Aula 04
Texto
Básico: 2 Co 5:14,15,17-21
26/10/2008
“e não pelo sangue de bodes
e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo
lugar, havendo obtido uma eterna redenção”(Hb 9:12).
O homem, ao se envolver com o
pecado, entrou em um verdadeiro “beco sem saída”. Ao pecar, tornou-se servo do
pecado (Jo.8:34), dominado totalmente por ele (Gn.4:7), sem condição alguma de
modificar esta situação. Entretanto, a história não terminou com esta tragédia.
Bem ao contrário, a Bíblia Sagrada nos ensina que, mesmo antes da fundação do
mundo, dentro de sua presciência, Deus já havia elaborado um plano para retirar
o homem desta situação tão delicada (Ef.1:4; Ap.13:8). Este plano, já existente
mesmo antes da criação do mundo, foi revelado ao homem no dia mesmo de sua
queda, quando o Senhor anunciou que haveria de surgir alguém da semente da
mulher que esmagaria a cabeça da serpente e tornaria a criar inimizade entre o
homem e o mal e, conseqüentemente, amizade, comunhão entre Deus e o homem
(Gn.3:15). O Plano divino para a salvação da humanidade foi plenamente cumprido
no sacrifício inocente, amoroso e vicário de nosso Senhor Jesus Cristo(João
1:29;Gl 4:4,5). Só Jesus é quem dar a Salvação, pois “
em nenhum
outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”(Atos
4:12).
1. O que é redenção.
Ato ou efeito de remir ou redimir; remir significa adquirir de
novo; tirar do cativeiro, do poder alheio; resgatar; indenizar, compensar,
reparar, ressarcir; livrar das penas do Inferno; salvar; fazer esquecer;
expiar, pagar. A idéia principal de redenção é tornar livre uma pessoa ou
algo (uma propriedade que passou a outro dono). Aqui no Ceará há uma cidade
chamada redenção, onde, segundo os historiadores, aconteceu a primeira
libertação dos escravos. Portanto, Redenção implica resgate de alguém ou coisa
pertencente a outro dono.
Jesus pagou o preço da nossa
salvação e, por isso, nos comprou a liberdade. Este ato é conhecido por
“redenção”, ou seja, “o ato de remir ou redimir”, o “resgate”, ou seja, “o ato
de livrar (algo) de ônus por meio do pagamento”, o “ato de comprar para
libertar”. Por isso, o apóstolo Pedro nos lembra que não fomos comprados com
ouro, mas com o precioso sangue de Jesus (I Pe.1:18,19). Como fomos comprados
por Cristo, libertamo-nos do jugo do pecado e, por isso, não mais estamos sob
condenação, alcançamos a justificação. Por isso, bem disse o poeta sacro: “…
Jesus comprou-me da escravidão, a paz eu gozo por Seu perdão. (…) Jesus
comprou-me, e eu fiquei pra sempre livre da dura lei!…” (primeira parte da 2ª e
3ª estrofes do hino 13 da Harpa Cristã).
Para nos redimir, Jesus pagou um
alto preço: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como
prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por
tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um
cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi
conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por
amor de vós”(1 Pe 1:18-20). A Bíblia declara que não poderíamos ser
redimidos sem o sacrifício de Cristo(Hb. 9.22; Lv. 17.11).
2. Pequeno resumo histórico do Plano da Redenção –
do Éden ao Calvário. Através dos séculos a
batalha foi árdua. Houve ocasiões em que a vitória parecia pender em favor do
inimigo. O homem sob a influencia de Satanás ia se tornando cada vez mais
pecador, mais degenerado. Pouco mais de 1600 anos depois da queda de Adão, todo
Plano de Redenção parecia perdido.
1. Mas, Deus ainda encontrou na terra -
um homem fiel – “... Noé era varão justo e reto em
suas gerações; Noé andava com Deus”(Gn 6:9). No entanto, após o Dilúvio,
a geração de Noé não foi melhor que a de Adão. O homem continuou pecando
cada vez mais. Passados pouco mais de 400 anos toda raça humana estava
mergulhada na mais sórdida idolatria. Satanás empregava todo seu esforço
visando afastar toda criatura da influência de Deus a fim de frustrar seu plano
de Redenção.
2. Mas, Deus ainda encontrou Abraão – um
homem de Fé. Nesses cerca de dois
mil anos de História, até a chamada de Abraão, Deus havia tratado com toda a
humanidade, sem distinção. Porém, agora, com Abraão, Deus irá formar um povo
seu, que viria a ser a nação de Israel. Seu plano de redenção seria
desenvolvido no seio dessa nação, deixando de lado todos os povos, agora
considerados como gentios.
