Aula 10

A BÍBLIA: O CÓDIGO DE ÉTICA DIVINO

Leitura Bíblica:Mt 5:13-19

07/12/2008

"Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus" (I Co 10 : 32).

 

INTRODUÇÃO

Dando prosseguimento o estudo sobre o “Livro de Deus” estudaremos nesta aula o tema: “A Bíblia: O Código de Ética Divino”.  Quanto mais as pessoas se afastam da Bíblia pior fica o comportamento delas. Seja na política, seja nas artes, seja na ciência, seja na economia, todos os povos estão observando um clamor, uma exigência por padrões de ética. Cada vez um maior número de pessoas está a exigir dos líderes, dos cientistas, dos empresários, dos trabalhadores, enfim, de todos os segmentos da população, que haja uma atitude ética nos relacionamentos humanos. Este clamor por ética reflete o grande vazio espiritual que tem sido vivido pela humanidade, pois a discussão sobre a falta de ética que hoje se verifica em todos os setores da vida humana, nada mais é que uma universal constatação de que os homens perderam o rumo, o norte, que andam de um lado para outro, como ovelhas desgarradas que não têm pastor (Mt.9:36), exatamente porque se recusaram a seguir a Deus e a observar os Seus mandamentos exarados na Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus.

I – O QUE É ÉTICA

1. Definição. "Ética" é palavra de origem grega, que vem de "ethos", que quer dizer costume, hábito, disposição. Etimologicamente, temos que "ética" e "moral" se confundem, pois ambas dizem respeito ao conjunto de padrões e de atitudes que as pessoas devem ter no seu dia-a-dia, no seu cotidiano. A ética, portanto, preocupa-se com a conduta ideal do indivíduo, ou seja, qual deve ser o comportamento do indivíduo ao exercer uma determinada atividade, ao desempenhar uma determinada ação, ou seja, como o indivíduo deve agir enquanto vive.

Observe: “A ética é a ciência da conduta ideal. Aborda a conduta ideal do indivíduo, isto é, nossa responsabilidade primária. Os Evangelhos nos ensinam que a transformação moral nos conduz às perfeições de Deus Pai(Mt.5.48). E daí, parte-se para a transformação de acordo com a imagem do Filho de Deus(Rm. 8.29; II Co.3.18). Precisamos cuidar de nosso próprio desenvolvimento espiritual como indivíduos. Essa transformação reflete em nossa conduta pessoal, pois a conversão cristã gera essa transformação na vida do ser humano direcionando-o à ética pessoal ( II Co. 5.17) ..." ( Pr. José Elias CROCE. Lição 1 - O cristão e a ética. Betel Dominical, jovens e adultos, 3º trim. 2001, p.8).

2. Conceito Teológico. A ética é o conjunto de padrões, de condutas, de atitudes que devem ser observados pelos indivíduos. Toda atividade humana tem um padrão a ser observado, tem a sua ética. A discussão a respeito de como deve o homem se comportar é algo que vem sendo efetuado desde os primórdios da civilização humana, pois Deus fez o homem como um ser moral, ou seja, como um ser responsável, que tem consciência do que deve, ou não, fazer, porque e para que deve agir num determinado sentido. Tanto assim é que, logo após ser colocado no jardim do Éden, por Deus, o primeiro casal recebeu logo uma determinação de Deus: “De toda a árvore do jardim, comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente, morrerás." (Gn.2:16b,17).

Como se percebe, portanto, o homem foi feito um ser eminentemente moral, ou seja, um ser ético  e, desde então, a história da humanidade tem refletido este embate entre o comportamento exigido por Deus e o comportamento que o homem escolhe, dentro de seu livre-arbítrio, para si, independentemente da vontade humana. 

O resultado da desobediência do homem e da sua tentativa de construir para si padrões de conduta alheios à vontade de Deus resultou nos grandes dilemas que hoje, como em nenhum outro momento da história humana, vivemos nesta "grande aldeia global" em que se tornou o nosso planeta, dilemas estes que, não raro, abalam a fé de muitos servos de Deus que, à revelia da própria Palavra de Deus, acabam cedendo a padrões, princípios e procedimentos que são radicalmente contrários à vontade do Senhor.

