UMA
MÃE DIGNA DE SER IMITADA: MARIA, MÃE DE JESUS
“Disse
então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em
mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38).
No dia 11 de
maio de 2008 o
dia das mães será comemorado mais uma vez.
Será a comemoração de
número 100. Ou
seja, há 100 anos se comemora esta data.
Segundo
relato histórico que li, a responsável pela
inclusão desta data comemorativa no
calendário, chama-se Anna Jarrvis,
nascida em 1864, em Webster,
Estados Unidos. Ela era professora no Oeste do Estado da
Virgínia, mudando-se,
depois para a cidade de Filadélfia, com a mãe,
viúva, e uma irmã cega. Anna era
muito devotada à sua mãe, porém, esta
veio a falecer em 1907. Após sua morte,
Anna iniciou uma campanha para criar o dia nacional das
mães. Durante os trabalhos
de sua Igreja, ela persuadiu os freqüentadores a comemorar a
data no
aniversário da morte de sua mãe, no segundo
domingo de maio. A primeira
celebração pública do dia das
mães ocorreu no dia 10 de maio de 1908.
Em 1912, no
Oeste da Virgínia,
a data foi decretada feriado em todo o Estado. Seguiram o exemplo
Oklahoma,
Washington, Pensilvânia e, finalmente, todos os Estados
norte-americanos.
Em
09 de maio de 1914, o presidente Woodrow Wilson oficializou a data.
Alguns
paises celebram o dia das mães em outras épocas
do ano, porém, muitos seguem a
tradição iniciada por Anna Jarvis e homenageiam
as mães no segundo domingo de
maio.
No
Brasil, a Associação Cristã de
Moços introduziu a comemoração a
partir de 1918. Em
5 de maio de 1932, Getulio Vargas
instituiu oficialmente, o dia das mães no segundo domingo de
maio.É claro
que, como muitos afirmam, todo dia deve ser dia das mães.
Porém, destacar-se um
dia especial como sendo o dia das mães, talvez seja justo e
meritório.
Temos por
certo que aquele
filho, ou filha, de qualquer idade, que durante todo o ano
não dedica a sua mãe
o devido respeito, carinho e obediência, também,
não deve, no dia das mães,
hipocritamente, pretender homenageá-la.
Estamos
certos que a homenagem
que toda mãe, bem como todo o pai deseja, é o
amor de seus filhos. Em havendo
amor os demais requisitos ficam fáceis de serem observados.
Isto, não apenas um
dia ao ano, mas, em todos os dias do ano.
Ninguém
que se diz cristão pode tratar seus pais sem o devido
respeito, pois, a Bíblia
Sagrada diz: “Vós, filhos, sede
obedientes a vossos pais no Senhor,
porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe,
que é o primeiro mandamento
com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre
a terra”(Ef
6:1-3). Às Mães de
todo o mundo, as nossas homenagens neste dia, e
sempre.
Quero, por
ocasião desta data,
falar de uma mãe que merece estar no pedestal. É
claro que se ela estivesse
viva ela diria: “longe de mim tal merecimento”. Mas
para falar de Maria,
mãe de Jesus, eu digo como Paulo: “Dai
a cada um o que lhe é devido:....
a quem honra,
honra”(Rm
13:7).
Maria
é uma mulher digna de ser imitada não
só pelas mães,
mas por todos os cristãos de todos os tempos: por
sua humildade, coragem,
abnegação, fervor e fidelidade a Deus. Ela foi
uma mulher que esteve pronta a
correr todos os riscos para realizar a vontade de Deus. Vejamos a
seguir
algumas características importantes dessa mãe
maravilhosa:
1. Maria uma
mulher
escolhida por Deus para
ser a MÃE
do Senhor Jesus. Ser a mãe do Messias
era o desejo de qualquer mulher
israelita. O povo esperava um Messias da linhagem de Davi,
porém um Messias
ditatorial, guerreiro, libertador, déspota,
invencível, mas nunca jamais
imaginaram vir o Messias de alguma cidade da Galiléia, a
Galiléia dos Gentios (
Mt 4:15), principalmente de uma família pobre de
Nazaré. O povo de Jerusalém
desdenhava os judeus da Galiléia e dizia que eles
não eram puros em virtude do
seu contato com os gentios. Eles especialmente desprezavam os
habitantes de
Nazaré (João 1:45,46), mas Deus, em sua
graça, escolheu uma jovem pobre, da
pequena cidade de Nazaré, na pobre região da
Galiléia, para ser a mãe do
Messias prometido. Essa escolha teve sua origem na graça de
Deus e não em
qualquer mérito dela. Deus não chama as
pessoas porque são especiais, mas
elas se tornam especiais porque Deus as chama.
