Aula 06

O Deus que Comanda o Futuro

Leitura Bíblica: Isaias 44:6, 7; 46:9-13

09/11/2008

 

Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança”( Jr 29:11).

 

INTRODUÇÃO

Dando continuidade sobre a primeira parte do tema deste trimestre, o Deus do Livro, iremos estudar nesta aula o que a Bíblia fala acerca do tempo, do futuro da Igreja e dos ímpios. Sabemos que a Bíblia é o livro que traz toda verdade divina sobre o futuro, porém, é importante entendermos que Ela é um livro de revelações, portanto, para entendê-la precisamos orar constantemente ao Senhor em profunda reverência, pedindo que Ele nos ajude a entender as suas verdades sagradas. Não pense você que pode entender a Palavra de Deus, só porque é antigo na fé, porque é culto ou porque tem uma infinidade de cursos. Paulo escrevendo aos coríntios disse: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam” (1Co 2.9). O apóstolo está tentando nos mostrar que não se pode compreender as coisas de Deus pelo mundo dos sentidos.

Mas, enfim, o que é o futuro? Podemos realmente conhece-lo? O que a Bíblia revela sobre o amanhã? “Muitas são as especulações a respeito das futuras ações de Deus, e isto é milenar(At 1:6,7). Existem ainda os que se aventuram a prever quando ocorrerão os eventos escatológicos. Há os escatomaníacos (pessoas que possuem uma fixação mórbida pelas últimas coisas) e os escatofóbicos (os que têm medo dos acontecimentos futuros). Entre esses extremos, está a Igreja de Jesus Cristo, crente e perseverante, “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”(Tt 2:13)(Ensinador Cristão).

I – DEUS, O TEMPO E O FUTURO IMEDIATO

1. Deus é eterno. Deus é o único ser eterno. Um dos nomes pelo qual o Senhor Jesus seria conhecido é “... Pai da eternidade...”(Is 9:6). A eternidade não tem relação com o tempo, ela está acima dele. Eterno, por definição, é o que não teve principio e não terá fim. É diferente de imortal. O imortal teve um princípio, só não terá fim.  O eterno está acima do tempo; o imortal está limitado dentro dele. O homem, bem como todas as criaturas que compõem o mundo espiritual, incluindo Satanás, são imortais, mas não são eternas, visto que tiveram um princípio quando foram criadas. Deus, porém, não tem princípio, nem fim, é o único Ser eterno que existe  (Sl.90:2). Deus é desde sempre (Hc.1:12), o princípio e o fim (Ap.1:8). Daí porque ter se apresentado a Moisés como “Eu sou o que sou” (Ex.3:14). O tempo para Deus simplesmente não existe, havendo para Ele um eterno presente. Diz o salmista: “... de eternidade a eternidade, tu és Deus’’(Sl 90:12). Portanto, só Deus é eterno. Ele não pode ser controlado ou sofrer a ação do tempo. Ele é o Senhor e o Criador do Tempo.

2. O Tempo e a eternidade. Assim como o tempo está na dimensão humana as coisas eternas fazem parte da realidade divina. Embora saibamos que o tempo teve um início, não podemos ter certeza que ele terá um fim, pois este conhecimento está além do finito saber humano.

a) Deus é o Criador do Tempo. Como foi dito acima, Deus é o Senhor e o Criador do Tempo. Foi Deus quem criou o mecanismo para contar e dividir o tempo - “E disse Deus: haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre dia e noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos”(Gn 1: 14). Isto Deus fez não porque ele precisasse do tempo. Ele é o Senhor do Tempo e não pode ser limitado por ele - “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (II Pe 3:8).

Quando Deus criou todas as coisas, fê-lo sobre a perspectiva do tempo. Com efeito, as Escrituras indicam, logo no seu início, que “No princípio, criou Deus os céus e a terra"(Gn.1:1), revelando, portanto, que o tempo é algo próprio e adequado para as criaturas. Somente Deus é eterno, porque é o único que não tem começo, nem fim. Até mesmo os anjos, embora vivam eternamente tiveram um princípio de existência, o que os vincula ao tempo.