3. Em Deus se encontra a verdadeira ética. O vazio do homem é do tamanho de Deus, por isso só Deus pode preenchê-lo. O homem busca uma referência, um fundamento, mas se esquecem que somente Deus tem a capacidade e o direito de impor uma conduta a todos os homens. Nesta busca pela ética, que nada mais é que uma sede de Deus, deve a Igreja, corajosamente, como agência do reino de Deus, clamar ao mundo que a ética tão desejada, que a conduta ideal tão almejada, não se encontra nos direitos humanos, na busca e maior justiça nas relações socioeconômicas, mas nAquele que, desde a criação do homem, tem querido determinar como devemos proceder. Em Deus se encontra a verdadeira ética e, portanto, para os diversos dilemas morais vividos pelo homem, existe uma única resposta: a Palavra de Deus.

II – UM MUNDO SEM A ÉTICA BÍBLICA

1. O mundo jaz no maligno( 1 João 5:19). Uma idéia generalizada é que satanás é o rei do inferno, em oposição a Cristo, que é o Rei do Céu. Esta é uma deturpação da verdade, uma teoria totalmente falsa; satanás é sim, o inimigo de Deus e não o rival de Deus. O seu reino não é o inferno, mas o mundo onde vivemos. O reino de satanás não é limitado aos anjos que o seguem. A sua autoridade inclui certamente os demônios, mas vai mais além e inclui o mundo.

O termo mundo (Kosmo em grego), significa o "sistema sob o qual este mundo opera". Inclui todas as coisas seculares e temporais – os governos e as modas, a cultura, a educação, as filosofias, as religiões e a moralidade (ou a falta dela) neste mundo. Todas estas coisas são mundanas e podem ou não estar ligadas intimamente a forças malignas.

O mundo é um reino de trevas. Jesus disse: “Eu venho trazer luz ao mundo “(João 12:46). Pedro escreveu-nos sobre a” corrupção que está no mundo (II Pedro 1:4) e as "corrupções do mundo" (II Pedro 2:20), desta forma satanás usa o sistema deste mundo para fazer avançar os seus projetos e, em II Coríntios 4:4, o versículo que o designa como "o deus deste mundo" diz que ele " cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. Por isso João escreveu:  “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo”( I Jo 2:15-16). Próximo do final da epístola, João acrescenta: "Nós sabemos que somos de Deus e que todo o mundo jaz no maligno. É uma afirmação de que satanás, ele próprio, controla o sistema do mundo”.

Assim como o Espírito de Deus nos influencia para fazermos a vontade de Deus, as pessoas não regeneradas são energizadas pelo diabo para cumprir os seus nefastos planos – “andastes segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2:2). As pessoas não salvas pertencem a este sistema do mundo. Elas são filhas do mundo (Lc 16:8). Esse mundo não conheceu a Cristo nem conhece a nós (1 Jo 3:1). Esse sistema odiou a Cristo e odeia a igreja (Jo 15:18).  Esse sistema do mundo não é o habitat natural do crente. Nossa cidadania está no céu (Fp 3:20). Estamos no mundo, mas não somos do mundo (Jo 15:15). Exemplo: A canoa – ela está na água, mas a água não está nela.

2. A trágica situação espiritual do mundo e do Brasil. É realmente notório o caos espiritual em que vive o ser humano no mundo atual. Vivemos dias difíceis, dias trabalhosos (II Tm.3:1), em que o mundo sofre uma multiplicação do pecado (Mt.24:12) e, como conseqüência disto, só se vê aumentar o sofrimento do gênero humano, a sua progressiva decadência moral e espiritual, decadência esta que não consegue nem de longe ser restringida pelo fenomenal desenvolvimento tecnológico-científico que também tem ocorrido no presente tempo.

Nunca houve, em toda a história da humanidade, uma época semelhante aos dias atuais onde é nítida a ausência de valores, principalmente aqueles que norteiam a dignidade do ser humano: o sentimento, o decoro, a vergonha, a moral, o caráter, o respeito e o temor a Deus, os quais constituem os verdadeiros alicerces para a vida individual e em sociedade. O crente jamais pode se eximir destes princípios, mesmo que tenha de ser considerado de retrógrado.

