Aula 08

A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS

Leitura Bíblia: Sl 119:1-12

23/11/2008

Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”(2 Tm 3:16)

 

INTRODUÇÃO

Nesta aula, damos início ao segundo bloco de estudo deste trimestre: “O Livro de Deus”.  E para iniciar este bloco de estudos vamos estudar o tema: “A Bíblia é a Palavra de Deus”. Todos os cristãos genuínos reconhecem que a Bíblia é a Palavra de Deus porque ela mesma, diversas vezes, o afirma. “Assim diz o Senhor”, por exemplo, é uma expressão que aparece dezenas de vezes no Antigo Testamento. E mais, o cumprimento exato de tudo quanto nela está desde os primórdios da história da humanidade é a prova irrefutável de que ela é, sem sombra de dúvida, a Palavra de Deus, a revelação de Deus aos homens. Muitos têm tentado, ao longo dos séculos, levantar-se contra o divino Livro, mas todos têm fracassado em seu intento de calá-la ou desacreditá-la, precisamente porque não se trata de uma obra feita pela mente, vontade ou imaginação humana, mas tem sua origem, sua concepção e o zelo pelo seu cumprimento diretamente em Deus.

I - O QUE É A BÍBLIA?

1.Definição. O Tema da aula de hoje já define o que é a Bíblia: é a Palavra de Deus. É a revelação de Deus à humanidade. Esta é a definição canônica mais curta da Bíblia. Tudo o que Deus tem preparado para o homem, bem como o que Ele requer do homem, e tudo o que o homem precisa saber espiritualmente da parte dEle quanto a sua redenção e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar a Palavra de Deus e apropriar-se dela pela fé.

Podemos afirmar que a Bíblia é a palavra de Deus entre outros motivos, porque: 1) A própria Bíblia faz menção da sua inspiração; 2) O Espírito Santo testifica em nosso íntimo que ela é a Palavra de Deus; 3) Nenhum outro livro apresenta tantos testemunhos a respeito da transformação de uma pessoa; muitas conversões foram feitas por meio da leitura da Bíblia, demonstrando o poder da Palavra; 4) A unidade da Bíblia: seus sessenta e seis livros apresentam a pessoa de Jesus Cristo; o Antigo Testamento falava da vinda do Messias e as suas profecias se cumpriram no Novo Testamento; o próprio Jesus destacou ser Ele o tema do Antigo Testamento (Mt 5.17; Lc 24.27.44; Jo 5.39; Hb 10.7).

Se a Bíblia não fosse a inspirada Palavra de Deus, por que tantas pessoas arriscaram suas vidas, para preservar as Escrituras? Por que Deus levantou inúmeras pessoas para traduzir a Bíblia e esses servos não se importaram de sacrificar suas vidas para que a Palavra fosse conhecida? Eles tinham plena confiança de que valia a pena dar sua vida por um livro, não por um livro qualquer, mas pela inspirada e inerrante Palavra de Deus! Nenhum livro fala ao coração humano como este!

2. Algumas características que demonstram ser a Bíblia o “Livro de Deus”. A raiz dos problemas da sociedade é espiritual e é através da Bíblia que podemos aprender a ter o verdadeiro viver espiritual, sendo assim ela foi escrita com certas características que a levaram a ser considerada o “Livro de Deus”:

Ela é pura -"Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam." (Pv 30:5).

Ela é valiosa - "Aceitai o meu ensino, e não a prata, e o conhecimento, antes do que o ouro escolhido. Porque melhor é a sabedoria do que jóias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela."(Pv 8:10-11).

Ela é a verdade – “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre”(Sl 119:160).

Ela é eterna - "Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu." (Sl 119:89).

Ela é imutável - "A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada."(1 Pe 1:25).

Ela é profética - "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.”(2 Pe 1:21);

Ela é perfeita e fiel - "A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples” (Sl 19:07).

Ela é Lâmpada – “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e Luz para o meu caminho”(Sl 119:105).