3. O esforço de Satanás para corromper
Israel. A atenção tanto de
Deus como de Satanás estava, agora, centrada em Israel. Satanás tentou de todas
as formas corromper Israel. Ele corrompeu reis, sacerdotes, até mesmo profetas,
mas nunca conseguiu corromper todo o povo. Deus, através da mais dura de todas
as leis procurou preservar o seu povo. No entanto, a lei não era a Redenção
prometida, pois “... nenhuma carne será justificada diante dele pelas
obras da lei...”(Rm 3:20). A lei era apenas um instrumento usado por Deus.
O fim da lei seria Cristo, conforme afirmou Paulo: “De maneira que a Lei nos
serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fossemos
justificados”(Gl 3:24). Como instrumento nas mãos de Deus, dizia Paulo, a
lei era boa: “Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom”(Rm
7:12). Infelizmente Satanás tem enganado muita gente, fazendo-a crer que a
Redenção está na Lei, cegando seus olhos e não a deixando ir até o calvário, a
verdadeira fonte da Redenção.
Chegou um tempo em que a escuridão em Israel
parecia ser total. Foram 400 anos de silêncio. Nenhum profeta se levantou. Mas,
no final desse tempo Deus ainda encontrou uma jovem pura, sincera e fiel:
Maria; e um varão piedoso e temente a Deus: José. Era o que Deus precisava.
O relógio de Deus indicava que era chegada a plenitude dos tempos, de
acordo com seu Plano para o nascimento do Redentor. Apesar de todo
esforço diabólico, o Senhor Deus cumpriu sua promessa feita há milhares de anos
atrás, lá no Éden, de que da semente da mulher nasceria aquele que
esmagaria a cabeça da ”serpente” - “... Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou
seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”(Gl 4:4).
4. A necessidade da morte do Cordeiro.
Seu nascimento estava de acordo com o Plano de Deus, mas a Justiça
de Deus exigia um sacrifício perfeito realizado por um Justo, ou seja, por
um homem que não conheceu o pecado. Daí podermos entender todo esforço satânico
para levar o Filho de Deus a pecar. Diz a Palavra que ele “em tudo foi
tentado”, porém, acrescenta: “mas sem pecado”(Hb 4:15). Diz mais: “O
qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano”(I Pedro 2:22). No
final de sua vida terrena, “O Cordeiro de Deus” que veio para tirar “o
pecado do mundo”(João 1:29), podia afirmar que nenhum pecado, ou nenhuma
mancha Satanás podia encontrar nele – “Já não falarei muito convosco, porque
se aproxima o príncipe deste mundo e nada tem em mim”(João 14:30). Isto
pode significar que Satanás não encontraria nele nada para que pudesse
acusá-lo. Ele estava pronto para, através de um Sacrifício Perfeito satisfazer
a Justiça de Deus.
5. Na Cruz do Calvário Deus fez cair
sobre Ele a iniqüidade de nós todos. A Justiça de
Deus exigia o castigo do pecado com a morte do
pecador. Porém, Deus havia preparado um substituto, o qual levaria
sobre si “a iniqüidade de nós todos”, sofrendo o castigo em nosso lugar,
conforme o profeta Isaias havia antecipado, dizendo: “Verdadeiramente, ele
tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o
reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas
nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos trás a
paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados”(Is 53:4-5).
Na Cruz do Calvário, quando ele declarou “Está
consumado”(João 19:30), o preço da redenção estava pago, a Justiça de Deus
estava satisfeita. A punição exigida pela Justiça de Deus estava
concretizada sobre Jesus. Agora, nEle o homem podia ser Justificado.
6. Na Cruz do Calvário, Jesus pagou a
dívida do homem - “Havendo
riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma
maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”(Cl
2:14). Porém, não basta saber que Ele pagou nossa
divida para com o Justiça de Deus, mas, é necessário tomar posse do “recibo
de quitação” da dívida. É a posse desse “recibo” que nos confere o direito
de sermos justificados diante de Deus.
A quem foi pago esse resgate?
Certamente não foi a Satanás, como pensam alguns teólogos. Não devemos nada a
Satanás. O resgate (o preço ou a dívida) foi apresentado única e exclusivamente
ao Deus justo, pois é a Ele que havemos ofendido com nossos pecados e delitos.
Mas como não podíamos pagar semelhante resgate, Jesus apresentou-se para
quitá-lo em nosso lugar. Ele pagou o preço que o caráter de Deus requeria.
Podemos afirmar com segurança que Ele cancelou a nossa dívida. Glória a Deus, a
nossa dívida foi paga com expressivo preço! A dívida foi paga à Pessoa certa
(que adiantaria a dívida ser paga a quem não devemos nada?). Quando da criação do homem Satanás já era um inimigo
vencido, colocado debaixo dos pés do Senhor nosso Deus. O vencido nada pode
exigir do vencedor! Apenas obedecer! Satanás não pode exigir nada de Deus!