Nos dias em que vivemos – pós-modernidade o mundo, cego pelo pecado, tem como característica, a persistência na negativa da presença de Deus. O desconhecimento de Deus, a ignorância a respeito de Deus é que, como diz o salmista, leva alguém a desprezar o Senhor, a desconsiderá-lO, a não levá-lO em conta. Desde o Éden, temos visto que o homem deu suas costas a Deus e isto continua nos nossos dias e, diríamos até, de uma forma ainda mais profunda e terrível.

Nos dias em que vivemos – pós-modernidade - a cada dia que passa, vemos mais e mais pessoas crendo que não existe bem nem mal, certo ou errado. Isto só é possível pensar no exato instante em que se crê que Deus não está presente, que é indiferente a tudo o que acontece. As pessoas passam a considerar que as regras morais, os princípios éticos são fruto de preconceitos, de “atrasos”, de “ideologias”, de “dominação do homem sobre o homem”. Quando se dão as costas a Deus, quando não se dá a Deus a devida honra, a Bíblia nos afirma que o próprio Deus abandona os homens às mais perversas abominações (Rm.1:18-31) e o resultado é o que nós estamos vendo: idolatria, violência, imoralidade, corrupção política e aviltamento da pessoa humana.

Nos dias em que vivemos – pós-modernidade - práticas antes condenáveis como o aborto, a eutanásia, a pesquisa com embriões humanos, o homossexualismo, o uso de substâncias entorpecentes, a invasão de propriedades alheias, o uso do poder político para vantagens pessoais e de parentes, são práticas consideradas “normais” e até mesmo “convenientes”. A utilização das estruturas eclesiásticas para enriquecimento são tidas como atitudes possíveis e que não merecem qualquer censura ou reprovação, até porque, dentro deste contexto, é dito que “ninguém pode julgar ninguém”, até porque, segundo a Bíblia nos ensina, pela boca do salmista, “desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos, não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl.14:3).

Nos dias em que vivemos – pós-modernidade - Como não há “certo” ou “errado”, o que se verifica é a defesa explícita da multiplicidade, da convivência de diferentes modos de vida, o que é incentivado e estimulado pelo contacto intenso que, em virtude do desenvolvimento tecnológico, têm todos os povos e culturas do planeta que, hoje em dia, estão ligados em tempo real. Sutilmente, a multiformidade do gênero humano, ou seja, a existência de várias formas de vida por parte do homem, o que é até uma demonstração da glória e do poder divinos, que, ao fazer cada indivíduo diferente do outro, mostra que a sua imagem e semelhança contempla estas várias maneiras de ser, é transformada em multiplicidade de verdades e de valores.

Nos dias em que vivemos – pós-modernidade - observamos a exaltação do paganismo que não mais precisa, pelo menos no Ocidente, se revestir de uma “máscara cristã”. Cada vez mais vemos o surgimento de práticas pagãs na sociedade. Não é de se admirar, portanto, que tenham se multiplicado os seguidores e adeptos de movimentos religiosos orientais, como o budismo, o hinduísmo e outros cultos orientais entre os ocidentais, bem como que o próprio satanismo tenha crescido assustadoramente, a começar pelos próprios Estados Unidos da América, que, de maior país missionário cristão, como foi no passado, é hoje o maior disseminador de todas estas práticas, notadamente do satanismo explícito.

Nos dias em que vivemos – pós-modernidade - Inexiste o que se pode denominar de “conduta ideal do indivíduo”, ou seja, de uma “ética”. Há uma defesa da liberdade como sendo a ausência de regras ou de normas, que é, como não poderia deixar de ser, o resultado da atitude humana de recusa ao reconhecimento da figura de Deus.

