DAVI E O TEMPO DE DEUS EM SUA VIDA
Leitura Bíblica: 1 Samuel 24.4-8
25 de outubro de 2009
"E disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do SENHOR, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do SENHOR" (1 Sm 24.6).
Uma das grandes lições na história de Davi é a sua paciência para esperar o momento certo de ascender ao trono de Israel. Apesar de ter sido ungido para ser rei sobre Israel quando ainda era bem jovem, Davi esperou muitos anos para vir, de fato, a sê-lo – aproximadamente 15 a 18 anos, haja vista que Davi começou a reinar aos 30 anos de idade(2Sm 5:4). É! Nem sempre o tempo de Deus é o nosso tempo. O nosso tempo é o chronos - que significa o tempo medido em semanas, horas e minutos; o tempo que corre; nós o usamos para alcançar um fim. Queremos o máximo de chronos para fazer o máximo de coisas. Por isso que andamos fisicamente fatigados e emocionalmente estressados. O tempo de Deus, porém, é o Kairós – o momento apropriado para que uma coisa se realize; é o momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece; não pode ser medido e sim vivido. O salmista sabia disso, por isso se expressou: “ Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite”(Sl 90:4). Muitas vezes queremos que as coisas aconteçam na nossa hora, mas Deus sabe o momento certo para agir na nossa vida. Essa é uma grande lição: saber esperar o tempo certo, pois é assim que o livro de Eclesiastes 3:1 a 10 nos ensina.
Esperar não é uma tarefa fácil, principalmente na atualidade, onde as pessoas vivem sob a pressão do imediatismo. Hoje, tudo tem que ser instantâneo, imediato, até mesmo as bênçãos de Deus. Ninguém quer esperar. Contudo, saber aguardar o momento certo, sem "tramóias" ou manobras políticas é uma virtude que todo homem de Deus precisa aprender. Em determinadas situações, não podemos fazer absolutamente nada, a não ser esperar e confiar que os planos do Eterno jamais poderão ser frustrados. Essa certeza faz com que os servos de Deus esperem com paciência e sem amargura ou dor, naquEle que pode todas as coisas. E Davi não fugiu do teste da paciência para chegar ao trono de Israel. Permaneceu fiel em suas convicções de que Deus trataria com aqueles que o perseguiam e que, no tempo certo, cumpriria sua Palavra. Assim ele se expressou: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”(Sl 40:1). “Guardem-me a sinceridade e a retidão, porquanto espero em ti”(Sl 25:21). No perfeito tempo de Deus, Davi foi exaltado e elevado à condição de rei, porque Deus exalta aquele que se humilha debaixo da sua potente mão!
Por causa da velocidade com que as coisas acontecem, vivemos um grande conflito com Deus. É aí que entra o tentador, dizendo: "Deus não te ouve". E o que acontece conosco? Entramos em um grande descrédito de Deus, pois queremos a resposta de imediato. Com isso, pode acontecer de um dia qualquer você ver em algum poste um cartaz que prometa resolver seus problemas de imediato, oferecendo, por exemplo, serviços de cartomante, espiritismo e muitas outras coisas. O inimigo fecha o cerco e você acaba se tornando dependente destas coisas porque quer respostas imediatas.
Veja no Salmo 25:3 - “Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa". Talvez você esteja confuso, achando que Deus não o escuta. Saiba, Deus não se confunde. Se Ele se confundisse, não seria Deus.
“Por ti estou esperando todo o dia"(Sl 25:5). Sabemos em quem colocamos a nossa confiança! Eu não vou desanimar.
“Aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra” (Sl 37:9). Como ser humano, o que você está esperando em Deus? O seu filho? Seu marido ou esposa? Um emprego? A cura de alguma doença? Deus lhe diz: "Os que esperam no Senhor terão emprego, serão perdoados, curados”.
