Aula 05
Leitura Bíblica:Is 43:11-13;Ef 1:4,5; João 3:16
02/11/2008
“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”(Fp 2:13).
Nesta aula iremos discutir um dos pontos mais polêmicos da doutrina cristã: a questão da liberdade do homem e da soberania de Deus ante o plano divino para a salvação. É sabido que este tema é um dos que mais dividem os estudiosos das Escrituras Sagradas, de modo que, sem querermos ter o condão de encerrar uma discussão milenar, devemos humildemente apresentar as versões existentes e demonstrar aquela que é acolhida pela nossa denominação, a Assembléia de Deus.
1. Deus é Onipotente - A onipotência de Deus ensina-nos que Ele tem todo o poder(Sl.62:11), ou seja, não existe ser mais poderoso do que Ele. Daí porque o Senhor afirmou através do profeta Isaias: “operando eu, quem impedirá?” (Is.43:13). São Paulo verificando esta verdade indagou: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm.8:31), e o apóstolo João ressaltou: “Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.” (I Jo.4:4).
Um dos graves equívocos do ser humano é tentar construir estruturas de poder fora de Deus. Em Babel, a rebeldia se iniciou quando Ninrode começou a atribuir o poder para si (Gn.10:8). O orgulho, a soberba e a arrogância do homem, que o levam a se achar poderoso e a querer a glória para si, ao invés de reconhecer a onipotência de Deus e a glória que só a Ele é devida, tem sido a principal causa de derrota e fracasso na vida de tantas pessoas. Que Deus nos guarde de assim agirmos, correndo o risco de virarmos animais (Dn.4:30-37), como Nabucodonosor ou sermos comidos de bicho como Herodes (At.12:21-23).
Quando se diz que Deus é onipotente, ou seja, pode fazer todas as coisas, evidentemente não estamos a dizer que Ele possa pecar. Muito pelo contrário, por sabermos que Deus é santo, ou seja, um ser que não pode jamais pecar, compreendemos que a onipotência não envolve a possibilidade de pecar, pois a onipotência tem a ver com os seres criados, não com o próprio Deus em si mesmo(Sl.145:17). Tanto é assim que é a própria Bíblia quem nos diz que Deus não pode mentir (Hb.6:18; Nm.23:19; Tt.1:2), já que Ele próprio é a verdade.
No relato da criação, vemos que Deus do nada fez tudo, algo que ninguém jamais poderia nem poderá fazer. Deus tem todo o poder, daí porque um de seus nomes é “Todo-Poderoso” (El Shadai- Gn.17:1; 28:3; Jó 5:17; 6:4,14), nome, aliás, que é abundante no livro de Jó, considerado o mais antigo livro das Escrituras, e que é um título divino característico da época dos patriarcas. Ele sustenta susa criação através das leis por Ele estabelecidas(At 17:25; Sl 119:90,91).
2. A Onipotência e a Vontade de Deus. A Onipotência de Deus é um atributo que só pertence a Ele. Ele pode fazer o que quer, pois é soberano também, todavia, o Senhor que tudo pode(Jó 42:2) só faz o que lhe agrada(Sl 115:3). Ele é poderoso para fazer tudo o que lhe apraz, todavia, só fará de fato o que está de acordo com a sua vontade.
A primeira questão que se põe é o fato de que, como Deus é Onipotente e Soberano, não há qualquer ser acima dEle, não há qualquer limite para a atuação divina, ou seja, Deus poderia, em tese, simplesmente deixar de cumprir uma promessa, já que é o “manda-chuva”, Aquele que não deve satisfação a ninguém e que, portanto, pode fazer o que bem entender, pois é completamente livre e ilimitado. Muitos, inadvertidamente, assim entendem e, por isso, consideram que Deus pode, se o desejar, mudar planos, trazer mensagens e promessas que não tenham qualquer respaldo bíblico, já que “Deus é Deus e faz como quer”. No entanto, não é este um pensamento correto, porquanto, embora Deus seja soberano, Ele não é arbitrário.
É interessante notar que o pensamento da ilimitação de Deus e de sua completa liberdade existe em relação a Ele próprio. Deus é completamente livre em relação a Si mesmo, pois, Deus não tem qualquer compromisso, é completamente livre, faz o que bem quer. Por isso, antes da fundação do mundo, se o quisesse, não teria criado o mundo nem qualquer ser moral. No entanto, por sua soberana vontade, criou os céus e a terra e, a partir de então, estabeleceu um relacionamento com algo que Lhe é exterior.