Quando o
anjo aparece a Maria,
pela primeira vez, quando da escolha para ser a mãe do
Salvador ele diz; “...Salve,
agraciada; o Senhor é contigo”(Lc
1:28). Agraciada significa favorecida, não merecedora,
pois graça significa favor não
merecido. Observe,
também, que a mensagem do anjo
estava na criança, e não em Maria. O
Filho seria grande, não ela(Lc
1:31-33). O nome da
criança resumia o propósito do seu nascimento.
Ele seria o Salvador do mundo(Lc
1:31; Mt 1:21). O anjo revela a Maria que a
concepção seria um milagre.
Disse-lhe o anjo: “Virá sobre ti
o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo
te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de
nascer será chamado santo,
Filho de Deus”(Lc 1:35).
O
Deus Filho tornou-se
humano por meio de uma concepção milagrosa,
operada pelo Espírito Santo no ventre
de Maria. O Deus infinito, o Criador do universo, tornou-se
um pequeno
embrião humano no ventre de Maria. Dentre muitas jovens
ricas daquela época e
de famílias que moravam em Jerusalém, escolheu
uma humilde e simples
jovens da mais humilde e desprezível cidade dos termos de
Israel. Considero
isso um privilégio! “...porque
o Senhor não vê como vê o homem, pois o
homem olha para o que está diante dos olhos,
porém o Senhor olha para o coração”(1
Sm 16:7).
2.
Maria,
uma mulher disponível para Deus -
“Disse então Maria. Eis aqui a
serva do Senhor; cumpra-se
em mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38).
O anjo chamou Maria de
“favorecida”, porém, ela preferiu um
termo bem mais humilde: serva. Não
serva de Gabriel, de José ou de homem algum, mas do
próprio Senhor. Essa
atitude de Maria resume toda a sua filosofia de vida. Maria se coloca
nas mãos
de Deus para a realização dos
propósitos de Deus. Ela é serva.
Ela está
pronta. Ela se entrega por completo, sem reservas ao Senhor. Ela
está pronta a
obedecer e oferecer sua vida, seu ventre, sua alma, seus sonhos ao
Senhor. Ela
está disponível para Deus. Ela está
pronta a sofrer riscos, a desistir dos seus
anseios em favor dos propósitos de Deus. Ela
está pronta a ser uma sócia de
Deus, não uma igual com Deus, mas uma serva. Ela
diz: “cumpra-se em
mim conforme a tua palavra”. Estes
termos mostram que ela estava
disponível para Deus. De todos os
úteros da terra, o seu útero foi
escolhido para ser o ninho que ternamente acalentaria o Filho de Deus
feito
homem. A serva de Deus, Maria, se apresenta, bate
continência ao Senhor
dos Exércitos e se coloca às suas ordens.
3.
Maria,
uma mulher disposta a correr riscos para fazer a vontade de Deus
– “... cumpra-se em mim segundo
a tua palavra”(Lc
1:38). Para fazer a vontade de Deus há um
preço a cumprir. Sempre foi assim
ao longo da história da igreja àqueles que
ergueram a bandeira de obediência ao
Senhor Deus. Maria
arriscou tremendo
reveses em sua vida quando se propôs em fazer a vontade do
Senhor: ser a Mãe do
Salvador do mundo, o Messias.
a)
Risco de
censuras do povo.
Ao
aparecer grávida na cidade de Nazaré Maria estava
exposta às mais aviltantes censuras, haja vista que o anjo
apareceu somente a
ela, e não ao povo de um modo geral. Imagine explicar uma
gravidez, não
explicável, para sua família!. Maria passou um
tempo da sua vida sob uma nuvem
de suspeita por parte da família e dos vizinhos.
b)
Risco de
ser abandonada pelo seu noivo, José, por não
acreditar em sua gravidez
milagrosa.