Hoje, a depressão se tornou o mal do século, porque as pessoas não esperam mais no Senhor. Elas esperam apenas por um tempo, mas como não conseguem o que querem de imediato, acabam entrando numa tristeza profunda e "caindo" em depressão. Porém, Jesus Cristo está dizendo: Tudo está sobre os meus cuidados, eu acalmo a tempestade (ler Mc 4:35-41). Tem gente gritando que não agüenta mais; é assim quando perdemos a esperança em Deus. Não é fácil, mas é algo que precisamos treinar: "Deus está cuidando de nós, eu sei em quem coloquei a minha confiança". Saiba aguardar n'Aquele que tem o domínio e o poder sobre todas as coisas.
Davi estava sendo perseguido por Saul, então ele disse: “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?” Respirando fundo Davi disse: “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra" (Salmo 121). O Senhor não está dormindo na situação em que você vive, Ele é seu guarda e está sempre ao seu lado! “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”(Sl 91:1).
Talvez, hoje, você viva o pranto, o sofrimento. Talvez nada tenha dado certo em sua vida, mas Deus lhe diz: "tenha esperança!". Aqueles que esperam em Deus passam pelo sofrimento, pela dor. Eles passam pelo pranto à tarde, mas esperam a alegria ao amanhecer -– “... o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”(Salmo 30:5). Muitas pessoas que esperaram em Deus, hoje colhem a vitória. A cada dia o Senhor manifesta o seu amor por nós. O sol vem; ele nunca deixará de vir! Portanto, saiba esperar naquele que é o seu Senhor. Aguarde, Ele está sentado no trono! Espera no Senhor e tenha coragem! - “Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado. Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração”(Sl 37:3,4).
1. A lança do rei – “ E procurava Saul encravar a Davi na parede, porém ele se desviou de diante de Saul, o qual feriu com a lança a parede; então, fugiu Davi e escapou naquela mesma noite”(1Sm 19:10). O rei Saul tinha Davi como um valente e corajoso soldado e estava muito satisfeito em tê-lo no palácio. Até que um dia, quando Davi voltava de uma batalha juntamente com o rei, o povo alegre da vitória saiu às ruas cantando e elogiando os feitos do rei e destacando a participação de Davi na batalha. Entrou um espírito de inveja no coração de Saul e, dali em diante, ele começou a dirigir uma série de ostensivas perseguições a Davi, prometendo mesmo tirar-lhe a vida, o que intentou por várias vezes(1Samuel 18:11;19:10;20:33;24:2;26:2). Todavia, em todas essas situações, Deus livrou Davi das mãos de Saul.
Nessa época, Davi gozava de grande aceitação e popularidade diante de todo o povo. Não era difícil nesse momento valer-se de sua posição, promover uma rebelião contra Saul e ocupar o trono. Contudo, Davi nunca se valeu de sua posição para derrubar Saul; ele soube esperar o tempo de Deus. Enquanto a popularidade de Saul o tornava orgulhoso e arrogante, Davi permanecia humilde(1Sm 18:23), mesmo quando toda a nação o elogiava.
Embora fosse bem-sucedido em quase tudo o que tentou fazer e ficou famoso por toda a terra, Davi se recusou a usar o suporte popular para levar vantagem sobre o rei. Isso nos traz uma grande lição: nunca devemos permitir que a popularidade distorça a percepção de nossa própria importância. É comparativamente fácil sermos humildes quando não ocupamos uma posição de destaque, mas como reagiremos ante à honra e aos elogios?
2. A espada dos filisteus. O espírito maligno que se apossou de Saul era tão tremendo que o deixava fora de si(1Sm 18:10;19:8,9). Seu coração tornou-se um poço de ódio. Ele quer matar Davi de qualquer forma. Em vez de se arrepender, endurece cada vez mais o seu coração. Saul quer destruir Davi, não por causa dos erros de Davi, mas por causa de suas virtudes. Ele quer matar Davi não porque Davi é mau, mas porque Davi é bom. Ele prefere matar Davi a imitá-lo.
