DAVI E A SUA VOCAÇÃO
Leitura Bíblica: 1Samuel 16:1,310-13
04/10/2009
“E,
quando este foi retirado, lhes levantou como rei a Davi, ao qual também deu
testemunho e disse: Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração,
que executará toda a minha vontade”
(At
13:22).
INTRODUÇÃO
O que é vocação? Vocação é o apelo (chamado) de Deus a uma pessoa. Ele faz seu convite a cada pessoa, homem ou mulher, independente de raça, cor, idade, ou posição social. Quanto à vocação de Davi, se dá no exercício laborioso de seu acostumado trabalho: pastor de ovelhas. Ser pastor de ovelhas era um trabalho exercido por escravo ou pela pessoa mais insignificante da família. Muitos poderiam olhar para Davi e não ver nele mérito nenhum para ser rei de uma nação. Se dependesse de Samuel, ele não seria rei, pois logo ao ver o primeiro filho de Jessé já o considerava o homem escolhido por Deus – “E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse: Certamente, está perante o Senhor o seu ungido”(1Sm 16:6). Porém, recebeu uma advertência do Senhor: “Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos lhos, porém o Senhor olha para o coração”(1Sm 16:7). No trabalho do Senhor, é Ele quem sabe verdadeiramente escolher a pessoa certa para a missão que Ele determinar. Quando assim o faz, certamente, o caminho à vitória é certo e inevitável. A vocação de Davi sempre foi à vitória, pois foi escolhido por Deus para cumprimento de seus propósitos e foi fiel a Ele em toda a sua vida. Está escrito: “Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi”(Sl 89:20).
I – AS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE DAVI FOI CHAMADO
1. Em meio a uma crise espiritual. O povo de Israel, após a morte de Josué, se desviou para a apostasia e caírem vítimas da opressão de nações vizinhas estrangeiras. Moisés tinha profetizado que a opressão viria da parte das nações estrangeiras sobre os israelitas como maldição da parte de Deus, se eles abandonassem o concerto (Dt 28.25, 33, 48). O livro de Juízes ressalta a realidade histórica dessa profecia. Quando Israel preteriu o governo teocrático(1Sm 8:1-7,19-22), que lhes governava com justiça e equidade, para afeiçoar-se a um governo humano, exigindo um rei à semelhança dos povos visinhos(1Sm 8:20), foi uma demonstração tangível da decadência espiritual do povo de Israel. O sistema mundano era agradável aos seus olhos.
Eis o cenário: Samuel estava muito velho, e por não ter as mesmas energias de sua juventude, constitui seus dois filhos (Joel e Abias) por juizes em Berseba, mas eles são o caso clássico de que nem sempre a posteridade segue os mesmos exemplos justos de seus pais. Joel e Abias “não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e tomaram presentes (corrupção) e perverteram o juízo”(1Sm 8:3). Quanto aos filhos de Eli(o sumo sacerdote) eram sacerdotes mundanos, e os de Samuel não inspiravam confiança no governo – era realmente uma crise: espiritual e de liderança. Esse fato aparentemente fez com que os anciãos de Israel pedissem um rei a Samuel. Eles, os israelitas, queriam ter um rei para que fossem julgados por ele, como o eram as nações à sua volta. Samuel, sentido com este pedido, orou ao Senhor(1Sm 8:6). A resposta de Deus, como uma advertência, mostrava que uma administração nos moldes pedidos implicava em altos gastos e impostos para os próprios israelitas, além do fato de que os filhos dos israelitas poderiam ir para a guerra e ser servos de um governante. ”Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós um rei”(1Sm 8:19). O povo queria um rei para poder lutar contra seus opressores, e conseguiu. Até aqui não há nada demais, pois a própria Lei de Moisés mostra que uma monarquia estava prevista nos planos de Deus para Israel(ler Dt 17:14,15).
Mas, o pedido de Israel esbarra no desejo de se parecer com as outras nações (vamos assim dizer: com o sistema mundano) - “E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras”(1Sm 8:20). Eles queriam ser como as demais nações a sua volta.
