Aula 08
O PECADO DE DAVI E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Leitura Bíblica: 2 Samuel 11.2,4,5,14-17
22 de novembro de 2009
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca" (Mc 14.38).
O adultério de Davi com Bate-Seba, o planejamento e a covarde execução de seu esposo, Urias, estão entre os pecados mais condenáveis e repulsivos já narrados na história bíblica. Uma vez concebido, o pecado fez com que o "homem segundo o coração de Deus" passasse da vitória para o tormento. O rei Davi mais do que ninguém sentiu na pele e na alma a tragédia desse pecado. A sua vida como homem comum jamais foi a mesma depois desse impensado ato. Deus, o Senhor de toda a justiça, reprovou o ato de Davi (2Sm 11:27), perdoou-o por se arrepender profundamente do ato impensado e precipitado, mas não o livrou das inevitáveis e trágicas consequencias. Muitas pessoas passam a vida inteira chorando por uma decisão errada feita apenas num instante. Pagam um alto preço por uma desobediência. Choram amargamente por tomar uma direção errada na vida. Cuidado com o pecado, pois ele pode levar você mais longe do que você quer ir.
O pecado promete prazer e paga com o desgosto. Levanta a bandeira da vida, mas seu salário é a morte. Tem um aroma sedutor, mas ao fim cheira a enxofre. Só os loucos zombam do pecado. O pecado é maligníssimo. Ele é pior do que a pobreza, do que a solidão, do que a doença. Enfim, o pecado é pior do que a própria morte. Esses males todos não podem destruir sua alma nem afastar você de Deus, mas o pecado arruína seu corpo, sua alma e afasta você eternamente de Deus.
Ao invés de ir adiante do seu exército na batalha, conforme fizera antes, Davi ficou em Jerusalém. Foi tomado de uma indolência que não demorou a leva-lo ao colapso moral e espiritual. Sua vida de conforto e luxo como rei desenvolveu nele a autoconfiança e o tornou uma pessoa descomedida.
1. A realidade da tentação. "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca" (Mc 14.38). Tentação é o estímulo externo ou interno que impulsiona o ser humano à prática do pecado. É a investida do diabo contra os cristãos. Ela é inerente à carne – “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana” (1Co 10:13a). Quando a tentação é consumada, a consequência é o pecado (sua prática destitui o homem da comunhão com o Eterno) e a sua continuidade é punida com o castigo eterno.
Ninguém está imune à tentação, todos são tentados no dia-a-dia. Mas, nos é garantido pelo Senhor, que todas elas são suportáveis; nenhuma tentação é superior às nossas forças (1Co 10:13). Todos nós somos tentados a praticar o mal, principalmente os justificados pela fé em Cristo. Satanás é o agente da tentação, inclusive, um dos nomes do Diabo é "Tentador" (1Ts 3:5), e ele não tolera que nenhum ser humano fique livre do pecado, pois desta maneira o homem ficará fora da vida eterna com Cristo. O trabalho que mais o agrada é desviar o crente das disciplinas da vida cristã. A Bíblia diz: "Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo" (1Jo 3:8). Até a Jesus ele tentou (Mt 4:3). Por isso devemos vigiar constantemente pois a qualquer brecha satanás pode vir a penetrar e agir com astúcia e fazer com que o homem ou a mulher de Deus ceda à tentação, e quando isso acontece as consequencias são desastrosas.
A tentação em si não é pecado - “Bem-aventurado o varão que sofre a tentação...”(Tg 1: 12); pecado é ceder-lhe. Foi o que aconteceu com Davi. Davi estava no auge do seu reinado quando tragicamente caiu em pecado, vencido pela sua própria paixão desenfreada. Conforme 2Samuel 11:3,4, desocupado, ao observar, do terraço do palácio, uma linda mulher que se banhava, Davi deixou-se dominar pela cobiça. Deveria ter abandonado o terraço e fugido da tentação. Mas, ao contrário, desejou-a, mandou que a trouxessem e adulterou com ela. Como se isso não bastasse, Bate-Seba ainda ficou grávida. Os resultados foram devastadores. Nesse tempo, ele deixou de ser um homem segundo o coração de Deus. Davi, deste modo, caindo da graça(cf Gl 5:4), é uma advertência a todos os crentes: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia”(1Co 10:12).
