Aula 03

DAVI NA CORTE REAL – VIVENDO COM SABEDORIA

Leitura Bíblica: 1Samuel 16:18; 18:2-5,13,14

Em 18/10/2009

 

“E saía Davi aonde quer que Saul o enviava e conduzia-se com prudência; e Saul o pôs sobre a gente de guerra, e era aceito aos olhos de todo o povo e até aos olhos dos servos de Saul”(1Sm 18:5).

INTRODUÇÃO

Depois da vitória épica sobre o gigante Golias, Davi saiu do anonimato e passou a ser conhecido, mimado e respeitado pelo povo, pelos servos e pela família do rei Saul. O carisma, as habilidades, virtudes e o caráter de Davi foram ingredientes substanciais para a elevação de seu posto à corte real. Ele tinha um curriculum invejável e sem par(1Sm 16:18). Mas, o testemunho mais sublime a respeito de Davi era que “o Senhor era com Ele”(1Sm16:18). Aconteceu a mesma coisa com José (filho de Jacó). Ele ao ser vendido por seus irmãos, como escravo para o Egito, em todas as etapas da sua escalada à função de governador, desde a casa de Potifar até o cárcere, apresentou essa excelente e impagável prerrogativa: O Senhor era com ele: " E o Senhor estava com José, e foi varão próspero..."(Gn 39:2). Até mesmo no cárcere a influência de José foi notória, porque o Senhor era com ele – “O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor”(Gn 39:21). Para o homem que teme a Deus a prosperidade o acompanha. No Salmo 1:3 está escrito: “Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará”.

A convivência de Davi com o rei Saul em seu palácio(1Sm 18:2) foi uma experiência totalmente diferente para ele. Acostumado à beleza do campo onde passava a maior parte do seu tempo cuidando de suas ovelhas em contato direto com a natureza, ocasião em que dedilhava a sua harpa e entoava belos hinos ao Senhor, como podemos perceber no registro dos Salmos, certamente ele não se achou muito à vontade nos primeiros dias naquele suntuoso lugar onde tudo era controlado e orientado. Mesmo ali, naquele ambiente de luxo e de fartura, Davi preservou um coração simples e temente a Deus. Não se envaideceu, não se precipitou e nem mesmo se achou injustiçado por não ter sido levado ao trono e colocado a coroa real, mesmo sabendo que Deus já havia rejeitado a Saul. A Bíblia diz que há um tempo para todas as coisas(Ec 3:1-8), e quem espera os acontecimentos no tempo certo com toda a certeza será bem-sucedido.

I – AS QUALIDADES E VIRTUDES DE DAVI

1. Um homem talentoso. Antes mesmo de vencer o gigante Golias, Davi já era possuidor de muitos talentos. Quando Saul estava atormentado por um espírito maligno, seus servos lhe aconselharam que ele mandasse chamar alguém que tocasse harpa. Então, ele mandou que lhe trouxessem alguém que tocasse bem. E, um dos moços lhe disse: “Eis que tenho visto a um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é valente e vigoroso, e homem de guerra, e prudente em palavras, e de gentil presença; o Senhor é com ele”(I Sm 16.18). Percebe-se aqui que pessoas ao redor, também prestavam atenção no procedimento, qualidades e virtudes de Davi. É o testemunho dos que estão de fora, como disse o Apóstolo Paulo a Timóteo: Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo."(1Tm 3:7).

2. Um homem com muitas habilidades. “Eis que tenho visto um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é valente, e animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença; o Senhor é com ele”(1Sm 16:18). Davi foi um jovem que atraiu a atenção de Deus para si devido às suas virtudes, razão esta que fez com que o próprio Senhor declarasse que havia achado um homem segundo o Seu coração que executaria toda à Sua vontade (cf. At 13:22a). Antes de ser ungido a rei, Davi era jovem sujeito às tendências da sua idade, e ao que parece não possuía características que despertassem o interesse (cf. 1Sm 16:11a), mas o que verdadeiramente distinguia ele dos demais, era o seu caráter sempre disposto a agradar e satisfazer o coração de Deus.Vamos observar quais eram as habilidades deste jovem que correspondeu às expectativas do Senhor:

a) Músico. Davi tocava bem e desempenhava com zelo aquilo que se propunha a fazer, por esta razão foi contratado como músico oficial de Saul. Aplicava-se à sua obra com esmero, a ponto de que os outros reconheciam sua capacidade no que fazia. Teve o testemunho de Deus e dos homens. Na sua maioria os músicos são sensíveis, e podemos ver essa virtude em Davi revelada nos Salmos: sensibilidade para adorar a Deus (cf. Sl 9:1,2),e também para reconhecer seus erros (cf.Sl 51:1-12).

A Bíblia Sagrada mostra que uma das funções da música é proporcionar sensibilidade. Isso é visto quando o profeta Elizeu se vale da música antes de profetizar(2Rs 3:15). A música, de certa forma, ambientou o profeta para que ele recebesse a inspiração profética naquela ocasião. Por que as poesias de Davi, conforme demonstradas nos Salmos atribuídas a ele, não são meramente poesias, mas verdadeiras mensagens proféticas? Davi era um poeta inspirado! O livro de 2Samuel revela que o Espírito Santo é quem está por trás da inspiração de Davi: “O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua”(2Sm 23:2). Como seria bom se os nossos músicos fossem poetas e os nossos poetas fossem profetas!

Infelizmente, a nossa música hoje está pobre. Há bons músicos e excelentes poetas, mas essa proporção ainda é muito pequena quando se leva em conta o grande universo de cantores. A música, além da função de produzir sensibilidade espiritual, deve promover a adoração. Os Salmos de Davi são verdadeira adoração. Qualquer música que não tem esse fim é pobre.

Mas, há mais alguma coisa que devemos destacar em Davi como músico-poeta: a sua habilidade. Ele não era apenas um poeta, mas um músico habilidoso. O vocábulo hebraico “sabe”, na expressão “sabe tocar”, significa possuir habilidade em. Davi possuía habilidade com instrumentos musicais. Habilidade não é alguma coisa nata, isto é, que nascemos com ela, mas um hábito que se adquire. Como ser um excelente profissional, se não há dedicação para esse fim? A Bíblia destaca um dos músicos de Davi, cujo nome era Quenanias, como sendo um homeme perito na sua profissão: ”Quenanias, chefe dos levitas músicos, tinha o encargo de dirigir o canto, porque era perito nisso”(1Cr 15:22). O texto aponta para alguém que sabe o que está fazendo. Não é fazer de qualquer jeito, mas fazer bem feito.

b) Valente. Valente é aquele que tem coragem; que tem valor; destemido e intrépido. Davi mesmo conta que quando estava apascentando as ovelhas de seu pai, chegou a matar um urso e um leão que tentaram comer suas ovelhas(1Sm 17:33-36). Isso nos mostra que devemos defender as almas, ter coragem para encarar o diabo e dizer a ele, que maior é aquEle que está conosco. Davi nunca teria medo do espírito mau que atormentava o rei Saul, pois ele era valente, e isso está faltando dentro das igrejas. Davi era valente, corajoso, não se acomodava, muito menos se atemorizava em situações difíceis - “Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena"(Pv 24:10). Portanto, não fuja, mas encare os desafios.

c) Animoso.  Qualidade de quem tem alegria, bom ânimo que não fica levando os outros para baixo. Davi era pessoa animada, estava sempre disposto a enfrentar qualquer situação, ninguém o conhecia em estado de desânimo, depressão ou tristeza. Estava sempre animado e animando os outros. No capítulo 1 do livro de Josué, o próprio Deus fala a seu servo Josué quatro vezes "esforça-te e tem bom ânimo". E isso que Deus quer de nós, que tenhamos bom ânimo, como Davi tinha e todos observavam em sua vida. Não tem nada mais horripilante do que um crente desanimado.