3. Autor da Bíblia. A existência da Bíblia, abrangendo seus escritores, sua formação, composição, preservação e transmissão, só pode ser explicada como milagre de Deus, ou melhor: Deus é seu autor; seu real intérprete é o Espírito Santo, e seu assunto central é o Senhor Jesus Cristo. O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer nela para ser salvo e praticá-la para ser santo ou santificado.

4. Escritores da Bíblia. Foram cerca de quarenta os escritores da Bíblia. Deste modo, a Palavra Escrita de Deus nos foi dada por canais humanos, assim como o foi a Palavra Viva – Cristo(Ap 19:13). Esses homens  pertenceram às mais variadas profissões e atividades, escreveram e viveram distantes uns dos outros em época e condições diferentes. Levaram, aproximadamente, 1500 anos para escrever a Bíblia. Apesar de todas estas dificuldades, ela não contém erros nem contradições. Há sim dificuldades na compreensão, interpretação, tradução, aplicação, mas isso do lado humano, devido a nossa incapacidade em todos os sentidos. 

5. Qual é o seu propósito? Embora a Bíblia seja um grande tesouro com respeito à sua contribuição para humanidade em literatura, filosofia e história, o maior valor deste livro se encontra na grande influência  que exercem sobre as pessoas. Esse é o fator principal que a classifica como o Livro mais singular. Através de suas páginas o homem se vê exposto quanto à sua verdadeira condição diante de Deus. A palavra de Deus é como uma espada que penetra até os pensamentos e propósitos do homem e o convence de seus pecados diante de Deus - "Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração."( Hb 4:12). O chamado Santo Agostinho era um homem indisciplinado e libertino em sua juventude, porém sua mãe orava por ele enquanto ele crescia. Depois de levar uma vida dissoluta por muitos anos, certo dia, com trinta e um anos de idade, lendo a Bíblia debaixo de uma figueira, chegou num trecho que diz: "Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências"(Rm 13:13-14). Essas palavras o convenceram dos seus pecados e ele se arrependeu diante do Senhor e se tornou um servo de Cristo.

No curso da história, muitas pessoas famosas foram movidas a crer em Cristo e ler a Bíblia. O imperador francês Napoleão, após ter sido derrotado e exilado na ilha de Santa Helena, confessou que embora ele e outros grandes líderes tivessem fundado seus impérios através da força, Jesus Cristo edificou Seu reino com amor. Ele também confessou que embora pudesse reunir seus homens em torno dele em prol de sua própria causa, ele teria de faze-lo falando-lhes face a face, enquanto, por dezoito séculos, incontáveis homens e mulheres se dispuseram a sacrificar, com alegria, a própria vida por amor a Jesus Cristo, sem tê-lo visto sequer uma vez.

A razão pela qual muitos se dispuseram a deixar tudo para seguir a Cristo e ser martirizados por causa dEle é que eles O viram revelado na Bíblia. A Bíblia tem sido a fonte de inspiração para que muitos creiam em Cristo. Embora muitos reis, imperadores e governo tenham tentado, nos últimos dois mil anos, erradicar a Bíblia, começando pelos imperadores romanos do primeiro século até aos governos ateus deste século, nenhum poder sobre a terra tem conseguido cessar a atração do homem por esse livro e pela pessoa maravilhosa que ele revela. O Cristo revelado na Bíblia continua hoje tão vivo como há dois mil anos. Nenhuma biografia de homem sobre a terra tem transformado tantas vidas como a vida de Jesus Cristo.

A Bíblia existe para que possamos compreender, temer, respeitar e amar a Deus sobre todas as coisas. Assim ela a si mesmo se denomina como a Sagrada Escritura: "e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra."(2 Tm 3:15-17).

Portanto, não devemos tomar a Bíblia como um livro comum, apenas para trazer-nos algum conhecimento em nossa mente, mas devemos tomá-la, como um livro de vida, contatando o Senhor Jesus, através da oração, para que Ele nos conceda algo vivo em sua palavra, ou seja, algo que traga uma lição prática para o nosso viver no dia a dia.