Tendo sido o criador do tempo (Gn.1:14), Deus é o seu Senhor, pois dele também é o tempo(Sl.24:1). A Bíblia, explicitamente assim afirma, como se pode ver em textos como Sl.31:15, onde o salmista afirma que os seus tempos estão nas mãos do Senhor - “Os meus dias estão nas tuas mãos livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem”; ou no Sl.104:27, onde se afirma que toda a criação aguarda o sustento divino no tempo oportuno –“Todos esperam de ti que lhes dês o sustento a seu tempo”; ou ainda, em At.17:26, que diz que é o Senhor que determina os tempos –“e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação”, que já foram anteriormente ordenados, como, aliás, lembra Daniel ao interpretar o sonho do rei Nabucodonosor, quando afirmou que Deus, que tem todo o controle do tempo, poderia saciar a curiosidade do monarca babilônio com respeito ao futuro – “mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonozor o que há de suceder nos últimos dias(Dn.2:28). Mas há, também, o tempo oportuno para a ajuda do Senhor, como nos mostra o escritor aos Hebreus, em Hb.4:16 –“Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno”.

c) Deus é o Ser atemporal. Deus não está vinculado ao tempo e é, por isso, que podemos afirmar que Deus é um ser "atemporal", ou seja, o tempo simplesmente não existe para Deus, que está acima do tempo. Tal situação é de difícil entendimento para nós, seres humanos, pois nosso pensamento funciona em termos de espaço e de tempo, como têm constatado médicos, psicólogos e filósofos, mas devemos, pela fé, crer nisto, ainda que não possamos compreendê-lo muito bem. Para Deus há um eterno presente. Para Ele, algo que ocorreu há milhares de anos, o que está acontecendo neste exato momento e o que acontecerá daqui a mil anos são a mesma coisa e estão acontecendo simultaneamente, ao mesmo tempo.

2.1) Lições que devemos tirar a respeito do tempo. Deus criou condições para dividir e controlar o tempo, por causa do homem. O homem tinha e tem necessidade de conhecer o tempo e de poder medi-lo a fim de que possa usá-lo com sabedoria: “... pois passa rapidamente, e nós voamos”(Sl 90:10)

a) Tudo tem o seu tempo determinado. Nosso Deus é um Deus de ordem e, como tal, nada faz senão no seu tempo devido. Por isso, Paulo pôde dizer que Jesus veio no tempo certo, como vemos em Gl.4:4, quando se diz que "vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei". O texto mostra-nos, claramente, que Deus, que não está submetido ao tempo, sabendo de nossa condição e de nossa dimensão, faz todas as coisas levando em conta o tempo que nos envolve. Não é verdadeiro o provérbio popular segundo o qual “Deus tarda, mas não falha". Deus jamais tarda, faz tudo no seu devido tempo.

b) Deus é quem determina o tempo em que as coisas devem ocorrer. Quando foi falar sobre o cumprimento da Sua promessa a Seu amigo Abraão, Deus foi enfático e sem meias palavras: "Haveria coisa alguma difícil ao Senhor? Ao tempo determinado, tornarei a ti por este tempo da vida, e Sara terá um filho"(Gn.18:14). E, um ano depois, tudo se cumpriu como havia sido dito: "E concebeu Sara e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha dito” (Gn.21:2).

Com relação ao processo de libertação de Israel no Egito, Deus, também, demonstrou todo o seu domínio sobre o tempo, como se verifica do texto de Ex.9:5: "E o Senhor assinalou certo tempo, dizendo: Amanhã fará o Senhor esta coisa na terra". Deus é o Deus que assinala e determina o tempo em que as coisas devem acontecer e, uma vez feita esta determinação e assinalamento, nada poderá impedir que isto ocorra. Por isso, pôde o apóstolo Pedro dizer que devemos lançar sobre Ele a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós(I Pe.5:7).

c) O tempo foi criado para que pudéssemos estabelecer uma ordem nas tarefas que nos foram determinadas para fazer. Deus é um Deus de ordem e quer que o homem, como sua imagem e semelhança, seja, também, ordenado como Ele. Para tanto, criou o tempo.