d) Homem de guerra. Davi nunca tinha ido a uma guerra, pois somente mataria o gigante Golias no cap.17, e as suas virtudes são relatadas no cap.16, o que nos faz sentir ainda mais uma admiração pelas virtudes desse jovem. Se Davi nunca tinha ido a uma guerra e não pertencia ao exército de Saul, como então podem dizer que ele era homem de guerra?  Davi era visto como homem e não como um adolescente incapaz e covarde. Ele mesmo diz para seu filho Salomão: esforça-te e sê homem(1Rs 2:2). Ser homem de guerra é ser responsável e disposto para enfrentar os desafios e as lutas com destemor.Um covarde nunca será homem de guerra. Ir à guerra é por a mão no arado e não olhar para traz.

e) Sisudo em palavras. Sisudo significa sério, sensato, cauteloso. Ao dente do siso geralmente é atribuída a maioridade, a fase adulta e do juízo, e era essa a virtude em Davi: sóbrio, sensato, moderado, cauteloso no falar.Com respeito a essa característica, temos algumas advertências na Palavra: Seja o nosso falar sim, sim e não, não (cf. Mt 5:37; Tg 5:12); Não saia da nossa boca nenhuma palavra torpe(cf Ef 4:29); sejamos prontos para ouvir,e tardios para falar (cf.Tg 1:19).

Talvez você conheça alguém que não tenha trava na língua, que fala o que pensa, não sendo sisuda em palavras, e a Bíblia diz que a morte e a vida estão no poder da língua(cf Pv 18:21). Não use sua língua para matar, seja como Davi. Que possa sair de você somente vida, e não morte, que você possa ser realmente sisudo em palavras. Busque isto para sua vida.

f) Boa aparência (ou gentil presença). Davi era bonito, agradável e simpático. Mas, acima de qualquer biotipo de beleza física, ele era o tipo de pessoa que cabia em qualquer lugar e situação que fosse necessário. Mesmo antes de Davi entrar no contexto bíblico ele era admirado, e nesta citação vemos que todos gostavam de estar próximo a Davi, pois sua presença é chamada de presença gentil.

g) O Senhor era com ele. Poderia haver algo mais sublime do que essa constatação e testemunho a respeito de alguém? Acredito eu, que esse último tópico do currículo de Davi apresentado por aquele jovem servo de Saul, suplanta extraordinariamente todos os demais. Isso é simplesmente a assinatura de tudo o que se disse antes, ou seja, o verdadeiro motivo de todas as qualidades que Davi apresentava, era o fato de que o Senhor era com Ele.

José ao ser vendido por seus irmãos, como escravo para o Egito, em todas as etapas da sua escalada à função de governador, desde a casa de Potifar até o cárcere, apresentou essa excelente e impagável prerrogativa: O Senhor era com ele: " E o Senhor estava com José, e foi varão próspero..."(Gn 39:2). Quando o povo fica sabendo que Josué assumiria o comando, ele disse a Josué: “Como em tudo ouvimos a Moisés, assim te ouviremos a ti; tão-somente que o Senhor, teu Deus, seja contigo, como foi com Moisés”(Js 1:17).

Que o Senhor nos ajude a perseguir essas virtudes, de tal maneira que nos apresentemos como cristãos verdadeiros, homens ou mulheres de Deus, obreiros aprovados para toda boa obra.

II – O TALENTO DE DAVI NA CORTE

1. Davi como escudeiro. Quando o Espírito Santo se retirou de Saul, Deus permitiu que um espírito maligno fosse um instrumento de juízo sobre ele, resultando num distúrbio mental próximo à loucura. Mas esse distúrbio mental era aliviado pela música, e Saul mandou aos seus servos que procurassem um homem que soubesse tocar bem a harpa. Um deles recomendou Davi "que sabe tocar, e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras, e de boa aparência; e o Senhor é com ele."(1Sm 16:18). Que recomendação! Em poucas palavras descreve com exatidão a pessoa e caráter de Davi. Saul tanto se agradou de Davi no início, que pediu a Jessé que o deixasse ficar com ele, e o fez seu escudeiro: um oficial selecionado especialmente pelos reis e generais por causa da sua coragem e bravura, para carregar a sua armadura e ficar ao seu lado quando havia perigo. Obviamente Saul não sabia que Davi havia já sido ungido como seu sucessor.