7. A Fé é o meio para tomar posse da
Justificação – “Sendo, pois, justificados pela
fé...”(Rm 5:1a). Justificação é como que uma declaração
legal de que estamos isentos de culpa, ou seja, que nos tornamos justos
diante de Deus. A Justificação não é um simples perdão. É muito
mais! No perdão não há pagamento, mas na Justificação houve pagamento. O
homem é justificado, gratuitamente, porque Jesus pagou o preço exigido pela
Justiça de Deus para que o pecador não fosse morto. Sem esse pagamento o
homem seria, como de fato ainda será, condenado, comparecendo à presença
de Deus, conforme podemos entender de Deuteronômio 25:1-3. O pecador não
tendo quitado sua divida está em contenda com Deus que é o Credor – “Quando
houver contenda entre alguns, e vierem a juízo para que os juizes o julguem, ao
justo justificarão e ao injusto condenarão. E será que, se o injusto merecer
açoites, o juiz o fará deitar e o fará açoitar diante de si, quando bastar pela
sua injustiça, por certa conta”.
8. Pela Justificação cessa a contenda
- “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz
com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo”(Rm 5:1). Por
causa do pecado o homem se tornou inimigo de Deus e fugitivo de sua
Justiça. Nesta condição ele foi declarado culpado, condenado e separado
de Deus. Isto é valido e aplicável a todos os homens – “Porque todos
pecaram e destituídos estão da glória de Deus”(Rm 3:23). Nesta condição “...Não
há um justo, nem um sequer”(Rm 3:10). Para todos, portanto, está estipulado
que “...o salário do pecado é a morte...”(Rm 6:23).
Os homens, por causa do pecado,
estavam condenados à morte, ou seja, à separação de Deus, estavam impedidos de
desfrutar da glória de Deus, da qual haviam sido excluídos, mas, como Jesus
morreu em lugar dos homens, fez-Se propiciação dos nossos pecados, ou seja,
permitiu que recebêssemos o favor divino, pois, ao crermos em Cristo, nossos
pecados são perdoados, pois o castigo que merecíamos é atribuído a Jesus e, em
virtude disto, não mais somos condenados, mas somos absolvidos, ou seja,
declarados justos diante de Deus. Esta declaração de justiça, esta mudança de
posição que ocorre, pois de perdidos e excluídos da presença de Deus, passamos
a ser salvos e a ter comunhão com Deus novamente, é o que denominamos de
justificação.
9. Para o homem justificado não há mais
culpa, não há mais condenação – a Redenção foi consumada
- “... nenhuma condenação há para os que estão
em Cristo Jesus...”(Rm 8:1). Antes da Justificação
o homem era culpado, agora não há mais nenhuma culpa: “Quem
intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica”(Rm
8:33).
Antes o homem estava condenado, agora “Quem
os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os
mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós”(Rm 8:34).
Antes, morto espiritualmente, o homem estava separado
de Deus, agora “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a
angustia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
(Rm 8:35).
Portanto, para o homem Justificado não há mais culpa,
não há mais condenação, não há e nem haverá mais separação. Isento
da culpa do pecado, o homem readquiriu a vida eterna, conforme
afirmou Jesus: “E dou-lhes a Vida Eterna, e nunca hão de perecer...”(João
10:28).
Nos dias em que vivemos, em que
se está a esquecer da cruz e do Calvário, pontos indispensáveis e centrais da
redenção da humanidade, um estudo sobre a doutrina da expiação, ainda que
sucinto e breve, é mais do que salutar aos alunos da Escola Bíblica Dominical e
para a vida espiritual de cada um.
1. Definição. O
Dicionário Houaiss entende que o significado de “expiação” é “purificação de
crimes ou faltas cometidas”, além de “o meio usado para expiar-se”. Somente no
Antigo Testamento temos a palavra “expiação”, cujo significado é “cobertura”,
mas o conceito da expiação constitui o assunto principal do Antigo e do Novo
Testamento. A palavra expiação comunica a idéia de cobrir o pecado mediante um
“resgate”, de modo que haja uma reparação ou restituição adequada pelo delito
cometido. Palavras mais conhecidas como reconciliação, propiciatório, sangue,
remissão de pecados e perdão estão diretamente relacionadas com esse tema.
2. O Dia da Expiação em
Israel. O Dia da Expiação era uma assembléia solene; um dia
em que o povo jejuava e se humilhava diante do Senhor(Lv 16:31). Esta contrição
de Israel salientava a gravidade do pecado e o fato de que a obra divina da
expiação era eficaz somente para aqueles de coração arrependido e com fé
perseverante(Cf Lv 23:27; Nm 15:30; 29:7). O Dia da Expiação levava a efeito a
expiação por todos os pecados e transgressões não expiados durante o ano anterior(
Lv 16:16,21). Precisava ser repetido cada ano da mesma maneira.