Sendo o tempo uma divisão, vemos, portanto, que o tempo é uma oportunidade para que possamos organizar as tarefas que nos foram confiadas por Deus. Dividindo o dia em frações, podemos melhor nos organizar, para que façamos tudo o que Deus nos requer. O tempo é o meio pelo qual podemos nos organizar e, assim, podermos cumprir o que nos foi determinado e prestar contas adequadamente. Este é um dos principais sentidos pelos quais Deus comparecia para um maravilhoso diálogo com o homem "na viração do dia", ou seja, ao término do dia, ao final do período suficiente em que se tinha feito a divisão para o devido desempenho das tarefas confiadas ao homem(Gn.3:8).

d) O Tempo foi uma limitação criada por Deus às suas criaturas. Por causa do pecado o homem passou a ter uma limitação temporal no que se refere a seu corpo, que passou a sofrer o influxo do tempo e a se corromper(I Sm.4:15; Jo.21:18; II Co.4:16). Enquanto os seres celestiais têm um princípio de existência, na terra tudo tem princípio e fim de existência. O homem não era para ter fim de existência, mas diante do pecado o próprio Deus determinou a morte física(Gn.3:19), submetendo a parte material do homem à mesma limitação temporal das demais criaturas terrenas. Assim, ao menos no que se refere ao corpo, o homem também está completamente limitado pelo tempo, tendo começo e fim de existência física sobre a terra. Daí porque Salomão ter, com a sabedoria que Deus lhe deu, chegado à conclusão de que " tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu"(Ec.3:1).

Todavia, o homem não foi feito para ser limitado temporalmente, nem mesmo em relação ao seu corpo, tanto que, quando dizemos que Adão viveu 930 anos(Gn.5:5), devemos atentar que este tempo é o tempo de morte de Adão, ou seja, o tempo decorrido desde a expulsão do Éden, pois não se sabe quanto tempo viveu Adão antes da queda. E por que não se sabe tal tempo? Simplesmente, porque o homem não foi feito para ser submetido ao tempo. O homem, antes da queda, vivia no estado que os teólogos e filósofos medievais denominaram de “aevum", ou seja, um tempo em que há princípio de existência, mas não final, que é o estado vivido atualmente pelos anjos. No plano original de Deus ao homem, o tempo não teria qualquer papel de limitação à atuação humana no domínio sobre as coisas criadas sobre a Terra.

Conquanto o ser humano tenha sua limitação na terra, isto não retira o fato de o mesmo ter sido feito à imagem e semelhança de Deus e que, portanto, tem uma eternidade à sua espera, entendida aqui a eternidade como a dimensão fora desta limitação temporal que hoje vigora. A realidade de uma eternidade é o próprio cerne do evangelho e a razão de ser da obra redentora de Jesus(Jo.3:16; 17:1-3).

e) O tempo é uma realidade imposta à criação e que não há como dele escapar ou voltar atrás. O tempo passa. Percebe-se isso no texto de At 14:16 – “o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos”. Diz mais em Jó 7:6 “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e acabam-se, sem esperança”. “E os meus dias são mais velozes do que um correio; fugiram, e não viram o bem”(Jó 9:25).

Um provérbio chinês muito conhecido diz que quatro coisas não voltam atrás e uma delas é o tempo perdido. Pois bem, quando vemos a narrativa da criação, verificamos que, quando um dia terminava, ele não poderia voltar mais. Ao dia primeiro, seguiu-se o segundo, ao segundo, o terceiro e assim por diante, precisamente porque o tempo é irreversível. Várias passagens das Escrituras mostram-nos esta realidade. Se há um tempo determinado para cada coisa, este tempo, também, é único. Não se pode perder a oportunidade. Salomão deixou bem claro que há um tempo para cada ação e que, passado este tempo, é ele irreversível. O salmista afirma que fazia a sua oração num tempo aceitável(Sl.69:13; Is.61:2), o profeta diz que Deus ouviu o Seu servo no tempo favorável(Is.49:8) e que devemos buscar ao Senhor enquanto se pode achá-lO(Is.55:6); o poeta, por sua vez, afirma que o inverno passou, assim como a chuva cessou e que o tempo de cantar chegou(Ct.2:11,12). O próprio Deus, ao informar a Noé o Seu compromisso com o homem em não mais mandar um dilúvio sobre a terra, fez questão de lembrar o patriarca a respeito da sucessão irreversível do tempo (Gn.8:22). As Escrituras ensinam, assim, que nem todo tempo é igual e que, passado este tempo, não haverá mais o que se fazer(Dn.5:26; Mt.25:10-13).