Vemos aqui a mão de Deus, dando agora a Davi a oportunidade de ir até a corte real, no início apenas como um músico. Da companhia das ovelhas de seu pai ele agora fora elevado para o ambiente mais importante do seu país, em que mais tarde ele iria viver. Sem o conhecimento ainda do povo, o novo rei de Israel estava sendo preparado para o seu futuro trabalho.

Davi inicia a sua vida junto ao trono como o carregador das armas de Saul. Que exemplo a ser seguido! Embora fosse já considerado um jovem valente (I Sm.16:18), com capacidade para ser um bom soldado (I Sm.16:18 ), um homem de guerra (I Sm.16:18), um guerreiro (I Sm.16:18), o jovem foi posto tão somente para carregar as armas. E qual foi a sua reação? Obedeceu, passou a servir ao rei com a mesma dedicação que havia servido ao seu pai no pastoreio das ovelhas. Quantos que, chamados por Deus para ser generais, não aceitam começar como carregadores de armas e, por causa disto, jamais chegam a comandar exércitos na luta espiritual contra o mal.

Os planos de Deus para nós serão cumpridos, embora às vezes nos pareça que nada está acontecendo. Como no caso de Davi, precisamos de preparo. Mais tarde, quando vemos seu cumprimento, podemos olhar para trás e ver como a mão de Deus esteve em várias circunstâncias da nossa vida. Estamos sempre aprendendo.

2. Como comandante das tropas – “E saía Davi aonde quer que Saul o enviava e conduzia-se com prudência; e Saul o pôs sobre a gente de guerra, e era aceito aos olhos de todo o povo e até aos olhos dos servos de Saul”(1Sm 18:5). Observem a evolução do homem de Deus, Davi. Era um simples pastor de ovelhas; por desígnio de Deus foi ungido a ser o sucessor de Saul no reino de Israel; depois venceu a mais brilhante guerra épica que a Bíblia registra, a vitória contra Golias, tornando-se conhecido entre o exército de Israel e pelo rei Saul. Por causa de suas habilidades e virtudes foi convidado a servir no palácio do rei Saul como músico. A dedicação de Davi bem como o seu porte diante do rei fez com que Saul o amasse muito (I Sm.16:21) e o fizesse seu pajem de armas, ou seja, seu escudeiro, aquele que carregava as armas. Sem nunca reivindicar a posse do que era seu, o futuro líder de Israel fazia tudo o que lhe vinha às mãos, apenas confiando no Senhor(Sl 37:5). Tendo despertado tanta confiança do rei Saul, face às habilidades e virtudes que Davi demonstrava, tanto no palácio real como diante dos soldados de Israel e diante da população civil, Saul resolveu colocar Davi no comando das tropas, o qual desempenhou o seu trabalho com grande êxito e eficácia. Todas essas etapas que Davi estava passando era Deus treinando-o para a sucessão da liderança de Israel. Apesar da rápida evolução rumo à sucessão, Davi se comportou prudentemente não ultrapassando o limite da vontade do Senhor. A Bíblia diz que “se conduzia com prudência em todos os seus caminhos, e o Senhor era com ele”(1Sm 18:14).  Em um momento em que muitas pessoas estariam ao lado do rei para pedir favores, buscar influencia e ser aduladores, Davi era servo, indo aonde Saul ordenava, trabalhando com homens de guerra e sendo considerado até pelos servos de Saul(1Sm 18:5).