Para fugir da tentação: 1) devemos pedir a Deus, em fervorosa e sincera oração, que nos ajude a nos afastarmos de pessoas, lugares e situações tentadoras; 2) devemos meditar e memorizar as passagens das Escrituras que combatem nossas fraquezas especificas; 3) devemos ainda procurar uma outra pessoa crente com quem possamos compartilhar abertamente nossas dúvidas, e a quem possamos pedir ajuda quando a tentação nos surpreender.
2. As fontes da tentação. Três situações podem ser observadas, as quais devemos ser cautelosos para que não caiamos em tentação. Por quem e por que somos tentados?
a) Pelo diabo. O Diabo é um ser espiritual, "o maligno" (Mt 13.19), que se opõe a Deus e à sua criação. Sendo ele nosso inimigo quer nos derrubar(1 Pe. 5:8, Jo 8:44). Ele sendo o pai da mentira lança dúvidas a respeito da Palavra. A Bíblia diz que devemos resisti-lo e assim ele fugirá (Tg 4:7).
b) Pela carne. Porque, apesar de salvos, temos ainda uma natureza pecaminosa que nos atrai e seduz(Mc. 7:21,22. Gl. 5:16,17 Tg. 1:13,14). A Bíblia nos adverte a não somente "viver", mas também a "andar" em Espírito (Gl 5.25).
c) Pelo mundo. Porque o mundo, habilmente controlado por Satanás, exerce uma forte pressão em nossos desejos carnais(Ef 2:1-2;1Jo 2:15-17). A palavra "mundo" (gr. kosmos) frequentemente se refere ao vasto sistema de vida desta era, fomentado por Satanás e existente à parte de Deus. Consiste não somente nos prazeres obviamente malignos, imorais e pecaminosos do mundo, mas também se refere ao espírito de rebelião que nele age contra Deus, e de resistência ou indiferença a Ele e à sua revelação. Isso ocorre em todos os empreendimentos humanos que não estão sob o senhorio de Cristo. Na presente era, Satanás emprega as idéias mundanas de moralidade, das filosofias, psicologia, desejos, governos, cultura, educação, ciência, arte, medicina, música, sistemas econômicos, diversões, comunicação de massa, esporte, agricultura, etc, para opor-se a Deus, ao seu povo, à sua Palavra e aos seus padrões de retidão (Mt 16:26; 1Co 2:12; 3:19; Tt 2:12; 1Jo 2:15,16; Tg 4:4; Jo 7:7; 15:18,19; 17:14). A Palavra de Deus nos instrui a que não amemos o mundo (1 Jo 2:15).
3. O processo da tentação. O homem é tentado por suas próprias concupiscências - “Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”(Tg 1:14). De acordo com 1João 2:16, três aspectos do mundo pecaminoso são abertamente hostis a Deus: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo”.
a) "A concupiscência da carne", que inclui os desejos impuros e a busca de prazeres pecaminosos e a gratificação sensual. 1 Co 6:18 – “Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo”.
b) "A concupiscência dos olhos", que se refere à cobiça ou desejo descontrolado por coisas atraentes aos olhos, mas proibidas por Deus, inclusive o desejo de olhar para o que dá prazer pecaminoso. Nesta era moderna, isso inclui o desejo de divertir-se contemplando pornografia, violência, impiedade e imoralidade no teatro, na televisão, na internet (principalmente), no cinema, ou em periódicos. Lc 11.34 - “A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso”.
c) "A soberba da vida", que significa o espírito de arrogância, orgulho e independência auto-suficiente, que não reconhece Deus como Senhor, nem a sua Palavra como autoridade suprema. Achar-se o melhor, menosprezar os outros. Tal pessoa procura exaltar, glorificar e promover a si mesma, julgando não depender de ninguém. Pv 16.18 - “A soberba precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda”.
O adultério de Davi com Bate-Seba e o consequente homicídio de Urias, nos ensina, em primeiro lugar, que o servo de Deus nunca pode ficar ocioso na missão que lhe foi confiada pelo Senhor. Era tempo de os reis saírem à guerra, mas Davi preferiu ficar em seu palácio, mandando que Joabe fizesse aquilo que o rei deveria fazer (1Sm 11:1). Quando deixamos de fazer aquilo que nos é necessário fazer, notadamente quando servimos a Deus, armamos uma arapuca para nós mesmos. Ao ficar no palácio em vez de sair à guerra, Davi ficou à mercê do adversário de nossas almas que, sabedor da fraqueza de Davi para com as mulheres, armou-lhe uma astuta cilada. Não podemos ignorar os ardis do inimigo (2Co 2:11).