Nos dias em que vivemos – pós-modernidade - os indivíduos se fecham em si mesmos. Pensam apenas em si e não vêem senão o mundo todo ao seu redor. É o perfeito “endeusamento” de sua pessoa. Todos querem ser “famosos”, querem ser “ídolos”, precisamente porque, no mundo pós-moderno, o que importa é que todos estejam a sua volta, que todos o admirem, enfim, que você seja o centro de tudo e de todos.  Quão diferente é o ensino de Cristo! Enquanto os homens e mulheres querem aparecer, brilhar, ter pessoas à sua volta, o Senhor Jesus se despiu da glória que tinha por amor ao homem, humilhando-se até a morte e morte de cruz (Fp.2:7-8) e nos convida a fazer o mesmo (Mt.16:24), pois somente quem participar da sua aniquilação é que poderá desfrutar da sua glória e exaltação. Enquanto o mundo “pós-moderno” pensa apenas em si, o povo de Deus tem de pensar e amar o próximo, ainda que ele seja seu inimigo.

Nos dias em que vivemos – pós-modernidade - o que prevalece é o hedonismo, ou seja, o que se busca é o prazer. Decepcionado na sua busca da felicidade, o homem troca a felicidade inatingível pelo prazer, ou seja, pela pura sensação momentânea de bem-estar. Por isso, as atividades que geram sensações e emoções são tão procuradas nos dias de hoje, a começar do prazer sexual instintivo. Os seres humanos comportam-se, na atualidade, como verdadeiros animais irracionais, buscando parceiros para sentir momentos efêmeros de prazer na prática de relações sexuais. Mas não é apenas no sexo que se tem a manifestação do hedonismo. Uma de suas principais manifestações nos dias de hoje está no consumismo, no prazer de aquisição de bens materiais, aquisição esta incontrolada. Hoje em dia, não se compram produtos pela utilidade que darão ao comprador, mas única e exclusivamente pelo prazer de comprar, ainda que se sabia que o produto pouco ou nada acrescentará à pessoa ou, o que é mais grave, somente trará prejuízos para o adquirente. Mas nesta ânsia pelo ter, pelo adquirir, o que vale é apenas a sensação de bem-estar e de importância que a aquisição gera. Entretanto, Jesus ensina que a vida de alguém não é medida pelas posses que tenha (Lc.12:15) e que uma ação desta natureza avilta a dignidade da pessoa humana, que deve se livrar da ganância e da avareza, que outra coisa não é senão idolatria (Cl.3:5).

Portanto, nos dias em que vivemos, este mundo pós-moderno, tão orgulhoso de seu progresso material, é um mundo que vai de mal a pior, um mundo aonde “homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados”(II Tm.3:13). Nós, porém, devemos seguir o conselho do apóstolo e permanecer naquilo que aprendemos(II Tm.3:14), pois o aprendemos de Cristo, que é manso e humilde de coração, a fim de podermos encontrar descanso para as nossas almas (Mt.11:29).

3. A falha na sociedade em educar os cidadãos. A sociedade está desestruturada; as mudanças dos últimos anos foram muito rápidas, fazendo-nos perder uma imensidade de valores. E nos encontramos despreparados para educar uma nova geração (muitas vezes rebelde). A família é só e abandonada. A família recebe ataques de todas as partes. E que a sociedade não sabe dar respostas às necessidades da família, no tocante ao problema juvenil. E um exemplo muito evidente está no nosso Brasil. O sistema educacional é fraco. A educação religiosa nem se fala. A família perdeu a ponta da meada. Os filhos ficaram desorientados. Penso que, todos juntos, precisamos refletir e analisar e muito batalhar, para o desabrochar de uma nova cultura, para uma sociedade menos violenta, menos egoísta e mais honesta... Quantas cenas de violência, nossas crianças e os nossos jovens presenciam hoje, nas telas da televisão e, pior ainda, nas telas da realidade!. Salvo raras exceções os filhos são um retrato dos pais. A atitude deles é a exteriorização dos ensinos que lhes são oferecidos em seus lares. É preciso, primeiramente, ensinar aos pais sobre como se educa os filhos, pois esses jovens são frutos de um lar desprovido de afetividade, de amor, de compaixão, de solidariedade. Os pais precisam entender que educar filhos não é somente provê-los com bens materiais. Educar filhos é ensinar os caminhos em que devem andar. Educar é ensinar a respeitar o próximo. Educar é também saber onde, como e com quem seu filho anda. Antes de condenar esses jovens é preciso punir seus pais pela omissão na educação dos filhos.

