A RESTAURAÇÃO ESPIRITUAL DE DAVI
Leitura Bíblica: Salmos 51.1-4,7-12,17
29 de novembro de 2009
"Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR te traspassou o teu pecado; não morrerás" (2 Sm 12.13).
INTRODUÇÃO
Restaurar significa restabelecer, consertar, aquilo que foi quebrado, partido, danificado, e dar a forma e a beleza anterior. Depois de qualquer período de frieza espiritual e crise existencial, depois de qualquer escândalo e desastre de natureza espiritual, depois de qualquer ressentimento ou revolta contra Deus, é necessário que haja restauração para que se retorne ao estado original. Davi, autor de 73 dos 150 salmos, e que possuía certos traços de caráter muito especiais (1Sm 24:6; 26:8-11; 2 Sm 23:13-17; 1Cr 21:18-27), teve o seu padrão espiritual e moral - tão elogiado por Deus(At 13:22) e pelos de fora(1Sm 16:18) - quebrado, destruído, porque desprezou a Palavra do Senhor(2Sm 12:9). Se quisesse voltar o que era antes(“o homem segundo o coração de Deus”), era necessário uma cabal restauração em sua estrutura espiritual; uma restauração sincera.
Davi ficou em pedaços (Sl 6:2-3), sob o peso esmagador da mão de Deus (Sl 32:4) e dentro de um tremedal de lama (Sl 40:2). Ele gastou pelo menos nove meses para reconhecer e confessar tudo de errado que havia feito (2Sm 12:13, 14; Sl 32:5). Suplicou a misericórdia de Deus na forma de perdão para o pecado (Sl 6:1-7) e na forma de purificação para a injustiça (Sl 51:1-12). Teve que suportar, como conseqüências diretas ou indiretas de seu mau exemplo (2 Sm 12.10-12), a morte da criança, o incesto de Amnom, as trapalhadas de Absalão, a provocação de Simei, a maldade de Aitofel, a morte de Absalão e a sedição de Seba(2Sm 20). O processo de restauração tinha de incluir todos esses acontecimentos e demorou mais de dez anos. Mas, são os vasos quebrados que precisam parar nas mãos do divino Oleiro para serem outra vez modelados.
Como homem, Davi errou e quase veio a sucumbir, no entanto, ao contrário de Saul, não tentou se justificar, mas arrependeu-se profundamente e reconheceu o seu pecado (2 Sm 12:13a; Sl 51:4). Ele é o retrato mais claro do que significa arrepender-se do pecado. O Salmo 51 mostra a profundidade do remorso de Davi. Ele assumiu plena responsabilidade pelo pecado, e pediu a ajuda de Deus para renovar seu coração. É este arrependimento que Deus quer. O pecador que volta para Deus precisa reconhecer seu erro, seu pecado. “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto”(Sl 32:1). Reconhecer e confessar o pecado, com um coração sincero e arrependido, sempre trará o perdão gracioso da parte de Deus, a remoção da culpa e a dádiva da sua presença constante. Disse Davi: “Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado”(Sl 32:5).
Ao cabo de tudo, Davi recuperou o prestígio, a autoridade, o trono, a comunhão com Deus, a delicadeza de seu caráter, as bênçãos de Deus e a experiência de que “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). É ele mesmo quem conta: “De todos os meus filhos, porque muitos filhos me deu o Senhor, escolheu ele a Salomão para se assentar no trono do reino do Senhor, sobre Israel” (1Cr 28:5). Criado pelo profeta Natã (2 Sm 12:25), o mesmo que acusou Davi de adultério, Salomão foi também escolhido por Deus para edificar o Templo do Senhor em Jerusalém (1Cr 28:6). O ponto mais alto da graça de Deus, porém, está na presença de Davi e Bate-Seba na árvore genealógica de Jesus Cristo, ao lado da virtuosa Maria e de algumas mulheres (Tamar, Raabe e Rute), que jamais estariam ali se não fosse a maravilhosa e soberana graça de Deus (Mt 1:1-17). A Bíblia registra também que Davi “morreu em ditosa velhice, cheio de dias, riquezas e glória” (1Cr 29: 28). Talvez este seja o mais extraordinário exemplo de restauração de toda a Escritura!