f) O tempo não pode ser um fator que mude a nossa confiança em Deus. Deus diz, solenemente, que vela pela Sua Palavra para a cumprir(Jr.1:12) e que as Suas palavras independem do tempo, pois elas não passam(Mt.24:35). Embora nós saibamos que há dias bons e dias maus(Ec.12:1; IPe.3:10), temos a convicção de que o Senhor estará conosco em todos eles(Mt.28:20), pois estamos destinados a viver para sempre com o Senhor(I Ts.4:17).

3. O Futuro. O ser humano sempre esteve inquieto e apreensivo acerca do futuro: tanto o imediato quanto o longínquo. O próprio Jesus alertou aos discípulos acerca do futuro, ou seja, do dia de amanhã, para que não houvesse preocupação quanto a este tema(Mt 6:25,31,34). Tiago, também, nos alertou acerca disso: “Eia agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos. No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece”(T 4:13,14). Depois de ressurreto o Senhor foi interrogado pelos discípulos acerca do futuro de Israel, mas o Senhor os advertiu que as questões do futuro não competia a eles saber. Só a Deus o futuro pertence: “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel? Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade”( At 1:6,7).

“O futuro a Deus pertence". Este é um adágio popular que guia muitas pessoas na sua administração do tempo. Quando dizemos que “o futuro a Deus pertence", estamos, num primeiro momento, dizendo algo que se apresenta como absolutamente correto, pois, como salientamos há pouco, o tempo está sob o indelegável controle de Deus. Assim, dizer que “o futuro a Deus pertence" é dizer que o futuro está sob o controle de Deus, o que, convenhamos, é algo correto à luz da Palavra de Deus.

Quando dizemos que " o futuro a Deus pertence", estamos, de um lado, dizendo que o controle do futuro está nas mãos de Deus, o que é absolutamente correto, mas, também, vez por outra, tal frase é dita para que o indivíduo se isente de responsabilidades com relação à eternidade. Quando se diz que “o futuro a Deus pertence" está-se dizendo que não devemos nos preocupar com o futuro, que o homem deve gozar a vida agora, que “o importante é o aqui e o agora", um pensamento bem adequado para a nossa atual geração, que eleva o prazer e o imediato como razão de ser da própria existência. Entretanto, este raciocínio contraria tudo o que ensina a Bíblia Sagrada.

Embora Deus esteja no controle do tempo, embora não tenhamos de nos afligir pelo dia de amanhã, é imperioso que pensemos na eternidade, que tenhamos consciência de que a nossa existência física nada é comparado com a nossa dimensão sobrenatural, que teremos de definir, nós mesmos e não Deus, qual será o nosso destino: uma eternidade com ou sem Deus. Por detrás do lema “o futuro a Deus pertence" está uma idéia de total irresponsabilidade quanto ao nosso destino eterno, o que é totalmente contrário ao que ensinam as Escrituras, que nos mandam jamais nos esquecer da realidade da eternidade e da necessidade de definirmos imediatamente qual será o nosso destino eterno(Ec.12:1-7; Sl.95:7,8;Hb.4:7).

4. Como o crente deve se portar diante do futuro. O extremismo tem sempre acompanhado o comportamento do ser humano. De um lado, os que se acostumaram tanto com a vida terrena que não pensam nas coisas de Deus, e é provável que muitos nem queiram que Jesus volte, pois a “vida está boa”(Lc 12:19). A Bíblia é enfática: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. Do outro lado, aqueles que acreditam que Jesus virá e, por isso, não é preciso se preocupar em estudar, trabalhar e até evangelizar. Entretanto, o crente deve levar a sua vida normalmente, ou seja, crendo que Jesus pode vir no próximo minuto, mas enquanto Ele não vem, façamos o que é preciso: “Negociar até que eu venha”(Lc 19:13).