Já que assumiu o
compromisso de obedecer a Deus, como enfrentar o homem que amava e lhe
dizer
que estava grávida e que ele não seria o pai?
Certamente, não foi fácil! Mas
ela estava disposta a sofrer o desprezo e a solidão. Na
verdade, José não
acreditou em Maria, pois resolveu abandoná-la(Mt 1:19). Mas
o anjo apareceu
para ele e lhe contou a verdade e ele creu na mensagem do anjo e nas
palavras
de Maria(Mt 1:20). A Bíblia não registra nenhuma
palavra direta de José. Ele simplesmente
obedeceu.
c)
Risco de
ser apedrejada em público. O risco
de
Maria ser apedrejada era enorme, pois esse era o castigo para uma
mulher
adúltera. Como ela já estava comprometida com
José(Mt 1:19), ele poderia, com
base nos ditames da Lei Mosaica, mandar apedrejá-la. A Lei
era enfática: “Se
houver moça virgem desposada e um homem a achar na
cidade, e se deitar com ela, trareis ambos à porta daquela
cidade, e os
apedrejareis até que morram: a moça, porquanto
não gritou na cidade, e o homem,
porquanto humilhou a mulher do seu próximo. Assim
exterminarás o mal do meio de
ti”(
Dt 22:23,24).
Percebe-se
que Maria dispôs-se a pagar um alto preço por sua
obediência ao projeto de
Deus. Maria era uma jovem pobre, agora grávida, com o risco
de ser abandonada pelo
noivo e apedrejada pelo povo. Mas ela não abre
mão de ir até o fim, de lutar
até a morte, de sofrer todas as
estigmatizações possíveis para cumprir
o
projeto de Deus.
4. Maria,
uma mulher feliz porque creu em Deus –
“Bem-aventurada
aquela que creu que se hão de cumprir as coisas que da parte
do Senhor lhe
foram ditas”(Lc.
1:45). Bem-aventurada quer dizer muito feliz. Maria
não foi considerada feliz porque foi pedida em casamento por
um milionário da
região, nem por ser considerada a moça mais
bonita de Nazaré, nem por ser a
mais simpática da região, não. Isabel
chama-a de muito feliz porque ela creu em Deus. Maria
mesmo
reconheceu que por ser a mãe do
Salvador, ela seria considerada uma
mulher muito feliz por todas as gerações(Lc.
1:48).
5. Maria,
uma mulher disposta a andar com Deus, mesmo em circunstâncias
adversas. Maria,
uma serva de Deus que merece ser imitada e respeitada. Nada poderia
abalar sua
fé, nem mesmo as piores crises. Tudo suportou por amor a
Deus.
a) A crise
do desabrigo.
Após andar 130
quilômetros a
pé ou de jumento, de Nazaré até
Belém, ela dar à luz uma linda
criança, o seu
primogênito, o Filho do Altíssimo, o Verbo que se
fez carne. Bem, o Filho do
Altíssimo deve ter nascido em berço de ouro, por
ser também da linhagem do rei
Davi! Não, todos sabemos que ele nasceu numa humilde
manjedoura, rodeados de
animais, e num local não muito cheiroso. Se ela duvidou de
Deus? Não, claro que
não! Maria, além de uma mãe exemplar,
ela era uma serva do Senhor, plenamente
submissa Ele. Ela não duvidou de Deus, não
lamentou, não murmurou, nem se
exaltou. Não reivindicou seus direitos, nem exigiu
tratamento especial. Ela dá
à luz ao seu filho sem um lugar propício, sem um
médico ou parteira. Ela está
sozinha com o seu marido, sem luzes, sem holofotes, sem cuidados, sem
proteção
humana.
b) A crise
do desterro. Por
força de um intento maligno do rei Herodes em
matar o seu filho, Maria foge para o Egito. A crise agora foi ainda
mais
cruenta: era a crise de se sentir sem lugar certo para morar. Maria
está enfrentando
a crise de sentir-se desterrada, perseguida, ameaçada.