Davi, no auge da fartura e da autoconfiança, só se preocupou com seus próprios desejos(11:2). Quando veio a tentação, alimentou-a em vez de fugir dela(11:3).Pecou deliberadamente(11:4). Tentou ocultar seu pecado, enganando a outros(11:6-15). Cometeu um assassinato para continuar a escondê-lo(11:15,17). No final, o pecado de Davi foi revelado(12:9) e castigado(12:10-14). As consequencias destas transgressões foram de longo alcance e afetaram muitas outras pessoas(11:17;12:11,14,15).
1. O pecado camuflado. Depois de ter consumado o seu ato pecaminoso, Davi, de várias maneiras e durante um bom tempo, tentou ocultá-lo (2 Sm 11.27). Davi poderia ter interrompido e abandonado o pecado a qualquer momento. Mas quando alguém começa a transgredir é difícil parar(Tg 1:14,15). Quanto maior for a desordem menos dispostos nos mostramos admitir que fomos os causadores. É muito mais fácil parar de deslizar montanha abaixo quando estamos próximos ao topo do morro, do que quando já percorremos a metade do caminho. A melhor solução é determos o erro antes de começarmos a pecar.
Muitos filmes e novelas de hoje procuram colocar o pecado de Davi no contexto do romantismo e "amor" inegável. Procuram fazer do pecado alguma coisa bonita e agradável. Mas, as Escrituras não oferece nenhuma cena romântica para justificar o erro. Simplesmente diz: "Então, enviou Davi mensageiros que a trouxessem; ela veio, e ele se deitou com ela" (2Sm 11:4). Neste momento, Davi deveria ter sentido remorso profundo e tristeza sincera. Mas, ele não virou para Deus naquela hora. Achou que o pecado poderia ser escondido, e as conseqüências evitadas. Foi o começo de uma série de pecados que parecem tão estranhos na vida de um homem escolhido por Deus. As tentativas foram cada vez mais pecaminosas. Isso sempre acontece com quem tenta esconder seu pecado (Sl 42.7; Nm 32.23).
a) Ao adultério, Davi acrescentou mentiras. Quando soube que Bate-Seba estava grávida, ele chamou Urias para dar noticias da guerra, e em seguida ofereceu-lhe um presente e deu-lhe licença para ir a sua própria casa (2 Sm 11.6-8). Tudo era mentira, engano, logro. Ele achou possível esconder seu pecado, enganando o próprio marido traído. Mas Urias não facilitou o plano de Davi. Por ser um soldado dedicado, ele recusou tirar férias quando os colegas estavam na batalha.
b) Não dando certo a tática anterior, ele parte para agressão moral de Urias: embriaga o seu fiel soldado. Davi ofereceu um banquete a Urias com vinho embriagante (11:12,13). Foi uma armadilha enganadora para que ele fosse a sua casa para se deitar com Bate-Seba e encontrar justificativa para Davi encobrir o seu pecado. Porém o final do versículo 13 diz que Urias “não desceu à sua casa”.
c) Frustrado, Davi avançou das mentiras ao homicídio(11:14,15). O próprio Urias levou a carta que selou a morte dele e de mais alguns soldados. Um assassinato covarde de um leal soldado, planejado pelo rei da Nação Escolhida (11:16,17). Neste plano sinistro, o rei envolveu mais uma pessoa, Joabe. Ele era o comandante do exército e serviu de cúmplice sem saber os motivos de Davi. As tentativas de esconder o pecado geralmente levam o pecador ao fundo do poço. Davi, cujo coração costumava ser dedicado ao Senhor, se entregou ao pecado e à vontade do diabo. Quando o crente procede dessa forma, o julgamento divino o aguarda, pois "Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7).
2. O pecado descoberto e exposto. Talvez Davi conseguiu enganar os vizinhos, e até o próprio coração. Mas, ninguém é capaz de esconder de Deus - "E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas" (Hb 4:13). Deus mandou Natã, um profeta, para confrontar Davi com seu pecado (2Sm 12:1-14). Ele narra a parábola do camponês pobre que perdeu sua única ovelha por causa da maldade do vizinho rico. Davi ficou bravo, e demandou um castigo duro ao ladrão. Falou que este homem teria que pagar quatro vezes o valor da ovelha, e que seria morto pelo crime(2Sm 12:5,6). É comum alguém que pecou e não tratou de forma devida o seu pecado projetar um sentimento de "justiça" e uma falsa santidade perante os outros. Ele exige dos outros aquilo que ele mesmo não fez. Cobra santidade, requer compromisso, exige dedicação, no entanto, nega com a sua prática a eficácia desses valores. Mas Natã, com divina autoridade, disse a Davi: “Tu és este homem"(2Sm 12:7). O profeta Natã declarou que Davi era culpado de desprezar “a palavra do Senhor” e de desprezar o próprio Deus(2Sm 12:9,10).