Nesse dia o sumo sacerdote levita agia como representante dos homens,
entrando na presença do Senhor para oferecer sangue em benefício dos homens
pecadores. Em nenhum outro lugar esta função é ilustrada mais vividamente do
que nos eventos do Dia da Expiação. Neste dia, o décimo dia do sétimo mês de
cada ano, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos do tabernáculo para fazer
expiação pelos seus próprios pecados e pelos do povo.
Lv 16:32-33: “E o sacerdote...
fará a expiação, havendo vestido as vestes de linho, isto é, as vestes
sagradas; assim fará expiação pelo santuário; também fará expiação pela tenda
da revelação e pelo altar; igualmente fará expiação e pelos sacerdotes e por
todo o povo da congregação”.
1. Demonstrações de
Expiação como meio para purificação do pecado. Se a
vida está no sangue (algo que a ciência tem confirmado ao longo dos séculos), a
necessidade de uma morte para pagar a justiça divina se daria, portanto, com o
derramamento do sangue.
a) A
primeira demonstração da expiação se dá no Éden, quando o Senhor mata um animal
para que se façam vestes de peles ao primeiro casal, para “cobri-los” da sua
nudez. A idéia da “expiação” como “cobertura”, portanto, vem desde os
primórdios da história humana.
b) A segunda
demonstração de que haveria necessidade de derramamento de sangue para a
restauração da comunhão entre Deus e o homem parece ter sido percebida por
Abel que, em sua oferta, apresentou um sacrifício cruento, vez que imolou
os primogênitos de seu rebanho para ofertá-los ao Senhor. Enquanto entendamos
que não foi a oferta em si que levou o Senhor a aceitar o gesto de Abel, não
deixa de ser elucidativo o fato de que Abel havia percebido a insuficiência
humana e a necessidade de uma obra expiatória para a restauração da comunhão
com Deus.
c) A
terceira demonstração que citamos aqui é a oferta de Noé após o
dilúvio(Gn 8:20). Deus demonstrou seu agrado com esta atitude ao estabelecer,
no pacto feito com Noé, que, no sangue, estava a vida (Gn.9:4).
d) Outra
demonstração é quando o Senhor estabelece um pacto com Abrão
confirmando-lhe a herança prometida(Gn 15:7). Deus manda Abrão fazer um
sacrifício firmando o pacto(Gn.15:9-21). Outra grande demonstração de fé foi
quando Deus pediu o sacrifício de Isaque (Gn.22).
e) Mas é na concessão da lei a
Israel que se vê, em todo o esplendor, a expiação como meio de purificação do
pecado. A lei contém inúmeras regras a respeito dos sacrifícios
de animais, demonstrando que só por meio deles o homem poderia aplacar a ira
divina sobre os pecados cometidos. As vítimas dos sacrifícios eram substitutas
dos pecadores (Lv.1:4), morriam em seu lugar e esta morte era necessária para
se manter estabelecer a santidade, ou seja, a pureza, a comunhão com o Senhor
(Ex.29:33,36,37).
O ponto alto desta representação,
desta figura da realidade espiritual era o dia da expiação, celebrado no décimo
dia do sétimo mês (Lv.16:29,30), dia em que os israelitas não poderiam fazer
qualquer trabalho além de jejuar. Era o dia em que o sumo
sacerdote ingressava no Santo dos Santos para fazer “… expiação sobre ele pelas
vossas gerações” (Ex.30:10). Ao lançar o sangue sobre o propiciatório, que era
a tampa da arca, o sumo sacerdote estava fazendo expiação “… pelo santuário por
causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas transgressões, segundo
todos os seus pecados e assim fará para a tenda da congregação que mora com
eles no meio das suas imundícias” (Lv.16:16).
Como se percebe, portanto, o
sacrifício que se fazia, o sangue que era levado para dentro do lugar
santíssimo era necessário para que Deus Se mantivesse presente no meio do povo,
para que houvesse comunhão entre Deus e Israel, apesar dos pecados cometidos.
Era um sacrifício que deveria ser renovado anualmente, porque o pecado era
apenas “coberto”, ou seja, era uma maneira de se manter precariamente a
apresentação do homem diante de Deus enquanto não viesse a “semente da
mulher”(Jesus Cristo), que reabilitaria a amizade de Deus com o homem.
2. Procedimentos efetivados
no Dia da Expiação. Todo israelita sabia que "aos dez deste
mês sétimo, será o Dia da Expiação" (Lv 23:27). Havia
sacrifícios diários pelo pecado, mas esse era um dia especial, de santa
convocação.