Confirmada a decisão do povo, Deus indicou quem Ele queria no trono - o escolhido fora Saul. Saul foi escolhido como primeiro rei - era moço, tinha saúde, vigor, força, disposição. Era o mais belo de Israel(1Sm 9:2) – era como um astro de Hollywood. Era um jovem bem-aceito, cobiçado, bom partido, que tinha excelentes predicados físicos e também fortes qualidades morais. Quanto ao seu relacionamento com Deus(1Sm 10:6,10;11:6), foi um homem transformado e possuído pelo Espírito Santo de Deus (10:6,10; 11:6). Ele teve o privilégio de desfrutar da intimidade de Deus. Ele sabia o que era o poder de Deus na sua vida. Ele tinha intimidade com o sagrado. Ele estava no coração de Deus, antes de estar no coração do povo. Ele estava nos planos de Deus, antes de ser ungido rei sobre Israel. Foi ungido por mandado de Deus rei sobre Israel (10:1) – Ele não ambiciona ser rei, mas Deus o escolheu. Não foi eleito pela terra, mas pelo céu; não foi eleito por homens, mas por Deus. A legitimidade do seu governo foi dada pelo próprio Deus. Foi ungido como príncipe de Deus sobre o seu próprio povo.
Saul tinha tudo para dar certo, todavia, o que parecia ser uma solução para a liderança de Israel se transformou um desastre por parte do rei escolhido. Ele deixou de ouvir a voz de Deus, se tornou uma pessoa desobediente e independente do Senhor que o escolheu para estar no trono. Terminou sua vida em tragédia. Fez opções erradas. Não escutou conselhos. Endureceu seu coração. Perdeu a comunhão com Deus. Não buscava mais a face de Deus na crise. Sempre tentou se justificar. Tinha medo das consequências do seu pecado, mas não do pecado. De queda em queda, foi descendo a um profundo abismo. Apostatou-se da fé em Deus. Ele consultava ao Senhor no início de seu reinado, e terminou consultado uma feiticeira pra saber sobre o futuro. Deus o rejeitou(1Sm 13:13,14; 15:26-28). A crise, espiritual e de liderança, estava novamente formada.
2. A gravidade da Crise. Como consequência da crise, tanto espiritual como de liderança, pois Deus rejeitou o governo de Saul, o povo de Israel "procedeu nesciamente" desobedecendo aos mandamentos do Senhor. Saul acabou possuído por demônios! Ele representa uma sociedade abandonada por Deus, uma sociedade entregue ao mal. Israel sob Saul se tornou deplorável moralmente - distante de Deus e odiando a verdade. Logo Satanás se voltou contra Israel infligindo um sopro final de destruição. Ele estava resolvido a varrer Israel do mapa tal qual muitos inimigos de Israel de hoje. Israel há muitos anos atrás foi advertido: “Porém, se perseverardes em fazer o mal, perecereis, assim vós como o vosso rei”(1Sm 12:25).
Saul tinha tudo para ser um homem de sucesso e foi um fracasso. Começou bem e terminou mal. Suas decisões foram desastradas. Ele tropeçou nas suas próprias pernas. Foi derrotado não pelos inimigos nem pelas circunstâncias, mas por si mesmo.
A vida de Saul é uma trombeta a alertar-nos para o perigo de começar bem a carreira e perder-se na caminhada. A vida de Saul nos ensina que podemos desperdiçar as oportunidades da vida. Ela nos ensina o que não devemos fazer. Ela nos aponta para o perigo de receber em si mesmo a merecida punição do seu erro.
Quando o seu líder se desvia do caminho a ser seguido, o povo, também, vai com ele. Se o líder é um desajustado espiritual os seus liderados também são. Mas Deus nunca deixou o seu povo desamparado, sem um representante conforme a sua vontade. Nestas circunstancias de decadência espiritual e moral do povo de Israel ele escolheu um homem segundo o seu coração, para liderar o seu povo. Deus, que controla as situações, declarou a Samuel que já havia se provido de um rei(1Sm 16:1) – esse rei foi Davi, que se tornaria o melhor e o maior rei de todos os tempos. É assim que Deus faz - Ele jamais despreza o seu povo. O líder que rejeita a comunhão com o Senhor, que não cumpre com os seus mandamentos, que conduz a obra do Senhor fora das diretrizes determinadas, certamente, não vai muito longe; Deus requererá dele uma conversão imediata, senão poderá substitui-lo, pois a obra é dEle e não aceita líderes desmantelados, espiritualmente e moralmente, dirigindo o seu povo.