III – PRINCÍPIOS ÉTICOS DA BÍBLIA

1. O princípio da fé – “A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não provém da fé é pecado”(Rm 14:22,23). Normalmente procuramos manter-nos afastados de práticas proibidas pelas Escrituras, mas às vezes o texto bíblico não é específico, não fornece detalhes sobre o que devemos ou não fazer. Neste caso, devemos obedecer a nossa consciência. A frase “Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado” significa que ir de encontro a uma convicção fará com que a pessoa se sinta culpada. Quando Deus nos mostra que algo está errado, devemos evita-lo. Mas não devemos desprezar outros cristãos que exercem sua liberdade nessas questões.

Portanto, a ética cristã caracteriza-se por ser um comportamento assumido por um indivíduo que o faz exclusivamente pela fé. Sim, o cristão passa a ter um determinado comportamento porque crê que aquele comportamento, aquelas atitudes são agradáveis a Deus, que é o galardoador dos que O buscam (Hb.11:6). Cremos em Deus e na Sua Palavra e é por isso que passamos a agir conforme os seus mandamentos. É por isso que Paulo afirma que " e tudo o que não provém da fé é pecado "(Rm.14:23). Cumprimos a Palavra de Deus, praticamos as ações e atitudes que a Bíblia nos determina, porque, antes, cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e a única regra de fé e prática que deve ser seguida.

Portanto, a ética cristã é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta nesse mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais o homem poderá chegar a Deus, mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são a vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.

2. O princípio da licitude e da conveniência – “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”(1 Co 6:12). Este princípio orienta o cristão a que não faça as coisas porque são lícitas, mas porque são lícitas e convêm, à luz do referencial ético da Palavra de Deus.

Alguns cristãos em Corinto procuravam justificar os seus pecados dizendo o seguinte: (a) Cristo eliminou todos os pecados, e, assim, eles tinham completa liberdade para viver como quisessem; (b) Suas ações não estavam estritamente proibidas pelas Escrituras. Mas Paulo respondeu às duas desculpas: (a) O fato de Cristo ter tirado os nossos pecados não nos dá a liberdade para continuarmos fazendo o que sabemos ser errado. O Novo Testamento proibi especificamente muitos pecados (ver 1 Co 6:9,10) que eram proibidos no Antigo Testamento( ver Rm 12:9-21; 13:8-10); (2) Algumas ações não são pecaminosas em si, porém não são apropriadas porque podem controlar nossa vida e afastar-nos de Deus; e (3) Algumas ações podem magoar as pessoas. Qualquer coisa que magoe ao invés de ajudar os outros não é correta.

3. O Princípio da licitude e da edificação – “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas edificam” (1 Cor 10:23b). Tudo o que o cristão fizer, deve ter como objetivo a edificação (Sl 103:1). Portanto, devemos rejeitar tudo aquilo que não edifica a vida cristã.

4. O princípio da glorificação a Deus – “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus”(1 Co 10:31). O objetivo principal da vida do crente é agradar a Deus e promover a sua glória. Sendo assim, aquilo que não pode ser feito para a glória de Deus não deve ser feito de modo nenhum. Honramos a Deus mediante nossa obediência, ações de graças, confiança, oração, fé e lealdade a Ele. Viver para a glória de Deus deve ser uma norma fundamental em nossa vida, o alvo da nossa conduta, e teste das nossas ações. Tudo o que o cristão fizer deve objetivar a glória de Deus, que para isto é que fomos criados (Ef. 1:12).

5. O princípio da ação em nome de Jesus – “E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”( Co 3:17). Este princípio significa honrar a Cristo em todos os aspectos e atividades da vida cotidiana. Como cristão, nós representamos Cristo em todos os momentos – aonde quer que estejamos, que vamos e no que quer que digamos. Que impressão as pessoas têm de Cristo quando nos vêem ou conversam conosco?  Nossas ações devem ser motivadas pelo amor a Deus, de forma que tudo que façamos seja para sua glória. Mantenha isso como princípio de direção, perguntando a si mesmo: esta ação está glorificando a Deus? Como posso honrar a Deus através desta ação?