A partir do momento que deliberou e, por conseguinte, criou todas as coisas, usando, para tanto, de sua Palavra, o Senhor assumiu compromissos, compromissos estes que, por força de seu caráter, visto que é um Ser eterno, santo, justo, verdadeiro e amoroso, são imutáveis e devem, inevitavelmente, ser completamente cumpridos.
Esta circunstância encontra-se bem explanada em Is.55:10,11, que diz: “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.”
Tendo Deus, por sua vontade, dito algo, este Seu querer torna-se um compromisso, não porque Deus tenha deixado de ser o soberano, mas em virtude de seu caráter. Deus é soberano e não deve satisfação à sua criação, de modo que é totalmente enganoso o ensino, muito disseminado nos dias de apostasia em que vivemos, de que os homens têm “direitos” diante de Deus, de que o Senhor é “obrigado” a fazer isto ou aquilo, diante de “Suas promessas”.
Deus não tem que dar satisfação a ninguém, a não ser a Ele mesmo. Ele cumpre as suas promessas não porque os homens tenham “direitos” e possam lhe fazer “exigências” ou, como se costuma dizer, “requerer de Deus o cumprimento”, usando o verbo “requerer” não no sentido de pedir, mas no de reclamar, tomar satisfação. Um tal ensino é um acinte à soberania divina, uma verdadeira blasfêmia, que não ficará impune.
Deus, ao falar algo, ao assumir um compromisso, como diz o texto do profeta Isaías mencionado, assume um compromisso com Ele mesmo. Deus é fiel, como dizem as Escrituras (I Co.1:9; 10:13; II Co.1:18), ou seja, cumpre a sua Palavra, não porque o homem passe a Lhe mandar, mas, sim, porque o caráter de Deus diz que Ele não muda (Ml.3:6), é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10), é justo (Ex.9:47; II Cr.12:6; Sl.11:7) e que, portanto, sua Palavra só pode ser “sim e amém” (II Co.1:20).
Certo teólogo afirmou que Deus “pode fazer tudo o que quer, mas não quer fazer tudo o que pode”. Isto significa que o poder de Deus está sob o controle de sua sábia vontade. O apóstolo João deixou isso claro: “E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”( 1 Joião 5:14).Os atributos de Deus operam a vontade divina em perfeita harmonia e equilíbrio.
O Eterno jamais se contradiz e nunca entra em desacordo com sua revelação aos homens. Deus não muda, nem pode mudar, pois, sendo eterno, sendo desde sempre, da forma como é, permanecerá a ser indefinidamente. Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Ml.3:6; Tg.1:17). Ele sempre é o mesmo (Sl.102:27; Hb.1:12). Esta imutabilidade de Deus é uma garantia para o homem, como se vê, por exemplo, quando do juramento que Deus fez a Abraão (Hb.6:17,18). Desta imutabilidade, decorre a fidelidade divina para com a Sua criação, como veremos infra.
Ao se falar na imutabilidade de Deus, alguns poderão questionar tal qualidade pela circunstância de que, por mais de uma vez, a Bíblia nos fala que Deus Se arrependeu de ter feito algo, como, por exemplo, em passagens como Gn.6:7; I Sm.15:11,35, II Sm.24:16, I Cr.21:15, Jr.26:19; Am.7:3,6; Jn.3:10. Haveria, assim, uma contradição nas Escrituras, já que o arrependimento é incompatível com um Deus que não muda?
Muitos procuram enxergar nestas passagens bíblicas um “furo” na Bíblia Sagrada, uma “contradição” bíblica, nesta busca insana que os inimigos da Palavra de Deus têm para tentar desacreditar o seu Criador. Entretanto, uma vez mais, são eles fracassados neste seu intento. A expressão bíblica de “arrependimento” em relação a Deus nada mais é que uma “antropopatia”, ou seja, uma expressão de nossa linguagem para tentar nos fazer compreender uma atitude divina. Deus está acima da nossa compreensão e, por isso, temos de nos valer da pobreza de nosso vocabulário para tentar compreender e entender as ações divinas. É o que acontece com a palavra “arrependimento”.