O estado quebrado em que se encontra o crente, pouco ou muito tempo depois de um fracasso, não é necessariamente seu estado final. Deus deixou essa certeza impressa nos olhos e na memória do profeta Jeremias ao levá-lo à casa de certo oleiro, em cujas mãos havia um vaso que se estragou. Em vez de jogar fora o vaso estragado, o oleiro o refez, moldando outra peça com o mesmo barro. Em seguida, o Senhor perguntou ao profeta: “Não podereis eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jr 18:6).
1. Davi e a Palavra de Deus. O maior perigo para uma pessoa crente é permitir o surgimento de hiato, brecha, lacuna, espaço vazio, em sua vida espiritual. Desvincular quaisquer procedimentos das regras de conduta que a Palavra de Deus estabelece para o nosso viver é realmente perigoso. Satanás é o maior vigia das atitudes do crente. Ao perceber que o crente está se conduzindo inconvenientemente, fora dos padrões bíblicos, ele usa os seus ardis para conduzir aquela pessoa à ruína espiritual, moral, e até mesmo material. Davi conhecia mais do que ninguém os ditames da Palavra de Deus. Todavia, no momento de sua queda ele estava distante da lei divina. Davi foi confrontado pela Palavra de Deus pronunciada pelo profeta Natã (2Sm 12). Qual outra fonte se atreveria a confrontar o rei? Somente a Palavra de Deus é poderosa para lançar luz em nossas densas trevas.
O profeta Natã declarou que Davi era culpado de desprezar “a palavra do Senhor” e de desprezar o próprio Deus(2Sm 12:9,10). Ao mandar eliminar Urias e tomar a sua esposa, Davi estava desprezando a Deus e a sua Palavra(2Sm 12:9,10; cf 1Co 10:12). “Desprezar” significa tratar com menosprezo, fazer pouco caso. Portanto, mediante seus atos, Davi estava declarando que Deus não era tão importante, nem digno de amor e consagração. Semelhantemente, na igreja local de hoje, obreiros que venham a cometer adultério revelam assim que não têm apreço por Deus e sua santa Palavra. Tratam com desprezo o evangelho e o sangue de Cristo, como se fossem coisas vulgares, e que não merecem sua fidelidade. As Escrituras mostram que obreiros que se comportam assim não são qualificados para o ministério(1Tm 3:2).
Infelizmente, como Davi, nós nos esquecemos com facilidade das bênçãos de Deus e desprezamos a sua Palavra não apenas quando somos ingratos, mas também quando nos esquecemos do histórico das bênçãos de Deus em nossa vida.
Como em um julgamento, a acusação contra Davi foi desde o desprezo a Deus até o assassinato de um soldado nas mãos inimigas. “Por que, pois, desprezaste a Palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom”(2Sm 12:9). Davi poderia argumentar que não fora ele o matador de Urias. Guerras ceifavam vidas sempre, e certamente Natã sabia disso. Mas ele havia quebrado qualquer possibilidade de desculpa de Davi.
Não é difícil entender o que aconteceu. Quando desprezamos a Palavra do Senhor, esquecendo-a ou colocando-a em segundo plano em detrimento de nossas “necessidades” momentâneas, perdemos o foco daquilo que é eterno, passamos de um pecado a outro e cada vez em um nível de comprometimento perigoso. Davi se esqueceu de Deus, adulterou, matou um homem e tomou sua mulher. Mas nada disso passaria impune.
2. O cristão e a Palavra de Deus. Enquanto grande parte das igrejas quer colocar no inimigo das nossas almas a culpa de tudo, eu analiso a vida e chego a uma conclusão: passamos por certas dificuldades e não conseguimos acertar nossa vida porque não aplicamos nela tudo o que a Palavra de Deus ensina. Analisemos todos os âmbitos da nossa vida (profissional, conjugal, espiritual, relacionamento com filhos…). Agora façamos uma analise sobre aquela área que está aquém das nossas expectativas. Temos aplicado os princípios da palavra de Deus nela? Será que nós não temos aplicado os princípios de Deus na nossa vida só quando nos é conveniente?
