvação (Hb.2:1-4). A salvação permite-nos vislumbrar, com absoluta clareza, que aos homens que a aceitarem, aproximar-se-ão do Senhor (Sl 85:9), mas está longe dos ímpios (Sl 119:155) e só os que alcançarem a salvação estarão livres da ira de Deus (Sl 85:4). Todos aqueles que aceitaram a Cristo como Salvador, quando Ele voltar para buscar a sua Igreja, experimentarão a salvação em toda a sua plenitude. Conforme ensina o apóstolo Paulo, os salvos seremos transformados num abrir e fechar de olhos ante o toque da última trombeta. E, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Aleluia! Só Jesus é quem dá a Salvação, pois “em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”(Atos 4:12).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 João. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Dicionário VINE. A Doutrina da Salvação – Pr. Antonio Gilberto (Teologia Sistemática Pentecostal). A Promessa da Salvação - Dr Caramuru Afonso Francisco.