Na verdade, todas as vezes em que a Bíblia menciona que “Deus Se arrependeu”, o que está em foco não é uma mudança de Deus em Suas atitudes, mas, sim, uma resposta de Deus em virtude da mudança proporcionada pelo comportamento humano. Deus criou o homem para servi-lO e adorá-lO, bem como para conviver com Ele. Porém, o homem pecou e, por isso, em virtude da própria imutabilidade de Deus, Deus, que não pode conviver com o pecado, teve de expulsar o homem da convivência consigo. O homem prosseguiu no seu pecado, até atingir o limite da tolerância divina e, portanto, em virtude desta mudança do homem, Deus, para manter a Sua posição, teve de determinar a destruição de toda a carne sobre o planeta. Assim, o “arrependimento” de Deus não é uma mudança de Deus, mas a manutenção da posição de Deus, da sempre e mesma posição de Deus, diante da constante mudança do homem. E assim por diante. É o que ocorreu com Saul, com os juízos sobre Saul, o povo de Israel no tempo de Davi ou durante os ministérios de Jeremias e de Amós, o que ocorreu com o povo de Nínive durante o ministério de Jonas.
II – A SOBERANIA DE DEUS E O LIVRE-ARBÍTRIO HUMANO
1. A soberania divina. Sendo um dos seus atributos (aquilo que lhe é próprio, qualidade), a soberania de Deus é uma autoridade inquestionável que o Senhor detém sobre o Universo, pelo fato óbvio de que Ele é o Criador de todas as coisas(Is 44:6;45:6; Ap 11:17).
Por ser soberano, Deus resolveu, decidiu criar todas as coisas e, por isso, o mundo foi criado, pois, em Deus, o simples desejo já é efetuar (Fp.2:13).
Por ser soberano, Deus quis criar os homens com o livre-arbítrio, ou seja, com liberdade para escolher entre o bem e o mal, algo que explicitaremos infra.
Por ser soberano, Deus sabe o que é o bem e, por isso, como nenhum outro ser, tem condições de permitir, na vida dos homens, ocasiões e circunstâncias que, aparentemente más, contribuem para o bem dos indivíduos.
Por ser soberano, Deus pode chamar os homens ao arrependimento, mesmo depois de eles terem pecado, dando uma oportunidade de salvação ao pecador.
Por ser soberano, Deus sabe, de antemão, quem atenderá ao seu chamado e quem não o fará. Por ser soberano, Deus pode conceder a vida eterna apenas aos que atenderem ao seu chamado. Vemos, pois, que o fato de Deus ser soberano tem, logicamente, implicações no plano estabelecido para a salvação do homem. Este plano só existe porque Deus é soberano e quis criar uma forma de o homem se livrar do pecado.
Como Deus é soberano, a forma por Ele estabelecida é a única maneira de o homem alcançar a salvação. Entretanto, a soberania divina não interfere na liberdade do homem, porque a soberania diz respeito a Deus, que está além de toda a criação, é algo imputável somente a Ele, faz parte da sua própria natureza e, por isso, não podemos querer transferir a soberania divina para algo que diz respeito apenas ao homem.
2. O Livre-Arbítrio humano. O que é “Livre-Arbítrio”? Livre-Arbítrio é a faculdade mediante a qual o homem é dotado de poder para agir sem coações externas, e de acordo com sua própria vontade ou escolha. Como um livre agente, o ser humano tem a capacidade e a liberdade de escolha, inclusive a de desobedecer a Deus(Dt 30:11-20 e Js 24:15). Isso, por si só, é suficiente para que ele seja responsável pelas conseqüências de seus atos.
A Bíblia contém uma série de textos em que o direito humano de escolha fica claro: Adão e Eva, no jardim do Éden, podiam escolher o fruto que comeriam. Escolheram a desobediência e foram castigados por causa dela. Se estivessem predestinados a pecar, Deus não os condenaria. Depois vieram Caim e Abel. Deus deixou claro para Caim que, se ele mudasse sua atitude, sua oferta poderia ser aceita (Gn.4.7); por outro lado, havia a opção pelo pecado; se tudo estivesse predestinado e predeterminado por Deus, por quê o Senhor haveria de alertá-lo? É bom observarmos que Caim estava morto espiritualmente, mas isso não significava incapacidade de ouvir a voz de Deus, crer e decidir.
Outras passagens interessantes: “Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js.24.15). “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt.30.19).