6. Por que devemos ler e estudar a Bíblia? Há uma imperiosa necessidade de se ler a Palavra de Deus, foi por isso que Deus a mandou escrever. Ora, Deus tudo faz com propósito (Ec.3:1) e, portanto, Deus não mandaria seus servos escreverem a Palavra se isto não fosse necessário. Ora, algo que é escrito somente tem valor quando é lido, pois, se não for lido, será como se não existisse. Deste modo, o simples fato de termos a Bíblia Sagrada, de temos uma escritura revelada por Deus é o suficiente para que entendamos que a leitura devocional da Palavra de Deus é imprescindível para o nosso relacionamento com o Senhor.

A Bíblia é um livro que não se destina a uma mera leitura. É um livro para se estudar, para que possa ser aplicado. Do contrário, é como engolir a comida sem mastigar, e depois colocá-la pra fora novamente; não se ganha valor nutricional assim. A Bíblia é a Palavra de Deus. Como tal é tão coesa quanto às leis da natureza. Você pode ignorá-la, mas o fará para seu próprio sofrimento, como seria se ignorasse a lei da gravidade. Não se consegue enfatizar de forma suficiente o quanto a Bíblia é importante em nossas vidas. Estudar a Bíblia pode ser comparado a procurar por ouro. Se você fizer pouco esforço e simplesmente "procurar entre as pedras do rio" você apenas encontrará pó de ouro. Mas, quanto mais você se esforçar para "cavar o ouro", mais recompensa obterá por seus esforços.

Devemos ler e estudar a Bíblia porque é a palavra de Deus a nós. Paulo escrevendo a Timóteo afirma que a Bíblia é "divinamente inspirada"(2 Tm 3:16). Em outras palavras, é a Palavra de Deus a nós. Há tantas perguntas feitas por filósofos e pessoas, e que Deus responde a nós nas Escrituras: Qual o propósito da vida? De onde venho? Há vida após a morte? O que acontece após a morte? Como posso chegar ao céu? Por que o mundo está cheio do mal? Por que luto tanto para fazer o que é certo? Além dessas "grandes" perguntas, a Bíblia dá muitos conselhos práticos em áreas como: O que devo procurar em um cônjuge? Como posso ter um casamento bem sucedido? Como posso ser um bom amigo? Como posso ser um bom pai ou uma boa mãe? O que é o sucesso e como consegui-lo? Como posso mudar? O que realmente importa na vida? Como posso viver de modo a não olhar pra trás e me arrepender? Como posso agradar a Deus? Como posso obter perdão? Como posso lidar com as circunstâncias injustas e acontecimentos ruins na vida de forma vitoriosa?

Devemos ler e estudar a Bíblia porque ela é totalmente confiável, sem erro. A Bíblia é única entre tantos livros chamados "sagrados", pois não dá simplesmente ensinamentos morais dizendo: "confie em mim". Ao contrário, nos dá a capacidade de testá-la verificando as centenas de detalhadas profecias que faz, verificando os registros históricos que faz, e checando os fatos científicos que relata. Aqueles que dizem que a Bíblia tem erros têm seus ouvidos cerrados à verdade.

Devemos ler e estudar a Bíblia porque há tantos ensinamentos falsos ao nosso redor, mas a Bíblia nos dá um padrão de medida pelo qual podemos diferenciar a verdade do engano. Ela nos diz como é Deus. Ter uma impressão errada de Deus é adorar a um "ídolo" ou "falso deus", pois assim estamos adorando algo que não é Ele! A Bíblia nos diz como alguém verdadeiramente chega ao céu; e não é por ser bom ou batizado, ou por nada mais que possamos fazer (João 14:6; Ef 2:1-10; Is 53:6; Rm 3:10 em diante, 5:8; 6:23; 10:9-13). Neste pensamento, a Palavra de Deus nos mostra o quanto Deus nos ama (Rm 5:6-8; Is 53:1 em diante.), e é aprendendo isto que somos levados a amá-lo também (I João 4:19).

II – A TRANSMISSÃO DA BÍBLIA

Existem duas vias principais de comunicação entre o Deus e o homem: verbal e escrita. Verbal até Moisés e depois, segundo alguns teólogos, usando a instrumentalidade do homem mais manso da terra passou a ser escrita.