6. O princípio do respeito ao irmão mais fraco(1 Co 8:9-13). Este princípios fala dos nossos relacionamentos. A liberdade cristã está inseparavelmente ligada à responsabilidade cristã. Os novos crentes são freqüentemente muito sensíveis ao que é certo ou errado, que devem ou não fazer. Algumas ações podem ser perfeitamente corretas para nós, mas podem prejudicar um irmão ou irmã que ainda seja novo na fé e esteja aprendendo no que consiste a vida cristã. Devemos ter cuidado para não ofender alguém mais sensível ou que seja um novo convertido ou ainda, por nosso exemplo, levá-lo a pecar. Por amarmos os outros, nossa liberdade deve ser menos importante para nós do que o fortalecimento da fé de um irmão em Cristo. Portanto, não devemos escandalizar o crente mais fraco, mesmo que tenhamos consciência de que o que estamos fazendo não é pecado.

IV – A ÉTICA CRISTÃ É PARA TODAS AS FAMÍLIAS

Um dos grandes desafios que se nos apresentam nos dias de hoje, no presente século, é a manutenção da instituição familiar. Nunca se viu tanto torpedo contra a família como se está vendo nestes tempos considerados “trabalhosos” para a Igreja. Não há dúvida de que é uma estratégia de Satanás a proliferação das famílias com atitudes mundanas, causando-lhe efeitos contrários às doutrinas basilares da Bíblia Sagrada. Satanás sabe muito bem que se atingir a família, atingirá a sociedade como um todo, bem como ao maior projeto estabelecido por Deus para salvação da humanidade, que é a Igreja. Certamente a manutenção da instituição familiar constitui-se no maior desafio que se nos apresentam nos dias de hoje, no presente século.

O adversário de nossas almas tem atacado violentamente a família, porque sabe que, uma vez atingida a família, a um só tempo, estará destruída tanto a sociedade, quanto cada um dos integrantes da família.Vícios no lar, infidelidade dos cônjuges, alta taxa de divórcio, drogas, violência doméstica e abandono de filhos são alguns dos exemplos mais comuns dessa ação diabólica. Também, a cultura do mundo, cada vez mais próxima dos cristãos por meio da tecnologia e facilidade nas comunicações, tenta invadir essa instituição e, por conseguinte, a Igreja e conformá-la à sua imagem. Mas, em 1Jo 2.15,16 está escrito: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”.

Se nossa fé no Senhor Jesus Cristo for real, ela será geralmente demonstrada em casa, em nosso relacionamento com aqueles que nos conhecem melhor. Filhos e pais têm responsabilidades uns para com os outros. Os filhos devem honrar os pais, mesmo que estes sejam injustos ou excessivamente exigentes. Os pais devem cuidar dos filhos afetuosamente, mesmo que estes não sejam obedientes ou amáveis. O ideal, é claro, é que pais e filhos cristãos se relacionem com entendimento e amor. Isso só é possível quando os pais colocam os interesses dos filhos acima dos próprios interesses, e vice-versa.

1. A ética para os pais - E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.”(Ef 6:4).  O propósito da disciplina aplicada pelos pais é auxiliar no crescimento de seus filhos, e não acirrá-los ou provocar-lhes a ira, ou até mesmo desencorajá-los. Não é fácil ser um bom pai ou uma boa mãe – é necessário muita paciência para criar filhos em um lar amoroso que honre a Cristo. Mas a frustração e a ira não devem ser motivos de disciplina. Antes, os pais devem ser constantemente amorosos, tratando seus filhos do mesmo modo que o Senhor Jesus trata o povo que Ele ama. Essa é uma atitude vital para o desenvolvimento das crianças, bem como para a sua compreensão a respeito de Cristo.