Tendo falhado em matar Davi com suas próprias mãos, Saul orquestra um novo plano: Tenta matá-lo com astúcia pelas mãos dos filisteus - os piores inimigos de Israel – usando o casamento das filhas(1Sm 18:17,21,25). Primeiramente Saul ofereceu sua filha Merabe a Davi, exigindo em troca apenas que ele guerreasse "as guerras do Senhor" (1 Sm 18.17). Essa seria uma excelente oportunidade para Davi ascender socialmente, vindo a tornar-se genro do rei. Todavia, o filho de Jessé não demonstra ambição e esquiva-se da primeira proposta do rei, alegando que não passava de um simples camponês (1 Sm 18.18). Posteriormente Saul oferece Mical a Davi, querendo apenas a vida de alguns filisteus como dote. Humanamente falando não seria essa uma excelente oportunidade para fazer parte da família real? Quantos caem porque no seu dia-a-dia também recebem propostas semelhantes a essa. Esperar o tempo de Deus, muitas vezes, significa perder aparentemente excelentes oportunidades.
1. Na escola profética de Samuel – “Assim, Davi fugiu, e escapou, e veio a Samuel, a Ramá, e lhe participou tudo quanto Saul lhe fizera e foram, ele e Samuel, e ficaram em Naiote”(1Sm 19:18). Essa escola de profetas fundada por Samuel era organizada a fim de despertar, nos que tinham dons proféticos, o cultivo de uma vida de retidão e consagração por meio da preparação espiritual, para que pelo seu ministério fosse refreada a apostasia e promovida a justa obediência à Palavra de Deus. Nota-se, especialmente, a grande importância que essas escolas davam ao Espírito Santo(cf 1Sm 10:5,6). Nos tempos de Elias e Elizeu existiam essas escolas de profetas(cf 1Reis 20:35; 2Rs 6:1).
Nos momentos de dificuldade, de tribulação, de angústia, é salutar buscarmos conselhos e apoio espiritual naquelas pessoas que são conhecidamente usadas por Deus. Como aconteceu com Davi, pode acontecer com qualquer pessoa. Ficar isolado, escondido, deprimido, não é o recomendável. O certo é buscar apoio moral e ajuda espiritual. Davi procurou Samuel, naquele momento a pessoa mais certa, pois ele era o profeta do Senhor, “o homem de Deus” (1Sm 9:6), que o tinha ungido rei de Israel, e sabia muito bem que Davi era a pessoa que sucederia Saul no trono de Israel. Davi, certamente, derreteu-se perante o homem de Deus, pois no momento de angústia, quando estamos diante de uma pessoa de confiança deixamos extravasar nossa angústia. Samuel era um excelente conselheiro e, por isso, o texto sagrado declara que Davi “lhe participou tudo quanto Saul lhe fizera” (1Sm 19:18). Samuel como homem de Deus, certamente, deu o seu consolo a Davi naquele momento tão difícil de sua vida.
Saul, porém, na sua ânsia demoníaca de matar o jovem Davi, não respeitou nem mesmo a escola de profetas, onde Samuel era o dirigente. Ele estava ávido em derramar o sangue inocente de Davi. Todavia, Deus não permitiu que ele fizesse nenhum mal a Davi. Em 1Samuel 19:18-24 relata que Saul foi dominado e humilhado pelo Espírito do Senhor, ao ser prostrado em êxtase durante todo um dia e uma noite.
2. Na casa do sacerdote Aimeleque “ Então, veio Davi a Nobe, ao sacerdote Aimeleque”(1Sm 21:1). Davi agora busca refúgio na casa de Deus, lá está o sacerdote do Senhor, que deve instrui-lo no caminho a seguir. Existe um lugar mais apropriado para se buscar a Deus nos momentos de angústia do que no templo do Senhor? Contanto que façamos isso com sinceridade e total reverência ao Senhor.
Davi estava em perigo de morte por causa do ódio do rei Saul. Deixando a escola de profetas de Samuel, e levando consigo alguns soldados que lhe eram fiéis, ele se dirigiu ao sacerdote Aimeleque, que habitava com outros sacerdotes em Nobe, uma pequena cidade ao norte de Jerusalém. Talvez preocupado de que o sumo sacerdote se sentisse obrigado a relatar a presença de Davi ao rei, Davi não revelou o motivo exato de ele estar fora de Jerusalém. Deixando os seus homens, Davi foi pedir três coisas a Aimeleque: que consultasse ao Senhor, que desse pão para si e seus homens e uma arma.