II – O GLORIOSO FUTURO DA IGREJA

Certamente, a Igreja tem um futuro sobremodo glorioso. A vida eterna com o Senhor Jesus na glória, na cidade maravilhosa que ele foi preparar exclusivamente para sua amada(Jo 14:1-3), já seria uma grande proeza, mas Deus é infinitamente misericordioso e amoroso, de tal sorte que fez promessas para todos aqueles que alcançarem a vitória. Por isso, o apóstolo disse que não há como comparar as aflições deste tempo presente com o que está reservado para os vitoriosos. Aliás, o apóstolo foi enfático ao dizer que “… as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam”(I Co.2:9b).

1. Salvação eterna e gloriosa. A Bíblia Sagrada, o Livro de Deus, é quem nos garante que a Igreja tem um futuro glorioso. O Apóstolo Paulo, que foi arrebatado ao Céu, soube muito bem explicitar isso, quando escreveu em Romanos 8:18 – “Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada”.  O apóstolo Pedro escreveu: "Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça" (2 Pedro 3:13).

Em certa ocasião, já completamente liberto das coisas deste mundo, Moody disse a um amigo: "Um dia você lerá nos documentos que D. L. Moody, de Northfield, está morto. Você pode até não acreditar, mas naquele momento eu estarei mais vivo do que estou agora. Eu subirei para o Céu, isso é o que mais anseio. Deixarei esta casa velha de barro e passarei a morar em um lar imortal. O pecado não poderá tocar o meu corpo, não poderá manchá-lo, pois ele será glorioso. Eu nasci da carne em 1837; Eu nasci do Espírito em 1856. Quem nasce da carne pode morrer; quem nasce do Espírito viverá para sempre”.

Que maravilhosa experiência o grande evangelista Moody tinha com o Senhor a ponto de poder expressar sua fé da maneira que lemos acima. Ele vivia abundantemente, tinha um
relacionamento íntimo com Deus e pôde desfrutar das bênçãos incontáveis que só os que caminham em Sua presença experimentam.

Quando abrimos o coração para Jesus e o recebemos como Senhor de nossas vidas, podemos ter a ousadia de dizer, como Moody, que o mundo não mais nos atrai. Estamos aqui de passagem, como peregrinos, como embaixadores do Céu para iluminar o caminho por onde passamos. Nada aqui nos interessa, pois, tudo aqui ficará. Esperamos pelo porvir, pela moradia celestial, pelos tesouros que a ferrugem não pode destruir e nem o ladrão tirar. Aguardamos o dia em que viveremos ao lado do Senhor, louvando-O e adorando-O. A alegria será completa e a felicidade eterna.

O carro novo ficará aqui. A casa da praia também ficará. Todo o nosso patrimônio será deixado para trás. A fama e a notoriedade não poderão nos acompanhar. Levaremos apenas o amor que um dia inundou nossas almas, a paz que Deus derramou sobre nossos corações, a alegria de poder servir ao Senhor e ao nosso próximo. Esses bens nos acompanharão e estarão conosco para sempre.

Entre muitos cristãos que dizem ser há uma falta de visão clara sobre a vida futura, sobre o céu, sobre a eternidade. A Terra e as coisas da terra são prioridade na maioria dos púlpitos. Os “tesouros da terra parecem ter prioridade sobre os “tesouros do céu”. Pregadores bem sucedidos, financeiramente, tornam-se o padrão desejado pelos fiéis. A Mensagem da Vinda de Jesus não ocupa lugar de prioridade, pois não estimula a aquisição de bens materiais. Existem Denominações com obreiros especializados em ensinar aos seus “fiéis”, a arte do enriquecimento, do ajuntar “tesouro na terra”, de como se tornar empresário bem sucedido, ou na falta de fé, como obter, ao menos, um cargo de gerente, ou similar. A parábola do rico insensato será bem aplicada para essas pessoas – Lc 12:16-21).