Portanto, a liberdade humana, o livre-arbítrio, é uma manifestação da vontade divina. Deus quis que o homem tivesse esta liberdade e, por isso, não cabe a nós querer estabelecer limites ou objeções ao Senhor por causa desta liberdade. Deus fez o homem com poder de servi-lo ou não e, por isso, nós, simples seres humanos, não podemos querer obrigar os homens a servir a Deus. Quem cerceia, pois, a liberdade de opção do homem em servir, ou não, a Deus, algo que, infelizmente, muitas vezes foi praticado em nome do Senhor, atenta, antes de mais nada, contra a própria ordem estabelecida por Deus, que foi quem criou o homem com esta faculdade.
Mas, a liberdade que Deus deu ao ser humano, tem uma correspondência: a responsabilidade. Ao verificarmos o texto sagrado de Gn.2:16,17, notamos que Deus deu uma ordem ao homem no sentido de que ele comesse livremente de todas as árvores do jardim do Éden, com exceção da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que ele dela comesse, certamente morreria. O homem poderia escolher entre o bem e o mal, mas, no dia em que desobedecesse a Deus, em que escolhesse o mal, adviria uma penalidade, qual seja, a morte, a separação entre o homem e Deus (“certamente morrereis”). A contrapartida do poder dado ao homem para escolher entre o bem e o mal era a de que deveria responder diante de Deus pela escolha feita, arcando com as conseqüências de sua opção. Esta idéia de responsabilidade mostra, claramente, duas coisas, a saber:
a) não existe liberdade sem responsabilidade. O homem não faz o que quer sem qualquer conseqüência, uma vez que a sua liberdade não é o direito de ditar as regras para si, mas de optar entre seguir, ou não, as regras estabelecidas por Deus. Liberdade não se confunde, pois, com libertinagem, como, infelizmente, tem sido propagandeado pelo mundo ao longo dos séculos e, muito intensamente, nos dias em que vivemos.
b) a liberdade humana não altera a soberania divina. O uso da liberdade pelo homem deverá ser objeto de prestação de contas diante de Deus, que é o soberano, a máxima autoridade. O plano da salvação, pois, não elide nem sequer diminui a soberania divina.
Deus fez o homem com o poder de escolher entre o bem e o mal, sendo real a possibilidade da escolha do mal, só que, uma vez feita a escolha pelo mal, o homem sofrerá a penalidade da morte, ou seja, da separação de Deus, arcando com as conseqüências de sua opção. Ao criar o homem com liberdade, Deus também estabeleceu que o homem responderia diante dEle sobre o uso desta liberdade.
Face ao disposto acima, como conciliar o direito de liberdade do homem com a soberania divina? Para entender isso analisemos os dois aspectos da vontade divina:
a) Vontade permissiva e livre-arbítrio. Deus é onipotente, onipresente e onisciente, e, em virtude destes atributos, é soberano, visto que tem todo o poder, está presente em todos os lugares ao mesmo tempo e sabe de todas as coisas. Sem tais atributos, com os quais se relaciona com o mundo, não poderia ser soberano, não teria a autoridade suprema sobre tudo e sobre todos. Esta soberania é tanta que permitiu que seres fossem criados com um atributo, o livre-arbítrio, ou seja, a liberdade de escolher entre servir, ou não, a Deus.
O Senhor não quis criar seres autômatos, verdadeiros “robôs”, mas, na sua soberania, quis que fossem criados seres que, assim como Ele, pudessem saber o que é o bem e o que é o mal, e, portanto, tivessem liberdade para escolher fazer o bem, seguindo, assim, as determinações divinas ou de fazer o mal, ou seja, escolherem ter uma vida em que estivessem distantes de Deus. Essa liberdade de escolha aparece já nos primórdios de Gênesis, na aurora da raça humana, quando o primeiro casal dá ouvidos à serpente e comete por sua livre vontade a primeira transgressão contra Deus(Gn 3:1-13).
É importante, portanto, salientar que o fato de haver seres com liberdade (anjos e homens), isto em nada diminui a soberania de Deus. Pelo contrário, a existência de seres com liberdade é a maior prova de que Deus é soberano, pois está tão acima dos seres criados que lhes permite, inclusive, dar as costas para Ele. O fato de Deus permitir que alguns dos seres criados possam não Lhe obedecer não é qualquer fragilidade ou diminuição na autoridade de Deus sobre tudo, mas, antes, a reafirmação desta autoridade, pois o fato de seres criados poderem desobedecer a Deus não retira o fato de que Deus mantém o controle sobre tudo, tanto que tais seres serão responsabilizados pela desobediência no tempo, modo e lugar já previamente determinado pelo Senhor.
