Aula 12 A IGREJA: SERVA DA BÍBLIA Leitura Bíblica: Salmos 119:41-50 21/12/2008 “Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada”(João 14:23) INTRODUÇÃOA Bíblia é o livro da igreja. A Noiva do Cordeiro é serva de Deus e serva da Bíblia. Obediência à Palavra é prova eloqüente do amor da Igreja a Cristo - “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”(João 14:15). Nos tempos que antecedem a vinda de Cristo, as igrejas locais tem aumentado significativamente. Infelizmente, porém, pode-se constatar, por observação que há muitos movimentos que não se submetem aos ditames da Palavra de Deus. Igrejas que não valorizam a Palavra de Deus não podem ser consideradas igrejas cristãs. Não são servas da Palavra e nem serva de Cristo. São servas de teologias, de filosofias, do pós-modernismo, do relativismo; são servas de seus fundadores, de seus dogmas, mas não tem Cristo como Senhor, nem sua Palavra como regra de fé e prática. I – O QUE É A IGREJA 1. Definição. A palavra “igreja”, no grego, ekklesia, significa “chamados para fora”. Igreja não é um indivíduo, não é uma pessoa solitária, mas, sim, um grupo de pessoas, um conjunto de pessoas. Desta forma, ficamos sabendo, já pela etimologia da palavra, que a salvação proporcionada por Jesus Cristo cria um novo grupo de pessoas, um novo povo. Não se pode, pois, biblicamente falando, ser salvo e permanecer isolado, solitário na vida sobre a face da Terra. Este novo povo, esta “igreja”, vem, portanto, realizar, concretizar aquilo que Israel, a “propriedade peculiar de Deus dentre todos os povos” (Ex.19:5,6) era apenas uma figura, um símbolo, uma sombra (Hb.10:1). A Igreja é o novo povo de Deus, o povo formado por judeus e gentios que, pelo sangue de Cristo, passam a ter comunhão com Deus, perdoados que estão dos seus pecados, um povo espiritual, assim como o seu Senhor, um povo destinado a se reunir aos santos do passado para povoar a Nova Jerusalém, a Jerusalém celeste, onde se reeditará a comunhão eterna e perfeita que havia entre Deus e a humanidade antes que o pecado entrasse no mundo (Ap.21:3). “A Igreja é a herdeira da cruz”. 2. A visão cristológica da Igreja. Em determinada ocasião Jesus interrogou os seus discípulos acerca do que as pessoas pensavam a respeito dEle. Após ouvir suas várias respostas, o Mestre lhes fez uma derradeira pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?(Mt 16:15). Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, respondeu-lhe imediatamente: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”(Mt 16;16). A partir desta resposta, Jesus fez uma enfática declaração revelando aos seus discípulos a edificação, a jornada e o futuro da sua igreja na Terra. O Senhor afirmou a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecia contra ela”(Mt 16:18). Ao dizer que “sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja”Jesus identificou-se como o Arquiteto da Igreja. Mas quem é esta pedra referida no versículo? Esta pedra é o próprio Cristo, como nos indicam o texto, o contexto interno e a correlação com os demais textos bíblicos. Ao dizer “sobre esta pedra”, Jesus se referiu a si próprio, pois usou o pronome demonstrativo “esta”, que indica a coisa ou a pessoa mais próxima da pessoa que fala (e a pessoa mais próxima de Jesus naquele instante, que era quem estava a falar, não era ninguém a não ser o próprio Jesus). Assim, o próprio texto indica-nos que Jesus se referia a si mesmo quando indica qual seria a pedra fundamental da Igreja. Em outros textos, também, as Escrituras mostram que o Arquiteto da Igreja é Jesus Cristo e nunca o apóstolo Pedro. O primeiro a nos indicar isto é o próprio Pedro, que, por ser quem estava dialogando com Jesus, é o mais apropriado intérprete das palavras do Mestre. Pedro, bem ao contrário dos romanistas, tendo ouvido o que Jesus falou, ensinou, anos depois, que o fundamento da Igreja é Jesus: “E chegando-vos para Ele — pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo…” (I Pe.2:4,5). Pedro, portanto, confirma que a pedra, o fundamento da Igreja é Jesus (Ler At 4:11; 1 Pe 2:7). O apóstolo Paulo também caminha no mesmo sentido, ao mostrar que o fundamento da Igreja é Jesus: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” (I Co.3:11). Em Mateus 21:42 está escrito: “Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos?”