Aula 11

DAVI E A RESTAURAÇÃO DO CULTO A JEOVÁ

Leitura Bíblica: 1 Crônicas 16.7-14

13 de dezembro de 2009

 

"Dai ao SENHOR a glória de seu nome; trazei presentes e vinde perante ele; adorai ao SENHOR na beleza da sua santidade" (1 Cr 16.29).

INTRODUÇÃO

Ao chegar ao trono, a preocupação com o culto ao Senhor foi prioridade na administração de Davi, e fez o que pode para restaurar a adoração ao Senhor. Esta é uma das fortes e notórias diferenças entre Davi e Saul. Enquanto Saul não demonstrava muita preocupação com o culto ao Senhor e com os ministros do culto, Davi comprova um zelo especial pela adoração a Deus (Leia os capítulos 6 e 7 de 2 Samuel). É com Davi que observamos os primeiros passos rumo ao retorno da verdadeira adoração a Jeová. Davi tinha superlativo prazer em cultuar, adorar, ao Senhor. Isso agradava sobremodo a Deus. O desejo do Pai Celeste é que em nossas vidas haja o mesmo anseio do rei Davi, que no salmo de número 27:4 diz: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei; que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”.

I. O CULTO E O SEU PROPÓSITO

1. Adoração. Adoração é o elemento principal do culto. É a sua essência. Ir ao culto sem o objetivo de adorar ao Senhor com sinceridade de coração e reverência, fez-se um sacrifício de tolo; pode-se considerar um culto sem propósito. Quando Davi se prontificou a trazer a Arca da Aliança (que se encontrava na casa de Obede-Edom) para Jerusalém, veio adorando a Deus durante todo o caminho percorrido. Ele se preocupou substancialmente com o propósito da adoração. Só para ter a idéia, conforme 1Crônicas 15:5-10, foram encarregados 862 sacerdotes e levitas, que numa demonstração de fervor sem igual de adoração ao Senhor, se colocaram em sua presença com temor e sinceridade. Davi, se despiu de suas vestes reais e se vestiu de veste igual a dos sacerdotes(1Cr 15:27) demonstrando assim que só o Senhor merece atenção e adoração no local de culto. Todos, sem distinção, devemos nos apresentar ao Senhor em adoração como servos.

a) Adorar a Deus exige reverência, pois é um ato de total rendição, gratidão e exaltação ao Senhor. O termo adorar vem de uma palavra que significa "inclinar-se, prostrar-se em deferência diante de um superior". Essa atitude expressa mais do que uma demonstração de amor por alguém - se você ama seu esposo ou sua esposa, não se prostra diante dele (a) ou curva-se com o rosto em terra. Prostrar-se diante de Deus significa reconhecê-lo como seu Senhor. Você é servo dele, e ele é seu Senhor. A Bíblia está cheia de versículos que vinculam a idéia de adorar à de prostrar-se ou ajoelhar-se diante de Deus. Quando examinamos a Bíblia, descobrimos muitos exemplos:

"E, imediatamente, curvando-se Moisés para a terra, o adorou" (Êx 34.8); "Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou" (SI 95.6); "Todos os filhos de Israel, vendo descer o fogo e a glória do SENHOR sobre a casa, se encurvaram com o rosto em terra sobre o pavimento, e adoraram, e louvaram o SENHOR, porque é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre" (2Cr 7.3); "Os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono"(Ap 4.10). Em resumo, a Bíblia sempre utiliza o vocábulo "adoração" no contexto de prostrar-se diante de Deus, quer literal, quer simbolicamente. Portanto, quando adoro, reconheço a minha pequenez e dependência de Deus, coloco-me no meu devido lugar: sou criatura, e Deus é o criador

b) Adoração envolve atitudes. Adoração envolve todo o nosso ser, nossas atitudes. Por exemplo, em Apocalipse 4.10, citado anteriormente, está escrito: "Os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso". O que significa a atitude dos anciãos depositarem suas coroas diante do trono? O fato de que eles tinham coroas indica que possuíam alguma autoridade pessoal. Mas ao depositarem suas coroas diante do Senhor eles estão declarando simbolicamente: "Tu és o Rei dos Reis; toda a nossa autoridade submetemos a Ti, pois Tua autoridade é superior". Portanto, a adoração deles, nesta ocasião, pelo menos envolvia uma ação que transmitia um significado específico. Outro exemplo significativo encontramos na atitude de Maria quando ungiu os pés de Cristo com precioso bálsamo, enxugando-os com seus cabelos. Ela não pronunciou qualquer palavra, mas sem dúvida aquele foi um ato de adoração. Portanto, quando adoro, entrego a Deus o que sou e o que tenho, agradeço cada demonstração das bênçãos divinas, reconheço que ele está no controle de tudo.