Vão para um lugar onde
serão ninguém, onde todos os vínculos
importantes estarão ausentes. Ela é
humilde o bastante para fugir. Corajosa o suficiente para enfrentar os
perigos
do deserto. Ela caminha sintonizada pelas mãos da
Providencia Divina. Ser mãe
do Messias em vez de trazer-lhe status,
glória e honra traz-lhe
solidão, perseguição, desterro. Ela
obedece à voz do anjo que imperativamente
disse: “...permanece lá
até que eu te avise...”(Mt 2:13).
c) A crise
da discriminação social.
Após o retorno do Egito, Maria foi morar em
Nazaré
da Galiléia, juntamente com José e Jesus.
Nazaré era considerada como subúrbio
do fim do mundo. Era um dos maiores covis de ladrões e
prostitutas da época. O
comentário geral era que de Nazaré não
saia nada de bom (João 1:46). Era uma
região sem vez, sem voz, sem representatividade. Era um
lugar de péssima
reputação. Mas é lá nesse
caldeirão de terríveis iniqüidades,
nessa região da
sombra da morte, que o Filho de Deus vai crescer para ser o Salvador do
Mundo.
É como se Deus estivesse armando a sua barraca nas malocas
mais perigosas da
vida. O Filho de Deus, o Rei dos reis, deveria ser chamado
não de cidadão da
gloriosa Jerusalém, mas de Nazareno, termo pejorativo, sem
prestigio.
6. Maria,
a mãe privilegiada – recebeu nos braços
o Filho de Deus – o seu próprio
Salvador e Senhor. Imagine ser
mãe de um ser que foi preexistente a
tudo e a todos. A Bíblia notifica e reivindica esse fato.
Jesus é preexistente
a todas as coisas – “Ele
é antes de todas as coisas, e nele subsistem
todas as coisas”(Cl 1:17). Maria
se torna mãe do seu Salvador e Senhor, isto é um
fato, que pode ser visto com
clareza, à luz das Escrituras:
a) O anjo
disse a Maria que o seu filho seria o Filho do Altíssimo(Lc 1:32). Jesus,
como Filho de Deus foi preexistente à sua mãe.
Ele é o Pai da eternidade(Is.
9:6). Ele é um com o Pai(João 10:30). Ele
é o Criador do Universo(Gn 1:1; João
1:3). Maria é mãe da natureza
humana do Verbo eterno e divino(João 1:1).
Quando o catolicismo romano proclama Maria “Mãe de
Deus”, deixa de perceber a
incongruência lógica e teológica dessa
afirmação, haja vista que Jesus é
preexistente à Maria. A simples
afirmação de que Maria é
mãe de Deus despoja-O
de seus atributos exclusivos de eternidade e divindade, pois se Deus
teve mãe,
Ele teve inicio, e se teve inicio, não é eterno,
e se não é eterno, não pode
ser Deus.
b)
Isabel,
inspirada pelo Espírito Santo, disse a Maria que o seu filho
era o seu Senhor –
“E
donde me provém isto, que venha visitar-me a mãe
do meu Senhor?”(
Lc 1:43).
Isabel tinha plena consciência disso. Não foram
palavras
evasivas e sem lógicas, não. Isabel ao ouvir a
saudação de Maria ficou cheia do
Espírito Santo e João Batista, ainda no estado
fetal, saltou no seu ventre,
como se estivesse saudando aquele que é o Rei dos Reis e
Senhor dos Senhores.
Diante de Jesus não apenas os magos dobraram seus joelhos,
mas todo joelho se
dobrará diante dEle – “Porque
está
escrito:Como eu vivo, diz o Senhor, que todo
o joelho se
dobrará a mim,E toda a língua
confessará a
Deus”(Rm 14:11); “Para que ao nome de Jesus se
dobre todo
o joelho dos que
estão nos céus, e na terra, e
debaixo da terra”(Fp 2:10).Ele
vai voltar com grande poder e muita glória, acompanhado dos
seus valorosos anjos -
“a
qual, no tempo próprio, manifestará o
bem-aventurado e único soberano, Rei dos
reis e Senhor
dos
senhores;
aquele que
possui, ele só, a imortalidade, e habita em luz
inacessível; a quem nenhum dos
homens tem visto nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno.
Amém”(1
Tm 6:15,16).
c)
Os anjos
proclamaram em Belém que o filho de Maria era o Salvador, o
Messias e o Senhor