III – O CARISMA DE DAVI NO PALÁCIO

1. Nos relacionamentos. Construir bons relacionamentos não é fácil. Ser agradável e receptível independente das circunstâncias precisa ter o caráter dominado pelo Espírito Santo, pois as pessoas são difíceis e possuem interesses, geralmente, conflitantes. Davi soube muito bem se comportar diante das pessoas que convivia. Ele possuía um carisma e habilidade tão envolvente capaz de construir bons relacionamentos e administrar conflitos. Foi autêntico em todos os seus relacionamentos. Segundo o pastor José Gonçalves, na corte ele demonstrou empatia com as três principais classes de pessoas no reino:

a) Com o príncipe-herdeiro. Jônatas seria, pela linha sucessória, o próximo rei de Israel, e poderia ver em Davi um concorrente ao trono. Entretanto, ao invés de a vitória de Davi sobre o gigante suscitar em Jônatas a mesma inveja e ciúme de seu pai, ele tornou-se um grande amigo de Davi. Jônatas reconheceu nele o próximo rei(1Sm 23:17). Ambos fizeram entre si uma aliança. Jônatas aplacou o ciúme de Saul(1Sm 19), e Davi, após ser rei, usou de bondade para com o descendente de Jônatas, Mefibosete, honrando seu compromisso e demonstrando que sua amizade por Jônatas permaneceu mesmo depois da morte dele.

b) Com todo o povo. Davi era bem-quisto pelo povo(1Sm 18:5). Uma característica de quem obtém ascensão social de forma meteórica é esquecer suas origens e raízes. Porém, Davi não agiu assim. Mesmo convivendo no palácio, ele não perdeu seus referenciais do campo. Ele soube construir novos relacionamentos, mas também manter aqueles já existentes.

c) Com os servos de Saul. Ainda dentro da corte de Saul, Davi construiu relacionamentos com os funcionários do rei(1Sm 18:5), e manteve boas amizades ate mesmo com os servos de Saul.

2. Para administrar conflitos. A vitória sobre Golias foi um divisor de águas na vida de Davi. Embora o rei Saul não tivesse cumprido a promessa de lhe dar a sua filha em casamento(1Sm.17:25; 18:19), fez de Davi um dos comandantes do exército de Israel (I Sm.18:5) e nasce, então, o guerreiro, o maior de todos os conquistadores da história de Israel.

Davi chefiava um grupo de assaltante, ou seja, uma tropa que efetuava ataques repentinos aos inimigos e que trouxe a Davi uma grande popularidade entre o povo, a ponto de isto ter despertado a inveja do rei Saul, que se desgostou ao ouvir as mulheres dizerem que Saul matava milhares, mas Davi, dezenas de milhares (1Sm.18:7,8). Tendo enfrentado, de início, a inveja de seu irmão primogênito, do qual facilmente pôde se desviar, Davi, agora, passava a enfrentar a inveja daquele a quem estava servindo, o próprio rei Saul.

Davi passou, então, a ser duramente perseguido pelo rei Saul, que buscou, mais de uma vez, tirar-lhe a vida. A perseguição implacável fez com que Davi tivesse de fugir e, assim, perder a sua função no reino, num instante em que, inclusive, já era genro do rei Saul, pois havia sido casado com Mical (I Sm.l8:27). Saul passou a temer a Davi e a perceber que a unção de Deus estava sobre ele, constituindo-se, portanto, em nítida ameaça a seu reinado.

Tem início, então, uma nova fase na vida de Davi. Tirado do curral das ovelhas de seu pai e levado para o palácio, Davi poderia ter entendido que o cumprimento da promessa de Deus para sua vida era apenas questão de tempo. Sendo genro do rei, tendo grande amizade com Jônatas, o príncipe herdeiro, e sendo respeitado pelo exército, nada mais além do tempo era necessário para que Davi se tornasse rei sobre todo o Israel. Entretanto, os caminhos de Deus não são os nossos caminhos (Is.55:8). Davi já havia sido treinado como pastor, músico e guerreiro, mas deveria agora formar o seu próprio exército, ter os seus próprios valentes.

Ameaçado de morte pelo rei, Davi, de uma hora para outra, foi obrigado a sair de sua casa apenas com a roupa do corpo, tendo sido avisado pela sua mulher que Saul tinha armado mais uma vez traição contra ele (1Sm.19:12-18). Impiedosamente perseguido por Saul, Davi chega, inclusive, a fugir para Gate, terra de Golias, onde tem de se fazer de doido para não ser morto pelos inimigos. Foi, então, refugiar-se na caverna de Adulão (1Sm 22), onde passa a ter a companhia de endividados e pessoas de espírito desgostoso. Para um homem que perdera família, posição social, respeito, honra, agora está em companhia de pessoas ainda mais amarguradas e desprezadas. Que prova!

