O CRENTE E AS BÊNÇÃOS DA SALVAÇÃO
Leitura Bíblica: 1 João 3.6-10.
30 de Agosto de 2009
"De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor" (Fp 2.12).
Nunca se falou tanto em bênçãos como no cristianismo atual! Na maioria das igrejas, nos programas evangélicos de televisão, rádios, literaturas - não se fala em outra coisa além das bênçãos materiais - “Venha receber sua bênção”...., “Culto da bênção”..., “Tome posse de sua bênção....". Parece que a alegria de boa parte de nosso cristianismo está movida, ou tem sua fonte nas bênçãos que o bom Deus nos dá. Parece que a força motriz de muitos de nós para a oração, o culto a Deus e o serviço no seu Reino está nas bênçãos que Ele pode nos oferecer aqui na Terra. Muitos valorizam mais as bênçãos trazidas pelo Salvador que o próprio Salvador. Em outras palavras, valorizam mais a dádiva que o Doador. Não há nada de errado em receber bênçãos; elas são ações e benevolência do Senhor em nossa caminhada nesta Terra; é o agir do próprio Deus em nosso favor. Mas, existe atualmente uma disparidade muito grande entre o foco nas bênçãos e o foco na maior de todas as bênçãos que o Senhor nos dá – a Salvação.
Dentre todas as promessas de bênçãos que Deus destinou ao homem, a promessa da salvação, ou seja, a vida eterna, é a mais sublime. O próprio João enfatiza isso com firmeza, em 1João 2:25: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”. Observe que João não diz: uma promessa, mas: "a promessa". Isto nos ensina que a bênção da Salvação sobrepõe a qualquer outra superveniente. Nada neste mundo poderá substituir essa promessa dentro de nós. Ela é a promessa-mãe. Todas as demais bênçãos devem estar umbilicalmente ligadas a ela. Além disso: a Salvação transcende o tempo: as Escrituras afirmam a salvação, como sendo planejada antes da fundação do mundo (Mt 25.34; Ef 1.4; Ap 13.8); transcende o espaço: a promessa da salvação não se restringe aos predestinados, como alguns afirmam, e sim, a todos os homens (Jo 3.16; Mc 16.15; Mt 28.18-20); transcende as barreiras culturais e nacionais: a promessa da salvação não se limita a um povo, raça, tribo ou nação, mas, a toda humanidade (At 1.8; Ap 5.9).
Nesta aula, discorreremos, mesmo de forma sinótica, as verdadeiras bênçãos que a salvação nos proporciona, e nos acompanha em seu processo até ao ápice da maior bênção – a Glorificação.
Por si só, a salvação já é uma grande bênção, mas como promessa-mãe ela é força geratriz de muitas outras bênçãos. O apóstolo Paulo descreve com muita inspiração as muitas bênçãos da salvação, na carta aos Efésios 1:3-14: “3. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo;
4. como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; 5. e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6. para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado; 7. em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, 8. que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência, 9. fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs 10. Para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra, 11. Nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade, 12. Com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo; 13. No qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, 14. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória”.
No versículo 3,o apóstolo Paulo ergue a voz num magnífico hino de louvor, atingindo talvez os mais elevados níveis de adoração do Novo Testamento. Aqui se percebe um coração que transborda de gratidão a Deus pelas bênçãos da salvação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo”.
Ele nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo. Nota-se que as bênçãos da salvação são bênçãos espirituais. A maneira mais fácil de explicar essas bênçãos é contrasta-las com as bênçãos de Israel sob a lei. No antigo Testamento, o judeu fiel e obediente era galardoado com uma vida longa, uma família numerosa, colheitas abundantes e proteção dos seus inimigos(Dt 28:2-8). Em contraste com isso, as bênçãos do cristão são espirituais - trata-se de tesouros imateriais, invisíveis e incorruptíveis. É verdade que os santos do Antigo Testamento também provavam algumas bênçãos espirituais, porém o cristão hoje desfruta de bênçãos que antes eram desconhecidas.