b) Vontade diretiva e predestinação. A vontade diretiva de Deus opera em conformidade com sua sabedoria e soberania. Ele rege o curso da história, e controla o Universo de acordo com seus eternos propósitos( Sl 33:11; At 2:23; Ef 1:4-9). Tudo o que planejou certamente será executado. Diz o texto sagrado: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?”(Is 43:13). Portanto, a liberdade do homem construiu-se debaixo da soberania divina, não havendo, pois, qualquer incompatibilidade, qualquer conflito entre o fato de Deus ser soberano e o homem, livre para escolher entre o bem e o mal. Essa liberdade está sujeita à vontade e às determinações de Deus. É nesse ponto que deparamos com a doutrina da predestinação.
III – PREDESTINAÇÃO E LIVRE-ARBÍTRIO
A predestinação dos salvos é precedida da sua eleição: “como também nos elegeu nEle antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em amor, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.4,5). Vemos então que a nossa eleição divina precede a nossa predestinação também por Ele. Eleição divina é o ato pelo qual Deus, por sua graça e amor, escolhe um povo para si mesmo, para a salvação. Predestinação, na visão bíblica, é o ato divino pelo qual Deus determina o futuro desse seu povo; o que o ocorrerá a esse povo. A eleição divina envolve a salvação (2Ts 2.13). Portanto, todos aqueles que aceitam a Jesus como seu Salvador são “eleitos de Deus”.
1. A predestinação e o livre-arbítrio. A soberania divina está acima do livre-arbítrio, mas não para salvar ou condenar alguém sem que tal pessoa tenha direito de escolha. Por sua soberana vontade, Deus usa a quem ele quer para que seus propósitos se cumpram na terra, mesmo que essas pessoas não queiram. Se elas serão salvas, é outro assunto, e dependerá do livre-arbítrio de cada um. É verdade que Deus endurece o coração de algumas pessoas, em algumas circunstâncias, visando propósitos definidos. Entretanto, ele só faz isso com aqueles que lhe deram motivo, devido às suas próprias escolhas anteriores. Se alguém rejeita o Senhor, ele poderá utilizar estas mesmas pessoas em alguma parte do seu plano, embora elas não venham a ser salvas. Faraó não era um servo de Deus. Por quê? Porque não quis. Estando definida sua posição, Deus o usou como instrumento para que o poder divino fosse conhecido pelos egípcios e pelos israelitas através das dez pragas.
Se alguém não quiser ser um vaso para honra, será um vaso para a desonra. De qualquer forma, poderá ser útil no plano geral de Deus. Foi o que aconteceu também com Judas Iscariotes. Dizem aqueles que se opõe ao livre-arbítrio do ser humano que Judas era um demônio encarnado. Judas jamais poderia ser um diabo encarnado porque:
Era ovelha: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”(Mt 10.16);
Participou da ceia: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”(Jo 6.54). Observe este detalhe: “E logo após a ceia entrou nele, Satanás. Disse-lhe, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa”(Jo 13.27). Observe o termo: “Entrou”. Se entrou, é porque estava fora. Ele, Judas Iscariotes estava não somente condenado, mas também já possuía em seu caráter o material da perdição.
Judas recebeu poder: “E, chamando a si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para expulsarem, e para curarem toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 10.1). Jesus deu aos doze discípulos poder para expulsar os demônios e Judas era um dos doze; ora se Judas era um demônio, como é que um demônio ia expulsar outros demônios com o poder de Deus; porventura a luz tem comunhão com as trevas? Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?(Mt 12.26).
Judas seguiu Jesus, conheceu-o profundamente, aprendeu com ele nos três anos de Ministério. Sendo um homem de confiança, foi escolhido para ser tesoureiro do grupo. Um dia, porém, usou parte do dinheiro em benefício próprio. Acostumou com esta prática pecaminosa, tornou-se ladrão, segundo afirmou o apóstolo João:”...era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava”(Jo 12:6). O pecado continuado através da prática de desvio de dinheiro, ou de furto, levou Judas a perder sua sensibilidade espiritual. Certamente, que sua ambição pelo dinheiro e pelo poder, foi crescendo, gradativamente. Pressentindo que Jesus não seria proclamado Rei, tomou a decisão de entregá-lo às autoridades judaicas, por dinheiro, é claro! Com seus olhos espirituais cegos pela “avareza, que é idolatria”(Cl 3:5), Judas esqueceu-se de tudo o que havia feito através do poder de Deus que recebera, esqueceu-se de tudo que tinha visto Jesus fazer nos três anos que esteve com ele, desprezou o fato de saber que ele era o Filho de Deus e por trinta moedas de prata – Mt. 26:14-16 – consumou o pecado da apostasia. Não havia mais possibilidade de retorno para Judas – “...retirou-se e foi-se enforcar”(Mt 27:5).