. Aqui o próprio Jesus se refere a si mesmo como “A Pedra que os edificadores rejeitaram”. Ele foi rejeitado por muitos de seu povo; Ele é a Pedra fundamental da Igreja. Portanto, não há dúvida alguma quanto ao verdadeiro Arquiteto ou fundamento da Igreja: Jesus Cristo. Mas, além de Arquiteto, Jesus é, também, a cabeça da Igreja, ou seja, o seu governante, o seu rei, o seu comandante (Ef.1:22; 5:23). Jesus foi constituído Senhor sobre todas as coisas (Mt.28:18; Rm.14:9) e não deixaria de sê-lo com relação à sua Igreja, que Ele comprou com o seu próprio sangue (At.20:28). Tendo criado a Igreja, nada mais natural que seja o seu Senhor, o seu Rei, o seu Governante. Como um povo organizado, fiel e santo, tendo como Arquiteto o próprio Senhor Jesus Cristo, Ele não deixaria este povo sem um código de ética que o orientasse sobre os pontos cardeais da vida espiritual e organizacional. Este código, como estudamos na Lição nº 10 é a Bíblia, a Palavra de Deus. A Igreja é serva da Bíblia. E o Arquiteto da Igreja é clarividente e imperativo em seu conselho: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim”(João 5:39). II – A IGREJA E A SUBMISSÃO À PALAVRA Estudamos na aula 10 que a Bíblia é o código de ética divina. Vimos que ética é a ciência da boa conduta. Para que a igreja proceda de forma a cumprir as diretrizes determinadas pelo nosso Mestre, nosso Senhor Jesus Cristo, é necessário seguirmos o código: a Bíblia Sagrada. Deixar de lado os ditames da Lei de Deus para adotarmos subterfúgios apócrifos alheios às doutrinas genuínas da Bíblia Sagrada é correr risco de se perder para sempre, sem Deus e sem Salvação. A falta de submissão à Palavra de Deus nestes últimos dias tem submergido muitos dos que se dizem cristãos no poço de lama do sistema mundano(2 Pedro 2:22), o qual jaz no maligno( 1 João 5:19). Não se submeter à Palavra de Deus é correr tremendo risco na vida espiritual; é se por na beira do precipício e correr o risco de cair no poço da apostasia. O apóstata não retorna mais à sua origem; sua mente é cauterizada e seus olhos espirituais não enxergam mais a verdade pura e cristalina da Palavra de Deus. Quando falamos em igreja estamos nos referindo a igreja organizacional, a chamada igreja local, pois a igreja invisível, a chamada universal é plenamente convicta de sua fé e de sua submissão à Palavra de Deus. A seguir vamos fazer um breve relato sobre estas duas características da igreja. 1. No sentido espiritual. Espiritualmente, a igreja é um organismo que tem Cristo como a Cabeça, como bem expressou Paulo aos Colossenses 1:18: “também ele é a cabeça do corpo, da igreja...”. Os componentes deste corpo, que é a Igreja, são os crentes, como bem disse Paulo: “e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, o complemento daquele que cumpre tudo em todas as coisas”(Ef 1:22,23). Também, essa igreja invisível é chamada “universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb.12:23a). Essa “Igreja Universal” é a reunião de todos os salvos que creram em Cristo em todos os tempos, a partir da obra redentora na cruz do Calvário. É o “corpo de Cristo” (I Co.12:27,28; Ef.4:12). É a “geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (I Pe.2:9). O conjunto de salvos que creram em Jesus Cristo ao longo da história se reunirá, pela primeira vez, quando do arrebatamento da Igreja, os quais serão apresentados ao Pai pelo Filho com as seguintes palavras: “Eis-me aqui a mim e aos filhos que Deus me deu.”(Hb.2:13). Essa Igreja é inexoravelmente submissa ao conteúdo e à mensagem da Bíblia Sagrada. 