“o qual consultou por ele o SENHOR”(1Sm 22:10a). Aimeleque estava com medo de ajudá-lo, porque decerto todos já sabiam que Saul se tornara inimigo de Davi. Por isso Davi o enganou, dizendo que estava ali a serviço de Saul. Nada é dito sobre o que seria a consulta ao Senhor (22:15), nem a resposta.
“e lhe deu mantimento”(22:10b). O único pão disponível eram os pães da proposição - eram doze pães, cada um contendo aproximadamente 4 quilos de farinha, que ficavam perante o Senhor no tabernáculo, e eram trocados todo o sábado. Os que eram tirados deviam ser comidos pelo sumo sacerdote e seus filhos (Levítico 24:5-9). Era chamado "pão sagrado" por causa disso. Aimeleque e Davi consideraram que era mais importante dar alimento àqueles homens famintos do que obedecer à letra da lei. O sacerdote apenas exigiu a confirmação de Davi que os seus homens estavam cerimonialmente limpos. Ele compreendia bem o espírito da lei. O Senhor Jesus lembrou aos fariseus desse fato, mil anos depois, e lhes disse "misericórdia quero, e não holocaustos" (Mt 12:1-7). As necessidades humanas têm prioridade sobre rituais e cerimônias religiosas.
“e lhe deu também a espada de Golias, o filisteu”(22:10c). Estando desarmado, Davi novamente inventou alguma coisa para fazer com que o sacerdote Aimeleque lhe desse uma arma - e a arma que ele lhe deu foi a espada que tinha pertencido ao gigante Golias. Como troféu da batalha, ela realmente pertencia a Davi.
Todavia, a presença de Davi em Nobe foi notada. O edomita chamado Doegue, chefe dos pastores de Saul, viu Davi e depois relatou isso ao irado Saul. Davi escreveu o Salmo 52 para registrar a sua maldade. É provável que Davi ficasse surpreso, e até mesmo chocado, de que Doegue, homem sem princípios, o visse ali com Aimeleque. Uma vez feito, porém, estava feito. Davi não podia mudar isso, nem impedir a horrível vingança que a ira de Saul trouxe sobre o sumo sacerdote e dezenas de outros sacerdotes, bem como mulheres, crianças e animais em Nobe(1Sm 22:9-19). Só escapou um sacerdote, de nome Abiatar. Davi instou com Abiatar que ficasse com ele, porque confiava na orientação e na proteção de Jeová(1Sm 22:22, 23).
Como bem disse o pr. José Gonçalves, pode acontecer de um crente estar esperando o tempo de Deus e assim mesmo ocorrerem problemas, fraquezas e dificuldades, como foi o caso ocorrido quando da visita de Davi ao sacerdote Aimeleque (1 Sm 21.1-9; 22.6-22).
Ele esperou, e perseverou em esperar. Davi tinha convicção de que era o ungido de Deus e que ocuparia o trono de Israel, que estava sendo ocupado por Saul (ver 1Sm 16:1, 12-13). Sua unção não era uma promessa apenas; ele tinha sido ungido, realmente, porém, não tomou qualquer iniciativa para destituir Saul, embora pudesse. Perseguido sem tréguas, escondido nas cavernas, vagando nos desertos, Davi esperou com paciência pelo tempo de Deus. Esta espera pode ter durado por cerca de uns quinze anos – era um adolescente quando foi ungido; só começou a reinar aos trinta anos - “Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou”(2Sm 5:4). A Paciência é uma virtude de Deus que nos dá forças para esperar. Quem tem promessas, espera, com Paciência. Disse Davi: “Esperei com paciência no Senhor...”(Sl 40:1). Você tem promessas? Se tiver, então descanse, espere com paciência pelo tempo de Deus.