O pecado de Davi demonstra até onde pode cair uma pessoa que se desvia de Deus e da orientação do Espírito Santo. Quando Deus inicialmente chamou Davi para ser rei, este era um homem segundo o próprio coração de Deus(1Sm 13:14; At 13:22); ao mandar eliminar Urias e tomar a sua esposa, Davi estava desprezando a Deus e a sua Palavra(2Sm 12:9,10; cf 1Co 10:12). “Desprezar” significa tratar com menosprezo, fazer pouco caso. Portanto, mediante seus atos, Davi estava declarando que Deus não era tão importante, nem digno de amor e consagração. Semelhantemente, na igreja local de hoje, obreiros que venham a cometer adultério revelam assim que não têm apreço por Deus e sua santa Palavra. Tratam com desprezo o evangelho e o sangue de Cristo, como se fossem coisas vulgares, e que não merecem sua fidelidade. As Escrituras mostram que obreiros que se comportam assim não são qualificados para o ministério(1Tm 3:2).
3. O arrependimento de Davi. Há algumas diferenças notáveis quando comparamos a confissão de Davi com outras famosas confissões na Bíblia. Adão e Eva procuraram culpar outras pessoas para justificar sua desobediência (Gn 3:12-13). Caim mentiu para Deus, tentando negar sua culpa (Gn 4:9). Arão apontou o dedo para o povo, e fingiu que o bezerro de ouro tinha aparecido praticamente sozinho (Êx 32:21-24). Saul disse que tinha obedecido a palavra de Deus. Depois, quando reconheceu sua culpa, ele se preocupou em manter sua posição de honra perante o povo, em vez de mostrar um espírito quebrantado (1Sm 15:13,24,30). Judas sentiu remorso e confessou sua traição, mas fugiu da presença de Jesus e se suicidou (Mt 27:3-5). Mas o arrependimento e a confissão de Davi foram diferentes. Davi não ofereceu desculpas. Ele não perguntou sobre as consequências. Ele se entregou nas mãos do Deus justo, e simplesmente confessou a culpa do pecado cometido: "Pequei contra o SENHOR" (2Sm 12:13). O Salmo 51 mostra a profundidade do remorso de Davi. Ele assumiu plena responsabilidade pelo pecado, e pediu a ajuda de Deus para renovar seu coração. É este arrependimento que Deus quer. O pecador que volta para Deus precisa reconhecer seu erro, seu pecado. “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto”(Sl 32:1).
Reconhecer e confessar o pecado, com um coração sincero e arrependido, sempre trará o perdão gracioso da parte de Deus, a remoção da culpa e a dádiva da sua presença constante. Disse Davi: “Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado”(Sl 32:5).
Após pecar, Davi ouviu um dos mais duros julgamentos pronunciados pelo profeta Natã (2Sm 12:10-14). O julgamento atingia não somente sua vida pessoal, mas também toda a sua existência, incluindo reino e família. Embora Davi tenha se arrependido dos seus pecados e recebido o perdão da parte de Deus, as consequências disso não foram eliminadas por Deus. Semelhantemente, um crente que venha a cometer pecados terríveis, pode receber, através da tristeza segundo Deus e o arrependimento sincero, a graça e o perdão da parte de Deus. Mas, a restauração do nosso relacionamento com Deus não significa que escaparemos do castigo temporal, nem que ficaremos isentos das consequências dos pecados específicos(cf 12:10,11,14).
1. Consequências emocionais. O adultério com Bate-Seba teve desdobramentos dolorosos para Davi, sua família e toda a nação. O pecado de Davi não atingiu apenas a ele e sua geração, mas também a todas as gerações pósteras. Durante todos os séculos esse pecado tem sido relembrado e a memória de Davi manchada. O fiel pastor de ovelhas, o inspirado compositor, o músico de qualidades superlativas, o líder influenciador, o rei conquistador teve sua biografia maculada por esse grave pecado e seus tenebrosos desdobramentos. O pecado é como a nascente do Rio Amazonas: no seu nascedouro, as águas são rasas e até uma criança pode brincar em seu leito, mas depois, com a soma dos muitos afluentes, esse rio se torna um mar instransponível e inadiministrável.