Davi acostumara-se com a companhia de valentes e de guerreiros preparados, mas, na missão que Deus lhe estava a confiar, era necessário que ele mesmo fosse o líder, o formador de homens valentes e destemidos. Como tipo de Jesus, Davi deveria transformar aqueles endividados, que se achavam em aperto e os desgostosos em valentes, em homens valorosos. Jesus, também, chamou aqueles pescadores e disse que os tornaria em “pescadores de homens” (Mt.4:19; Mc.1:17). Um homem cheio do Espírito Santo tem de ter a capacidade de influenciar aqueles que o cercam. Deve ser sal da terra e luz do mundo. Temos modificado as vidas que estão ao nosso redor?

A Bíblia mostra que Davi fez o possível para que o seu relacionamento com Saul fosse mantido amistosamente, no entanto, a condição espiritual e emocional do rei não permitiu isso. Davi teve duas oportunidades para matar a Saul (I Sm 24, 26), mas, em ambos os casos, Davi não o fez, mantendo sua fidelidade e lealdade àquele que o perseguia impiedosamente. Nos dois episódios, Davi revelou que respeitava o seu senhor terreno, como também o Senhor Deus, pois reconhecia que Saul havia sido ungido rei sobre todo o Israel da parte de Deus. Davi mostrava que, mesmo injustiçado, não deixava de ter como valor supremo de sua vida o agrado a Deus. Antes de seus próprios interesses, estava o objetivo e propósito de sempre agradar ao Senhor. Se Saul era ungido de Deus, somente Deus poderia dar-lhe fim. Jamais poderia um verdadeiro servo do Senhor voltar-se contra um ungido, ainda que rejeitado.

O equilíbrio, perseverança e a confiança com que Davi enfrentava as situações difíceis demonstram o quanto ele esperava e confiava em Deus. Assim como Deus cuidou de Davi, Ele cuida de cada um de nós.

CONCLUSÃO

A passagem de Davi pela corte real, antes de sua ascensão ao trono de Israel, foi algo marcante em sua vida. E o fator principal que incorreu para sua estada na corte, certamente foi a sua gentil presença(1Sm 16:18). Tanto no campo tomando conta das ovelhas, como no Palácio real, saberia se portar. Essa teria sido a mensagem que o apresentante do seu currículo queria passar. Julgo interessante frisar que, a condição de valente, guerreiro e sisudo em palavras, não fizeram de Davi uma pessoa intragável, muito pelo contrário, sabia conciliar todas essas facetas da sua personalidade, de tal forma que o conjunto da obra era perfeitamente agradável.

Um pouco antes de Davi, o profeta Samuel em sua juventude apresentava essa qualidade: "E o jovem Samuel ia crescendo e fazia-se agradável, assim para com o Senhor como também para com os homens"(1Sm 2:26). Andar na presença de Deus, não é motivo para que ninguém se torne uma pessoa intolerável, intragável ou desagradável.

Mardoqueu foi outro portador dessa virtude: "Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande para com os judeus, e agradável para com a multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo e trabalhando pela prosperidade de toda a sua nação"(Et 10:3). O apóstolo Paulo instrui: "Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens"(Rm 14:18).

Você já ouviu alguém dizer assim: "se fulano for eu não vou, pois eu não agüento estar perto dela", ou "vamos fazer uma festa, mas fulano não vai ser convidado". Como você se sentiria sabendo que sua presença não é desejada? Seja um crente de gentil presença em qualquer lugar.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1º Samuel. Davi – vitórias e as derrotas de um homem de Deus – CPAD/2009. Davi, um homem segundo o coração de Deus – Caramuru Afonso Francisco.  Qualidades inerentes a vida e um obreiro aprovado - Pr. Carlos Roberto da Silva