c) Adoração não envolve apenas palavras. A adoração bíblica não é apresentada como algo apenas intelectual ou verbal, mas como uma atitude de todo o nosso ser. Pode não envolver palavras, mas sempre tem o significado de exaltar a Deus como Senhor. A adoração que consiste apenas de palavras é algo abominável a Deus. Em Isaías 29.13, Ele afirma: "Este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens". Nossa adoração formal aos domingos é uma mentira, se Deus não é verdadeiramente o nosso Senhor durante o restante da semana.

2. Comunhão. Outro elemento indispensável ao verdadeiro culto a Deus é a comunhão. Sem comunhão com o Deus a quem servimos e com o nosso próximo, não é possível uma adoração verdadeira. A comunhão é o compartilhamento, participação, ou seja, a ação de tomar parte em algo, de se tornar parte de alguma coisa. Isso existiu no culto davídico. Quando a Arca foi unida ao Tabernáculo construída por Davi, em Jerusalém, houve uma gigantesca manifestação de adoração ao Senhor e de comunhão entre o povo(2Sm 6:17). Acabando Davi de oferecer os holocaustos, ele abençoou o povo em nome do Senhor dos Exércitos “e repartiu a todo o povo e a toda a multidão de Israel, desde os homens até às mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então, foi-se todo o povo, cada um para sua casa" (2 Sm 6.18,19). Ao dar esses presentes, Davi demonstra ao povo a fraternidade que deve existir entre os adoradores do verdadeiro Deus.

Na Nova Aliança, a comunhão apresenta-se como a principal característica da Igreja, a sua marca perante a humanidade, a característica indispensável para que o Senhor possa realizar a Sua obra através do Seu povo. Pela comunhão, a Igreja mostra-se como um povo diferente perante os demais seres humanos e, graças a ela, pode cumprir todas as tarefas determinadas a ela. Tanto assim é que o relato de Lucas a respeito da igreja primitiva termina com o cumprimento da principal missão da Igreja: “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At.2:47).

Na nova Aliança, comunhão é o reflexo da nossa união com o nosso próximo. Se quebrarmos nosso relacionamento com o próximo, não teremos comunhão com o Senhor (Mt 6.14,15). Biblicamente, não é possível andar como salvos sem que haja união. Não havendo União, não há comunhão; não havendo comunhão não há amor; não havendo Amor não seremos crentes salvos, andando para o Céu. Divisões, contendas, não fica bem entre irmãos que querem viver como salvo. Recorde o Cântico de Davi: Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre”(Sl 133). Infelizmente, a multiplicação do pecado em nossos dias (Mt.24:14) produz inevitavelmente a diminuição da comunhão e o conseqüente crescimento das divisões, porfias, dissensões e todas as obras pecaminosas similares a estas no meio daqueles que servem a Deus (Gl.5:20; Jd.20).

II. O CULTO E SEUS UTENSÍLIOS

Culto é o momento através do qual os filhos de Deus adoram a Deus em espírito e em verdade. Literalmente quer dizer: adorar e reverenciar a Deus. É uma demonstração do reconhecimento da nossa inferioridade diante de Deus, de que Ele é o Senhor e digno de toda a adoração, de todo o louvor (Ap.5:12-14). Através do culto, externamos aquilo que já está em nosso coração, ou seja, a convicção, a certeza e o reconhecimento de que Deus é digno, de que Deus merece toda a honra, toda a veneração, todo o respeito.

1. O altar do holocausto e do incenso. O altar mais conhecido no Velho Testamento é o do holocausto. Ele era destinado à realização dos sacrifícios. Era o local onde se derramava o sangue de um animal inocente para fazer expiação pelo pecado, lembrando com isso o sangue do Cordeiro de Deus que seria sacrificado por toda a humanidade (Jo 1.29; Ap 1.5).

Segundo a lei, deveria haver dois sacrifícios diários no altar do holocausto (Ex.29:38,39): um no início do dia, e outro no final do dia e que deveria estar totalmente queimado antes do horário do sacrifício seguinte, com o fogo do altar ardendo continuamente para que esta queima fosse possível. Logo após o sacrifício, o sacerdote deveria retirar as cinzas do animal e, após vestir outras vestes, levá-las para fora do arraial, para um lugar limpo.