1. Entre os filisteus e na caverna de Adulão. Nos momentos de dificuldades, tribulações, perseguições, injustiças, depressão..., é necessário o amparo na pessoa e no lugar certo. Após ter recebido amparo no profeta de Deus – Samuel; no amigo mais chegado que o irmão – Jônatas; no tabernáculo do Senhor - junto ao sacerdote Aimeleque; Davi, agora, procura refúgio em território inimigo(1Sm 21:10-15; 27:1-7). Amparar-se ou buscar refúgio no território inimigo não é a melhor alternativa; isso mostra o quanto é possível perder a lucidez quando se está em perigo. Sua experiência mostra-nos que devemos pensar bem antes de tomar qualquer atitude e decisão, principalmente quando estamos sob forte pressão (1 Sm 22:1-5).
Davi entre os filisteus. Davi fugiu para longe de Saul, procurando refúgio com o seu inimigo Aquis, rei da cidade de Gate, habitada pelos filisteus (e ainda levando com ele a espada de Golias, que provinha dali). “Porém os criados de Aquis lhe disseram: Não é este Davi, o rei da terra? Não se cantava deste nas danças, dizendo: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares?”(1Sm 21:11). Eles não tinham conhecimento da unção secreta de Davi como rei de Israel por Samuel, mas estavam se referindo à sua posição de comando no exército israelita. E Davi considerou essas palavras no seu ânimo e temeu muito diante de Aquis, rei de Gate. Pelo que se contrafez diante dos olhos deles, e fez-se como doido entre as suas mãos, e esgravatava nas portas do portal, e deixava correr saliva pela barba(1Sm 21:13). Aparentemente convencido da sua loucura, Aquis repreendeu os seus servos por terem-no trazido à sua presença, e o deixou livre, porque era costume não fazer mal aos deficientes mentais(cf 1Sm 21:15). Davi escreveu o Salmo 34 para celebrar este episódio em sua vida. Davi, ao recorrer à fraude, deixou de entregar sua vida incondicionalmente ao Senhor e à sua proteção. É um erro que não deve ser imitado.
Davi se refugia na caverna de Adulão. Sendo descoberto pelos filisteus, “Davi se retirou dali e se escapou para a caverna de Adulão”(1Sm 22:1). Adulão, antiga cidade real dos cananeus, está situada numa região montanhosa, próxima à fronteira filistéia. A caverna onde Davi se refugiou estava apenas a uns vinte quilômetros de Belém, sua cidade natal. Os pais e os irmãos de Davi, ao saber onde ele se encontrava, e temendo represálias do rei Saul por causa do seu parentesco com ele, mudaram para lá também(1Sm 22:1). Este era o momento do apoio da família. Recebendo apoio da família, Davi evidentemente se sentiu fortalecido. Ao longo das Escrituras, constatamos que a família desfruta de destaque especial nos desígnios de Deus para a humanidade. Além do seu papel de coesão, inclusive social, a família provê também apoio emocional e espiritual para seus membros. Todos nós de alguma forma necessitamos também de nossa "caverna de Adulão", isto é, um local de refúgio, inclusive familiar.
2. Nas cidades, desertos, vales e montes. Agora se inicia uma fase na vida de Davi em que ele tem que se esconder pelas cavernas, desertos, vales e montes do seu mundo, aprendendo a ter paciência, e confiar na mão poderosa do Senhor, e a socorrer os aflitos e necessitados com o pouco que ele próprio tem. Ele é perseguido e caçado como se fosse um animal selvagem, e é obrigado a fugir e a se esconder para não ser morto por um rei furioso e os seus adeptos. Davi se compara, durante esse tempo, com: Uma pulga (1Sm 26:20); Uma perdiz (1Sm 26:20); Um pelicano no deserto (Salmo 102:6); Uma coruja das ruínas (Salmo 102:6); Uma alma entre leões famintos (Salmo 57:4); Àquele para cujos passos armaram rede (Salmo 57:6); Àquele diante de quem abriram cova (Salmo 57:6). Nesse ponto de seus apertos a caminho do trono, Davi declarou: "[...] até que saiba o que Deus há de fazer de mim" (1 Sm 22.3).