Por causa desse pecado Davi perdeu sua reputação. Os ímpios blasfemaram do nome de Deus por causa de sua loucura. Depois Davi perdeu o filho do adultério. A criança morreu a despeito da insistente petição de Davi. Este teve ainda outras perdas: sua filha Tamar foi desonrada pelo próprio irmão Amnon; Absalão irmão de Tamar, mandou matar seu próprio irmão Amnon para vingar o que este havia feito com ela; depois, Absalão rebelou-se e conspirou contra Davi, seu pai, para tirar-lhe a vida e tomar-lhe o reino, e nessa empreitada, Absalão é assassinado por Joabe, comandante do exército de Davi. Tragédias e mais tragédias desabaram sobre a vida de Davi. Jamais ele podia imaginar que o pecado fosse ter um preço tão alto em sua vida. Tudo isso, certamente, mexeu com o emocional de Davi. Quantas lágrimas Davi derramou? Não há como aferir, entretanto, em Salmos 6:6, temos uma noção: "Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas". Devemos ter cuidado com o pecado, pois ele vai nos custar mais caro do que queremos pagar.
2. Consequências espirituais e físicas. O pecado de Davi lhe custou muito caro. Ele perdeu a intimidade com Deus. Durante um longo período, viveu atrás de máscaras, escondendo o seu pecado e atraindo sobre si o justo juízo de Deus. A mão de Deus pesava sobre ele dia e noite, e o seu vigor se tornou em sequidão de estio. A sua alma doente refletia com todo ímpeto a sua vida física. Os especialistas advertem que há muitas doenças psicossomáticas, isto é, doenças da alma ou de origem psicológica que afetam o corpo físico. O pecado parece doce, inofensivo e natural, no entanto, suas consequências são amargas. O Salmo 51 mostra a profundidade do remorso de Davi. Ele assumiu plena responsabilidade pelo pecado, e pediu a ajuda de Deus para renovar seu coração. Ele roga contritamente a plena restauração da sua salvação, a pureza, a presença de Deus, a vitalidade espiritual e a alegria(51:7-13). É este arrependimento que Deus quer. O pecador que volta para Deus precisa reconhecer seu pecado, e retornar ao seu estado original sem fingimento (Jr 3:10,13).
As consequências do pecado de Davi mostram um fato importante. Deus pode perdoar o pecador, sem tirar todas as conseqüências do pecado. Há muitas pessoas arrependidas de seus pecados que ainda vão ficar muitos anos encarceradas. Há famílias destruídas por causa de pecados já confessados e perdoados por Deus. Deus pode perdoar um assassino, mas este perdão não ressuscita a vítima. Ele pode perdoar a mãe que abusou do álcool ou de outras drogas durante sua gravidez, mas a criança que nasceu com defeitos físicos ou mentais por causa desses vícios continua sofrendo. Deus é capaz de perdoar as mulheres e médicos que fazem abortos, mas as crianças já mortas nunca nascerão vivas. Muitos outros exemplos provam que o pecador perdoado, ou suas vítimas, podem continuar sofrendo depois do perdão. Através da fé e arrependimento, Deus lava os pecados e nos purifica com seu sangue(1João 1:7). Assim, escapamos das consequências eternas do pecado.
CONCLUSÃO
O adultério tem se tornado um pecado comum e até glorificado em novelas, filmes, livros e revistas. Mas, desde a criação do primeiro par de seres humanos, Deus sempre tem ensinado a mesma coisa. As relações sexuais pertencem exclusivamente ao casamento lícito. Ele sempre condena a fornicação e o adultério. A vontade de Deus para os dias de hoje é bem clara: um homem pode casar com uma mulher, e os dois terão relações normais até a morte. Deus adverte: "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (1 Co 10:12). Quando respeitamos a vontade de Deus, receberemos as grandes bênçãos de felicidade nesta vida, e por toda a eternidade.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de estudo DAKE. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1º e 2º Samuel. Davi – vitórias e as derrotas de um homem de Deus – CPAD/2009. O cuidado com o pecado – Hernandes Dias Lopes. Davi e Bate-Seba, o pecado de adultério – Dennis Allan. Vencendo as tentações – agradando a Deus – aula 09 – junho/2008.