O sacrifício simboliza a comunhão entre Deus e os homens, pois os sacrifícios tinham, por finalidade, encobrir o pecado do homem(Lv.6:25; 16:13; Sl.32:1), o grande obstáculo que existe no relacionamento entre Deus e o ser humano (Is.59:2). Este sacrifício diário mostra-nos, portanto, que a vida de comunhão entre o homem e Deus deve ser diariamente estabelecida, tem de ser algo contínuo.

O sacrifício feito num período do dia não servia para o outro, nem mesmo as cinzas, nem o resíduo do animal sacrificado no momento anterior poderia continuar no altar, mas deveria ser removido e levado para fora do arraial, para fora da vida da comunidade, do povo de Israel, pois nada mais representava para a vida de comunhão com Deus, sendo, apenas, uma página virada da história. O crente deve ter uma vida de comunhão e de ausência de pecado hoje, neste momento, neste instante, a cada dia, pois não se pode viver das cinzas, das lembranças e da memória de uma vida passada de santidade e de ausência de pecado.

O altar do Incenso. o "altar do incenso" tem sua simbologia ligada à oração e intercessão (Sl 141.2). Segundo a lei(Ex.30:7,8), o sacerdote deveria, duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde, queimar incenso no altar de incenso. Era o "incenso contínuo". O incenso fala-nos da oração (Ap.5:8; 8:4). A oração, que é a forma de comunicação do homem com Deus é algo que deve ser feito incessantemente, sem parar, sem interrupção (1Ts.5:17; Ef.6:18).

Assim como o incenso não parava de ser queimado no altar de ouro, o crente não pode parar de orar. Jesus, quando nos ensinou a orar, ao afirmar, na oração dominical, que pedia o "pão nosso de cada dia", implicitamente afirmou que a oração deveria ser feita dia-a-dia, momento-a-momento, pois se pedia o pão daquele dia, era porque nos dizia que, a cada dia, deveríamos orar. Aliás, Jesus sempre foi um exemplo de vida de oração, pois nasceu orando (Hb.10:5-7), viveu orando (Mt.14:23; 26:36; Jo.17) e morreu orando (Lc.23:46). Ninguém pode ter uma vida espiritual com base em orações passadas, muito menos em orações de outros (os popularmente chamados "crentes de carona").

2. A Arca. A arca da aliança era o objeto mais sagrado de todo o Tabernáculo, e era sobre a Arca que o Eterno Deus se manifestava a Israel: "E ali virei a ti e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do Testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel" (Êx 25:22). Infelizmente, nos dias de Samuel os israelitas haviam transformado a arca em uma espécie de amuleto, e tentavam usá-la como um fetiche (1 Sm 4.3). De nada vale um utensílio sagrado se não há obediência por parte de quem o conduz (1 Sm 4.5,10). Davi queria que a arca adquirisse nos seus dias a sua verdadeira simbologia.

Dentro da Arca havia três objetos:

a) As tábuas da Lei. Isto nos fala da palavra do Eterno Deus que nos foi dada como uma dádiva a fim de que o conheçamos. Esta não é uma palavra comum. Aqui estão as tábuas que ele mesmo havia escrito e dado ao povo! Isso tipifica a pureza da palavra, escritas em tábuas lavradas por Moisés, porém com o conteúdo divino!

b) O Maná. O maná nos fala do alimento diário que foi dado por Deus ao seu povo enquanto caminhavam no deserto durante quarenta anos! O alimento era diário, mostrando-nos que a cada dia nos dá o Senhor a sua porção! Outra coisa interessante é que este alimento originava-se do céu. Era o pão dos anjos que fora dado ao povo a fim de se alimentarem! Novamente aprendemos que o Eterno nos dá o alimento diário e se preciso for seremos socorridos pelo alimento celestial, trazido pelos próprios anjos a fim de não perecermos! Durante todo o período de provação no deserto seremos alimentados e cuidados pelo Senhor!

c) A vara de Arão que florescera. A vara nos fala da autoridade conferida a alguém. Esta autoridade fora colocada diante do Eterno e floresceu! Ou seja, nossa autoridade quando colocada diante do Eterno brota, aparece, para que todos vejam e saibam que nosso ministério foi realmente dado a nós por Deus!