1. A transmissão oral. As palavras do Criador para a humanidade foram passadas no início de forma falada. Deus em contato pessoal com o homem colocava as suas leis e este era o responsável em passá-la para a posteridade. Com o passar dos anos a corrupção generalizou-se na sociedade pré-noêmica e as distorções fatalmente seriam inseridas na história se não fosse o dilúvio que levou à morte toda aquela, excetuando-se a família do patriarca Noé que, pela Graça de Deus, conservou a história para ser outra vez disseminada entre seus descendentes.

Com o aparecimento das línguas, (Gn 11.7), e a dispersão do povo, (Gn 11. 8), a história corria sério risco de ser perdida, então Deus chama a Abraão e põe nele a sua Palavra de forma mais clara e objetiva. Nesse ponto o patriarca tem a história passada pelos seus ancestrais juntamente com as palavras de orientação e proféticas do Todo-Poderoso. A Palavra de Deus continuou sendo transmitida oralmente até Moisés.

2. A transmissão escrita. Embora seja a Palavra de Deus, a Bíblia foi escrita e redigida por seres humanos que, para escrevê-la, usaram de todos os materiais que tinham à sua disposição para tanto, lembrando-se, aliás, que, no tempo da formação dos escritos sagrados, não havia o papel, material que o Oriente Médio e o Ocidente somente conheceram num tempo posterior à elaboração das Escrituras, elaboração esta, aliás, que durou mais de mil e quinhentos anos, que é o tempo que vai de Moisés ou Jó, apontados como os autores do livro de Jó, que é o livro mais antigo das Escrituras, até a redação dos livros do apóstolo João, que são considerados os últimos escritos inspirados da Bíblia Sagrada.

É interessante notar que Deus não escreveu parte nenhuma da Bíblia. As Escrituras registram que Deus havia escrito as primeiras tábuas da Lei (Ex.32:15), mas foram quebradas por Moisés, indignado por causa da corrupção do povo no episódio do bezerro de ouro (Ex.32:19). As segundas tábuas, embora lavradas por Moisés, foram também escritas por Deus (Dt.10:1-4), mas estas tábuas foram colocadas na arca, ou seja, não puderam ser lidas pelo povo. Moisés escreveu o seu teor, nesta oportunidade, naquilo que viria a ser o Pentateuco (Ex.34:27), numa comprovação de que parte alguma das Escrituras foi feita pelo dedo de Deus.

O mesmo devemos dizer a respeito do Filho, ou seja, Jesus nada deixou escrito, mas tudo que transmitiu o fez oralmente, teor este que foi, posteriormente, lembrado pelo Espírito Santo para que pudesse ser reduzido a escrito (I Co.11:23; II Pe.2:16-18; I Jo.1:1,3). Vemos, pois, que, embora seja a Palavra de Deus, a Bíblia não foi escrita, em momento algum, por Deus, que delegou, pois, tal tarefa para o homem.

Deus quis, portanto, que a Bíblia fosse escrita pelos homens, embora se tratasse da própria Palavra do Senhor, para que as Escrituras fossem, elas mesmas, a demonstração da comunhão que se pretendeu restabelecer entre Deus e o homem. Esta comunhão, que, em Jesus, estava evidenciada pela dupla natureza, é um dos aspectos pelos quais as Escrituras são consideradas testemunhas do próprio Verbo Divino (Jo.5:39). Assim, pois, como Jesus é homem e é Deus, as Escrituras também são Palavra de Deus, mas escrita pelos homens.