As bênçãos do crente estão nas regiões celestiais, literalmente “nos céus”. Em vez de serem bênçãos materiais terrenas, são bênçãos espirituais nas regiões celestiais. E para o crente receber essas bênçãos é preciso estar unido a Cristo pela fé. A partir do momento em que o homem está em Cristo, ele se torna possuidor de todas elas. Estar em Cristo é participar de tudo o que Cristo fez, de tudo o que Ele é.
1) A bênção da Eleição(Ef 1:4). Esta primeira bênção é comumente chamada de eleição - “Assim como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”. “Eleição” é o ato de eleger, o ato de escolher, ou seja, trata-se de uma manifestação de vontade. Esta expressão refere-se ao desígnio gracioso de Deus ao enviar seu Filho ao mundo para salvar a todos quantos nEle crerem. A eleição provém do propósito salvífico de Deus "antes da fundação do mundo" (Ef 1.4). A partir da vinda de Cristo e da sua morte e ressurreição, a eleição inclui todos que creem e obedecem a Cristo e ao evangelho. Sendo assim, tanto Deus quanto o homem atuam na eleição. O alvo da "eleição da graça" é o homem ser santo e inculpável diante de Deus (Ef 1.4; cf. Rm 3.22; 4.1-5,16; 11.11-24; 2 Co 5.19,20; Ef 2.8-10). Antes mesmo de o Universo ter sido criado, nós já havíamos sido eleitos por Deus para usufruir plenamente da salvação. Ler também 1 Pe 1.1,2.
ENTENDENDO MELHOR A ELEIÇÃO DOS SANTOS...
A fim de entender a eleição dos santos como uma bênção da salvação vamos considerar algumas verdades. Diríamos que Eleição é um processo de escolha que envolve duas partes e um objetivo. Uma das partes é aquela que faz a escolha, ou que escolhe; a outra é a escolhida. O objetivo da Eleição será a função, ou o papel que o eleito deverá cumprir.Não existe Eleição sem objetivo.
Vamos, aqui, para melhor compreendermos, tomar um exemplo material – a eleição para Prefeito de uma cidade. Todos poderão querer ser Prefeito. Mas, ser Prefeito não depende só da vontade de cada um. A vontade maior, ou a vontade primeira é a de quem tem o poder para escolher, no caso, o eleitor.
a) Primeira verdade: Deus é quem escolhe: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade”(Ef 1:4). Mas é bom ressaltar que, para a Salvação, a manifestação da vontade de Deus, aquele que tem o poder da eleição, foi pela Salvação de todos os homens – é o que está escrito: “Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”(1 Tm 2:3-4).
b) Segunda verdade: a eleição é bilateral. De um lado está aquele que escolhe, ou elege – No plano espiritual e bíblico quem faz a escolha é Deus. Do outro lado está o escolhido, ou eleito, que, também, no plano espiritual e bíblico é o homem.
c) Terceira verdade: é preciso tomar posse. No caso da eleição para prefeito, como candidato, ele foi eleito pelo povo. Porém, apurada a votação, embora tenha sido escolhido, ou eleito, ele não se torna prefeito, ou não entra no exercício do poder, automaticamente. É preciso tomar posse do cargo.
Todavia, tomar posse, ou não, é uma decisão de quem foi eleito. Enquanto não tomar posse não entra no exercício de seus direitos. Isto não invalida a Eleição. No entanto, nem todos os eleitos tomam posse do cargo para o qual foram eleitos - na história de nossa Republica temos um exemplo – Tancredo Neves foi eleito presidente da Republica, mas nunca foi presidente, pois faleceu antes de tomar posse. No Plano Espiritual, e Bíblico, acontece o mesmo com os homens – foram eleitos por Deus, mas, muitos morreram sem tomar posse da Salvação.