III. O CULTO E SUA LITURGIA

Liturgia é o conjunto dos elementos que compõem o culto. A “liturgia” tem um conjunto de ritos, formalidades e cerimônias que devem ser estabelecidos, já que estamos diante de uma adoração coletiva, de uma reunião de pessoas, a exigir que haja uma organização, uma ordem, até porque se trata de um momento de grande reverência e respeito, pois se vai adorar ao Senhor de todo o universo. Assim, se é razoável exigir-se uma certa solenidade, uma certa formalidade quando estamos diante de ocasiões especiais na vida cotidiana, como poderemos dispensar um ambiente de respeito e de consideração quando nos reunimos para adorar a Deus?

A Liturgia no culto é necessária, mas deve-se ter cuidado com o formalismo. Foi o mal que tomou conta do povo de Israel, que passou a cultuar a Deus de modo exclusivamente externo e aparente, prendendo-se aos rituais e às cerimônias, o que levou, inclusive, o Senhor a abominar as solenidades e festividades que se passaram a realizar. Através dos profetas, Deus mostrou ao Seu povo que não tinha prazer em rituais, cerimônias e solenidades, se elas não viessem acompanhadas de um verdadeiro espírito de adoração, se elas não traduzissem um real e sincero reconhecimento da soberania divina da parte dos participantes das cerimônias religiosas (Is.1:10-19; 58:1-8; Zc.7:4-7; Ml.1:7-14). O ponto máximo do formalismo encontramos nos fariseus, a ponto que “farisaísmo” passou a ser sinônimo de um formalismo vazio e abominável ao Senhor, algo que repugna a Deus(veja o alerta de Jesus em Mateus 23).

1. A liturgia na Velha Aliança. A liturgia da Velha Aliança centralizava-se nos rituais simbólicos: do Tabernáculo mosaico e, depois, do templo de Jerusalém. Os serviços, ministrados por sacerdotes e levitas (cf. Êx. 28 e 29; Lv. 8), constituíam uma prefiguração dramática da salvação que haveria de se concretizar através do sacrifício vicário e do sacerdócio de Cristo. Animais representavam a Cristo; a imolação desses animais simbolizava a morte de Cristo; e o sangue deles prefigurava o sangue de Cristo. Tanto os sacerdotes quanto os levitas trabalhavam duro para darem conta do ritual litúrgico do culto judaico. Nos dias de Davi, muitos elementos dessa forma de adorar ainda continuavam.

Davi trouxe algumas mudanças. Ele não mudou os ritos sagrados estabelecidos na Lei Mosaica, mas otimizou a liturgia do culto dando mais esplendor e vigor, e incentivando o povo a adorar ao Deus de Israel. Ele procurou ser um patrono do culto religioso e com a inspiração do Espírito Santo ele teve oportunidade de fazer uso do talento musical para escrever a letra e compor a música de vários salmos de louvor e proféticos que passaram a ser cantados no Tabernáculo, e mais tarde no Templo(veja 1Cr 15 e 16). Ele estabeleceu um programa elaborado para os levitas, os quais estavam espalhados por toda a nação, fazendo com que sua participação nos cânticos, na adoração e no ensino fosse mais efetiva. Ele estabeleceu três coros musicais especiais para serem apresentados rotineiramente em louvor ao Senhor Jeová: dos levitas(1Cr 15:16-19); das virgens(“Alamote” – 1Cr 15:20); dos homens(1Cr 15:21). Os três coros são citados no Salmo 68:25 - O coro masculino ia primeiro; as virgens tocando adufes(“Antigo pandeiro quadrado, de madeira, com dois tampos de pergaminho, que encerram fieiras de soalhas”) iam entre o coro masculino e o terceiro coro (dos músicos). Portanto, Davi trouxe a alegria ao povo em servir ao Senhor em seu santo Tabernáculo. Ele sentia prazer em cultuar ao Senhor(cf Salmo 122:1).

2. A liturgia na Nova Aliança. Na Nova Aliança, a Liturgia se centra na pessoa do Cristo e é principalmente uma “cristianização” da vida litúrgica do Antigo Testamento. Na Igreja Primitiva, ao contrário do culto veterotestamentário, a Liturgia era bastante simples: incluía a leitura da Bíblia e sua explanação (At 13.14-16; 1 Tm 4.13); a oração (At 16.13; 1 Tm 2.8); a recitação de Salmos, cânticos de hinos e expressões carismáticas do Espírito Santo (1 Co 14.26; Ef 5.19; Cl 3.16).