Jesus foi explícito em sua Promessa( Jo 14:1-3).  “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”(João 14.1-3). Esta promessa é uma das mais lindas feitas pelo próprio Senhor Jesus aos seus discípulos. Quando das suas últimas instruções, como nos narra o evangelista João, o Senhor foi taxativo, claro e objetivo, ao afirmar que nos levaria para o céu.

Apesar de no Céu haver moradas, não havia lugar para o homem. A existência das moradas não significava a existência de lugar para o homem. Quantas casas há, por exemplo, no Brasil, um dos países onde há um dos maiores déficits habitacionais do mundo, e, mesmo assim, são aos milhões os “sem-teto”? Isto ocorre porque, embora haja moradas, casas desocupadas, as pessoas “sem-teto” não podem entrar nestas habitações, porque não pagaram o preço de sua aquisição, porque não têm condições para adquirir as propriedades. Há, pois, moradas, mas não há lugar para estas pessoas.

Assim era a situação do homem antes que Jesus providenciasse lugar para nós no céu: havia, na casa do Pai, morada, mas não havia lugar. O homem, dominado pelo pecado, não tinha como conviver com seu Criador, não tinha como adquirir o direito de habitar com Deus, mas condenado estava a viver eternamente separado dEle. Apesar das muitas moradas existentes no céu, para o homem não havia lugar.

Entretanto, Jesus prometeu que nos iria preparar lugar (Jo.14:2). Prometeu e cumpriu. Aleluia! Ao morrer por nós na cruz do Calvário, ao pagar o preço da redenção de nossas almas, o Senhor Jesus conquistou lugar para nós na casa de Seu Pai. Mediante o seu sangue vertido por nós, pelos nossos pecados, podemos, agora, entrar na cidade santa, na habitação de Deus, no Céu. Por isso, só os que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro têm o direito de entrar na cidade pelas portas (Ap.22:14).

O QUE É O CÉU. O Céu prometido por Jesus Cristo aos seus santos é a habitação presente de Deus e de seus anjos(Sl 33.13,14), é o lugar onde está seu trono (Sl 2.4); é o local onde o Senhor está presente na plenitude de sua glória, um local “fixado”, “estabelecido” para que Ele se revele tal como Ele é e não apenas pela expressão da suas obras, como o que ocorre com o Universo (Rm.1:20); é o lugar de sua presença, ao qual o Cristo glorificado retornou (At 1.11); e onde um dia o povo de Cristo estará com seu Salvador para sempre (Jo 17.5,24; 1 Ts 4.16,17). Ele é retratado como um  lugar de descanso (Jo 14.2), uma cidade (Hb 11.10), e um país (Hb 11.16). Logo, pensar no Céu como um lugar é mais correto do que errado.

O Céu é um lugar onde habitaremos com o Senhor em glória, visto que, para ali entrarmos, necessariamente teremos de ser transformados, deixando este corpo de carne e sangue, este corpo abatido e recebendo um corpo glorioso, similar ao que Cristo teve quando ressurgiu dentre os mortos (Fp.3:21; I Co.15:42,49-54).

Paulo ao dizer que havia estado no terceiro céu (no Paraíso), afirmou que o que viu e ouviu era simplesmente inefável, ou seja, incapaz de ser traduzido em palavras (II Co.12:4).

Para o Céu irão todos os crentes em Jesus, pois a Palavra diz:  “Todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá” (João 11.26).  Jesus disse ao ladrão na cruz: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43).  Paulo declara:   “Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fp 1.23).

Somos cidadãos do Céu. A Terra é uma morada provisória. Nossa verdadeira cidadania está no Céu (1 Pe 2.11). Embora ainda estejamos nesta vida terrena, temos estreita ligação com o Céu, nossa última morada: conversamos diariamente com nosso Pai; nossos nomes estão escritos nos livros do Céu; somos protegidos pelos anjos de Deus; o Espírito Santo está em nós; somos o Corpo de Cristo; Cristo nos outorgou poderes para fazermos as mesmas obras que Ele fez na Terra; nossos atos são regulados segundo o padrão da Palavra de Deus; somos filhos de Deus, “e, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8.17).