Podemos deduzir que Judas cumpriu as Escrituras, e que esse cumprimento era necessário. Mas em tudo quanto fez, de alguma maneira ele jamais deixou de exercer a sua vontade livre; ele preferiu a maldade, tornou-se maldoso e se perdeu por causa dessa maldade. Judas perdeu-se a si mesmo. Até depois que traiu seu Mestre poderia ter sido salvo, se realmente tivesse arrependido e fugido para a cruz. Está escrito a seu respeito que ele nunca desejou a bênção da salvação: “Visto que amou a maldição, que ela lhe sobrevenha! Como não desejou a bênção, que ela se afaste dele!” (Sl. 109.17).
O caso de Caim. Outro personagem que os seguidores da predestinação fatalista sempre cita é o caso de Caim. O versículo chave que eles usam é de 1 João 3:12: “não sendo como Caim, que era do Maligno, e matou a seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas”.
Deus, antes que Caim pecasse, advertiu-o de que, caso não fizesse o bem, o pecado o dominaria (Gn.4:7). Pois bem, mesmo depois de Caim ter pecado, matando seu irmão, Deus, querendo o arrependimento de Caim, concedeu ao homicida uma proteção para que não fosse, também, assassinado, o tão discutido “sinal de Caim” (Gn.4:15), cuja natureza, fruto de toda a discussão, não tem importância frente ao seu significado, que era o de permitir ao pecador uma oportunidade para se arrepender. No entanto, Caim, assim que recebeu esta dádiva divina, saiu da presença do Senhor e se voltou para as coisas materiais, selando, assim, a sua triste sorte (Gn.4:16,17). Observe o que Deus disse para Caim antes que ele matasse a seu irmão: “Porque andas irado? E por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz á porta; o o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”(Gn 4:6,7). Amados, a Bíblia não poderia ser mais clara! Deus deu a Caim o direito de escolha: se ele procedesse bem, seria aceito; se procedesse mal, seria rejeitado. Deus ainda disse: “... o seu desejo será contra ti, mas cumpre a ti dominá-lo “. Quer dizer, a decisão era dele. Cabia ao próprio Caim dominar o seu desejo e ter uma atitude que não desonrasse a Deus. Está claro que Caim poderia ter sido salvo, se tivesse tido uma outra atitude. Note bem, Deus o advertiu antes que ele matasse a seu irmão. Mas qual foi a sua atitude? No versículo oito a Bíblia diz que Caim matou a seu irmão Abel. E por causa dessa atitude dele, Deus disse no versículo 11: “És agora(antes não), pois, maldito por sobre a Terra“. Observe que Caim foi maldito porque pecou. Primeiro veio o pecado, depois a maldição; a maldição veio por causa do pecado, tal como aconteceu com Adão e Eva. Eles foram expulsos do Éden e sofreram maldições, exatamente por causa do pecado. Se ambos não tivessem caído, não teriam sido expulsos.
Portanto, a predestinação não anula a liberdade de escolha de cada ser humano. Até mesmo os discípulos, escolhidos por Jesus, tinham oportunidade de abandoná-lo: “Quereis vós também ir?” (João 6.67). E, de fato, um deles se perdeu.
2. A predestinação fatalista. Fatalismo: sistema dos que atribuem tudo à fatalidade ou ao destino, negando o livre arbítrio. A predestinação fatalista é uma doutrina que foi defendida pelo teólogo João Calvino, que viveu no século XVI. Hoje muitas denominações crêem nesse ensinamento, que na verdade não possui bases bíblicas convincentes. Esta doutrina afirma que Deus, na sua soberania, escolheu pessoas, individualmente, para a salvação e perdição, negando o direito do homem decidir sobre a sua vida.