De que adianta não ouvirmos música do mundo, assistir novela, não beber e não fumar se não aplicamos em todas as áreas da nossa a vida a Palavra de Deus? Viver assim seria como viver o evangelho pela metade. Podemos aplicar os princípios da Palavra de Deus em todas as áreas das nossas vidas: no casamento (Ef. 5.22-33,1 Pe. 3.1-7, 1 Co. 7.1-5, Cl. 3.19, Ef. 4.26, Pv. 5.18-19); na criação dos filhos (Pv. 22.6, Dt. 6.6-7, Cl. 3.21, Pv. 31.26, Ef. 6.4, Ef. 6.1); na vida profissional (Tt. 2.9-10, Cl. 3-23, 1 Tm. 5.8), e em todas as áreas das nossas vidas. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”(Hb. 4.12).
A Palavra de Deus é a regra de fé e prática do cristão. Nela encontramos as diretrizes a tomarmos para que não venhamos a tropeçar(cf Rm 10:17; 1Ts 1:6). Alem de ouvir, o cristão deve ler, meditar e praticar os seus ensinos. Quantos tropeçam porque não recebem aquilo que Deus está a lhes falar no livro Sagrado? Deus disse para Josué: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido”. Certamente, a Palavra de Deus era a “bússola” que conduziria o povo à terra prometida. Sem a Palavra de Deus não teremos como nos guiar no caminho certo. Portanto, não devemos nos afastar em nenhum momento dos ditames da Palavra de Deus. Ela é o nosso código de ética.
II. A RESTAURAÇÃO E A INFLUÊNCIA DE FATORES EXTERNOS EM NOSSAS DECISÕES
1. A influência do meio. Certamente, o meio influencia sobremaneira o caráter da pessoa. Por isso, o crente deve estar atento, vigilante, para que os agentes influenciadores não o retirem do caminho certo. Quanto mais poderosas são as pessoas mais dominadoras elas mostram ser. Na cultura do Antigo Oriente os reis eram quase semi-deuses, podendo exercer um poder absoluto e ter praticamente tudo o que queriam. Em todas as épocas, o ser humano abusou de sua autoridade para modificar, à revelia de muitos, os sistemas sustentadores do meio. Ele mandava e desmandava, não importava se estava certo ou errado. Aliás, na pessoa soberba não é encontrado espaço para erro; é ele quem dita o certo e o errado. Com Davi não foi diferente. Essa influência do meio fez com que ele desejasse e possuísse Bate-Seba, sem se dar conta do grande mal que estava praticando. Depois de se informar do nome e do estado civil da mulher e de quem era o marido dela, Davi “mandou que a trouxessem e se deitou com ela” (2Sm 11:4). O rei não apagou o fogo do desejo sexual ilícito, não negou-se a si mesmo (Mc 8:34), não ofereceu resistência ao mau desejo, “sendo por ele arrastado e seduzido” (Tg 1:14). Então, naquela tarde sinistra, ocorreram duas concepções: a mulher concebeu de Davi e ficou grávida; Davi concebeu de seus próprios maus desejos e ficou “grávido”. Bate-Seba deu à luz uma criança, e Davi deu à luz o pecado. Ele se soltou do alto do tobogã e não teve como parar no meio do escorregador. Foi lançado num atoleiro (Sl 40:2).
Quando Davi viu Bate - Seba se banhando e a cobiçou, adulterando com ela em seguida, não podia imaginar o fim daquele túnel. Talvez pensasse que seria apenas uma aventura numa tarde de verão. Talvez até tivesse racionalizado e justificado seu ato tresloucado, dizendo que tinha que relaxar um pouco. Mas, o pecado não é algo passageiro nem superficial. Seus efeitos são profundos e mais duradouros do que se pode imaginar. Davi além de adulterar com Bate-Seba deu outros passos rumo ao abismo. Ele mentiu acerca do seu pecado e mandou matar o marido da sua amante. Ele perdeu a autoridade espiritual sobre sua família. Ele viu sua casa desmoronando diante dos seus olhos. Ele colheu os amargos frutos da sua maldita semeadura.
Portanto, tomemos cuidado com o meio no qual vivemos. Ele pode influenciar a nossa maneira de viver e o nosso caráter, se não estivermos vigilantes. Não devemos perder a visão da linha divisória entre o certo e o errado; entre o sistema mundano e a santidade; entre o santo e o profano. “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”(Rm 12:2).