Deveres dos pais. Os pais são representantes de Deus no lar. Por meio deles, o Criador conferiu a gloriosa tarefa de dar continuidade à procriação da espécie humana. Esse é, ao mesmo tempo, um direito e um dever sublime, ao lado de tantos outros. É nos deveres dos pais que se configura a grande responsabilidade dos lideres da família.

a) O dever de orientar os filhos no caminho do Senhor. Tomemos como base o trecho de Deuteronômio 11.18-21. Através dessa passagem, vejamos como o Senhor Deus, o instruidor da família, determina a maneira pela qual os pais devem ensinar a sua Palavra aos filhos:

Ensinando-lhes a guardar a Palavra no coração e na alma - “Ponde estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma”(Dt.11:18). Não é decorar. É, antes de tudo, ter a Palavra bem arraigada no íntimo do ser, para poder ensiná-la aos filhos. O coração é o órgão em que se refletem as emoções, os sentimentos. A alma é a sede, o centro da personalidade, do ser. Assim, a Palavra de Deus deve encontrar lugar central e importante na vida dos pais. Deve fazer parte do seu viver, pois “do coração, procedem as saídas da vida”(Pv. 4.23).

Ensinando-lhes a ter a Palavra de Deus na mão - “Ponde as minhas palavras... na vossa mão”. Deus quer que os pais pratiquem com as mãos o que a Palavra manda. As mãos falam de ação, de fazer coisas, de agir. Deus quer que os pais usem a Palavra no seu lar, para poderem construir uma família bem edificada. Se o amor é a argamassa, a Palavra de Deus é o cimento que a faz consistente.                  

Ensinando-lhes a ver as coisas através da Palavra - “... para que esteja por testeiras entre os vossos olhos”(Dt. 11:18). A testeira era parte da indumentária que caía sobre a testa, entre os olhos. Ficava junto dos olhos. Segundo a vontade de Deus, os pais deveriam olhar a vida, a casa, o lar, o trabalho, os filhos, tudo, enfim, sob o prisma da Palavra. Ela deve estar junto dos olhos. Isso quer dizer que os pais devem observar as coisas conforme a Palavra de Deus.

Ensinando-lhes a Palavra “andando pelo caminho” – “Ensinai-os... andando pelo caminho(Dt. 11:19). Isto nos fala que o ensino não deve ficar restrito ao ambiente interno do lar, que deve acompanhar os filhos “pelo caminho”, ou seja, fora de casa.

Ensinando-lhes a orar - A oração é um recurso que deve ser desenvolvido no ambiente do lar, desde cedo, quando ainda os filhos são pequenos. Os pais devem mostrar-lhes que a oração traz bênçãos para eles e para o lar.

b) Aplicar-lhes Disciplina.  Disciplinar significa literalmente “tornar discípulos”. Deste modo, toda autêntica autoridade para disciplinar os filhos, procede de Deus. Os propósitos da disciplina são: Desenvolver o senso de respeito à autoridade; Estabelecer a prática da obediência; Formar bons hábitos; Corrigir maus hábitos.

Disciplinar os filhos não é puni-los impiedosamente; é corrigi-los, e isso implica amor. A disciplina possui dois aspectos: instrução – ensino que tem o alvo de instruir, moldar, fortalecer e aperfeiçoar; correção – castigar com amor e com propósito. Ao praticar a correção, os pais deverão usar o bom-senso, serem moderados, disciplinando por amor e com amor, e não com ira - “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija?”(Hb 12:6,7). “E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela”(Hb 12:11). A correção deve ser aplicada no exato momento da falta, e não aguardar a hora em que o pai, ou conforme o caso, a mãe, chegue em casa.

Através da disciplina no lar, o filho aprende a estabelecer os limites da sua liberdade - “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”(Pv.22.6).“A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe.”(Pv. 29.15).“Castiga o teu filho, e te dará descanso; e dará delícias à tua alma.”(Pv.29:17).

2. A ética para os filhos – “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa)”(Ef 6:1,2).

Deveres dos filhos

a) Obedecer. Há uma diferença entre obedecer e honrar. Obedecer significa agir de acordo com as instruções recebidas. Honrar significa respeitar e amar. Os filhos não devem desobedecer a Deus ao obedecerem aos seus pais. Não se requer que os filhos adultos obedeçam a pais tiranos. Os filhos são obrigados a obedecer enquanto estiverem sob os cuidados dos pais, mas a responsabilidade de honra é vitalícia.