Propósito divino em dispor sua Palavra em forma escrita - O ser humano depende da memória para guardar tudo quanto lhe é ensinado. A experiência demonstrou que o homem, mesmo antes da queda, era incapaz de guardar, em sua memória, plenamente o ensino divino, tanto que Eva, ao ser desafiada pela serpente quanto ao ensino divino, não o reproduziu com fidelidade (compare Gn.2:16,17 com Gn.3:2,3). Assim, como o homem não era capaz de manter a fidelidade e a credibilidade dos ensinos obtidos pela via oral, bem como por ser limitado, quanto ao tempo, nesta transmissão, já que, pelo pecado, estava condenado à morte física, não podendo ensinar senão a algumas gerações seguintes (Sl.78:1-8), imperioso se fazia reduzir a Palavra de Deus a escrito, a fim de que houvesse maior credibilidade, pois “o que está escrito, está escrito” (Jo.19:22) e o que está escrito não pode ser anulado (Jo.10:35), além de a Palavra poder ser lida e conhecida de gerações futuras que jamais teria contato com as que haviam recebido a mensagem, superando-se, deste modo, o limite da morte física dos homens (Dt.31:10,26-29).

Mas, como pode o homem, cujos pensamentos estão tão distantes dos de Deus (Is.55:8,9;I Co.2:9), escrever a Palavra de Deus, reduzir a escrito aquilo que é próprio da Divindade? Somente de uma maneira: através da inspiração (II Tm.3:16; II Pe.1:21).

III – A COMPOSIÇÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA

1. A biblioteca divina. Resumidamente, informaremos a seguir alguns itens esclarecedores sobre a composição dos livros da Bíblia.

a) Línguas Originais

·   Hebraico: Para o Antigo Testamento.

·   Grego: Para o Novo Testamento.

O Antigo Testamento foi escrito em Hebraico, uma língua da família das línguas semíticas, caracterizada pela predominância de consoantes a não ser Esdras 4:8 a 6:18; 7:12-16; Jeremias 10:11; Daniel 2:4 a 7:8, que foram lavrados em Aramaico.

b) A divisão da Bíblia

A Bíblia está dividida em duas partes principais: Antigo e Novo Testamento.

O Antigo Testamento - Seus 39 livros estão divididos em 4 classes: LEI, HISTÓRIA, POESIA, PROFECIA. Os livros de cada classe são os seguintes:

·   LEI (Tóra): Os cinco primeiros livros do Antigo Testamento ou cinco livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números, Deuteronômio, esses cinco livros são chamados Pentateuco. Tratam da criação e da Lei.

·   HISTÓRIA: 12 livros - Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. Contém a história do povo escolhido: Israel.

·   POESIA: cinco livros - Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cânticos dos Cânticos (Cantares). São chamados poéticos devido ao gênero do seu conteúdo e não por outra razão.

·   PROFECIA: 17 livros - de Isaías a Malaquias. Esses 17 livros estão subdivididos em dois grupos:

o  Profetas Maiores: cinco livros: Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel e Daniel.

o  Profetas Menores: 12 livros: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Os nomes maiores "maiores e menores" referem-se ao volume de matéria dos livros e extensão do ministério profético.

O Novo Testamento - Seus 27 livros também estão divididos em quatro classes: Biografia, História, Doutrina, Profecia. Os livros de cada classe são os seguintes:

·   BIOGRAFIA: São os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Descrevem a vida terrena do Senhor Jesus e o seu glorioso ministério entre os homens. Os três primeiros são chamados sinópticos dos Evangelhos fala também da sua universalidade, por serem quatro os pontos caldeais.

·   HISTÓRIA: É o livro de Atos dos Apóstolos. Registra a história da Igreja Primitiva, seu viver e agir. O livro mostra que o segredo do progresso da Igreja é a plenitude do Espírito Santo.

·   DOUTRINA: São 21 livros chamados Epístolas ou Cartas. Umas são dirigidas a igrejas e outras a indivíduos, etc. Cartas de Paulo: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito e Filemon. Cartas Universais ou Gerais: Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I, II e III João e Judas.

·   PROFECIAS: É o livro de Apocalipse. Esta palavra significa revelação. Trata da volta pessoal da volta do Senhor Jesus à terra, é o inverso do livro de Gênesis. Lá narra como tudo começou; aqui, como tudo findará.

c) O tema central da Bíblia. O tema central de toda Bíblia é a pessoa de Jesus Cristo: "E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras”(Lc 24:27); "A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos."( Lc 24:44);  "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim."(João 5:39). Sendo assim os 66 livros podem ser resumidos da seguinte forma:

Preparação: Todo o Antigo Testamento trata da preparação do mundo para a vinda de Cristo.