2. Nossa responsabilidade moral. Foi Deus quem produziu o ser humano com seu complexo aparelho psíquico consciente e perfeito, capaz de pensar e agir por vontade própria, que o reveste de responsabilidade moral por seus feitos e de característica singular, acima de todos os seres da criação(Gn 1:28-31).
Como agentes morais livres, somos responsáveis por nossas ações ou decisões. Individualmente, iremos prestar contas de tudo o que fizemos aqui, bem ou mal(cf 2Co 5:10; Rm 14:12). Não adianta justificar que o deslize cometido em nossa vida espiritual foi uma fatalidade, porque estávamos no lugar errado e na hora errada. No processo de restauração, isso não é levado em conta, pois as Escrituras Sagradas colocam sobre nós toda a responsabilidade pelas decisões que tomamos. Portanto, devemos nos comportar adequadamente no meio onde nos encontramos. Somos pessoas que faz diferença, no meio de uma sociedade corrupta. Somos luz e sal.
O meio exerce uma poderosa influência sobre nós, mas isso não nos exime de nossa responsabilidade moral. Como foi dito acima, somos responsáveis por nossas ações ou decisões. Como bem disse o pr. José Gonçalves, não é possível nenhum processo de restauração quando desconsideramos esse fato. Por que Davi caiu? Por que Pedro negou a Jesus? Por que Judas o traiu? Em todos os casos, de quem era a culpa? Deus pode ser responsabilizado pelas ações desses homens? Algum deles foi predestinado a cometer tal ato? Em todos esses casos, quer estivessem motivados por agentes da tentação externos, quer não, a Escritura põe a responsabilidade desses atos sobre cada um deles. A culpa foi de Davi, a culpa foi de Pedro, a culpa foi de Judas. A culpa é nossa. É por isso que, para ser restaurado, Davi exclamou: "Porque eu conheço as minhas transgressões; e o meu pecado está sempre diante de mim" (Sl 51.3).
1. Reconhecendo a misericórdia de Deus. Os versículos 1 e 2 do salmo 51 mostram o pavor de Davi pelo pecado cometido contra a Santidade de Deus, e clama com todo ímpeto de sua alma pela Sua misericórdia: “ Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado”. Esse clamor mostra o desespero de Davi por perda de algo muito importante. E foi importante mesmo, vejamos então: a perda da comunhão de Deus; a perda da sua proteção; a perda do título do homem segundo o coração de Deus; a perda da tranquilidade diante dos inimigos; e conseqüências nefastas na área política, espiritual, familiar, etc. Para restaurar a sua posição original ele necessitava do favor e da compaixão do Senhor. Mas, para encontrar o caminho da restauração, Davi precisava:
a) Admitir o seu pecado( Sl 51:3) – “...eu conheço as minhas transgressões...”. Davi por um tempo escondeu o seu pecado, mas isso estava arruinando a sua vida (a alegria foi embora, a mão de Deus pesava sobre ele, etc). Até que ele viu seriamente sua situação e teve convicção do pecado. Não há esperança de perdão e restauração enquanto você não admitir o seu pecado. Não olhe para os outros. Não julgue e nem culpe os outros. Pare de se justificar. Diga como Davi: ” Eu reconheço as minhas transgressões”. “Pequei contra o Senhor”. Ou como o filho pródigo: “Pai, eu pequei contra os céus e diante de ti”. Davi reconheceu que o problema não estava fora dele (beleza de Bate-Seba), mas no seu coração sujo. O caminho da restauração passa pelo arrependimento e confissão do erro cometido e abandono da prática do pecado. O arrependimento é o reconhecimento de que você não merece nada a não ser o juízo.
Você sabe qual a diferença entre Saul e Davi em relação ao pecado? Ao pecar, Saul tentou justificar-se transferindo a responsabilidade para o povo (1 Sm 13.13,14; 15.1-3, 9, 15-31); ao passo que Davi admitiu o seu pecado, e arrependeu-se profundamente (2 Sm 12.13a; Sl 51.4). Se o crente não reconhecer seus erros e rejeitar a disciplina do Senhor, poderá ter o mesmo destino de Saul.