Levítico 16
descreve o que era feito neste dia. O sumo sacerdote,
depois de lavar seu corpo e vestir as vestes santas, punha um incensário
cheio de incenso no Santo dos Santos para formar uma nuvem sobre o
propiciatório. O Santo dos Santos era a menor das duas salas dentro do
tabernáculo.
A arca da aliança
ficava localizada nesta sala e era ali que Deus se encontrava com o homem. A
cobertura da arca da aliança era chamada de propiciatório. Dois bodes eram
escolhidos como oferenda pelo pecado e sortes eram lançadas sobre eles. Um bode
teria que ser morto e oferecido ao Senhor em benefício do povo; o outro seria
um bode emissário. Um novilho era selecionado também como uma oferenda pelo
sumo sacerdote e sua família.
O sumo sacerdote
matava o novilho fora do santuário propriamente e levava um pouco de sangue do
novilho para dentro do Santo dos Santos, onde aspergia-o sobre o propiciatório.
Em frente do propiciatório ele aspergia sangue, com o dedo, sete vezes, para
fazer expiação por seus próprios pecados e os de sua família. A nuvem de
incenso na sala protegia-o de ver o Senhor e morrer como conseqüência. Ele,
então, matava o bode selecionado por sorte para ser a oferenda e levava um
pouco de sangue para dentro do Santo dos Santos, mais uma vez espalhando o
sangue em cima e na frente do propiciatório, para fazer expiação pelos pecados
do povo. Depois, o bode vivo era levado para o deserto e solto, levando embora
consigo os pecados do povo. Os corpos do novilho, do bode e de um carneiro
oferecido como holocausto eram totalmente queimados.
Esse dia era impressionante,
santo e de grande importância porque os pecados de Israel eram expiados por
meio de sangue. Já que "é impossível que o sangue de touros e de bodes
remova pecados" (Hb 10:4), esse ritual devia repetir-se a cada ano
(Lv 16:34) até aquele dia grandioso em que Cristo seria "oferecido
uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos" (Hb 9:28).
3. A expiação tipificada. Há cinco
tipos específicos de ofertas mencionados em Levítico: a oferta
queimada (holocausto – Lv 1), a oferta de manjares(Lv 2), a oferta pacífica( Lv
3), a oferta pelo pecado( Lv 4) e a oferta pela culpa do pecado(Lv 5). Cada uma
destas ofertas e cada sacrifício oferecido pelo povo de Deus no tempo do Antigo
Testamento tinha a intenção de tipificar e retratar Jesus Cristo que havia de
vir. É preciso que aprendamos a lição de que todo o acesso a Deus em adoração
tem que ser em e através de Jesus Cristo e Seu sacrifício! Cristo Jesus é nosso
sacrifício – nossa oferta.
O alcance da expiação.
a) O fato de
que os sacrifícios do Antigo Testamento tinham de ser repetidos anualmente
indica que eles eram provisórios. Apontavam para um tempo futuro quando, então,
Cristo viria para remover de modo permanente todo o pecado confessado(cf Hb
9:28; 10:10-18).
b) Os dois
bodes representavam a expiação, o perdão, a reconciliação e a purificação
consumados por Cristo. O bode que era sacrificado representa a morte vicária e
sacrificial de Cristo pelos pecadores, como remissão pelos seus pecados(Rm
3:24-26; Hb 9:11,12,24-26). O bode expiatório, conduzido para longe, levando os
pecados da nação, tipifica o sacrifícios de Cristo, que remove o pecado e a
culpa de todos quantos se arrependem(Sl 103:12; Is 53:6,11,12; Hb 9:26).
c) Os
sacrifícios no Dia da Expiação proviam uma “cobertura” pelo pecado, e não a
remoção do pecado. O sangue de Cristo derramado na cruz, no entanto, é a
expiação plena e definitiva que Deus oferece à raça humana; expiação esta que
remove o pecado de modo permanente(cf Hb 10:4, 10,11). Cristo como sacrifício
perfeito(Hb 9:26) pagou a inteira penalidade dos nossos pecados(Rm 3:25,26;
6:23; Gl 3:13; 2 Co 5:21) e levou a efeito o sacrifício expiador que afasta a
ira de Deus, que nos reconcilia com Ele e que restaura nossa comunhão com
Ele(Rm 5:6-11; 2 Co 5:18,19).
d) O Lugar
Santíssimo onde o sumo sacerdote entrava com sangue, para fazer a expiação,
representa o trono de Deus no céu. Cristo entrou nesse “Lugar Santíssimo” após
sua morte e, com seu próprio sangue, fez expiação para o crente perante o trono
de Deus (Ex 30:10; Hb 9:7,8,11,12,24-28).
e) Visto que
os sacrifícios de animais tipificavam o sacrifício perfeito de Cristo pelo
pecado e que se cumpriram no sacrifício de Cristo, não há mais necessidade de
sacrifícios de animais depois da morte de Cristo na cruz (Hb 9:12-18).