Não é o eleitor, ou o que escolheu, que dá posse ao eleito. De acordo com a Lei existe um lugar e uma autoridade constituída que tem o poder de conferir a posse ao eleito – é o Juiz Eleitoral. É ele que tem a competência para conferir o Diploma que vai garantir a posse e o exercício do poder do cargo. Assim, quer por ignorância, quer por desobediência voluntária, tomar posse num outro lugar de sua preferência pessoal e perante uma outra autoridade qualquer, embora tenha sido eleito, ou escolhido, sua posse não terá valor legal. Seu diploma é falso! Seus atos administrativos serão nulos! Ele responderá perante a Lei, pelos seus erros! Para tomar posse ele não entrou pela porta certa.
A cerimônia de posse no Plano da Salvação
Antes da fundação do mundo, Deus, na Sua soberania, elegeu todos os homens para a Salvação. Ele pré-estabeleceu um único lugar onde o homem poderia tomar posse de sua Salvação – o Calvário. Ele constituiu uma única Autoridade que teria competência para conferir ao homem o Diploma de posse da sua Salvação – Jesus Cristo. Ele, em respeito ao livre arbítrio, deixou ao homem, ao eleito, a decisão de ir, ou não, ao Calvário, e ali, aos pés da Cruz, receber de Jesus, e este Crucificado, o competente Diploma que lhe garantirá a Posse de sua Salvação.
Portanto, a posse do Eleito não é automática e nem obrigatória. Ela exige o exercício e a manifestação da vontade, indo ao lugar determinado, comparecendo perante a autoridade competente. É certo que muita gente, por ignorância, ou mesmo desobediência, está procurando tomar posse em lugares errados e recebendo diplomas falsos de quem não foi credenciado por Deus. Jesus é o único que pode conferir o diploma verdadeiro. Foi o que disse o apostolo Pedro: “E em nenhum outro há Salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”(Atos 4:12).
O Penhor ou garantia para o exercício do Cargo.
Quando o eleito comparece ao lugar determinado e perante a autoridade competente, esta autoridade lhe entrega seu Diploma de Posse. Este Diploma é a garantia, ou penhor, de que pode exercer o cargo para qual foi escolhido. No Plano espiritual também há um Penhor, ou garantia: “... e, tendo também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para a redenção da promessa de Deus, para louvor da sua glória”(Ef 1:14).
d) O objetivo da Eleição: o exercício do Cargo. No plano material o homem precisa saber para que foi eleito. Assim, não exercendo com dignidade e eficiência o seu cargo, estará traindo a confiança de quem o elegeu. No Plano Espiritual, ou Bíblico, a Palavra de Deus diz: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fossemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade”(Ef 1:4). Ao que parece está bem claro o objetivo de nossa Eleição e qual é o desejo daquele que nos Elegeu. Sabemos que quando um Eleito se corrompe, quando desvia de suas funções, pode ser punido e até perder o Cargo.
2. A bênção da Predestinação(Ef 1:5). O apóstolo Paulo afirma que fomos não somente eleitos, mas igualmente predestinados à vida eterna (Ef 1.5). “Predestinação” é o ato de predestinar, ou seja, fixar previamente o destino de alguém. A Bíblia mostra-nos que a salvação é fruto de uma manifestação da vontade soberana de Deus. O Senhor escolheu salvar o homem, mesmo sabendo que ele haveria de pecar, e previamente determinou que todos aqueles que crerem em Cristo serão salvos e os que não o crerem serão condenados. A salvação é para todos os homens (Is.55:1; Tt.2:11), sem qualquer distinção, tanto que o primeiro casal foi expulso do Éden e impedido de tomar da árvore da vida para que toda a humanidade tivesse a mesma oportunidade de salvação, até porque Deus é imparcial e não faz acepção de pessoas (Dt 10:17; At 10:34), mas, já antes mesmo da fundação do mundo, o Senhor estipulou condições para que tal salvação se desse, mas nem por isso deixou de querer que todos os homens se salvem (I Tm 2:4).
A predestinação, assim como a Eleição, refere-se ao corpo coletivo de Cristo(isto é, a verdadeira igreja), e abrange indivíduos somente quando inclusos neste corpo mediante a fé viva em Jesus Cristo.