A obediência dos filhos aos pais é um dever sagrado. Deus não abre mão em tempo algum dessa exigência. Ele a afirma a ponto de condicionar a felicidade no viver ao seu cumprimento. Não é de admirar que no mundo de hoje, onde a maior parte das pessoas só faz o que acha certo aos seus próprios olhos, a obediência não seja algo popular. O assunto da obediência tem sido um problema, desde que nossos primeiros pais demonstraram o primeiro ato da desobediência.

Paulo descreveu os efeitos do pecado nos filhos, em Romanos 1.30,31: ”... desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia. Muitas famílias pagãs que se convertiam a Cristo nos dias do Novo Testamento, eram caracterizadas conforme esse descrito de Paulo. Em Efésios 4:17-24 e Colossenses 3:5-11 ele não somente instrui os cônjuges quanto a sua nova vida em Cristo, mas também exortou os filhos concernente às suas atitudes e ações que deveriam ter para com os seus pais.

Três razões para obedecer aos pais:

1. “Para que te vá bem” - “Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.” (Ef.6.3). O caminho para  maior liberdade e confiança é obediência e respeito.

2. ”Para que vivas  muito tempo sobre a terra”(Ef.6.3). Embora Deus não esteja garantindo uma vida longa, ele quer dizer que os filhos desobedientes podem encurtar as suas vidas aqui na terra por causa de suas ações irresponsáveis.

3. Porque é agradável ao Senhor - “Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor”(Cl3:20).

4. “Porque isto é justo” - “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo”(Ef. 6.1).  Jesus foi um exemplo de obediência e submissão aos pais adotivos.Veja Lc.2.51: ”E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso”.

A Bíblia mostra o exemplo de uma família, na qual todos os filhos de um homem chamado Recabe foram usados por Deus como exemplo para a nação israelita, pelo fato de obedecerem a seu pai. Levados ao templo pelo profeta Jeremias, foram convidados a tomar vinho. Não pareceria ser nada de mais, principalmente em se tratando de convite feito pelo profeta de Deus. Mas os recabitas responderam: ”Não beberemos vinho; porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos mandou, dizendo: Nunca jamais bebereis vinho, nem vós nem vossos filhos”(Jr 35.1-6). Deus repreendeu o povo de Israel, mostrando-lhe que aqueles filhos obedeciam a seu pai, enquanto a nação era desobediente a seu Deus.

b) Amar - “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”(Ex. 20.12). O amor aos pais inclui todas as responsabilidades que temos perante eles. É que não podemos honrar os pais sem os amar, e nem amá-los sem honrá-los. Este mandamento com promessa(“para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra”-Ef.6.3), foi ratificado por Jesus. Em Mateus 15.3-9, Ele pregou um sermão cujo tema é a honra devida pelos filhos aos pais. Marcos 7.6-13 repete o fato com mais detalhes.

O respeito devido aos pais é de grande importância. Nas leis que Deus deu a Moisés, conhecida como os dez mandamentos, vemos a seguinte divisão: os quatro primeiros mandamentos se referem aos deveres para com Deus; os seis seguintes, aos deveres do homem para com a humanidade; o primeiro mandamento desta segunda divisão foi escrito para os filhos; e é o único mandamento que tem uma condição ligada a uma promessa de bênção para os que o observarem.

CONCLUSÃO

Como tem sido o nosso comportamento no meio dos homens? Será que nossa conduta revela que somos sal da terra e luz do mundo, ou já estamos irremediavelmente comprometidos com os princípios, valores, crenças e comportamentos mundanos? Será que nossa conduta tem servido para a glória de Deus, ou temos sido motivo de escândalo na igreja ou entre os não crentes? Será que poderemos dizer que nossa conduta é a esperada por Deus? Que Deus nos abençoe e nos faça melhorar os nossos caminhos, para que, a cada dia, possamos nos santificar ainda mais(Ap.22:11), pois Jesus está às portas e, no arrebatamento, somente levará para Si aqueles que forem achados fiéis(Mt.24:45-47).

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Materialismo e o Ateísmo - Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco e Pr. Antonio Sebastião da Silva.