Davi teve a chance de matar Saul em duas claras ocasiões. No primeiro momento, Davi se encontrava no deserto de En-Gedi(fonte dos cabritos), onde Saul, juntamente com três mil homens, montam-lhe o cerco. Seria a oportunidade de por fim àquela perseguição? Foi o que seus guerreiros lhe disseram (1Sm 24:4), mas não foi o que fez Davi. Ele deu a Saul provas de sua fidelidade, cortando apenas a orla de seu manto, mas preservando sua vida (24:4-11). Davi tinha a vida de Saul em suas mãos, mas absteve-se de matar o perseguidor. Ele preferiu esperar o tempo de Deus. Não apenas deixou de estender sua mão contra o ungido do Senhor, mas convenceu seus seguidores a fazerem o mesmo: “E disse aos seus homens: O Senhor em guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao unido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra ele, pois é o ungido do Senhor. E, com estas palavras, Davi conteve os seus homens e não lhes permitiu que se levantassem contra Saul”(1Sm 24:7). Não é fácil convencer outras pessoas a esperarem o tempo em que Deus há de cumprir seus propósitos, mas Deus espera que façamos da paciência uma atitude para nós e àqueles que nos cercam.
Em outro momento, quando novamente teve oportunidade de matar Saul(cf 1Sm 26:1-25), Davi mais uma vez declara: “E disse Davi a Abisai: Nenhum dano lhe faças; porque quem estendeu a sua mão contra o ungido do Senhor e ficou inocente? Disse mais Davi: Vive o Senhor, que o Senhor o ferirá, ou o seu dia chegará em que morra, ou descerá para a batalha e perecerá. O Senhor me guarde de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor”(1Sm 24:9-11).
Deus prova o nosso caráter quando estamos em posição de vantagem contra nossos algozes. É neste momento que Deus espera que sejamos pacientes e não retribuamos o mal com o mal. Caso Davi matasse Saul em um desses momentos, certamente teria legitimidade ao trono, mas sua consciência o acusaria de ter desrespeitado a vontade de Deus. É errado querer antecipar o cumprimento das promessas de Deus, pois é pelo caminho da paciência que Ele nos ensina a ser fortes e maduros.
Lembremo-nos de que o “eis aqui o dia” pode não ser “o dia” em que Deus cumprirá a sua promessa em nossas vidas. O tempo de Deus é diferente do nosso. Davi soube esperar o tempo de Deus (Sl 40).
Davi esperou o “tempo de Deus” porque sabia que tal momento aconteceria em sua vida. Foi perseguido por aquilo que via(o trono de Israel ocupado, visivelmente, por alguém caído), e isso é um problema par o ser humano(Rm 8:24). Acredito até que se Davi foi ungido aos 12 anos, a “espera de dezoito ano” é absolutamente normal, mesmo porque não havia condições humanas(não divinas ou sobrenaturais) de ele ser respeitado como líder da nação. Se o Eterno fizesse Israel aceitá-lo nesta época, com certeza o comportamento da maioria seria semelhante ao de Golias que certamente pensou: “ Mandaram uma criança? Não tem um homem para lutar comigo?”. Uma similaridade ou paralelo bíblico interessante é que tanto José(que também exerce uma atividade pastoril – cf Gn 37:2) como Davi e o próprio Senhor Jesus Cristo iniciaram seus ministérios aos 30 anos de idade(vide Gn 37:2; 41:46; 2Sm 5:4; Lc 3:23).
Portanto, esperar o tempo de Deus é a garantia de não agirmos precipitadamente. É o segredo de quem quer fazer a vontade do Senhor. A Escritura diz que os nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus, nem tampouco os nossos caminhos são os caminhos dEle (Is 55.8). O tempo de Deus, evidentemente, não é o nosso tempo (Sl 90.4). Conhecedores desse fato, devemos confiar no Senhor e esperar nEle em todas as situações.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1º Samuel. Davi – vitórias e as derrotas de um homem de Deus – CPAD/2009. Davi, um homem segundo o coração de Deus – Caramuru Afonso Francisco. Davi no exílio: sua fuga - R David Jones. Paciência: fruto da perseverança - Subsídio Teológico à Lição nº 06/ 1º Trimestre 2005.