II. A NATUREZA DA VOCAÇÃO DE DAVI
1. Um desígnio divino. Quando lemos o Salmo 89:20: “Achei a Davi, meu servo; como o meu Santo óleo o ungi”, vemos claramente que Davi foi escolhido por Deus. Ele foi chamado ou “recebeu uma vocação” da parte do Senhor. Mas, o que tinha Davi de especial para que Deus lhe dispensasse tanta estima e consideração? As características de seu caráter revelam que ele era um homem que amava a Deus acima de todas as coisas, e nEle cria de todo o coração. A maneira como Deus escolheu Davi para ser ungido rei de Israel, sucedendo o rei Saul, em virtude de Deus o ter rejeitado, é de uma maneira impressionante e de grande ensino para todos nós. Diante de seus irmãos, que eram homens valentes, guerreiros e de boa aparência, excelentes pré-requisitos para ser escolhido a rei, Davi jamais seria escolhido, se fosse escolhido sem a intervenção divina (veja I Sm 16:6,7). Mas Deus foi contundente e bastante doutrinário: Deus não vê como vê o homem, mas olha para o caráter, para o interior, para o coração. Glória a Deus!!
Deus nem sempre escolhe indivíduos brilhantes, de aparência elegante e bem-sucedidos para levar adiante seus projetos e realizar sua obra. Não. Muitas vezes ele escolhe o mais humilde ou o mais anônimo entre os homens, como fez com Davi. Deus olhou para um pastorzinho, espiritual e obediente, que lá nas colinas de Belém guardava as ovelhas do pai, e disse: “Este é o homem”. O Senhor está buscando homens e mulheres em cujos corações haja o sincero desejo de segui-lo e fazer sua vontade acima de qualquer outra coisa no mundo.
Perfil de Davi. Davi era o mais novo de uma família de oito filhos. Seu pai tinha um rebanho de ovelhas, que era cuidado pelo moço. Esse era um trabalho nada fácil.
Ovelhas precisam de lugares abertos para se movimentar. Precisam de um pastor que as proteja, pois são animais sem defesa própria como garras, porte físico ou dentes afiados. Elas emitem sons baixos para demonstrar determinados problemas, como quando um filhote se perde da mãe. Para que cresçam fortes, precisam de água de boa qualidade. Os pastos onde se alimentam devem ter sombra, e comem até ervas que os bovinos não comem. O pastor tem de guardar um ano para tosquiar as ovelhas e obter o resultado financeiro de seu trabalho, e o seu cuidado com elas será medido justamente nessa hora, pela qualidade da lã. Não possuem um sistema próprio de orientação e podem se perder com facilidade, além de se tornar alvo de predadores.
Ser pastor não era nada fácil, pois é um trabalho no qual só se consegue ter sucesso como muita persistência, mas não há registros de que Davi tenha ficado, em algum momento, insatisfeito com o seu trabalho. Pelo texto, vemos que Davi era um jovem corajoso e dedicado em seu trabalho. Ele o levava bastante a sério, de forma que arriscava até sua própria vida na defesa de suas ovelhas. Veja o que ele diz a Saul sobre proteger as ovelhas de seu pai, antes de enfrentar Golias: “E Davi disse a Saul: Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu servo irá e pelejará contra este filisteu. Porém Saul disse a Davi: Contra este filisteu não poderás ir para pelejar com ele; pois tu ainda és moço, e ele, homem de guerra desde a sua mocidade. Então, disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; e vinha um leão ou um urso e tomava uma ovelha do rebanho, e eu saía após ele, e o feria, e a livrava da sua boca; e, levantando-se ele contra mim, lançava-lhe mão da barba, e o feria, e o matava. Assim, feria o teu servo o leão como o urso; assim será este incircunciso filisteu como um deles; porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo. Disse mais Davi: O Senhor me livrou da mão do leão e da do urso; ele me livrará da mão deste filisteu. Então, disse Saul a Davi: Vai-te embora, e o Senhor seja contigo”(1Sm 17:32-37).
Esse era o perfil daquele que seria o futuro rei de Israel: corajoso, paciente, dedicado e temente a Deus. É importante ressaltar que o Messias prometido ao povo de Deus seria um descente da tribo de Judá e, portanto, Davi é parte direta do cumprimento das promessas divinas a Israel(Is 11:1,2; Jr 23:5,6; At 2:29,30;Rm 1:3).