2. No sentido organizacional. A igreja como organização ou “igreja local”, nada mais é que um conjunto de pessoas que dizem crer em Jesus Cristo e que professam a sua doutrina e que se encontram numa determinada localidade. É uma reunião de pessoas que, chamadas por Deus, passam a obedecer às Escrituras e aos ensinos do Senhor Jesus, e, por isso mesmo, pregam a Cristo e ensinam a Palavra de Deus a todos quantos vivem naquele determinado lugar. A “igreja local”, portanto, é um grupo social, uma reunião de pessoas, uma partícula da “igreja universal”, do “corpo de Cristo”. Várias passagens bíblicas do Novo Testamento dão referências à existência de muitas igrejas locais, no princípio da Igreja, a saber: At 9:31; 16:5; Rm 16:4; 16:16; 2Co 8:1; Gl 1:2; At 14:23; Rm 16:1; 1Co 1:2; 4:17; 1Ts 1:1. Jesus, ao revelar o seu mistério, isto é, a Igreja, disse que a edificaria. Assim, logo após a revelação deste novo povo de Deus, Jesus nos indica que se tratava de algo que era organizado, ordenado, de algo que tinha uma estrutura, sem o que não se trataria de uma “edificação”. A Igreja é o “edifício de Deus”, é a “lavoura de Deus”, o “corpo de Cristo”, “a coluna e firmeza da verdade” (I Tm.3:15), a “nação santa”, expressões todas que indicam haver uma ordenação, uma estrutura, uma ordem nesta entidade criada pelo próprio Deus, que, como sabemos, é um Deus de ordem, não de confusão (I Co.14:33). Observemos que com relação à ordem, à estrutura da Igreja, o edificador é o próprio Jesus. Ele disse: “Edificarei a minha Igreja”. Vemos, pois, que a igreja não é algo que deva ser estruturado e moldado segundo os caprichos, as habilidades, palpites, experiências ou sabedoria humanos, mas, sim, segundo o modelo traçado pelas Escrituras Sagradas. Nos dias em que vivemos, onde tem tido grande avanço a ciência da administração, muitos têm sido tentados a implantar e criar “modelos”, “visões”, “estratégias” e tantas outras “inovações” para que se tenha uma igreja bem sucedida, exitosa e que sempre cresça. Tenhamos muito cuidado com tudo isto, pois a Bíblia nos ensina que a Igreja tem como edificador a Jesus Cristo e a Ele só. Ele não disse que a igreja era dEle e de todos os seus discípulos. Sua expressão é bem clara: “Edificarei a Minha igreja”. Embora seja uma organização juridicamente estabelecida, não deixa de ser também um organismo espiritual que, sob a direção de um ministro de Deus, deve servir ao Senhor e obedecer a sua Palavra. III – A IGREJA E A FIDELIDADE À PALAVRA DE DEUS Fidelidade é atributo do que é fiel, do que demonstra zelo, respeito quase venerável por alguém ou algo; lealdade. Percebe-se, portanto, que a idéia de fidelidade está vinculada à idéia de compromisso, ou seja, a uma persistência num acordo, num pacto que foi firmado entre duas partes. Ora, é precisamente este o sentido da fidelidade enquanto fruto do Espírito Santo. Quando somos salvos, passamos a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4) e, sendo assim, temos de assumir o mesmo caráter de Deus, já que, em nós, foi restaurada a imagem e semelhança de Deus, que deve ser refletida por nós aos homens (Mt.5:16; II Co.3:18). A fidelidade importa em tomada de posição firme ante o compromisso assumido com o Senhor quando de nossa salvação. Ao aceitarmos a Cristo como nosso Senhor e Salvador, a exemplo do que fez Israel quando do pacto que selou com Deus no deserto, dizemos ao Senhor: “tudo o que o Senhor tem falado, faremos” (Ex.19:8). O próprio Jesus afirma que só seremos Seus amigos se fizermos o que Ele manda (Jo.15:14). Ora, como o Senhor é sempre o mesmo, Sua Palavra não muda, permanece para sempre (I Pe.1:25), de sorte que não temos dificuldade em saber o que devemos fazer. Por isso, Paulo dizia que não se cansava de ensinar aos crentes as mesmas coisas (At.13:42; Fp.3:1). 1. O respeito à integridade da Palavra. Uma das principais características divinas é a Sua imutabilidade. Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Tg.1:17). A Bíblia ressalta, ainda, que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8). Desta maneira, o salvo não pode, também, no tocante aos valores morais e espirituais, sofrer qualquer variação. Tem de ser firme, tem de manter a sua posição, custe o que custar, aconteça o que acontecer. Falar de imutabilidade de posição e de firmeza nos nossos dias é algo difícil de se pensar, pois o mundo defende exatamente o oposto. Estamos na “era da flexibilização”, onde tudo pode ser modificado, alterado, onde se defende a “tolerância” e a “flexibilidade”. Entretanto, devemos lembrar que não é isto que ensina a Palavra de Deus. É evidente que o mundo está sujeito à mudança, que o homem é, por natureza, mutável, que as relações sociais, políticas