Os ensinamentos sobre a predestinação fatalista acabam se tornando um perigo para a vida cristã, pois muitos dão início a uma vida inerte, despreocupada, com uma falsa segurança da salvação. Confirma também esta doutrina, a incapacidade do homem escolher servir a Cristo, por causa da sua maldade e corrupção, deixando para Deus, através do Espírito Santo, a obra da Graça irresistível, para aqueles que escolheu desde a fundação do mundo.
Não encontramos na Bíblia uma predestinação fatalista, em que uns são destinados à vida eterna e outros, à perdição. Isto contradiz dois atributos divinos: a justiça e o amor. Primeiro, porque torce a justiça divina, pois nesse caso, Deus destinaria as pessoas antes mesmo de sue nascimento à perdição eterna. E segundo, porque põe em dúvida o ilimitado amor de Deus, por ensinar que o Senhor destinou os pecadores ao inferno sem lhes dar o direito a oportunidade de arrepender-se.
O Senhor quer que todos se arrependam (At.17.30) e a todos dá tempo para o arrependimento. Se todos já estivessem predestinados ao céu ou ao inferno, por quê Deus haveria de dar oportunidades? Veja o caso da personagem descrito em Ap 2:20-21: “Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição”. Se essa misteriosa Jezabel estivesse predestinada ao inferno, Deus não lhe daria tempo para se arrepender. Se ela estivesse predestinada ao céu, teria se arrependido no tempo que Deus lhe deu. Se sua condição de morte espiritual significasse incapacidade absoluta, Deus não lhe daria tempo para se arrepender, pois isto seria inútil.
O Texto sagrado é claro: “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens”(Tt 2:11). “O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”(1 Tm 2:4). “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
3. Eleição e Predestinação. Conforme Efésios 1:4,5, a eleição (v.4) precede a predestinação (v.5) que, embora infinita e insondável, não é a salvação em si. A predestinação é “para a salvação” (2 Ts 2.13), a fim de sermos filhos de adoção (Ef 1.5).
a) Eleição (Ef 1.4,5). “Eleição” é o ato de eleger, o ato de escolher, ou seja, trata-se de uma manifestação de vontade. Esta expressão refere-se ao desígnio gracioso de Deus ao enviar seu Filho ao mundo para salvar a todos quantos nEle crerem. A eleição provém do propósito salvífico de Deus "antes da fundação do mundo" (Ef 1.4). A partir da vinda de Cristo e da sua morte e ressurreição, a eleição inclui todos que crêem e obedecem a Cristo e ao evangelho. Sendo assim, tanto Deus quanto o homem atuam na eleição. O alvo da "eleição da graça" é o homem ser santo e inculpável diante de Deus (Ef 1.4; cf. Rm 3.22; 4.1-5,16; 11.11-24; 2 Co 5.19,20; Ef 2.8-10). Antes mesmo de o Universo ter sido criado, nós já havíamos sido eleitos por Deus para usufruir plenamente da salvação. Ler também 1 Pe 1.1,2. O apóstolo afirma que fomos não somente eleitos, mas igualmente predestinados à vida eterna (Ef 1.5).
b) Predestinação. “Predestinação” é o ato de predestinar, ou seja, fixar previamente o destino de alguém. A Bíblia mostra-nos que a salvação é fruto de uma manifestação da vontade soberana de Deus. O Senhor escolheu salvar o homem, mesmo sabendo que ele haveria de pecar, e previamente determinou que todos aqueles que crerem em Cristo serão salvos e os que não o crerem serão condenados. A salvação é para todos os homens (Is.55:1; Tt.2:11), sem qualquer distinção, tanto que o primeiro casal foi expulso do Éden e impedido de tomar da árvore da vida para que toda a humanidade tivesse a mesma oportunidade de salvação, até porque Deus é imparcial e não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34), mas, já antes mesmo da fundação do mundo, o Senhor estipulou condições para que tal salvação se desse, mas nem por isso deixou de querer que todos os homens se salvem (I Tm.2:4).
Existem duas teorias básicas acerca da predestinação: a Calvinista e a Arminiana. A teoria calvinista é assim chamada por causa de João Calvino; e a teoria Arminiana é assim denominada por causa de Armínio, que foi um dos discípulos de Calvino.
O que ensina a doutrina calvinista? - “A salvação é inteiramente de Deus; o homem nada tem a ver com a sua salvação. Deus dá a salvação pra quem Ele quer e está acabado”. Segundo essa doutrina calvinista, quando uma pessoa se arrepende, é inteiramente pelo poder atrativo do Espírito Santo. Para os calvinistas, a predestinação é o "decreto" de Deus, através do qual Ele decidiu quem seria ou não salvo.