“No tocante à Eleição e Predestinação, podemos aplicar a analogia de um grande Navio viajando para o Céu. Deus escolhe o Navio(a Igreja) para ser sua própria nau. Cristo é o Capitão e Piloto desse Navio. Todos os que desejam estar nesse Navio eleito, podem faze-lo mediante a fé viva em Cristo. Enquanto permanecerem no Navio, acompanhando o seu Capitão, estarão entre os eleitos. Caso alguém abandone o navio e o seu Capitão, deixará de ser um dos eleitos. A predestinação concerne ao destino do Navio e ao que Deus preparou para quem nele permanece. Deus convida a todos a entrar a bordo do Navio eleito mediante Jesus Cristo”(Bíblia de Estudo Pentecostal).
3. A bênção de sermos “filhos de Adoção por Jesus Cristo”(Ef 1:5). A salvação torna-nos filhos de Deus (João 1:12). Como deixamos de ter pecados, como passamos a ser considerados justos, como passamos a ter comunhão com Deus, recebemos o poder de sermos filhos de Deus, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm.8:17). Enquanto estávamos nos nossos pecados, Deus não podia nos levar a essa posição tão próxima dele e marcada por tanto carinho. Por isso o Senhor Jesus veio à Terra e, por sua morte, sepultamento e ressurreição, resolveu o problema dos nossos pecados, satisfazendo as exigências de Deus. O valor infinito do seu sacrifício no calvário providenciou a base justa sobre a qual Deus pode nos adotar como filhos. A nova vida que recebemos pelo perdão dos pecados faz com que tenhamos comunhão com Deus e o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito, que volta a ter relacionamento com Deus, que somos filhos de Deus (Rm 8:16).
Adotado por Deus, o crente é considerado como filho do Pai Celeste (1 Jo 3.2); como irmão de Jesus (Hb 2.11); como herdeiro dos céus (Rm 8.17). De igual modo, é libertado do medo (Rm 8.15) e desfruta de segurança e certeza de vida eterna (Gl 4.5,6).
4. A bênção da Redenção(Ef 1:7). Jesus pagou o preço da nossa salvação e, por isso, nos comprou a liberdade. Este ato é conhecido por “redenção”, ou seja, “o ato de remir ou redimir”, o “resgate”, ou seja, “o ato de livrar (algo) de ônus por meio do pagamento”, o “ato de comprar para libertar”. Por isso, o apóstolo Pedro nos lembra que não fomos comprados com ouro, mas com o precioso sangue de Jesus (I Pe 1:18,19). O preço da redenção é o seu sangue; nada mais serviria. Como fomos comprados por Cristo, libertamo-nos do jugo do pecado e, por isso, não mais estamos sob condenação, alcançamos a justificação.
5. A bênção da abundância da graça de Deus sobre nós(Ef 1:8). Foi em graça que ele nos escolheu, predestinou e redimiu. Porém, isso não é tudo. Deus derramou abundantemente essa mesma graça sobre nós em toda a sabedoria e prudência. Isso significa que ele graciosamente compartilhou seus planos e propósitos conosco. É seu desejo que tenhamos consciência e entendimento dos seus planos para a igreja. Dessa forma, ele nos recebeu por assim dizer em seu círculo de confiança e nos revelou o grande alvo para o qual toda a história caminha.
6. A bênção de sermos propriedades exclusivas de Deus(Ef 1:13). Dantes estávamos mortos em nossos delitos e pecados, destituídos da glória de Deus. Agora, somos propriedade sua – “... fostes selados com o Espírito Santo”. Como “selo”, o Espírito Santo é dado ao crente como a marca ou evidencia de propriedade de Deus. Ao outorgar-nos o Espírito, Deus nos marca como seus(2Co 1:22). Assim, temos a evidencia de que somos filhos adotados por Deus, e que a nossa redenção é real, pois o Espírito Santo está presente em nossa vida(Gl 4:6).