b) Confessar o seu pecado(2Sm 12:13) – “Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor”. Quando confessamos nossas faltas ao Senhor, damos o primeiro passo em direção à recuperação da comunhão com Ele. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça."(1 João 1.9). O crente não pode se limitar apenas ao quebrantamento. É preciso confessar e deixar o pecado. Dizer a Deus o que fizemos não é confissão. A idéia de confissão exige da pessoa o desejo de abandonar o erro. Deus não quer que leiamos para ele a lista de nossos erros, e sim que os confessemos, admitindo nossas falhas e dependendo dEle para nossa restauração. “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”(Pv 28:13).
c) Buscar o perdão de Deus (Sl 51:1) - “Tem misericórdia de mim, ó Deus”. Davi reconheceu sua culpa, mas foi além. Somente sentir o peso do pecado pode levar ao remorso e autodestruição (por exemplo: Judas). Davi não se suicidou, não fugiu de Deus, mas correu para ele. Precisava ser perdoado e purificado. “A confissão busca o perdão de Deus, não a anistia. Perdão presume culpa; anistia, derivada da mesma palavra grega para amnésia, 'esquece' a suposta ofensa sem imputar culpa" (LUCADO, Max. Nas Garras da Graça, RJ: CPAD, 1999, p.120).
Davi pecou contra Deus, mas o que ele mais deseja é ter Deus de volta. Muitos que pecam, abandonam a sua fé em Deus, abandonam a comunhão com os irmãos da Igreja, a Bíblia, a oração. Fogem de Deus, que é o caminho oposto ao arrependimento. Mas Davi sabia que só Deus podia restaurá-lo, e que Deus não rejeita um coração quebrantado.
Na cruz, Jesus morreu pelos nossos pecados. Quando nos voltamos para a cruz, encontramos perdão, cura, restauração completa. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”(1 João 1:9). O perdão e a restauração da comunhão que se fizeram necessários são efetuados mediante a confissão dos pecados (1 Jo 1: 9) e o arrependimento (Lc 17: 3,4; 24: 47).
2. Reconhecendo a nossa pecaminosidade e a santidade de Deus. A falta de reconhecimento, por parte do pecador, pela ofensa cometida contra a santidade de Deus, ofende sobremaneira a sua justiça. Após a história contada por Natã, e percebendo que agira contra os princípios de Deus, Davi se quebranta e admite seu pecado. Nos versículos 2 e 3 do Salmo 51, Davi reconhece sua iniquidade e transgressão: “ Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim”. Somos portadores de uma natureza pecaminosa, e o reconhecimento desse fato é importantíssimo no processo da restauração. O apóstolo Paulo assim afirmou: “Porque o que faço, não o aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”(Rm 7:15,18,19).
Segundo o pr. José Gonçalves, a ordem do processo de restauração é sempre essa: arrependimento, conscientização, confissão e abandono da prática pecaminosa. Mesmo tendo pecado e tentado ocultar o que fizera, Davi tinha um coração bom e voltado para Deus, pois era uma pessoa quebrantada. Ele podia, como rei, punir Natã, ou mesmo se escusar daquela acusação, mas se quebrantou diante do profeta e reconheceu seu pecado. Era isto que Deus esperava dele, e assim começou a recuperação de Davi. Deus sabe a forma como nos convencer de nossos pecados, mas é necessário dar ouvidos à sua voz.
Davi tinha um coração quebrantado perante o Senhor e reconheceu que o que fizera fora consequencia de sua momentânea falta de vigilância. Mais que condenar Davi, precisamos estar atentos ao fato de que, em maior ou menor escala, somos parecidos com ele e estamos sujeitos a fazer coisas tão graves quanto as que ele fez. Não estamos imunes ao pecado em um mundo decaído. Não podemos dizer que jamais pecaremos, ou que ficaremos o tempo todo em vigilância. Mas podemos ter certeza de que Deus, em sua grande misericórdia, aceitará o pecador arrependido e o restaurará à comunhão perdida. Glórias a Deus! A Escritura comprova que Davi foi totalmente restaurado diante de Deus, e suas poesias expostas nos Salmos confirmam essa restauração.
------------
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br
-------
Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de estudo DAKE. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 1º e 2º Samuel. Davi – vitórias e as derrotas de um homem de Deus – CPAD/2009. O cuidado com o pecado – Hernandes Dias Lopes. Quando o coração fala mais alto que a razão - Pr Josias Moura De Menezes. Davi e Bate-Seba, o pecado de adultério – Dennis Allan