2. A resposta humana. Um dos princípios da vocação divina é a soberania de Deus(1Cr 28:4,5). É Ele quem escolhe seus próprios líderes. Jesus deixou claro que quando carecemos de obreiros para trabalhar na obra de Deus, devemos pedir ao Senhor da Seara que mande os obreiros para o seu trabalho(Mt 9:37,38). Os céus possuem os melhores recursos humanos para a Igreja, e a oração é essencial na escolha de novos líderes. Não escolhemos a nós mesmos para estar em posição de liderança, pois o desejo do poder costuma corromper as pessoas. Por isso, é necessário ser escolhido por Deus. Todavia, isso não significa que Deus não leve em consideração a responsabilidade humana na realização de seus propósitos(1Cr 28:6,7).
Saul assumiu o reino de Israel em resposta ao desejo do povo que queria ser como todas as outras nações(1Sm 8:19,20), embora tenham sido alertados sobre o perfil do rei(1Sm 8:4-6). Embora Deus tenha atendido ao injusto clamor do povo(At 13:21), mesmo assim o rei Saul foi escolhido por Deus.
Há pessoas que, de forma apaixonada, levando em consideração a forma como Saul e Davi terminaram, pensam ter sido Saul o resultado da escolha do povo, e Davi, a de Deus. Esta é uma definição interessante, levando-se em consideração o fato de que Saul começou bem e terminou mal sua carreira. Davi começou e terminou bem sua empreitada. Se este é o parâmetro para se auferir se uma pessoa foi ou não verdadeiramente chamada por Deus, teremos problemas para resolver, pois precisamos incluir ao lado de Saul outras pessoas escolhidas igualmente por Deus e que fracassaram ao longo de sua carreira(por exemplo: Salomão – filho de Davi, Sansão, Jeroboão – neto de Davi, que deixou o reino do norte para a idolatria, etc.).
Lembremo-nos de que Saul e Davi foram chamados por Deus. Saul não ungiu a si mesmo. Ele foi ungido por Samuel, mas apontado por Deus – “Amanhã, a estas horas, te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo, porque o clamor chegou a mim”(1Sm 9:16). Samuel apresentou Saul como um rei colocado por Deus – “Agora, pois, vedes aí o rei que elegestes e que pedistes; e eis que o Senhor tem posto sobre vós um rei”(1Sm 12:13). Mesmo o apóstolo Paulo, muitos séculos depois, reconheceu que Saul foi dado por Deus aos israelitas – “E, depois, pediram um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, a Saul, filho de Quis, varão da tribo de Benjamim”(At 13:21).
Há algum texto na Bíblia Sagrada indicando que Saul não foi escolhido por Deus? Não. Há algum texto na Bíblia que indique que pedir um rei estava incorreto? Não. Saul foi escolhido por Deus? Sim. Se Saul tivesse sido fiel ao Senhor, seu reino seria confirmado para sempre? Sim. E por que Saul foi rejeitado por Deus? Por ter sido desobediente(ler 1 Sm 13:13,14).
Saul teve suas virtudes, e isso é inegável. Sua família, diferente da família de Davi e Salomão, era composta de três filhos e duas filhas, e isso do seu único casamento. Diferente de Davi, não caiu em adultério, pois era um homem de cunho doméstico. Nesse aspecto, ele seguiu a lei de Deus no que tange a não ter muitas mulheres, para que seu coração não se desviasse(Dt 17:17).
Mas, Saul teve falhas graves em sua estada no poder: em sua impaciência, ofereceu sacrifícios sem ser sacerdote(1Sm 13:9), e alegou que o povo era responsável pelo seu ato, pois a guerra se aproximava e ele temeu ser abandonado pelo povo; fez um voto impensado em tempo de guerra, impedindo que nenhum combatente pusesse comida na boca(1Sm 14:24-30,39); fez um altar para si mesmo e cumpriu parcialmente aquilo que o Senhor ordenara(1Sm 15:3,5-7,10) - Saul mentiu, dizendo que tinha executado a ordem de Deus (15:13). Em vez de se curvar, ele busca meios de justificar o seu erro. Saul deu desculpas infundadas (15:14-15) – disse que desobedeceu a ordem de Deus para fazer sacrifícios a Deus. Deus não aceita culto associado à desobediência. Saul bateu o pé dizendo que tinha obedecido (15:19-21) – Saul queria obedecer do seu jeito, ao seu modo. Samuel diz a Saul que Deus quer obediência (15:22) – Deus não busca adoração, mas adoradores. Deus não quer sacrifício, mas obediência.
Outra manobra errada na vida de Saul foi construir um monumento a si mesmo(1Sm 15:12) - Ele fez exatamente o contrário de Davi. O grande sonho de Davi era construir um templo para Deus. O grande sonho de Saul era construir um monumento ao seu próprio nome. Quais são os monumentos que você está construindo? São à sua própria pessoa? São para atender os seus próprios desejos? Você está buscando a glória de Deus ou a glória do seu próprio nome?