7. A bênção da garantia da nossa herança: o Espírito Santo “é o penhor da nossa herança”(Ef 1:14). No dia em que somos salvos, o Espírito Santo começa a revelar-nos algumas das riquezas que serão nossas em Cristo. Ajuda-nos a entender a glória vindoura. Porém, como poderemos ter a certeza de que um dia receberemos a herança toda? O próprio Espírito Santo é o nosso Penhor ou garantia. Como selo ele garante que seremos mantidos sãos e salvos para um dia receber a herança. Como Penhor ele garante que a nossa Herança será preservada.
O Espírito Santo é a garantia divina de que pertencemos a Deus e que Ele cumprirá o que prometeu. Ele é como um pagamento inicial, um depósito ou penhor, uma assinatura que valida um contrato. Sua presença em nós demonstra a veracidade de nossa fé, prova que somos filhos de Deus e nos garante a vida Eterna.
Glórias sejam dadas a Deus por todas as bênçãos que Ele nos deu através da morte vicária de nosso Senhor Cristo Jesus.
Quando o ser humano aceita Cristo como único Senhor e Salvador, Ele se aproxima dele de quatro maneiras, dando-lhe a inefável graça da salvação, e proporcionando nele as suas maravilhosas bênçãos.
1. O Perdão. A dívida que o ser humano tinha para com Deus era tão grande que Jesus a comparou com aquela descrita na parábola dos dez mil talentos, em Mateus 18:23-35. A situação do homem da parábola era esta: nem ele, e nem ninguém poderia pagar sua divida! Para dimensionar o tamanho dessa dívida vamos compara-la ao salário do trabalhador daquela época.
O Talento era uma moeda de peso que oscilava, segundo os melhores cálculos, entre 43 e 49 quilos. Um talento valia sessenta minas e que uma mina valia cem drácmas; que uma drácma tinha mais ou menos o mesmo valor de um denário, ou dinheiro; um denário, ou um dinheiro, era quanto ganhava por dia um trabalhador nas vinhas, ou seja, um trabalhador rural, conforme vemos em Mateus 20:2. Portanto, um talento valia 6.000 denários, ou 6.000 dinheiros. Portanto, 01 talento podia pagar seis mil dias de trabalho de um homem, ou 16 anos, ou cerca de 200 meses. Porém, aquele homem devia dez mil Talentos! Seria o equivalente a sessenta milhões de dias de trabalho, ou o equivalente a mais de 166 mil anos. Portanto, a divida daquele homem era impossível de ser paga, era impagável! Todavia, ele, assim como nós, não teve condições de avaliar o quanto era devedor ao Rei, não pôde fazer uma idéia do valor de sua divida, e rogou, dizendo: “...Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei”. Então, o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. É claro que pagar, ele jamais pagaria, porém, nesta sua declaração está implícita uma das condições para que haja o perdão: o reconhecimento da culpa e o desejo de reparar o erro cometido.
Jesus mostra-nos, portanto, que, por vontade unilateral de Deus, pela sua graça, alcançamos a possibilidade não de ter um prazo maior para pagamento, não de adiamento da execução da dívida, mas, muito mais do que isto, temos a possibilidade de termos a nossa dívida simplesmente perdoada, quitada, paga. O rei quis fazê-lo, movido de íntima compaixão e, para tanto, mandou Jesus para morrer em nosso lugar na cruz do Calvário. Por isso, na cruz, Jesus exclamou “está consumado”, que, no original, significa, “está pago”. Jesus pagou o preço da nossa salvação, pagou, com a sua vida sem pecado, a dívida que tínhamos para com Deus. Aleluia!!!
2. A Justificação. Quando o homem se arrepende dos seus pecados e crê que Jesus é o Salvador, não somente obtém o perdão dos seus pecados, como, a partir daquele momento, é declarado justo por Deus, ou seja, o castigo que merecia receber pelos seus pecados, isto é, a morte, a separação de Deus, é atribuído a Cristo e, por causa disto, o homem fica sem pecado algum. Não tendo pecado, é declarado justo pelo Senhor, é absolvido e, por isso, está justificado.