Os calvinistas afirmam: "Se fosse verdade que Jesus veio para morrer por todas as pessoas, estaríamos diante de um Deus impotente, que foi capaz de fazer o sol, a lua, as estrelas, a Terra e os oceanos... mas que foi incapaz de salvar o homem. Ele não salva a todos, porque Ele não veio para todos, mas só para os seus. Há pessoas a quem Ele não amou porque não eram os seus!”.
Questionamento: Se Deus dá a salvação para quem Ele quer; se o homem nada tem a ver com a salvação, ou seja, se não depende do homem, por que Deus não salva a todos os homens? A Bíblia diz que Deus deseja que todos os homens se salvem - "O qual deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade"(1 Tm 2:4). Se a Bíblia diz que Deus quer que todos os homens sejam salvos, e se Deus é Onipotente, grande em poder, por que não salva a todos os homens? Se a salvação é um "decreto" de Deus, por que Ele não decretou que todos fossem salvos, se a Bíblia diz que essa é a sua vontade? Fica subentendido, então, que se Deus não salva a todos, é porque nem todos crêem.
O que ensina a teoria Arminiana? – “A vontade de Deus é que "todos" os homens sejam salvos, porque Cristo morreu por todos os homens”. Veja alguns trechos que justificam esse fato: 1 Tm 2:4 - "O qual deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade"; Tt 2:11 - "Pois a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos os homens"; At 2:21 - "E todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo"; Rm 5:18 - "Assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação, assim também por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida"; 2 Pe 3:9 - "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a tem por tardia. Ele é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se"; Jo 3:16 - " Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Portanto, o ensinamento bíblico deixa claro que o homem tem direito de escolher o seu caminho, ou seja, Deus deu ao homem o livre-arbítrio. Desde o primeiro livro da Bíblia, até o último, Deus dá liberdade de escolha para o homem. Em Apocalipse, na última mensagem da Bíblia, mais uma vez a Palavra de Deus não deixa dúvidas: o homem tem o direito de escolher o seu caminho. Veja o que está escrito em Ap 22:17: "Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a água da vida".
4. A Salvação do ser humano é fruto da vontade de Deus. A salvação do homem é um plano de Deus, ou seja, deve a sua existência à vontade soberana do Senhor e, neste sentido, é algo que jamais poderia acontecer sem que Deus o quisesse. O homem só pode ser salvo porque Deus quis criar esta chance de salvação. A salvação do homem, portanto, nasceu em Deus e só nEle tem razão de ser. No entanto, a salvação tem de ser entendida sob o prisma da ordem estabelecida por Deus. O Senhor fez o homem com poder de escolher entre o bem e o mal e, deste modo, ao determinar que o homem pode ser salvo, esta Sua determinação está em consonância com o Seu propósito inicial, qual seja, o de dar o homem o poder de escolher entre aceitar, ou não, este plano divino. Ao determinar que haveria uma forma de o homem voltar a ter comunhão com Ele, o Senhor, que não muda nem tem sombra de variação (Tg.1:17 “in fine”), não elidiu a circunstância de que caberia ao homem optar por aceitar esta oferta de salvação, já que criou o homem com livre-arbítrio.
Deus tem todas as coisas submissas à sua vontade. Ele controla tudo e nada acontece sem o seu conhecimento e vontade. Das aves dos céus ao lodo incrustado às margens do riacho, tudo Ele conhece e preserva. Embora tenha poder para fazer tudo o que deseja, não fará nada que esteja em desacordo com sua sábia e santa natureza. Apesar de o Senhor Deus ser Absoluto e Soberano, estabeleceu certos limites em seu relacionamento com o homem pecador. Ele jamais invade o coração do homem! O Senhor não obriga nenhum ímpio a servi-lo, amá-lo, ou adora-lo: “Dá-me, filho meu, o teu coração”(Pv 23:26); é o convite salvífico do Senhor. Ele espera uma entrega voluntária, ou um convite gracioso para habitar no coração do homem. Não queres ainda hoje anuir ao convite célico? Lembre-se, Ele pode todas as coisas, mas para entrar em tua casa, você precisa convida-lo: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo”(Ap 3:20).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. - Comentário Bíblico do Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco. Pr. Antonio Sebastião da Silva. Predestinação Fatalista - Pr. Silas Malafaia