e econômicas são sujeitas a alterações e devem, mesmo, se modificar, pois o homem é imperfeito e esta sua imperfeição abre espaço para que haja uma contínua alteração. Até mesmo no campo espiritual há espaço para mudança, pois a Bíblia diz que o homem deve atingir a perfeição espiritual, tanto que, para isto, Cristo dotou a Igreja de dons ministeriais (Ef.4:12,13). Todavia, a mudança prevista nas Escrituras é uma mudança com vistas a atingirmos o alvo que é a plenitude de Cristo em nós. Devemos ser iguais a Cristo, atingir a Sua estatura, a medida de Cristo. Portanto, o que temos de mudar é o que há em nós para sermos iguais a Cristo e não mudar os princípios e os valores que nos foram ensinados e revelados através da Palavra de Deus. Nosso mudar é um caminhar em busca da perfeição e a perfeição está em Cristo e quem nos diz quem é Cristo e como devemos viver para sermos como Ele é a Bíblia Sagrada, as Escrituras que dEle testificam (Jo.5:39). Por isso, não podemos permitir que o “espírito da flexibilização” venha a habitar na Igreja ou em nós mesmos. Não podemos mudar a Palavra de Deus. Ela permanece para sempre. Repudiemos, portanto, as inovações, as novidades, os modismos e modernismos que querem encontrar guarida na Igreja e na nossa vida. Quem pretende mudar a Palavra do Senhor apenas está indicando que já foi cortado da videira verdadeira, pois uma das qualidades do fruto do Espírito é a fidelidade, que é uma atitude de imutabilidade quanto aos princípios e valores escriturísticos, que é uma atitude de firmeza, de repúdio à mudança. Exemplo do que significa querer inovar no nosso relacionamento com Deus vemos no episódio da morte de Uzá, quando Davi trazia a arca para Jerusalém(II Sm.6:1-9; I Cr.13). Diz-nos a Bíblia que a arca era levada num carro novo, uma inovação já que a lei determinava que fosse conduzida pelos sacerdotes nos ombros. O resultado foi a morte de Uzá e a interrupção do culto que se desenrolava ao longo do caminho para Jerusalém. Deus mostrou, assim, nitidamente que não Se agrada de inovações que vão contra o que está estabelecido em Sua Palavra. “O Senhor conhece os dias dos íntegros, e a herança deles permanecerá para sempre”( Salmo 37:18). 2. A Igreja deve pregar a verdade. O progresso de uma igreja local não pode ser medido ou avaliado primeiramente por suas atividades filantrópicas, educacionais e materiais. O progresso real de uma igreja é avaliado por seu alcance evangelístico, juntamente com seus frutos espirituais, como resultado da semeadura da Palavra de Deus. Depois de ter consumado a obra da redenção do homem no Calvário (Jo.19:30), sacrifício aceito pelo Pai como nos prova a ressurreição(At.3:25,26; 13:29,20), Jesus, após ter passado quarenta dias dando prova da sua ressurreição aos discípulos e falado a respeito do reino de Deus (At.1:3), explicitamente determinou qual seria a tarefa principal da Igreja. Mandou que o evangelho fosse pregado por todo o mundo a toda a criatura (Mc.16:15), uma ordem que estabeleceu um verdadeiro dever a todo cristão, a ponto de o apóstolo Paulo ter exclamado: “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho!”(II Co.9:16). Quando os cristãos têm consciência que a tarefa primordial da Igreja é a evangelização, passam a entender que sua existência gira em torno desta missão dada a cada crente, que é membro do corpo de Cristo em particular (I Co.12:27). Assim, tudo quanto fizermos nesta vida, em qualquer setor ou aspecto, deve levar em consideração, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça (Mt.6:33). Todas as nossas ações, todo o nosso cotidiano deve ser criado e executado diante da perspectiva de que somos testemunhas de Cristo Jesus (At.1:8) e que devemos, portanto, testificar do Senhor, mostrar ao mundo, através de nossas boas obras, que Deus é nosso Pai, que somos filhos de Deus e, por meio deste comportamento, levar os homens a glorificar o nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16). 