Outra manobra errada: Consultou uma feiticeira(1Sm 28:7) - não buscou a Deus através do profeta Samuel em vida, agora quer buscar Samuel morto pela feitiçaria (28:11). Saul torna-se um homem incoerente – ele busca o que ele mesmo combateu, pois havia desterrado os necromantes. Saul não se arrependeu, por isso em vez de buscar a Deus, busca o próprio diabo. Saul torna-se tolo, desorientado, massa de manobra nas mãos do inimigo.
Finalmente, a manobra fatal: suicídio(1Sm 31:4,5) - Saul caiu nos próprios laços do seu pecado. Provérbios 29:1 diz: “o homem que muitas vezes é repreendido e endurece a sua serviz será quebrado repentinamente, sem que haja cura”. Saul tirou a sua própria vida, atirando-se sobre sua própria espada. Seu fim foi trágico, porque jamais se dispôs a arrepender-se. Em vez de voltar-se para Deus, sempre fez manobras para afastar-se cada vez mais de Deus.
Como Saul, qualquer pessoa que possua uma chamada por Deus pode ser enganada por si mesma. Pode se tornar orgulhosa, arrogante, desobediente e esquecer-se do Deus que a chamou. Foi o que aconteceu com Saul, que mesmo sendo escolhido por Deus, desprezou sua vocação e perdeu, anos depois, tudo o que o Senhor lhe dera.
Portanto, o que distinguiu Saul de seu sucessor Davi, não foi o pecado. Ambos pecaram contra Deus. A diferença é que Davi quando foi confrontado, arrependeu-se; Saul tornou-se mais endurecido. Saul pensava na sua própria glória; Davi buscava a glória de Deus.
1. Abençoar a nação judaica. Para entendermos o contexto da chamada de Davi, devemos levar em consideração o caráter profético da nação de Israel: “agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha”(Ex 19:5). Deus escolheu Israel para ser o Seu povo e isto se deve exclusivamente à Sua soberania, pois como Senhor de todas as coisas, não deve satisfação a pessoa alguma. Não podemos, portanto, tentar discutir ou debater porque Deus escolheu Israel e não uma das tribos aborígenes da América para ser o Seu povo, a Sua propriedade peculiar dentre os povos, pois tamanha discussão seria uma tolice sem precedentes, como, aliás, alinhava o apóstolo em Romanos 9:20,21. Era necessário um rei para consolidar essa nação; um rei cujo trono fosse perpétuo.
Deus formou o Seu povo e, nesta formação, passaram-se cerca de quatrocentos anos, como, aliás, já havia sido predito ao próprio Abraão (Gn.15:13). Depois, Deus os libertou da escravidão no Egito, com mão forte (Ex.13:3; Dt.5:15) e, já liberto e tornada uma nação independente na comunidade das nações, o Senhor lhes propôs um pacto, segundo o qual Israel seria uma nação sacerdotal, a propriedade peculiar de Deus entre os povos, pacto que foi aceito e firmado (Ex.19:5-9). Deus escolheu Davi para abençoar a nação judaica, cujo descendente legítimo, Jesus Cristo, reinará sobre a nação Judaica, um reinado como nunca houve até agora – de Justiça e Paz.
Uma vez formado Israel, Deus lhe propôs pactos, que foram aceitos e, portanto, Deus assumiu compromissos para com Israel, compromissos que não podem mudar, pois Deus não muda nem nEle há sombra de variação (Tg 1:17). Assim, Deus estabeleceu com Israel três pactos: o pacto no monte Sinai, em que Israel se tornou o povo escolhido de Deus (Ex.19:5-9); o pacto chamado palestiniano, em que Deus Se comprometeu a dar a Palestina como território para Israel (Dt.29) e o pacto firmado com Davi e sua casa, pelo qual se prometeu um reinado eterno desta casa sobre Israel (2Sm.7:8-29).
O retorno à Palestina e o estabelecimento de um Estado, reconhecido, de forma milagrosa, por ambas as superpotências da época (Estados Unidos e União Soviética), num instante em que começavam as tensões que seriam conhecidas como a “guerra fria”, de certo modo, também, significou a retomada da independência política perdida, ainda que, atualmente, o governo de Israel tenha soberania sobre parte apenas tanto da Terra Prometida, quanto dos próprios judeus, vez que cerca de 57,14% da comunidade judaica se encontra fora do Estado de Israel. No entanto, já é um prenúncio da retomada do pacto davídico, pacto que, entretanto, somente será retomado pelo legítimo descendente da casa de Davi, o Messias rejeitado, Jesus Cristo, que foi morto, mas está vivo para todo o sempre (Ap.1:18).