IV – O SENTIDO DA EXPIAÇÃO
EM O NOVO TESTAMENTO
1. A necessidade da
expiação. A realidade bíblica da necessidade de expiação é
encontrada logo após a queda do homem. Quando Deus se apresentou ao primeiro
casal naquele dia fatídico, o casal fugiu da presença de Deus, notando não ter
mais condições de estar diante do Senhor. A expiação se apresenta, pois,
como uma necessidade, como um processo indispensável para que o homem retorne à
comunhão com Deus, perdida com o pecado. A expiação, ademais, é atitude que
tem seu nascimento no próprio Deus, pois sendo Ele o único Ser puro e santo,
somente dEle poderia provir um meio para a purificação do homem, que, preso no
lamaçal do pecado, não tinha mais como se apresentar diante de Deus, apenas
inutilmente tentado fugir de sua presença. Esta reconciliação, porém, não se
faria sem que houvesse morte, pois o pecado tem um preço, uma conseqüência, que
era a morte, como bem demonstrou o próprio Deus ao sentenciar a humanidade pela
sua falta, morte esta que teria de se dar de modo integral, ou seja, como
separação entre corpo e homem interior (alma e espírito), como separação de
Deus, mesmo que não houvesse cometimento de pecado. Por isso, o escritor aos
hebreus é tão contundente: “sem derramamento de sangue, não há remissão”
(Hb.9:22b). Sem que houvesse a morte física de um justo para pagar a justiça
divina, não se teria um “meio de purificação” que permitisse a restauração da
comunhão entre Deus e o homem.
2. Por que há a necessidade
da Expiação? A lei mosaica previa a expiação anual do pecado do
povo, mediante o sacrifício no lugar santíssimo, a fim de que o pecado do povo
fosse coberto e a execução da penalidade referente ao pecado, que é a
morte, fosse adiada até que viesse a solução para o problema do
pecado(Lv.16:29-34). O pecado, então, era coberto, até que pudesse ser removido
(Sl.32:1), o que somente ocorreu com a morte de Cristo na cruz do Calvário, o
Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo (Jo.1:29b), tanto que, com a sua
morte, o véu do templo, que separava o lugar santíssimo do restante do templo,
foi rasgado de alto a baixo(Mt.27:51), para mostrar que se havia aberto um novo
e vivo caminho a Deus (Hb.10:19,20).
Sem que o justo entregasse sua
vida em favor dos injustos, não seria possível a salvação. Para que o pecado
fosse removido, para que a morte, que é a separação entre Deus e os homens,
fosse eliminada, fazia-se absolutamente necessário que um não pecador morresse
em lugar dos pecadores. A morte de Jesus, o derramamento do Seu sangue era
absolutamente imprescindível para que houvesse o resgate da humanidade. Por
isso, Jesus disse que veio para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos
(Mc.10:45).
3. A Expiação e o Sangue de
Cristo. Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, é "santo,
inculpável, sem mácula, separado dos pecadores... que não tem necessidade, como
os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus
próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas,
quando a si mesmo se ofereceu" (Hb 7:26-27). Cristo, por meio de
seu sangue, entrou no lugar santo do céu, tendo obtido para nós a redenção
eterna e agora apresenta-se a nosso favor diante da face de Deus (Hb 9:12,
24). O resultado da expiação é nossa "redenção,
pelo seu sangue, a remissão dos pecados" (Ef 1:7). Na
verdade, ele "nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos
pecados" (Ap 1:5). Onde há remissão de pecados, "já
não há oferta pelo pecado" (Hb 10:18), porque Cristo é a propiciação
pelos nossos pecados, o meio pelo qual Deus se reconcilia ao homem pecador (1
João 2:2).
1. Tem efeito retroativo. Jesus
morreu pelo mundo inteiro, como nos ensina o chamado “texto áureo” da Bíblia
Sagrada. Deus amou o mundo e deu o Seu Filho para que todo aquele que nEle crê,
não pereça, mas tenha a vida eterna. Além de nos mostrar que Jesus morreu por
nós, que pagou o preço para a nossa salvação, preço este que foi o seu próprio
sangue (I Pe.1:18,19), a Bíblia também nos ensina que a morte de Cristo
representou a expiação dos pecados de todo o mundo (I Jo.2:2). O sacrifício de
Cristo foi perfeito, completo e suficiente para salvar a todos os homens, desde
o primeiro casal até o último homem que nascerá sobre a face da Terra (Hb.9:24-28).