Manifestação: Os Evangelhos tratam da manifestação de Cristo ao mundo, como o Rei e Redentor.

Propagação: Os Atos dos apóstolos tratam da propagação de Cristo por meio da Igreja.

Explanação: As Epistolas tratam da explanação de Cristo, dando os detalhes da doutrina.

Consumação: O Apocalipse trata do casamento de Cristo e a Igreja e a consumação de todas as coisas.

Assim sendo, as Escrituras sem a pessoa de Jesus seriam como a física sem a matéria e a matemática sem os números. Já imaginou um cristão sem a Bíblia?

d) Texto áureo da Bíblia: João 3:16.

e) A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense Stephen Langton, em 1227, que viria a ser eleito bispo de Cantuária pouco tempo depois.

f) A divisão em versículos foi introduzida em 1551, pelo impressor parisiense Robert Stephanus. Ambas as divisões tinham por objetivo facilitar a consulta e as citações bíblicas, e foi aceita por todos, incluindo os judeus.

2. O Cânon bíblico. A palavra “cânon” foi aplicada aos livros do Novo Testamento por Atanásio de Alexandria (c. 295-373 d.C.). Antigamente, referia-se a uma haste usada para medir(Ez 40:3). Mais tarde, passou a significar regra, norma, ou padrão de medida(Gl 6:16; Fp 3:16). O Cânon Sagrado é o conjunto de Livros reconhecidos pela Igreja Cristã como tendo sido inspirado por Deus e que formam a Bíblia Sagrada. Sendo 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, totalizam, pois, 66 Livros.

Toda Verdade de Deus que precisava ser revelada, todo o Plano Divino através dos séculos, o Senhor Deus fez constar nesses Livros. Quanto às coisas não reveladas está escrito que “As coisas encobertas são para o Senhor, nosso Deus”(Dt 29:29). Quanto ao que está escrito, conforme afirmou Paulo “... para nosso ensino foi escrito...”(Rm 15:4).

Os nomes canônicos mais comuns do Livro Sagrado são:  Escrituras ou Sagradas Escrituras(Mt 21:42; Rm 1:2); Livro do Senhor(Is 34:16); A Palavra de Deus(Mc 7:13; Hb 4:12); Oráculos de Deus(Rm 3:2).

IV – INSPIRAÇÃO E REVELAÇÃO DA BÍBLIA

1. A inspiração da Bíblia. Mattew Henry, um dos maiores expositores das Sagradas Escrituras, é categórico ao referir-se à inspiração da Bíblia: “As palavras das Escrituras devem ser consideradas palavras do Espírito Santo”. Como não concordar com Henry? Basta ler a Bíblia para sentir, logo em suas palavras iniciais, a presença do Espírito Santo. Paulo afirma: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra”(2Tm 3.16,17).

A palavra “inspirada” (gr. theopneustos) provém de duas palavras gregas: Theos, que significa “Deus”, e pneuo, que significa “respirar”. Sendo assim, “inspirado” significa “respirado por Deus”. Toda a Escritura, portanto, é respirada por Deus; é a própria vida e Palavra de Deus.

Os escritores do Antigo Testamento estavam conscientes de que o que disseram ao povo e o que escreveram é a Palavra de Deus (ver Dt 18.18; 2Sm 23.2;). Repetidamente os profetas iniciavam suas mensagens com a expressão: “Assim diz o Senhor”. Esta expressão ocorre mais de 2.600 vezes. O Espírito Santo falou por intermédio dos autores: “O Espírito do Senhor falou por mim, e a sua palavra esteve em minha boca” (2Sm. 23.2).

Jesus também ensinou que a Escritura é a inspirada Palavra de Deus até em seus mínimos detalhes (Mt 5.18). Afirmou, também, que tudo quanto Ele disse foi recebido da parte do Pai e é verdadeiro (Jo 5.19, 30,31; 7.16; 8.26). Ele falou da revelação divina ainda futura (isto é, a verdade revelada do restante do Novo Testamento), da parte do Espírito Santo através dos apóstolos (Jo 16.13; cf. 14.16,17; 15.26,27).