3. A Igreja deve se dedicar à meditação diuturna da Palavra de Deus. A Palavra de Deus é a única arma de ataque na armadura espiritual do cristão (Ef.6:17), de sorte que, se não empunharmos a Palavra do Senhor, não teremos como investir contra o inimigo, ficando sempre na defensiva, o que é totalmente contrário ao propósito divino traçado para a Igreja, que não é apenas de nos defendermos, mas de desfazermos as obras do diabo, continuadores que somos do ministério terreno de Cristo (I Jo.3:8). Assim, devemos nos dedicar à meditação diuturna na Palavra do Senhor (Sl.1:2), pois só assim teremos o devido discernimento para escaparmos das ciladas do inimigo, através dos maus conselhos dos ímpios, da chegada frente a encruzilhada da vida onde se nos apresentam caminhos de pecadores e das rodas dos escarnecedores que, porventura, tentem nos prender (Sl.1:1). Sem conhecer as Escrituras, corremos o risco de nos perdermos e de não encontrarmos o caminho que leva ao céu, pois é ela a lâmpada para os nossos pés e a luz para os nossos caminhos (Sl.119:105). Todavia, não podemos apenas meditar na Palavra do Senhor na solidão, pois a Bíblia quer que ensinemos uns aos outros, que nos edifiquemos uns aos outros, que nos consolemos uns aos outros. Assim, é imperioso que nas nossas reuniões sempre deixemos a maior parte do tempo para o estudo e o ensino da Palavra do Senhor. É preciso que tenhamos este estudo da Palavra, esta ministração da sã doutrina, tempo que não pode ser ocupado por qualquer outra coisa. 4. A Igreja deve exercer o amor fraternal, pois a Bíblia assim exige. A falta do amor fraternal na igreja faz com que a igreja nem sequer se sinta uma igreja. A igreja precisa ser tal que as pessoas tenham uma vida em comum, tenham tudo em comum (At.2:42-47). Não estamos aqui a dizer a respeito da comunidade patrimonial dos crentes de Jerusalém, que não foi um fator totalmente positivo, pelo que podemos observar na seqüência da história da Igreja (cf. Rm.15:26), mas, e isto é muito mais importante, na presença da comunhão de sentimentos, de emoções, de edificação espiritual, de exortação, de consolação. A Bíblia ensina-nos que devemos nos amar uns aos outros (Jo.13:35), preferirmo-nos em honra uns aos outros (Rm.12:10), recebermo-nos uns aos outros (Rm.15:7), saudarmo-nos uns aos outros (Rm.16:16), servimo-nos uns aos outros pela caridade (Gl.5:13), suportarmo-nos uns aos outros em amor (Ef.4:2; Cl.3:13), perdoarmo-nos uns aos outros (Ef.4:32; Cl.3:13), sujeitarmo-nos uns aos outros no temor de Deus (Ef.5:21), ensinarmos e admoestarmo-nos uns aos outros (Cl.3:16; Hb.10:25), não mentirmos uns aos outros (Cl.3:9), consolarmo-nos uns aos outros (I Ts.4:18), exortamo-nos e edificarmo-nos uns aos outros (I Ts.5:11; Hb.3:13), considerarmo-nos uns aos outros para nos estimularmos à caridade e às obas obras (Hb.10:24), confessarmos as culpas uns aos outros (Tg.5:16). Diante de tantas recomendações bíblicas, como podemos querer viver só para nós, sermos apenas assistentes de cultos, membros de um auditório que se reúne uma vez por semana e chamarmos isto de “nossa igreja”? IV – A IGREJA E A SANTIDADE DA PALAVRA A Igreja deve estar consciente que a Bíblia é a Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. Portanto, ela é santa e, por isso, devemos atribuir a ela o maior respeito. A Bíblia é o Livro de Deus para a Igreja; é nela que encontramos as diretrizes para atingirmos à santidade( Ver Ef 4:24-32). A falta de conhecimento da Palavra de Deus é um dos fatores decisivos para a destruição do povo de Deus (Os.4:6). A igreja tem sido tragada pelo mundo, tem sido contaminada pelo mundo porque tem deixado a Palavra do Senhor de lado, porque não há mais ensino da Palavra nas igrejas locais, porque o povo não tem dado a relevância e importância que a Palavra tem de ter na vida de cada um, na vida da igreja como um todo. Sem o ensino da Palavra, a igreja não é santificada, não consegue se separar do pecado, porque não sabe discernir o que é e o que não é santo. O resultado da falta de discernimento entre o que é santo e o que é profano é a falta de identidade da igreja. Há alguns anos atrás, sabia-se perfeitamente qual era o perfil de um salvo na sociedade. Independentemente de costumes, hábitos ou de aparência exterior, um salvo era identificado na sociedade como uma pessoa diferente das demais, que tinha um comportamento moral elogiável, uma vida marcada pela decência, pelo equilíbrio, pela