Vencido o Anticristo pelo Senhor Jesus na batalha do Armagedom, Israel verá cumpridas as promessas que ainda faltam. Jesus será entronizado como Rei de Israel, cumprindo-se, assim, a promessa do pacto davídico, de que o reinado da casa de Davi perduraria para sempre sobre a nação de Israel. Assim, Israel, durante o reino milenial de Cristo, cumprirá o papel de propriedade peculiar de Deus dentre os povos, nação sacerdotal e povo santo e tudo isto, como diz Paulo, “porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm.11:29). O remanescente de Israel alcançará, a exemplo dos que fazem parte da igreja, a vida eterna porque obedecerão a Deus, aceitando a Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador.
2. Abençoar a humanidade. Davi deixou a todos nós um legado sem igual: o exemplo de humildade, fé, amor a Deus, submissão a Deus, obediência incondicional ao Senhor, sinceridade, integridade, coragem, etc. Até mesmo quando fracassou, ensinou-nos lições importantes: arrependimento sincero, confissão, e uma fé inabalável no perdão de Deus. Além disso, foi uma bênção para o seu povo porque estabeleceu um poderoso reino firmado em Deus e também deixou uma imensa riqueza espiritual e cultural, contida nos seus muitos maravilhosos salmos(2Sm 23:1,2). Mas, o maior legado seria o estabelecimento do seu reino para sempre, um reino verdadeiro de justiça e Paz, que seria exercido pelo seu legítimo descendente: Jesus Cristo. A culminância da promessa de Deus era que da linhagem de Davi viria um descendente que seria o Rei messiânico e eterno. Este Rei dominaria sobre os fiéis em Israel e sobre todas as nações(cf. Is 9:6,7; 11:1,10; Mq 5:2,4). Sairia da cidade de Belém(Mq 5:2,4), e seu governo se estenderia até os confins da terra(Zc 9:10). Ele seria chamado: “O Senhor Justiça Nossa”(Jr 23:5,6) e consumaria a redenção do pecado(Zc 13:1). O cumprimento da promessa davídica teve início com o nascimento de Jesus Cristo, anunciado pelo anjo Gabriel a Maria, uma piedosa descendente da família de Davi(Lc 1:30-33;cf At 2:29-35). Essa promessa foi um desdobramento do concerto feito em Gn 3:15, que predisse a derrota de Satanás através de um descendente de Eva; foi um prosseguimento do concerto feito com Abraão e seus descendentes. O cumprimento dessa promessa abrangia a ressurreição de Cristo dentre os mortos e sua exaltação à destra de Deus no Céu(At 2:29-33), de onde Ele agora governa como Rei dos reis e Senhor dos senhores. O régio governo de Cristo caracteriza-se por um chamamento, dirigido a todas as pessoas, no sentido de largarem o pecado e o mundo perverso, aceitarem Cristo como Senhor e Salvador e receberem o Espírito Santo. O reino eterno de Cristo inclui: (a) seu atual domínio e sua primazia sobre a Igreja; (b) seu futuro reino milenial sobre as nações(Ap 2:26,27; 20:4); (c) seu reino eterno nos novos céus e na nova terra(Ap 21 – 22). Maranata!
CONCLUSÃO
Portanto, no ensino revelado na Palavra de Deus, a vocação divina é um fato declarado e demonstrado entre o povo de Deus. Ele chama a quem quer, quando quer e capacita como quer e para o que quer. Mas, é preciso estar dentro da vontade divina.
Atualmente, nos grupos de relacionamentos, medimos as pessoas pelo que consideramos aparente: títulos conquistados ou alegados, forma como se veste, carro com que costuma circular, conta bancária e sobrenome. Mas Deus faz uma avaliação diferenciada. Ele via o coração do jovem pastor, que nos momentos de solidão, junto às ovelhas, estava orando, louvando e mantendo comunhão com Deus.
-----------
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
-------
Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1º Samuel. Manobras erradas na estrada da vida – Ver Hernandes Dias Lopes. Davi – vitórias e as derrotas de um homem de Deus – CPAD/2009.