1. Exposição da Palavra de Deus. Considera-se o componente mais importante do culto ao Senhor. Por isso, nossas reuniões devocionais devem dar prioridade à exposição da Palavra do Senhor. Nos dias em que vivemos, o louvor tem tomado, nas celebrações e reuniões da igreja, tempo excessivo, muitas vezes suprimindo o próprio tempo da Palavra de Deus, o que, entretanto, não é o que vemos acontecer na igreja primitiva, onde o ensino da Palavra tinha prioridade. Nós não podemos impor uma liturgia, isto é, um modo de cultuar a Deus, que seja idêntico em todos os lugares, pois muito da liturgia envolve aspectos culturais e que variam de lugar para lugar, de povo para povo, de região para região, mas, apesar de a forma ser diferente, de os costumes serem variáveis, a essência não pode ser modificada e, neste ponto, temos que a prioridade da Palavra de Deus é inegociável, é elemento que não pode ser alterado de forma alguma, pois, como vimos, é fator essencial para o crescimento espiritual da Igreja.

2. Oração. As igrejas Neotestamentárias frequentemente se dedicavam à oração coletiva prolongada(At 1:4; 2:42; 4:24-31; 12:5,12; 13:2). A intenção de Deus é que seu povo se reúna para a oração definida e perseverante. Note as palavras de Jesus: “A minha casa será chamada casa de oração”(Mt 21:13). As igrejas que declaram basear sua teologia, prática e missão, no padrão divino revelado no livro de Atos e noutros escritos do Novo Testamento, devem exercer a oração fervorosa e coletiva como elemento vital da sua adoração – e não apenas um ou dois minutos por culto. Na igreja primitiva, o poder e presença de Deus e as reuniões de oração integravam-se. Nenhum volume de pregação, ensino, cânticos, música, animação, movimento e entusiasmo manifestará o poder e presença genuínos no Espírito Santo, sem a oração neotestamentária, mediante a qual os crentes “perseveravam unanimemente em oração e súplicas”(At 1:14).

É indispensável que a igreja, reunida, busque a Deus em oração, para que tenhamos uma verdadeira adoração e a presença de Deus se faça sentir no meio dos crentes. Cada crente deve, assim que chegar à igreja, buscar a face do Senhor, orar para que o nome do Senhor seja glorificado na reunião. O culto na igreja começa quando ali chegamos e devemos aproveitar o nosso tempo para orar e buscar a presença de Deus.

3. Salmo, ou seja, o louvor. Desde os tempos do Antigo Testamento, nas cerimônias e celebrações coletivas de adoração a Deus, estava presente um momento de louvor e de cântico. O louvor é a prática devocional que perdurará após a glorificação dos salvos, pois os anjos não cessam de louvar a Deus e estaremos com o Senhor para sempre, louvando-o. Deste modo, é indispensável que a liturgia incorpore momentos de louvor na vida devocional coletiva. Entretanto, o louvor, como bem demonstra a Bíblia, é um sacrifício pacífico que se faz ao Senhor nesta dispensação (Hb.13:15). Sendo assim, há critérios que devem ser observados quanto ao louvor que deve ser entoado pela igreja ou na igreja por ocasião de nossas reuniões devocionais.

Estes componentes da liturgia do culto cristão são os recomendados na Bíblia Sagrada e, sinceramente, são os suficientes para nos deleitarmos com a presença de Deus. Quando feitos com decência e ordem e dirigidos pelo Espírito Santo, certamente a reunião coletiva da Igreja ensejará num verdadeiro culto ao Senhor.

CONCLUSÃO

Como vemos o santuário e o culto consagrado para Deus nestes dias? Com certeza não pode e nem deve ser o lugar de uma simples reunião religiosa ou um encontro social de pessoas que durante as semanas ficam distantes uma das outras devido a seus afazeres de estudo, trabalho, compromissos diversos, etc. Embora não estejamos mais debaixo dos preceitos da Velha Aliança concernentes ao culto, os princípios que os fundamentam - reverência, pureza, sinceridade -, devem nortear ainda hoje o nosso culto.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de estudo DAKE. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1º e 2º Samuel. Davi – vitórias e as derrotas de um homem de Deus – CPAD/2009. Quando o coração fala mais alto que a razão - Pr Josias Moura De Menezes. Por que devemos nos deleitar em deus em adoração? – Ver Hernandes Dias Lopes. O Culto Judeu - Jairo Carlos.