A expiação feita por Cristo é
completa e ilimitada, porque Ele é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo”. Jesus morreu em lugar de todos os homens, por isso “… o castigo que nos
traz a paz estava sobre Ele…”(Is.53:5) e “…O Senhor fez cair sobre Ele a
iniqüidade de nós todos” (Is.53:6).
2. Tem efeito no presente. Como se
não bastasse isso, a Bíblia ainda nos diz que, quando Jesus morreu, o véu do
templo de Jerusalém, que separava o Santo do Santo dos Santos se rasgou de alto
a baixo, numa clara demonstração de que a separação que havia entre Deus e os
homens, por causa do pecado, havia cessado(Mt.27:51). A partir de então, o povo
não precisaria mais ficar longe do lugar santíssimo no dia da expiação
(Lv.16:17), mas pode entrar na presença do Senhor com ousadia, pelo novo e vivo
caminho aberto pelo Senhor, por sua morte (Hb.10:19,20). Jesus Disse: “Em
verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que
me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para
a vida”(João 5:24).
3. Tem efeito no futuro. O último
estágio do processo da salvação é a glorificação, glorificação esta que
só acontecerá por causa do nosso redentor, que realizou o sacrifício perfeito e
eterno com o objetivo de remover o nosso pecado e nos reconciliar com Deus.
Quando ocorrer a glorificação, atingiremos, finalmente, a estatura de “varão
perfeito”(Ef 4:13).
3. A expiação é ilimitada,
mas condicionada à vontade de cada ser humano. O
versículo de João 5:24, citado acima, já demonstra a condicionalidade da
salvação. A Bíblia é clara ao dizer que Jesus morreu por todos os homens e que
seu sacrifício é suficiente para a remoção do pecado do mundo. Ele é a
propiciação pelos pecados de todo o mundo. Entretanto, por que, então, todos os
homens não se salvam? Porque não podemos confundir salvação com expiação. Para
que haja salvação, é preciso que haja expiação. Sem expiação, não há salvação.
Mas a salvação, além da expiação, exige a fé do homem. Jesus, ao anunciar o
Evangelho, chamou o povo ao arrependimento e à fé no Evangelho (Mc.1:15).
Alcançamos a justificação pela fé em Cristo (Rm.5:1).
Numa linguagem jurídica, a morte
de Cristo satisfez a justiça divina e tem poder para remover o pecado do mundo
inteiro. É um sacrifício real, válido, mas que, para gerar efeitos na vida de
cada homem, precisa ter a aceitação deste sacrifício pelo pecador. Se o pecador
aceita este sacrifício e crê que ele é capaz de remover os seus pecados, tem-se
a remoção, tem-se o perdão, o sacrifício produz o efeito e a pessoa é tornada
pura, é santificada, alcança a salvação. Se, entretanto, a pessoa não crê no
sacrifício de Cristo, os seus efeitos não se produzem para ela. Ele não deixa
de ser eficaz, ele não deixa de ter valor para todos os homens, mas, ante a
rejeição da pessoa, rejeição esta que se persistir até a passagem da pessoa até
a dimensão eterna será permanente e imutável, a expiação não produzirá os
efeitos para aquela pessoa. A expiação, portanto, é ilimitada, mas condicionada
à vontade de cada ser humano.
1. A salvação do homem é
fruto exclusivo do amor de Deus. Deus precisou se humanizar e
morrer em lugar do homem para que o homem pudesse ser purificado dos seus
pecados. A expiação somente se fez possível porque Deus aceitou morrer em nosso
lugar, pagar o preço pela sua própria justiça, embora os pecados fossem nossos.
Quando percebemos esta realidade, eliminamos toda presunção e todo e qualquer
“direito” que achamos ter em relação a Deus. Tudo que temos é por graça, por um
favor imerecido de Deus, este Deus que morreu em nosso lugar para nos salvar.
2. Jesus morreu por nós
como um verdadeiro, necessário e suficiente sacrifício para remoção dos nossos
pecados. A morte de Jesus foi a mais cara e mais
espetacular vitória de que se tem notícia. Ela tornou viável o perdão de
pecados e possível a salvação de todos os que crêem. A morte vicária de Jesus
era constantemente anunciada por meio dos rituais e das cerimônias religiosas
dos judeus. Todavia, Ele não morreu simlesmente para cumprir as profecias.
Jesus morreu porque “é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados”
(Hb 10.4).