2. Galardão e Júbilo. A Igreja gloriosa de Cristo não será apenas salva, mas ricamente galardoada no Tribunal de Cristo. O Tribunal de Cristo é o primeiro dos eventos das bodas do Cordeiro. Pode parecer estranho que incluamos o Tribunal de Cristo nas bodas do Cordeiro, mas não devemos nos esquecer que, as bodas do Cordeiro são a celebração da vitória da Igreja e têm a duração de sete anos, como as bodas judaicas duravam sete dias. Deste modo, todo o período de sete anos deve ser considerado como o das bodas do Cordeiro(Ap 19:9).

Reunida a Igreja, será iniciado o Tribunal de Cristo, pois todos os homens devem ser submetidos a julgamento, pois assim está ordenado (Hb.9:27). Naturalmente, que os salvos arrebatados, se foram arrebatados, não têm pecado, estão em comunhão com o Senhor e, portanto, não podem sofrer condenação, pois, “ nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas, segundo o Espírito” (Rm.8:1).

O Tribunal de Cristo é o julgamento das obras dos salvos enquanto estiveram sobre a face da Terra, logicamente das obras realizadas após a conversão, pois Deus nunca Se lembra dos pecados que foram perdoados (Jr.31:34; Hb.8:12; 10:17). Tivesse Deus Se lembrado dos pecados, não teria arrebatado pessoa alguma, pois não há na Terra ninguém digno de ser arrebatado, mas todos foram justificados pela fé em Cristo Jesus (Rm.5:1). Entretanto, o Senhor é justo e avaliará o que cada crente fez, por meio do corpo corruptível, na obra do Senhor, ou bem, ou mal (II Co.5:10).

As obras que resistirem ao exame divino, ou seja, as obras que forem de ouro, prata ou pedras preciosas, darão ensejo aos seus autores ao recebimento de galardão, do justo prêmio, da recompensa, das coroas que estão prometidas à Igreja do Senhor.

As obras, porém, que não resistirem ao exame divino, ou seja, as obras que forem de madeira, feno ou palha, não gerarão qualquer condenação aos seus autores, pois eles estão salvos, mas eles serão como que “salvos pelo fogo” (I Co.3:15), ou seja, viverão eternamente com o Senhor, mas sem qualquer galardão, sem qualquer prêmio, exatamente como alguém que se salva de um incêndio e que, apesar de ter perdido tudo, inclusive as suas próprias vestimentas ou a sua pele, fica extremamente alegre, porque ainda tem o maior de todos os dons de Deus: a vida.

A Bíblia fala de alguns galardões, de algumas coroas que serão dadas aos salvos e o motivo de sua concessão. Vejamo-los:

a) Coroa da justiça (II Tm.4:8) – Esta coroa será dada pelo Senhor a todos quantos amarem a Sua vinda. Segundo o que Paulo nos diz, quem ama a vinda do Senhor, combate o bom combate da fé, acaba a carreira e guarda a fé, apesar de todas as situações e circunstâncias adversas que se lhe apresentem(II Tm.4:7).

b) Coroa da vida (Tg.1:12) – Esta coroa será dada pelo Senhor a todos quantos amarem ao Senhor e forem fiéis até a morte(Ap.2:10). Jesus diz que quem O ama, faz o que Ele manda (Jo.15:10,14).

c) Coroa de glória (I Pe.5:4) – Esta coroa está reservada aos pastores que apascentarem o rebanho de Deus da forma biblicamente prevista, ou seja, com cuidado, não por força, voluntariamente, não por torpe ganância, de ânimo pronto, não como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho (I Pe.5:2,3).