Negar a inspiração plenária das Sagradas Escrituras, portanto, é desprezar o testemunho fundamental de Jesus Cristo (Mt 5.18; 15.3-6; Lc 16.17; 24.25-27, 44,45; Jo 10.35), do Espírito Santo (Jo 15.26; 16.13; 1Co 2.12-13; 1Tm 4.1) e dos apóstolos (3.16; 2Pe 1.20,21).

É bom fazer uma distinção entre o texto inspirado e o registro inspirado. Assim, declarações mentirosas como as de Ananias e Safira, as declarações de Satanás não foram inspiradas por Deus, mas sim o seu registro. Tais textos foram incluídos na Bíblia, para que conheçamos os ardis de Satanás, os pensamentos dos ímpios. Sabemos que uma das características da Bíblia é a sua imparcialidade, assim, ela não omite as mentiras, as falsidades ditas por alguém.

A inspiração bíblica se refere tanto ao Antigo como ao Novo Testamento. Os escritos de Paulo são designados como “outras Escrituras” (2 Pe 3.16). Apocalipse se refere a si próprio como “palavras da profecia deste livro”, reivindicando autoridade profética tal com os livros do Antigo Testamento.

O Antigo Testamento destaca a inspiração dada a Moisés (Dt 1:3). As palavras de Moisés são “mandamentos do Senhor” (Jz 3:4). Os livros de Moisés foram dados por Deus (2 Cr 34:14; Ne 13:1). Os profetas também receberam inspiração divina. Davi foi inspirado por Deus (Sl 45:1b). O elevado número de citações do Antigo Testamento no Novo demonstra sua inspiração e grau de confiança. Quanto a Moisés, Jesus foi claro em suas palavras: Porque se de fato crêsseis em Moisés, também creríeis em mim, porquanto ele escreveu a meu respeito. Se, porém não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” (Jo. 5:46,47).

O Novo Testamento foi escrito por inspiração divina (Hb 2:3). O livro de Atos mostra a continuação da obra de Cristo por meio dos apóstolos (At 1:1). Paulo menciona a inspiração de seus escritos (Gl 1:12). Igualmente, Pedro (2 Pe 3:2).

2. A inspiração verbal e plenária. A correta doutrina bíblica a respeito da inspiração é: inspiração verbal e plenária. Sendo verbal, todas as palavras foram inspiradas: as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais(1 Co 2:13). O mesmo se refere ao texto bíblico do Antigo Testamento (Ex 24:4).

A inspiração é plena: todo o texto bíblico foi inspirado por Deus. Até os mínimos detalhes foram colocados na Bíblia sob inspiração divina: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido ” (Mt 5.16).

Em II Pe.1:20,21 está escrito:sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo”. Pedro aqui atesta que as Escrituras não podem ser de “particular interpretação”, ou seja, que os textos bíblicos não podem ser entendidos isoladamente, mas como parte de um conjunto, pois, embora tenham sido escritos por homens de diferentes culturas, de diferentes épocas, de diferentes classes sociais, de diferentes graus de instrução, o resultado não é fruto da cultura, da história, da época, da posição social nem tampouco da erudição de cada um dos escritores, mas tão somente obra do Espírito Santo, que é o mesmo a ter agido na vida de cada um destes “homens santos de Deus”.

Este é o ensino bíblico a respeito da elaboração das Escrituras, que é chamada de “teoria da inspiração plenária das Escrituras”, porque entende que a Bíblia toda, sem qualquer exceção, foi inspirada pelo Espírito Santo, ou seja, as Escrituras foram geradas pelo próprio Deus que deu a mensagem a cada um dos escritores, que, fielmente, reduziram a escrito a mensagem recebida.

3. Traduções Bíblicas. Temos de entender que a inerrância e a infalibilidade estão relacionadas diretamente com a inspiração das Escrituras e, portanto, dizem respeito à mensagem originariamente transmitida aos homens inspirados pelo Espírito Santo e que foram sendo copiadas e transmitidas geração após geração. Não nos esqueçamos de que a cópia de um texto é algo feito pelo homem, e um homem que não está sob a inspiração verbal plenária, e que, por isso mesmo, neste ato de copiar não estão envolvidos os conceitos de inerrância nem de infalibilidade.