No momento exato em
que Jesus entregou o espírito, por volta das 3 horas da tarde daquela
sexta-feira, “o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo”(Mt
27.51). Essa cortina espessa que separava o santuário do lugar santíssimo,
também chamado Santo dos Santos, simbolizava a impossibilidade de o homem,
absolutamente pecador, se aproximar de Deus, que é absolutamente santo. A
morte de Jesus foi o sacrifício que abriu o caminho até Deus. Desde então, “temos
plena confiança para entrar no Santo dos Santos [na presença de Deus] por um
novo e vivo caminho que Ele nos abriu por meio do véu, isto é, de seu corpo”
(Hb 10.19,20). Negar a morte de Jesus ou menosprezar o seu
valor será fatal para aquele ou aquela que não mudar essa posição, a
conseqüência será, certamente, a perdição eterna, pois não há perdão dos
pecados se não se crer na obra redentora de Cristo no Calvário –“ os quais
sofrerão, como castigo, a perdição eterna,
banidos da face do senhor e da glória do seu poder”(I
Ts 1:9).
A morte de Cristo era
necessária, conforme explicou Jesus: “Começou então a
ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muitas coisas,
que fosse rejeitado pelos anciãos e principais sacerdotes e pelos escribas, que
fosse morto, e que depois de três dias ressurgisse”(Mc 8:31).
Deus, em sua santidade, exigia a
penalidade do pecado. Nos sacrifícios do
Antigo Testamento era indispensável uma vitima para ser oferecida pelo pecado,
mas era uma oferta imperfeita, pois
só apenas cobria o pecado, não o extinguia; agora surge o sacrifício
perfeito do “Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo”(Jo 1:29). O sacrifício no Antigo testamento era realizado
em substituição ao pecador, assim o Cordeiro de Deus, santo, imaculado, assumiu
o nosso lugar.
3. Jesus é o representante
da humanidade diante de Deus e só Ele tem este direito, pois só Ele assumiu o
lugar do homem para satisfazer a justiça divina. Se o Senhor
hoje intercede pelos transgressores à direita de Deus (Is.53:12; Mc.16:19), foi
porque bebeu o cálice (Mc.10:38) e se fez maldição por nós (Gl.3:13). Sua
exaltação foi posterior à sua humilhação (Fp.2:8,9). Por isso, ninguém tem o
direito nem a condição de se fazer mediador entre Deus e os homens, senão
unicamente Jesus (I Tm.2:5; Hb.8:6; 9:15; 12:24).
4. A nossa Salvação é mais
valiosa que o mundo inteiro. A nossa Salvação custou o
sangue de Cristo Jesus, do Cordeiro imaculado e incontaminado (I Pe.1:18,19),
por isso é extremamente preciosa, vale mais que o mundo inteiro. Por isso, nada
deve ser mais guardado, mais conservado e fruto do nosso zelo do que a nossa
salvação. Por isso, devemos buscar primeiro o reino de Deus e a sua
justiça(Mt.6:33), justiça esta que nos é evidenciada pela doutrina da expiação
5. A apostasia, ou seja, o
desprezo deliberado e voluntário do sacrifício de Cristo por parte de um salvo,
é algo que não pode ter perdão. Como escapar se não atentarmos
para uma tão grande salvação? Como esperar que alguém que, sendo ciente do
valor do sacrifício de Cristo, de novo o crucifique, rejeite-O e o exponha ao
vitupério, possa ter novamente oportunidade de salvação (Hb.6:4-8)? Por isso,
saibamos quão grave é desprezar a obra redentora do Calvário e, assim, nos
mantermos purificados por este sangue, em comunhão uns com os outros, até
aquele grande dia (I Jo.1:7-9).
Jesus, por seu próprio sangue,
entrou uma vez no santuário, e efetuou uma eterna redenção(Hb 9:12). Ele pagou
o preço dos nossos pecados, num único sacrifício (Hb.9:26,28), que tirou o
pecado do mundo. Agora, se crermos em Jesus e entregarmos nossa vida a Ele,
estaremos livres do domínio do pecado. Verdade é que, incidentalmente, como
ainda estamos na dimensão do pecado (lembremos que o homem é livre, pode
escolher entre o bem e o mal e que a natureza pecaminosa, embora contida, não
foi, ainda, extirpada, o que somente ocorrerá na glorificação), voltamos a
transgredir, mas, então, pedimos perdão a Deus, sem necessidade de novo
sacrifício, por intermédio de Jesus Cristo, cujo sangue nos vai purificando de
todo o pecado (I Jo.1:7), que defende a nossa causa diante do Pai (I Jo.2:1).
Este pedido de perdão, inclusive, é resultado de nossa nova natureza, pois,
imediatamente, sentimos, na transgressão, o entristecimento do Espírito
Santo(Ef.4:30), o que nos leva a buscar o perdão (Sl.51:1-12).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof EBD – Assembléia de Deus – Ministério
Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de
Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. - Comentário Bíblico do
Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco. Pr. Antonio Sebastião da Silva