Somente a Igreja terá o privilégio de receber galardão do Senhor, pois somente ela participará do Tribunal de Cristo. Os salvos que se salvarem a partir da dispensação da graça não terão este privilégio, pois, daqui para a frente, o julgamento será tão somente de salvação ou condenação, sem que haja qualquer direito a galardão. Por isso, a Bíblia diz que são bem-aventurados aqueles que participam da ceia das bodas do Cordeiro (Ap.19:9).

III – O TENEBROSO FUTURO DOS IMPIOS

São considerados ímpios todos aqueles que rejeitaram o sacrifício vicário de Jesus Cristo; que não o aceitaram como único Senhor e Salvador. São todos aqueles que não pertencem a Igreja mística de Jesus Cristo. O fim de todos eles é realmente tenebroso. No Salmo 9:17 é descrito enfaticamente o destino dos ímpios: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem de Deus”(Sl 9:17).

Para quem ainda não sabe, Inferno é o lugar de tormento para onde vão todos os que morrem sem Cristo(Sl 9:17; Pv 15:24 e Lc 16:22-31). Ali estarão até a segunda ressurreição, quando serão julgados e lançados para sempre no Lago de Fogo(Ap 20:5-6,12,14). A palavra “inferno” aparece 57 vezes na Bíblia Sagrada. Não se trata de um lugar imaginário, mas real. Portanto, segundo a Palavra de Deus, a existência do Inferno é um fato inquestionável.

O propósito de Deus, segundo a Bíblia é que “todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”(1 Tm 2:4). Porém, todos os que rejeitaram o Filho de Deus sofrerão inicialmente na Grande Tribulação(Mt 24:21; 1 Ts 1:10; Ap 7:14) e, depois, por toda a eternidade(Ap 20:11-15; 21:8).

Os ímpios antes do seu desfecho final, serão julgados no Juízo do grande Trono Branco. Diante do Trono Branco, no Julgamento Final, estarão aqueles que a Bíblia chama de os outros mortos – “Mas os outros mortos não reviveram até que os mil anos se acabaram”(Ap 20:5). Estes outros mortos são todos os ímpios, de todos os tempos, desde Caim, ou do primeiro de sua descendência, até o último, no final do Milênio. Os ímpios só ressuscitarão diante do Trono Branco; eles fazem parte da Segunda Ressurreição.

A Base do Julgamento: as obras praticadas  - “... e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é da vida. E os mortos foram julgados pelas obras que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia, e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras”.

A Sentença ou o Resultado do Julgamento - “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”(Ap 20:14,15).

O local do cumprimento da pena: o “lago de fogo” – O “lago de fogo” é uma prisão eterna, pois, segundo informou o Senhor Jesus, foi o lugar preparado para Satanás viver, na eternidade - “... Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”(Mt 25:41). Será nesse lugar onde serão lançados os ímpios condenados no Julgamento Final, diante do Trono Branco – “e aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”(Ap 20:15). “...de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”(Ap 20:10). Que Deus nos guarde deste terrível lugar.

Devemos estar cônscios de que após a morte, nosso destino estará selado para sempre(Hb 9:27): com Deus ou sem Ele em eterno sofrimento.

CONCLUSÃO

Só Deus pode comandar o futuro, pois só Ele o conhece e sabe todas as coisas (Sl.139:1-6; I Jo.3:20); nada se lhe pode ocultar  (Sl.38:9; 139:15,23,24; Mt.6:6). Esta onisciência faz-nos ver a soberania de Deus, pois Deus está no absoluto controle de todas as coisas, pois tudo sabe, tudo conhece. Deus sabe todas as coisas e, por isso, jamais é surpreendido por qualquer fato ou ocorrência em todo o Universo.

A onisciência de Deus, aliada à sua eternidade, faz-nos conceber a presciência de Deus, ou seja, Deus já sabe, de antemão, o que irá acontecer, porque, para Deus, não há tempo, sempre é presente, um eterno presente. Assim, Deus conhece o futuro, pois, para Ele, passado, presente e futuro são uma só coisa. Por isso, pode nos revelar, como nos revelou, as coisas que ainda iriam acontecer, na dimensão dos homens.

---------

Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br

-------

Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. - Comentário Bíblico do Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco. Pr. Antonio Sebastião da Silva.