honestidade, pelo trabalho e pelo respeito aos superiores e às leis. Os crentes primitivos tinham um testemunho tal que as pessoas não ousavam se aproximar e se misturar com eles (cf. At.5:13). Os crentes, pela sua vida de santidade, pela sua comunhão com o Senhor, geravam temor, respeito e estima entre os incrédulos. Atualmente, não há mais esta identidade. Nos dias em que vivemos, não se pode sequer definir o perfil de um salvo, pois há “evangélicos”, “crentes” de todos os tipos, de todos os gostos, “de todas as tribos”. Quem poderia imaginar, há alguns anos atrás, que haveria “blocos carnavalescos evangélicos”? Quem poderia dizer que haveria o “heavy metal rock evangélico”? E “evangélicos” que posam nus para revistas eróticas ou que apresentassem programas eróticos nos meios de comunicação? Isto para não falar de “evangélicos homossexuais”, “novenas evangélicas”, “amuletos evangélicos” (sal grosso, rosas ungidas, óleo santo etc.), “samba evangélico”, “comunicação com santos do Paraíso”, “cultos evangélicos dirigidos por anjos” e tantas outras coisas que têm invadido e confundido muitos que dizem ter sido salvos por Jesus e deixado o pecado. A situação é tão grave que hoje não se sabe sequer o que significa ser “evangélico”. A existência de “evangélicos” que fazem exatamente o que fazem as outras pessoas, que vivem do mesmo modo que os demais é um escândalo, é um fator de descrédito à mensagem do evangelho, que tem sido habilmente utilizada pelo adversário para embaraçar a pregação do evangelho genuíno e verdadeiro. A imagem que se tem do “evangélico” é, então, a imagem do hipócrita, do “santarrão”, daquele que se utiliza de uma falsa santidade para obter vantagem própria, via de regra, de natureza pecuniária. Não é à toa que, recentemente, uma grande emissora de televisão tenha usado deste “estereótipo” para ser uma personagem de uma telenovela de grande audiência no país. Foi este o grande erro da chamada “doutrina dos nicolaítas” (Ap.2:6,15), que, segundo os estudiosos e os historiadores da Igreja, era um grupo de crentes que havia se caracterizado pelo menosprezo com a santificação, entendendo que não havia qualquer necessidade de se separar de práticas idolátricas, imorais e sensuais, numa versão antiga do que se defende abertamente em muitos círculos ditos “evangélicos” da atualidade, qual seja, a tese de que “Deus só quer o coração”. Embora não exista mais enquanto seita com este nome, a mentalidade “nicolaíta” tem acompanhado a história da Igreja e é uma das principais responsáveis pela invasão do mundanismo entre os crentes. Entretanto, não nos iludamos: por duas vezes, o Senhor Jesus fez questão de afirmar que aborrece tanto a doutrina quanto a obra dos nicolaítas(Ap 2:6,15). ”Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”(Hb 12:14). CONCLUSÃO A Bíblia deve ser o nosso alimento espiritual diário, se desejamos ser fortes e vigorosos na fé que professamos. Precisamos ter: decisão para ler a Palavra constantemente; graça para assimilá-la; presteza para reproduzi-la no viver diário e conhecimento para darmos testemunho dela aos outros. Se alguém não possui o necessário entendimento para isso, o útil conselho que a própria Escritura dá é: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” (Tiago 1:5). Não esqueçamos que a Palavra é: (a) leite que nutre – “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação” (I Pedro 2:2); (b) água que limpa – “tendo-a purificado por meio da lavagem e da água pela palavra” (Ef 5:26); (c) espada para as lutas – “Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6:17); (d) mel que deleita – “os juízos do Senhor são verdadeiros e igualmente justos,... são mais doces do que o mel e o destilar dos favos” (Salmo 19:10); (e) fogo e martelo – “Não é a minha palavra fogo, diz o Senhor, e martelo que esmiúça a penha?” (Jr 23:29); e, finalmente, “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos” (Salmo 19:7,8). Amém. ----------- Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br ------- Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. A Excelência da Palavra de Deus - Erasmo Ungaretti. A Igreja de Cristo - Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco. |