Esta justificação, como se verifica, é gratuita (Rm.3:24), ou seja, não depende de nenhuma ação que tenha de ser feita pelo pecador. Quando vamos à ciência do direito, aprendemos que os atos gratuitos são aqueles em que apenas uma das partes pratica um ato, assume obrigações, enquanto que a outra parte nada faz em troca. É o que acontece, por exemplo, com a doação, em que alguém entrega o bem a outrem, que nada precisa fazer para ser beneficiado, a não ser aceitar o bem que lhe é dado. A justificação é um ato gratuito, ou seja, o homem nada faz para obter a salvação, a não ser aceitar aquilo que já foi feito, ou seja, a morte de Jesus em nosso lugar.
A justificação, também, é feita por intermédio da graça de Deus (Rm.3:24), ou seja, é um favor imerecido do Senhor Por isso, ao escrever aos Efésios, o apóstolo Paulo diz que, pela graça, somos salvos, e isto não vem de nós, mas é dom de Deus (Ef.2:8). Pelas suas próprias obras, ninguém alcança a salvação. Tudo decorre de um favor que Deus nos dá, favor que não merecemos, pois, pelas nossas obras, todas pecaminosas, mereceríamos a morte, mas, pelo contrário, somos agraciados com a vida.
A justificação é feita mediante a redenção que há em Cristo Jesus (Rm.3:24). Ao morrer por nós, Cristo abre a oportunidade de nos libertarmos do pecado. Jesus pagou o preço da nossa salvação e, por isso, nos comprou a liberdade.
É a justificação que nos permite entrar em comunhão com Deus (Rm.5:1), que faz com que as nossas vestes sejam vestes de justiça (Is.61:10), vestes que nos permitirão entrar na cidade celeste pelas portas (Ap.22:14). Esta é uma grande bênção da salvação.
3. A Regeneração. Regeneração ou o novo nascimento significa o ato sobrenatural em que o homem é gerado por Deus para ser filho(Jo 1:12) e participante da natureza divina(2Pe 1:4). Este nascimento, acontecido de forma milagrosa, é essencial para que o homem entre no Reino de Deus. Não ocorre por ocasião do batismo em águas nem pela vontade humana, e sim pela vontade de Deus. O homem regenerado recebe de Deus coração e espírito novos (Ez 36:26), podendo assim ter comunhão com Deus e a garantia de viver com Ele na eternidade.
v Regeneração significa vida renovada(1João 3:13,14) – “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte”.
v Regeneração significa mente renovada (Romanos 12:2) – “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.
v Regeneração significa propósitos renovados(2Corintios 5:17) – “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.
v Regeneração significa a vontade de Deus em nossa vida(João 1:12,13) – “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
v Regeneração significa despir-se do velho homem(1Corintios 6:20) –“ Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.
4. A Adoção de Filho. Através da regeneração, ou seja, do nascer de novo o homem se torna participante da natureza de Deus, recebendo a Adoção de filho. Sem o Novo Nascimento o homem será sempre criatura de Deus, não filho. Foi por isto que o Apóstolo João escrevendo àqueles crentes que já haviam passado pela experiência do Novo Nascimento disse: ”Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”(I João 2:2).
A salvação é descrita na Bíblia como "o caminho", ou a estrada através da vida, para a comunhão eterna com Deus no céu (Mt 7:14; Mc 12:14; Jo 14:6; At 16:17; 2Pe 2:21; cf. At 9:2; 22:4; Hb 10:20). Esta estrada deve ser percorrida até o fim. No sentido experimental, a salvação tem três tempos: passado, presente e futuro.
1. A salvação experimental no Passado: a Justificação. Justificação é o que Deus fez por nós. É a salvação da pena do pecado. Ela é referida na Bíblia como ocorrida no passado da vida cristã.
Para a nossa justificação: a) Deus, em sua graça, colocou Seu Filho em meu lugar, e, na cruz, transferiu minhas culpas e crimes para ele; b) Jesus morreu voluntariamente por mim; c) Eu preciso aceitar, por fé, este único método divino de justificação do ímpio (Rm 4:5), confessando a Jesus como meu Salvador (Rm 10: 9).