Com relação à tradução bíblica, também, é outro fator que não está sob o império da inerrância e da infalibilidade da Bíblia. Aqui, também, não temos a atuação da “inspiração verbal plenária” e, portanto, tais atividades podem ter erros ou equívocos, como também necessitam, de tempos em tempos, de revisões e atualizações, pois são ações humanas e, como tal, sujeitas ao tempo e ao espaço. A primeira versão da Bíblia Sagrada em língua portuguesa a ser levada para a imprensa, a de João Ferreira de Almeida, que continha o Novo Testamento, ainda antes de ter sido lançada, teve, pelo próprio tradutor apontados cerca de 1.000 erros de tradução. Aliás, é por isso que esta Versão, após terem sido feitas as correções,  é conhecida como Almeida Revista e Corrigida, ou seja, foi objeto de uma correção e, se foi corrigida, é porque continha erros. Na década de 1940, a Sociedade Bíblica do Brasil efetuou uma atualização desta Versão que, feita no século XVII, se encontrava extremamente defasada e era de difícil compreensão da população da metade do século XX, surgindo, então, a Versão Almeida Revista e Atualizada. Tudo isto é possível e até necessário porque versões e traduções são obras humanas, feitas segundo a vontade de Deus, no sentido da tarefa da Igreja, mas sem a “inerrância e infalibilidade”.

4. A revelação bíblica. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus, mas nem tudo nela é produto de revelação. A revelação implica em Deus mostrar fatos desconhecidos ao escritor sacro enquanto que na inspiração isto não se faz necessário. Por exemplo: Moisés recebeu os primeiros capítulos de Gênesis por revelação enquanto outros não foram necessário produto de revelação. Lucas foi inspirado a reunir vários documentos cristãos precedentes para confeccionar seus dois livros, o Evangelho e o livro de Atos (Lc 1:1-4). Paulo que não andou com Cristo e nem recebeu instrução apostólica deixou-nos um tesouro teológico de inestimável grandeza em suas epistolas. Enquanto Lucas foi inspirado a escrever, a Paulo foi revelado o que escrever.

Quanto à iluminação, tem a ver com a compreensão da mensagem revelada. Em 1 Pe 1:10 -12 está um ótimo exemplo do que significa a iluminação: "Desta salvação inquiriram e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos era destinada, indagando qual o tempo ou o qual a ocasião que o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e sobre as glórias que os seguiriam. Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho. Coisas para as quais até os anjos desejam atentar".

Portanto, a inspiração tem a ver com a recepção e o registro da verdade, a revelação tem a ver com a transmissão e a iluminação é a compreensão desta mesma mensagem.

Neste caso os profetas recebiam a revelação e a inspiração, mas muitas delas não eram acompanhadas de iluminação.

CONCLUSÃO

Pelo que foi exposto nesta aula não há como deixar de acreditar que a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus. E como Palavra de Deus deve ser recebida, crida e obedecida como a autoridade suprema em todas as coisas pertencentes à vida e à piedade (Mt 5.17-19; Jo 14.21; 15.10; 2Tm 3.15,16; ver Êx 20.3). Na igreja, a Bíblia deve ser a autoridade final em todas as questões de ensino, de repreensão, de correção, de doutrina e de instrução na justiça (2Tm 3.16,17). Ninguém pode submeter-se ao senhorio de Cristo  sem estar submisso a Deus e à sua Palavra como a autoridade máxima (Jo 8.31,32, 37).

Como filhos de Deus, não podemos afastar-nos jamais das Sagradas Escrituras; destas, todos dependemos vitalmente. Quanto mais as lermos, mais íntimos seremos de seu Autor. Todos na igreja devem amar, estimar e proteger as Escrituras como um tesouro, tendo-as como a única verdade de Deus para um mundo perdido e moribundo.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Materialismo e o Ateísmo - Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco e Pr. Antonio Sebastião da Silva.