Assim, sem ultrajar sua perfeita justiça, Deus justifica o ímpio (aparentemente
um absurdo), substituindo o culpado pelo inocente (Cristo), transferindo minhas
culpas para Ele. Deste modo, Deus proveu a justificação para mim e para ti,
mediante substituição e transferência, tudo por Cristo. Legalmente, não deveria
haver misericórdia para com o culpado. Deveria ele ser punido. Porém, em virtude
do sacrifício de Cristo, Deus, o Justo Juiz, faz justiça, perdoando o penitente
que a Ele vem com fé. Assim, essa justificação por Jesus só é efetivada na vida
do pecador que o aceitar como seu Salvador. Somente aceitando Jesus o pecador
entra no plano divino para Sua Salvação.
Vê-se, assim, que, no sentido bíblico, justificar é mais do que perdoar. O
perdão remove a condenação do pecado, e a justificação nos declara justos. Um
juiz terreno ou chefe de Estado pode perdoar um criminoso, mas não pode
colocá-lo nunca em posição igual à daquele que nunca transgrediu a lei. Mas o
nosso Deus pode e faz isso. Deus tanto perdoa o pecador, como o justifica. Isto
é, trata-o como se nunca tivesse pecado! Aleluia ao Trino Deus! E tal fato
ocorre no momento em que o pecador arrependido aceita Jesus como seu Salvador
pessoal. Aqui no mundo, um criminoso nunca mais receberá a consideração de justo
por parte dos seus semelhantes, mas Deus declara justo o pecador que Ele
justificar. Sim! “Justificado!” – é o veredicto divino. Quem pode agora nos
condenar se é Deus quem nos justifica? (Rm 8:33-34). Aleluia!
“... mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus”(1 Co 6:11).
“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica”(Rm 8:33)..
2. A salvação experimental no Presente: a Santificação. A Santificação em conduta, diante do mundo. É a salvação do poder do pecado. É aquilo que Deus faz em nós agora. Uma frutinha pode ser perfeita, e não ser madura.
“Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”(2Co 7:1).
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”(1Ts 5:23).
“Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou”(1João 2:6).
3. A salvação experimental no futuro: a Glorificação. No futuro, experimentaremos a salvação no estado de Glorificação. Glorificação é o que Deus fará conosco na glória celestial(1Pe 1:5). Será a salvação da presença do pecado. Trata-se da nossa inteira “conformação” com Jesus Cristo.
“que, mediante a fé, estais guardados na virtude de Deus, para a salvação já prestes para se revelar no último tempo”(1 Pe 1:5).
“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”(1 João 3:2).
“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação”(Hb 9:27,28).
Vimos nesta aula que as bênçãos da salvação, que acompanham o crente ao longo de sua vida, após a sua conversão, estão inseridas no âmbito espiritual. Certa vez vários discípulos de Jesus vieram até ele saltitantes, cheios de alegria, orgulhosos (qualquer um de nós sentiria assim) pelas bênçãos que receberam no trabalho de evangelismo que fizeram. Porém, estavam mais alegres de terem expulsado demônios em nome do Senhor Jesus do que nas possíveis almas que se salvaram. Não há dúvida que, a autoridade contra o poder do inimigo, é uma bênção! Contudo, essa não deveria ser a alegria deles, e sim porque tinham seus nomes escritos nos céus! Em outras palavras, a certeza da salvação deveria ser a fonte, a origem, o nascedouro de seu contentamento. Após Jesus ter despertado em seus discípulos a consciência da verdadeira bênção, ele agradece ao Pai por ter-lhes revelado tão grande graça (Lc 10:17-24). Que possamos dar maior valor às bênçãos da salvação do que as bênçãos na salvação.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1 João. Comentário Bíblico Popular – William Macdonaldo. Dicionário VINE. A Doutrina da Salvação – Pr. Antonio Gilberto (Teologia Sistemática Pentecostal). A Promessa da Salvação - Dr Caramuru Afonso Francisco.